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terça-feira, 6 de dezembro de 2022

SE TUDO NELE ERA FAKE, POR QUE SUA POSE DE MACHÃO DEVERIA SER AUTÊNTICA?

"
Nas fotos, [Bolsonaro] aparece com cara de quem teve o pirulito roubado. Mas isso também é falso. O doce estava em disputa, e ele perdeu. 

Crianças birrentas choram, se jogam no chão, esperneiam, espalham muco nasal e baba à sua volta. 

Adultos, quando chefes de Estado, têm de se ater à Constituição. 

Sem babar" (Reinaldo Azevedo) 
"E mesmo quem não tem coragem pra suportar,
tem de arranjar também coragem pra suportar!"

quarta-feira, 31 de março de 2021

AINDA SOBRE A (DES)ORDEM-DO-DIA QUE MANDOU CELEBRAREM A INFÂMIA

reinaldo azevedo
NOTA SOBRE 1964 PROVA QUE BOLSONARO É
INCAPAZ TAMBÉM COMO GOLPISTA. QUE BOM!
A
evidência de que Jair Bolsonaro quebrou a cara também como golpista da democracia –não me refiro a outros estelionatos– está na nota alusiva a 31 de março de 1964, assinada, desta feita, apenas pelo ministro da defesa, general Braga Netto. 

Em 2019 e 2020, a celebração do golpe trazia também as assinaturas dos respectivos comandantes das três Forças. Ocorre que, nesta terça (30), Edson Leal Pujol (Exército), Ilques Barbosa (Marinha) e Antônio Carlos Bermudes (Aeronáutica) estavam na condição de demissionários. 

É claro que é uma indignidade em si celebrar um movimento que rasgou a Constituição e instituiu uma ditadura no país sob o pretexto de preservar a democracia. Como costumo dizer, não se viu até agora tirania que se tenha imposto revelando seus reais propósitos. Todas elas apelam a valores elevados, escondendo suas mãos sujas de sangue. 

Não custa lembrar que, em seu preâmbulo, o AI-5 exalta um sistema jurídico e político que busca assegurar a autêntica ordem democrática, baseada na liberdade, no respeito à dignidade da pessoa humana". Sob a sua sombra, a canalha torturou e matou.

Sim, eu estava um tanto apreensivo com o que poderia sair da pena de Braga Netto, que resolveu se comportar como uma espécie de interventor de Jair Bolsonaro no alto-comando das três Forças. 

Acreditem: o que os próprios militares pensam a respeito de seu papel não é melhor do que pensa este articulista, que não é militar. E olhem que não pertenço a nenhuma corporação que tem a hierarquia como pilar. Mas volto à nota. 

Sim, é verdade, o texto de Braga Netto carrega a indecência inata de celebrar um golpe, chamado de movimento, mas é menos pretensioso e até mais manso do que aqueles que vieram à luz em 2019 e 2020... 

Mas que se note: não se vivia, então, uma efervescência golpista, e o presidente era mais discreto ao se comportar como as vivandeiras alvoroçadas que vão aos bivaques bulir com os granadeiros e provocar extravagâncias do Poder Militar, para lembrar a frase com que Castello Branco premiou o golpismo renitente no país. 

Desta feita, sim. Ainda nesta terça, em uma de suas extravagâncias, Bolsonaro apelou ao deputado Victor Hugo, líder do PSL na Câmara, para tentar emplacar o estado de mobilização, previsto no Inciso XIX do Artigo 84 da Constituição para a hipótese de haver uma declaração de guerra em caso de agressão estrangeira. 

A tese está à altura da estupidez bolsonariana: como o país está em guerra contra o vírus, então haveria a licença constitucional. 

Parece piada, mas é verdade. (por Reinaldo Azevedo)

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

QUANDO O GUINNESS AFINAL ANUNCIARÁ QUE O BOZO É RECORDISTA MUNDIAL DE CRIMES DE RESPONSABILIDADE IMPUNES?

O
Reinaldo Azevedo, que gosta de fazer tal contabilidade, atribuiu ao Bozo o cometimento do 17º crime de responsabilidade suficiente para justificar o seu impeachment em novembro último, como se pode ler aqui.

O Celso Rocha de Barros atualizou a relação, detectando uma tentativa de chantagear e/ou intimidar o Ministério Público no minuto 34 da última live presidencial de 2020. O trecho é o seguinte: 
"Agora, o MP do Rio, presta bem atenção aqui: imagine se um dos filhos de autoridade do MP do Rio fosse acusado de tráfico internacional de drogas. O que aconteceria, MP do Rio de Janeiro? Vocês aprofundariam a investigação ou mandariam o filho dessa autoridade pra fora do Brasil e procuraria (sic) uma maneira de arquivar esse inquérito? 

