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segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

QUEIROGA, QUE POR SERVILISMO RETARDA A VACINAÇÃO DE CRIANÇAS, ESCOLHEU O SEU LUGAR NA HISTÓRIA: A LIXEIRA.

leonardo sakamoto
BARRA TORRES HUMILHA BOLSONARO E
 REDUZ AINDA MAIS O TAMANHO DE QUEIROGA
U
m dos efeitos colaterais da nota pública divulgada pelo presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Antônio Barra Torres, pedindo coragem para que Jair Bolsonaro prove as acusações que fez contra ele e o órgão que dirige ou se retrate publicamente, é reduzir ainda mais a estatura diminuta do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. 

"Se o senhor dispõe de informações que levantem o menor indício de corrupção sobre este brasileiro, não perca tempo nem prevarique, senhor presidente. Determine imediata investigação policial sobre a minha pessoa aliás, sobre qualquer um que trabalhe hoje na Anvisa, que com orgulho eu tenho o privilégio de integrar", escreveu Barra Torres. 

"Agora, se o senhor não possui tais informações ou indícios, exerça a grandeza que o seu cargo demanda e, pelo Deus que o senhor tanto cita, se retrate", acrescentou. 

Bolsonaro e aliados transformaram a Anvisa em alvo porque a agência tem tomado decisões coerentes com a ciência, como o aval técnico à vacina da Pfizer (aquela que Jair disse que transformava pessoas em jacarés) para crianças. 
Em sua cruzada contra a proteção das crianças, Bolsonaro insinuou que a Anvisa tem interesses escusos por trás da liberação do imunizante e diz não saber a pressa para aprovar produtos que salvariam crianças. 

A resposta é dada pelo Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe: do começo da pandemia até 6 de dezembro, foram registrados 301 mortes entre 5 e 11 anos por covid-19. 

O texto do contra-almirante é uma chulapada elegante num Bolsonaro que, ironicamente, vive de lacração. Não será surpresa se o gabinete do ódio que opera dentro do Palácio do Planalto estiver preparando alguma fake para que a nota pública não fique sem resposta junto ao bolsonarismo-raiz. Afinal, o presidente precisa manter a aura de mito para sua base de apoiadores. 

Apesar da manutenção da estabilidade no serviço público ser fundamental para que funcionários possam peitar ordens ilegais e estapafúrdias de político (proteção esta que muita gente adoraria ver removida numa reforma administrativa), a diferença entre eles vai além da garantia de mandato de Barra Torres – que não pode ser demitido até 21/12/2024. 

Há diretores de autarquias federais que, por proximidade de pensamento ou planejamento de seu futuro político, não peitam presidentes. Pelo contrário, preferem bajulá-los em detrimento ao interesse público. 

O que não tem sido o caso de Barra Torres e da Anvisa, que colocam a saúde coletiva acima dos interesses eleitorais e ideológicos de Bolsonaro.  

E estabilidade do cargo nenhuma evitará o fato que, por conta da coragem de publicar a nota, ele e sua família sejam alvos da máquina do ódio bolsonarista – como, aliás, estão sendo.

Já Marcelo Queiroga não foi reduzido à condição análoga à de escravo, crime previsto no artigo 149 do Código Penal. 

Ele não é um trabalhador que foi enganado, assediado, ameaçado ou agredido para endossar o comportamento criminoso do presidente, tampouco para ajudar em sua sabotagem ao combate à pandemia (o epidemiologista Pedro Hallal fala em 500 mil mortes evitáveis). Queiroga se ofereceu conscientemente para o serviço, mesmo tendo condições para dizer não. 

Luiz Henrique Mandetta, p. ex., bateu de frente com o negacionismo de Bolsonaro ainda como ministro da Saúde e deixou o cargo. Nelson Teich não quis endossar a política de entupir os brasileiros de cloroquina e também vazou. 

Queiroga, por outro lado, aceitou se tornar cúmplice não só do morticínio de adultos, mas também o de crianças ao fazer de tudo ao seu alcance para atrasar a vacina a pessoas de 5 a 11 anos. 

Mostrou-se, dessa forma, um homem pequeno, que tem medo de perder o máximo de poder que conquistará na vida, sonhando, talvez, com um apoio presidencial para disputar um cargo de deputado, senador e quiçá governador na Paraíba. 

Tanto Barra Torres quanto Queiroga são médicos. O primeiro será lembrado pela história como um homem justo. 

Já o segundo como alguém que cuspiu em cima do juramento de Hipócrates:
— ao deliberadamente esquecer que prometeu não causar dano ou mal; e
— ao ser cobrado disso num protesto em Nova York, em setembro do ano passado, quando mostrou o dedo do meio aos manifestantes. 

