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domingo, 2 de novembro de 2025

DIREITA, VOLVER! ANISTIA A BOLSONARO SAI DA PAUTA, SUBSTITUÍDA PELA DEFESA DO MATADOR SERIAL CLÁUDIO CASTRO.

As polícias do Rio esqueceram na mata mais de 60 corpos. Recolhidos pelos
moradores de madrugada, amanheceram enfileirados numa praça da Penha.
"Após as 121 mortes na operação policial do Rio, acusada de chacina pela esquerda, aplaudida pela direita e (segundo as pesquisas) apoiada pela sociedade, a oposição se realinhou e ganhou novo ânimo e a bandeira da insegurança para superar a dependência de Jair Bolsonaro e enfrentar o favoritismo de Lula para 2026...

...tudo caminhava para um fim de ano festivo para Lula, mas 2025 pode terminar  com a derrota acachapante da PEC da Segurança no Congresso e entrar o ano eleitoral enfrentando a CPI das organizações criminosas, comandada pela oposição e focada em martelar que a esquerda defende bandido, é contra a polícia e conivente com o tráfico."(por Eliane Cantanhede, no Estadão)

Trata-se de um copo meio cheio e meio vazio.
Mortes nas operações policiais devastadoras
de Cláudio Castro aproximam-se do milhar

De um lado. o esvaziamento político do pior presidente brasileiro de todos os tempos, responsável último pela morte de algo entre 350 mil e 400 mil cidadãos que teriam sobrevivido à pandemia de covid se não fosse sua sabotagem tresloucada da vacinação, é uma evolução  positiva dos acontecimentos.

Do outro, o copo meio vazio é que a direita se volta agora para a selvageria bestial do bandido bom é bandido morto

Com ínfimo repertório, troca o bolsonarismo que louvava o extermínio de presos políticos por parte do DOi-Codi pelo malufismo que endossava as execuções extrajudiciais de marginais por parte da Rota).

O retrocesso civilizatório parece ser o nosso melancólico destino.

E fica comprovado que Glauber Rocha, no seu primoroso Terra em Transe. estava certo ao indagar se a culpa pela rendição sem luta de 1964 era ou não do povo.  Sim, a culpa maior por aquela quartelada foi da classe dominante (como sempre!), mas a falta de reação dos dominados não pode ser relevada.

Vale lembrar que, em 1936 na Espanha,  o golpe de estado de conservadores, monarquistas e fascistas, apesar de sua enorme superioridade de forças em termos militares, foi rechaçado pelo povo, que se levantou espontaneamente, quando a esquerda ainda vacilava indecisa. 

O que era para ser um passeio das Forças Armadas, bem treinadas nas refregas para manutenção das conquistas coloniais na África, acabou sendo uma guerra civil sangrenta de dois anos e nove meses, decidida pelo forte apoio que a Alemanha nazista e a Itália fascista davam aos ultradireitistas, enquanto a Inglaterra e a França se omitiam de forma vergonhosa

Diferença gritante com o golpe de 1964 no Brasil, com o governo de João Goulart esfarelando a partir de uma marcha de recrutas sob o comando de Olímpio Mourão Filho, de Juiz de Fora para o Rio de Janeira pela via Dutra. Bastariam alguns caças da FAB disparando sobre as cabeças daqueles soldadinhos  de chumbo para eles estarem correndo até hoje. 

E, com alguma resistência popular, o desfecho poderia ter sido outro, mas a usurpação de poder foi facilitada pela tradicional pusilanimidade da brava gente brasileira... (por Celso Lungaretti) 

segunda-feira, 1 de abril de 2024

O COMPLÔ QUE MATOU JOHN KENNEDY ABRIU CAMINHO PARA O GOLPE NO BRASIL

Eu vou! Eu vou! Eu vou derrubar o governo, agora eu vou! Pararatimbum, pararatimbum!
O esquema dos golpistas de 1964 vinha sendo montado desde a década anterior, mas ainda não estava pronto quando da renúncia do presidente Jânio Quadros em agosto de 1961. 

Os conspiradores nela viram, contudo, uma oportunidade de queimar etapas e resolveram precipitar as coisas: convenceram os comandantes das três Armas a tentarem impedir a posse do vice-presidente legal (João Goulart), que estava ausente, visitando a China em missão oficial. 

Como o afobado come cru, eles foram derrotados:
— pela resistência do governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, que passou a conclamar o Brasil inteiro a não permitir a usurpação de poder, utilizando para tanto uma rede de emissoras de rádio que se formou espontaneamente  (a Rede da Legalidade);
O governador corajoso e o general legalista foram
decisivos para evitar que o golpe ocorresse já em 1961
  
— pela decisão do comandante do III Exército (RS), o general legalista Machado Lopes, de colocar-se ao lado de Brizola, passando, portanto, a existir a ameaça de militares combaterem uns aos outros, hipótese que sempre horrorizou nossas Forças Armadas; e
— pela firme oposição de cabos e sargentos do Exército e Marinha ao golpe, criando outra divisão entre os fardados.

