Mostrando postagens com marcador guerra civil espanhola. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador guerra civil espanhola. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 4 de março de 2026

COVARDES E SANGUINÁRIOS

"O jornal de manhã chega cedo
Mas não traz o que quero saber
As notícias que leio, conheço
Já sabia antes mesmo de ler"
(Caetano Veloso e Gilberto Gil)
Os versos acima são da canção tropicalista Domingo, mas caem muito bem para o momento atual. 

Quase seis décadas se passaram e as notícias, inclusive as de horrores dantescos, continuam se repetindo sem cessar. Estamos condenados ao eterno retorno? Ao trem fantasma?

Agora assistimos à nova temporada de extermínio perpetrado pelos Estados Unidos e Israel, que continuam seguindo fielmente os passos de Hitler. 

Dos EUA eu não esperava algo diferente, mas os israelitas traem sua própria história
(vide aqui): sofreram o Holocausto no século passado e agora o impõem aos países árabes.  

Israel é o quarto Reich e os Estados Unidos em nada mudaram desde que despejaram bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, talvez o pior crime de guerra da história da humanidade.  

A única novidade que talvez vejamos será a extinção da Organização das Nações Unidas, por haver se tornado uma despesa inútil: existe para evitar genocídios, mas nunca consegue impor o respeito às  práticas civilizadas por parte dos arrogantes estadunidenses e israelitas.

Não comentarei as novas agressões covardes e sanguinárias a nações muito mais fracas. São iguais a todas que as antecederam, também impunes. De que adianta as deplorarmos se nada de concreto resulta?! 

Fazem enorme falta as brigadas de voluntários estrangeiros que foram combater os fascistas na guerra civil espanhola. Os novos assírios (o povo mais cruel de todos os tempos) mataram inclusive nossas esperanças e nossa disposição de lutar por causas justas.  (por Celso Lungaretti)

domingo, 2 de novembro de 2025

DIREITA, VOLVER! ANISTIA A BOLSONARO SAI DA PAUTA, SUBSTITUÍDA PELA DEFESA DO MATADOR SERIAL CLÁUDIO CASTRO.

As polícias do Rio esqueceram na mata mais de 60 corpos. Recolhidos pelos
moradores de madrugada, amanheceram enfileirados numa praça da Penha.
"Após as 121 mortes na operação policial do Rio, acusada de chacina pela esquerda, aplaudida pela direita e (segundo as pesquisas) apoiada pela sociedade, a oposição se realinhou e ganhou novo ânimo e a bandeira da insegurança para superar a dependência de Jair Bolsonaro e enfrentar o favoritismo de Lula para 2026...

...tudo caminhava para um fim de ano festivo para Lula, mas 2025 pode terminar  com a derrota acachapante da PEC da Segurança no Congresso e entrar o ano eleitoral enfrentando a CPI das organizações criminosas, comandada pela oposição e focada em martelar que a esquerda defende bandido, é contra a polícia e conivente com o tráfico."(por Eliane Cantanhede, no Estadão)

Trata-se de um copo meio cheio e meio vazio.
Mortes nas operações policiais devastadoras
de Cláudio Castro aproximam-se do milhar

De um lado. o esvaziamento político do pior presidente brasileiro de todos os tempos, responsável último pela morte de algo entre 350 mil e 400 mil cidadãos que teriam sobrevivido à pandemia de covid se não fosse sua sabotagem tresloucada da vacinação, é uma evolução  positiva dos acontecimentos.

Do outro, o copo meio vazio é que a direita se volta agora para a selvageria bestial do bandido bom é bandido morto

Com ínfimo repertório, troca o bolsonarismo que louvava o extermínio de presos políticos por parte do DOi-Codi pelo malufismo que endossava as execuções extrajudiciais de marginais por parte da Rota).

O retrocesso civilizatório parece ser o nosso melancólico destino.

E fica comprovado que Glauber Rocha, no seu primoroso Terra em Transe. estava certo ao indagar se a culpa pela rendição sem luta de 1964 era ou não do povo.  Sim, a culpa maior por aquela quartelada foi da classe dominante (como sempre!), mas a falta de reação dos dominados não pode ser relevada.

