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terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

OS FANTASMAS DO SÉCULO 20 AINDA ARRASTAM CORRENTES, MAS JÁ SE TORNARAM INOFENSIVOS.

Quem comprará jornais e revistas obsoletos, acompanhará o mofino noticiário político pela internet, assistirá aos telejornais tediosos e escutará o mais do mesmo das rádios se lhe cair a ficha de que quase tudo que está em evidência não alterará em nada o rumo real dos acontecimentos?

Paulo Francis estava certo, a indústria cultural fez de nós patetas vivendo num inferno pamonha

Assim, as análises que tenho lido sobre a Micareta da Paúra do Xilindró se limitam a discutir:
— quantas reses atenderam ao berrante do Bolsonaro (quando a olho nu deu para concluirmos que foi uma manifestação igual a tantas outras ocorridas na avenida Paulista desde o #ForaDilma, nem insignificante, nem retumbante);
— se a influência do genocida maluco aumentou ou diminuiu (isto sob os critérios viciados da política institucional, ou seja, considerando ganho a volta de alguns governadores patéticos ao palanque ultradireitista);
— a possibilidade de o chororô repulsivo do fanfarrão acovardado lhe assegurar a impunidade que não merece nem obterá, etc.

Resumindo: mera espuma, sem nada de verdadeiramente relevante. Muita galinha e pouco ovo. Conversa pra boi dormir. 

Então, vamos ao que efetivamente importa.
A extrema-direita mostrou no último domingo (25) que já perdeu o discurso, as garras e o líder.

Depois do vexame que o Bolsonaro protagonizou ao pedir arrego publicamente, levantando a bandeira da paz porque já não tem como sustentar mais nenhuma guerra, nem mesmo como manter-se fora das grades, a tendência é que a direita civilizada recupere as rédeas.

Lula.3 está aí para comprovar que os donos do PIB podem manter sua dominação sem sobressaltos, por meio do avassalador poderio econômico de que dispõem e da lavagem cerebral efetuada dia e noite por sua indústria cultural. Por que eles haveriam de novamente bancar loucuras estridentes que só assustam o mercado e afugentam investidores? 

Então, a tendência é de a direita quadrúpede doravante ir saindo de cena e a bípede preencher  seus espaços, com o centrão continuando a governar e os presidentes da República sendo cada vez mais reduzidos a rainhas da Inglaterra.

É este o inimigo que devemos nos preparar para combater. Os fantasmas do século passado ainda arrastam correntes, mas já se tornaram inofensivos. 

E, como havia um vendilhão do templo no palanque dos golpistas derrotados e foi ele quem proferiu o mais raivoso discurso de ódio, vou encerrar com Gênesis 19:26-29
"Mas a mulher de Ló olhou para trás e foi transformada numa estátua de sal". (por Celso Lungaretti) 

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

HOMEM DE VERDADE FAZ SEUS ACERTOS DE CONTAS DE HOMEM PARA HOMEM

josias de souza
BOLSONARO TEM RECAÍDA E DÁ PORRADA NA SENSATEZ
No relacionamento entre a imprensa e os políticos, não há perguntas embaraçosas, apenas respostas constrangedoras. 

As entrevistas de Jair Bolsonaro sempre foram marcadas pelo constrangimento. Constrangem não pelas perguntas que o personagem é obrigado a ouvir, mas pelas respostas que ele não é capaz de fornecer. 

Neste domingo (23), o capitão abespinhou-se ao ser questionado por um repórter do jornal O Globo sobre os R$ 89 mil depositados na conta de Michelle Bolsonaro por Fabrício Queiroz e pela mulher dele, Márcia Aguiar. Fora de si, o capitão exibiu mais uma vez o que tem por dentro: 
"Minha vontade é encher tua boca com uma porrada, tá?" 
Bolsonaro esforçava-se para domar a própria língua desde 18 de junho, dia em que Queiroz foi preso. Assessores e aliados celebravam a mudança. Vã esperança! Um personagem que cultiva o hábito da ofensa há três décadas não muda depois de velho. Bastou um cutucão no lugar certo para estilhaçar encenação. 