A crise acabou com a solução conciliatória de se dar posse a Goulart mas instituir-se o parlamentarismo, de forma que os poderes presidenciais foram momentaneamente reduzidos (o plebiscito de janeiro de 1963, contudo, restabeleceu o status quo ante).

Os conspiradores, face ao fracasso inicial, tiveram de repensar todo seu planejamento. Desfecharam perseguições nos quartéis, isolando e transferindo para unidades distantes os líderes dos subalternos que haviam se colocado contra o golpe, enquanto o pusilânime Goulart nada fazia para proteger quem lhe havia sido leal.

E, percebendo que careciam de algum respaldo na coletividade, partiram para a conquista do apoio da classe média conservadora, contando para tanto com o apoio do clero reacionário e de entidades anticomunistas como a TFP e a TFM.  
Goulart só desistiu de agradar ao oficialato, tomando o
partido dos subalternos, quando já era tarde demais.
  
[
Afora a mãozinha estadunidense, com a enxurrada de investimentos em Bolsa de Valores, suficiente para forjar o boom econômico de curta duração conhecido como milagre brasileiro.]

Os viradores de mesa só se considerariam prontos para nova tentativa 20 meses depois. 

O passo final foi a conquista da caserna, empreitada facilitada pelo apoio crescente que passaram a ter da classe média (afinal, os oficiais eram majoritariamente dela oriundos) e pelos préstimos de provocadores como o marinheiro de 1ª classe Anselmo (erroneamente apelidado de cabo), que radicalizaram ao máximo a insubordinação dos cabos e sargentos das Forças Armadas contra o oficialato. 

[Meu saudoso companheiro na VPR, o José Raimundo da Costa, dito Moisés, era um dos líderes dos marujos e nunca quis acreditar que Anselmo fosse um infiltrado, embora já existissem suspeitas. Pagou com a vida por seu apreço pelo colega de antigas jornadas.]

O que os oficiais mais prezam é sua autoridade. E, dias antes do golpe, a viram estridentemente ultrapassada por Jango. É que, com o mandato cada vez mais ameaçado, Goulart havia finalmente descido do muro, daí ter ousado proibir a prisão de marinheiros e fuzileiros navais responsáveis por uma comemoração levada a efeito depois de vetada pelos escalões superiores. Foi a gota d'água: o oficialato alinhou-se em massa com o golpe.
Lyndon Johnson, com seu chapéu de cowboy: o
 homem errado, no lugar errado, na hora errada
 

A ruptura da ordem legal 
àquela altura já estava sendo amplamente requerida pelos capitalistas e latifundiários, além de endossada por Lyndon Johnson, que herdou a presidência após John Kennedy ser assassinado por um fogo cruzado até agora atribuído oficialmente a um único aturador (seria o Lee Oswald um homem-polvo?!).  

A CIA favorecia e financiava os conspiradores havia muito tempo, mas John Kennedy, caso tivesse sobrevivido ao atentado de Dallas, dificilmente lhes daria sinal verde. 

Vale lembrar que ele não autorizou a disponibilização de cobertura aérea para a invasão da Baía dos Porcos, crucial para o sucesso da empreitada, mas que deixaria as digitais dos EUA impressas numa flagrante interferência na política interna de um país soberano (Cuba). 

A posse em 22 de novembro de 1963 de Johnson, um caipirão texano que obviamente comeria na mão da CIA, significou a remoção de um importante obstáculo para o golpe brasileiro, tanto que, a partir daí, só transcorreram 130 dias até Olímpio Mourão Filho começar a descer a BR-3 (hoje rodovia BR-040) com suas tropas, iniciando a quartelada.

Anticomunista com carteirinha assinada e falsário desmascarado em vida (forjou o chamado Plano Cohen para alavancar a instalação do Estado Novo em 1937), Mourão antecipou-se por alguns dias ao cronograma dos conspiradores históricos, mas nada lucrou com isto: o poder não ficou com o ejaculador precoce, mas sim com o esquema golpista que vinha sendo laboriosamente montado desde a década anterior.   

Tão vergonhosa foi a facilidade com que um aventureiro desprestigiado na própria caserna e seus recrutas imberbes derrubaram Goulart que a esquerda entrou num longo processo de crítica e autocrítica, do qual decorreram 
o colapso da hegemonia do PCB e a ascensão da luta armada como principal forma de resistência à ditadura após a assinatura do AI-5. (por Celso Lungaretti) 

quarta-feira, 28 de julho de 2021

AO CAÍREM NO VAZIO, OS BLEFES MILITARES FORTALECEM O CENTRÃO COMO OPÇÃO RACIONAL AO PRESIDENTE ENLOUQUECIDO

marcelo coelho
ULTRABOLSONARISMO MILITAR SERIA UM
BAITA TIRO PELA CULATRA DO BRASIL
É tanta ameaça, tanta soberba, tanta certeza de impunidade por parte de chefes militares brasileiros que eu poderia ficar totalmente desanimado e achar que toda a construção da democracia no país nos últimos 40 anos foi trabalho perdido.

