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quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

BALBÚRDIA DO PIX MOSTRA QUE O LULOPETISMO DESCONHE O PAÍS QUE ELE PRÓPRIO AJUDOU A CRIAR

 

Não se enganem, o boato de que o PIX seria taxado não começou com o vídeo do deputado federal bolsonarista Nikolas Ferreira e nem foi pura obra de fake news espalhadas pela extrema-direita, mas movimento orgânico que dominou a população nesses primeiros dias do ano de 2025, o qual promete ser um annus horribilis para Lula e sua corja, conforme prenunciado em artigo publicado aqui no blog no dia primeiro. 

O acontecimento reforça dois dos maiores sintomas da derrocada lulopetista: a alienação sobre a realidade brasileira e a profunda prepotência de Lula e cia. Na verdade, tais defeitos costumam estar juntos e quanto maior é a ignorância, maior a soberba. 

Contudo, a pataquada do PIX é mais imperdoável porque está diretamente ligada à dinâmica social que o lulopetismo ajudou a forjar nas últimas duas décadas, um país de empreendedores, recheado de Elon Musks que vendem bolo de pote e fazem corridas de Uber rumo ao primeiro milhão. Esses indivíduos fazem seus corres abaixo dos radares do Ministério da Fazenda e de seu voraz Leão enquanto se embebem de ideologia liberal despejada sobre eles pela mídia burguesa e pelo governo dito de esquerda. 

Não nos esqueçamos que Lula fez o que Bolsonaro se negou a fazer e cedeu ao lobby dos varejistas tupiniquins ao taxar compras internacionais antes isentas - a famosa taxa das blusinhas - que foi um duro golpe para o consumo das classes populares. Diante desse histórico, qual não foi a impressão popular quando o governo resolveu apertar o cerco sobre as transações efetuadas pela modalidade de PIX? O microempreendedor individual (MEI) que vende coco na praia entrou em pânico. 

Por óbvio, não se trata e nunca se tratou de taxar a transação por PIX, pois tal tipo de cobrança configuraria a finada CPMF - Cobrança Provisória sobre Movimentação Financeira - extinta em 2011 e só pode ser constituída por força de lei aprovada no Congresso, mas a intenção de ampliar o cerco sobre a sonegação é muito clara e defendida abertamente pelo governo. O problema, porém, é que o sonegador é justamente o MEI com fumos de bilionário, forjado pelo lulopetismo ao longo de décadas de desregulamentação das relações de trabalho e de financeirização generalizada. 

O MEI possui isenção de impostos, mas isso caso movimente uma quantia baixa de valores. Para manter a isenção, mas ter seus lucros assegurados, muitos fazem movimentações em contas de pessoas físicas e não em sua conta jurídica, recebendo em PIX porque essa forma de pagamento estava fora do rastreamento da Fazenda. Da noite para o dia, com sua nova regra, o governo arriscou colocar na ilegalidade milhões de microempreendedores que teriam de prestar contas de suas movimentações, se regularizar junto ao fisco e virtualmente perder as isenções financeiras.

Daí a revolta contra a ação de Lula. O país de empreendedores forjado por ele durante anos de medidas neoliberais se levantou em peso contra a possibilidade de começarem a pagar impostos. As criaturas se viraram contra o criador. 

É difícil imaginar que Haddad não soubesse dessas consequências de sua medida, mas certamente em sua arrogância ele não deve ter imaginado tal reação, prevendo uma vitória igual a obtida na tributação das compras internacionais. Em sua fúria de taxar as grandes pobrezas, embevecido pelos tapinhas nas costas que recebe dos bem-pensantes do mercado financeiro, contava ter mais uma vez montado nas costas dos pobretões do Brasil para rachar de dinheiro o baronato. Ledo engano! Mas, como já  dizíamos, Fernando Haddad é o pior ministro do governo Lula 3.

