Opai foi o Pelé, principal futebolista do século passado.
O filho é o Messi, que disputa com Pelé o título deGOAT(melhor de todos os tempos).
O espírito santo inspira Lamine Yamal, que ameaça superar ambos.
Filho de um marroquino que casou com uma moça da Guiné Equatorial, Yamal tinha sete anos quando a família se mudou para Barcelona. Logo estava jogando na base do Club de Fútbol La Torreta e chamando a atenção dos olheiros do Barcelona fc.
Percebido como um dos melhores produtos das categorias de base do Barça, foi escolhido pelo grande Xavi Hernández, técnico da equipe juvenil, para treinar com a equipe principal na temporada 2022-23.
Estreou em abril de 2023, quando estava com 15 anos e nove meses, tornando-se, em todos os tempos, o quinto jogador mais jovem a atuar em La Liga.
Foi também em 2023 que chegou tanto à seleção espanhola sub-17, quanto ao escrete principal.
Hoje com 17 anos e 9 meses, é titular do Barcelona e da seleção espanhola, deslumbrando o mundo com golaços (como o marcado na semifinal da Champions contra a Internacional), recordes de assistências e um amplo repertório de jogadas desconcertantes.
Atuando principalmente na ponta-direita, com liberdade para flutuar até o miolo, é um driblador tão endiabrado quanto o inesquecível Mané Garrincha, mas sem debochar dosjoõesque surgem no seu caminho e são instantaneamente deixados para trás.
É difícil prever se será maior do que o Pelé e o Messi, mas se trata, com certeza, do único dos futebolistas famosos da atualidade com potencial para tanto.(porCelso Lungaretti)
"La Liga deveria aprender com a Premier League. Aqui [na Inglaterra] eles são muitos rígidos com isso, sabem o que precisa ser feito.
O racismo é um problema do mundo inteiro, não de um lugar específico. Esta pode ser uma grande oportunidade para a Espanha dar um passo à frente.
Mas, conhecendo como as coisas funcionam lá [na Espanha], não estou otimista. Vamos torcer para que a Justiça faça o que é certo [...] Mas, permita-me, isso não vai mudar nada na Espanha..." (Joseph Pep Guardiola, o melhor técnico do mundo neste século, tendo treinado o Barcelona entre 2007 e 2012, se transferido para o Bayern de Munique em 2013 e para o Manchester City em 2016)
"Eu discordo [de Pep Guardiola]. Acho que é uma questão educacional. Você tem que educar as pessoas. O insulto não é normal e você tem que mudar as coisas"(Xavi Hernández, que foi meio-campista titular do Barcelona entre 1998 e 2015, jogador e depois treinador do All-Sadd do Catar de 2015 e 2021, tendo então voltado para a Espanha como técnico do Barcelona)
Duas opiniões pra lá de respeitáveis no planeta bola:
— a do técnico que revolucionou o futebol mundial e
— a de um integrante daquele fantástico meio-de-campo com Messi e Iniesta, chamado para reconstruir o Barcelona depois de uma terrível crise financeira que arrastou consigo o time de futebol.
Nesta sua nova fase, agora no banco de técnico, Xavi acaba de conquistar o primeiro título realmente importante do Barça desde sua debacle, o campeonato espanhol de 2022/2023.
Minha opinião? É a de que cada um tem um tanto de razão.
O fator esquecido por quase todos os comentaristas esportivos é o de que não são necessariamente racistas os torcedores que vaiam Vinícius Jr. quando seus times recebem a visita do Real Madrid.
Uma parte deles decerto quer apenas desestabilizar emocionalmente o principal adversário, ao berrar ou gesticulando o insulto que mais possa servir para tirar o craque do sério. Com este tipo de torcedor, um incremento da educação pode, sim, funcionar.
Mas está certo o Guardiola quanto a existirem racistas/fascistas empedernidos na Espanha, que não vão mudar de jeito nenhum. Afinal, o sanguinário ditador Francisco Franco não permaneceu no poder de 1936 a 1975 apenas à custa do temor que suas forças repressivas inspiravam. Uma parte da população, reacionária e extremadamente católica, concordava com ele.
E são essas viúvas do Franco devem estar puxando as vaias e gritaria contra o Vini. (por Celso Lungaretti)
Jean-Marc Bosman está para o Mundial de Clubes assim como a máquina a vapor está para a revolução industrial.
Foi a vitória do medíocre meio-campista belga na Justiça, questionando por que os jogadores enfrentavam limites de nacionalidade para trabalhar em países europeus enquanto arquitetos, engenheiros, médicos e advogados não tinham mais fronteiras, o que acabou com a restrição de estrangeiros e transformou o futebol.