Talvez não seja para tanto. Uma coisa interessante, na semana passada, foi ver que as provocações do general Braga Netto, questionando a legitimidade do voto eletrônico, não intimidaram ninguém.

Comentaristas televisivos experientes, sem nenhum traço de porra-louquice, reduziram a pó as desculpas inventadas pelo general, depois que ele resolveu assoprar a mordida anterior. Não vi sombra daquele antigo temor que se tinha na imprensa, durante os tempos da abertura, diante de despautérios e violências dos machões de quatro estrelas.

Hoje, diz-se claramente (na TV por assinatura, pelo menos) que este general mentiu, que aquele outro não diz a verdade, que o terceiro não podia ter dito o que disse.

Claro que também não vejo as reações que seriam necessárias num país plenamente emancipado e democrático. O caso seria de prisão imediata de qualquer militar que se metesse a dar recados ao poder civil.

Seja como for, não prevalece um sentimento de medo frente ao que os militares possam fazer. Por enquanto, a hipótese de que tentem um golpe é muito remota. Difícil começar um regime de força com popularidade em queda livre.

Seria preciso investir na criação de um caos social, com agentes provocadores ou atentados terroristas, ao estilo do que se tentou na década de 1980.

Ou forjar, como se fez em décadas anteriores (*), algum documento provando entendimentos de personalidades de esquerda com redes subversivas internacionais…

Essa gente é tão doida e radical que é capaz de tudo. Mas, felizmente, aqui estamos entrando no reino da especulação extrema.

Por que, então, esses chefes militares estariam caprichando em declarações golpistas? A pergunta, formulada assim, pode parecer meio boba.

Fazem declarações golpistas porque são golpistas, sempre foram golpistas, sempre serão golpistas.

Nunca se conformaram com a democracia; não sabem o que é democracia. Consideram que o ponto alto da história militar brasileira foi instaurar uma ditadura, que prendeu, matou, torturou e estuprou tantas pessoas quanto quis, e se ofendem diante de qualquer menção aos crimes cometidos.

Antidemocráticos por formação, calaram-se (mais ou menos) por um tempo. Animaram-se com a vitória de Bolsonaro e com o apoio que encontraram junto a alguns grupos de fanáticos.

Mas acredito que haja motivos mais conjunturais para essa temporada de provocações.

Primeiro, a CPI começa a pisar nos calos das Forças Armadas. Acusações envolvendo compra de cloroquina, contratos duvidosos, omissões, engavetamentos e corrupção deixaram de ser monopólio do elemento civil de nossa sociedade. Uma vez acuado, todo pelotão que se preza trata de resistir.

Segundo, o centrão avança sobre os cargos da República. Natural que alguns chefes militares queiram mostrar a Bolsonaro que, na hora H, serão mais fiéis ao presidente do que os líderes de partidos fisiológicos.

Na política tradicional, a rebeldia partidária sempre compensa o presidente é forçado a entregar novas fatias do Estado a quem ameaça retirar seu apoio.

O ultrabolsonarismo militar seria, então, um tiro pela culatra. Ameaças de golpe, uma vez caindo no vazio, fortalecem o papel do centrão como sustentáculo razoável de um presidente enlouquecido.
Mas a ameaça persiste, como plano B. Então, eu sonho com um modo de o Congresso silenciar a arrogância golpista. Ponha-se em votação um plano para rever todas as aposentadorias e privilégios militares. 

O chefe disposto a melar o jogo da democracia não teria moral, imagino, para falar grosso num caso em que seria tão evidente seu empenho de agir em causa própria. (por Marcelo Coelho)
.
* alusão ao Plano Cohen, documento falsificado em setembro/1937 por Olímpio Mourão Filho, membro do Estado Maior do Exército e chefe do serviço secreto integralista.

Continha diretrizes comunistas para a tomada de poder no Brasil, só que não passava de uma colagem de trechos de documentos autênticos da 3ª Internacional, mas produzidos noutras épocas e referentes a outros países. 

A farsa teve o objetivo de fornecer pretexto para a instauração do Estado Novo, que acabaria ocorrendo em novembro/1937. (CL)

sábado, 5 de junho de 2021

BOLSONARO VENCEU UMA BATALHA QUE APRESSARÁ A SUA DERROTA NA GUERRA

S
e Jair Bolsonaro tivesse os conhecimentos históricos indispensáveis para um presidente de verdade, jamais afrontaria os altos comandantes militares como acaba de fazê-lo, repetindo a insensatez de João Goulart no dia 27 de março de 1964, quando anistiou marinheiros insubmissos cuja prisão o ministro da Marinha determinara.