Vale lembrar que, em 1936 na Espanha,  o golpe de estado de conservadores, monarquistas e fascistas, apesar de sua enorme superioridade de forças em termos militares, foi rechaçado pelo povo, que se levantou espontaneamente, quando a esquerda ainda vacilava indecisa. 

O que era para ser um passeio das Forças Armadas, bem treinadas nas refregas para manutenção das conquistas coloniais na África, acabou sendo uma guerra civil sangrenta de dois anos e nove meses, decidida pelo forte apoio que a Alemanha nazista e a Itália fascista davam aos ultradireitistas, enquanto a Inglaterra e a França se omitiam de forma vergonhosa

Diferença gritante com o golpe de 1964 no Brasil, com o governo de João Goulart esfarelando a partir de uma marcha de recrutas sob o comando de Olímpio Mourão Filho, de Juiz de Fora para o Rio de Janeira pela via Dutra. Bastariam alguns caças da FAB disparando sobre as cabeças daqueles soldadinhos  de chumbo para eles estarem correndo até hoje. 

E, com alguma resistência popular, o desfecho poderia ter sido outro, mas a usurpação de poder foi facilitada pela tradicional pusilanimidade da brava gente brasileira... (por Celso Lungaretti) 

sexta-feira, 9 de maio de 2025

CUIDADO COM AS HISTÓRIAS QUE VOCÊ IMAGINA, PODEM TORNAR-SE REALIDADE!

fórmula de mesclar enredos de ficção científica com os dramas reais das ditaduras e das guerras sujas do século passado tem um acréscimo significativo com a minissérie O Eternauta, lançada  em escala mundial no mês passado e que ora começa a ser aqui exibida no streaming da Netflix.  

Só que desta vez a realidade invade não a vida fictícia  dos personagens, mas sim a existência verdadeira do próprio criador da clássica HQ de 1957. o escritor Héctor Germán Oesterheld.   

Mas, deixando o principal para o fim,  lembremos incialmente o exemplo de duas obras primas literárias  ancoradas na realidade e que renderam filmes interessantíssimos.

Refiro-me, primeiramente, à distopia por mim considerada a melhor de todos os tempos: 1984, escrita por George Orwell em 1948, a partir dos acontecimentos que ele vivenciou nos campos de batalha da guerra civil espanhola. 

Esquerdista ingênuo, Orwell foi participar das brigadas internacionais que lutavam contra as tropas golpistas de Francisco Franco e, por mera coincidência, acabou ingressando numa que era controlada pelo Partido Obrero de Unificación Marxista, seguidor de Leon Trotsky. 
Os Juan Salvos dos quadrinhos e das telas
Pôde então constatar ao vivo e em cores que a URSS, única aliada de peso dos valorosos espanhóis, cobrava muito caro pelos mantimentos e armamentos que lhes fornecia: obrigava os trotskistas e anarquistas a, em pleno calor da luta, expurgar seus dirigentes que estavam em desacordo com o desvirtuamento da revolução soviética por parte de um dos maiores carniceiros do século passado, o tirânico Joseph  Stalin.

Atingido por um disparo inimigo, Orwell volta para a Inglaterra e escreve dois livros contundentes, a partir de suas observações da tragédia espanhola: 
--Lutando na Espanha, no qual culpa os soviéticos por terem tirado do povo os motivos que o haviam levado a revoltar-se espontaneamente contra a investida fascista, partindo para a resistência heroica; e 

--1984, uma parábola fictícia mas transparente sobre o desvirtuamento da revolução soviética sob Stalin, responsável inclusive pelo massacre da velha guarda bolchevique nos infames julgamentos de Moscou.

O livro é um arraso, me deixou profundamente chocado quando o li. por volta dos meus 16 anos (até garimpei e encontrei um irmão menor, O zero e o infinito, de Arthur Koestler). 

O film
e, lançado exatamente em 1984, não ficou à sua altura, já que requeria um diretor peso pesado e não, apenas, Michael Radford; mas a força da trama (Orwell foi co-roteirista) e as impactantes atuações de John Hurt e Richard Burton o valorizam muito.

Já o diretor George Roy Hill foi uma escolha bem mais apropriada no caso de Matadouro Cinco (1972), filme no qual quem ficou devendo foi o elenco, encabeçado por Michael Sacks (quem?!). 

Lançado em 1969. o best-seller do Kurt Vonnegut Jr., por sua vez, foi o melhor fruto literário daquela voga contestatória na Europa e EUA; e também tem o autor como co-roteirista.

