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quarta-feira, 4 de março de 2026

COVARDES E SANGUINÁRIOS

"O jornal de manhã chega cedo
Mas não traz o que quero saber
As notícias que leio, conheço
Já sabia antes mesmo de ler"
(Caetano Veloso e Gilberto Gil)
Os versos acima são da canção tropicalista Domingo, mas caem muito bem para o momento atual. 

Quase seis décadas se passaram e as notícias, inclusive as de horrores dantescos, continuam se repetindo sem cessar. Estamos condenados ao eterno retorno? Ao trem fantasma?

Agora assistimos à nova temporada de extermínio perpetrado pelos Estados Unidos e Israel, que continuam seguindo fielmente os passos de Hitler. 

Dos EUA eu não esperava algo diferente, mas os israelitas traem sua própria história
(vide aqui): sofreram o Holocausto no século passado e agora o impõem aos países árabes.  

Israel é o quarto Reich e os Estados Unidos em nada mudaram desde que despejaram bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, talvez o pior crime de guerra da história da humanidade.  

A única novidade que talvez vejamos será a extinção da Organização das Nações Unidas, por haver se tornado uma despesa inútil: existe para evitar genocídios, mas nunca consegue impor o respeito às  práticas civilizadas por parte dos arrogantes estadunidenses e israelitas.

Não comentarei as novas agressões covardes e sanguinárias a nações muito mais fracas. São iguais a todas que as antecederam, também impunes. De que adianta as deplorarmos se nada de concreto resulta?! 

Fazem enorme falta as brigadas de voluntários estrangeiros que foram combater os fascistas na guerra civil espanhola. Os novos assírios (o povo mais cruel de todos os tempos) mataram inclusive nossas esperanças e nossa disposição de lutar por causas justas.  (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 23 de junho de 2025

POR SE PROSTRAR À POSTURA IMPERIAL DOS EUA, A ONU TEM DE SER SUBSTITUÍDA POR UM NOVO PACTO ENTRE AS NAÇÕES

oliveiros marques
MORRE A ONU
Urge sepultar esta velha dama indigna
A poucos meses de completar 80 anos, morre em Washington uma senhora que veio ao planeta com a missão de garantir a concertação mundial. 

Apesar de ter falhado algumas vezes ao longo dessa trajetória, nunca antes se mostrara tão incapaz de reagir. Nunca fora tão desprezada, humilhada e violentada quanto neste 21 de junho. Os Estados Unidos tripudiaram sobre ela.

Trump, em sua postura de imperador do mundo, comete um crime gravíssimo ao contrariar diversas resoluções internacionais. A mais séria delas: a que proíbe ataques a instalações nucleares. 

O imbecil laranja sequer tinha autorização de seu Congresso para realizar o ataque contra o Irã. Mas, como imperador, julga-se autossuficiente.

Os Estados Unidos repetem o roteiro do Iraque. Baseados em falsas narrativas sobre armas nucleares, Trump ataca o Irã — país signatário do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares — apenas para fazer o jogo sujo de seu comparsa Benjamin Netanyahu. Vale lembrar: Israel nunca assinou o tratado, e os EUA abandonaram-no já no primeiro governo Trump.

Com esse ataque ao Irã, a mão que pairava sobre os Estados nacionais deixa de existir. O recado é claro: se eu quiser o seu petróleo, suas terras raras, seu lítio — qualquer riqueza do seu território — direi que você tem armas nucleares e o atacarei. 

E não nos esqueçamos: não há qualquer relatório da
Agência Internacional de Energia Atômica que aponte enriquecimento de urânio em nível necessário para fins militares no Irã.

O único país no mundo que já utilizou armas nucleares — os EUA, contra Hiroshima e Nagasaki na Segunda Guerra Mundial — não pode se arrogar o direito de regular a ordem global. Aliás, mesmo quando ainda eram signatários do Tratado de Não-Proliferação se empenharam em reduzir seu próprio arsenal. 