Com isto, involuntariamente coroou de êxito a estratégia dos golpistas, de instigar cabos e sargentos contra os oficiais das Forças Armadas, na qual teve papel destacado o chamado Cabo Anselmo que, conforme ficou definitivamente provado há exatos 10 anos (vide aqui), já era um agente provocador quando radicalizava as assembleias da marujada com sua retórica incendiária.

José Raimundo da Costa, meu companheiro de militância na Vanguarda Popular Revolucionária, me contou que um oficial da Marinha o foi prender naquele período, a bordo do navio em que servia. Seus colegas marujos lhe perguntaram:
— O que fazemos com esse palhaço?
Moisés foi o último
comandante da VPR
Ao que ele respondeu, sem nenhuma hesitação:
— Jogamos no mar, é claro! 
O Moisés (seu nome-de-guerra) não podia adivinhar que o tal oficial jamais esqueceria tamanha humilhação e, passando a integrar o serviço secreto da Marinha, moveria céus e terras para capturá-lo e tirar vingança. Provavelmente teve muito a ver com seu covarde assassinato na Casa da Morte de Petrópolis, em agosto de 1971, após ter caído numa armadilha do (logo quem!) cabo Anselmo 

O maniqueísmo simplista da maioria dos esquerdistas atuais os leva a reservarem para os militares invariavelmente o papel de vilãos, sem uma análise rigorosa dos episódios passados nem um aprofundamento dos atuais.

Que os altos oficiais das três Armas, em sua maioria, sempre penderam mais para a direita é óbvio, até por provirem de famílias abastadas, mas daí a crer que eles invariavelmente foram golpistas e fascistas distorce os fatos:
— o tenentismo da década de 1920 consistiu, basicamente, em revoltas contra o status quo oligárquico na chamada República Velha, com participação de jovens oficiais tanto de esquerda quanto de direita;
— dentre os de esquerda, destaque, claro, para Luiz Carlos Prestes, que depois seria indicado pela Internacional Comunista para o papel de dirigente máximo do PCB;
— dentre os de direita, Olímpio Mourão Filho, que chefiaria o serviço secreto integralista, forjaria o Plano Cohen (fajutice que serviu como pretexto para justificar a instauração do Estado Novo em 1937) e desencadearia o golpe de 1964, ao colocar suas tropas na Via Dutra, em marcha para o Rio de Janeiro;
— as Forças Armadas tanto combateram a Revolta Vermelha (ou Intentona Comunista) de 1935 quanto o Levante Integralista de 1938;
— Getúlio Vargas, ideologicamente próximo do fascismo, teve de renunciar ao poder em outubro de 1945, sob ameaça de um golpe militar (!);
Figura muito discutível em termos políticos, Vargas foi
exemplar ao tornar sua morte uma arma contra o inimigo
— convertido em nacionalista após os EUA haverem favorecido seu defenestramento, Vargas estava prestes a cair  novamente em 1954, graças a um golpe orquestrado principalmente pela UDN, com apoio explícito de oficiais da Aeronáutica, e que obteve a adesão de generais do Exército no momento decisivo. Mas, com seu suicídio e carta-testamento, Getúlio inviabilizou a tomada de poder pelos golpistas e o oficialato militar se conformou, aceitando que o vice-presidente Café Filho assumisse a presidência;    
— nova tentativa de golpe respaldada por oficiais ocorreria com a renúncia de Jânio Quadros em 1961, com a recusa em empossarem o vice-presidente João Goulart, mas a resistência do governador gaúcho Leonel Brizola, com o apoio do III Exército, abortou a empreitada, prevalecendo uma solução de compromisso: Jango assumiria, mas com seus poderes limitados pela introdução do parlamentarismo;
— por fim, o golpe tramado desde a década anterior por um grupo de militares liderado pelo marechal Castello Branco e assessorado pela CIA virou realidade em 1964, mesmo assim só se tornando consensual entre os altos comandantes na reta final, após sucessivos episódios de quebra da hierarquia como os que relatei na abertura deste artigo.

Ou seja, embora houvesse um dispositivo golpista há muito montado por uma ala militar e buscando incessantemente tanger os acontecimentos para a ruptura institucional, a coisa só engrenou de vez após os oficiais se verem desacatados abertamente pelos subalternos, com a tolerância de Goulart.
Lyndon Johnson engolia
todas as lorotas da CIA

Outro fator importante foi Lyndon Johnson haver sido empossado na presidência dos EUA em 22 de novembro de 1963, substituindo o assassinado John Kennedy, que era bem diferente daquele caipirão texano que comia nas mãos da CIA.

