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sexta-feira, 24 de abril de 2026

ALTO ASSESSOR DE TRUMP DIZ QUE TODAS AS MULHERES BRASILEIRAS SÃO PUTAS

Paulo porco chauvinista Zampolli
Assessor para assuntos globais do Governo Trump, Paolo Zampolli se referiu a uma amiga de sua ex-esposa como uma dessas putas brasileiras, essa raça maldita de brasileiras, são todas iguais.

Zampolli esteve casado durante duas décadas com a brasileira Amanda Ungaro e a separação foi turbulenta. Têm um filho de 15 anos, cuja guarda estão disputando na justiça.

Ela o acusa de abuso sexual e violência doméstica. Ele, sem saber que estava sendo gravado por um repórter italiano, foi misógino e grosseiro ao extremo: Aquela vaca, estávamos juntos, trepava com ela, depois ela também ficou louca. 

Ainda na linha de que as mulheres brasileiras sejam prostitutas e casem com estrangeiros para os extorquir, ele afirmou que elas são programadas para criar problemas e confusão.
 
Estou solidário com nossas mulheres e espero dos movimentos feministas que reajam com a mesma contundência adotada contra futebolistas, cineastas e boxeadores. 

O alvo desta vez é um suíno consumado. No mercy com ele. 

O EXEMPLO VEM DE CIMA

Não são de estranhar-se os sucessivos episódios de incontinência verbal nos altos escalões do Governo Trump: o exemplo vem do próprio chefe da quadrilha.

Poucos dias atrás, Trump, queixando-se dos imigrantes indianos, foi altamente ofensivo com o país do Mahatma Gandhi: Um bebê se torna instantaneamente cidadão e depois traz toda a sua família da China, da Índia ou de qualquer outro buraco infernal do planeta.

Dá para imaginarmos que esse absurdo tenha sido criado por algum ghost writer, mas foi distribuído às redes sociais com Trump como autor. A responsabilidade é toda dele.  

Seu pior sincericídio foi recentemente ter ameaçado extinguir a civilização iraniana. Nem percebeu que estava se igualando a Adolf Hitler, Joseph Stalin e Pol Pot. (por Celso Lungaretti) 

domingo, 29 de março de 2026

POR QUE OS SINOS DOBRAM PARA CUBA?

Cuba ora entra em decomposição – sentencia o jornalista Rodrigo da Silva, o criador do canal Sputniks do Youtube.

Infelizmente, desta vez não se trata da habitual propaganda anticomunista que infesta os jornalões. Eis alguns dados:
– Cuba enfrenta um terrível colapso no setor elétrico, com apagões durando até mais de 10 horas em Havana. Quando o sol vai embora, o país desliga junto. As usinas termelétricas, construídas entre 1960 e 1970, caducaram. A capacidade de geração do país cai cada vez mais;
– o salário médio mensal em Cuba equivale, no mercado negro, a US$ 16,30  por mês. O salário mínimo caiu para o equivalente a US$ 5,42 por mês;.
– a falta crônica de combustível já era um enorme problema, pois Cuba precisa de 100 mil barris de petróleo por dia para funcionar e só produz 50 mil. Com a ocupação militar da Venezuela por Trump, tal carência se tornou dramática, pois nenhuma gota mais de petróleo venezuelano foi exportada para Cuba;
– segundo o relatório En Cuba Hay Hambre, 96,91% dos cubanos relatam ter perdido acesso a alimentos devido à inflação e à queda no poder de compra. Um em cada quatro vai dormir sem jantar. 
– dos itens alimentícios que eram subsidiados pelo governo, carne, óleo e café deixaram de sê-lo e os restantes são entregues com semanas de atraso;
– o Estado hoje cobre algo entre 20% a 30% das necessidades calóricas de uma família, tendo de adquirir o restante a preços de mercado;
– o ministro da Saúde admitiu que só 30% dos medicamentos essenciais estão disponíveis. Na verdade, dos 651 medicamentos do quadro básico cubano, só 292 estão disponíveis na rede de farmácias;
Parece o Brasil, mas é Cuba...
– o número de médicos trabalhando efetivamente dentro de Cuba cai a cada ano. 
– a população vem desabando. Cuba tinha 11,18 milhões de habitantes em 2020. Oficialmente, em 2024, esse número passou para 9,75 milhões;;
– só entre 2021 e 2024, mais de 860 mil cubanos chegaram aos Estados Unidos.
– Cuba produz hoje menos açúcar do que em 1899. Chegou a ser o maior exportador mundial de açúcar, mas hoje importa açúcar do Brasil.

