Mostrando postagens com marcador Joice Hasselmann. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Joice Hasselmann. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

O ESTADO É UM ENTE INSTITUCIONAL EMINENTEMENTE OPRESSOR, FUNDADO NUMA RELAÇÃO SOCIAL ESCRAVISTA – 2

 (continuação deste post)
O
EXEMPLO BRASILEIRO DE INGOVERNABILIDADE  – O capitão Boçalnaro, o ignaro foi eleito sob a bandeira do combate à corrupção, como se os males sociais derivassem, todos, desse fenômeno comum a todos os governos de antes, de agora e do futuro. O conservadorismo pseudo-moralista ultrapassado, mas conservado por muitos, também ajudou.

Ora, com seu notório primarismo de deputado do baixo clero (ainda que se fizesse passar por um outsider, malgrado ter acumulado três décadas de parasitários mandatos como vereador e deputado federal) e sua contraditória bandeira política (ao mesmo tempo que empunhava a bandeira do nacionalismo patriótico-militar, se declarava submisso na economia ao liberalismo mais ortodoxo do Chicago Boy Paulo Guedes), tinha tudo para naufragar no mar revolto da depressão econômica mundial capitalista. 

Em dois anos de desgoverno que se completará no final de dezembro deste fatídico 2020, o balanço que se pode fazer dos aspectos econômicos (sem adentrarmos para as questões de cunho étnico, dos costumes, dos direitos humanos, da dissociação de gênero, ecológicos, diplomáticos, etc., igualmente desastrosos) é o seguinte: 
1. fuga de investimentos no país - O relatório do Banco Central divulgado no último dia 25 mostra que, na comparação entre os meses de outubro/2020 e outubro/2019, os investimentos internacionais diretos na produção despencaram de US$ 8,221 bilhões para US$ 1,793 bilhão: queda de 79%.
Assim, virou letra morta a promessa tão trombeteada na campanha eleitoral, de que os ventos liberais para cá atrairiam 
capitais em profusão. O que atrapalhou:
— as incertezas políticas (o golpismo inicial, com hostilização anticonstitucional ao Congresso Nacional e ao STF, seguida de súbito recuo por temor de impeachment e rendição ao fisiologismo explícito do centrão); 
— não implementação da política de privatizações de estatais desejada pelo capital internacional, mas que esbarrou no nacionalismo-estatizante militarista tradicional e no fisiologismo dos aloprados que integram o núcleo duro do poder boçalnarista; 
— alinhamento diplomático subserviente e até suicida ao governo do igualmente maluco presidente destrumpelhado dos Estados Unidos; 
— incentivo à predação ecológica da Amazônia, que colocou água no chope do acordo Mercosul/União Europeia;
— agressão gratuita ao nosso maior parceiro comercial, a China, que agora já começa a ameaçar retaliação em face das inconsequentes declarações públicas do deputado federal Eduardo Bolsonaro, presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara Federal (trata-se daquele mesmo filho do presidente que queria ser presenteado com a embaixada do Brasil nos EUA, ridicularia que somente não vingou graças ao clamor generalizado contra tal nepotismo explícito);
— maior desvalorização mundial do real frente ao dólar estadunidense, tornando desvantajosos os investimentos no país transformados na nossa desvalorizada moeda, que aqui deveria produzir lucros improváveis. 
2
. 
estagnação econômica
 – no ano de 2019, primeiro do desgoverno Boçalnaro, quando o candidato eleito ainda detinha o apoio de todos os puxa-sacos e lideranças institucionais, o desempenho econômico foi dos mais pífios, com um aumento do Produto Interno Bruto de apenas 1,1%, repetindo o percentual do último ano do presidente Temerário. 

Ainda não havia covid-19 e o que se observou foi um surpreendente desentendimento entre personagens que demonstravam acentuada identidade com o pensamento (?)  boçalnariano, como Joice Hasselmann e Gustavo Bebianno (fato que talvez tenha contribuído para a sua morte prematura), sem falar nos generais demitidos precocemente. 

As intrigas palacianas dos filhos do presidente, que as defende, promove ou acoberta a partir do chamado gabinete do ódio, levou figuras proeminentes como Sérgio Moro a se tornarem inimigos do governo. É sempre assim: um castelo construído sob alicerces frágeis e de última hora sempre acaba desmoronando. 