Embora os golpistas estivessem havia muito tempo sendo apoiados pelos falcões estadunidenses, temiam que Kennedy refugasse, não querendo envolver-se com a derrubada de um presidente estrangeiro (afinal, ele negara, na enésima hora, o apoio aéreo do qual os mercenários a soldo dos contras cubanos careciam para terem alguma chance de êxito ao desembarcarem na Baía dos Porcos).

Com a certeza de que teriam os EUA a seu lado, durante e depois do golpe, os castellistas partiram para a última etapa do plano, a conquista dos quartéis, facilitada pelo jogo duplo de uns e a ingenuidade de outros dos subalternos revoltosos. 

Mesmo ao longo dos 21 anos de trevas, também não havia monolitismo nas Forças Armadas, mas contínuas disputas pelo poder.

Antes de 1968, a linha dura pugnava para radicalizar a ditadura e os castellistas queriam honrar sua proposta inicial de uma intervenção saneadora, seguida da devolução do poder aos civis. As escaramuças se sucederam ao longo do ano até que um discurso algo pueril do deputado Márcio Moreira Alves (que sentido fazia recomendar às moças que não namorassem com cadetes das escolas militares?!) forneceu o componente emocional necessário para a imposição do golpe dentro do golpe, o AI-5, à medida que os parlamentares negaram permissão para que seu colega fosse julgado (e, inevitavelmente, cassado).

Mesmo assim, os castellistas contra-atacaram e é provável que tal cheque em branco para o terrorismo de Estado sem quaisquer limites tivesse sido cancelado pelo ditador Costa e Silva, se o piripaque que o acometeu não o prostrasse antes de revogar o AI-5, conforme cogitava. 
O que mais se aproximou de um monolitismo foram os anos Médici (de outubro/1969 a março/1974), com os castellistas reduzidos à impotência e a linha dura torturando, matando e barbarizando à vontade.

Havia, ainda assim, uma ala militar minoritária que seguia o exemplo do presidente peruano Juan Velasco Alvarado, contestando a subserviência aos EUA, defendendo medidas como a nacionalização de setores-chave da economia e a ampliação do limite territorial marítimo para 200 milhas (que, para contentá-la, Médici adotou). Mas, coincidia com a linha dura quanto à radicalização da ditadura.

A partir da posse de Ernesto Geisel, as disputas militares se reacenderam entre os aceitavam sua proposta de uma gradual abertura política, desenhada por Golbery do Couto e Silva, e a ainda influente linha dura, que explodiu bancas de jornais, enviou cartas-bombas, sequestrou pessoas, planejou atentados que teriam causado morticínio em larga escala como o do Riocentro e fez provocações como os assassinatos de Vladimir Herzog e Manuel Fiel Filho no DOI-Codi, até ser finalmente derrotada, ao custo das sucessivas exonerações do comandante do II Exército e, em seguida, do próprio ministro do Exército.  
Militares, aliás, devem perder o sono com a hipótese 
de se verem igualados às milícias e/ou às PMs
De 1985 até a posse do pior presidente da República do Brasil em todos os tempos, houve relativa paz na caserna, com a prevalência dos oficiais que queriam manter as Forças Armadas limitadas aos seus deveres constitucionais; restou apenas um pouco de
ruído, proveniente da velha guarda ideologizada, que tudo fazia para manter sob o tapete do esquecimento as práticas hediondas da ditadura. 

Bolsonaro, que teve de passar à reserva do Exército em 1988 para escapar de uma punição mais condizente com a gravidade dos seus contínuos desacatos aos superiores hierárquicos, nada aprendeu com sua destrambelhada tentativa de peitar os comandantes. Aproveitando a sua, no mínimo lotérica, ascensão à presidência, duas vezes já cedeu à tentação de retaliar a instituição que o expeliu.

Pelo que conheço dos bastidores da caserna (e não é pouco, pois jamais deixei de registrar na memória e de refletir sobre tudo que presenciava ou ficava sabendo durante o período em que fui hóspede compulsório dos fardados, nem de analisar os episódios militares subsequentes à luz do que havia aprendido), são corretos os relatos de que os altos comandantes estão profundamente insatisfeitos com a humilhação a que o Exército acaba de ser exposto.

O fato de haverem refugado desta vez nem de longe garante que Bolsonaro já tenha tudo dominado. Serve-lhes, contudo, como advertência de que, quanto mais cederem, mais desmoralizados ficarão. E de que, perdendo o respeito dos subalternos, estarão sujeitos a terem suas ordens por eles desacatadas e até a serem atirados no mar, como em 1964.