Como a coisa chegou até esse ponto? Para entender isto, temos de recordar o que foi o socialismo real  nela praticado, principalmente, a partir da vitória do tirano obtuso Joseph Stalin sobre o grande revolucionário que foi Leon Trotsky.

No início do século passado, os fantasmas da destruição da frouxa Comuna de Paris tiravam o sono de Lênin, daí ele considerar imperativa a construção de um partido duro, de revolucionários profissionais submetidos a direção e disciplina rígidas, enquanto Trotsky via nisto um ovo da serpente (primeiramente, o partido substituirá a classe operária, depois o Comitê Central substituirá o partido e, afinal, um tirano substituirá o Comitê Central). 

De certa forma, ambos estavam certos. Só um partido tipo jacobino, como o Bolchevique, conseguiria ter tomado o poder em 1917 e o sustentado nos anos seguintes contra a formidável coalizão de inimigos interno e externos. 

Mas, seu centralismo quase militar era mesmo terreno fértil para a tirania, como Stalin provaria.
Trotsky comandou a tomada de poder e depois, com seu exército
vermelho, evitou que a revolução sucumbisse nos campos de batalha
 

Na inflamada discussão interna sobre se os bolcheviques deveriam ou não tomar o poder num país que nem de longe estava pronto para o socialismo, prevaleceu a tese de que a revolução soviética seria o estopim de uma sucessão de outras, começando pela alemã, cujo apoio permitiria construir o novo regime na Rússia em condições menos draconianas.

Mas, abortada a sonhada sequência, a URSS contou apenas consigo mesma para superar seu acentuado atraso econômico, acabando por fazê-lo a ferro e fogo. Com isto, o chamado socialismo real soviético se tornou tão odioso e execrável que serviu como exemplo negativo para a máquina de propaganda burguesa dele afastar o proletariado das nações mais avançadas.

E, embora a construção do socialismo em nações isoladas esteja completando mais de um século de fracassos, até hoje a esquerda a continua tentando, em vão. Não seria o caso de voltar a apostar suas principais fichas na revolução mundial? Não é paradoxal a economia estar globalizada e os movimentos revolucionários terem praticamente abandonado o internacionalismo de outrora?

Por último, mais de uma década de antecedência já se previa o colapso do regime soviético. Mas, depois da primavera de 1968, o país regredira ao mais tacanho maniqueísmo, com o consequente embotamento do espírito crítico.
Até o Pasquim ele era homem
de esquerda, aí perdeu o rumo
O jornalista Paulo Francis foi um dos pouco a antever que o leviatã sucumbiria, principalmente por não conseguir incorporar os avanços tecnológicos da 3ª revolução industrial e começar a perder de goleada no front econômico, o que o forçou a optar entre a decadência irreversível ou a volta ao capitalismo. 

As várias experiências de socialismo num só país tiveram o mesmo destino que Cuba está colhendo agora, porque, como Marx já dizia, só com a integração econômica dos principais países se aproveitarão ao máximo os avanços científicos e tecnológicos alcançados sob o capitalismo, mas que, paradoxalmente, estão sendo desperdiçados e destruídos pelo próprio capitalismo.

É hora de recolocarmos como nossa principal tarefa a efetivação do internacionalismo revolucionário, pois desde 1989 vêm desmoronando todas as nomenklaturas .

Trata-se de regimes dito socialistas mas cujos expoentes compõem, como membros poderosos do Partido supostamente revolucionário, como administradores do Estado, como oficiais superiores das forças armadas, etc.,  uma nova elite privilegiada, que só se diferencia da anterior por não exercer uma dominação de classe, mas sim de casta.

Um jornalista perguntou a Trotsky, já no exílio, o que ele faria se ficasse confirmado que a luta de sua vida inteira acabara servindo apenas para empoderar uma nova elite. Ele não titubeou: Começarei a organizar a luta dos explorados contra ela. (por Celso Lungaretti) 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

PRIMEIRO MANDAMENTO DE UM VERDADEIRO ESQUERDISTA: JAMAIS RASGAR SEDA PARA ESTADOS POLICIAIS!

