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sábado, 28 de junho de 2025

RAPHINHA, O QUE NÃO TEM MEDO DE INCOMODAR OS PARASITAS DA CBF, É O CAPITÃO DO QUAL A SELEÇÃO CARECE!

O jogador Raphinha, 28 anos, não só é o melhor futebolista brasileiro em atividade no exterior como também demonstra possuir muita personalidade e caráter, ao contrário de eternos imaturos como o Neymar.

Ele estava tendo um desempenho insatisfatório no Barcelona e era até cogitado para negociações quando o técnico Hansi Flick assumiu no final de maio/2024 e liberou-o de ficar o tempo todo colado à linha lateral, dando-lhe mais amplitude de atuação. 

Aí seu futebol cresceu de maneira espantosa, tanto que o Raphinha e o Lamine Yamal são os grandes responsáveis pela fase goleadora do time da Catalunha sob Flick.

Agora, candidatíssimo à Bola de Ouro e com vaga garantida no nosso escrete, não se cala como um cordeirinho ante a insensatez que está sendo imposta aos futebolistas pelos cartolas

Sem receio de que suas palavras possam ser interpretadas como críticas indiretas aos parasitas da CBF num momento melindroso (aproxima-se o Mundial de seleções), Raphinha solta a voz:
"A gente ter de abrir mão das nossas férias por obrigação é muito complicado. É direito nosso, todo mundo está de acordo e todo mundo merece ao menos um mês de férias, três semanas que seja".
Sua tomada de posição é importante até por vir ao encontro da corrente dos dirigentes que (como Javier Tebas, presidente de La Liga) criticam a Fifa por ter sobrecarregado ainda mais o calendário futebolístico com a criação da Copa do Mundo de Clubes.

Solidário, Raphinha tomou as dores dos adversários do PSG, sujeitos a críticas por não estarem cheios de gás:
"Marquinhos e Beraldo jogaram a final da Champions, nem comemoraram direito, viajaram para jogar com a seleção, acabou o segundo jogo, voltaram para se apresentar para jogar o Mundial. Eles ainda não pararam. Então, muita gente fala que isso é desculpa, pode até ser, ou não".
Para os atletas que atuam na Europa, há o agravante de que, no final de uma temporada exaustiva (a deles vai até o meio do ano) estão sendo obrigados a atuar sob temperaturas bem mais elevadas do que aquelas às quais estão habituados. 

Resultado: seu desempenho eventualmente é prejudicado e as contusões aumentam significativamente.

A seleção brasileira pode afinal ter encontrado um líder de verdade. (por Celso Lungaretti)
"Os novos, os novos/ Patinho, coxão e filé/ As velhas coisas/
 Pelancas, ossos, quem quer?/ Do boi só se perde o berro"

domingo, 4 de maio de 2025

O PLANETA BOLA TAMBÉM JÁ TEM A SUA SANTÍSSIMA TRINDADE

O pai foi o Pelé, principal futebolista do século passado.

O filho é o Messi, que  disputa com Pelé o título de GOAT (melhor de todos os tempos).

O espírito santo inspira Lamine Yamal, que ameaça superar  ambos.

Filho de um marroquino que casou com uma moça da Guiné Equatorial, Yamal tinha sete anos quando a família se mudou para Barcelona. Logo estava jogando na base do Club de Fútbol La Torreta e chamando a atenção dos olheiros do Barcelona fc.

Percebido como um dos melhores produtos das categorias de base do Barça, foi escolhido pelo grande Xavi Hernández, técnico da equipe juvenil, para treinar com a equipe principal na temporada 2022-23.

Estreou em abril de 2023, quando estava com 15 anos e nove meses, tornando-se, em todos os tempos, o quinto jogador mais jovem a atuar em La Liga. 
Foi também em 2023 que chegou tanto à seleção espanhola sub-17, quanto ao escrete principal.

Hoje com 17 anos e 9 meses, é titular do Barcelona e da seleção espanhola, deslumbrando o mundo com golaços (como o marcado na semifinal da Champions contra a Internacional), recordes de assistências e um amplo repertório de jogadas desconcertantes.
Atuando principalmente na ponta-direita, com liberdade para flutuar até o miolo, é um driblador tão endiabrado quanto o inesquecível Mané Garrincha, mas sem debochar dos joões que surgem no seu caminho e são instantaneamente deixados para trás.

É difícil prever se será maior do que o Pelé e o Messi, mas se trata, com certeza, do único dos futebolistas famosos da atualidade com potencial para tanto. (por Celso Lungaretti)

sábado, 27 de maio de 2023

O DESAGRAVO ESPANHOL A VINI JR. MUDARÁ ALGO NOS ESTÁDIOS? XAVI HERNÁNDEZ CRÊ NUMA MELHORA. PEP GUARDIOLA DUVIDA

"La Liga deveria aprender com a Premier League. Aqui [na Inglaterra] eles são muitos rígidos com isso, sabem o que precisa ser feito. 

O racismo é um problema do mundo inteiro, não de um lugar específico. Esta pode ser uma grande oportunidade para a Espanha dar um passo à frente. 

Mas, conhecendo como as coisas funcionam lá [na Espanha], não estou otimista. Vamos torcer para que a Justiça faça o que é certo [...] Mas, permita-me, isso não vai mudar nada na Espanha..." (Joseph Pep Guardiola, o melhor técnico do mundo neste século, tendo treinado o Barcelona entre 2007 e 2012, se transferido para o Bayern de Munique em 2013 e para o Manchester City em 2016)

"
Eu discordo [de Pep Guardiola]. Acho que é uma questão educacional. Você tem que educar as pessoas. O insulto não é normal e você tem que mudar as coisas" (Xavi Hernández, que foi meio-campista titular do Barcelona entre 1998 e 2015, jogador e depois treinador do All-Sadd do Catar de 2015 e 2021, tendo então voltado para a Espanha como técnico do Barcelona)  

Duas opiniões pra lá de respeitáveis no planeta bola
— a do técnico que revolucionou o futebol mundial e 
— a de um integrante daquele fantástico meio-de-campo com Messi e Iniesta, chamado para reconstruir o Barcelona depois de uma terrível crise financeira que arrastou consigo o time de futebol. 