Um caso hipotético, falando de um caso hipotético (...). Caso um filho de uma autoridade do Ministério Público do Rio de Janeiro entrasse no inquérito da Polícia Civil do Rio e ali um delator tivesse falado que ele participava de tráfico internacional de drogas. Fica (sic) com a palavra as autoridades do Ministério Público do Rio de Janeiro".
Tanto a ele quanto a mim parece claríssimo que o Bozo, graças a seu serviço de espionagem paralelo e ilegal, ficou sabendo de algo que desconhecemos a respeito do filho de alguém importante no Ministério Público do Rio e ameaça trombeteá-lo se o MP não mudar sua postura nas investigações da
rachadinha do Flávio Bolsonaro, passando a tapar o sol com a peneira.

Assino embaixo da conclusão do meu xará colunista:
"Quanto à acusação feita pelo presidente, de duas, uma. Se ela for verdadeira, Bolsonaro vazou dados sigilosos de uma investigação da Polícia Civil que obteve ilegalmente. Se ela for falsa, Bolsonaro caluniou tanto o Ministério Público quanto a Polícia Civil.

A propósito, se Bolsonaro tiver aparelhado a polícia a ponto de vazar a acusação, pode perfeitamente tê-la aparelhado a ponto de forjá-la".
Por último, recomendo ao Rodrigo Maia, que de tanto sentar em cima dos pedidos de abertura de processo de impeachment contra o Bozo acabará batendo com a cabeça no teto, o velho sucesso de Osvaldo Farrés, Quizás, quizás, quizás, no qual há uma estrofe que parece ter sido composta especialmente para ele: 
"Estás perdiendo el tiempo/ Pensando, pensando/ Por lo que más tú quieras/ ¿Hasta cuándo? ¿Hasta cuándo?" (por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

O BOZO SURTOU: ESTÁ ESPUMANDO DE ÓDIO NUMA ESPIRAL DE DEMÊNCIA E DESTAMPOU DE NOVO O BUEIRO

"
Jair Bolsonaro vai dar trabalho. O cerco dos fatos ao senador Flávio Bolsonaro afeta o seu equilíbrio instável, e ele abre a tampa do bueiro. 

Chama os brasileiros de maricas, ameaça os EUA com retaliação militar, mente sobre efeitos colaterais da vacina, anuncia a cura da Covid-19, mergulha numa espiral de demência...

...Sim, ele dará trabalho. Testou um flerte com a racionalidade na esperança de que isso funcionasse como uma absolvição do filho e como uma trégua. Inútil. O Bolsonaro golpista está de volta. É sua identidade possível. As instituições que se preparem" (por Reinaldo Azevedona Folha de S. Paulo)

quarta-feira, 24 de junho de 2020

HÁ MAIS WEINTRAUBS A SEREM ENXOTADOS, COMO O RICARDO SALLES. AFORA O CHEFÃO DOS WEINTRAUBS, QUE JÁ VIROU UM ZUMBI

reinaldo azevedo
SE O COMUNISMO AMEAÇA CAPITALISMO NATIVO, NOSSO MAIOR COMUNISTA 
É BOLSONARO
O melhor que o capitalismo brasileiro poderia fazer em favor de si mesmo e do povo seria demitir Jair Bolsonaro. Mas isso não é coisa, se acontecer, que se faça da noite para o dia. 

Então, por ora, para se preservar de uma encrenca monumental, o país tem de botar na rua o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. 

Já não se trata mais de um risco. A questão chegou ao nível das advertências — e, pois, das ameaças: no caso, é a civilização ameaçando a barbárie, o que não deixa de ser um momento raro na história da humanidade. 

A verdade inequívoca é que a política ambiental é a principal fragilidade do Brasil quando este é submetido aos olhos do mundo que interessa. Na toada em que a coisa vai, investimentos externos tendem a ignorar o país, e o setor mais virtuoso de sua economia, o agronegócio, pode sofrer sucessivos golpes em razão da estupidez que reina na área. 

