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quinta-feira, 15 de maio de 2025

A 'FOLHA DE S. PAULO' AGORA PUBLICA INCLUSIVE ENTREVISTAS PSICOGRAFADAS

Protesto na porta da Folha em 2009: qualificara a ditadura militar de ditabranda.
O
mundo gira e a Lusitana roda. O
Estado de S. Paulo e a Folha de S. Paulo passaram por muitas mudanças ao longo dos tempos, mas conservaram uma diferença essencial: 
-- o primeiro, porque foi comandado durante longo tempo por uma família ligada ao jornalismo, exibiu caráter em alguns momentos marcantes; 
-- a segunda, que nasceu pela mão de comerciantes, era e continua sendo amoral, colocando interesses acima de princípios.

Assim, o jornalão dos Mesquitas teve o mérito de lutar firmemente contra a ditadura de Getúlio Vargas, que deveria ter sido unanimemente repudiada por toda a esquerda durante todos os 15 anos que durou, mas foi ora tratada de forma complacente, ora objeto de uma destrambelhada intentona, conforme iam mudando o humor e as ordens de Stálin.

O Estadão fez a opção correta ao aderir abertamente à dita revolução constitucionalista, enquanto a Folha ficou em cima do muro em 1932. 
Revoltosos de 1932 exibem exemplar do Estadão
Depois, contudo, a Internacional stalinizada resolveu tirar da cartola um putsch em 1935, despachando Luiz Carlos Prestes para cá com poderes de verdadeiro interventor sobre o partidão: voltou incumbido de vergar a espinha do comitê central do PCB, que não via com bons olhos aquela aventura militar sem respaldo na militância, já que havia sido decidida da noite para o dia.

Foi altaneiro o Estadão ao riscar de sua história o período em que, como represália da ditadura de Vargas, teve sua redação submetida a um interventor in loco.

E continuou sendo altaneiro ao romper com a ditadura dos generais, quando esta não cumpriu o compromisso de devolver o poder aos civis após os expurgos e mudanças de ordenação política que ela veio impor. 

Embora houvesse sido uma das principais lideranças civis da conspiração golpista, o Grupo Estado acabou tendo seus dois veículos (o Estadão e o Jornal da Tarde) censurados e recusando-se a preencher o espaço com novas notícias: o primeiro ali colocava trechos de Os Lusíadas de Camões e o segundo, receitas culinárias.

Mais emblemática ainda foi a atitude de ambos com relação ao DOI-Codi. O Grupo Folha orientou seus recepcionistas a ligarem para os jornalistas buscados pela repressão e, sob falsos pretextos, atraírem-nos para o saguão, onde eram presos. Além disto, cedia suas viaturas para camuflarem as incursões dos agentes.
A Folha era retaliada por ceder veículos à repressão

Já no concorrente da rua Major Quedinho, o tratamento era bem diferente. Quando uma patrulha do DOI-Codi chegou para pegar um repórter do
JT, o diretor de redação proibiu seu ingresso no prédio e mandou a equipe de segurança garantir que sua ordem seria cumprida.
"Lá fora ele pode ser subversivo, mas aqui dentro ele é meu jornalista", justificou.

Em seguida, acionou o governador Abreu Sodré e, como resultado das tratativas, os todo poderosos agentes da repressão tiveram de ficar esperando na calçada. Em vão, porque o mesmo diretor levou o por eles caçado, no porta-malas do próprio carro, até seu sítio e lá o abrigou. 

E, após Vladimir Herzog ser assassinado pelo DOI-Codi, o Grupo Estado decidiu que, quando jornalistas da casa fossem intimados a comparecer para interrogatórios, algum diretor da empresa deveria sempre acompanhá-los, para garantir-lhes a integridade física.

Quis o destino que a Folha de S. Paulo tivesse uma chance de reabilitar sua imagem, que havia sido tão emporcalhada nos anos de chumbo, participando intensamente da campanha das diretas-já em 1983/84.
Bolsonaro teme que prisão cause sua morte política 
Mas, a que vêm estas recapitulações no dia de hoje? À deplorável iniciativa da
Folha de S. Paulo, de entrevistar nesta quarta-feira (14) o miasma fedorento do politicamente defunto Jair Bolsonaro. Deveria ter seguido a Bíblia e deixado os mortos enterrarem seus mortos.

Como nunca comentei livro psicografado por médiuns, também não comentarei o besteirol de ontem. O que tinha a dizer, já disse num comentário que enviei de imediato para o UOL e foi nele publicado:
"O UOL bem que poderia nos poupar dessas constrangedoras tentativas de justificar o injustificável. Jair Bolsonaro, hoje, não passa de uma prisão esperando acontecer. As centenas de milhares de brasileiros que ele condenou à morte com sua sabotagem alucinada à vacinação contra a pandemia já não têm voz. Por que dar voz ao seu carrasco?".
Respondo a pergunta que eu mesmo fiz: porque este sempre foi o comportamento da Folha e suas derivações, conforme acima demonstrado.
 