Nesta sua nova fase, agora no banco de técnico, Xavi acaba de conquistar o primeiro título realmente importante do Barça desde sua debacle, o campeonato espanhol de 2022/2023.

Minha opinião? É a de que cada um tem um tanto de razão. 

O fator esquecido por quase todos os comentaristas esportivos é o de que não são  necessariamente racistas os torcedores que vaiam Vinícius Jr. quando seus times recebem a visita do Real Madrid.
Uma parte deles  decerto quer apenas desestabilizar emocionalmente o principal adversário, ao berrar ou gesticulando o insulto que mais possa servir para tirar o craque do sério. Com este tipo de torcedor, um incremento da educação pode, sim, funcionar.

Mas está certo o Guardiola quanto a existirem racistas/fascistas empedernidos na Espanha, que não vão mudar de jeito nenhum. Afinal, o sanguinário ditador Francisco Franco não permaneceu no poder de 1936 a 1975 apenas à custa do temor que suas forças repressivas inspiravam. Uma parte da população, reacionária e extremadamente católica, concordava com ele.

E são essas viúvas do Franco devem estar puxando as vaias e gritaria contra o Vini. (por Celso Lungaretti)

domingo, 30 de agosto de 2020

O MELHOR FUTEBOLISTA DA NOSSA ÉPOCA MERECE UM CANTO DO CISNE FULGURANTE

TOSTÃO
O RELACIONAMENTO ENTRE BARCELONA
E MESSI PARECE TER CHEGADO AO FIM
Parafraseando uma das mais belas crônicas, poemas, do poeta e escritor Paulo Mendes Campos, o amor acaba, por dezenas de motivos. Parece certo que terminou o profundo e longo relacionamento afetivo entre Messi e Barcelona.

A gota d’água foi a derrota de 8 a 2 para o Bayern, pelas quartas de final da Liga dos Campeões. Messi se sentiu humilhado e já tinha avisado, após a perda do título espanhol para o Real Madrid, que a equipe, se não melhorasse, passaria por muitas vergonhas. Ele não sabia que seria tão grande.

O amor acabou muito antes, por causa das condutas da diretoria, como as de criticar os jogadores por algumas derrotas, pelas negociatas relatadas na imprensa e por não se empenhar na contratação de Neymar, a pedido de Messi, que queria fazê-lo seu herdeiro.

O fascínio terminou quando Messi viu também que a bola que saía de seus pés não voltava como ele queria e que tinha de fazer muito mais esforço para marcar seus gols. Viu que o Barcelona estava desajustado, ultrapassado. Constatou ainda o óbvio, que o tempo passa e que ele não é eterno.

O Barcelona implodiu. Não quer ficar mais com vários de seus principais jogadores, como Suárez, Rakitic, Busquets, Piqué e Jordi Alba, muitos deles da geração de Messi, formados em La Masia, centro de formação de jogadores do clube.

Iniesta, Messi e Xavi faziam do Barça o melhor time da História
O clube catalão se iludiu que a grande geração de Messi, que teve também Xavi, Iniesta e Fàbregas, poderia ser replicada em laboratório e que haveria uma fórmula mágica de produção de craques. 

Da geração seguinte ainda não surgiu nenhum fora de série, embora haja algumas promessas. A maioria já foi testada, não apresentou qualidades para jogar no Barcelona e foi cedida para times médios da Europa.

A estrutura física e técnica na formação de atletas é importantíssima, essencial, mas não é garantia que sempre surgirão craques. Algumas vezes, os fenômenos nascem do nada, sem explicação. Muitas grandes equipes da história foram formadas assim, por acaso.

Por causa da pouca qualidade da geração seguinte à de Messi, o clube gastou fortunas para contratação de jogadores, sem sucesso, como Coutinho, Arthur, Dembélé, Griezmann e outros. Todos são muito bons, mas criaram uma expectativa acima da realidade. O time atual possui várias deficiências coletivas e individuais.

O amor acaba, mas pode renascer noutro clube, país, com novos companheiros. Há sempre alguém à espera, com muito carinho. A carreira magistral de Messi ainda não terminou. Precisamos vê-lo por mais tempo. Será um vazio sem ele. 

Ou Messi está cansado de tanta pressão, de tanta responsabilidade, de ser, em todos os jogos, o genial atleta que é?
Messi pode estar com vontade de voltar a Rosário (onde jogou na infância) e encerrar a carreira no Newell’s Old Boys; ou de sentar-se na praça e sonhar com outros prazeres, antes que a sociedade do espetáculo, sedenta por novos ídolos, se canse dele. (Tostão, tri mundial em 1970 e nosso melhor comentarista  esportivo atual)
.
TOQUE DO EDITOR — Nos esportes torço, acima de tudo, pela arte. Então, antecipadamente lamento o vazio que a aposentadoria do (indiscutivelmente) melhor futebolista do século 21 e (provavelmente)  maior de todos os tempos deixará. 

Os idiotas da objetividade (como Nelson Rodrigues qualificava os incapazes de captar a beleza em estado puro que a vida às vezes nos proporciona, limitados ao perde/ganha que lhes dá uma ilusão de serem vitoriosos e não os  eternos perdedores que são na injusta sociedade atual) exibirão números, eu prefiro o êxtase. A cada um, o seu.

Era apaixonado pelo futebol da socrática democracia corinthiana, ia em todas as suas  partidas no Morumbi ou Pacaembu; enquanto reinou, Muhammad Ali me ver boxe como nunca  antes nem depois; após Federer pendurar a raquete, provavelmente passarei anos sem interessar-me pelo tênis; até no xadrez me viciei quando o destemido Kasparov desafiava os burocráticos e cautelosos Karpovs que tinham, todos, a cara da revolução traída.  
Está chegando a hora de me deixar órfão futebolístico por uns tempos o cracaço Messi, maior símbolo da revolução catalã da década passada, quando voltei a me deliciar com um futebol brilhante, alegre e ofensivo que pensava ter deixado para trás.

Torço para que, seja ao lado de Guardiola e De Bruyne, ou de Neymar e Mbappé, ele tenha um fim de carreira à altura de sua genialidade e de toda beleza que nos entregou. 