Um dos panfletos mais influentes produzidos pela humanidade em todos os tempos, o Manifesto do Partido Comunista, escrito por Marx e Engels em 1848, começa destacando esta verdade que vem sendo comprovada ao longo dos séculos:

"A história de todas as sociedades até hoje existentes é a história das lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor feudal e servo, mestre de corporação e companheiro, em resumo, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada. 
Tal guerra termina sempre ou por uma transformação revolucionária da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em conflito".
A luta de classes conduziria, segundo Marx e Engels, ao momento em que a classe explorada (o proletariado), ao pôr fim à dominação que lhe impunha a classe exploradora (a burguesa), já não teria sob si uma nova classe explorada em gestação, pronta para substitui-la. 

Dito de outra forma, os proletários seriam os últimos explorados e, ao se libertarem, libertariam a humanidade inteira. 

A própria sociedade dividida em classes deixaria de existir, dando lugar a uma sociedade sem exploradores nem explorados, na qual todos os cidadãos colaborariam solidariamente para o bem comum e passariam a dividir de maneira mais equânime os frutos do trabalho das gentes. 
Até quando  durará a idolatria ao deus dinheiro?

Cada ser humano ofereceria a contribuição de que fosse capaz de dar para a coletividade e receberia da coletividade aquilo de que necessitasse para uma existência plena e gratificante. 

Ou seja, adeus guerra ininterrupta! Não mais as disputas canibalescas por privilégios diferenciados, mas sim o aproveitamento ótimo do potencial ora existente de produção em grande quantidade de tudo que os homens carecem para uma sobrevivência digna!


De quebra, a produção coletiva supriria integralmente tudo de que os seres humanos carecem para sua bem-aventurança, com, ademais, a vantagem de uma redução cada vez maior do número de horas trabalhadas para que cada cidadão cumprisse sua parte no esforço coletivo.

Livres do tacão da necessidade, todos teríamos tempo livre para sonharmos e tentarmos viabilizar nossos sonhos. O ponto de chegada da construção de uma nova sociedade, essencialmente humana, assim foi expresso no jargão marxista: de cada um, de acordo com sua possibilidade, a cada um, de acordo com sua necessidade.

Algo assim, entretanto, só funcionaria se envolvesse todos os humanos. Havendo diferenças significativas entre os benefícios disponibilizados .para cada contingente, voltariam as disputas, as guerras, as fronteiras, os exércitos, etc. Os mais fortes tornariam a levar vantagem sobre os mais fracos e a humanidade não sairia de sua pré-História.
Até Goebbels teria vergonha disto

Tal pesadelo começou a tornar-se realidade exatamente quando foi bem-sucedida a primeira de todas as revoluções socialistas, em 1917. 

A então URSS teve de assegurar a própria sobrevivência física, caso contrário seus sonhos morreriam juntamente com ela, esmagados por inimigos decididos a tomar-lhe pela força o que possuísse de valor.

E, ao defender suas conquistas como mera nação, não como coletividade humana, foi obrigada a transferir para médio ou longo prazo a tentativa de construção da sociedade ideal, contentando-se com forjar apenas a sociedade mais avançada ao seu alcance naquele momento histórico.

Assim voltaram, um a um, todos os horrores dos quais ela havia se livrado. 

E, por ser um país com desenvolvimento econômico tardio se comparado com as grandes nações europeias e os EUA, teve de efetuar enorme esforço para, antes de mais nada, alcançar o estágio de crescimento de seus adversários capitalistas. 

Mais: já prevendo um enfrentamento nos campos de batalha com a poderosa Alemanha nazista, os soviéticos tiveram não só de desenvolver sua economia a todo vapor, queimando etapas, como também de obter os resultados desejáveis o quanto antes, para aguentar o tranco quando chegasse a guerra anunciada.

Após tudo que os trabalhadores russos haviam suportado desde a desastrosa participação na 1ª guerra mundial, passando pela primeira revolução socialista da História, pelo enfrentamento da devastação e da miséria legadas pelo czarismo e pela resistência a uma formidável aliança contra si de muitos inimigos externos e internos, só mesmo um Estado policial conseguiria arrancar deles os descomunais esforços necessários para reduzir seu atraso material com relação à Alemanha. 

