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segunda-feira, 14 de julho de 2025

SACANAGEM E CHANTAGEM DE TRUMP CONTRA O BRASIL

Você já leu, ouviu ou viu na tevê: essa figura repelente que é o presidente dos Estados Unidos, o Donald Trump, criou um imposto de 50% para os produtos brasileiros exportados para os estadunidenses.

O preço desses produtos nos EUA vai, portanto, ter um acréscimo de metade do que custava, ou seja, o que custava 10 dólares vai custar 15, o que custava 20 custará 30 e assim por diante.

Nos EUA, isso vai atingir em cheio, principalmente o café da manhã, o suco de laranja, a carne e os produtos agrícolas. Mas existem as exportações de petróleo, de ferro, celulose, aço e mesmo de aviões. 

Para o agronegócio brasileiro vai ser um choque a partir de agosto e tal imposição absurda, que antes era da ordem de 10%, vai provocar desemprego nessas áreas e perdas entre os empresários nacionais.

Ou seja, muitos imigrantes brasileiros expulsos pela polícia de Trump, não encontrarão emprego nem no Brasil; exceto se os exportadores encontrarem rapidamente países compradores dos produtos brasileiros. Resumindo, vai haver crise.

Até agora não existia nenhum problema com os EUA. Os estadunidenses ganham ao comerciarem com o Brasil, pois vendem mais do que compram.

Então por que Trump decidiu tratar o Brasil como um inimigo? Por que essa sacanagem? 

Porque o babaca do filho do Bolsonaro, Eduardo, faz nos EUA, junto com mais três bandidos – o Alan dos Santos, o Paulo Figueiredo (neto do antigo ditador) e o Rodrigo Constantino, uma campanha contra o Brasil. 

Trata-se de uma forçação de barra no sentido de evitar o processo e a prisão de Bolsonaro mediante a concessão prévia de uma anistia ou indulto, benefícios que só podem ser concedidos aos já condenados e não aos que estão na iminência de sê-lo.

Mas, acabaram convencendo o Trump de que existe no Brasil uma ditadura perseguindo o coitado do Bolsonaro. Daí ele ter enviado uma carta desrespeitosa a Lula, praticamente exigindo, como alternativa ao tarifaço, a anulação do processo contra Bolsonaro.

E você, o que acha?

Os auto-intitulados patriotas estão comemorando essa intromissão do gringo Trump na Justiça brasileira; os líderes bolsonaristas na Câmara e Senado babam de alegria, baixando mais um pouco, no mastro, nossa bandeira verde-amarela que usam como trapo para enrolar no corpo. Há entre eles, inclusive, quem prefira saudar a bandeira estadunidense e bater continência para ela!

Até o governador de São Paulo, Estado que mais vai sofrer com o tarifaço, evita criticar Trump e coloca a culpa no Lula. Uma atitude pra lá de rasteira. Tarcísio, que será candidato a presidente, dá a entender que, se o elegerem, vai ser vassalo obediente de um governante estrangeiro.

O que você acha disso?

Essa gente que vive de verde e amarelo agora aplaude uma espécie de invasão, uma ameaça às nossas instituições judiciárias, um ataque à nossa economia com o tarifaço, um ataque à nossa soberania com a cínica admissão de que seu principal objetivo não é econômico mas sim político (manter fora das grades o governante que encabeçou uma tentativa de golpe de estado). 

Não acha que nos envergonham ao serem traidores e entreguistas a ponto de resistirem à taxação dos ricos mas 
apoiarem a taxação do Brasil pelos EUA, o que vai repercutir na vida da população trabalhadora brasileira?

Por último: como avalia Tarcísio e esses evangélicos que, em suas pregações, continuam repetindo a heresia de que Bolsonaro seria um enviado de Deus? (por Rui Martins) 

domingo, 23 de setembro de 2018

DISSECANDO O NEOFASCISMO À BRASILEIRA

p/ David Emanuel de Souza Coelho
Bolsonaro não derreteu. Duas semanas antes do 1º turno da eleição presidencial, a tendência é de o candidato neofascista ir ao 2º turno e chegar competitivo. Os prognósticos de sua decomposição se mostraram falsos. 