Gostaria que houvesse sido na heroica e rebelde Catalunha, pela qual tanto apreço tenho. Mas, um atleta com a idade dele não tem mais tempo útil pela frente que lhe permita esperar o Barcelona renascer das cinzas. 

Paciência. Mesmo que seja num time da pérfida Albion, mas ao lado do melhor técnico da nossa época, que tenha um canto de carreira capaz de calar até o mais obtuso e empedernido idiota da objetividade! (por Celso Lungaretti)

sábado, 7 de dezembro de 2019

O FUTEBOL ROMÂNTICO ACABOU? NÃO PARA MESSI E O BARCELONA...

Os filhos de Messi lhe entregaram a bola de ouro
Se ainda houver quem não esteja convencido de que Lionel Messi pode ser comparado a Pelé e a mais ninguém, e que dentre esses dois fica difícil chegar-se a uma conclusão consistente sobre qual é o melhor, o vídeo abaixo o ajudará a refletir melhor.

É da partida deste sábado (7), Barcelona 5x2 Mallorca, pelo Campeonato Espanhol. Messi fez simplesmente três golaços, dois dos quais arrancaram a expressão "Nossa!" do narrador. 

De quebra, Suárez marcou, de calcanhar, aquele que provavelmente será escolhido como o gol mais bonito da temporada. E tivemos um raro exemplo de lançamento direto do goleiro Ter Stegen para o atacante (no caso, Griezmann) ganhar dos zagueiros na corrida e iniciar a goleada.

Se a janelinha não abrir por causa dos malditos direitos
autorais, clique aqui para ir diretamente ao Youtube

sábado, 28 de abril de 2018

ANDRÉS INIESTA: UM FUTEBOLISTA GENIAL E UM DOS MELHORES SERES HUMANOS QUE JÁ ATUARAM NO ESPORTE PROFISSIONAL

o que faz de Iniesta o maior jogador espanhol de todos os tempos? Oras, entre outras coisas, os feitos com a seleção espanhola, é óbvio. Um gol de título de Copa do Mundo é coisa para poucos. 

Mas vamos além disso. Depois de fazer aquele gol em Johanesburgo, Andrés Iniesta sacou a camisa em êxtase e, por baixo da roja, mostrou uma camiseta em que homenageava Dani Jarque – morto um ano antes, aos 26, após um ataque do coração. 

Jarque era capitão do Espanyol, rival local do Barcelona. Gente. Vamos ser sinceros. Ninguém mais lembrava de Dani Jarque. Não é que passaram o mês da Copa inteiro falando dele?! Foi uma homenagem inesperada. Maravilhosa. Humana. Sincera. 

Só os verdadeiros humildes conseguem voltar tantas casinhas no tempo justo no momento em que estão vivendo seu ápice. 

Iniesta, o autor do gol do título espanhol, passou a ser aplaudido por todos os campos da Espanha. Sempre, em qualquer jogo do Barcelona. E isso é assim há quase oito anos. 

Só porque ele fez o gol? Só por causa da homenagem a Jarque? Não, não só. Pela atitude em campo, por ter sido sempre um exemplo de cavalheirismo e fair play no gramado, por nunca ter dado pernada nem cotovelada em ninguém, por jogar muita, mas muita, mas muita, mas muita bola – o jeito de jogar que o espanhol venera e ama. 

E, claro, por não ter sido um divisor em anos de divisão e tensão. Iniesta sempre foi uma voz apaziguadora ou silenciosa no auge da rivalidade Barça-Madrid e também neste momento de independentismo catalão à flor da pele. Ao contrário do que muitos pensam, Iniesta é de Castilla La Mancha, uma região bem espanhola, e foi cedo para as bases do Barça. Mas nunca insuflou e nem menosprezou o separatismo catalão. 

Olhando de fora, eu percebo que a admiração por Iniesta é nacional e unânime. Junte tudo isso ao gol na final da Copa, aos títulos, à classe, etc, e temos o maior jogador da história da Espanha.  

Hasta pronto, Andrés. Y muchas gracias. (trechos do post de Júlio Gomes, comentarista de futebol internacional, homenageando Iniesta, que anunciou sua saída do Barcelona após defendê-lo por quase 22 anos. Ele tinha contrato vitalício com o clube, mas preferiu não continuar recebendo uma fortuna agora que a idade de 33 anos começa a pesar-lhe e suas contusões são cada vez mais frequentes)

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

NO 1º GRANDE JOGO DA TEMPORADA, NEYMAR COMEÇARÁ LOGO MAIS A MOSTRAR SE TEM OU NÃO A FIBRA DOS CAMPEÕES

Vai para o trono ou não vai?
Aos 26 anos recém-completados, o futebolista mais badalado do Brasil começa nesta 4ª feira (14) a enfrentar um dos maiores desafios de sua carreira.

Beneficiado pela condição de jogador mais talentoso de nosso país num período em que não despontaram foras-de-série como Pelé, Garrincha, Tostão, Rivellino, Falcão, Sócrates, Zico, Romário, Ronaldo Fenômeno e que tais, ele logo se tornou uma unanimidade nacional, a despeito de não haver realizado grandes feitos com a camisa do Santos (2009-2013): participou da conquista três campeonatos estaduais (uma competição tão desvalorizada hoje que foi até apelidada de Paulistinha), uma Copa do Brasil e uma Copa Libertadores da América, a de 2011.

Esta última seria a azeitona da empada, se a campanha do Santos tivesse sido brilhante (jogou só para os gastos, quase sempre empatando com os adversários fora e vencendo-os em casa) e se Carles Puyol não o houvesse anulado completamente na final da Copa Mundial de Clubes, quando o Barcelona teve dó ou preguiça de massacrar o time praiano, contentando-se em goleá-lo por 4x0. Foi o primeiro jogo da vida do Neymar e terminou muito mal para ele.

No Barcelona (2013-2017) os títulos importantes abundaram: uma Copa do Mundo de clubes, uma Liga dos Campeões da Uefa, dois campeonatos espanhois, etc. Mas, Neymar ficou sempre à sombra do craque do time, Messi, disparado o melhor futebolista deste século (o confronto com Cristiano Ronaldo não passa de um gancho promocional, pois o argentino é um gênio completo e o português, nada além de um hábil finalizador).