Cinicamente, sustentam um discurso que vale para os outros, mas não para si mesmos. E o objetivo é escancarado: manter-se como a maior potência militar do planeta, a ponto de ameaçar anexar o Canadá, tomar a Groelândia na mão grande, ou mudar o nome do Canal do Panamá.

É urgente a refundação, articulando-se um novo pacto entre os países, para além da ONU — que se mostra, a cada dia, mais subserviente aos interesses estadunidenses. Um novo eixo precisa emergir no mundo, capaz de confrontar, de forma firme e definitiva, a postura imperial dos Estados Unidos. (Oliveiros Marques é sociólogo e colaborador do Brasil 247)
.
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domingo, 22 de junho de 2025

BOMBARDEIO DE TRUMP AO IRÃ: ACELERA-SE O CONFLITO GENERALIZADO


O
discurso farsesco de condenar os países agressores - usado pela mídia contra a Rússia quando de sua invasão à Ucrânia -, caiu por terra quando Israel atacou o Irã com a justificativa de impedir o desenvolvimento de armas nucleares por parte desse país. A mídia, os EUA e seus vassalos europeus, ao invés de condenarem veementemente o ataque ilegal, buscaram não apenas justificar, mas também incentivar novos ataques. O auge desse processo ocorreu na noite deste sábado, 21/06, quando o protótipo de ditador Donald Trump ordenou o bombardeio de instalações nucleares no país persa. Cinicamente, justificou seu ataque criminoso e temerário como sendo em prol da paz. 

Netanyahu aplica a solução final
em Gaza. 
A escalada da guerra no Oriente Médio vem após um ano e meio de massacre ao povo palestino, um extermínio a céu aberto promovido pelo estado terrorista de Israel, uma verdadeira solução final imposta a Gaza cujo objetivo é o controle total deste território e sua transformação em assentamentos israelenses. Netanyahu, o rosto horrendo do massacre, não satisfeito com suas ações ali, resolveu generalizar a guerra atacando seus vizinhos: ao norte contra o Líbano, vítima de uma invasão criminosa; ao sul contra o Iêmen, atacado rotineiramente com mísseis; e agora ao leste contra o Irã. Contra esse último, contudo, se deparou com um adversário militarmente poderoso e o revide foi pesado.

É difícil saber ao certo o impacto dos ataques iranianos contra Israel, pois desde 2023 o governo de Netanyahu impõe pesada censura contra a imprensa e contra a população sendo, por exemplo, proibido aos cidadãos postar vídeos de ataques nas redes sociais. Certamente o número de mortos por lá deve estar na casa de centenas e o domo de ferro, eficaz contra os foguetóides do Hamas, se mostrou ineficaz contra os mísseis balísticos iranianos. 
A escalada bélica segue o rastro da crise capitalista que provoca instabilidade política em nível global. De Moscou a Teerã, passando por Washington e Tel-aviv, a crise engolfa os governos e ameaça a estabilidade do poder burguês. Primeiro, a face de contestação aos governos de turno ruge nas ruas com manifestações e levantes, ou nas urnas, com derrotas eleitorais. Contudo, tal contestação governamental vai tomando uma face de contestação aos próprios regimes, evoluindo para potenciais situações revolucionárias. Para desafogar as pressões, os governos têm optado pelo caminho da guerra, seguindo uma receita tão antiga quanto o próprio capitalismo.
 
A guerra permite impor medidas de exceção, isolar os dissidentes, enviar trabalhadores para morrer nos campos de batalha e, sobretudo, manter a reprodução do capital através da economia voltada para a guerra. Em momento de crise aguda do capitalismo, é a saída burguesa para garantir a sua ditadura de classe. 

Pressionados internamente, 
uma guerra com Israel e EUA é
um movimento arriscado para os 
aiatolás.
Ao mesmo tempo, é uma ação arriscada, pois pode desencadear ainda mais instabilidade e abrir o caminho para uma ruptura revolucionária. Hoje, por exemplo, uma guerra generalizada no Oriente Médio significaria o aumento ainda maior da pressão inflacionária mundial, desencadeando um aprofundamento da instabilidade política. Por isso, Trump e Putin estavam cautelosos sobre o conflito, sendo que o primeiro relutava em entrar na guerra. Contudo, diante da devastação sofrida pelo estado colonial israelense, não teve outra alternativa senão intervir. Está agora nas mãos de Putin, pelo lado iraniano, evitar a escalada da guerra.