Certamente, muitos vão escudar-se no atentado, o qual teria gerado comoção pública e alavancado sua popularidade. Tal desculpa, no entanto, é apenas sintoma de negação. 

Ao contrário de ter sido fraqueza, o caráter tosco, ignorante e preconceituoso de Bolsonaro foi sua força. Sim, isto mesmo. E só é possível entender o motivo se considerarmos que vivemos em uma época histórica de ruptura do pacto liberal. Ou, no caso, neoliberal. 

Zizek disse, certa vez, ser a vitória de Trump o fim do politicamente correto. Na verdade, o tal politicamente correto é outro nome para o pacto liberal: todo discurso deve transitar dentro de certos limites, sendo os extremos – tanto à direita, quanto à esquerda – rigorosamente excluídos do debate político. De fato, o pacto liberal representa o capitalismo em seu estado conciliatório, quando é possível articular interesses divergentes dentro dos mecanismos da institucionalidade burguesa. 

No Brasil, após o colapso do regime militar e os tateamentos de Sarney e Collor, vivemos isto durante cerca de 20 anos, quando PT e PSDB homogenizaram a vida política nacional. Ambos giravam dentro da mesma órbita neoliberal, mas cumpriam o papel de absorver os extremos dentro de seus aparatos. 

O pacto neoliberal brasileiro durou duas décadas, mas acabou por puro esgotamento. Seus limites foram atingidos. A crise econômica de 2008 certamente acelerou o esgotamento, mas a marca definitiva foi junho de 2013. 
"A rebelião de 2013 assustou profundamente a classe proprietária brasileira"
A base do pacto era a inclusão social sem ruptura com a estrutura social e política herdada do regime militar. Em certo momento, no entanto, tornou-se impossível continuar o processo, pois chegou-se ao teto. A rebelião de 2013 assustou profundamente a classe proprietária brasileira, a qual tratou de retirar seu nome do acordo e criar um radical processo de contra-ataque às classes subalternas. 

O neofascismo não é fenômeno exclusivo do Brasil. Neste texto de 2017 eu já tinha analisado tal fenômenos e inscrito Bolsonaro como líder do neofascismo brasileiro. 

Dito de modo geral, o neofascismo se ergue dos escombros do regime neoliberal, tal como o fascismo clássico havia se erguido dos do regime liberal tradicional. Que não encontremos neste movimento atual exatamente as mesmas características do original é um fato óbvio para quem considera o elemento básico de vivermos em outra época histórica, com características diversas. No entanto, há elementos de continuidade, entre os quais pode-se destacar:
culto à personalidade: "determinante".
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irracionalismo: o fascismo é irracional por excelência. Por estar fora da relação mediada do sistema institucional burguês, ele representa pura e simplesmente o capital em seu domínio nu e cru. Basta ouvirmos as asneiras de Bolsonaro, em seu discurso absolutamente sem sentido, para termos um exemplo disso. 
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— culto à personalidade: no fascismo, o culto à personalidade é elemento determinante. O líder é entendido como sendo o grande condutor e a obediência a ele é reforçada através de laços emotivos de adoração. Em termos psicanalíticos, é como se a pessoa retornasse ao estado infantil, vendo o líder como o pai. Lembremos das multidões de homens (pois são apenas eles que o adoram) recebendo extasiados Bolsonaro. 
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militarismo: o fascismo busca reforçar a disciplina e o terror social pela via do militarismo. No fascismo imperialista, típico dos países centrais, o militarismo assume também a função expansionista. Em países como o Brasil, periférico e com uma burguesia apequenada, o militarismo cumpre sempre a função essencial de guerra aos subalternos. A fixação de Bolsonaro com militares não é outra senão uma forma de impor disciplina e terror aos dominados. 
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— ódio racial e sexual: o fascismo opera pela criação de um inimigo. O judeu, no passado, o homossexual, hoje. A mulher sempre foi um inimigo fundamental para o fascismo, pois é reduzida à pura função reprodutiva. Dispensável aqui elaborar o modo pelo qual Bolsonaro e sua gangue tratam as mulheres e os gays. Só é preciso acrescentar o ódio destilado por eles a negros e índios. 