Vale acrescentar a grande fome na Ucrânia entre 1932 e 1933, cujas vítimas fatais teriam sido 3,4 milhões (!) de camponeses. O regime soviético destinava muitos recursos à implantação de sua infra-estrutura de nação moderna e faltavam-lhe produtos industrializados para compensar a população rural pela cessão de suas colheitas.
Crianças ucranianas x grande fome

A solução encontrada por Stalin foi tomar na marra essas colheitas, por meio de um dos piores terrorismos de estado já vistos pela humanidade.

Outro motivo dos massacres foi dissuadir os ucranianos de continuarem mantendo suas pequenas plantações, que Stalin queria ver substituídas por fazendas coletivos

O certo é que o estado policial se fez, e seu nome era stalinismo.

Confirmava-se integralmente a profecia de Marx: só os países  mais avançados em termos econômicos estavam prontos para a construção do socialismo. Os outros teriam, antes disto, de reduzirem pouco a pouco sua inferioridade em estágio de desenvolvimento.

Foi uma das grandes tragédia do século 20: a descaracterização das nações que tentaram construir o socialismo apesar da precariedade e do atraso. 

Quanto muito chegaram até o capitalismo, sendo, ainda, seus dramas explorados ad nauseam pela indústria cultural para predispor o resto da humanidade contra a esquerda, como se o  socialismo num só país fosse a nova realidade sonhada por Marx e Engels e não o seu contrário.  

Todas essas experiências históricas acabaram degenerando em nomenklaturas, sociedades nas quais subsistia (às vezes até ampliada) a desigualdade econômica, e tendo como segmento mais influente não uma classe, mas sim uma casta. 

No caso da antiga União Soviética tal papel cabia aos membros destacados do Partido Comunista, enquanto na Venezuela quem até recentemente mandava eram altos comandantes militares. O povo apanhava e obedecia.
Lênin criou o bolchevismo; Trotsky o levou à vitória. 

A profecia sobre o substituísmo, de autoria do jovem Trotsky, cumpriu-se: primeiramente, o Partido Comunista substituiu o proletariado; depois, o Comitê Central substituiu o Partido Comunista; finalmente, um tirano substituiu o Comitê Central.

O tirano primeiro foi Stalin, e seus simulacros não passam de filhotes: mantêm os compatriotas na penúria ou obrigados a vazarem para construir uma vida melhor no exílio, enquanto eles próprios se locupletam com poder e luxo dignos de nababos.

A
liás, foi Trotsky quem, pesaroso, reconheceu  que, se o stalinismo havia engendrado uma casta dominante, a qual só se diferenciava da antiga classe dominante pelo fato de que a situação favorecida não se baseava na posse de bens e riquezas, mas sim no posto funcional dos membros da nova elite (não sendo, portanto, transmissível por herança), far-se-ia necessária uma nova revolução para resgatar as promessas originais do socialismo: uma revolução dos novos explorados contra a nomenklatura opressora.

Isto implicava que a tarefa à qual Trotsky dedicara toda sua vida adulta não fora cumprida e a faina deveria ser praticamente recomeçada do zero. Mas, ele era suficientemente honesto para admitir uma verdade tão dolorosa. 

Já os pseudo-herdeiros do marxismo não têm nem a mesma honestidade intelectual, muito menos o mesmo espírito igualitário. Preferem vender uma caricatura de revolução para o mundo como se fosse a verdadeira revolução. 
O poder não só envelhece, como também envilece. 
De um lado estão os que fazem um capitalismo ligeiramente atenuado em seus malefícios e destrutividade passar por algo próximo dos ideais esquerdistas (ele tem a ver, isto sim, com o reformismo de Edouard Bernstein, que a Rosa Luxemburgo reduziu a pó de traque no seu clássico Reforma ou Revolução).

Do outro, cruéis nomenklaturas que criam confusão utilizando falaciosamente uma retórica esquerdista para parecer aparentada com o socialismo marxista, o qual, contudo, era eminentemente libertário e se propunha a conduzir a humanidade para um estágio superior de civilização, não para as trevas do passado. 