Um homem que, ao ser convidado a escolher onde ficaria eternizado na História, preferiu a lata do lixo. (por Leonardo Sakamoto)

segunda-feira, 10 de maio de 2021

CULPANDO O BOZO PELO ASSASSINATO EM CURSO DE AO MENOS 100 MIL BRASILEIROS, CELSO ROCHA DE BARROS EXIGE SUA PRISÃO

celso rocha de barros
CONSULTÓRIO DO CRIME TENTA
SALVAR BOLSONARO NA CPI DA COVID
O
Brasil deve atingir meio milhão de mortos por Covid-19 em junho. 

Supondo que nenhuma grande medida de isolamento social seja adotada doravante e mantendo-se o ritmo lento da vacinação, é praticamente certo que ultrapassaremos 600 mil mortos nos próximos meses.

Se os subnotificados forem 30% dos casos notificados, como estimou a organização Vital Strategies, é razoavelmente provável que terminemos o ano com um milhão de mortos (entre notificados e subnotificados), sem contar as pessoas que morreram de outras doenças, por falta de hospital etc.

Na estimativa do Institute for Health Metrics and Evaluation da Universidade de Washington, se contarmos tudo isso já estamos com quase 600 mil mortos agora.

Se houver uma terceira onda de inverno agora que tudo reabriu, é perfeitamente possível que cheguemos ao milhão de mortos notificados antes do fim da pandemia.

Já não é impossível que o pessoal do Imperial College, no final das contas, tenha errado para menos.

Enquanto era possível evitar esse assassinato em massa, as elites brasileiras tinham outras preocupações, como as reformas econômicas, o acordão e o trauma que um impeachment obviamente necessário causaria tão pouco tempo depois de um impeachment sem qualquer justificativa.

Resta-nos, ao menos, torcer para que a CPI da pandemia faça seu trabalho e mande o presidente da República para a cadeia.

As primeiras sessões da CPI da Covid foram razoáveis. O número de crimes de Bolsonaro denunciados por Mandetta e Teich é suficiente para prender Bolsonaro e seus cúmplices diretos. Já Queiroga provou estar mesmo só a duas letras de distância de Fabrício Queiroz.

Falando em Queiroz, se no Rio de Janeiro Bolsonaro era amigo do chefe da milícia Escritório do Crime, na CPI é defendido pelo que podemos chamar de Consultório do Crime, um grupo de senadores que buscam tumultuar a investigação mentindo sobre medicina. Seus principais representantes são Eduardo Girão e Luiz Carlos Heinze.

Girão e Heinze mentem sobre a eficácia da cloroquina, mas o curandeirismo presidencial não é o principal crime que tentam acobertar.

Bolsonaro usou a cloroquina como artifício para minimizar os riscos da pandemia e mandar o povo brasileiro morrer na rua.

A cloroquina não é só um remédio ruim, é o remédio ruim que Bolsonaro ofereceu ao Brasil no lugar de isolamento social e vacina. Por isso morreu tanta gente.

Os fatos gritam: Bolsonaro causou uma proporção enorme das mortes brasileiras na pandemia, que, ao contrário do que aconteceu nos Estados Unidos, p. ex., aconteceram em sua maioria depois da descoberta da vacina.
Desafio Heinze, Girão, Osmar Terra ou qualquer outro cúmplice de Bolsonaro a me mostrar um estudo em que Bolsonaro seja responsável por menos do que 100 mil mortes até o fim da pandemia.

Essa estimativa camarada e favorável a Bolsonaro já o torna culpado de mais assassinatos do que os cometidos por todos os assassinos brasileiros em 2019 (41.730) somados aos cometidos por todos os assassinos brasileiros em 2020 (43.892).

Se os bolsonaristas defendem as execuções no Jacarezinho (RJ) porque alguns dos mortos eram suspeitos de crimes, o que defendem que se faça com o assassino de, na estimativa mais camarada, cem mil brasileiros? 

Eu só peço cadeia. E cadeia eu exijo. (por Celso Rocha de Barros, jornalista e doutor em sociologia pela Universidade de Oxford)

sexta-feira, 30 de abril de 2021

ESTÁ RINDO DO QUÊ, GENOCIDA? ESSA É A PRINCIPAL OBRA QUE TEM PARA MOSTRAR, DEPOIS DE 28 MESES DESTRUINDO O BRASIL?

400 MIL CPFs CANCELADOS
por Eliane Cantanhêde
Nosso Brasil, tão brasileiro, atingiu a marca de 400 mil mortos por covid-19 com um rastro de dor e tristeza e um horizonte de dúvidas e disputas políticas.

"São só 400 mil CPFs cancelados, e daí?", diria o presidente Jair Bolsonaro. Mas, por trás de cada um desses CPFs há uma vida perdida, uma família despedaçada e tantos amores desesperados.

Dos 5.570 municípios brasileiros, só 65 têm mais de 400 mil habitantes (IBGE, 2020). Logo, é como se a população inteira tivesse desaparecido em 5.505 cidades do País. Como se aquela cidade, porventura a sua, tivesse sumido do mapa, virado fantasma, em um ano de pandemia.