No entanto, o neofascismo não chega a se estruturar do modo clássico. Você não vê gangues uniformizadas desfilando pelas ruas. Há uniformes, sim, mas imitando a estética da indústria cultural, onde o líder fascista aparece como sendo um ídolo pop

Conforme disse no mesmo artigo de 2017, o neofascismo se origina da decomposição do neoliberalismo e, enquanto tal, herda a estrutura social neoliberal. Uma característica fundamental do neoliberalismo é a atomização social. As instituições políticas foram totalmente colonizadas pelo capital, não restando espaço para a ação coletiva. O resultado é a redução do indivíduo à sua esfera monadológica.
"o fascismo opera pela criação de um inimigo"
Neste contexto, o líder neofascista aparece enquanto uma figura capaz de realizar a mediação entre os indivíduos. A coletividade se daria por seu intermédio. 

O fascismo tradicional foi um movimento da classe média (aliás, o movimento revolucionário também se origina na classe média). 

E a base do neofascismo é, igualmente, a classe média; mais precisamente, a classe média tradicional, que foi a grande perdedora do arranjo neoliberal dos últimos 20 anos. Ao mesmo tempo em que viu a burguesia distanciar-se em um surto de super-enriquecimento, viu os pobres aproximarem-se cada vez mais. 

Funções antes exclusivas da classe média tradicional passaram a ser ocupadas também por pessoas oriundas dos estratos populares. Já postos de trabalho subalternos – como de serviçais nas casas da classe média – encareceram e se tornaram luxos para poucos. 

Em resumo, a classe média perdeu renda e status durante o período neoliberal, entrando também no processo de precarização estimulado pelo novo regime capitalista. 

No entanto, o fato do processo ter acontecido justamente com a dominação da esquerda, fez direitizar a classe média. Pseudointelectuais – como Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo e Rodrigo Constantino – passaram a municiar tal contingente com narrativas mistificadas e reacionárias, aguçando a direitização. Estes pseudointelectuais, inclusive, foram decisivos para minar as bases do discurso racional entre esta parte da classe média, preparando o terreno para aceitação do irracionalismo neofascista. 
"preparando o terreno para o irracionalismo neofascista"

Este caldo cultural, econômico e social é que possibilitou a ascensão de uma figura como Bolsonaro. A falência do neoliberalismo, arrastando consigo seu pacto e seus partidos, deixou por herança um programa político distópico. 

Frente a ele, apenas a radicalidade revolucionária poderia fazer frente. Infelizmente, ainda estamos longe de alcançar tal radicalidade. No Brasil, nem mesmo a crítica contundente ao neoliberalismo – já feita no exterior por figuras como Sanders e Corbyn – conseguimos alcançar. Tudo devido ao lulismo decadente, que ainda obstaculiza o caminho. 

Quanto às razões para a permanência do lulismo enquanto força política – zumbificada nesta altura –, serão analisadas em outro texto.  

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

PORTA-VOZES DA 'NOVA DIREITA' QUEBRAM O PAU. QUE TAL DAR UMA UZI PARA CADA?

Toque do editor
Desde que deixei de trabalhar na grande imprensa, fiquei privado das informações de cocheira que os personagens bem situados nos escalões superiores dos Poderes sopram para jornalistas (sempre com segundas intenções, claro, mas o bom profissional consegue administrar tais situações sem transgredir seus princípios).

Lendo criticamente o noticiário e as análises relevantes, consigo ter uma boa noção das grandes coordenadas da política e da economia. Sobre os movimentos de bastidores, contudo, a coisa se torna bem mais difícil quando tentamos nos orientar às cegas.

Para que meus leitores também não fiquem às cegas, eu costumo disponibilizar-lhes textos de autores que têm acesso às informações necessárias para comporem um bom quadro de bastidores. 

Caso deste abaixo, que leva a assinatura de Celso Rocha de Barros, doutor em sociologia pela Universidade de Oxford e analista do Banco Central. 