Ademais, se o êxito da ditadura parecia uma aposta pelo menos plausível em 1964, só néscios hoje não percebem que, com as crises sanitária e econômica agravando-se cada vez mais e com o mundo inteiro encarando o Brasil como pária, sem esperança de qualquer tratamento privilegiado por parte dos EUA, o futuro que se desenha para nosso país é o pior possível: depois da anarquia militar, o caos. 
Freud diria que Bolsonaro é movido por
um desejo inconsciente de autodestruição

Com a agravante de que o governo e a popularidade de Bolsonaro derretem a olhos vistos, sem nenhuma chance de reviravolta, pois os maiores problemas que enfrentamos, ou estão sendo causados por ele ou por ele potencializados. Se pagarem pra ver, os oficiais constatarão que desperdiçam suas fichas de popularidade sucumbindo a blefes.

Como néscios os altos comandantes militares não são, salvo um ou outro que se presta a servir de ajudante-de-ordens para um reles capitão baderneiro, não duvido de que eles logo extraiam as conclusões que se impõem e ajam em conformidade com elas. 

Caso contrário, as consequência serão trágicas para os brasileiros e aviltantes para eles. Quantos sapos ainda serão capazes de engolir? (por Celso Lungaretti)     

quinta-feira, 28 de março de 2019

JOÃO GOULART FOI DERRUBADO PELO PIPAROTE DE UM MAD DOG FARDADO

Não há muito o que se dizer sobre a nefasta e nefanda quartelada de 1964, que neste 1º de abril soprará 595 velinhas ensanguentadas, num Brasil que andou flertando de novo com o abismo, mas o rechaçou definitivamente no último 7 de setembro, quando a maracutaia golpista do Bozo flopou de forma ridícula

Enfim, como a História ultimamente se tornou um campo de batalha entre os que pesquisam e analisam os acontecimentos para conseguir interpretá-los e os que distorcem os acontecimentos para encaixá-los dentro de suas convicções prévias de um primarismo atroz, tentemos alinhavar o que realmente importa. 

Começando pela obviedade de que a conspiração direitista vinha de longe e quase emplacara quando da destrambelhada renúncia de Jânio Quadros.  O dispositivo golpista, contudo, ainda não estava pronto e a tentativa de aproveitamento de uma oportunidade de ocasião se revelou precipitada. 

As principais mudanças ocorridas entre agosto de 1961 e o dia da grande mentira em 1964 foram:
  • após a firmeza do governador gaúcho Leonel Brizola e dos cabos e sargentos das Forças Armadas ter frustrado os golpistas e garantido sua posse, o bobalhão João Goulart tudo fez para apaziguar os inimigos. Chegou ao cúmulo de permitir que os oficiais reacionários desencadeassem um verdadeiro expurgo na caserna, transferindo os líderes dos subalternos para bem longe das respectivas bases (suas associações continuaram ruidosas, como convinha aos planos desses reaças, mas não poderosas, pois, dispersos, passaram a ser caciques com poucos índios);
Mourão Filho, macaqueando MacArthur
  • a participação civil no golpe, inexistente em 1961, foi buscada mediante propaganda enganosa maciça e parcerias com  a direita católica, não porque tivesse verdadeira importância no script conspiratório, mas como azeitona na empada, a fim de tornar a virada de mesa mais palatável no Brasil e, principalmente, no exterior;
  • o Governo João Goulart vagava à deriva, ora inclinando-se à esquerda, ora contemporizando com a direita, o que fez os dois campos o encararem com suspeitas e não priorizarem a defesa do mandato legítimo; 
  • quando o atentado de Dallas atirou a presidência dos EUA no colo do caipirão Lyndon Johnson, os pratos feitos da CIA voltaram a ser engolidos na Casa Branca (dificilmente John Kennedy deixaria suas digitais impressas numa ruptura constitucional no Brasil, assim como evitou oficializar o envolvimento estadunidense na invasão da Baia dos Porcos, negando apoio aéreo aos mercenários recrutados pelos gusanos de Miami para a derrubada de Fidel Castro); e 
  • o hegemônico Partido Comunista Brasileiro se embananava todo ao acreditar que militares legalistas defenderiam Goulart e, como consequência, semeava a confusão entre a esquerda (esta ficou sabendo tarde demais que não contaria com apoio fardado nenhum contra o golpe, só dependendo da resistência que ela própria conseguisse estruturar).
Mesmo com todos os ases e curingas nas mãos, os líderes golpistas hesitavam. Aí, o impasse foi quebrado por um ferrabrás que tinha papel secundário na conspiração: o general Olímpio Mourão Filho.