O bolsonarismo ter capitalizado com a insatisfação diante da medida do governo não pode ser surpresa, pois esses ditos empreendedores são uma de suas bases fundamentais ao acolherem o discurso liberal do self made man, da livre competição e do Estado interventor, com suas taxas e regras. O Brasil dos MEIs é o Brasil do bolsonarismo. 

Mas é justamente este país que o lulopetismo ajudou a forjar: com relações de trabalho precarizadas, serviços públicos arruinados, afundado na superexploração, com a miséria galopante e em que as soluções são individuais, pela via do esforço pessoal, do empreendedorismo. Lula o criou, mas não o compreende porque não possui capacidade para tal, sendo muito mais o instrumento das forças históricas do capitalismo. Contudo, em sua soberba, ele acredita ter o povo em suas mãos, ser seu intérprete mais exato e virá daí sua ruína. (por David Coelho)

quarta-feira, 8 de março de 2023

CAIU A CASA BOLSONARISTA!


 No jargão policial costuma se dizer que a casa caiu quando um criminoso é flagrado da prática de um crime e vai preso. 

No caso da dupla Boçalnaro, o ignaro, e Michele, a evangelista, com o flagrante de recebimento de presentes dados pelo corrupto e sanguinário governo saudita de Mohammed Bin Salman, sem declaração para o fisco, com parte deles apropriado privativamente e outra apreendida pela Receita Federal graças à firmeza profissional de um fiscal alfandegário, falta apenas a prisão para a configuração da máxima acima referida. 

A cada dia que passa as desculpas do casal se evidenciam como esfarrapadas e contraditórias, como alguém que mente e precisa cada vez mais de outras mentiras para negar o fato, até tudo ficar ridiculamente evidente.

Não vou discorrer longamente sobre a crônica policial do fato, basta lembrar que a cada dia mais aparecem documentos afirmando que um lote conseguiu passar clandestinamente e foi recebido pelo próprio Bolsonaro, e outro foi apreendido pela alfândega, como vem sendo noticiado pela imprensa policial com detalhes contraditórios tais como: 

- o Presidente afirma nunca ter pedido, nem recebido joias sauditas, mas passou recibo de tal recebimento de um dos lotes;

-  ao invés de incorporar as joias recebidas ao patrimônio da União, como é de praxe para presentes recebidos em função do cargo e da representação, foi apropriada privativamente;

- que agora, e muitos meses após a apreensão de um outro pacote de joias, a primeira dama Michele, a evangelista, afirma desconhecer a posse de tanto patrimônio e que nem as mesmas lhe haviam sido presenteadas, mas o próprio governo fez várias tentativas de liberação de tais preciosidades cujo valor somente foi revelado quando de uma avaliação para posterior leilão da Receita Federal, pois o caso se arrasta desde 2021;

- que o Ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou, meses atrás, que recebeu, sem protocolo, o que seria um presente saudita para a primeira  dama, mas a beneficiária nada sabia a respeito do caríssimo presente; 

- que o valiosíssimo presente era transportado na mochila de um servidor público, e que somente foi detectado após verificação por máquinas apropriadas para raio x de tais tipos de objetos; 

-  que, que, que, que... 

A corrupção em razão do exercício de cargos públicos importantes é notória e não podia ser diferente numa estrutura estatal que dá apoio a uma outra e definitiva corrupção: a forma-valor, responsável por subtrair o tempo valor do trabalhador e proporcionar a acumulação do capital pelo capitalista, o qual aparece como benfeitor social por dar o emprego aos explorados por ele. A fonte de sua riqueza é a própria exploração. 

Mas há diferenças sobre o destino da corrupção, pois há quem pratica a corrupção com o objetivo de ficar rico pessoalmente e há quem quer fortalecer a estrutura partidária. Em ambos os casos, tal comportamento é conceitualmente criminoso, além de moralmente e eticamente condenável. 

Boçalnaro, o ignaro, e Michele, a evangélica, não têm partidos políticos, nem estruturas orgânicas caras, e se sustentam/sustentaram politicamente numa ideologia política de conceitos anticivilizatórios e retrógrados que calam fundo na inconsciência social e no niilismo populacional, principalmente sobre o que está posto como relação social e institucional, que não é mesmo coisa santa. 