Ele foi ao encontro de algo que já atraíra a minha atenção – a encarniçada disputa por mais influência que os porta-vozes da nova direita estão travando –, mas, por tratar-se de um universo antípoda do meu, eu não tinha como aquilatar o que está por trás do arranca-rabo. Via o efeito, mas não sabia a causa.
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BARRACO EXPÕE DISPUTA DENTRO DA 
DIREITA, QUE NÃO SE DECIDE SOBRE TEMER
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Celso Rocha de Barros
Como diria o comissário Gordon (*), não foi o debate de que precisávamos, mas talvez tenha sido o debate que merecíamos. Uma pequena guerra civil começou dentro da chamada nova direita brasileira: Reinaldo Azevedo, colunista da Folha, foi atacado por Joice Hasselmann, ex-veja, e por Rodrigo Constantino, ex-veja, por suas críticas à Lava Jato, e respondeu animadamente.

Intelectualmente, foi um daqueles jogos em que o compacto com os melhores momentos tem só o hino nacional e o apito final. Mas o barraco dos conservadores foi o canário na mina: é sinal de uma crise chegando, e de uma disputa real dentro da direita brasileira, que deve se tornar mais acirrada nos próximos meses.

A direita brasileira precisa se decidir sobre Temer; abandoná-lo é colocar em risco as reformas de mercado, apoiá-lo é colocar-se no centro do alvo da Lava Jato. Não será fácil.

Azevedo defende o governo Temer e, recentemente começou a fazer críticas à Lava Jato. Talvez o apoio e o timing das críticas não sejam completamente não relacionados. Ao contrário de Olavo de Carvalho ou Constantino, Azevedo tem trânsito na direita institucional brasileira; suas posições são mais ou menos próximas das do DEM, p. ex., ou da direita do PSDB. Esses setores investiram pesadamente no governo Temer. E todo mundo ali vai aparecer nas delações.
OC, Azevedo, Bolsonaro e Constantino: ambições à flor da pele

Para essa turma, o ideal é que a cruzada anticorrupção pare no PT, e o discurso Temer colocou o Brasil nos trilhos de novo tem de colar até a eleição de 2018. Se der certo, os governistas entram com boas chances na disputa presidencial.

Os adversários de Azevedo são recém-chegados buscando maior inserção institucional. Não se importariam se a política brasileira implodisse. No cenário de implosão, Azevedo os ameaça com Lula; mas eles sonham, aberta ou secretamente, com Bolsonaro. E, sobretudo, cada um deles sonha ser Steve Bannon, o assessor de extrema-direita de Trump.

Os movimentos anti-Dilma tentam se equilibrar no meio dessa tensão. Recentemente, convocaram uma passeata a favor da Lava Jato. Mas a convocação é uma piada: em vez de tentar atrair o maior público possível para defender a operação, o Movimento Brasil Livre incluiu na pauta dos protestos a reforma da Previdência e a revogação do Estatuto do Desarmamento. 

Fez isso para impedir que apareça qualquer um que se disponha a gritar Fora, Temer!. Isto é, o MBL apoia a Lava Jato desde que o seu lado continue no poder. Como diria o PT, assim até eu.
O sonho de alguns deles: ser o Steve Bannon do Bolsonaro  

Por sua vez, Ronaldo Caiado não disfarça a pretensão de ser candidato a presidente no ano que vem. Olhando com os olhos de 2018, Caiado já se apavorou com o que viu, e pediu a renúncia de Temer. 

Mas é difícil que arraste consigo sua base social ou o resto da direita, ao menos enquanto Temer estiver amarrado às reformas. E quem se converter ao Fora, Temer! tão perto de 2018 vai parecer oportunista (e o será).

A história não contada do impeachment de Dilma Rousseff é justamente sua origem na crise de liderança da direita brasileira depois da quarta derrota presidencial seguida do PSDB. Desde então, a direita brasileira foi liderada por quem gritasse mais alto. Agora a combinação de delações contra a direita e eleições presidenciais vai testar a competência política dos vencedores de 2016.
* personagem das história em quadrinhos do Batman

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