Erram terrivelmente os  companheiros que abandonaram o marxismo e o anarquismo para assumirem grotescas visões geopolíticas, daí estarem agora defendendo até mostrengos medievais como o regime iraniano. Eles só nos envergonham e desencaminham a luta dos explorados. (por Celso Lungaretti)

quinta-feira, 15 de maio de 2025

A 'FOLHA DE S. PAULO' AGORA PUBLICA INCLUSIVE ENTREVISTAS PSICOGRAFADAS

Protesto na porta da Folha em 2009: qualificara a ditadura militar de ditabranda.
O
mundo gira e a Lusitana roda. O
Estado de S. Paulo e a Folha de S. Paulo passaram por muitas mudanças ao longo dos tempos, mas conservaram uma diferença essencial: 
-- o primeiro, porque foi comandado durante longo tempo por uma família ligada ao jornalismo, exibiu caráter em alguns momentos marcantes; 
-- a segunda, que nasceu pela mão de comerciantes, era e continua sendo amoral, colocando interesses acima de princípios.

Assim, o jornalão dos Mesquitas teve o mérito de lutar firmemente contra a ditadura de Getúlio Vargas, que deveria ter sido unanimemente repudiada por toda a esquerda durante todos os 15 anos que durou, mas foi ora tratada de forma complacente, ora objeto de uma destrambelhada intentona, conforme iam mudando o humor e as ordens de Stálin.

O Estadão fez a opção correta ao aderir abertamente à dita revolução constitucionalista, enquanto a Folha ficou em cima do muro em 1932. 
Revoltosos de 1932 exibem exemplar do Estadão
Depois, contudo, a Internacional stalinizada resolveu tirar da cartola um putsch em 1935, despachando Luiz Carlos Prestes para cá com poderes de verdadeiro interventor sobre o partidão: voltou incumbido de vergar a espinha do comitê central do PCB, que não via com bons olhos aquela aventura militar sem respaldo na militância, já que havia sido decidida da noite para o dia.

Foi altaneiro o Estadão ao riscar de sua história o período em que, como represália da ditadura de Vargas, teve sua redação submetida a um interventor in loco.

E continuou sendo altaneiro ao romper com a ditadura dos generais, quando esta não cumpriu o compromisso de devolver o poder aos civis após os expurgos e mudanças de ordenação política que ela veio impor. 

Embora houvesse sido uma das principais lideranças civis da conspiração golpista, o Grupo Estado acabou tendo seus dois veículos (o Estadão e o Jornal da Tarde) censurados e recusando-se a preencher o espaço com novas notícias: o primeiro ali colocava trechos de Os Lusíadas de Camões e o segundo, receitas culinárias.

Mais emblemática ainda foi a atitude de ambos com relação ao DOI-Codi. O Grupo Folha orientou seus recepcionistas a ligarem para os jornalistas buscados pela repressão e, sob falsos pretextos, atraírem-nos para o saguão, onde eram presos. Além disto, cedia suas viaturas para camuflarem as incursões dos agentes.
A Folha era retaliada por ceder veículos à repressão

Já no concorrente da rua Major Quedinho, o tratamento era bem diferente. Quando uma patrulha do DOI-Codi chegou para pegar um repórter do
JT, o diretor de redação proibiu seu ingresso no prédio e mandou a equipe de segurança garantir que sua ordem seria cumprida.
"Lá fora ele pode ser subversivo, mas aqui dentro ele é meu jornalista", justificou.

Em seguida, acionou o governador Abreu Sodré e, como resultado das tratativas, os todo poderosos agentes da repressão tiveram de ficar esperando na calçada. Em vão, porque o mesmo diretor levou o por eles caçado, no porta-malas do próprio carro, até seu sítio e lá o abrigou. 

E, após Vladimir Herzog ser assassinado pelo DOI-Codi, o Grupo Estado decidiu que, quando jornalistas da casa fossem intimados a comparecer para interrogatórios, algum diretor da empresa deveria sempre acompanhá-los, para garantir-lhes a integridade física.

Quis o destino que a Folha de S. Paulo tivesse uma chance de reabilitar sua imagem, que havia sido tão emporcalhada nos anos de chumbo, participando intensamente da campanha das diretas-já em 1983/84.
Bolsonaro teme que prisão cause sua morte política 
Mas, a que vêm estas recapitulações no dia de hoje? À deplorável iniciativa da
Folha de S. Paulo, de entrevistar nesta quarta-feira (14) o miasma fedorento do politicamente defunto Jair Bolsonaro. Deveria ter seguido a Bíblia e deixado os mortos enterrarem seus mortos.