Aliás, não fui sequer original: vários outros comentaristas fizeram a mesmíssima crítica.  (por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

A VIDA DE PRESIDENTES IMPORTA MUITO PARA LULA. A DAS VÍTIMAS DA DITADURA MILITAR, NEM TANTO.

"Q
uero agradecer, agora muito mais, porque estou vivo. A tentativa de me envenenar, eu e o Alckmin, não deu certo.
"

A frase do Lula me fez lembrar uma verdadeira pérola da sabedoria popular: "Pimenta no olho dos outros é colírio".

Pois o mesmo Lula que ora agradece aos céus por ter sobrevivido aos planos dos golpistas trapalhões, jamais deu o mesmo valor à vida dos combatentes executados pela ditadura militar. 

Assim, ignorou olimpicamente o sofrimento das famílias desses mártires brasileiros, que queriam ao menos ver punidas as bestas-feras que assassinavam prisioneiros indefesos, torturavam bestialmente cidadãos (inclusive pela mera suspeita de que fossem subversivos), estupravam quem lhes apetecesse, seviciavam pais na frente de suas crianças para quebrar-lhes a resistência, davam sumiço em restos mortais dos opositores, etc., escrevendo uma das páginas mais vergonhosas da História brasileira.

Como a anistia de 1979 igualava as vítimas da ditadura a seus carrascos, impedindo que os torturadores fossem processados pelo festival de horrores que perpetraram nos anos de chumbo, dois ministros de Lula se dispuseram em 2007 a lutar pela revisão de tal lei, primeiro passo para os responsáveis por aqueles crimes hediondos poderem ser alcançados pelo braço da lei.

Sob pressão de comandantes militares, o então presidente Lula
proibiu Tarso Genro (Justiça) e Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) de  levantarem a bandeira da revisão da anistia de 1979 em nome do Executivo. 

Determinou que ambos, ao invés disto, apenas apontassem aos queixosos o caminho dos tribunais. E que multiplicassem as homenagens oficiais àqueles que haviam entregado a vida na luta pela liberdade. 

Com isto, a punição criminal dos torturadores ficou inviabilizada para sempre. 

Se os golpistas trapalhões houvessem tido êxito em envenenar Lula, o que deveríamos fazer: esforçarmo-nos ao máximo para que fossem devidamente punidos ou bastaria criarmos um monte de homenagens à memoria desse presidente que não ousou confrontar os criminosos do regime anterior?

E não é de agora que digo isto: cansei de, então, escrever artigos como este, protestando contra a decisão do Lula de passar pano para tais agentes do terrorismo de estado.

E tem mais: o companheiro Rui Martins e eu lançamos em 2009 a proposta de criação de uma lei específica para coibir a negação das atrocidades cometidas pelo regime militar. 

Afinal, número de mortos à parte, não havia diferença qualitativa entre a negação do Holocausto e a negação da nossa ditadura (que jamais foi uma ditabranda, tal qual a Folha de S, Paulo pretendeu). 

Como Lula e o PT optaram por tirar o corpo fora, um medíocre deputado fluminense pôde continuar endeusando os verdugos da ditadura e, em especial. o torturador-símbolo do Brasil, Brilhante Ustra.  

Então, não é de estranhar que, 15 anos depois, tal aberração gere sequelas como o plano dos golpistas trapalhões. de assassinarem numa fornada só Lula, Alckmin e Moraes. 

O ovo da serpente eclodiu! (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 28 de março de 2023

BALANÇO DA QUARTELADA HEDIONDA E DOS 21 ANOS QUE VIVEMOS AGONICAMENTE

O repulsivo espetáculo a que assistimos recentemente, de pessoas zumbificadas acampando nas portas de quartéis para exigir aos berros um novo golpe militar, sem terem a menor noção do que o povo brasileiro padeceu sob as botas dos fardados durante 21 anos de imbecilidades e atrocidades, justifica plenamente uma recapitulação do que foi a usurpação do poder levada a cabo no dia da mentira de 1964 e a nada branda ditadura subsequente.

Lembrando a bela canção Sentinela, de Milton Nascimento e Fernando Brant, cabe a nós, sobreviventes do pesadelo, o papel de sentinelas do corpo e do sacrifício dos nossos irmãos que já se foram, assegurando-nos de que a memória não morra – mas, pelo contrário, sirva de vacina contra novos surtos da infestação virulenta do despotismo.

Nessa efeméride negativa, o primeiro ponto a se destacar é que a quartelada de 1964 foi o coroamento de uma longa série de articulações e tentativas golpistas, nada tendo de espontânea nem sendo decorrente de situações conjunturais; estas foram apenas pretextos, não causa.