Diante dessa calamidade histórica, que marcará nossas vidas e a história do País para sempre, o Supremo Tribunal Federal, o Congresso e o Ministério Público querem investigar, saber e informar por que, e por responsabilidade de quem, caímos nesse precipício. Para isso existem, p. ex., as CPIs.

Há quem ataque as instituições e seus representantes, mas a história e a Nação têm o direito de saber a verdade. Goste-se ou não do senador Renan Calheiros, ou dos integrantes da CPI, do Senado ou do Congresso inteiro, eles foram eleitos e têm tanta legitimidade quanto o presidente.
Bolsonaro tinha a obrigação de combater a pandemia, mas não combateu. Eles têm o dever de investigar fatos e erros e estão investigando. O foco é a pandemia, quem não deve não teme.

O ex-presidente Lula foi condenado e preso pela Justiça por corrupção, mas Dilma Rousseff sofreu impeachment no Congresso, não por corrupção, mas por pedaladas fiscais e incompetência, porque a economia não resistiria a mais dois anos com ela. A corrupção é criminosa e imoral, mas há outros crimes graves de responsabilidade, que até matam brasileiros.

Como Dilma, Bolsonaro é um desastre inclusive na articulação política. Não queria a CPI, ela está aí. Não queria Renan Calheiros relator, ele é. Achou que manipularia o presidente da comissão, Omar Aziz, e ele cumpre seu papel. Tentou conquistar o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e ele tem sido um magistrado. 

Os fatos fazem o resto. Deixam o Planalto sem defesa, em pânico, enquanto a seita bolsonarista produz dossiês apócrifos contra testemunhas e faz ameaças anônimas contra senadores.

A semana que vem será quente. O ex-ministro Luiz Henrique Mandetta contando como alertou o presidente para a carnificina, se o Brasil não ouvisse a OMS e a ciência. Seu sucessor Nelson Teich relatando pressões pela cloroquina. E o vexame – e as mentiras – do general Eduardo Pazuello...

O atual ministro, Marcelo Queiroga, vai admitir que o governo confiscou e depois sonegou o kit intubação, orientou torrar as vacinas com a primeira dose, sem garantia da segunda?
E o respeitado almirante Barra Torres, da Anvisa, vai repetir na CPI que foi contra o uso da cloroquina contra a covid, como disse ao Estadão? (“É um risco enorme”, 20/3/2020).

O governo continua dando farta munição à CPI. No mundo inteiro, os líderes tomam orgulhosamente a vacina, mas, aqui, o chefe da Casa Civil, general Luiz Eduardo Ramos, confessa: “Tomei escondido, né, porque a orientação era para não criar caso”. O governo é contra a vacina!

O ministro Paulo Guedes diz que a China “inventou o vírus” e lamenta que a população viva tanto. Pazuello, ex-ministro da Saúde, vai ao shopping sem máscara. Em Manaus! Onde pessoas morreram sem oxigênio, sem piedade e sem governo.

E a CPI pode fazer ao presidente da República a pergunta de milhões de idiotas: por que ele estava morrendo de rir com a placa do CPF cancelado? Essa é a gíria dos grupos de extermínio para cada morte, logo, são 400 mil CPFs cancelados. 

Isso, sinceramente, não tem graça nenhuma. (Eliane Cantanhêde)

segunda-feira, 26 de abril de 2021

EIS 23 MOTIVOS PARA O IMPEACHMENT DO BOZO. SÃO MAIS DO QUE SUFICIENTES. E A RELAÇÃO VEM DA CASA CIVIL DO GOVERNO!

Segundo informou na tarde deste domingo (25) o  colunista Rubens Valente, do UOL, a Casa Civil da Presidência fez uma lista de 23 acusações que a CPI da Pandemia deverá fazer à trupe do genocida.

A tabela foi encaminhada por e-mail a 13 ministérios, para que cada um produzisse e enviasse uma resposta, visando à preparação da defesa do governo. 

Este, contudo, é  indefensável: as aberrações listadas são tão irrefutáveis que a coisa toda está parecendo um novo título da franquia Missão Impossível

Pelo menos isto simplificou o trabalho dos acusadores, que não precisarão perder muito tempo para preparar seus questionamentos sobre o que todo mundo já sabe.