Veio o ano de 2020 e a crise sanitária impôs um isolamento social que, apesar de sua extrema necessidade, foi desesperadamente combatido pelo presidente, como se tentasse uma fuga para a frente. Só piorou o quadro: a questão econômica, que já era crítica, agravou-se ainda mais, de forma que terminaremos o ano com a perspectiva de o  PIB despencar em 2020, ficando entre -4,5% e -5,%, o que representa um buraco aberto no fundo do poço que se imaginava ter sido atingido. (por Dalton Rosado)
(continuação neste post)

quinta-feira, 18 de junho de 2020

NEM O BRASIL, NEM O SÉCULO ATUAL, COMPORTAM GENÉRICOS TOSCOS DE NAPOLEÃO BONAPARTE

dalton rosado
A IDEOLOGIA EM
 XEQUE (MATE?) 
Começo por dizer que desejo, pelo bem do Brasil, a impeachment do presidente Boçalnaro, o ignaro. 

O governo do Brasil está acéfalo, preso a um comportamento ideológico ultraconservador, de natureza odiosa, com posicionamentos primários que demonstram até mesmo desconhecimento teórico doutrinário do conservadorismo tradicional... e isto num momento de crises econômica e sanitária sem precedentes! 

No momento em que inicio este texto, São Paulo bate mais um recorde de óbitos num mesmo dia. São estatísticas de mortes das piores guerras. Morre mundialmente hoje, algo próximo a uma Hiroshima e uma Nagasaki a cada mês.

Tudo está administrativamente paralisado (é o isolamento funcional de quem defende o direito à aglomeração disfuncional e genocida), daí personagens contrários à social-democracia, como Joice Hasselmann, Luiz Henrique Mandetta, Mansueto Almeida e Sergio Moro, dentre outros, já terem abandonado o barco governamental. 

Enquanto isto, o que o governo discute é como livrar-se (sem magoá-lo) do ministro ativista que extrapolou todas as medidas e se tornou indefensável: o Vem-entrave para a Deseducação. É mole?

Só fica nesse governo quem obedece à cegueira ideológica boçalnarista, e assim mesmo com o cuidado de não ser protagonista, pois a insegurança eleitoral pessoal do presidente só é menor do que o seu despreparo para o exercício do cargo num governo republicano burguês com divisão de poderes, pesos e contrapesos. 

Por mais que incense o capitalismo liberal-nacionalista (uma contradição desde o enunciado), ele não compreende que o verdadeiro poder no capitalismo é o capital, daí sua irritação por ter compreendido mal os limites de poder de um presidente.

É que ele (sem compreender claramente, mas agindo por impulso) está mais para um imperador como Napoleão do que para Robespierre, mas a realidade do tempo lhe é desfavorável. Nem o Brasil, nem o século atual, comportam genéricos toscos de Bonaparte.

A sua confusão ideológica é tão grande que ele, afora imperador, quer ser ao mesmo tempo um monarca absolutista, o que nos remete às lutas revolucionárias da metade do século 19, entre o feudalismo e a burguesia emergente;  Boçalnaro (que, aliás, é apoiado por monarquistas atuais), estaria na trincheira dos queriam conservar um passado fadado a desaparecer. 

Assim me posicionando, quero dizer que sou sabedor, como muitos outros que querem a queda do Boçalnaro, que os problemas estariam longe de serem resolvidos com esse desenlace. Mas tudo ficaria menos ruim.
Daí eu defender incondicionalmente a sua queda, mesmo que isto implique uma nova eleição (no caso de o TSE cassar a chapa vencedora em 2018 por fraude eleitoral). 

Ou seja, apesar de minha rejeição à democracia burguesa e de me alinhar sempre com os jovens que pregam o não voto!, sou, acima de tudo, solidário aos brasileiros que morrerão inutilmente se Boçalnaro continuar sabotando o combate à Covid-19. 