Há controvérsias sobre se a articulação da UDN com setores das Forças Armadas para derrubar o presidente Getúlio em 1954 desembocaria numa ditadura, caso o suicídio e a carta de Vargas não tivessem virado o jogo. 
Mas, é incontestável que a ultradireita vinha há muito tempo tentando virar a mesa.

Já em novembro/1955, uma conspiração de políticos udenistas e militares extremistas tentava contestar o triunfo eleitoral de Juscelino Kubitscheck, mas foi derrotada graças, principalmente, à posição legalista que Teixeira Lott, o ministro da Guerra, assumiu. 

Um dos golpistas presos: o então tenente-coronel Golbery do Couto e Silva, que viria a ser o formulador da doutrina de Segurança Nacional e eminência parda do ditador Geisel.

Em fevereiro de 1956, duas semanas após a posse de JK, os militares já se insubordinavam contra o governo constitucional, na revolta de Jacareacanga.

Os oficiais da FAB repetiram a dose em outubro de 1959, com a também fracassada revolta de Aragarças.

E, em agosto de 1961, quando da renúncia de Jânio Quadros, as Forças Armadas vetaram a posse do vice-presidente João Goulart e iniciaram, juntamente com os conspiradores civis, a constituição de um governo ilegítimo, só voltando atrás diante da resistência do governador Leonel Brizola (RS) e do apoio por ele recebido do comandante do III Exército, gerando a ameaça de uma guerra civil.

Apesar das bravatas de Luiz Carlos Prestes e dos chamados grupos dos 11 brizolistas, inexistia em 1964 uma possibilidade real de revolução socialista. Não houve o alegado contragolpe preventivo, mas, pura e simplesmente, um golpe para usurpação do poder, meticulosamente tramado e executado com apoio dos EUA, como hoje está mais do que comprovado. 

Derrubou-se um governo democraticamente constituído, fechou-se o Congresso Nacional, cassaram-se mandatos legítimos, extinguiram-se entidades da sociedade civil, prenderam-se e barbarizaram-se cidadãos.

A esquerda só voltou pra valer às ruas em 1968, mas as manifestações de massa foram respondidas com o uso cada vez mais brutal da força, por parte de instâncias da ditadura e dos efetivos paramilitares que atuavam sem freios de nenhuma espécie, promovendo atentados e intimidações.

Até que, com a edição do dantesco AI-5 (que fez do Legislativo e do Judiciário meros Poderes-fantoches do Executivo, suprimindo os mais elementares direitos dos cidadãos), em dezembro de 1968, a resistência pacífica se tornou inviável. Foi quando a vanguarda armada, insignificante até então, ascendeu ao primeiro plano, acolhendo os militantes que antes se dedicavam aos movimentos de massa.

As organizações guerrilheiras conseguiram surpreender a ditadura no 1º semestre de 1969, mas já no 2º semestre as Forças Armadas começaram a levar vantagem no plano militar, introduzindo novos métodos repressivos e maximizando a prática da tortura, a partir de lições recebidas de oficiais estadunidenses.

Em 1970 os militares assumiram a dianteira também no plano político, aproveitando o boom econômico e a euforia da conquista do tricampeonato mundial de futebol, que lhes trouxeram o apoio da classe média.

Nos anos seguintes, com a guerrilha nos estertores, as Forças Armadas partiram para o extermínio premeditado dos militantes, que, mesmo quando capturados com vida, eram friamente executados.
A Casa da Morte de Petrópolis (RJ) e o assassinato sistemático dos combatentes do Araguaia estão entre as páginas mais vergonhosas da História brasileira – daí a obstinação dos carrascos envergonhados em darem sumiço nos restos mortais de suas vítimas, acrescentando ao genocídio a ocultação de cadáveres.

O milagre brasileiro, fruto da reorganização econômica empreendida pelos ministros Roberto Campos e Octávio Gouveia de Bulhões, bem como de uma enxurrada de investimentos estadunidenses em 1970 (quando aqui entraram tantos dólares quanto nos 10 anos anteriores somados), teve vida curta e em 1974 a maré já virou, ficando muitas contas para as gerações seguintes pagarem.

As ciências, as artes e o pensamento eram cerceados por meio de censura, perseguições policiais e administrativas, pressões políticas e econômicas, bem como dos atentados e espancamentos praticados pelos grupos paramilitares consentidos pela ditadura.

Corrupção, havia tanta quanto agora, mas a imprensa era impedida de noticiar o que acontecia, p. ex., nos projetos faraônicos como a Transamazônica, Ferrovia do Aço, Itaipu e Paulipetro (muitos dos quais malograram).