Aos aiatolás a guerra é também uma aposta. Por um lado, garante o alívio da pressão política interna, mas por outro lado pode levar à derrocada de seu poder. Igual aos demais países, o regime teocrático encontra-se fragilizado e uma guerra, com vitória ou derrota, poderia levar a um levante popular. Uma invasão estadunidense ao país persa certamente significaria o fim da ditadura teocrática, mas o início de uma longa e cruel guerra, com consequências muito piores que as provocadas pela guerra do Iraque. 

O melhor dos mundos seria a destruição mútua do regime islâmico de Teerã e do estado colonial israelense, pois a situação em Israel também caminha para um ponto insustentável após quase dois anos de guerra ininterrupta e um custo de vidas e de infraestrutura cada vez maior. A cada míssil iraniano que caí dos céus, a moral sionista desvanece um pouco mais. 

Para completar o quadro, não podemos nos esquecer que bem próximo a Irã e Israel outro conflito bélico se desenrola, desta vez entre duas potências abertamente nucleares:
Paquistão e Índia
. 

Gradativamente, ou nem tanto, o capitalismo vai conduzindo o mundo para a guerra generalizada, única alternativa desse sistema bárbaro e desumano para solucionar a crise insolúvel que está em sua raiz. (por David Coelho) 

quarta-feira, 18 de junho de 2025

...E SE TRUMP FOR MESMO O ANTICRISTO?

"E eu pus-me sobre a areia do mar, e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia" (Apocalipse 13:1)

"E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés como os de urso, e a sua boca como a boca de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder, e o seu trono, e grande poderio"(Apocalipse 13:2)

"E vi uma das suas cabeças como ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou após a besta" (Apocalipse 13:3)

"E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão" (Apocalipse 13:11)

"E exerce todo o poder da primeira besta na sua presença, e faz que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta, cuja chaga mortal fora curada" (Apocalipse 13:12)

"Aqui está a sabedoria. Aquele que tem discernimento calcule o número da besta, pois é número de homem; e esse número é seiscentos e sessenta e seis". (Apocalipse, 13:18)

Pode-se dizer que esta meia-dúzia de versículos está por trás de todo o alarmismo dos mercadores do templo através dos tempos; e de todos enredos de ficções literárias, teatrais, cinematográficas e musicais sobre a vinda de um anticristo.

Ultimamente foi acrescentado um pitoresco complemento à profecia, qual seja a identificação das duas bestas: a primeira seria o Hitler e a segunda, o Trump. Besteirol ambíguo tem a vantagem de poder ser interpretado ao gosto do freguês.

Há, contudo, uma reminiscência de pouco mais de dois milênios atrás que me tira o sono. E não se trata de um produto da imaginação inflamada ou calculista, mas sim de um verdadeiro acontecimento histórico, datado de 10 de janeiro de 49a.C.

Foi quando o general Júlio César, reagindo às decisões do Senado romano contra ele, gritou A sorte está lançada!, atravessou o rubicão com suas tropas e tomou o poder.

É que, apesar das guerras civis, nenhum senhor da guerra ousara até então desafiar a proibição tradicional de transpor o riacho à frente de suas legiões e chegar ao coração do reino (e, em seguida, da república) para impor-se como o novo mandachuva.
Parafraseando a frase célebre dele sobre a conquista da Gália, César ousou, viu e venceu, inaugurando o ciclo dos imperadores. 

Mas, era de esperar-se que mais dia, menos dia, alguém cederia à tentação de lançar a sorte, esperando dar-se bem.