Neste ponto, o casal se diferencia do nazifascismo clássico que tinha uma estrutura de poder, apesar de identidades quanto à ligação com milícias - tal como eram os camisas pardas-, militarismo fanático, como as SS, entre outras muitas identidades conceituais sobre costumes, raças, homossexualismo, etc. 

É por isto que a corrupção boçalnarista é privada, primária, baseada no enriquecimento pessoal e se alia com gente igual a Valdemar da Costa Neto, que quer dinheiro e poder para negociações tenebrosas a partir do parlamento, sempre pronto para o toma lá da  cá.  

Aliás, dizem que por conta do episódio desgastante das joias, Michele, a evangélica, já foi rifada como pretensa doce encarnação do boçalnarismo no PL. Os ratos são sempre os primeiros a abandonar o navio... 

O PT joga o jogo. Não é por menos que o mesmo Valdemar da Costa Neto, hoje demonizado, foi condenado no mensalão e era à época - desde o vice José Alencar, do PL - uma aliado que se virou contra o próprio partido de Lula. Nisto, Valdemar é coerente: está sempre do lado do governo, qualquer que seja ele, desde que lhe paguem o pedágio. 

Mas não pensem que a direita brasileira está morta e sepultada. 

A cadela fascista está sempre no cio e amanhã, se já não der para seguir com Boçalnaro, o ignaro, por sua completa primariedade política e fanfarronice obtusa apoiada por filhos zero à esquerda, que mais parecem os sobrinhos do capitão das antigas revistas em quadrinhos, tentará continuar com um direitista tão populista como aparentemente sério e probo a serviço de tudo que é retrocesso civilizatório, como era um Sérgio Moro antes de cair a sua máscara de caráter.   

Além de genocida, ficou demonstrado na CPI da Covid o quão corrupto poderia ter sido a compra de vacinas que não foram adquiridas em tempo hábil, o que transformou o Brasil no campeão de mortes em números relativos - temos 3% por cento da população mundial e 11% de mortes - e o terceiro em números absolutos, perdendo apenas para a Índia e os Estados Unidos. 


Al Capone, que durante a lei seca e a depressão dos anos de 1920/1930 nos Estados Unidos, matou e extorquiu à vontade, somente foi processado por uma mera sonegação de imposto de renda, modo pelo qual o sistema foi capaz de colocá-lo na cadeia.

Será que o casal Boçalnaro, o ignaro, e Michele, a evangelista, serão condenados pela justiça apenas por míseros R$ 16,5 milhões em joias apreendidas,  uma fichinha em relação à compra de 51 milhões em imóveis à vista e em dinheiro vivo sem comprovação, rachadinhas, entre outros crimes de corrupção que a história ainda haverá de demonstrar? 

O capital é corrupto, apesar de descriminalizado, e a corrupção política é o subproduto indesejado por sua lógica totalitária, posto que quer o estado economicamente saudável e a seu serviço, sem concorrência paralela. (por Dalton Rosado

sábado, 10 de outubro de 2020

O QUE OS ASTROS DIZEM HOJE PARA OS GURUS DA LINHA NOSTRAGRANA: "VOCÊ TERÁ SÉRIOS PROBLEMAS COM O FISCO"

S
eguem alguns trechos selecionados de uma reportagem publicada neste sábado (10) pelo Intercept Brasil, com o título de
Olavo de Carvalho mentiu à Receita Federal para movimentar dinheiro que recebe do Brasil, cuja íntegra pode ser acessada aqui: 
Olavo de Carvalho mora no sul dos Estados Unidos há 15 anos, mas mentiu à Receita Federal ao declarar que ainda é residente no Brasil. 

Guru dos filhos e seguidores de Jair Bolsonaro, o autodeclarado filósofo informou no Imposto de Renda de 2018 que mantém residência no Brasil, numa casa que alugou em Curitiba até 2002. Mas o imóvel tem hoje outros moradores, que sequer sabem quem é ele.