A arrogância e impunidade com que agiam as forças de segurança causou muitas vítimas inocentes, como o motorista baleado em 1969 apenas por estar passando em alta velocidade diante de um quartel, na madrugada paulistana (o comandante da unidade ainda elogiou o recruta assassino, por ter cumprido fielmente as ordens recebidas!).

Longe de garantirem a segurança da população, os integrantes dos efetivos policiais chegavam até a acumpliciar-se com traficantes, executando seus rivais a pretexto de justiçar bandidos (Esquadrões da Morte).

O aparato repressivo criado para combater a guerrilha propiciava a seus integrantes uma situação privilegiadíssima. Não só recebiam de empresários direitistas vultosas recompensas por cada
subversivo preso ou morto, como se apossavam de tudo que encontravam de valor com os resistentes. Acostumaram-se a um padrão de vida muito superior ao que sua remuneração normal lhes proporcionaria.

Daí terem resistido encarniçadamente à disposição do ditador Geisel, de desmontar essa engrenagem de terrorismo de estado, no momento em que ela se tornou desnecessária:
— mataram cidadãos inofensivos como Vladimir Herzog;
— promoveram atentados contra pessoas e instituições (inclusive o do Riocentro, que, se bem executado, provocaria morticínio em larga escala); e
— chegaram a conspirar contra o próprio Geisel, que foi obrigado a destituir sucessivamente o comandante do II Exército e o ministro do Exército.

A ditadura terminou melancolicamente em 1985, com a economia estagnada e os cidadãos fartos do autoritarismo sufocante. Seu último espasmo foi frustrar a vontade popular, negando aos brasileiros o direito de elegerem livremente o presidente da República, ao conseguir evitar a aprovação da emenda das diretas-já.

Foi responsável pela morte dos 434 opositores relacionados pela Comissão Nacional da Verdade,   pela prisão arbitrária de uns 50 mil brasileiros e pela tortura de, no mínimo, 20 mil cidadãos, afora ocorrências praticamente impossíveis de quantificar, como os abusos sexuais.

[Há quem sustente consistentemente que outros 600 camponeses, sindicalistas, líderes rurais e religiosos, padres, advogados e ambientalistas tenham sido assassinados por motivos políticos nos grotões do país entre 1961 e 1988. E respeitados antropólogos denunciam a ocorrência de um verdadeiro genocídio indígena nos anos de chumbo.]

Este rápido balanço pulveriza a falácia de uma suposta brandura da ditadura brasileira, embora haja matado menos do que algumas congêneres sul-americanas...  (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 1 de junho de 2021

NOVA LOUCURA DO BOLSONARO, A 'COPA DO GENOCÍDIO' PODE SER A GOTA D'ÁGUA!

A
frase célebre de Eurípedes, sobre os deuses primeiramente enlouquecerem aqueles a quem querem destruir, só não cai como uma luva para a última loucura do Bozo porque certamente ele já está maluco faz muito tempo. 

No caso do palhaço sinistro, cabe mais esta adaptação de uma das maiores infâmias inseridas num editorial jornalísticos em todos os tempos: ele sofreria de uma loucurabranda, como era o regime militar antes do AI-5, e entrou agora na fase da loucuradura, como o regime militar passou a ser a partir daquele nefando 13 de dezembro de 1968, quando desembestou de vez o terrorismo de Estado, promovendo os torturadores a exterminadores, com licença irrestrita para matar.

A decisão de sediar a Copa América para salvar as finanças da Conmebol, omitindo-se do principal dever de um presidente da República brasileiro –salvar a vida daqueles a quem governa–, apenas virá confirmar, de maneira acachapante, o que a CPI da Covid tem demonstrado sessão após sessão: a prioridade do necrófilo jamais foi a de evitar o contágio e morte de sua gente, mas sim a de fazer com que ela se contagiasse rapidamente, na esperança de que a imunização de rebanho permitisse a normalização das atividades econômicas, pouco importando o número de óbitos decorrentes de tal escolha.

Quando o povo brasileiro aflige-se com a perspectiva de estarmos entrando numa terceira onda do coronavírus, mais terrível do que as duas anteriores, o celerado dá uma banana para os maricas que temem morrer e se desdobra em contorcionismos para viabilizar um evento esportivo com o qual nenhum presidente sul-americano mentalmente são se mancomunou. 

Além das contaminações e mortes que poderão advir da chegada de tantos estrangeiros, potenciais transmissores de outras cepas do vírus, o pior de tudo, como sempre, é o exemplo.