Mas, Neymar teve dois grandes momentos como protagonista: em 2016, foi o principal destaque do futebol brasileiro nas Olimpíadas (medalha de ouro); e em 2017, arrasou na vitória do Barcelona sobre o PSG por 6x1 na Liga dos Campeões da Uefa, carregando a equipe catalã nas costas e evitando que fosse eliminada já nas oitavas de final (não adiantou: cairia nas quartas).
O parto do garoto-propaganda do Qatar

Isto deve tê-lo animado a tomar a decisão mais temerária da sua carreira: trocar o Barça pelo próprio PSG, que coleciona campeonatos franceses mas nunca obteve o título europeu.

O tradicional Paris Saint Germain pertence atualmente a um fundo de investimentos controlado pelo Qatar, tendo, portanto, Neymar se tornado a peça-chave de um ambicioso projeto de estreitamento dos laços entre o país árabe, grande produtor de gás, e o mundo.

Foi o sonho de conquistar a Bola de Ouro de melhor jogador da temporada o principal motivo de Neymar ter aberto mão da confortável posição que tinha no Barcelona (dele só se cobrava que jogasse bola, enquanto as responsabilidades de líderes do time repousavam sobre os ombros calejados de Messi, Iniesta, Piquet e Suarez). 

As duas partidas contra o Real Madrid serão decisivas para a imagem de Neymar. Se o PSG obtiver a classificação para as quartas, ele continuará em alta para conquistar sua primeira Bola de ouro; caso contrário, só lhe restará a opção de chegar ao final de 2018 como um dos responsáveis pela conquista da Copa do Mundo da Rússia, um caminho comparativamente bem mais difícil. 

Do outro lado estará Cristiano Ronaldo, cujo desempenho recente alimenta dúvidas sobre uma possível decadência (afinal, já fez 33 anos e é um jogador que depende muito da explosão física). Perder o duelo para o time do jovem rival Neymar reforçará a impressão de que ele começou a descer a ladeira; então, o português também deve estar encarando o duelo com o PSG como uma prioridade absoluta. 
Sonho de Neymar é trocar os papéis. Conseguirá?
Minha opinião? É a de que serão duas partidas nervosas, dramáticas e imprevisíveis, marcando o início pra valer do ano futebolístico de 2018. 

Torcerei pelo PSG, porque quero ver o escrete brasileiro brilhar de novo, depois de seus papelões nos três últimos Mundiais da Fifa; e sei que, caso seja derrotado na sua prova de fogo, Neymar talvez não se recupere psicologicamente em tempo de fazer o que Tite dele espera e precisa nos gramados da Rússia.

Embora tenha pouquíssima simpatia por celebridades do esporte que ficam deslumbradas com prêmios e holofotes. Prefiro mil vezes a discrição de um Andrés Iniesta ou de um Xavi Hernández, com quem o Neymar poderia ter aprendido muita coisa durante seus tempos de Barcelona, se não estivesse tão fascinado com o próprio umbigo...

POST SCRIPTUM – O esperado duelo terminou de forma inconclusiva. Cristiano Ronaldo esteve apagado, desperdiçou boas chances e teve a sorte de o Lo Celso propiciar-lhe infantilmente um pênalti (que cobrou bem) e de o goleiro Areola bater roupa num cruzamento (com o rebote encontrando seu joelho). Gols achados também decidem partidas.

Neymar mostrou melhor futebol, claro, por ser melhor futebolista, com um repertório muito maior de jogadas. Mas esteve individualista e às vezes dispersivo, além de os companheiros desperdiçarem as oportunidades que criou. 

Os destaques da partida (vitória injusta do Real Madrid por 3x1) não foram os esperados, mas sim Marcelo e Asensio.

O PSG sofreu um duro golpe, pois fez por merecer pelo menos o empate. Mas, quem foi capaz de acuar o Real Madrid em pleno Santiago Bernabéu como ele acuou em vários momentos, não está morto. 

Tem time para reverter a situação em casa, dentro de duas semanas, se não perder a cabeça e souber aproveitar melhor a fluência do seu jogo. 

domingo, 20 de dezembro de 2015

A MÚSICA DO DIA EM YOKOHAMA: "DON'T CRY FOR ME ARGENTINA".

Foi mais um passeio do Barcelona. A conquista do Mundial de Clubes da Fifa, neste domingo (20) em Yokohama, não esteve ameaçada em momento algum. 3x0 foi pouco.

O River Plate caiu na besteira habitual de times que enfrentam o Barça: armou uma retranca brava e ficou rezando para que um lance salvador caísse do céu. 

O Barcelona, como sempre, buscou o jogo, pois quem procura tem muito mais chance de achar. Foi trocando bolas no ataque até encontrar uma brecha para seus cracaços fazerem a diferença.

Aconteceu aos 35' do 1º tempo. Daniel Alves levantou para Neymar disputar com um zagueiro, o brasileiro subiu muito e espanou a bola para Messi matá-la e dar um toque mágico, acrobático, fazendo-a a passar por um espaço mínimo entre os três defensores. Se ainda havia alguma dúvida sobre quem receberá a Bola de Ouro da Fifa, Messi a dissipou de vez.

O pobre River foi obrigado a correr o risco que tentava evitar. Voltou do intervalo com uma postura ofensiva e o melhor time do mundo não perdoou: logo aos 4' Busquets lançou Suárez em profundidade, este chegou na cara de Barovero e arrematou entre as pernas do goleiro argentino.

Daí até o final a equipe catalã fez o River de gato e sapato, desperdiçando uma meia-dúzia de gols, pois Neymar e Messi andaram algo dispersivos nos momentos agudos.

Suárez queria mais: aos 22' recebeu um passe perfeito de Neymar pelo alto e cabeceou colocado.

Vi muita coisa no futebol, mas nunca uma concentração tão exuberante de talentos ofensivos como a do tridente sul-americano do Barça, ainda mais tendo a apoiá-lo o extraordinário Andrés Iniesta.

Decidem mesmo quando estão não estão num dia dos mais inspirados. Suárez fez os dois gols que liquidaram o River, mas perdeu outros dois. Messi tirou coelho da cartola quando era mais necessário, depois vacilou em situações até melhores. Neymar às vezes foi fominha, mas compensou com as duas assistências que acabaram nas redes. 