O escritor Giuseppe di Lampedusa, autor de O Leopardo, ensinou: "Se você quer que as coisas fiquem como estão, as coisas terão que mudar." É grande o esforço do clã Bolsonaro para manter a encrenca da rachadinha como está. Por isso o capitão se esforçava para controlar os seus maus bofes. O diabo é que nenhum problema pode ser modificado até que seja enfrentado. 
O presidente revela-se capaz de tudo, exceto de enfrentar adequadamente as interrogações que brotam do inquérito estrelado pelo primogênito Flávio Bolsonaro. Certa vez, inquirido sobre o caso, o inquilino do Planalto disse ao repórter que ele tinha "uma cara de homossexual terrível". 

Em dezembro de 2018, dias antes de sua posse, quando se imaginava que Queiroz havia feito apenas um depósito de R$ 24 mil na conta da primeira-dama, Bolsonaro simulou uma explicação. Declarou que o dinheiro é parte do pagamento de um empréstimo de R$ 40 mil que fizera ao ex-assessor de Flávio. 

Meses depois, instado a exibir os recibos, Bolsonaro perdeu as estribeiras: "Pergunta pra tua mãe o comprovante que ela deu pro teu pai." Retirou-se da entrevista,na frente do Alvorada, dando uma banana para os repórteres. O gesto da banana não é senão uma outra versão do célebre hábito de erguer o dedo médio para os desafetos. Equivale a um "vai se f..". Coisa incompatível com a liturgia do cargo de presidente. 
Bolsonaro voltaria a se irritar numa entrevista concedida no Rio de Janeiro. Dessa vez, o assunto foi o miliciano Adriano Nóbrega, um personagem cuja biografia está encostada na família Bolsonaro. Adriano havia sido passado nas armas dias antes, numa ação conjunta das polícias do Rio e da Bahia. Bolsonaro silenciara por uma semana. Até que... 

Os repórteres crivaram Bolsonaro de perguntas sobre o amigo tóxico, defendido por ele em discurso na Câmara e condecorado pelo filho Zero Um na Assembleia Legislativa do Rio. Perguntou-se ao presidente se partira dele a ordem para que Flávio Bolsonaro empregasse no gabinete da Assembleia fluminense a mulher e a mãe do miliciano. E ele: "Vocês estão passando para o absurdo". 

Ao lado do pai, Flávio assumiu o microfone: "Homenageei centenas e centenas de policiais militares e vou continuar defendendo, não adianta querer me vincular com a milícia, não tem absolutamente nada com milícia. Condecorei o Adriano há mais de 15 anos". 

E quanto à contratação da mulher e da mãe do miliciano?, quis saber uma repórter. O presidente interveio: "Fica quieta, vai, deixa ele falar. Educação!" A entrevista acabou como começara: sem respostas. 

Bolsonaro ainda não notou, mas não será questionando a sexualidade, ofendendo a mãe ou distribuindo bananas aos repórteres que sedimentará a imagem de um líder confiável. O presidente da República não é apenas uma faixa. É preciso que por trás da faixa exista uma noção qualquer de honra. 

E a honorabilidade não é coisa que possa ser obtida dando porrada na sensatez. (por Josias de Souza)
Toque do editor Eu também tenho uma pergunta: "Presidente, quando o sr. ameaça pessoas dessa forma, o faz como governante ou como homem? Porque, se faz como presidente e conta com seus seguranças para defendê-lo do revide, não passa de um covarde. Era o que faziam os torturadores que o sr. tanto admira, ao agredirem quem seria morto se reagisse. Homem de verdade faz seus acertos de contas de homem para homem". (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 21 de abril de 2020

O BOLSONARO NÃO MANDA MAIS NADA. VIROU UM ESTORVO. O QUE FAZER COM ELE?