Fico matutando que desde 9 de agosto de 1945 ninguém mais se atreveu a usar uma bomba atômica contra seu inimigo, pois as imagens dos horrores de Hiroshima e Nagasaki serviram para dissuadir até os mais empedernidos detentores dessas armas apocalípticas. 

E, quando a primeira bomba atômica soviética foi testada com sucesso em 29 de agosto de 1949, um motivo ainda mais assustador para ninguém tentar a sorte foi acrescentado: o receio de que a explosão da primeira bomba provoque reação idêntica do inimigo ou de algum aliado seu, gerando uma escalada que acabe extinguindo a espécie humana.

Na célebre crise dos misseis cubanos, em 1962, chegou-se muito perto de derrubar a primeira pedra do dominó macabro. Mas John Kennedy e Nikita Kruschev, vendo abrir-se à frente deles o abismo que poderia tragar a humanidade, recuaram no enésimo momento. E nunca mais o risco foi tão grande.

Vai sê-lo agora? O Irã possuirá mesmo uma bomba atômica pronta para lançar contra Israel? Trump pretende mesmo cumprir a ameaça de assassinar à distância o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, se o país não render-se incondicionalmente?

O certo é que a responsabilidade de evitar o pior está sobre os ombros de Trump e não nos 
do aiatolá, que já não tem mais para onde recuar, com seu país reduzido a escombros;  nem nos do corrupto Netanyhau, que deixará de ser premiê tão logo a crise chegue ao desfecho.

Só nos resta torcer para que o alarmismo supersticioso não passe mesmo de um disparate e Trump só tenha do anticristo o narcisismo exacerbado.  E, por via das dúvidas, que tal dar três batidinhas na mesa? (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

UM ANO DE MASSACRE NA FAIXA DE GAZA

Há exatamente um ano, o Hamas, agrupamento que luta contra a ocupação israelense da Palestina, desferiu imenso ataque ao Estado de Israel, investindo contra instalações militares, matando civis e militares, além de sequestrar indivíduos. Até hoje não ficaram claras as circunstâncias do ataque e continua sendo inacreditável que tenha sido possível invadir com tanta facilidade o território de um dos países mais fortificados e militarizados do mundo. 

O que podemos dizer claramente é que o ataque foi um trunfo para Benjamin Netanyahu, o primeiro ministro israelense. Conforme disse em artigo logo após o ataque, Netanyahu foi o grande vencedor das ações do Hamas, pois encontrava-se em situação difícil com manifestações de rua, processos judiciais e uma possibilidade real de se retirar do poder. Os ataques de 7 de outubro de 2023 foram uma dádiva para ele que, a partir dali, impôs um estado de guerra em Israel, concentrando poderes em suas mãos para mobilizar uma operação militar sem precedentes. 

Desde então, o regime sionista conduz sanguinário massacre contra o povo palestino na Faixa de Gaza. Até o momento, mais de 40 mil palestinos foram mortos em bombardeios e execuções sumárias, a maioria desses mortos eram crianças e mulheres. Gaza foi reduzida a escombros, não possuindo mais qualquer instalação mínima de eletricidade, água, internet ou distribuição de alimentos e remédios. Os insistentes pedidos para a entrada de suprimentos foram repetidamente negados pelo governo israelense. 

É um verdadeiro genocídio, limpeza étnica praticada à luz do dia, diante de todo o mundo. 

Dos EUA e da Europa vêm os apoios para o massacre. O caquético Biden fornece o aparato militar e o suplemento financeiro, enquanto finge se importar com as vidas palestinas, repetindo a cantilena de um cessar-fogo próximo. Puro jogo de cena de um presidente criminoso e genocida! Na Europa, os governos reprimem manifestantes pró-Palestina, enquanto a imprensa dissemina islamofobia, mentindo que se levantar contra o Estado de Israel é antissemitismo. Discurso comprado por muitos da dita esquerda.

No primeiro semestre de 2024, inúmeras ocupações de campi universitários foram registrados nos EUA e na Europa para exigir o rompimento das relações comerciais dessas instituições com Israel. A resposta das elites estadunidenses e europeias foi  uma dura repressão e uma forte campanha de censura e perseguição aos estudantes mobilizados. Os mesmos que diziam defender a plena liberdade de expressão, se adiantaram para exigir censura sob a justificativa de combater o antissemitismo. 