Começa como uma sci-fi rotineira sobre homem abduzido e suas peripécias com os extraterrestres, mas  a dramaticidade sobe aos píncaros quando a ação, surpreendendo os leitores, se desloca para a cidade alemã de Dresden, alvo de um bombardeio tão inútil quanto criminoso por parte dos aliados na segunda guerra mundial. Piores do que este, só mesmo os de Hiroshima e Nagasaki... 

Torçamos para que a minissérie argentina, ainda no início, acrescente mais uma pérola a esta relação. Nela, o onipresente Ricardo Darin interpreta Juan Salvo, homem comum que se torna viajante do tempo e do espaço ao buscar sua família desaparecida após uma nevasca tóxica.

A arte o conduz à participação num grupo de resistência, inicialmente para sobreviver, depois para o enfrentamento de uma ameaça extraterrestre e, afinal, para cair nas garras dos inimigos. 

Já o escritor Oesterheld foi arrastado pela vida em direção semelhante, pois ele aderiu à guerrilha esquerdista dos Montoneros e o fez juntamente com sua família, acabando por ser sequestrado  em 1977 pelos militares fascistas. 

O desfecho foi trágico: Oesterheld e suas quatro filhas  desapareceram para sempre. Será um milagre se algum dos cinco ainda reaparecer com vida, tanto tempo depois.

Resta saber se o  imaginário Salvo será salvo na minissérie ou vai evaporar também... (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

...VEIO A MOÇA E CONTINUOU!

L
á pelos meus 16 anos, quando começava a me interessar pelo movimento estudantil, minha imaginação já voava longe. 

Desencanei muito cedo do futuro insosso que meus pais e parentes projetavam para mim, pois fui me dando conta de que não queria formar-me engenheiro, ter casa própria na cidade e outra na praia, casar com uma esposa prendada, trocar de carro todo ano, etc. 

O porvir sonhado pelos meus colegas de escola e pela turminha da rua Curupace mais me parecia um tédio infinito.

cheguei até a elucubrar sobre como queria morrer, inspirado em leituras sobre a guerra civil espanhola, quando militantes de vários países se alistavam nas brigadas internacionais de apoio aos socialistas e anarquistas espanhóis, na heroica resistência que mantinham contra os fascistas de Franco. 

Ingenuamente, acreditei que sempre haveria uma guerra tão justa assim à espera de mim, quando  me sentisse velho demais para travar o bom combate.

Aliás, nunca imaginei que chegaria a septuagenário. Jamais me agradou a ideia de decair, de ficar sentado no trono de um apartamento, com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar, como o Raul Seixas tão bem definiria em Ouro de Tolo.

Aí, quando eu já estava com 51 anos, nasceu a Luana. E, de imediato, mandou para o espaço os planos que eu tinha de, no momento certo, escolher a minha morte. 
Também depondo na auditoria da Marinha, um dia depois daquela foto famosa da Dilma
Planos que, aliás, não eram mais tão fáceis de concretizar, porque as guerras deixaram de ser justas (viraram carnificinas hediondas!); e também porque sempre me repugnou a outra possível saída, o suicídio, tão dissonante das grandes esperanças que movem os revolucionários. 

Hoje seria complicado encontrar por quem valeria a pena eu morrer lutando (desfecho que eu considerava o mais apropriado para a minha trajetória).

Mas aí nasceu a Luana, minha primogênita. Nunca entenderei direito por que, na virada do milênio, me veio tamanha vontade de ser, finalmente, pai biológico. Imperativa a ponto de eu aceitar rapidamente a mudança de planos, assumindo a responsabilidade de tudo fazer para alongar a minha existência, pelo menos até que a minha garotinha encontrasse o seu caminho e o seu palco nesta vida.

A ironia em tudo isto é que a Lu, após ver o filme Ainda Estou Aqui, postou no Tik Tok um vídeo sobre a própria experiência de filha de militante e conseguiu chamar um bocado de atenção, tanto que a BBC News Brasil acaba de inclui-la numa reportagem (clique aqui p/ abrir) sobre quatro situações reais desse tipo.   
Batizamos tais cartazes de imortais
da Oban
. Eu sou o sétimo da lista.
 

Eis um desdobramento totalmente inesperado para mim. 