A referência da antipolítica ambiental do atual governo não é preservação do meio ambiente somada às virtudes do agronegócio de ponta. Tomam-se medidas para agradar madeireiros ilegais, invasores de terras indígenas e pistoleiros disfarçados de empreendedores rurais.                                                                                                       .
OS FUNDOS — Nesta 2ª feira (23), 29 fundos de investimentos que administram a bagatela de US$ 4,1 trilhões (R$ 21,6 trilhões) enviaram uma carta a sete embaixadas brasileiras –EUA, Japão, Noruega, Suécia, Dinamarca, Reino Unido, França e Holanda – pedindo uma reunião para discutir o desmatamento na Amazônia. 

Esses fundos acompanham o que acontece no país em detalhe. O documento especifica até número de expedientes legais que regularizam invasão de área pública e exploração de terra indígena e – ora vejam!  fazem referência explícita àquela intervenção indecorosa de Salles da reunião ministerial macabra do dia 22 de abril. 

Segundo o texto, as "declarações recentes do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que usou a crise da Covid-19 a fim pressionar pela desregulamentação ambiental", são um exemplo de "ameaça da desregulamentação das políticas de defesa do meio ambiente e dos direitos humanos no Brasil". 
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PARLAMENTARES EUROPEUS — Na 5ª feira (18), Rodrigo Maia, presidente da Câmara, recebeu uma carta de 29 integrantes do Parlamento Europeu que manifestam a sua preocupação com o que veem como uma escalada no país contra o Meio Ambiente. 

Os digníssimos integram a Comissão de Ambiente e comitês que tratam de agricultura e comércio exterior. Sem a concordância, entre outros, do Parlamento Europeu, não existe acordo Mercosul-União Europeia. Vai ver é precisamente isso o que querem os lunáticos que se dizem antiglobalistas. Vai ver o comércio internacional é prejudicial aos tradicionais valores do nosso povo, não é mesmo? 

Também nesse caso, a situação é acompanhada com lupa. Os eurodeputados citam como perigo ao meio ambiente e aos direitos humanos o PL 2.633, que trata da regularização de terras públicas invadidas; o PL 3.729, que muda regras de licenciamento ambiental, e o PL 191, sobre extração mineral em terras indígenas. 

E – claro! – também nesse caso, Salles, que envergonhou o Brasil na mais recente Cúpula do Meio Ambiente, é apontado como uma ameaça (o que, de resto, ele de fato é). 

Os parlamentares europeus pedem que seus congêneres brasileiros "ajam para manter e restaurar as leis e a estrutura necessária para proteger as florestas brasileiras e os direitos dos povos indígenas". 
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ENTIDADES — A terceira iniciativa é mais do que um puxão de orelha. Trata-se de uma ação prática. Cinco entidades internacionais de defesa do meio ambiente e dos direitos humanos – ClientEarth, Fern, Veblen Institute, FIDH e Fondation pour la Nature et l'Homme – apresentaram uma queixa à ombudsman da União Europeia pedindo a suspensão das tratativas do acordo do bloco com o Mercosul até que a questão ambiental no Brasil seja devidamente debatida. 

Eis aí: sob o pretexto de combater o comunismo e o globalismo, o governo Bolsonaro é hoje a maior ameaça ao capitalismo no Brasil, muito especialmente a seu setor mais dinâmico, o único que não foi à breca com a crise do coronavírus: o agronegócio. 

Os fundos de investimento chegam a citar nomes de empresas brasileiras que já estão sendo prejudicadas pela má reputação da política ambiental. E má reputação justificada. Também nessa área, o governo Bolsonaro mais se ocupou em destruir as políticas que estavam em curso do que em construir alternativas virtuosas. 

O Brasil tem uma bancada ruralista numerosa e influente. Cabe a seus membros decidir se apostam no fortalecimento do agronegócio ou se dão sustentação a uma política que ampara a pistolagem no campo, ameaçando as exportações brasileiras e os investimentos. 

MST? Não representa risco nenhum ao agronegócio. O nome do perigo, hoje, com reputação internacional já firmada, é mesmo Ricardo Salles. Que seja removido como medida imediata possível. Ou o país quebra a cara. 

Se o comunismo é mesmo uma ameaça ao capitalismo brasileiro, como querem os malucos, o maior comunista da nossa história se chama Jair Bolsonaro. (por Reinaldo Azevedo)
Toque do editor —  Numa ótica capitalista, o Reinaldo Azevedo está indiscutivelmente com a razão. Eu discordo, apenas, de que a remoção do Jair Bolsonaro não seja coisa que se faça da noite para o dia, pois tudo marcha para o presidente genocida não iniciar 2021 enverg(onh)ando a faixa presidencial.