Já no Brasil, a dita esquerda sionista tentou defender o massacre aos palestinos, mas logo caminhou para o isolamento diante da carnificina assistida. Mesmo assim, sua influência é sentida, tendo ela conseguido bloquear o apoio à causa palestina dentro do PSOL - o partido mais sionista da esquerda. Figuras iguais a Boulos, Bella Gonçalves (Belo Horizonte) e Talíria Petrone (Niterói) trataram de ficar mudas diante da situação na Faixa de Gaza. A última, inclusive, chegou ao disparate de publicar em redes sociais propaganda em que Bill de Blasio, ex-prefeito de Nova York e notório apoiador de Israel, pede votos para ela! O descaramento e a podridão moral se tornaram regra em um partido surgido para ser um novo horizonte para a esquerda. 

O governo Lula, por sua vez, assumiu correta postura de denúncia do massacre e teve a coragem de qualificar Netanyahu enquanto um genocida, para ódio da nossa mídia sionista. Contudo, tal ação ficou apenas no discurso, pois o Brasil não rompeu relações com Israel e mesmo manteve negociações de materiais bélicos com aquele país. Como de hábito, Lula e seu grupo se restringiram ao discurso. 

Neste exato momento, Israel avança em uma guerra contra o Líbano e contra o Irã. O Oriente Médio está prestes a ser engolfado por uma gigantesca e avassaladora guerra. Longe de ser um movimento restrito ao contexto daquela região, é mais uma etapa da escalada bélica mundial, cujos epicentros hoje estão lá e na Ucrânia. O capitalismo em crise avança paulatinamente para uma guerra mundial a fim de salvar a si mesmo.

Com o imprescindível Babá, 
em defesa da Palestina. 
 
E no meio disso, mais um extermínio para a história humana, dessa vez do povo palestino. Na Faixa de Gaza não ocorre nenhuma guerra, pois não existem dois exércitos em condições iguais combatendo, mas um morticínio contínuo e criminoso de uma poderosa força militar, com mísseis e soldados sádicos, contra um povo totalmente indefeso. É preciso parar o terrorismo de Israel já! 

Nossa solidariedade completa ao povo palestino em sua luta pela libertação do julgo sionista! (por David Coelho)


quarta-feira, 7 de agosto de 2024

EXTREMA DIREITA VAI ÀS RUAS DA INGLATERRA LINCHAR ÁRABES E IMIGRANTES


 Na última semana, algumas cidades da Inglaterra foram palco de verdadeiros progroms comandados pela extrema-direita e que tinham por alvo imigrantes e populações árabes, tudo após um boato espalhar que o autor do assassinato de três meninas no dia 29 de Julho em Southport seria um imigrante islâmico. 

Hordas de houligans tomaram as ruas, comandados por nazistas, supremacistas brancos, nacionalistas e outros istas reacionários para atacar mesquistas, casas de árabes, hotéis onde se abrigavam imigrantes e mesmo linchar mulçumanos em plena rua, fazendo lembrar claramente os bárbaros atos perpetrados pelos nazistas na Alemanha, sempre, claro, com a conivência aberta ou velada da polícia que ou nada fazia ou interferia de forma leve, quase pedindo desculpas por fazer seu trabalho repressivo. 

Supremacista branco é preso durante
"manifestações" da extrema-direita, certamente
era eleitor de Boris Johnson...

Tais ações não podem de modo algum serem consideradas como esporádicas ou sem fundamento. Antes, são o resultado direto da contínua pregação islamofóbica da direita europeia, ampliada pela mídia, e justificada seja no mito da islamização da Europa, seja na guerra ao terror. De fato, há muito tempo que a islamofobia substituiu o antissemitismo enquanto discurso racista predominante das burguesias daquele continente, dado a extensa população árabe que vive por lá e a existência do estado terrorista de Israel, uma base militar ocidental encravada no Oriente Médio. 