A vida é uma história contada por um idiota, repleta de som e fúria, significando nada, disse Shakespeare. 

Ainda assim, ela tem seus encantos. E ver como nossos filhos ressignificam (para usar um termo da moda) as memórias que lhes transmitimos é um dos mais gratificantes. 

Até ajuda a nos conformarmos com a nova condição de já não estarmos abrindo nossos caminhos e pedindo passagem, mas sim reduzidos a espectadores, enquanto os jovens tomam o nosso lugar. 

É como cantou o inesquecível Sérgio Ricardo: Disse o velho, eis aqui o fim de tudo, veio o moço e continuou(por Celso Lungaretti)

sábado, 27 de maio de 2023

O DESAGRAVO ESPANHOL A VINI JR. MUDARÁ ALGO NOS ESTÁDIOS? XAVI HERNÁNDEZ CRÊ NUMA MELHORA. PEP GUARDIOLA DUVIDA

"La Liga deveria aprender com a Premier League. Aqui [na Inglaterra] eles são muitos rígidos com isso, sabem o que precisa ser feito. 

O racismo é um problema do mundo inteiro, não de um lugar específico. Esta pode ser uma grande oportunidade para a Espanha dar um passo à frente. 

Mas, conhecendo como as coisas funcionam lá [na Espanha], não estou otimista. Vamos torcer para que a Justiça faça o que é certo [...] Mas, permita-me, isso não vai mudar nada na Espanha..." (Joseph Pep Guardiola, o melhor técnico do mundo neste século, tendo treinado o Barcelona entre 2007 e 2012, se transferido para o Bayern de Munique em 2013 e para o Manchester City em 2016)

"
Eu discordo [de Pep Guardiola]. Acho que é uma questão educacional. Você tem que educar as pessoas. O insulto não é normal e você tem que mudar as coisas" (Xavi Hernández, que foi meio-campista titular do Barcelona entre 1998 e 2015, jogador e depois treinador do All-Sadd do Catar de 2015 e 2021, tendo então voltado para a Espanha como técnico do Barcelona)  

Duas opiniões pra lá de respeitáveis no planeta bola
— a do técnico que revolucionou o futebol mundial e 
— a de um integrante daquele fantástico meio-de-campo com Messi e Iniesta, chamado para reconstruir o Barcelona depois de uma terrível crise financeira que arrastou consigo o time de futebol. 

Nesta sua nova fase, agora no banco de técnico, Xavi acaba de conquistar o primeiro título realmente importante do Barça desde sua debacle, o campeonato espanhol de 2022/2023.

Minha opinião? É a de que cada um tem um tanto de razão. 

O fator esquecido por quase todos os comentaristas esportivos é o de que não são  necessariamente racistas os torcedores que vaiam Vinícius Jr. quando seus times recebem a visita do Real Madrid.
Uma parte deles  decerto quer apenas desestabilizar emocionalmente o principal adversário, ao berrar ou gesticulando o insulto que mais possa servir para tirar o craque do sério. Com este tipo de torcedor, um incremento da educação pode, sim, funcionar.

Mas está certo o Guardiola quanto a existirem racistas/fascistas empedernidos na Espanha, que não vão mudar de jeito nenhum. Afinal, o sanguinário ditador Francisco Franco não permaneceu no poder de 1936 a 1975 apenas à custa do temor que suas forças repressivas inspiravam. Uma parte da população, reacionária e extremadamente católica, concordava com ele.

E são essas viúvas do Franco devem estar puxando as vaias e gritaria contra o Vini. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 1 de julho de 2020

IMPERDÍVEL: O BRASIL ESTARÁ COMEÇANDO A COLOCAR JAIR BOLSONARO DE JOELHOS?

Às vezes, a luz chega antes do amanhecer. 

Com Bolsonaro o Brasil começou a entrar no túnel escuro das ameaças à democracia. De repente, quase num passe de mágica, o presidente que era como um novo ditador, esmurrando a cada instante os valores da democracia, zombando dela, parece ter se convertido num pacífico Francisco de Assis.

Cálculo? Medo? Cansado de ser encurralado dentro e fora do país? Não importa. A verdade é que os presságios que se adensavam sobre a morte da democracia parecem ter se dissipado por um momento. 