Como nunca comentei livro psicografado por médiuns, também não comentarei o besteirol de ontem. O que tinha a dizer, já disse num comentário que enviei de imediato para o UOL e foi nele publicado:
"O UOL bem que poderia nos poupar dessas constrangedoras tentativas de justificar o injustificável. Jair Bolsonaro, hoje, não passa de uma prisão esperando acontecer. As centenas de milhares de brasileiros que ele condenou à morte com sua sabotagem alucinada à vacinação contra a pandemia já não têm voz. Por que dar voz ao seu carrasco?".
Respondo a pergunta que eu mesmo fiz: porque este sempre foi o comportamento da Folha e suas derivações, conforme acima demonstrado.
 
Aliás, não fui sequer original: vários outros comentaristas fizeram a mesmíssima crítica.  (por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 9 de maio de 2025

CUIDADO COM AS HISTÓRIAS QUE VOCÊ IMAGINA, PODEM TORNAR-SE REALIDADE!

A fórmula de mesclar enredos de ficção científica com os dramas reais das ditaduras e das guerras sujas do século passado tem um acréscimo significativo com a minissérie O Eternauta, lançada  em escala mundial no mês passado e que ora começa a ser aqui exibida no streaming da Netflix.  

Só que desta vez a realidade invade não a vida fictícia  dos personagens, mas sim a existência verdadeira do próprio criador da clássica HQ de 1957. o escritor Héctor Germán Oesterheld.   

Mas, deixando o principal para o fim,  lembremos incialmente o exemplo de duas obras primas literárias  ancoradas na realidade e que renderam filmes interessantíssimos.

Refiro-me, primeiramente, à distopia por mim considerada a melhor de todos os tempos: 1984, escrita por George Orwell em 1948, a partir dos acontecimentos que ele vivenciou nos campos de batalha da guerra civil espanhola. 

Esquerdista ingênuo, Orwell foi participar das brigadas internacionais que lutavam contra as tropas golpistas de Francisco Franco e, por mera coincidência, acabou ingressando numa que era controlada pelo Partido Obrero de Unificación Marxista, seguidor de Leon Trotsky. 
Os Juan Salvos dos quadrinhos e das telas
Pôde então constatar ao vivo e em cores que a URSS, única aliada de peso dos valorosos espanhóis, cobrava muito caro pelos mantimentos e armamentos que lhes fornecia: obrigava os trotskistas e anarquistas a, em pleno calor da luta, expurgar seus dirigentes que estavam em desacordo com o desvirtuamento da revolução soviética por parte de um dos maiores carniceiros do século passado, o tirânico Joseph  Stalin.

Atingido por um disparo inimigo, Orwell volta para a Inglaterra e escreve dois livros contundentes, a partir de suas observações da tragédia espanhola: 
--Lutando na Espanha, no qual culpa os soviéticos por terem tirado do povo os motivos que o haviam levado a revoltar-se espontaneamente contra a investida fascista, partindo para a resistência heroica; e 

--1984, uma parábola fictícia mas transparente sobre o desvirtuamento da revolução soviética sob Stalin, responsável inclusive pelo massacre da velha guarda bolchevique nos infames julgamentos de Moscou.

O livro é um arraso, me deixou profundamente chocado quando o li. por volta dos meus 16 anos (até garimpei e encontrei um irmão menor, O zero e o infinito, de Arthur Koestler). 

O film
e, lançado exatamente em 1984, não ficou à sua altura, já que requeria um diretor peso pesado e não, apenas, Michael Radford; mas a força da trama (Orwell foi co-roteirista) e as impactantes atuações de John Hurt e Richard Burton o valorizam muito.

Já o diretor George Roy Hill foi uma escolha bem mais apropriada no caso de Matadouro Cinco (1972), filme no qual quem ficou devendo foi o elenco, encabeçado por Michael Sacks (quem?!). 

Lançado em 1969. o best-seller do Kurt Vonnegut Jr., por sua vez, foi o melhor fruto literário daquela voga contestatória na Europa e EUA; e também tem o autor como co-roteirista.

Começa como uma sci-fi rotineira sobre homem abduzido e suas peripécias com os extraterrestres, mas  a dramaticidade sobe aos píncaros quando a ação, surpreendendo os leitores, se desloca para a cidade alemã de Dresden, alvo de um bombardeio tão inútil quanto criminoso por parte dos aliados na segunda guerra mundial. Piores do que este, só mesmo os de Hiroshima e Nagasaki... 