Quando os deputados, em sua grande maioria, foram eleitos pelo capital e coronelismo político interiorano, caracterizando-se pela avidez por negociatas com as verbas públicas, o impeachment é mais difícil de passar e também mais demorado, a menos que houvesse um levante nacional (que pode até ocorrer, por força da degradação visível da vida social). 
.
O FRACASSO DAS IDEOLOGIAS COMO FORNALHAS DO ÓDIO  – desde a derrota do feudalismo, selada com a queda em 1848 do último monarca francês (Luís Filipe) e estabelecimento da República e seus princípios burgueses, o mundo conheceu governos das mais diferentes formatações e posicionamentos ideológicos (de Bonaparte a Hitler, a Barack Obama e a Donald Trump) mas idênticos no conteúdo – a condição de meros gerenciadores e perpetuadores de um modo de produção voltado para as relações mercantis (produção de mercadorias para o mercado, sendo o próprio trabalho um mercadoria).
Foi o Marx exotérico, representando o autoproclamado comunismo científico, quem escreveu  em 1848, a quatro mãos com Friedrich Engels, o Manifesto do Partido Comunista, que defendia a revolução proletária e pretendia criar um Estado proletário como etapa de transição para uma sociedade futura, comunista, sem partido, sem Estado e sem classes sociais. 

Depois, contudo, abandonou tal ideia, concluindo que cometera um equívoco teórico conceitual: graças ao seu estudo profundo da economia política, que o levou a produzir a crítica desta, deduziu que a lógica de reprodução do capital a partir do desenvolvimento tecnológico aplicado à produção faria a relação social capitalista voar pelos ares.

Não seriam portanto, os trabalhadores assalariados, produtores de valor e de capital na condição de explorados, os sujeitos da revolução vitoriosa que promoveria a extinção das classes sociais diferenciadas e antagônicas, mas a consciência social exigida e criada a partir do colapso dos próprios fundamentos capitalistas.
Os anarquistas, que na 1ª Internacional dos Trabalhadores opuseram-se aos conceitos marxistas-engelianos de propriedade estatal dos meios de produção por considerarem-na, tanto quanto o Estado, desnecessária, também não compreenderam em toda a sua extensão a negatividade destrutiva e autodestrutiva do capital, uma vez que abriam exceção para a concentração dos meios de produção em cooperativas de trabalhadores, por eles admitida. 

Bakunin e seus seguidores não intuíam que a guerra concorrencial de mercado produziria, por essa via, conglomerados de trabalhadores capitalistas poderosos, os quais derrotariam trabalhadores capitalistas menos produtivos, com o que tudo terminaria na mesma.  

As correntes comunistas e anarquistas se digladiavam na construção de organizações proletárias, e a socialdemocracia burguesa se digladiava com os capitalistas mais conservadores nas instituições do Estado republicano democrático-burguês (cujo parlamento também tinha participação dos comunistas, como até hoje ocorre). 

Todos brigavam contra todos, e ainda hoje essa luta se estabelece, cada segmento com feições mais aguerridas ou mais conciliadoras; todos tendo como base de produção social o capital estatal ou privado.

Mas até aqui, o fracasso do capitalismo, ao invés de fazer com que a roda da história direcione-se para sua superação definitiva, que somente pode ocorrer com a superação do modo de produção capitalista (União Soviética e China, de tanto continuarem usando o cachimbo capitalista, entortaram a boca), promove o retrocesso, configurado num conservadorismo odioso, capaz de negar os mais elementares ganhos civilizatórios. 

Se não, vejamos:
— por que assistimos uma advogada a dizer que é preciso estuprar e matar filhas de magistrados superiores para que as coisas mudem? 
— por que uma desequilibrada e sociopata Sara Winter ousa dizer que sabe onde os ministros do STF moram, quem são suas empregadas, etc., e que, portanto, devem tomar cuidado? 
— por que os manifestantes boçalnarianos agridem jornalistas que cumprem as suas funções de noticiar os acontecimentos (e até os fotógrafos e motoristas que os acompanham)?
— por que pessoas que até ontem conviviam fraternalmente, hoje estão de tal forma polarizadas que a divergências políticas impossibilitam qualquer convivência civilizada?
— por que profissionais da área da saúde, que reivindicam melhores condições de trabalho, são agredidos por maltas alimentadas com teorias da conspiração e ódio à ciência? 
— por que se tenta defender teses as mais absurdas, como negar a ocorrência de queimadas criminosas na Amazônia ou a existência de povos indígenas e da exclusão social dos afrodescendentes trazidos ao Brasil e às Américas como escravos (e que continuam a sê-lo, agora de forma menos chocante mas igualmente efetiva, no capitalismo)? 
Só há uma explicação para o caos estabelecido: vivemos sob a égide de formatos políticos e econômicos que estão absolutamente dissociados do conteúdo atual das relações sociais em desenvolvimento, graças ao avanço do saber tecnológico e do conhecimento humanista adquiridos pela humanidade. 