Bolsonaro, pela primeira vez, fala de diálogo, de reconciliação e defende, assustem-se, a democracia.

Ainda não sabemos se essa aparente conversão de Bolsonaro será apenas um parêntese para recuperar forças e voltar à carga com suas armas de morte. Uma coisa é certa. Bolsonaro, neste momento, se viu de repente posto duplamente de joelhos:
— pelos militares, que parecem ter conseguido refrear seus ímpetos golpistas ameaçando sair do governo e deixá-lo sozinho; e
 pela importante pesquisa do Datafolha, segundo a qual 75% dos brasileiros apostam hoje na democracia, enquanto esmagadores 91% consideram a política das fake news, tão queridas, usadas e abusadas pelas hostes de Bolsonaro, como contrárias e ofensivas à democracia.

Revelam também o desejo de derrotar o autoritarismo do presidente os diferentes e importantes movimentos a favor da democracia que, na linha das Diretas Já, estão aparecendo entre pessoas de todas as categorias culturais e sociais.

E a isso se une, ainda, o medo de Bolsonaro dos fantasmas que assombram e ameaçam toda a sua família, desde o assassinato de Marielle até a recente prisão de Queiroz, aquele que guarda tantos segredos que devem estar tirando o seu sono.

Ao que parece, Bolsonaro teria confidenciado recentemente a alguns amigos que estava começando a se cansar de tantas brigas. Não sabemos se se trata de cansaço ou de medo. Dá na mesma. 

Não acredito realmente numa conversão de um presidente incapaz de arrependimentos, pois seus delírios de autoritarismo e suas nostalgias de velhas ditaduras e práticas abomináveis de tortura ainda estão vivos nele. 

O importante é que parece que os astros estão se unindo para deter o braço suicida de suas loucuras de rupturas democráticas e que está pedindo diálogo até mesmo a seu inimigo mortal, o Supremo Tribunal Federal.

Os movimentos de resistência à barbárie e a união de todas as forças democráticas contra obscurantismos políticos, culturais e sociais foram muitas vezes vitoriosos na conturbada história da humanidade. E com todos os horrores e ameaças de hoje à democracia, o mundo está melhor do que ontem. 
É mentira o dito de que os tempos passados eram melhores. Pelo contrário, sempre foram piores do que hoje, embora nos custe admitir isso. 

Se não, digam o que eram os direitos das mulheres apenas 100 anos atrás. O que era a defesa dos direitos humanos, as guerras que assolavam a Europa, a miséria da maior parte do mundo, a pobreza da medicina e as mortes por fome e desnutrição.

Se o mundo de hoje ainda nos horroriza, é porque perdemos a memória do que foi a história. Isso não justifica a pobreza, a violência nem as violações dos direitos humanos ainda vivos em tantos lugares do mundo. 

Mas, na sua totalidade, o mundo é hoje, como nos lembram cientistas e sociólogos, mil vezes mais habitável do que no passado.

É verdade que a humanidade sempre caminhou aos tropeções entre luzes e trevas, mas nunca houve uma consciência maior do que hoje em favor das liberdades e dos direitos humanos. Não estamos no céu, mas também não estamos no inferno que um dia foi a Humanidade.

Tomara que o novo pesadelo que vive o Brasil, de ser governado por um presidente com nostalgia de um passado de horrores que queremos esquecer, acabe logo, e que este país possa retomar o caminho de paz que havia conquistado e que era aplaudido pelos países mais avançados. 

Tomara que os jovens brasileiros que não conheceram a barbárie das ditaduras, que no Brasil são milhões e que hoje apostam na democracia, sejam o novo fermento de esperança contra o obscurantismo em que o país tinha começado a entrar.

Demasiado otimista? Talvez, mas minha idade [completará 88 anos neste mês] me permite sonhar que meus netos venham a desfrutar o Brasil que merecem e que ninguém tem o direito de lhes roubar. 

Deixem-me sonhar uma vez com as estrelas. Vivi quando criança uma terrível guerra civil [a espanhola, entre 1936 e 1939] depois uma cruel ditadura de 40 anos [a de Franco]

Deixem-me sonhar para as crianças e jovens brasileiros o que a vida me negou. (por Juan Arias, jornalista espanhol que desde 1999 mora e trabalha no Brasil, como correspondente do jornal El Pais)
Related Posts with Thumbnails