Torço, juntamente com o Dalton Rosado, para que esteja iminente a superação do capitalismo, mas, embora se trate de uma tendência inexorável, conforme ele acertadamente diz, é impossível precisarmos quanto o sistema agônico ainda terá de sobrevida. 

E, enquanto não nos alçarmos a um degrau superior na trajetória da humanidade, é importante esforçarmo-nos para minorar o sofrimento dos mais vulneráveis e fragilizados, dos desempregados que vão às ruas todo dia em busca do que colocar na mesa familiar e muitas vezes voltam de mãos abanando, sem ter o que oferecer a suas crianças famintas.

O certo é que estamos entrando na pior depressão econômica da nossa História, mais terrível ainda do que aquela que lemos nos livros e vemos nos filmes, a da década de 1930, cujos efeitos foram mais devastadores na Europa e EUA do que aqui. 
Será, de novo, pelo menos uma década inteira de penúria. De acordo com as projeções capitalistas, somente lá por 2030 voltaríamos ao patamar econômico em que estávamos no início do século (mas talvez nunca voltemos a ele enquanto perdurar o capitalismo).

O certo é que a degola de ministros ensandecidos não será solução definitiva para nada e nem mesmo o afastamento do pior presidente da nossa História vai tornar o Brasil um mar de rosas. Mas, temos sempre de fazer tudo que pudermos para salvar vidas e minorar o sofrimento da nossa gente. O quanto pior, melhor é postura de fanáticos desumanos, não de revolucionários conscientes.

Neste sentido, livrarmo-nos de Salles e também de Bolsonaro são duas prioridades absolutas, duas providências inadiáveis. (por Celso Lungaretti) 

sábado, 20 de junho de 2020

IMPLOSÃO DO BOLSONARISMO ELIMINA HIPÓTESE DE GOLPE, MAS AINDA PODE VIR UM PUTSCH PARA CAUSAR MUITO ESTRAGO

Com a prisão do homem-bomba Fabrício Queiroz, o bolsonarismo faz água por todos os lados. 

Agora, muitos outros analistas vieram somar-se à conclusão a que cheguei já no dia (24/04) da ruptura do Sergio Moro com o presidente miliciano, assim expressa no artigo Moro deverá acrescentar hoje outra marca à coronha de sua arma:    
"...desde aquele domingo em que Bolsonaro afrontou as determinações sanitárias do seu próprio governo ao participar de uma manifestação ultradireitista, procedendo como um espalha-vírus alucinado, ele só tem feito cavar a sepultura do mandato que um destino insólito atirou-lhe no colo. 
São 40 dias cometendo erro após erro, dia após dia, a ponto de levantar suspeitas cada vez maiores de que lhe faltam condições mentais para o exercício do cargo. Os mais perspicazes já não tinham dúvida de que ele era um cadáver político insepulto, à espera do enterro
A imperdoável e asnática exoneração do ministro Mandetta foi algo assim como o penúltimo degrau do cadafalso. Faltava só a gota d'água, o episódio que causasse uma sensação generalizada de agora passou da conta, não dá mais!, tanto em termos políticos quanto jurídicos.
E Moro roubou o espetáculo, (...) empurrando Bolsonaro para o abismo".
A partir de então, passei a me referir ao Bolsonaro como um cadáver político à espera do rabecão institucional. Ontem (19/06) Reinaldo Azevedo buscou em Fernando Pessoa um rótulo semelhante, na coluna que foi seu ponto de chegada onde eu já estava havia oito semanas:
"O governo Bolsonaro acabou. A reforma da Previdência (é o) único marco que ficará destes dias, durem quanto durar... Isso à parte, sobra pregação golpista. E só.
Quanto tempo o mito ainda fica por aí? Não sei. Mas é um cadáver adiado que procria, para lembrar verso de Fernando Pessoa em caso bem mais nobre. E qualquer coisa que venha à luz, nessas circunstâncias, será necessariamente ruim.
Não temos mais um presidente, mas um refém do fundão do centrão".
De onde veio minha certeza imediata e absoluta de que, ao sair atirando, Moro ferira de morte o (des)Governo Bolsonaro? 

De que, no Brasil pós-pandemia, imerso na pior depressão econômica de sua História, um estadista de verdade vai fazer tanta falta que será impossível a permanência de alguém tão despreparado e desequilibrado na presidência da República.

Restava, unicamente, a hipótese do autogolpe, que sempre habitou os sonhos de Bolsonaro. Mas, pela convivência forçada que tive com os militares quando prisioneiro político nos anos de chumbo, eu sabia que era praticamente impossível eles virarem a mesa para manter um oficial de baixa patente como presidente. 