Vale lembrar (vide aqui) o recente alerta do do especialista Pedro Hallal, coordenador do maior estudo epidemiológico sobre o coronavírus no Brasil:
"O negacionismo, seja seu ou daqueles que estão ao seu redor, mata, e quanto maior o grau de negacionismo, maior o risco de morte por Covid-19.  
O morador de uma cidade na qual Bolsonaro venceu o 2º turno das eleições de 2018 tem três vezes mais risco de morte por Covid-19 do que o morador de uma cidade em que Bolsonaro foi derrotado com folga"
A realização em nosso país da Copa América, num primeiro momento, dará aos desinformados a impressão de que a gripezinha pode conviver com as atividades normais de uma situação normal.

Mas, caso depois se constate que ela impulsionou contágios e fez aumentar as mortes, o feitiço tende a virar contra o feiticeiro, exatamente como em 2014: o fracasso do #NãoVaiTerCopa em inviabilizar a Copa das Maracutaias deixou como saldo o desperdício de rios de dinheiro na implantação de uma infra-estrutura quase sempre superfaturada e inaproveitável, bem como o pior vexame do futebol brasileiro em toda a sua história.

A decepção subsequente foi tamanha que alavancou poderosamente o
#ForaDilma, este vitorioso.

Há enorme chance de um novo #NãoVaiTerCopa, vitorioso ou não, abrir caminho para o deslanche definitivo do #ForaBolsonaro, fundamental para evitar que outras centenas de milhares de brasileiros morram entre o momento atual e o primeiro dia de 2023, quando teoricamente se dará a posse do novo presidente da República (caso o caos não chegue antes disso, levando de roldão o calendário eleitoral y otras cositas más...).

O genocida, que detesta o Chico Buarque, deveria ouvir com atenção uma de suas canções. Aquela que diz: "Deixe em paz meu coração/ Que ele é um pote até aqui de mágoa/ E qualquer desatenção, faça não/ Pode ser a gota d'água".  

Mas, confirmando Eurípedes, duvido que ele volte atrás e aja, desta vez, com bom senso ... pois sua loucura não permitirá! (por Celso Lungaretti) 

sábado, 9 de janeiro de 2021

HADDAD ENCERRA COLABORAÇÃO COM A FOLHA DE SÃO PAULO ACUSANDO-A DE "AGREDIR PESSOAS DE FORMA ESTÚPIDA"

T
enho muitas ressalvas com relação ao político Fernando Haddad e considero que o ex-presidente Lula esgotou há bom tempo seu prazo de validade, nada tendo a oferecer para a reconstrução da esquerda e o resgate de sua combatividade perdida. 

Certa vez ele determinou aos seus ministros que adotassem, no tocante aos pleitos de justiça dos familiares de militantes massacrados pela ditadura militar, os quais exigiam a punição dos antigos carrascos, a seguinte postura: honrar a memória dos assassinados, homenagear os torturados, mas não mexer uma palha para alterar o que fora mal equacionado em 1979 e deveria ter sido corrigido no momento da redemocratização.

Então, hoje eu proponho exatamente a mesma atitude para com o Lula: enaltecermos seu passado e irmos construindo uma nova esquerda sobre os escombros daquela que ele liderou e que ruiu fragorosamente na década recém-finda, tendo, com seus erros crassos, dado contribuição decisiva para a volta da extrema-direita ao poder.  

Isto posto, expresso minha total solidariedade ao Haddad quanto ao tratamento por ele recebido da Folha de S. Pauloque se arvora em campeã das boas práticas jornalísticas mas tem frequentes recaídas na vilania de quando fornecia viaturas para as bestas-feras do DOI-Codi melhor se camuflarem, e, mais tarde, na desfaçatez de quando qualificava uma ditadura sanguinária de mera ditabranda.

Eis a justificada queixa do Haddad, ao comunicar o encerramento de sua colaboração semanal com a Folha (por Celso Lungaretti):
"Na semana passada, ocorreu um episódio insólito. Uma jornalista sugeriu, em artigo publicado no Estadão, que o STF mantivesse a condenação de Lula e desconsiderasse as provas de parcialidade de Moro. 

E por quê? Para evitar que Lula seja candidato em 2022, o que, supostamente, favoreceria a candidatura de Bolsonaro. 

Reagi, nas redes sociais, afirmando que, diante de tanta infâmia e covardia, restava ao PT reafirmar os argumentos da defesa de Lula e relançá-lo à Presidência.

Em editorial no último dia 4, a Folha resolveu me atacar de maneira rebaixada. Incapaz de perceber na minha atitude a defesa do Estado de Direito, interpretou-a como tentativa oportunista de eu próprio obter nova chance de disputar a eleição presidencial, ou seja, que seria um gesto motivado por interesse pessoal mesquinho. 

Simplesmente desconsiderou que, nos últimos dois anos, em todas as oportunidades, inclusive em entrevista recente à própria Folha, defendi sempre a mesma posição, qual seja, a precedência da candidatura de Lula.