Na realidade, o sionismo trabalha em favor da propagação da islamofobia, defendendo as barbaridades cometidas por Israel ao mesmo tempo que criminaliza a resistência palestina e tacha seus esforços de terroristas. O árabe é caracterizado por cruel, fanático e incivilizado, inimigo da suposta democracia liberal cuja única representação no Oriente Médio seria o estado israelense. Afinal, não foram as palavras de Netanyahu que a luta contra os palestinos seria uma luta da civilização versus a barbárie? Uma bela civilização, de fato, na qual se fazem linchamentos em plena rua! A única verdade é essa, enquanto a mídia e os governos conservadores da Europa falam diuturnamente sob o antissemitismo, quem de fato é apedrejado são os árabes. 

... que queria enviar
imigrantes árabes para Ruanda. 
Contudo, não podemos explicar o acontecimento apenas pela propaganda da mídia e dos governos ou pela ação da extrema-direita. Na realidade, não é coincidência que os ataques ocorram concomitantemente a um abalo sísmico nos mercados globais, que é sintoma da profunda crise capitalista desenrolada há anos, pois é justamente no momento de crise que o racismo, a xenofobia e outras praticas de ódio vem à tona enquanto estratégias dos capitalistas para galvanizar o descontentamento popular contra grupos minoritários e dividir a classe trabalhadora. 

Desse modo, não podemos ficar surpresos da repetição da história, pois a única coisa possível ao capitalismo gerar em épocas de abalo terminal é ódio, mortes e destruição. (por David Coelho)

quinta-feira, 27 de junho de 2024

ISRAEL AINDA CHORA O HOLOCAUSTO, MAS NÃO PASSA DE UM GENOCIDA BESTIAL QUE AGORA SE ATRIBUI DIREITO AO MASSACRE

Trechos selecionados e editados do artigo Pensar após Gaza, do Vladimir Safatle
Genocídio ocorre todas as vezes em que o vínculo orgânico de populações ao genos, ao que nos é comum, é negada. 

Quando o comandante das forças armadas israelense diz que do outro lado há animais humanos, ele expressa, de forma pedagógica, intenções genocidárias. 

[É este também o caso quando, por exemplo]:
— o presidente de Israel diz não haver diferença entre civis e combatentes e depois submete toda a população palestina a punições coletivas;
— ministros [minoritários] do governo de Israel afirmam ser plausível o uso de bombas nucleares contra Gaza e não têm outra punição que o simples afastamento de reuniões ministeriais futuras;
— descobrimos planos de deslocamento em massa dos palestinos para o Egito; ou
— a ministra da Igualdade Social e Empoderamento Feminino afirma ter "orgulho das ruínas de Gaza" e que daqui há 80 anos todos os bebês possam contar a seus netos sobre o que os judeus fizeram lá. 

[Em tais situações], estamos não apenas diante de intenções genocidárias, mas de uma das declarações mais sórdidas e intoleráveis de culto a violência que se possa imaginar. Isso é sim uma expressão clara e imperdoável de prática genocidária. Nada disso provocou sequer a pressão de tirar esses indivíduos do governo.

Genocídio não é algo ligado a algum número absoluto de mortes, não há um número que começa a valer por genocídio. 

Ele diz respeito a uma forma específica de ação de Estado no apagamento dos corpos, na desumanização da dor de populações, na profanação de sua memória, no silenciamento do luto público que retiram tais populações de seu pertencimento ao genos.

E de nada adianta utilizar a teoria espúria do escudo humano nesse contexto, um clássico do colonialismo contra a violência dos colonizados. 

Mesmo aceitando, para efeitos de argumentação, que um grupo de luta armada tomasse uma população como refém e a usasse como escudo, isso não dá a ninguém o direito de ignorar essa mesma população e tratá-la objetivamente como cúmplice ou como alguém cuja morte é um mero efeito colateral. 

Até segunda ordem, ainda não inventaram o direito de massacre. 

(por Vladimir Safatle)
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