Sem declarar a saída definitiva do Brasil, Olavo pode movimentar dinheiro no país como se morasse aqui, o que facilita suas campanhas de arrecadação. E faz isso. Ao menos desde 2006, quando já morava nos EUA, o guru bolsonarista indica os dados de uma conta em nome dele na agência do Itaú nas Mercês, mesmo bairro em que diz à Receita Federal que reside, sempre que pede dinheiro em suas lives na internet.

A mentira à Receita, ao Itaú e ao Banco Central pode configurar fraude, afirmam especialistas em contabilidade e direito tributário com quem conversamos. 

Além disso, poderia motivar uma investigação do Banco Central sobre o Itaú, que por pelo menos 12 anos permitiu – e talvez ainda permita – a um cliente famoso manter um endereço desatualizado em seu cadastro bancário e pagar as mesmas tarifas cobradas de um residente brasileiro.

O Intercept tocou a campainha da casa em que Olavo diz manter, numa rua residencial das Mercês, bairro de classe média alta da capital paranaense. Os atuais moradores, donos do imóvel, nos disseram que vivem ali há 11 anos e que nunca ouviram falar no filósofo. Também conversamos com vizinhos e profissionais de um salão de beleza vizinho. Ninguém sabe quem é o antigo morador.

Mas o endereço consta como a residência de Olavo no Brasil na declaração de Imposto de Renda entregue por ele à Receita Federal em 2018 (...) e  está anexada a um processo movido contra Olavo pelo compositor Caetano Veloso. Foi o próprio guru que enviou o documento à justiça, na tentativa de mostrar que não tinha dinheiro para pagar a indenização de R$ 2,8 milhões a Caetano pela acusação de pedofilia. 

No Imposto de Renda de 2018, Olavo de Carvalho declarava que ainda vivia em Curitiba, embora ele tenha deixado o endereço anos antes para viver nos Estados Unidos. O IR mostra também que Olavo não formalizou à Receita sua saída do país. Quando uma pessoa se muda para o exterior, sem intenção de voltar, deve entregar um documento regularizando a situação em até 12 meses. 

A forma de tributação das fontes pagadoras que constam na declaração de Olavo nos permite concluir que, pelo menos até 2017, ele não se declarava residente no exterior. Caso tivesse feito isso, seus pagadores seriam obrigados a reter o Imposto de Renda devido por ele – o que não ocorreu.
Além disso, desde que foi morar na Virgínia, Olavo seguiu entregando a declaração de Imposto de Renda anual normalmente – e em pelo menos dois anos com endereço falso. 

Por que mentir à Receita? Uma hipótese é deixar de pagar uma dívida de quase R$ 8 mil que Olavo tem com o fisco. Se decidisse formalizar a saída do Brasil, teria de quitar o boleto. 

O valor pode incluir multas por ter deixado de entregar a declaração de saída definitiva do país por três anos consecutivos, entre 2005 e 2007. E pode haver outras infrações.

Outra hipótese é facilitar a arrecadação de seus cursos e doações. Segundo sua filha, Heloisa de Carvalho, Olavo vive desde 2005 em Petersburg, no estado norte-americano de Virgínia, e ainda depende, fundamentalmente, do dinheiro que recebe de brasileiros, alunos dos cursos online de filosofia que lhe renderam a fama de guru da extrema-direita.

Se ele estiver escondendo bens e recursos recebidos ou mantidos no exterior, pode estar cometendo os crimes de evasão de divisas e possivelmente lavagem de dinheiro. (a reportagem do Intercept Brasil, cujos autores foram Amanda Audi, Fabrizio Rosa, Marianna Camargo e Rafael Moro Martins, tem uma extensão incompatível com os padrões deste blog, daí termos feito uma síntese, ao mesmo tempo em que recomendávamos a nossos leitores que acessassem o texto completo)
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