Ao me desqualificar (...), inclusive com expediente discursivo desrespeitoso, ao estilo bolsonarista, o jornal demonstra pouca compreensão com gestos de aproximação e sacrifica as bases de urbanidade que o pluralismo exige. 

Infelizmente, constato que, nos momentos decisivos, a Folha, em lugar de discutir ideias, prefere agredir pessoas de forma estúpida.

O jornal tem méritos que não desconsidero, mas não vejo como manter uma colaboração permanente com tal veículo".

sexta-feira, 17 de abril de 2020

BÁRBAROS NO PORTÃO

Enquanto os bárbaros ameaçam arrombar o portão, as autoridades da cidade sitiada discutem o sexo dos anjos. 

A lamentável confusão que culminou na troca do ministro da Saúde na fase mais crítica da luta contra a epidemia do novo coronavírus faz evocar essa imagem.

O presidente da República, convertido por sua ignorância e pusilanimidade no maior estorvo à coordenação dos esforços sanitários, é o único responsável por ter produzido mais um ruído em torno do nada. 

Figura minúscula da política, insiste em desperdiçar energias de um país em emergência.

Em razão dessa conduta abstrusa de Jair Bolsonaro, uma camisa de força institucional foi sendo tecida em torno da Presidência. Governadores e prefeitos, gestores diretos da saúde pública, tiveram de tomar decisões onerosas para seus cidadãos protegendo-se de uma saraivada de críticas desonestas e desinformadas do chefe de Estado.

A ameaça constante de que decretos do Planalto viessem a se sobrepor às ordens de restrição de atividades das autoridades locais exigiu do Supremo Tribunal Federal a declaração, unânime entre os ministros, da ilegitimidade de atos unilaterais do Executivo federal.

Os presidentes e as maiorias da Câmara e do Senado armaram-se para rebater e rechaçar as barbaridades que pudessem surgir da famigerada caneta de Jair Bolsonaro.

O próprio Ministério da Saúde teve de aprender a operar num ambiente hostil, em que o presidente da República contrariava, com gestos e falas, as normativas da pasta, que não diferem em nada das que prevalecem em todo o planeta.

A muito custo, reitere-se, foi erguida essa barreira de contenção ao poder de destruição do chefe do governo, em meio à batalha sem precedentes contra a pandemia. Por isso, não será uma troca de ministro que colocará tudo a perder.

A opção pelo oncologista Nelson Teich tem a vantagem de eliminar nomes exóticos e obscurantistas que eram cogitados. Mas o desconhecimento, pelo novo ministro, do que seja a complexa máquina da saúde pública no Brasil vai cobrar um preço de aprendizagem em que o país não precisaria incorrer.

Defender, como Teich, a massificação dos testes é correto, porém insuficiente. A questão é como fazer um país que testa pouquíssimo passar a processar milhões dessas avaliações em poucos meses.

E como seu ministério vai ajudar agora, emergencialmente, os hospitais cujas UTIs estão se exaurindo?

Essa não é uma questão teórica. Brasileiros vão morrer desassistidos na fila da saúde pública se ela não for respondida com ações tempestivas e muito bem planejadas.

Os desafios do novo ministro são concretos e prementes. Tudo o que ele não tem é mais tempo a perder. (editorial desta 6ª feira, 17, da Folha de S. Paulo)
.
Toque do editor — E não é que eu vivi o suficiente para ver o dia em que posso aprovar de cabo a rabo um editorial da Folha de S. Paulo?! 

E a azeitona na empada é que não fui eu a movimentar-me em direção àquele que na década passada eu qualificava de jornal da ditabranda, mas foi o dito cujo que se deslocou até onde eu já estava.

[Se nada existe para excluir, haveria, sim, o que incluir: é o que está no último parágrafo destas considerações.  Mas, para a grande imprensa, ainda não chegou a hora do Basta! e do Fora!. Não tenho dúvidas de que logo chegará...]

Então, nem vou redigir eu mesmo um post sobre a troca de ministro da Saúde, pois o essencial já está aí: depois que o Supremo proibiu Bolsonaro de sabotar o combate à pandemia com seus rompantes de obscurantista alucinado, tanto dá Mandetta quanto Teich.
O principal é que o STF converteu a caneta Bic do presidente miliciano numa peça decorativa; e que, por mais que ele se esforce para fingir comedimento, é enorme a chance de novamente descontrolar-se e rodar a baiana, esgotando de vez a paciência dos que até agora se limitaram a enquadrá-lo e os fazendo perceber que de nada adianta contemporizarem com um transgressor serial da Constituição. 