As ideologias estão em xeque; todas elas. O poder vertical está em xeque; todo eles. 

Precisamos nos reinventar, sob um novo modo de produção, como forma de exorcismo do ódio. 

Sem ódio e contra eles: Fora, Boçalnaro! (por Dalton Rosado) 

quarta-feira, 10 de junho de 2020

MARCELO COELHO DIZ O ÓBVIO ULULANTE: "É INCRÍVEL QUE TANTOS BRASILEIROS SE SINTAM FRACOS DIANTE DE UM PATETA"

marcelo coelho
MEDO DO IMPEACHMENT ENTORPECE A OPOSIÇÃO
Fora algum incidente mínimo, as manifestações pela democracia e contra o racismo no domingo passado foram expressivas, bem organizadas e incapazes de dar pretexto a infiltrados e aproveitadores.

Talvez a movimentação contra Bolsonaro ganhe mais força a partir de agora.

Não é nenhum bicho de sete cabeças, afinal, sair às ruas com a devida máscara cirúrgica e todas as precauções de praxe.

Se o presidente e seus seguidores descreem do coronavírus, nem por isso precisam ter exclusividade nos atos de protesto.

E as ruas vinham fazendo falta na luta pela democracia.

Nunca vi tantos abaixo-assinados. Nunca cliquei tantos apoios a documentos na internet. O problema é que o mundo virtual, por mais que tenha lá suas estatísticas, não dá ideia da dimensão real das coisas.

Mil fanáticos de amarelo, com um presidente no meio, acabam projetando uma imagem superdimensionada de seu peso político.

Não minimizo a ameaça que representam. Muito ao contrário: estão se armando e naturalmente tendem a crescer, porque se julgam mais fortes do que são.

Como não havia manifestantes do outro lado, iam até acreditando que eram, de fato, a maioria da população.

Um pouco de gente real, protestando contra o fascismo, era indispensável. Se não houver vandalismo e violência (algo que lamentavelmente seduz parcelas dos manifestantes), é possível que a coisa cresça.

Agora começa a cair a ficha. A oposição anda intimidada, entorpecida e confusa, enquanto o bolsonarismo não para de avançar.

Não há sinal mais claro disso do que a quantidade de argumentos invocados contra o impeachment:
1. não há maioria no Congresso — Sim, pode ser verdade. Mas Bolsonaro tem se isolado cada vez mais. Quem poderia imaginar, há poucos meses, que Lobão, Moro, Joice e Janaina estariam na oposição?

No Brasil, o improvável acontece todo dia. Talvez o Congresso precise de mais alguns empurrõezinhos. Na eventualidade de novas mobilizações de rua, ou de novas barbaridades presidenciais, pode ser que se mexa. Só não vai se mexer se, mesmo entre opositores convictos de Bolsonaro, o medo do impeachment predominar.
E será estranho se o Congresso continuar apoiando as forças que pretendem fechá-lo.
2. de que adianta tirar um capitão para dar posse a um general? — Poucos argumentos me parecem tão acovardados como este.

Na hipótese de uma vitória do impeachment, o clima político do país seria totalmente diverso. Estaríamos vendo um fortalecimento entusiasmante da democracia e uma recomposição radical do equilíbrio de forças. Mourão teria de se adaptar a esse esquema ou negociar uma transição.
3. também pode acontecer de Bolsonaro vencer a batalha do impeachment, e sair ainda mais fortalecido — Mas não é bem assim. Trump não ficou melhor nem pior depois de confirmado no cargo.

Você pode dizer que o Brasil é diferente; mesmo antes de ser votado, o impeachment poderia dar pretexto para Bolsonaro dar o seu desejado golpe. Discordo. Quanto mais forte a bandeira do impeachment, menor a sua ousadia. 