[Ainda mais um capitão a quem haviam empurrado para o portão de saída por ter questionado publicamente decisões superiores e tramado atentados terroristas. Quando eles dão golpe no Brasil, é para entregar a faixa presidencial a um general.]   

Mais: eles se veem como integrantes de uma instituição permanente, sendo grande seu empenho em legarem uma imagem íntegra aos que virão depois.

Então, depois do trabalhão que tiveram para superar o opróbrio das torturas e execuções durante a ditadura de 1965/85, jamais lhes passaria pela cabeça assumir responsabilidades tão espinhosas quando os augúrios para o Brasil são nada menos do que péssimos: depois que a pior crise sanitária de nossa História finalmente dissipar-se, será a vez da pior depressão econômica de nossa História desabar com impacto total sobre nós. 

Quem quererá ter sua imagem associada a tais desgraceiras? Só imbecis. E os altos comandantes militares, apesar do estereótipo de bicho-papão que impregna os comentários de uma infinidade de internautas, não o são.

Enfim, são águas passadas. Agora que a prisão do faz-tudo do clã escancara o envolvimento dos Bolsonaros com o crime comum até a eleição de 2018, seu filme está definitivamente queimado com os altos comandantes militares, que podem relevar truculências mas nunca, jamais, parcerias com a contravenção.

Os cadáveres que o delegado Sergio Fleury produzira como líder do Esquadrão da Morte de São Paulo, expostos pelo grande Hélio Bicudo, não fizeram com que eles retirassem a proteção que lhe concediam por haver, em seguida, passado a atuar na repressão política. Até uma lei criaram para evitar que fosse preso.

Mas, quando Bicudo provou que, naquele passado, Fleury não comandava o extermínio de criminosos para limpar as ruas, mas sim a soldo de um grande traficante que o utilizava para eliminar a concorrência, os verde-olivas de imediato o deixaram entregue à própria sorte. Pouco tempo depois, ele se tornou um raríssimo exemplo de dono de barco que cai no mar e se afoga... 

Por último, Demétrio Magnoli veio hoje (20/06) ao encontro da minha posição (vide aqui), trazendo um acréscimo importante: se golpe de Estado bem sucedido é carta fora do baralho, tentativa malograda pode haver, sim. Com isto eu concordo.

Putsch integralista será bisado 82 anos depois?
Algo nessa linha pode provir, principalmente, das polícias estaduais junto às quais os bolsonaristas desenvolvem intenso proselitismo, mas elas servem para arruaças (como na greve dos PMs cearenses) e tiroteios contra bandidos, não para empreitadas complexas; e de amadores metidos a bestas, como os zumbis evangélicos que estão recebendo treinamentos militares pra lá de suspeitos.

Mas, no frigir dos ovos, prevalecerá a velha tese marxista de que, na democracia burguesa, o poder dominante é o econômico. Então, os grandes empresários e banqueiros saberão impedir que seus negócios sejam fortemente prejudicados por aventuras estapafúrdias.

O que vem por aí são anos de marcha lenta na economia e de penúria entre o povo, com permanente risco de explosões sociais. Então, os donos do PIB têm total clareza de que o Brasil precisará de um apaziguamento dos espíritos e da boa vontade das outras nações para atravessar, a duras penas, tal período dramático.

Não terá uma coisa nem outra sob Bolsonaro (daí ele estar com os dias contados) nem sob qualquer outro governo autoritário e truculento, ainda que menos descerebrado. 

Então, um putsch pode mesmo acontecer e causar muito estrago antes do fracasso anunciado. Temos de ficar atentos a tal possibilidade. (por Celso Lungaretti)       

quarta-feira, 17 de junho de 2020

NO CREPÚSCULO DO SEU (DES)GOVERNO, BOLSONARO VESTE A PELE DE CORDEIRO E TENTA DESPERTAR COMPAIXÃO. PATÉTICO!

Quando acreditava possuir poder suficiente para impor sua vontade à nação, Jair Bolsonaro rugia: "Eu sou a Constituição". 