A sucessão interminável de crimes de responsabilidade do Bolsonaro mais do que justifica sua remoção do cargo. E, enquanto não for tomada esta providência obrigatória, ele continuará reincidindo, como naquela fábula em que, ao atravessar o rio nas costas do sapo, o escorpião o pica, condenando-se a morrer afogado porque foi incapaz de controlar sua natureza. (por Celso Lungaretti)  

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

AS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ: A 'FOLHA' ESFREGA NA CARA DO LULA QUE ELE ESTÁ CADA VEZ MAIS PARECIDO COM O BOZO...

LULA SINCERÃO
Governantes não gostam de imprensa livre. Ter a administração constantemente exposta a reportagens que iluminam aspectos inconvenientes ao grupo no poder não é algo que lhes dê prazer. É um fator de incômodo que, nas democracias, são obrigados a tolerar.

Luiz Inácio Lula da Silva não foi exceção à regra enquanto ocupou o Palácio do Planalto. Restringiu entrevistas coletivas, deu preferência, inclusive financeira, ao espectro de veículos chapa-branca em torno do petismo e flertou com dispositivos para controlar a mídia.

O curioso foi ter embarcado agora, na oposição, numa espécie de flashback aos tempos em que chefiava o Executivo. Em entrevista ao UOL, [Lula] endossou parte da ofensiva que o presidente Jair Bolsonaro tem capitaneado contra a imprensa.

Lula não apenas deu razão ao atual mandatário como agiu à maneira dele ao atropelar os fatos e acusar a TV Globo de não ter dado cobertura às mensagens obtidas pelo The Intercept Brasil que questionam a parcialidade da Lava Jato.

Trata-se de erro crasso de informação, pois a emissora veiculou reportagens sobre o tema. 

Também ao contrário do que disse Lula, a Globo noticiou a denúncia estapafúrdia de um procurador contra o fundador do site, Glenn Greenwald —acusação ofensiva ao exercício do jornalismo que deveria ser de pronto rejeitada pelo Judiciário.

A verborragia fora de órbita e de lugar histórico do ex-presidente prosseguiu com comparações entre a atitude da emissora e o nazismo e com mais elogios a Bolsonaro por supostamente estar, com o emprego das redes sociais, “provando que é possível fazer notícia sem precisar dos jornais”.

Fazer notícia, nas palavras confusas de Lula, equivale a transmitir a visão adocicada e autoindulgente do situacionismo sobre a realidade sem o crivo crítico do jornalismo profissional. Não difere da propaganda, mas é o sonho acalentado por todo governante, de falar sem ser contraditado.

A sensação que fica é a de que Lula gostaria de voltar ao cargo e valer-se de ferramentas de comunicação direta, ataque e boicote à imprensa desenvolvidas por Bolsonaro. A intenção de alvejar uma rede de TV também é compartilhada.

Num rompante de sinceridade, o principal líder da oposição revela não apenas o que o distancia, mas também o que o aproxima do atual presidente. Lula sincerão, para usar a gíria dos jovens, não deixa de esclarecer o debate público.
.
Toque do editor  para quem ainda é visto pelos desinformados como um homem de esquerda, Lula comete o pecado mortal de fornecer motivos de sobra para o jornal da ditabranda, no editorial desta 3ª feira (28), igualar várias de suas posturas às do seu mais repulsivo e desprezível inimigo. Que fim de feira!

Numa recente troca de mensagens com o amigo Rui Martins, afirmei que não me surpreenderei se o Lula adentrar em 2022 o picadeiro do Bozo para ajudá-lo a combater o Moro, assim como Luiz Carlos Prestes subiu em 1950 no palanque de campanha do Getúlio Vargas, responsável último pela entrega da mãe de sua filha aos nazistas.

Tal previsão tem chance cada vez maior de se confirmar, ao contrário dos horóscopos do charlatão Olavo de Carvalho, tão furados que ele teve de vestir outra fantasia e ir depenar uma espécie diferente de otários. (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

QUE DEMOCRACIA, CARA PÁLIDA?!

Ninguém é santo nesse arranca-rabo
Data venia, o editorial da Folha de S. Paulo (acesse-o aqui) é mais um exemplar da hipocrisia da mídia financista do Brasil. 

Por óbvio, expôs o que até os granitos da Avenida Paulista já sabem. Bolsonaro é um aspirante a ditador, truculento e avesso à imprensa independente. Mais de trinta anos de vida pública apoiando o que de mais retrógrado existe no Brasil não deixa a mínima dúvida quanto a isto.

No entanto, a Folha não é um exemplo de respeito à democracia. E não falo aqui apenas de seu vexaminoso apoio à ditadura (além de a relativizar depois, como se tivesse sido uma inofensiva ditabranda), mas também de seu corriqueiro ataque a movimentos sociais, sindicatos e personalidades populares. 