Aqui estão tais vulnerabilidades do pior governo brasileiro de todos os tempos (é óbvio que existem outras, mas estas já bastam):
1  – o governo foi negligente com processo de aquisição e desacreditou a eficácia da Coronavac (que atualmente se encontra no Programa Nacional de Imunização); 
2  – o governo minimizou a gravidade da pandemia (negacionismo); 
3 – o governo não incentivou a adoção de medidas restritivas; 
4 – o governo promoveu tratamento precoce sem evidências científicas comprovadas; 
5 – o governo retardou e negligenciou o enfrentamento à crise no Amazonas; 
6 – o governo não promoveu campanhas de prevenção à Covid; 
7 – o governo não coordenou o enfrentamento à pandemia em âmbito nacional; 
8 – o governo entregou a gestão do Ministério da Saúde, durante a crise, a gestores não especializados (militarização do MS); 
9 – o governo demorou a pagar o auxílio-emergencial; 
10 – ineficácia do Pronampe [programa de crédito]; 
11 – o governo politizou a pandemia; 
12 – o governo falhou na implementação da testagem (deixou vencer os testes); 
13 – falta de insumos diversos (kit intubação); 
14 – atraso no repasse de recursos para os Estados destinados à habilitação de leitos de UTI; 
15 – genocídio de indígenas; 
16 – o governo atrasou na instalação do Comitê de Combate à Covid;  
17 – o governo não foi transparente e nem elaborou um plano de comunicação de enfrentamento à Covid;
18 – o governo não cumpriu as auditorias do TCU durante a pandemia; 
19 – o Brasil se tornou o epicentro da pandemia e covidário de novas cepas pela inação do governo; 
20 – o general Pazuello, o general Braga Netto e diversos militares não apresentaram diretrizes estratégicas para o combate à Covid; 
21 – o presidente Bolsonaro pressionou Mandetta e Teich para obrigá-los a defender o uso da hidroxicloroquina; 
22 – o governo federal recusou 70 milhões de doses da vacina da Pfizer; 
23– o governo federal fabricou e disseminou fake news sobre a pandemia por intermédio do seu gabinete do ódio. (por Celso Lungaretti)

domingo, 31 de janeiro de 2021

DRAUZIO VARELLA ACUSA: "BOLSONARO É O GRANDE RESPONSÁVEL PELA DISSEMINAÇÃO DA EPIDEMIA NO BRASIL"

O médico...
A explicação é que não há como explicar.

A formação em ciência exige humildade para analisar opiniões e ideias opostas às nossas, o contraditório é parte intrínseca do pensamento científico. Não fosse assim, até hoje acharíamos que a Terra é plana e que o Sol foi criado para girar em torno dela.

Em janeiro do ano passado, quando o novo coronavírus atormentava apenas os chineses, tive a impressão de que os casos de maior gravidade ficariam restritos aos mais velhos. Para boa parte dos especialistas a doença teria mortalidade semelhante à das gripes.

Hoje, eu me penitencio por ter feito essa avaliação apressada. Lembrar que ela foi influenciada por uma palestra do doutor Anthony Fauci, uma das maiores autoridades em moléstias infecciosas dos Estados Unidos, não me consola.

Foi em fevereiro, quando a doença semeou o terror nas UTIs da Itália, que o mundo entendeu a gravidade da ameaça. Imediatamente, os países adotaram medidas rígidas para reduzir a movimentação nas cidades e insistiram na necessidade do uso de máscaras protetoras.

No Brasil, o presidente da República contraindicou com veemência essas recomendações. O argumento foi o de que elas destruiriam a economia e matariam de fome um número maior de brasileiros, do que a doença seria capaz de fazê-lo.
...e o monstro.

Achei que ele estava errado. Primeiro, porque não havia dados para estimar o impacto de uma improvável epidemia de fome na mortalidade da população; depois, porque a história das epidemias nos mostra serem elas as responsáveis pelas repercussões negativas na economia, não o isolamento social. 

Enquanto circula um agente infeccioso potencialmente letal, é impossível convencer as pessoas a gastar dinheiro para estimular o crescimento econômico.

Considerei, no entanto, a possibilidade de que o empenho presidencial na defesa de estratégias para manter os empregos pudesse ter alguma lógica, hipótese abandonada quando o vi pela primeira vez sem máscara promovendo aglomerações, para delírio de apoiadores fanáticos. 

Se estivesse interessado em proteger a economia, de fato, qual o sentido de incentivar a adoção de comportamentos que disseminam o vírus? Por que razão não diria aos brasileiros: saiam de casa para trabalhar, mas usem máscara e evitem aglomerações?

Para enfrentar o medo de contrair o vírus repetiu à exaustão que não deveríamos acreditar nas
conversinhas dos jornalistas, que a doença só matava os bundões, que deixássemos de ser maricas e que contávamos com a cloroquina, remédio milagroso quando administrado nas fases iniciais da doença. 

Não faltaram médicos que não têm o hábito de estudar ou formação científica suficiente para avaliar a qualidade dos trabalhos publicados, para lhe dar razão e preconizar a distribuição do inacreditável kit Covid.

A queda de dois ministros da Saúde que se negaram a adotar a cloroquina como política de combate à epidemia não bastou para evitar que a farmácia do Exército fosse obrigada a investir recursos preciosos na importação da droga, a preços inflacionados. 