Torçamos para que a minissérie argentina, ainda no início, acrescente mais uma pérola a esta relação. Nela, o onipresente Ricardo Darin interpreta Juan Salvo, homem comum que se torna viajante do tempo e do espaço ao buscar sua família desaparecida após uma nevasca tóxica.

A arte o conduz à participação num grupo de resistência, inicialmente para sobreviver, depois para o enfrentamento de uma ameaça extraterrestre e, afinal, para cair nas garras dos inimigos. 

Já o escritor Oesterheld foi arrastado pela vida em direção semelhante, pois ele aderiu à guerrilha esquerdista dos Montoneros e o fez juntamente com sua família, acabando por ser sequestrado  em 1977 pelos militares fascistas. 

O desfecho foi trágico: Oesterheld e suas quatro filhas  desapareceram para sempre. Será um milagre se algum dos cinco ainda reaparecer com vida, tanto tempo depois.

Resta saber se o  imaginário Salvo será salvo na minissérie ou vai evaporar também... (por Celso Lungaretti)

sábado, 2 de novembro de 2024

HÁ 'ESQUERDISTAS' QUE LOUVAM ESTADOS POLICIAIS COMO O IRÃ SUP0NDO QUE SEJAM SOCIALISTAS E NÃO NOMENKLATURAS

Um dos panfletos mais influentes produzidos pela humanidade em todos os tempos, o Manifesto do Partido Comunista, escrito por Marx e Engels em 1848, começa destacando uma verdade milenar que, paradoxalmente, ele próprio faria sucumbir adiante:
"A história de todas as sociedades até hoje existentes é a história das lutas de classes.

Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor feudal e servo, mestre de corporação e companheiro, em resumo, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada, uma guerra que terminou sempre ou por uma transformação revolucionária da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em conflito
"
.
A história da luta de classes conduziria, segundo Marx e Engels, ao momento em que a classe explorada (o proletariado), ao pôr fim à dominação que lhe impunha a classe exploradora (a burguesa), já não teria sob si uma nova classe explorada em gestação, pronta para substitui-la. 

Dito de outra forma, os proletários seriam os últimos explorados e, ao se libertarem, libertariam a humanidade inteira. 

A própria sociedade dividida em classes deixaria de existir, dando lugar a uma sociedade sem exploradores nem explorados, na qual todos os cidadãos colaborariam solidariamente para o bem comum e passariam a dividir de maneira mais equânime os frutos do trabalho das gentes: cada ser humano ofereceria a contribuição que fosse capaz de dar para a coletividade e receberia da coletividade aquilo de que necessitasse para uma existência plena e gratificante. 

Ou seja, adeus guerra ininterrupta! Não mais as disputas canibalescas por privilégios diferenciados, mas sim o aproveitamento ótimo do potencial ora existente de produção em grande quantidade de tudo que os homens carecem para a sobrevivência digna.


De quebra, a produção coletiva supriria integralmente tudo de que os seres humanos necessitam para sua bem-aventurança, com, ademais, a vantagem de uma redução cada vez maior do número de horas trabalhadas para que cada cidadão cumprisse sua parte no esforço coletivo.

Livres do tacão da necessidade, todos teríamos tempo livre para sonharmos e tentarmos viabilizar nossos sonhos. O ponto de chegada da construção de uma nova sociedade, realmente humana, assim foi expresso no jargão marxista: de cada um, de acordo com sua possibilidade, a cada um, de acordo com sua necessidade.

Algo assim, entretanto, só funcionaria se envolvesse todos os humanos. Havendo diferenças significativas entre os benefícios disponibilizados .para cada contingente, voltariam as disputas, as guerras, as fronteiras, os exércitos, etc. Os mais fortes tornariam a levar vantagem sobre os mais fracos e a humanidade não sairia de sua pré-História.

Tal pesadelo começou a tornar-se realidade exatamente quando foi bem-sucedida a primeira de todas as revoluções socialistas, em 1917. A Rússia teve de assegurar a sobrevivência física, caso contrário seus sonhos morreriam juntamente com ela, esmagados por inimigos decididos a tomar-lhe pela força o que possuíssem a mais do que eles outros.

E
, ao defender suas conquistas como mera nação, não como coletividade humana, foi obrigada transferir para médio ou longo prazo a tentativa de construção da sociedade ideal, contentando-se com forjar apenas a sociedade mais avançada que lhe era possível naquele momento histórico.

Assim voltaram, um a um, todos os horrores dos quais ela havia se livrado. 