O tribunal deu ganho de causa a Bosman em 15 de dezembro de 1995, duas semanas depois de o Ajax vencer o Grêmio nos pênaltis, na decisão da Copa Intercontinental. Naquele dia, a América do Sul tinha 20 títulos mundiais e a Europa possuía apenas 14.
Nas duas décadas e meia seguintes, houve 22 taças europeias, entre a Copa Toyota e o Mundial da Fifa. Aos sul-americanos, só seis.
O Chelsea é [na partida de amanhã, 12/02] favorito contra o Palmeiras, como era contra o Corinthians, há nove anos, como o Liverpool foi contra o Flamengo, mesmo vencendo apenas na prorrogação. Os jogos de clubes ficaram desiguais. Muito mais do que entre seleções.
Dois meses depois da sentença Bosman, o semanário Guerin Sportivo, de Bolonha, previa que o futebol ia mudar. Não é fácil compreender a revolução no início, a não ser que exista ruptura.
No começo da década de 1990, já havia supremacia europeia, mas os clubes só podiam ter três estrangeiros.
Imagem emblemática da nova superioridade europeia: David Luiz prostrado diante de Özil após os 7x1 de 2014
O São Paulo massacrou o Barcelona nos 2 a 1 na final de 1992. O Barça era uma seleção espanhola, completada pelo holandês Ronald Koeman, o dinamarquês Michael Laudrup e o búlgaro Stoitchkov.
No ano seguinte, sofreu mais e venceu o Milan por 3 a 2, gol de Muller aos 41 do segundo tempo. Em 1995, o Grêmio fez o extraordinário Ajax suar para ganhar nos pênaltis. Depois, em 25 anos, só seis heroicas equipes sul-americanas – Boca Juniors (2000 e 2003), Corinthians (2000 e 2012), São Paulo (2005) e Internacional (2006).
O Chelsea foi o primeiro time do mundo a jogar com onze estrangeiros. Aconteceu em dezembro de 1999, um mês depois de o Palmeiras perder a Copa Intercontinental para o Manchester United. O futebol estava mudando. Até hoje, duas décadas e meia depois, muita gente não entende por que razão a América do Sul ficou para trás.
A revolução industrial começou na Inglaterra, a digital nos Estados Unidos e a do futebol na Europa ocidental. O único antídoto é a reforma cultural nos times do Brasil. (por Paulo Vinícius Coelho, comentarista esportivo mais conhecido pelas iniciais PVC)
TOQUE DO EDITOR– Foi muito oportuno o PVC ter lembrado aquela decisão judicial tomada no finzinho de 1995 que teria consequências tão acentuadas nas competições mundiais entre times de futebol.
A coisa fica ainda mais nítida se observarmos que, depois das conquistas brasileiras nas três primeiras edições do Mundial de Clubes da Fifa, já lá se vão 14 edições com o domínio avassalador dos europeus, que venceram 13 delas e só deixaram escapar uma.
Iniesta, Messi e Xavi: o ápice do futebol-espetáculo.
E, mesmo assim, a de 2012 foi um autêntico ponto fora da curva, já que o Chelsea esteve mais tempo com a bola dominada (54% x 46%), finalizou mais (14 x 9) e melhor (6 arremates que chegaram à meta adversária, contra 2).
Esses números seriam ainda mais acachapantes caso o técnico corinthiano Tite não houvesse dado um nó tático no técnico espanhol do Chelsea, Rafa Benitez. O que não impediu que o goleiro corinthiano Cássio tivesse de fazer defesas dificílimas, sendo considerado o melhor atleta da decisão, enquanto a única finalização perigosa à meta de Petr Čech entrou.
Ao suprimirem-se os entraves legais à contratação de futebolistas de outros países, o poderio econômico de cada clube passou a prevalecer mais e mais. Vale lembrarmos, contudo, que tal liberou geral faz todo sentido na ótica capitalista. Quem quiser soluções mais equânimes, que as busque na instância correta: lutando pela superação do capitalismo.
E as disputas entre seleções, por que se tornaram igualmente desequilibradas?
Aqui vale notar que, até 2002 a disputa foi bem parelha, com os sul-americanos vencendo 9 edições e os europeus, 8. Desde então, são quatro conquistas sucessivas de clubes do velho continente e nenhuma do resto do mundo.
O fato de os melhores jogadores sul-americanos terem sido laçados a peso de ouro pelos europeus não explica tal derrocada, pois, daqueles que adquiriram dupla cidadania e foram defender as cores dessas nações mais prósperas, nenhum deles carregou seu escrete nas costas, como fizeram Garrincha em 1962 e Maradona em 1986.