A cegueira foi de tal ordem que deixamos o ex-presidente dos Estados Unidos desovar aqui os milhões de comprimidos encalhados que os médicos estadunidenses se recusaram a prescrever, para não correr o risco de processos por más práticas.

Quando o mundo entendeu que estávamos próximos da obtenção das primeiras vacinas e os países iniciaram a corrida para comprá-las, o Brasil não estava entre eles.

Pelo contrário, o presidente se empenhou em afirmar que não seria vacinado, que ninguém era obrigado a fazê-lo contra a vontade e que os efeitos colaterais poderiam ser
terríveis

Contra a visão dos economistas —inclusive a de seu ministro— de que a vacinação é a única forma de reativar a economia, insistiu em boicotar a imunização em massa com argumentos de fazer inveja aos grupos antivacina mais ignorantes.

Esse boicote sistemático justifica mais de 220 mil óbitos? Ele é o único culpado? É claro que não, a culpa é de muitos, especialmente dos egoístas estúpidos que se aglomeram sem máscara nos bares e nas festas. 

No entanto, pela natureza do cargo que ocupa, os absurdos que fala e a indignidade dos exemplos que dá, o presidente da República tem sido o grande responsável pela disseminação da epidemia. Não é por acaso que somos o segundo país com o maior número de mortes. (por Drauzio Varella)

domingo, 25 de outubro de 2020

A PANDEMIA PODE RECRUDESCER, DANDO AO GENOCIDA UMA OPORTUNIDADE PARA DOBRAR A META. SALVE-SE QUEM PUDER!!!

thaís oyama 
A 2ª ONDA DO CORONAVÍRUS NA
 EUROPA E O BRASIL DE CALÇAS CURTAS
D
urou pouco a alegria na Europa. Mal haviam começado a colocar a cabeça para fora de casa, franceses, espanhóis e ingleses depararam com a 2ª onda do coronavírus. 

Em muitos países, o número diário de infectados já supera os alcançados no 1º semestre do ano, quando o pico da pandemia esvaziou a primavera europeia. 

Com os hospitais lotando de novo, algumas capitais voltaram a fechar restaurantes, outras reabilitaram a quarentena. 

Paris está desde o dia 16 sob toque de recolher. Na semana passada, a medida foi estendida à quase totalidade do território francês.

Nenhum governante ainda chegou ao ponto de decretar o confinamento total, talvez porque intuam que a iniciativa pode resultar em retumbante fracasso — ninguém aguenta mais ficar trancafiado em casa. 

A nova onda da pandemia não é exatamente uma surpresa, mas pegou alguns governos mais preparados que outros. 

Países do sudeste asiático como Tailândia, Vietnã e Camboja investiram na estratégia da testagem massiva e do rastreamento de contagiados. 

A tática permite o isolamento pontual de prédios e quarteirões por onde o vírus andou, e inclui a oferta de instalações para abrigar estrangeiros contaminados. 

Nos três países, dá para contar nos dedos de uma mão o número de novos casos registrados por dia nas duas últimas semanas. 

No Brasil, a estratégia da testagem em massa, monitoramento e rastreio de novos casos era precisamente a proposta do breve Nelson Teich, o último ministro da Saúde do governo Bolsonaro a ter um plano de combate à pandemia. 

Na semana passada, auditores do Tribunal de Contas da União escancaram em relatório suas conclusões a respeito de como o governo federal usou os recursos destinados ao combate à pandemia: 
"Decorridos mais de oito meses da declaração de Emergência em Saúde Pública (...) era de se esperar, a esta altura, uma definição dos objetivos e ações em nível macro-correspondente ao valor alocado e o detalhamento das atividades ou dos projetos a serem desenvolvidos".
Os auditores deixaram claro que a
definição dos objetivos e ações do governo nunca aconteceu. 

A segunda onda pode chegar ao Brasil e, nesse caso, encontrará na linha de frente um general cujo lema é um manda e outro obedece (sendo que quem obedece é o general e quem manda é um presidente ocupado em fazer guerra de vacinas contra seu adversário político). 

O maremoto do coronavírus não passou e quem está no leme do navio é Jair Messias Bolsonaro. 

Salve-se quem puder. (por Thaís Oyama)

domingo, 26 de julho de 2020

PREJUÍZO COM DESPERDÍCIO CRIMINOSO DE VERBAS EM REMÉDIOS MILAGROSOS É MAIS OUTRO ESCÂNDALO DA ERA BOLSONARO

jânio de freitas
A PANDEMIA E OS CABEÇAS CIVIS E MILITARES
DO GOVERNO MOVEM-SE NA MESMA DIREÇÃO
Se restar um mínimo de respeito pelas leis e pela chamada coisa pública, Jair Bolsonaro será processado para ressarcir o desvio e desperdício de altas verbas. 