Quando os adversários de seu projeto absolutista o acuam nas cordas, ele se lamuria de forma tão hipócrita que, ao invés de atrair comiseração, provoca risos: 
"Não houve, até agora, nenhuma medida que demonstre qualquer tipo de apreço nosso ao autoritarismo, muito pelo contrário".
Percebendo que a contagem regressiva para o final do seu (des)governo ganha velocidade a cada momento, Bolsonaro acaba de divulgar nas redes sociais uma carta tão longa quanto piegas, concebida por alguém com uma mínima capacidade de escrever coisa com coisa (o que, evidentemente, não é o caso do próprio Bozo).
Dou meus parabéns ao ghost writer: ele tirou leite de pedra! O diabo é que passado e  presente do suposto autor daquelas linhas as torna totalmente inverossímeis. 

Nunca a expressão lobo em pele de cordeiro foi tão apropriada. 

Se Bolsonaro tivesse capacidade para escrever tal carta e se fossem  essas as suas convicções sinceras, não haveria tamanha urgência no seu afastamento do poder como condição sine qua non para evitarmos que o povo brasileiro venha a sofrer sua pior tragédia humanitária e amargar a depressão econômica mais rigorosa em todos os tempos.

Como a credibilidade de quem assina a carta é zero, considero absoluta perda de tempo expor as mentiras cabeludas e as forçações de barra a que o coitado do ghost writer teve de recorrer quando descascava o abacaxi, ou seja, ao tentar defender o indefensável.

Para quem quiser ler uma desconstrução parágrafo por parágrafo dessa peça de propaganda enganosa, sugiro que acesse a coluna do Reinaldo Azevedo no UOL. Ele é mais minucioso e bate em bêbado com maior prazer do que eu...    

Só para dar uma ideia, eis como o RA respondeu ao trecho da carta acima citado (o ghost writer levantou a bola para quem quisesse marcar o ponto e ele o fez de forma devastadora):
"Não é verdade nem nos valores que vocaliza nem nos atos que pratica:
 — prestigia manifestações em defesa do fechamento do Congresso e do Supremo;
— ameaça a política com a intervenção das Forças Armadas; 
— apoia grupos que discriminam minorias e incentivam a intolerância; 
— deu início ao desmonte de políticas ambientais sensatas sob o pretexto de combater exageros, o que prejudica a economia brasileira; 
— incentiva a invasão de terras indígenas; 
— agride bens protegidos pela Constituição com uma política e um discurso verdadeiramente homicidas para enfrentar a pandemia;
— confessa que está facilitando o armamento da população com vistas à guerra civil. 
É o suficiente para começar a conversa?".
.
Eu avalio como suficiente para encerrar a conversa. Em se tratando de uma carta assinada por alguém que realmente fez tudo isso de que o RA o acusa, que necessidade temos de conhecer as demais lágrimas de crocodilo que o dito cujo derrama quando sente o laço apertar-lhe o pescoço?! (por Celso Lungaretti)    

segunda-feira, 25 de maio de 2020

CONSCIENTE DE QUE SEU MANDATO TEM OS DIAS CONTADOS, BOZO VAI ARMANDO MAIS AINDA SUAS HORDAS. MILITARES SE OMITEM

Uma Calamity Jane bolsonarista 
Por maiores que fossem as minhas restrições ao Reinaldo Azevedo que, na década passada, disputava com Diogo Mainardi a liderança do ranking de articulistas reacionários da veja, sou honesto em reconhecer que, desde 2016, seu trabalho tem sido impecável. 

Tão logo percebeu que a consumação do impeachment de Dilma Rousseff, para o qual tanto trabalhou, não faria dele o guru de uma direita civilizada que voltaria a ser a força dominante da política brasileira, tendo servido, isto sim, para alavancar a direita selvagem que prefere se nortear pelos delírios do astrólogo da Virgínia, o RA deu uma guinada de 180 graus.

Entrincheirando-se na letra da Constituição, passou a combater a trupe fascista do Bozo e o tenentismo togado do Moro com o mesmo furor e competência antes utilizado contra os que ele batizara de petralhas.

Mas, como talentoso indiscutivelmente ele é, tem feito muito mais do que boa parte dos articulistas de esquerda para barrar a escalada ultradireitista. Se ela agora está morrendo na praia e o Bozo em vias de ser apeado do poder, o RA, sem dúvida, merece parte dos louros da vitória que, não temo afirmar, há de ser tornar definitiva ainda em 2020.

Aliás, o RA é outro que, como eu, ousa correr riscos, não se escondendo embaixo da cama como muitos heróis de tempos amenos. 

Então, aplaudo e me associo à sua denúncia de um dos maiores crimes de responsabilidade confessados pelo Bozo no vídeo incriminador de 22 de abril: o estímulo a suas hordas de celerados para se armarem até os dentes, sem nenhum controle por parte das Forças Armadas.