A coisa anda tão desequilibrada que, mesmo impedido de reforçar-se nesta temporada por uma decisão esdrúxula da Fifa, o Barcelona termina 2015 como vencedor das três principais competições que disputou (o Mundial de Clubes, a Liga dos Campeões e o campeonato espanhol) e de duas menores (a Copa do Rei e a Supercopa da Uefa). Só ficou faltando a Supercopa da Espanha, na qual, voltando das férias, foi surpreendido pelo Athletic Bilbao.

O melhor de tudo é que o predomínio do Barça de 2005 para cá vem sendo o carro-chefe de um novo apogeu do futebol-arte, quando pensávamos estar condenados ao defensivismo, à truculência e excesso de faltas, às ligações diretas, aos chutões pra todo lado e aos gols resultantes de bolas paradas. 



Aliás, ultimamente se evidenciou bem, por aqui, a diferença entre o presente e o passado: o Corinthians conquistou o Campeonato Brasileiro com um futebol tão bonito quanto eficiente, superior em todos os quesitos, enquanto o Palmeiras foi buscar uma Copa do Brasil na bacia das almas dos pênaltis, aos trancos e barrancos, sem jamais convencer de que era mesmo a melhor equipe que sobrara (o Corinthians e o Atlético Mineiro, visivelmente, deram um jeito de ser eliminados depressa para se dedicarem apenas ao Brasileirão).

Há quem torça o nariz para as competições que premiam a constância e a qualidade, preferindo as emoções baratas dos mata-matas, que nivelam os competidores por baixo e dão chance para que equipes guerreiras em jornadas afortunadas surpreendam os melhores.

Mas, pelo visto nos últimos Mundiais de seleções e de clubes, não é por aí que voltaremos aos nossos anos de ouro, reconquistando a hegemonia perdida.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

OS IMPROVÁVEIS 'CHOCOLATES' DE BARCELONA E CORINTHIANS SOBRE SEUS GRANDES RIVAIS

Sou corinthiano desde criancinha e culé desde que o Barcelona atualizou o carrossel holandês, tornando-se o carro-chefe de um novo apogeu do futebol-arte. Então, o último fim de semana foi o melhor de toda a minha vida de torcedor: meus dois times simplesmente massacraram os maiores rivais.

Goleadas tão acachapantes em clássicos são muito raras, quase sempre resultando da conjugação da excelência de uma equipe com erros terríveis da outra.

O 4x0 do Barcelona sobre o Real Madrid, em pleno estádio Santiago Bernabeu, se deveu: 
  • à qualidade do jogo coletivo dos catalães, muito superiores aos merengues neste quesito;
  • a atuações brilhantes de Iniesta, Neymar, Suarez e Bravo, enquanto os craques adversários, principalmente Cristiano Ronaldo, estiveram muito mal; 
  • à imprevidência do técnico Rafael Benitez, que sacou do time o volante defensivo Casimiro pensando em aumentar o volume de jogo do ataque madrilenho, mas acabou apenas desguarnecendo sua retaguarda, exatamente como Felipão fez no malfadado 7x1 do último Mundial. 
Com os espaços de que necessitava para desfilar sua imensa categoria, Iniesta ditou o ritmo do ataque, ministrou uma aula de futebol inteligente, marcou um golaço e deu outro de bandeja para o Neymar fazer.


Se, tendo um Messi meia-boca (vinha de contusão e só entrou no 2º tempo, com evidente falta de ritmo), era improvável que o Barça, fora de casa, triturasse o Real, mais surpreendente ainda foi a impiedosa sova que o misto do Corinthians, em casa, aplicou no pobre São Paulo: 6x1!

Para a partida em que festejaria a conquista do título, Tite escalou oito jogadores que não vinham atuando, embora três (Fagner, Uendel e Bruno Henrique) fossem titulares antes de se contundirem. Temia-se que o São Paulo, precisando da vitória para melhorar suas chances de chegar à Libertadores, botasse água no chopp, carimbando a faixa dos campeões. 

Mas, a defesa tricolor mostrou vulnerabilidade extrema ao jogo aéreo, permitindo que o Corinthians praticamente liquidasse a fatura no 1º tempo. Três cabeçadas de dentro da área terminaram em gols, outra obrigou o goleiro Denis a esticar-se todo para salvar. E foi simplesmente ultrajante a vantagem que Romero levou sobre o confuso Lucão, um Zé Grandão Bobo que nem sequer saltou para atrapalhar o atacante baixinho.

No segundo tempo, uma linha de passe alvinegra terminou em golaço de Lucca, depois de Bruno Henrique girar sobre um zagueiro ingênuo e o veterano Danilo dar um milimétrico passe de calcanhar. Finalmente, o esforçado paraguaio Romero teve sua jornada de Cinderela, abrindo caminho para mais dois gols.

No apagar das luzes, o árbitro arrumou um pênalti de consolação para o São Paulo, mas o gigante Cássio confirmou sua escrita de algoz dos cobradores, repetindo com Alan Kardec o que já fizera duas vezes com o Rogério Ceni.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

INESQUECÍVEL: HÁ 10 ANOS, A TORCIDA DO REAL MADRID APLAUDIU EM PÉ UM BRASILEIRO DO BARÇA.

Faz exatos 10 anos que um jogador do Barcelona, tendo marcado dois golaços no estádio Santiago Barnabeu, foi aplaudido em pé pela própria torcida do Real Madrid, capaz de reverenciar o talento independentemente da camisa. O autor da proeza: Ronaldinho Gaúcho. 

A partida estava 1x0 para o Barça (gol de Eto'o no 1º tempo) quando, aos 14' do 2º, Ronaldinho recebeu um lançamento longo ainda no seu campo e partiu em alta velocidade: livrou-se facilmente de um zagueiro, entrou na área, puxou a bola para o lado deixando estático outro defensor e concluiu sem chance para Casilas.

Repetiu a dose aos 33', com a diferença de ter recebido na intermediária e superado apenas um adversário. O tento --que fechou a goleada de 3x0-- foi bonito, mas ficou um tanto ofuscado pelo brilho fulgurante do anterior. 