É a resposta legal às ordens abusivas e conscientes de sua improbidade, para a produção, compra e distribuição injustificáveis, e suspeitas, da substância hidroxicloroquina.

O argumento de que a ineficácia de cloroquina/hidroxicloroquina contra a Covid-19 provinha de pesquisas estrangeiras e duvidosas esvaiu-se em definitivo. Está divulgada a pesquisa em 55 conceituados hospitais brasileiros com duas confirmações: a da ineficácia e a dos efeitos colaterais indesejáveis daqueles produtos.

Já mais do que consolidada a inutilidade da hidroxicloroquina para os contaminados pela pandemia, por determinação de Bolsonaro os laboratórios do Exército fabricaram ao menos 2,5 milhões desses comprimidos. 

Somadas outras encomendas, como a de 4 milhões ao Farmaguinhos, o jornalista José Casado chegou a 9,5 milhões de doses produzidas e compradas por decisão de Bolsonaro, além dos 2 milhões de doses doadas pelo excedente dos EUA.

O próprio ​Bolsonaro tornou-se uma contrapropaganda ambulante da droga que apregoa. Logo disse, quando forçado a admitir sua queda na contaminação, estar se medicando com hidroxicloroquina. Mas os 14 dias da persistência do vírus se passaram e Bolsonaro só agora fala em teste negativo.
O montante de gasto perdulário e deliberado de Bolsonaro não está revelado. Dois ex-ministros da Saúde são testemunhas da improbidade insistente para se comprometerem também, ou saírem. [Mandetta e Nelson Teich preferiram sair.]

Seja qual for o gasto a que outros cederam, inclusive no Exército, está coberto com dinheiro público. E a legislação prevê que gastos por improbidade, contrários a pareceres autorizados, sejam reconhecidos como crimes e sujeitos a ressarcimento às contas públicas.

Bolsonaro foi mais longe na improbidade. Acompanhado, nessa extensão, por Paulo Guedes, pelo general do Ministério da Saúde, Eduardo Pazuello, e pelos dois chefes que se sucederam no Tesouro Nacional.

Em paralelo ao gasto previstamente inútil com cloroquina/ hidroxicloroquina, indica o Tribunal de Contas da União que aqueles figurantes retiveram 71% da verba disponível para combate à pandemia e socorro aos vitimados —sobretudo aos carentes, que, mais uma vez, fazem a maioria dos mais atingidos. O dinheiro aplicado não chegou a um terço do existente.

Aproximam-se os 100 mil mortos. O general especialista em organização de abastecimentos faz faltarem até analgésicos, tão vulgares, para os contaminados. 

Bolsonaro passeia de moto, programa atos reeleitoreiros, faz indecente compra-e-venda de apoio no Congresso, bate papo com a claque. 

A pandemia e os cabeças civis e militares do governo movem-se na mesma direção, associados.

Mais do que senso de justiça, é um saldo de senso de vergonha que pode impedir a perpetuação dessa impunidade vagabunda. Covarde. Apátrida. 

Mas o saldo é incerto, para dele dizer pouco. (por Jânio de Freitas)

quarta-feira, 15 de julho de 2020

CRISE ENTRE MILITARES E GILMAR MENDES: HÁ SEMELHANÇAS COM A DO AI-5. MAS TAMBÉM UMA ENORME DIFERENÇA

elio gaspari
FALA DE GILMAR MENDES PODE SER
USADA PARA ALIMENTAR UMA CRISE
Em abril do ano passado, quando era ostensiva a participação de militares na administração civil de Jair Bolsonaro, o vice-presidente Hamilton Mourão disse o seguinte: 
"Se nosso governo falhar, errar demais, não entregar o que está prometendo, essa conta irá para as Forças Armadas, daí a nossa extrema preocupação".
Entregar o que prometia, o capitão sabe que não entregará. A pandemia e suas superstições confirmaram sua previsão de março: 
"Se acabar a economia, acaba qualquer governo. Acaba o meu governo".
Mourão acredita que o ministro Gilmar Mendes forçou a barra quando disse que, com a conduta do governo diante da pandemia, o Exército está se associando a esse genocídio

Gilmar tem uma queda pelo exagero. Se tivesse dito que o Exército está sendo associado a uma ruína, o vice-presidente não poderia se queixar, pois estaria seguindo o raciocínio que ele enunciou há um ano.
O Ministério da Saúde não tem titular. O general Eduardo Pazuello é um interino e na sua equipe há 24 militares. Com suas certezas epidemiológicas, Bolsonaro jogou-os na fogueira. Nelson Teich, paisano, foi-se embora.

Pinçado, o trecho da fala de Gilmar foi repelido pelo ministro da Defesa e pelos comandantes da Marinha, do Exército e da Força Aérea: 
"Trata-se de uma acusação grave, além de infundada, irresponsável e sobretudo leviana".
Se o caso ficasse nisso, seriam salvas trocadas, mas o Ministério da Defesa informa que representará contra Gilmar Mendes junto à Procuradoria-Geral da República.