Tratava-se de um fascistão com carteirinha assinada. Fora um dos líderes da Ação Integralista Brasileira e redator do famoso Plano Cohen, falso rol de intenções da Internacional Comunista que os galinhas verdes colocaram em circulação como espantalho para assustar milicos.
Recrutas passeando pela BR-3, qual patos em estande de tiro

Sedento de glória, ele botou o bloco na rua, precipitando os acontecimentos: sem aval do Estado Maior golpista, marchou com suas tropas de Juiz de Fora para o Rio de Janeiro.  Foi duramente criticado pelo governador Magalhães Pinto (MG), para quem sua bravata poderia ter causado um banho de sangue.

Mas, porque a tão trombeteada ameaça comunista na verdade inexistia, a marcha pela então BR-3 (hoje rodovia BR-040) acabou sendo um passeio. Dois ou três caças da FAB teriam sido suficientes para a abortarem, pois os inexperientes recrutas debandariam em pânico logo à primeira rajada de metralhadora disparada sobre suas cabeças à guisa de advertência.

A traquinagem do histérico Mourão Filho não o beneficiou: o poder acabou ficando com os conspiradores históricos, articulados em torno de Castello Branco.

Pode-se dizer que João Goulart foi derrubado pelo piparote de um mad dog fardado. (por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 30 de março de 2018

O GOLPE QUE PERDURARIA POR 21 LONGOS E TENEBROSOS ANOS, ATÉ ESVAIR-SE NA PRÓPRIA INCONSISTÊNCIA

O golpe militar de 1964, que depôs o presidente João Goulart, ocorreu dentro do contexto da chamada guerra fria. O bloco liderado pela União Soviética (e em menor escala pela China) rivalizava com os Estados Unidos e seus aliados na luta pela hegemonia político-econômica mundial.

A consolidação da revolução cubana de 1959, que se declarou marxista-leninista após derrubar o corrupto presidente Fulgêncio Batista (aliado dos EUA), foi ameaçada pelo patrocínio estadunidense aos mercenários de vários países e cubanos exilados, fornecendo-lhes infraestrutura militar para uma invasão e tentativa de deposição dos revolucionários. 

O episódio ocorreu em 1961 na Baía dos Porcos, noroeste da ilha cubana, saindo vitorioso o heroico povo cubano, que impôs uma fragorosa derrota aos invasores.

Logo após, em 1962, veio a crise dos mísseis soviéticos instalados em Cuba como resposta aos congêneres estadunidenses instalados na Turquia, quase desencadeando uma hecatombe nuclear cujo resultado seria um genocídio da humanidade sem precedentes. 
Invasão da Baía dos Porcos: fracasso total.

A equivalência de forças destrutivas fez com que as disputas acabassem circunscritas ao campo político, abortando, felizmente, a possibilidade de guerra nuclear. E uma das exigências soviéticas para retirarem os mísseis foi a de que os EUA se comprometessem a não tentarem mais derrubar pela força o regime cubano, cuja sobrevivência, a partir de então, deixou de ser diretamente ameaçada.

É neste quadro de disputa política mundial que o Brasil, um gigante sul-americano em extensão e população passou a ter importância estratégica para os Estados Unidos. Dependendo de para onde o Brasil se inclinasse, o controle da hegemonia político-econômica seria alterado nas Américas.     

O governo constitucional de João Goulart – herdeiro da antipatia estadunidense por Getúlio Vargas desde os tempos da 2ª guerra mundial, bem como da dos militares brasileiros que o depuseram em 1945 mas tiveram de engoli-lo com casca e nó em 1950, acabando por levá-lo ao suicídio em 1954 – estava condenado a priori. 

A influência que o Partido Comunista Brasileiro e as centrais sindicais passaram a ter com a assunção de Goulart ao governo após a renúncia do tresloucado presidente populista de direita Jânio Quadros (que condecorou Guevara), foi o ingrediente que somou a fome com a vontade de comer nessa estranha cozinha política mundial.
Goulart titubeou demais e depois não resistiu ao golpe
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MOMENTOS FINAIS DO REGIME
DEMOCRÁTICO
DE PÓS-GUERRA
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Os ministros militares, face à tensão política e crise econômica que se agravavam desde o início de 1964, solicitaram ao presidente a decretação do estado de sítio, para conter as turbulências em curso. Goulart encaminhou o pedido (sem arregimentar sua tropa parlamentar para a aprovação) ao Congresso Nacional, que o rejeitou. Era um jogo de cena de ambos os lados que já mediam forças. 

Diante disto, segmentos militares apoiados pela grande imprensa, pelas alas direitistas da Igreja e pelo grande empresariado nacional, com o sinal verde dos EUA (que não apenas disponibilizaram infraestrutura financeira e militar para os golpistas, mas também se comprometeram a, caso fosse necessário, desembarcarem tropas no Espírito Santo, que dali chegariam a Minas Gerais, onde contariam com o apoio do governador Magalhães Pinto) consolidaram a efetivação do golpe de estado. Não era coisa de pouca monta.     