Ele é evidentemente um burro e um descontrolado. Lembro de 1992. Posto contra a parede, Fernando Collor se perdia em caretas, acessos e pronunciamentos desesperados. Foi seu próprio coveiro.
4. o momento agora é de unir forças contra a Covid-19, sem uma crise política por cima — Este argumento saiu um pouco de moda. Todos sabemos que Bolsonaro é o maior obstáculo ao enfrentamento do coronavírus. 

A tentativa de esconder os dados de letalidade é sua última proeza. Ele faz tudo o possível para espalhar a doença. Deseja o vírus com a mesma intensidade com que deseja as armas de fogo e as queimadas da Amazônia.
5. ele ainda tem o apoio de um terço do eleitorado — o rebanho bolsonarista só se mantém em um terço porque não está confrontado com a existência fatual dos outros 70%. Vive numa bolha. A loucura se transmite, como um vírus. 

Mas a razão também tem seus poderes: estaríamos na idade da pedra se não fosse assim. Com imensos esforços, o nazismo e o stalinismo foram derrotados. 

É incrível que tantos brasileiros se sintam fracos diante de um pateta. (por Marcelo Coelho)
Toque do editor — este artigo do Marcelo é um daqueles que eu gostaria de haver escrito, pois expressa com máxima fidelidade as minhas avaliações e sentimentos ante a extrema mediocridade do Bozo e a extrema pusilanimidade da nossa esquerda, que fica atribuindo suas patetadas aos mais inverossímeis desígnios secretos e chegou ao absurdo de desaconselhar as manifestações de domingo, decisivas para empurrarmos definitivamente o (des)governo atual ladeira abaixo.

Digo e repito: o Bozo é apenas um trapalhão destrambelhado, com uma ignorância política abismal, que tinha imensas chances de dar um golpe no início do seu governo mas, por absoluta falta de noção, deixou a situação inverter-se por completo. 

Hoje não passa de um cadáver político à espera de que o rabecão institucional passe para o recolher. 
.
(por Celso Lungaretti)

sábado, 9 de maio de 2020

"OS QUE LAVAM AS MÃOS, O FAZEM NUMA BACIA DE SANGUE" – IMPERDÍVEL!

mário sérgio conti
ESPERAR QUE A ELITE DETENHA BOLSONARO É ACEITAR UM GOLPE E MILHARES DE MORTES
Aconteceu o previsto nos idos de março:
— milhões se acotovelam para receber uma merreca;
— os exames para detectar o corona são irrisórios;
— o SUS superlotou e os planos de saúde querem que os pobres se explodam;
— o mitômano sabota o confinamento e prepara um golpe.
.
Os números sobre a peste são subestimados e suspeitos —exceto o dos mortos, que cresce de modo apavorante. É cada um por si e Messias contra todos. Está certo que ele não é mais lambido por Mouro e Maneta; por Joice Hellmann’s e Janaína del Fuego; por Frotão e Lobinho.

Mas os afagos testiculares da turma são largamente compensados pelo largo —bota largo nisso— derrière de Maia, que sentou numa pilha de pedidos de impeachment. E a debandada dos palacianos é reequilibrada pela subserviência de Toffoli, estafeta do PT transmutado em rábula de Bozo.

Por fim, há bois à beça no rebanho dos aduladores. Os zebus são pastoreados por Guedes, que na quinta-feira levou 15 reses pelo cabresto ao estábulo em frente ao Planalto. Muuuu, mugiram elas enquanto o dócil Toffoli lustrava as ferraduras do cavalão indócil.

Guedes obedece aos donos do dinheiro. Cumpre ordens de gente fofa como o cervejeiro Jorge Paulo Lemann, que está amando de paixão a mortandade: O que gosto mais é que toda crise é cheia de oportunidades. Vai uma cervejinha?

Ou Guilherme Benchimol, o especulador classudo: O pico da doença já passou quando a gente analisa a classe média alta. E vaticinou: Se as reformas continuarem avançando, a crise política não atrapalha. Invista em mim, que a crise é mansa!

A guarânia das reformas para atrair investimento externo não termina nunca por um motivo singelo: o investimento externo só chegará se —e quando— as reformas diminuírem o valor do trabalho. Vide a Ásia.