Atuaram, além dos já citados, Sergio Ramos, Roberto Carlos, Júlio Baptista, Beckham, Zidane, Raúl, Guti, Robinho e Ronaldo Fenômeno no time merengue; e Edmílson, Puyol, Xavi, Deco, Messi e Iniesta pela esquadra catalã.

sábado, 6 de junho de 2015

5ª CHAMPIONS DO BARÇA, 5ª BOLA DE OURO DO MESSI.

Foi de arrepiar a festa catalã em Berlim, com direito a despedida épica do lendário Xavi Hernandez, choro do também lendário Andrea Pirlo, defesaças do Gianluigi Buffon, consagração definitiva do Suarez e do Neymar, etc. Quem assistiu, um dia vai contar aos netinhos: "Meninos, eu vi!".

Mas, o jogador decisivo na vitória (3x1) do Barcelona sobre a Juventus e consequente conquista da Champions foi, como sempre, o genial Messi, que desde já pode ir abrindo espaço na sua prateleira para a quinta Bola de Ouro. Não tem pra mais ninguém, depois de tudo que ele fez neste semestre.

A fortíssima marcação italiana impediu que marcasse pinturas de gols como contra o Bayern de Munique, mas Messi não vale só pelas conclusões. É, também, o maestro do ataque catalão, o homem das assistências decisivas e o ponto de desequilíbrio quando as partidas são encardidas como a de hoje.

Logo aos 4 minutos ele já vislumbrou o mapa da mina. Virou o jogo com um passe longo, colocando os craques Neymar e Iniesta no mano a mano com os pobres defensores da vecchia signora. Uma covardia: a triangulação só poderia mesmo terminar em gol (de Rakitic), fácil, fácil.

Depois, aos 23' do 2º tempo, quando a Juve mais ameaçava, Messi arrancou no contra-ataque, conduziu a bola do meio de campo até a risca da área e desferiu um canudo que queimou a mão do grande Buffon. Suarez aproveitou o rebote: 2x1. Fácil, fácil.

Neymar, em grande jornada, recebeu dos deuses dos estádios o prêmio de conseguir também deixar o seu, no apagar das luzes, quando o árbitro turco já se preparava para soar o apito final. Não houve tempo nem para a nova saída.

O Barcelona da rotação constante e do toque de bola paciente/envolvente, que impôs ao futebol mundial um domínio avassalador entre 2008 e 2012, já era tido como superado, mas renasceu das cinzas ao acrescentar às suas virtudes anteriores um trio ofensivo simplesmente infernal, capaz de abrir espaços nas defesas mais cerradas e de contra-atacar em velocidade vertiginosa. De quebra, corrigiu tradicionais debilidades, como o bate-cabeça dos zagueiros no jogo aéreo. 

O triunfo foi merecidíssimo. E provou que o futebol-arte continua firme e forte --aliás, na campanha da tríplice coroa (*), Messi andou fazendo alguns daqueles gols que todos pensávamos nunca mais ver depois que o Pelé pendurou as chuteiras.

* conquista, numa mesma temporada, dos títulos da Liga dos Campeões da Europa, do campeonato espanhol e da Copa do Rei.

domingo, 10 de julho de 2011

A ESCOLHA DE NEYMAR

Muricy Ramalho aconselha Neymar a escolher o Barcelona como seu novo clube. Eu também.

Por ter um time montado e vitorioso, o Barça poderá se dar ao luxo de conceder ao atacante brasileiro todo o tempo de que precisa para ambientar-se no futebol europeu, antes de cobrar-lhe atuações à altura da fortuna nele investida.

Já o Real Madrid vem de uma péssima temporada 2010/11: ganhou a Copa do Rei, mas foi superado pelo maior rival no Campeonato Espanhol e na Liga dos Campeões, as duas principais competições que disputou.

A pressão será grande sobre Neymar. O Real quer um craque que faça a diferença, a exemplo de Messi no Barcelona. Então, desde o início a mídia criará um clima de confronto entre os dois supercraques -- com a vantagem do que já se afirmou sendo imensa em relação ao que ainda busca afirmação.

É responsabilidade demais para um jovem de 19 anos, que várias vezes mostrou ser emocionalmente instável -- agora, p. ex., as dúvidas sobre seu futuro estão encruando seu futebol na Copa América a tal ponto que nem a camisa de titular ele está fazendo por merecer.

E há um motivo maior ainda para Neymar recusar a proposta merengue, mesmo que a do Barça seja inferior em termos financeiros: o intragável José Mourinho.

Trata-se de um treinador defensivista, que engessa o time com uma rigidez tática absoluta.

Se Neymar não entendeu-se com o afável Dorival Jr., é praticamente inimaginável uma boa convivência com Mourinho -- salvo se abrir mão da criatividade, sua melhor característica, para jogar como um dos robôs do português que tem alma de alemão.

Já com  Pep Guardiola a conversa vai ser bem diferente. Desde que não abuse do individualismo, Neymar terá todo incentivo para exercitar seu talento. É um técnico que prazerosamente se coloca em segundo plano, cedendo o palco para os artistas da bola -- ao contrário de Mourinho, que faz questão de ser ele e mais ninguém a estrela do time...

Torçamos para que Neymar faça a escolha correta -- e nos dê o privilégio de vê-lo jogando ao lado de Messi num ataque de sonhos.

domingo, 29 de maio de 2011

O FUTEBOL-ARTE VIVE

Foi de lavar a alma a confirmação do Barcelona como o melhor time da Europa  en 2011 e, implicitamente, como o grande esquadrão do futebol mundial neste início do século 21.

Por um regulamento insólito, o Barça teve de decidir a Copa dos Campeões em território inimigo: o estádio da Finalíssima é antecipadamente definido, pouco importando quem dela venha a participar.

Mas, foi como se jogasse no Camp Neu: comandou a partida, teve mais posse de bola, o quadrúplo de arremates a gol, foi sempre o time mais perigoso, pintou e bordou.

Os 1x3 saíram baratos para o Manchester United -- cujo gol, aliás, foi antecedido por um impedimento ignorado pela arbitragem.

Já não há dúvida nenhuma de que o Barça é o melhor time do futebol mundial desde o Santos da  era Pelé.