Não esqueçamos, p. ex., que em junho de 2013 foi um editorial seu, juntamente com outro do coirmão O Estado de S. Paulo, que pediu o endurecimento da repressão policial aos manifestantes do Passe Livre

Na noite daquele editorial, a PM desembestou barbara violência contra os jovens que ousaram ir às ruas, causando indignação nacional e impulsionando as gigantescas manifestações hoje já históricas. Jamais houve pedido de desculpas ou reparação por parte da Folha de S. Paulo por ter atiçado a violência policial. 

Durante os anos seguintes não seriam poucas as vezes em que o jornalão sairia em público criminalizando manifestantes, não apenas na linha editorial, mas também na cobertura enviesada e, muitas vezes, francamente mentirosa. 

O jornal se lamuria pelo autoritarismo de Bolsonaro, mas deposita firme apoio à política econômica reacionária de Paulo Guedes, tendo, mesmo, feito um editorial elogiando as propostas austericídas do ministro, classificando-as como estando no “caminho certo”. 
2009: protesto diante da Folha contra editoral da ditabranda

Ora, Guedes é Bolsonaro e vice-versa. O neoliberalismo de Guedes só é possível de ser implantado e mantido em ambiente autocrático e o DNA do ministro é francamente pinochetista. 

O veículo dos Frias também parece não ver nada de antidemocrático na aprovação das tais reformas a toque de caixa no Congresso. Quando Rodrigo Maia e sua turma decidem o futuro de mais de 150 milhões de pessoas sem ao menos um debate com elas, a Folha não enxerga falta de democracia. Ao contrário, aí se trata da modernidade avançando, são os luminares da civilização

A Folha teve participação intensa no processo de impeachment contra Dilma e ajudou não apenas a induzir, mas também a aumentar o número de manifestantes, usando politicamente seu DataFolha. Enquanto em 2013 pedia repressão, em 2015 e 2016 dizia apologeticamente que estávamos diante das maiores manifestações da história do Brasil, quiçá da humanidade.

Acreditava, junto com Globo e Estadão, que a deposição de Dilma facilitaria a imposição das medidas pró-baronato financeiro, mas também abririam caminho para a vitória da centro-direita, capitaneada pelo PSDB de Alckimin. 

Por uma ironia da História, está agora sofrendo as consequências do seu maquiavelismo trapalhão, 
"usando politicamente seu DataFolha"

O impeachment acabou servindo não para aplacar a crise política, mas para piora-la, levando o péssimo governo Temer ao buraco e, conduzindo, por fim, à eleição de Jair Bolsonaro. 

A Folha de S. Paulo, os demais órgãos da mídia financista e a burguesia brasileira em geral tiveram de engolir a seco a eleição do ignóbil. Porém, para se garantirem, começaram a desencavar os podres de um político notoriamente corrupto e ligado a tudo de ruim no Rio de Janeiro. Deste modo, pensaram que conseguiriam domá-lo pela chantagem.

Bolsonaro, contudo, é iletrado, mas não idiota. Com um forte instinto de sobrevivência, deu uma dupla cartada: deixou Guedes fazer o que queria e dobrou a aposta contra a mídia. 

Com o primeiro movimento, imobilizou a parasitária burguesia brasileira e colocou a sua imprensa numa armadilha. Ela teria de apoiar a política econômica do governo e não poderia radicalizar contra ele. 

Garantido isto, o próximo passo seria dobrar a aposta e ir na jugular da mídia, cortando seu financiamento e ameaçando não renovar concessões.

Enredada pelo apoio à política econômica neoliberal, temerosa de ferir o avanço das pautas austericidas, a mídia financista simplesmente entrou em pane e agora só pode balbuciar invectivas inúteis sobre a democracia ou tentar distinguir Bolsonaro de sua política econômica. Ou seja, apoiar o governo sem apoia-lo.  
"Guedes é Bolsonaro, e vice-versa"
Na realidade, a Folha parece ignorar que o novo regime socioeconômico nascente pelas mãos de Bolsonaro e Guedes não necessita mais de jornais ou de canais de televisão. 

O mundo paralelo das fake news e da mídia oficialista é tudo de que tal regime necessita numa sociedade cuja riqueza será dada por especulações financistas e cuja força de trabalho será formada por entregadores de comida e motoristas de aplicativos. O rigoroso ponto de chegada de uma sociedade radicalmente neoliberal é o irracionalismo puro.

O ideal de democracia da Folha já caducou e ela não percebeu. O antigo regime oligárquico de falsificação da realidade, com os jornais e a mídia em geral servindo como instrumentos de distorção da verdade, já não existe mais. Hoje, a verdade já pode ser inteiramente manufaturada sem o mínimo uso da verossimilhança. 

A mamadeira de piroca triunfa, o articulista definha. Mas, e isto a Folha precisa entender, a mamadeira de piroca é o caminho necessário para reformas como a da Previdência. (por David Emanuel de Souza Coelho)
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