Os dólares virão se os direitos trabalhistas virarem pó, quando sindicatos e partidos populares forem anestesiados. Chegarão às mancheias se a liberdade e a democracia forem letra morta. Daí o conluio dos faria limers com o ferrabrás.

Não é verdade que a pandemia tenha feito Bolsonaro alucinar. O lado poltrão e pirado do cavalão já era bem conhecido. Mas a Covid-19 fez com que acelerasse o galope rumo ao golpe e escoiceasse adoidado. Sua louca cavalgada tem duas constantes.

Primeiro, o mito pintou a Esplanada de verde-oliva. Com 3 mil milicos, o Executivo é hoje uma caserna.

Como os azeitonas têm expertise em destruir, foram incumbidos de gerir o féretro pandêmico. Receberam também a missão de atacar a Amazônia e acobertar agronegociatas.

As classes conversadoras solfejaram meses a fio a pia ladainha que generais iluminados tutelariam o mitômano. Deu-se o contrário. Ele é o chefão inconteste das Forças Armadas. Vem encurralando o Supremo e o Congresso para, na hora agá, recorrer à força bruta e peitá-los.

Como faria isso? Messias tem vários cenários e pretextos à mão: descumprir uma ordem judicial; saques; a prisão de um filho; a sublevação de um setor da PM; um levante popular; inventar uma conspiração comunista.

Numa paisagem de caos, contando com a simpatia de Trump e a obediência da tropa, Bozo pode muito.

E tanto mais poderá se não for enfrentado. Mas, exceto por um ou outro juiz, os mandachuvas se limitam ao suave palavrório das notinhas de repúdio. O grosso da elite tem lavado as mãos.

A provocação, o incremento da divisão política, da discórdia e da depuração são traços do bonapartismo —essa trilha rumo à ditadura.

Eles se coadunam com a segunda constante do governo Bolsonaro, que se acentuou nos últimos dias: a mobilização da escória para fins de intimidação física.

Foi o que se deu no 1º de maio: o presidente reuniu sua corja, que clamou pela ditadura e esmurrou jornalistas. O troco veio pouco depois, na mesma praça dos Três Poderes.

Chamados pelo seu sindicato, dezenas de enfermeiros protestaram ali. Ao contrário dos bolsonaristas, usaram máscaras e mantiveram distância entre si. Atacados pela malta verde-amarela, eles se mantiveram firmes e altivos.

Houve protestos semelhantes nos dias seguintes. Todos eles respeitaram as normas de segurança da pandemia. Mostraram disposição em não ceder o espaço público aos bandidos e milicianos do presidente.

Os protestos deram carne às palavras do ator Lima Duarte, que citou Brecht para homenagear seu amigo Flávio Migliaccio, que se suicidara de desgosto dias antes: Os que lavam as mãos, o fazem numa bacia de sangue. (por Mário Sérgio Conti)

domingo, 5 de janeiro de 2020

BOZO ANO 1: AS BASES DA RECUPERAÇÃO ECONÔMICA FORAM MESMO ASSENTADAS OU ESTAMOS SENDO ILUDIDOS? (parte 1)

dalton rosado
RESULTADOS DE 2019, O ANO QUE ENCARAMOS
Em outubro do ano retrasado escrevi o artigo 2019, o ano que vamos encarar (clique aqui p/ acessar), no qual fazia uma avaliação do que poderia advir do governo que estava começando. 

O otimismo era generalizado, tanto da mídia e de setores formadores da opinião pública, como até mesmo de grande parte dos trabalhadores, atingidos pelo desemprego estrutural e pelos baixos salários pagos aos sub-empregados, daí a expectativa ansiosa pela melhora prometida eleitoralmente.

Todos se deixaram levar pela cantilena milhões de vezes repetida de que o problema se restringia fundamentalmente à corrupção com o dinheiro público, a qual seria combatida de modo eficaz, desobstruindo o caminho para o Brasil decolar, graças aos desempenhos: 
— do pretenso paladino da luta contra a corrupção, Sérgio Moro, metamorfoseado num ministro com fantasia de super-homem; 
— do ministro Paulo Guedes, guindado à condição de economista-liberal-redentor da depressão econômica brasileira; 
— e dos demais membros da trupe, tutelados todos pelo novo salvador da pátria, o capitão Boçalnaro, o ignaro. 