Com a diferença de que, naquele tempo, a maioria jogava futebol-arte. Tanto que acontecia de o Santos enfiar 7x3 no Palmeiras no 1º turno do Campeonato Paulista (de 1959) e receber um 1x5 de troco no returno.

Ou, numa tarde de 1964, o Corinthians, na preliminar, conquistar o campeonato de aspirantes arrasando o Santos por 6x3 (na última partida de Rivelino antes de ascender ao time principal); e, no jogo de fundo, sofrer um 4x7 que deu o título ao Santos com uma rodada de antecedência. 

Vinte tentos em duas partidas decisivas! Inimaginável nos dias de hoje...  

Agora a tônica é dada pelos esquemas covardes do futebol-força, com a prioridade de evitar gols sempre prevalecendo sobre a de marcar gols.

O Barça está sendo o único a procurar a vitória o tempo todo, contra todos os adversários. Representa a  antítese da feiúra e calculismo, justificados como  competitividade. Prova que se pode dar espetáculo sem prejudicar as chances de vitória, muito pelo contrário.

Desenvolveu uma filosofia de jogo baseada: 
  •  numa defesa flutuante, que não se fixa toda lá atrás e tenta sempre roubar a bola dos adversários para iniciar um contra-ataque fulminante;
  • numa valorização extrema da posse de bola, por meio de uma habilidade igualmente extrema de trocar passes curtos sem ser desarmado, até que surge uma oportunidade de lançamento certeiro para colocar o atacante na cara do gol; e
  • das jogadas desconcertantes de Messi, capaz de demolir qualquer esquema defensivo com sua genialidade, como fez na primeira semifinal contra o Real Madrid (o jogo terminava, os jogadores do Barça iam administrando a vitória por 1x0, então o craque não tinha ninguém para ajudar quando recebeu a bola no ataque, mas enfiou-se pelo meio de cinco adversários e marcou um golaço, deixando estupefatos os merengues).
A única restrição que se pode fazer à equipe catalã é a de haver tornado o futebol previsível demais; foi o que um jornalista espanhol escreveu. A vitória virou regra e as derrotas, cada vez mais raras exceções (uma com a força máxima e outra poupando titulares, nos 38 jogos do último Campeonato Espanhol, conquistado pelo Barça com um aproveitamento de 84% dos pontos disputados).

Isto também faz lembrar o grande Santos de meio século atrás. Já não assistíamos às partidas para saber quem iria ganhar, mas sim para nos deliciarmos com o show de Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Assim como neste sábado a superioridade do Barça foi tão grande que nunca pareceu haver a mínima chance de vitória do Manchester United. O atrativo real eram as jogadas magníficas  dos virtuoses da bola, que não decepcionaram os fãs: seus três gols foram belíssimos, assim como alguns perdidos também o seriam.

O futebol-arte vive. Infelizmente, só do outro lado do oceano.

Enquanto isto, temos por aqui técnicos como Muricy Ramalho, que transformam times goleadores em equipes com excelência defensiva e ataques esparsos, para os quais 1x0 é lucro.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A CATALUNHA LIBERTÁRIA E O GÊNIO DO FUTEBOL

Eleito o melhor futebolista do mundo nas duas últimas temporadas, o argentino Lionel Messi continua deslumbrando o planeta bola.

Neste sábado, ele simplesmente marcou todos os gols da vitória do Barcelona sobre o Atlético de Madri por 3x0, com a qual o time catalão estabeleceu novo recorde de triunfos consecutivos de um clube no Campeonato Espanhol: 16, uma enormidade!

De quebra, tornou-se o artilheiro da competição, com 24 gols em 22 partidas.

A exuberância esportiva de Messi tem tudo a ver com Barcelona, o clube e a cidade.

Ele já mostrava enorme talento para o futebol quando, aos 11 anos, teve diagnosticado um problema hormonal que lhe retardava o desenvolvimento ósseo e, consequentemente, seu crescimento.

Durante um ano e meio, o tratamento, de US$ 900 mensais (injeções alternadas em cada perna, toda noite), foi custeado pela fundação na qual seu pai trabalhava.

Então, tal apoio cessou e também o Newell's Old Boys, em cujas divisões inferiores Messi atuava, não quis bancar a despesa. Tampouco o River Plate, que estava interessado nele -- mas não tanto.

Em desespero de causa, a família mandou-o para Lerida, na Catalunha, aos cuidados de uma parente que morava lá. E um olheiro do Barcelona entusiasmou-se tanto que convenceu o clube a investir no garoto, embora fosse uma aposta cara.

Assim, dos 1m40 que Messi tinha aos 13 anos, avançou para aceitáveis 1m70 no espaço de 30 meses.

Com o apoio, a estrutura e o carinho de/do Barcelona, ele se afirmou como um dos maiores craques de todos os tempos. E nem lhe passa pela cabeça trocar tudo isso por um punhado de euros.

Suas atuações na Seleção Argentina demonstram o quanto ele precisa sentir-se bem, para jogar seu magnífico futebol. Num ambiente mais competitivo e menos acolhedor, Messi não tem conseguido igualar as performances notáveis que ajudaram decisivamente o Barcelona a conquistar a hegemonia do futebol europeu e mundial.

A este respeito, vale lembrar aqui alguns trechos de um belíssimo artigo do nosso Sócrates, tão bom no teclado quanto nos gramados. Ele discorreu com alma de poeta sobre O craque e Barcelona:
"O catalão é um povo sofrido que até hoje busca a plena independência. Barcelona, sua capital, é motivo de orgulho. Estando na costa do Mediterrâneo, soube crescer de forma ordenada a partir de um plano piloto concebido em meados do século XIX, cujo objetivo era aproximar as aldeias ao redor a partir da derrubada das barreiras medievais que ali existiam. Imaginação, criatividade, talento e loucura são alguns dos adjetivos que poderiam muito bem definir aquele que é um símbolo da cidade, o arquiteto Antonio Gaudí...