Por seu turno os comunistas trombeteavam bravatas, dimensionando mal suas próprias forças, inferiores e desarticuladas. 
Na Central do Brasil, o princípio do fim.
Luiz Carlos Prestes, principal dirigente do Partido Comunista Brasileiro, prometeu: "Se a reação levantar a cabeça, nós a cortaremos de imediato". Ficou o dito por não dito...

O governo Goulart estava sitiado pelos governadores de São Paulo, Adhemar de Barros, apelidado de rouba-mas-faz; da Guanabara, Carlos Lacerda, também conhecido como o corvo; e de Minas Gerais, o banqueiro Magalhães Pinto. 

Ao contrário dos espantalhos que a direita utilizava para assustar a classe média, os movimentos sindicais e estudantis, bem como as Ligas Camponesas e os grupos dos 11 articulados pelo governador gaúcho Leonel Brizola, não tinham condições mínimas de prevalecerem num confronto militar. Daí não ter havido resistência real ao golpe.

O povo, que na sua grande maioria sempre se posiciona em função da situação econômica momentânea, vivia as agruras da inflação alta e da queda do PIB, tornando-se presa fácil para a propaganda golpistas.

Em meio a isso tudo, os decretos governamentais que sacramentavam as chamadas reformas de base foram assinados em grande manifestação ocorrida na Central do Brasil (RJ), no dia 13 de março, com  a participação de mais de 100 mil pessoas. Foi a gota d´água que serviu de senha para o desencadear do golpe, mas que não refletia e realidade de apoio popular. A empedernida elite brasileira empresarial e política arregaçou as mangas para a briga. 

Estabeleceu-se um confronto de manifestações públicas de um lado e de outro (como a Marcha da família, com Deus, pela liberdade, que teve lugar em São Paulo, no dia 19 de março, unindo conservadores moderados e ultradireitistas), enquanto nos quartéis se lubrificavam os artefatos de guerra para um confronto anunciado. 
Quebra da hierarquia tangeu oficialidade para o golpe

No dia 22 de março, generais da reserva (em número de 72) lançaram o manifesto Sentinelas Alertas, com o silencioso apoio dos generais da ativa, que serviu como chancela para as ações a serem perpetradas.

No dia 25 de março, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, subalternos da Marinha, liderados pelo Cabo Anselmo (que mais tarde viria a ser desmascarado como agente infiltrado) promoveram uma manifestação em apoio ao Governo, em flagrante desacato à oficialidade elitista e reacionária daquela Arma. 

No dia seguinte os marujos foram presos e, posteriormente anistiados pelo presidente João Goulart. Estava explicitada a cisão militar nos escalões inferiores da soldadesca, mas sem firme consistência revolucionária. 

No dia 30 de março Goulart compareceu a uma festa promovida pela Associação dos Sargentos e Suboficiais da Polícia Militar no Automóvel Clube do Rio de Janeiro, juntamente com seus ministros Civis,  e na qual estavam presentes muitos militares. Ali proferiu forte discurso em defesa do seu governo e das reformas de base. Chegara a hora da definição de rumos.

Desencadeado o golpe, o presidente João Goulart tomou conhecimento da unidade das forças militares brasileiras e estadunidenses que haviam estacionado navios na costa brasileira (à distância de 50 a 12 milhas náuticas do porto da cidade de Vitória (ES). 
A família não sabia, mas marchava contra a liberdade

Tratava-se de uma poderosa frota militar naval e aérea capaz de enfrentar resistência miliar de grandes proporções nas chamadas operações Brother Sam e Popeye.

Incluía porta-aviões nucleares; encouraçados; destróieres; esquadrilha de aviões; e farta quantidade de combustível, veículos, armamentos e munições correspondentes, além de substancioso efetivo militar.

Os movimentos militares foram deflagrados na madrugada de 31 de março pelo general Olímpio Mourão Filho, comandante da 4ª Região Militar que, precipitadamente (estava previsto para o dia seguinte), desencadeou o levante a partir de Juiz de Fora. Os demais comandos militares aderiram prontamente, como planejado. Não se registrou resistência significativa por parte do governo e dos movimentos populares.

Não aderindo ao apelo de resistência feito por seu cunhado Leonel Brizola, que era então deputado federal pela Guanabara, Goulart partiu para o exílio. Os militares se assenhorearam do poder político e passar a ditar as ordens. Até os seus apoiadores políticos civis no golpe (como Adhemar de Barros, Carlos Lacerda e Juscelino Kubitschek) sofreriam, posteriormente, as agruras do arbítrio).    

Assim fez-se noite em nosso viver, com a ascensão militar ao comando político do Estado, num golpe que se radicalizaria no final de 1968 com torturas, assassinatos e banimentos, e que perduraria por longos e tenebrosos 21 anos até esvair-se na própria inconsistência. (por Dalton Rosado)
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