Ódios disseminados à parte, eram das mais alvissareiras as perspectivas às vésperas da troca de guarda no Palácio do Planalto.

O meu prognóstico pessimista para 2019  não derivava de um sentimento mórbido derrotista tipo quanto pior, melhor, mas de análise concreta da conjuntura econômica nacional e mundial, cujos pressupostos anunciavam (e hoje ainda mais) o limite interno de uma forma de relação social que atingiu o seu ponto de expansão e entrou em declínio, necessitando de sua superação histórica.

Prognosticávamos que as dificuldades persistiriam, já que que nossos problemas não se cingem a uma questão de pessoas no governo, mas da necessária superação da própria forma de relação social e seu correspondente governo; da superação do próprio poder político-econômico instituído em si. 

Não deu outra. Estamos diante de uma conjuntura internacional de queda do crescimento econômico e os números da economia brasileira mais se parecem com aquela história do bode na sala, cuja retirada proporciona um certo alívio e faz aumentar a tolerância com os demais problemas. 

No campo político nacional e internacional o desastre do governo é ainda maior, pois terminamos o ano: 
— com a imagem internacional do Brasil desgastada pelas medidas anti-ambientalistas;
— comprando agressões gratuitas e incrivelmente misóginas como a disparatada afirmação de que a esposa do presidente francês, a simpática e respeitável Brigitte Macron, seria “feia e velha”;
— com a rejeição estadunidense à nossa entrada na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, apesar de todo o servilismo incondicional brasileiro ao presidente destrumpelhado;
— com o fracasso da oferta de concessão internacional para exploração do petróleo do pré-sal brasileiro, que foi minimamente atenuado pelos chineses, embora estes tivessem recebido agressões despropositados;
— com a desconfiança do mundo árabe, por causa da intenção de transferir a embaixada brasileira em Israel para Jerusalém;
— com a aposta furada na reeleição de Maurício Macri na Argentina, nossa maior compradora de mercadorias manufaturadas que agregam valor, e a hostilidade anti-diplomática ao candidato eleito Alberto Fernández;
— com a rejeição defensores da legalidade constitucional às declarações e ameaças de promulgação de um novo AI-5, lançada por destacados membros da clã Bolsonaro e pelo Guedes, caso houvesse uma retaliação social às medidas de arrocho fiscal e de insatisfação com a questão da distribuição de renda e restrição dos direitos sociais, disfarçadas sob a acusação da eventual possibilidade de descontrole institucional;
— com a briga com o partido pelo qual Bolsonaro se elegeu (o PSL) pelo controle partidário e pelas polpudas verbas eleitorais, que rachou a maior bancada de deputados de apoio ao governo (quem diria, hein, deputada Joice Hasselmann...);
— com a recusa em dar apoio e incentivos à cultura em geral e colocando obtusos gerenciadores nos órgãos públicos voltados para a consolidação do melhor da nossa história e costumes, chegando-se, por um desses desavisados, à agressão a nossa diva do teatro Fernanda Montenegro, que, ao completar noventa anos, a maioria deles dedicados à arte dramática, com reconhecimento internacional, viu-se   destratada oficialmente;
— com afirmações esdrúxulas como taxar de energúmeno o nosso internacional Paulo Freire, o educador dos despossuídos e socialmente segregados, cujo método de alfabetização é copiado com sucesso mundo afora (menos no Brasil);
— com a tentativa frustrada de emplacar como embaixador do Brasil nos EUA o zero à esquerda (o deputado federal Eduardo Bolsonaro), numa explícita e descarada afirmação de nepotismo governamental, tendo, contudo, o tiro saído pela culatra.

E tantos outros exemplos negativos, saídos diariamente da própria fala presidencial destemperada ou dos muitos mecanismos de comunicação direta pela internet comandados a partir do Palácio do Planalto ou de sua entourage, cujas baixarias caberiam em várias páginas deste artigo.

No campo político o único ponto tido como positivo (e assim mesmo graças ao Congresso Nacional, sempre obediente às ordens do capital) foi a aprovação da reforma da Previdência Social, que retira direitos em nome de um futuro pretensamente promissor. É mole? 