A tosse foi a melhor parte do discurso
Da ala militar do Planalto ao STF, do Congresso aos governadores, ganhou força esta semana uma pergunta que ninguém consegue responder no momento: o que fazer com Bolsonaro? 

Se ainda havia dúvida de que ele já não tem mais a menor condição de governar o país, agora não resta mais nenhuma, depois da grotesca micareta golpista de domingo (19), em frente ao QG do Exército. 

Bolsonaro virou apenas um estorvo, que não governa mais o país. Hoje (21), ele já não deu nem a tradicional paradinha no portão do Alvorada para mostrar que ainda é o presidente. 

O melhor retrato do fim de feira do seu governo foram duas fotos publicadas pela própria família no fim de semana. 

Numa delas aparece Bolsonaro, ao lado do seu estado-maior, o 01, o 02 e o 03, comendo espigas de milho numa mesa sem toalha, antes de Bolsonaro ir para o QG apoiar a manifestação de seus devotos, que pediam intervenção militar, a volta do AI-5 e o fechamento do Congresso e do STF. 

As faixas eram todas estranhamente iguais, confeccionadas no mesmo bunker que a PGR agora quer investigar. 

Na caçamba de uma camionete, o ainda presidente fez um discurso de dois minutos, sem pé nem cabeça, interrompido por um acesso de tosse. 

Os coveiros agradeceram aliviados
Na outra foto, depois do ato contra a democracia, Bolsonaro está no sofá no Alvorada, de camiseta, calção e chinelos, assistindo a uma live do ex-deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB, que já chefiou a tropa de choque de Fernando Collor, nos derradeiros dias de seu governo, pouco antes antes do impeachment. Mau sinal, má lembrança. 

Jefferson foi o único líder político que saiu em defesa do presidente, o que dá uma ideia do seu isolamento, após quase 16 meses de mandato. 

Na mesma noite de domingo, o filho Carluxo divulgou o vídeo de um grupo de seguidores de Bolsonaro num estande de tiro, disparando uma fuzilaria de balas e gritando Mito!

A milícia digital do 02, que mobiliza um exército de robôs para convocar carreatas e atos de apoio ao presidente, é hoje a principal base de sustentação do presidente, que ainda tem o apoio de um terço do eleitorado, segundo as pesquisas. 

Esse é o principal entrave para responder à pergunta sobre o que fazer com Bolsonaro, já que a maioria da população está em suas casas de quarentena, com medo da pandemia do coronavírus que se alastra pelo país. 

O coronavírus acabou, ironicamente, dando uma sobrevida ao governo, que já estava em frangalhos antes de a pandemia chegar ao Brasil. 

Só nesta 3ª feira (21), lideranças do PT, reunidas por vídeo conferência com Lula, decidiram aderir ao movimento do Fora, Bolsonaro, que por enquanto só existe nas bolhas das redes sociais, em que o bolsonarismo é imbatível.
A fala do 1º esqueleto alude a estarmos chegando a 3 mil mortos
Alternando a cada dia papéis de carrasco e de vítima, de apoiador do golpismo e de defensor da democracia, como mostrou a genial cartunista Laerte, o presidente improvável segue criando cortinas de fumaça e muita confusão para alimentar seu gado fiel e tentar manter o controle de um poder que já perdeu, mas não entrega. 

É tudo tão bem planejado que isso não pode ter saído só da cabeça dele e dos três filhos reunidos em torno das espigas de milho. 

Bolsonaro já não sabe mais o que fazer para o Brasil descobrir logo o que fazer com Bolsonaro. 

Eu não sou coveiro, respondeu, quando um repórter lhe perguntou sobre a confusão no número de mortos pela Covid-19 divulgada pelo Ministério da Saúde. 

É agora apenas um golpista que mia, como o definiu, com muita precisão, o editorial da Folha de S. Paulo nesta 3ª feira.

Até quando, meu Deus?

Vida que segue. (por Ricardo Kotscho)
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