São Cássio fez milagres em 2012
A grande mudança foi uma adequação, até tardia, ao conceito capitalista de que futebol na sociedade atual é tão somente uma modalidade de negócios, daí a prioridade máxima ser o oferecimento de bons espetáculos, para fidelizar a clientela e fazê-la aumentar cada vez mais (afora a infinidade de lucros correlatos).
Os europeus já poderiam ter caminhado nessa direção em 1974, quando a Holanda apresentou ao mundo seu desnorteante carrossel, multiplicando os lances de perigo em cada partida.
Mas, foi a revolução espanhola das décadas de 2000 e 2010 que entronizou de vez a noção de que o importante não é só vencer, mas sim dar grandes espetáculos, ainda que correndo maior risco de sofrer gols, pois as emoções tornam o produto futebol mais rentável, beneficiando a todos que, de alguma forma, nele investem.
Por uma questão cultural, os sul-americanos principalmente, e mesmo alguns grandes clubes europeus, continuam até hoje apostando na vitória acima de tudo, ainda que seja com retranca e gol roubado nos acréscimos. Daí, aliás, o PVC estar clamando por uma reforma cultural nos times do Brasil...
Encaro-a como inevitável: mesmo quem execra o capitalismo desde que se entende por gente (meu caso), se for sincero consigo mesmo, não poderá negar que é muito mais agradável assistir a partidas que terminam em 5x4 do que suportar a monotonia de um 1x0...(por Celso Lungaretti)
Eis a sucessão de grandes defesas do Cássio sem as quais os europeus já
estariam acumulando 14 conquistas consecutivas do Mundial de Clubes
Parafraseando uma das mais belas crônicas, poemas, do poeta e escritor Paulo Mendes Campos, o amor acaba, por dezenas de motivos. Parece certo que terminou o profundo e longo relacionamento afetivo entre Messi e Barcelona.
A gota d’água foi a derrota de 8 a 2 para o Bayern, pelas quartas de final da Liga dos Campeões. Messi se sentiu humilhado e já tinha avisado, após a perda do título espanhol para o Real Madrid, que a equipe, se não melhorasse, passaria por muitas vergonhas. Ele não sabia que seria tão grande.
O amor acabou muito antes, por causa das condutas da diretoria, como as de criticar os jogadores por algumas derrotas, pelas negociatas relatadas na imprensa e por não se empenhar na contratação de Neymar, a pedido de Messi, que queria fazê-lo seu herdeiro.
O fascínio terminou quando Messi viu também que a bola que saía de seus pés não voltava como ele queria e que tinha de fazer muito mais esforço para marcar seus gols. Viu que o Barcelona estava desajustado, ultrapassado. Constatou ainda o óbvio, que o tempo passa e que ele não é eterno.
O Barcelona implodiu. Não quer ficar mais com vários de seus principais jogadores, como Suárez, Rakitic, Busquets, Piqué e Jordi Alba, muitos deles da geração de Messi, formados em La Masia, centro de formação de jogadores do clube.
Iniesta, Messi e Xavi faziam do Barça o melhor time da História
O clube catalão se iludiu que a grande geração de Messi, que teve também Xavi, Iniesta e Fàbregas, poderia ser replicada em laboratório e que haveria uma fórmula mágica de produção de craques.
Da geração seguinte ainda não surgiu nenhum fora de série, embora haja algumas promessas. A maioria já foi testada, não apresentou qualidades para jogar no Barcelona e foi cedida para times médios da Europa.
A estrutura física e técnica na formação de atletas é importantíssima, essencial, mas não é garantia que sempre surgirão craques. Algumas vezes, os fenômenos nascem do nada, sem explicação. Muitas grandes equipes da história foram formadas assim, por acaso.
Por causa da pouca qualidade da geração seguinte à de Messi, o clube gastou fortunas para contratação de jogadores, sem sucesso, como Coutinho, Arthur, Dembélé, Griezmann e outros. Todos são muito bons, mas criaram uma expectativa acima da realidade. O time atual possui várias deficiências coletivas e individuais.
O amor acaba, mas pode renascer noutro clube, país, com novos companheiros. Há sempre alguém à espera, com muito carinho. A carreira magistral de Messi ainda não terminou. Precisamos vê-lo por mais tempo. Será um vazio sem ele.
Ou Messi está cansado de tanta pressão, de tanta responsabilidade, de ser, em todos os jogos, o genial atleta que é?