Cauteloso mas canhestro, o Bozo fingiu na reunião que o objetivo seria dar à população meios para se defender de ditadores, mas o único aspirante a ditador em franca atividade hoje em dia é ele mesmo. Não colou.
E aqui vale repetir as advertências do RA e seu alerta às Forças Armadas, de que, com sua ultrajante omissão, não só estão semeando uma tempestade que atingirá em cheio a elas mesmas, como se deixando desmoralizar num grau inimaginável, sem precedentes em toda a sua história:
"...isso nada tem a ver com o enfrentamento de bandidos ou com a defesa pessoal. Raramente, ou nunca, as Forças Armadas passaram por tamanha humilhação.
...o presidente havia exonerado o general Eugênio Pacelli, do Comando de Logística do Exército. Ele teve de deixar a Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados do Exército porque Bolsonaro se zangou com o militar. Seu erro: ter criado regras para rastrear armamentos e munições nacionais e importados. Seu erro: ter feito a coisa certa. 
Bolsonaro não quer rastrear nada. Ele revogou as portarias. Assim, desaparece o controle de armas e munições no país. 
Fuzis apreendidos com um único miliciano, amigo de um dos acusados da execução de Marielle Franco
Mais: (...) o presidente dá ordem a Sergio Moro e a Fernando Azevedo e Silva para que baixem outra portaria multiplicando por 33 a quantidade de munição que pode ser comprada por um civil: de 200 unidades por ano para 55 POR MÊS. E, com efeito, no dia 23 [de abril, o dia seguinte], a portaria veio à luz. 
Generais conhecem muito bem a implicação de um eventual armamento generalizado da população, ao arrepio de qualquer controle. (...) Braga Netto [que estava ao lado do Bozo na micareta de 22 de abril] sabe mais do que outros: foi ele o interventor na segurança púbica do Rio de Janeiro.  
Já hoje, com algum controle, as milícias e o narcotráfico dão uma sova no Estado brasileiro — e não deixa de ser uma humilhação às Forças Armadas também, convenham — porque armados até os dentes. Imaginem sem controle nenhum.  
Mas Bolsonaro considera ser esse o caminho para preservar a liberdade... 
Duvido que haja qualquer estudo na biblioteca das Três Forças que justifique esse ponto de vista. Duvido que algum militar responsável consiga defendê-lo à luz da segurança interna. 
De combatentes contra a subversão, as Forças Armadas do Brasil se transformaram em promotoras passivas da guerra civil"
Repito: nesta questão específica, junto a minha voz à do RA, pois tudo de que não precisamos é de uma guerra civil, na qual as incríveis milícias Brancaleone certamente sairiam derrotadas, mas a um custo com o qual o Brasil não pode arcar neste momento, por si só delicado ao extremo. 

Que as Forças Armadas desta vez façam a coisa certa e cortem o quanto antes o mal pela raiz (por Celso Lungaretti)

domingo, 17 de maio de 2020

BALA DE PRATA: SURGE O DELATOR QUE DERRUBARÁ O BOZO. COMEÇA A CONTAGEM REGRESSIVA PARA O FIM DO PESADELO!

O que Pedro Collor foi para o irmão Fernando, Paulo Marinho será para seu ex-aliado Jair Bolsonaro: o homem-bomba que vai completar o quebra-cabeças do impeachment, acrescentando a peça que faltava. 

O pior presidente da República do Brasil em todos os tempos vai finalmente deixar de destruir o país e maximizar o número de óbitos causados pela pandemia da coronavírus. Xeque-mate!

Para que os leitores possam ter uma noção do beco-sem-saída em que ora se encontra o palhaço sinistro, reproduzirei abaixo parte de um correto relato do Reinaldo Azevedo. 

Mas, o resumo da ópera é meu. Restaram quatro opções para o Bolsonaro:
— resistir ao impeachment inevitável até o mais amargo fim, como a Dilma;
— tentar o autogolpe com o qual sonha desde o primeiro dia e fracassar miseravelmente, sendo expulso pelos militares pela segunda vez (a primeira foi do quartel, desta será do palácio);
— meter uma bala no coração, como o Getúlio Vargas (mas, será que ele tem mesmo um coração?); e
— renunciar de uma vez por todas, provavelmente em troca da promessa de impunidade para si e para os filhos.

Pouco se me dá a escolha que ele fizer, desde que vaze depressa. O Brasil não tem mais tempo para desperdiçar com esse medonho acidente da História.