Mas, devemos fazer uma análise pontual realista das negativas questões econômicas, essas tidas por todos como ponto da modesta sustentação e esperança de um governo cuja popularidade é a menor para um primeiro ano desde a redemocratização. (por Dalton Rosado)
(continua neste post)

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

HÁ UM MONTE DE BODES MORTOS NA SALA DO PSL E AS ELITES FINGEM-SE DE CEGAS QUANDO VEEM AS CARCAÇAS

vinícius torres freire
BOLSONARISTAS DENUNCIAM BOLSONARISTAS
Desde que começou o furdunço no PSL, bolsonaristas engrossam a lista de denúncias contra o bolsonarismo. 

É constrangedor dizer tal obviedade. O assunto é do conhecimento de qualquer leitor de jornais, mas as elites fazem cara de paisagem diante do monte crescente de bodes mortos na sala.

Sendo sarcástica, a gente pode dizer que se trata de um tipo novo do crime de ocultação de cadáver. Em vez de desaparecer com o morto, as pessoas ensaiam uma cegueira quando veem a carcaça do bicho.

Vão desver também o novo caso Queiroz? Fabrício Queiroz foi flagrado a discutir nomeações no Congresso e os meios de ganhar “20 continho aí” com essa mumunha, como revelou o jornal O Globo.

Por enquanto, não é possível saber se Queiroz era só garganta ou se de fato traficava influência. Mas tem gente com conhecimento de causa. Ao saber da história dos 20 continho, o deputado federal Delegado Waldir aproveitou a oportunidade para cumprir um tico da sua promessa de implodir Bolsonaro.
Waldir era líder do PSL na Câmara. Caiu em desgraça no bunker presidencial, foi frito por Bolsonaro e perdeu o filé mignon da liderança para Eduardo, o filho 03. Ao saber dos 20 continho de Queiroz, o deputado observou:
1. “em nenhum momento, a rachadinha parou”; “Queiroz continua operando”;
2. “ao fingir que a corrupção não ocorre, é visível que ele [Bolsonaro] se afastou das propostas de campanha, e nossa ala [do PSL] não aceita isso, ao contrário da ala bolsonarista”.

Queiroz, como bem se sabe, foi assessor de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio e amigão de Jair Bolsonaro por muitos anos. É acusado de gerenciar o esquema de rachadinhas no gabinete estadual do filho 01 e fazia um meio de campo da agora família presidencial com famílias milicianas.

Delegado Waldir prometeu implodir Bolsonaro quando explodiu o salseiro do PSL, que teve origem na série de reportagens da Folha de S. Paulo sobre o laranjal do partido na campanha de 2018. 

Por falar nisso, a deputada federal Soraya Manato disse em plenário que o PSL teve candidatos laranja, como “em tudo que é partido”.

Ainda nessa refrega, a deputada Joice Hasselmann também foi degolada. Em um arranca-rabo com os filhos do capitão pelas redes insociáveis, disse saber o que eles fizeram no verão passado, além de acusar a filhocracia de manter um esquema clandestino de propaganda e difamação digital, talvez no próprio Planalto.

Do outro lado do balcão pesselista, pró-Bolsonaros, o deputado federal Daniel Silveira escreveu a colegas do partido que teria “muita coisa” para “ferrar”, digamos, o Parlamento; que iria “bagunçar o coreto de todo mundo” e “sacudir o Brasil”. 
Silveira procurava assim se defender de uma ameaça de cassação por ter grampeado uma reunião de amotinados do PSL.

“Garanto que não estão acostumados com alguém como eu”, arrematou, com realismo autorreflexivo. Mas o que teria a dizer esse alguém como eu? 

Saberá Deus, mas Silveira fez campanha vilipendiando a memória de Marielle Franco. Do alto de um palanque, quebrou uma placa com o nome da vereadora assassinada, provavelmente por milicianos próximos daqueles amigos do Queiroz.

Com Queiroz o círculo parece se fechar, mas o circo de aberrações na verdade está com as portas abertas, o espetáculo começa quando você chega...

Polícia, procuradores, parlamentares, alguém vai? (por Vinicius Torres Freire)
Related Posts with Thumbnails