Messi pode estar com vontade de voltar a Rosário (onde jogou na infância) e encerrar a carreira no Newell’s Old Boys; ou de sentar-se na praça e sonhar com outros prazeres, antes que a sociedade do espetáculo, sedenta por novos ídolos, se canse dele. (Tostão, tri mundial em 1970 e nosso melhor comentarista esportivo atual)
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TOQUE DO EDITOR— Nos esportes torço, acima de tudo, pela arte. Então, antecipadamente lamento o vazio que a aposentadoria do (indiscutivelmente) melhor futebolista do século 21 e (provavelmente) maior de todos os tempos deixará.
Os idiotas da objetividade (como Nelson Rodrigues qualificava os incapazes de captar a beleza em estado puro que a vida às vezes nos proporciona, limitados ao perde/ganha que lhes dá uma ilusão de serem vitoriosos e não os eternos perdedores que são na injusta sociedade atual) exibirão números, eu prefiro o êxtase. A cada um, o seu.
Era apaixonado pelo futebol da socrática democracia corinthiana, ia em todas as suas partidas no Morumbi ou Pacaembu; enquanto reinou, Muhammad Ali me ver boxe como nunca antes nem depois; após Federer pendurar a raquete, provavelmente passarei anos sem interessar-me pelo tênis; até no xadrez me viciei quando o destemido Kasparov desafiava os burocráticos e cautelosos Karpovs que tinham, todos, a cara da revolução traída.
Está chegando a hora de me deixar órfão futebolístico por uns tempos o cracaço Messi, maior símbolo da revolução catalã da década passada, quando voltei a me deliciar com um futebol brilhante, alegre e ofensivo que pensava ter deixado para trás.
Torço para que, seja ao lado de Guardiola e De Bruyne, ou de Neymar e Mbappé, ele tenha um fim de carreira à altura de sua genialidade e de toda beleza que nos entregou.
Gostaria que houvesse sido na heroica e rebelde Catalunha, pela qual tanto apreço tenho. Mas, um atleta com a idade dele não tem mais tempo útil pela frente que lhe permita esperar o Barcelona renascer das cinzas.
Paciência. Mesmo que seja num time da pérfida Albion, mas ao lado do melhor técnico da nossa época, que tenha um canto de carreira capaz de calar até o mais obtuso e empedernido idiota da objetividade!(por Celso Lungaretti)
Sempre que as editorias de Esporte da grande imprensa estão sem assunto, dão um jeito de trazer à tona a velha discussão: quem é o melhor futebolista de todos os tempos?
Antes de Messi atingir o seu esplendor, eu respondia primeiramente ressalvando que era injusto compararmos grandes nomes de diferentes épocas, correndo o risco de avaliarmos por baixo gigantes do passado como Puskás e Di Stéfano, pois são poucos e precários os registros que restam de suas proezas nos gramados.
E depois completava que, mesmo assim, eu não tinha nenhuma dúvida da superioridade do Pelé sobre os concorrentes que eu vi em ação: Garrincha, Cruyff, Maradona, Platini e Zidaine, dentre outros.
Mas, a coisa começou a pegar quando a comparação passou a ser com Messi, pois eu não consigo imaginar um Pelé nascido algumas décadas depois sendo capaz de exercer a função de maestro do ataque, em altíssima velocidade, como o gênio argentino.
Ou seja, as habilidades individuais se nivelam, talvez com uma pequena vantagem para Pelé. Mas no jogo coletivo, Messi é simplesmente incomparável e insuperável.
Chega a lembrar o extraordinário Cruyff, o jogador de futebol mais inteligente que eu conhecera, mas conjugando a leitura perfeita das jogadas com uma extraordinária habilidade e uma rapidez extrema de raciocínio e execução (parece estar sempre um segundo na frente de todos os outros, companheiros e adversários).
Nunca havia escrito sobre esta minha conclusão, só a apresentando aos amigos nos papos de boteco. Sempre vi a questão ser tratada --quando a disputa era entre Pelé e Maradona-- com tanto destempero e chauvinismo que preferia não botar a mão nessa cumbuca.
Criei coragem após ler esta brilhante explanação de um dos maiores jogadores do nosso século, o campeoníssimo Xavi Hernández, que praticamente esgotou o assunto com míseras 49 palavras:
"Pelé e Maradona fizeram uma grande diferença, mas o futebol evoluiu. Os jogadores são melhores do que eram, o jogo é melhor. Fisicamente, taticamente, tecnicamente e psicologicamente, o futebol é melhor do que nunca. E o Messi se destaca como o melhor, no melhor momento da história do futebol".