Foi assim que nasceu o Ato Institucional nº 5.

Uma conspiração palaciana manipulou um discurso (irrelevante) do deputado Márcio Moreira Alves para que o governo pedisse licença à Câmara para processá-lo. No dia 12 de dezembro de 1968 o plenário negou o pedido e no dia seguinte o marechal Costa e Silva baixou o ato. Foram dez anos de ditadura escancarada, torturas e extermínio...

...As duas semanas de recesso do Judiciário permitem que se jogue água nas cabeças quentes. Mesmo assim, a fala de Gilmar pode ser usada para alimentar uma crise. Para isso os golpistas precisam dizer que o que eles querem é uma ditadura. (por Elio Gaspari) 
.
Toque do editor — Numa avaliação superficial, o enredo de 1968 parece mesmo possível de repetir-se em 2020. 

Mas Gaspari esquece que a ditadura militar não se defrontava com uma crise econômica nem remotamente comparável com aquela para a qual nos encaminhamos e, ainda por cima, acreditava que os EUA a ajudariam a sair do buraco.

Agora, além de as perspectivas serem muitíssimo piores, há a certeza de que Donald Trump não nos dará nenhum auxílio substancial, muito menos Joseph Biden quando o suceder. Então, se os militares derem um golpe, vão ficar num mato sem cachorro e serão vistos como culpados por tudo que estiver dando errado.

Então, melhor fará Gilmar Mendes se esvaziar este episódio inconveniente, esclarecendo um pequeno detalhe: o de que o praticante do genocídio se chama Jair Bolsonaro e os militares apenas erraram por levar seu sentimento de lealdade ao presidente muito além do que o bom senso recomendava.  
Quanto aos fardados, eles deveriam é distanciar-se imediatamente do governo e o deixarem desabar sozinho.

Afinal, justiça lhes seja feita, eles não concordaram com quase nenhuma das infindáveis lambanças e loucuras cometidas pelo presidente genocida, apenas foram impotentes para evitá-las.

Chegou a hora de lhes cair a ficha de que Bolsonaro continua tão tresloucado agora quanto o era em 1988. 

Fizeram muito bem em discretamente apontar-lhe o portão de saída daquela vez e erraram ao apostar que três décadas teriam bastado para ele criar juízo. 

Enquanto insistirem nesse erro, não poderão queixar-se da falastronice do Gilmar Mendes. (por Celso Lungaretti)  

domingo, 21 de junho de 2020

UM PAÍS DE DOENTES E SEMILETRADOS JAMAIS ALCANÇARÁ UM PATAMAR DE DESENVOLVIMENTO SATISFATÓRIO

UM DESASTRE
DE GERAÇÕES
O governo de Jair Bolsonaro, ao submeter a saúde e a educação do Brasil a seus propósitos deletérios, compromete o futuro de gerações. 

Essas duas áreas, mais do que quaisquer outras, são a essência da construção da cidadania. Um país de doentes e semiletrados jamais alcançará um patamar de desenvolvimento considerado satisfatório.

A degradação do Ministério da Educação talvez seja o maior símbolo de um governo cujo espírito é essencialmente destrutivo. O presidente Bolsonaro, que vê comunistas em toda a parte, entende que é preciso arruinar o sistema educacional do País porque este, supostamente, está dominado por doutrinadores de esquerda. Por isso escolheu a dedo seus ministros da Educação.

O primeiro foi Ricardo Vélez Rodriguez, que durou exatos 97 dias no posto. Assumiu o cargo dizendo que “Jair Bolsonaro prestou atenção à voz entrecortada de pais e mães reprimidos pela retórica marxista que tomou conta do espaço educacional”. Sua curta gestão foi marcada por tropeços, mal-entendidos e descontrole, e Vélez Rodriguez acabou demitido por Bolsonaro porque, segundo o presidente, “não tinha essa expertise com ele”. 

Ou seja, Bolsonaro levou pouco mais de três meses para perceber o que todos já sabiam no instante em que o nome de Vélez Rodriguez foi anunciado – que ele não tinha a menor tarimba para ser ministro da Educação. 
Tendo uma segunda chance para acertar em área tão sensível, Bolsonaro dobrou a aposta na mediocridade e no destempero e colocou no Ministério o economista Abraham Weintraub.

Ao longo dos 14 meses de sua passagem pela pasta, Weintraub fez exatamente o que o presidente esperava: transformou o Ministério da Educação em cidadela da guerra imaginária do bolsonarismo contra o marxismo cultural.

Enquanto se empenhava em desorganizar a educação, Weintraub assombrava o País com suas seguidas grosserias contra universidades, professores e até governos estrangeiros – isso sem falar dos espantosos erros de português em suas diatribes nas redes sociais. 