E, por ser um país com desenvolvimento econômico tardio se comparado com as grandes nações europeias e os EUA, teve de efetuar enorme esforço para, antes de mais nada, alcançar o estágio de crescimento de seus adversários capitalistas. 

Mais: já prevendo um enfrentamento nos campos de batalha com a poderosa Alemanha nazista, os soviéticos tiveram não só de desenvolver sua economia a todo vapor, queimando etapas, como também de obter os resultados desejáveis o quanto antes, para aguentar o tranco quando chegasse a guerra anunciada.

Depois de tudo que os trabalhadores russos haviam suportado desde a desastrosa participação na 1ª guerra mundial, passando pela primeira revolução socialista da História, pelo enfrentamento da devastação e da miséria legadas pelo czarismo e pela resistência a uma formidável aliança contra si de muitos inimigos externos e internos, só mesmo um Estado policial conseguiria arrancar deles os novos e descomunais esforços exigidos pela corrida para reduzir (eliminar era impossível) seu atraso material com relação à Alemanha. 

E o estado policial se fez. Com o nome de stalinismo.

Confirmava-se integralmente a profecia de Marx: só os países  mais avançados em termos econômicos estavam prontos para a construção do socialismo. 

Os outros teriam, antes disto, de irem reduzindo pouco a pouco sua inferioridade em estágio de desenvolvimento.

Foi uma das grandes tragédia do século 20: a descaracterização das nações que tentaram construir o socialismo a partir da precariedade e do atraso. 
Quanto muito chegaram até o capitalismo, sendo, ainda, seus dramas explorados ad nauseam pela indústria cultural para predispor o resto da humanidade contra a esquerda, como se o  socialismo num só país fosse a realidade sonhada por Marx e Engels e não, exatamente, o seu oposto.  

Todas essas experiências históricas acabaram degenerando em nomenklaturas: sociedades nas quais persiste (às vezes até ampliada) a desigualdade econômica, e tendo como segmento privilegiado não mais uma classe, mas sim uma casta. No caso da União Soviética tal papel coube aos membros destacados do Partido Comunista, enquanto na Venezuela quem manda são altos militares. O povo apanha e obedece.

A profecia sobre o substituísmo, de autoria do jovem Trotsky, cumpriu-se: primeiramente, o Partido Comunista substitui o proletariado; depois, o Comitê Central substitui o Partido Comunista; finalmente, um tirano substitui o Comitê Central.

O tirano primeiro foi Stalin, e os Maduros da vida não passam de seus filhotes: mantêm os compatriotas na penúria ou obrigados a vazarem para construir uma vida melhor no exílio, enquanto eles próprios se locupletam com poder e luxo dignos de nababos.

A
liás, foi Trotsky quem, pesaroso, reconheceu  que, se o stalinismo havia engendrado uma casta dominante, a qual só se diferenciava da antiga classe dominante pelo fato de que a situação favorecida não se baseava na posse de bens e riquezas, mas sim no posto funcional dos membros da nova elite (não sendo, portanto, transmissível por herança), seria necessária uma nova revolução para resgatar as promessas originais do socialismo: uma revolução dos novos explorados contra a nomenklatura opressora.

Isto implicava que a tarefa à qual Trotsky dedicara toda sua vida adulta não fora cumprida e a faina deveria ser praticamente recomeçada do zero. Mas, ele era suficientemente honesto para admitir uma verdade tão dolorosa. Já os Maduros da vida não têm nem a mesma honestidade intelectual, muito menos o mesmo espírito igualitário. Preferem vender uma caricatura de revolução para o mundo como se fosse a própria revolução. Então, no atual tiroteio entre Brasil e Venezuela não há heróis, só vilães. 

De um lado os que fazem um capitalismo ligeiramente atenuado em seus malefícios e destrutividade passar por algo próximo dos ideais esquerdistas (ele tem a ver, isto sim, com o reformismo de Edouard Bernstein, que a Rosa Luxemburgo reduziu a pó de traque no seu clássico Reforma ou Revolução).

Do outro, cruéis nomenklaturas que cria confusão utilizando falaciosamente retórica esquerdista para parecer aparentada com o socialismo marxista, que, contudo, era eminentemente libertário. Os papas do marxismo jamais endossaram estados policiais como o Leviatã de Putin e o estrupício do Maduro. (por Celso Lungaretti)  
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