Segue trecho do artigo do Reinaldo Azevedo, publicado no UOL: Bomba 1: Ex-aliado diz que PF avisou a Flávio que Queiroz seria investigado.  
                                                                                                           
    
Há agora uma bomba armada no caminho do presidente. E o potencial de estrago é gigantesco. Paulo Marinho, suplente do senador Flávio Bolsonaro e ex-aliado do presidente — sua casa serviu de QG da campanha —, faz uma revelação em entrevista à Folha de S. Paulo que terá de ser necessariamente incorporada ao inquérito que investiga se Bolsonaro fez intervenções na Polícia Federal para proteger familiares e amigos seus. E se abre um novo território de investigação. O que conta Marinho? 

Segundo o empresário, Flávio lhe revelou, na presença de três outras pessoas, que, entre o primeiro e o segundo turnos das eleições de 2018, recebeu um aviso de que a Polícia Federal iria deflagrar uma operação e de que um dos alvos era Fabrício Queiroz. 

Pior 1: o alerta foi feito pessoalmente por um delegado da PF, simpatizante da candidatura de Bolsonaro. 

Pior 2: a operação estava pronta para ser deflagrada, mas foi adiada para não prejudicar a candidatura do Mito

O que isso tem a ver com o inquérito do STF? Apenas tudo! O que mesmo se investiga lá? Entre outras coisas, se Bolsonaro interveio na Polícia Federal do Rio e na direção-geral do órgão para proteger interesses de sua família e de amigos. 
Segundo Marinho, o então candidato Jair Bolsonaro foi avisado. A ser assim, a gravidade aumenta: 
1. No dia 12 de dezembro de 2018, Marinho recebeu uma ligação de Flávio, que estava transtornado. A Operação Furna da Onça, deflagrada no dia 8 de novembro, trouxera a público o extrato da conta de Fabrício Queiroz; 
2Marinho liga para o advogado Antônio Pitombo, que indica para o caso o também advogado Christiano Fragoso; 
3no dia seguinte, 13 de dezembro, às 8h30, reunião na casa de Marinho para tratar do assunto junta Flávio, os advogados Fragoso e Victor Alves — que trabalhava do gabinete do filho de Bolsonaro — e o proprietário da casa; 
4Flávio conta, então, que, uma semana depois do primeiro turno, em outubro, o coronel a se encontrar com o tal delegado; 
5Braga dá o aviso a Flávio, que autoriza o coronel a se encontrar com o tal delegado;
6. o encontro se deu na calçada da Superintendência da PF no Rio. Falaram com o delegado o próprio Braga, o advogado Victor Alves e Val Meliga, pessoa da confiança de Flávio e irmã de dois milicianos presos na Operação Quatro Elementos 
Recordar é viver...
7segundo Marinho, Flávio contou aos presentes que o delegado teria dito então a Braga, Alves e Val o seguinte: "Vai ser deflagrada a Operação Furna da Onça, que vai atingir em cheio a Assembleia Legislativa do Rio. E essa operação vai alcançar algumas pessoas do gabinete do Flávio. Uma delas é o Queiroz, e a outra é a filha do Queiroz [Nathalia], que trabalha no gabinete do Jair Bolsonaro, em Brasília";
8o delegado teria sugerido que os Bolsonaros se livrassem de pai e filha; 
9. de fato, no dia 15 de outubro, entre o primeiro e o segundo turnos e antes de ser deflagrada a Operação Furna da Onça, Queiroz pai foi exonerado do gabinete do Bolsonaro filho, e a Queiroz filha foi exonerada do gabinete do Bolsonaro pai; 
10Flávio conta, sempre segundo Marinho, que mantinha, sim, contato com Queiroz, que estava sumido nesse período, por intermédio do advogado Victor Alves; 
11Fragoso indica o advogado Ralph Hage Vianna para cuidar do amigão da família. Naquela mesma quinta, Queiroz se encontra com Vianna e leva junto o onipresente Alves; 
12Marinho vai para São Paulo e se reúne com os advogados Pitombo, Alves (o contato de Flávio com Fabrício), Hage (então possível defensor do ex-faz-tudo da família) e Gustavo Bebianno; 
13A reunião ocorreu no Hotel Emiliano, às 14h30 do dia 14; 
14No dia 18, sexta-feira, Flávio se encontra com Marinho na churrascaria Esplanada Grill, em Ipanema, às 13h30, e diz que o próprio Bolsonaro havia optado por "outro esquema jurídico". 
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