Era, portanto, a expressão mais bem acabada do bolsonarismo – tanto que o presidente, em meio à saraivada de críticas ao ministro, disse que, “no meu entender, ele (Weintraub) está sendo excelente” e, “se tem jornalistas criticando, é porque está indo bem”.

Weintraub fez tão bem seu trabalho, conforme as expectativas de Bolsonaro e dos bolsonaristas, que se indispôs com a República inteira, especialmente com o Supremo Tribunal Federal – de cujos ministros pediu a prisão, chamando-os de vagabundos durante infame reunião ministerial. 

A dura reação do STF contra Weintraub obrigou Bolsonaro a afinal demitir seu fidelíssimo sabujo, para tentar reduzir sua já extensa lista de problemas com a Justiça e com outros Poderes.

Ou seja, Weintraub não foi exonerado por sua gritante incapacidade de exercer a nobre função de ministro da Educação, tampouco por ter tratado a comunidade acadêmica e científica como inimiga; ele perdeu o emprego em razão dos cálculos políticos do acossado presidente. 

Por isso, nada indica que o próximo ministro venha a ser muito melhor do que Weintraub, porque é improvável que o presidente desista de sua guerra ao intelecto e à razão – sabotando os esforços de milhares de educadores para dar aos jovens brasileiros condições mínimas de participação ativa na vida nacional.

Essa irracionalidade militante do bolsonarismo se reflete também na área de saúde. Temos um presidente que afronta a ciência, estimulando comportamento irresponsável dos seus concidadãos em meio a uma pandemia e recomendando o consumo de remédios sem eficácia comprovada, mas com graves efeitos colaterais. 
Temos um chefe de governo que demitiu dois ministros da Saúde justamente porque estes se recusaram a cumprir suas ordens irresponsáveis – o atual, um general, aceitou até mesmo manipular números da pandemia para que seu comandante pudesse dizer por aí que o total de mortos é muito menor do que os governos estaduais informam e que o País já deveria ter voltado ao normal.

Bolsonaro, em resumo, baseia-se nas fake news que circulam furiosamente nas redes bolsonaristas para nortear a política oficial de saúde.

Enquanto isso, o número de casos confirmados de covid-19 no Brasil passou de 1 milhão. (editorial dominical d'O Estado de S. Paulo)

quarta-feira, 10 de junho de 2020

INTERPRETAR O ART. 142 COMO LICENÇA PARA DAR GOLPE É "TERRAPLANISMO CONSTITUCIONAL", DIZ BARROSO

Barroso dando lição de comportamento durante a pandemia 
Uma das muitas heranças benditas da luta pela liberdade de Cesare Battisti travada em 2008/2011 foi a confirmação do seu vitorioso defensor, Luís Roberto Barroso, como um dos melhores advogados do país, o que acabou lhe valendo a vaga no Supremo Tribunal Federal.

Vide, p. ex., a consistência das análises abaixo reproduzidas, que extraímos do Painel político da Folha de S. Paulo desta 4ª feira (10), editado por Camila Mattoso (colaboraram os repórteres Bruno Abbud, Guilherme Seto e Mariana Carneiro):
"Em live da associação Livres na 2ª (8), o ministro do STF Luís Roberto Barroso defendeu as decisões tomadas pela Corte que incomodaram bolsonaristas.

O ministro perguntou se o real foi 'a moeda que mais se desvalorizou' no planeta ou se 'temos sido o pior país no combate à pandemia no mundo' porque Alexandre de Moraes impediu a nomeação de Ramagem na PF ou porque ele impediu a expulsão de venezuelanos do Brasil.

Passo-a-passo golpista: ilegalidades são gritantes 
Barroso também disse que não é por causa do STF que o país está em seu terceiro ministro da Saúde, Eduardo Pazuello (interino), 'que é paraquedista, e não sanitarista ou epidemiologista ou infectologista', e não tem experiência como gestor.

O ministro também diz não ver risco real de um golpe e afirma que as Forças Armadas 'não apoiam nem desapoiam' qualquer governo. 

Ele ainda lista as justificativas dadas para o golpe militar em 1964, como combate à corrupção ou controle da agitação das massas, e diz que agora, com os militares no governo, não fariam sentido. 'Eles vão dar o golpe [em nome] de quê? Difundir a cloroquina?', disse.

Ele também criticou os apoiadores do presidente que têm afirmado que o artigo 142 da Constituição coloca as Forças Armadas como um poder moderador que pode intervir quando há conflito entre os Poderes. 

Ele classificou o argumento como 'terraplanismo constitucional' e disse que ele passa dos limites do 'erro razoável'".
Sustentação oral de Barroso na sessão do STF de 08/06/2011 que ratificou
a decisão presidencial de negar o pedido italiano de extradição de Battisti
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