"Por falar em imaginação e criatividade, aqui estão a alma e a essência do que deve ser o bom futebol. E estes são atributos que não faltam ao jovem Messi, que vem sendo nesta temporada a própria expressão do que chamamos 'beleza e alegria' desse esporte. São qualidades extremamente valorizadas pelo povo catalão, que não mede esforços para demonstrar o quanto se sente feliz em ter entre sua gente talentos como o do argentino. E sempre foi assim. Muitos dos últimos agraciados como melhores do mundo vestiam a malha do Barcelona quando da escolha. Inclusive Romário, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho. (...) E é essa energia contagiante do catalão que permite que gênios como esses citados possam exprimir totalmente a sua arte em uma região onde também nasceu ou cresceu a genialidade de Picasso, Joan Miró e muitos mais.

"...o dia nacional [da Catalunha] celebrado em 11 de setembro é para lembrar mais uma derrota e onde a festa e a dança (La Sardanha) são intimistas ao extremo, contrastando com a euforia e a felicidade de outros povos e culturas. Uma história de dor, perdas e frustrações que, em vez de transformar o catalão em derrotista e cabisbaixo, o tornou mais forte e altaneiro.

"No estádio, per supuesto, o que mais vemos é a exaltação à arte dos mais qualificados. É o assombro coletivo empurrando o talento ladeira abaixo na velocidade necessária para que ele desabroche em toda a sua plenitude, para delírio da massa sedenta por essa beleza que o futebol nos oferece quando livre das amarras impostas por mentes menos arrojadas e reacionárias. É o êxtase da liberdade e da criatividade. É o sorriso da ingenuidade de quem só quer acompanhar o desfilar da arte em sua mais profunda interpretação. São manifestações incontroláveis que denotam a total expressividade da emoção que toma conta de todos que entrelaçam as mãos em torno do clube do coração – que, mais que um time ou equipe, representa um povo e sua saga histórica.

"...[e, sobre o Barcelona não vender espaços na sua camisa, mas, pelo contrário, pagar para nela estampar o símbolo da Unicef] Um gigantesco exemplo de como é possível viver em um mundo essencialmente comercial, mantendo preservada a sensibilidade humana. Sensibilidade essa que transparece na fronte e nos pés habilidosos de jogadores como Messi..."

sábado, 10 de abril de 2010

SÓCRATES: BOM DE BOLA, DE BISTURI E DE TECLADO

Certa vez perguntaram a George Foreman se Muhammad Ali tinha sido mesmo o maior boxeador de todos os tempos.

Big George
deu uma resposta antológica: "Ele foi, certamente, o melhor cidadão que já lutou boxe".

Pois é muito difícil, dada a diferença de estilos e épocas, fazer uma comparação rigorosa entre gigantes como Muhammad Ali e Joe Louis, p. ex.

Mas, não houve pugilista nenhum capaz de abrir mão de um título cobiçadíssimo e de muitos milhões de dólares em razão de suas convicções. E foi isto que Muhammad Ali fez, ao recusar-se a servir como relações-públicas de uma guerra injusta.

Ao convocarem-no para servir no Vietnã, os militares jamais cogitaram a hipótese de expô-lo ao fogo inimigo. A morte de um ídolo do esporte teria efeito moral catastrófico.

Fizeram chegar ao seu conhecimento que precisavam dele apenas para ações de propaganda -- como as do comediante Bob Hope, que deu espetáculos para animar as tropas estadunidenses na II Guerra Mundial e também nas da Coréia, Vietnã e Golfo.

Ali não aceitou o papel infame de incentivar homens a morrerem por vagos objetivos geopolíticos dos dirigentes de seu país. Disse que os guerrilheiros vietnamitas jamais o haviam tratado com desprezo por ser negro ("No vietcong ever called me nigger").

O doutor Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira é da mesmíssima estirpe.

Sabe-se lá se foi melhor futebolista do que Cruyff, Platini, Zico, Falcão e outros gênios de sua geração. E, claro, não chegou ao patamar de um Puskas, de um Pelé, de um Garrincha, de um Maradona.

Mas, não há dúvida de que foi o melhor cidadão que já jogou futebol.

Era a alma da democracia corinthiana, uma iniciativa sem precedentes num esporte dominado, de forma canhestra e autoritária, pelos vis cartolas.

No Corinthians, o grupo de jogadores tinha opinião e peso preponderantes.

Decidiu, p. ex., que as concentrações antes dos jogos eram desnecessárias; ao mesmo tempo, os atletas zelavam para que nenhum deles desmerecesse o voto de confiança recebido, excedendo-se em suas noitadas.

E Sócrates também admitiu dispensar uma fortuna em nome de seus ideais, ao comprometer-se solenemente, com um milhão de manifestantes pelas diretas-já no Anhangabaú (SP), a recusar a oferta estratosférica da Fiorentina se a emenda Dante de Oliveira fosse aprovada.

Preferia dar sua contribuição pessoal à redemocratização do Brasil do que jogar a peso de ouro na Itália.

[Mas, os parlamentares brasileiros, em sua maioria, não mostraram idêntico desprendimento. Preferiram negar a democracia ao povo e, depois, receberem as recompensas de praxe, quando elegeram Tancredo Neves pela via indireta.]

Para completar, Sócrates é também o cidadão mais intelectualizado e articulado que já jogou futebol.

É o que se constata, p. ex., nesta sua belíssima coluna para a CartaCapital: O craque e Barcelona.

Nem mesmo os jornalistas do metiê (com exceção do recem-falecido e já saudoso Armando Nogueira) seriam capazes de relacionar com tamanha perfeição os fatores sociais, políticos, culturais, urbanísticos e esportivos que fazem de Barcelona a cidade ideal para propiciar a afirmação de futebolistas estrangeiros, catapultando vários deles a melhores do mundo na temporada.

Como articulista e cronista, tiro o chapéu para Sócrates: a ele confiro, com prazer, o tratamento de colega.

Eis os trechos mais marcantes de O craque e Barcelona:
"...melhor jogador do planeta. O ainda garoto Lionel Messi está fazendo uma temporada de 'sonho'... Algo que já ocorreu mais de uma vez desde que esse título foi instituído. Não à toa. O catalão é um povo sofrido que até hoje busca a plena independência. Barcelona, sua capital, é motivo de orgulho. Estando na costa do Mediterrâneo, soube crescer de forma ordenada a partir de um plano piloto concebido em meados do século XIX, cujo objetivo era aproximar as aldeias ao redor a partir da derrubada das barreiras medievais que ali existiam. Imaginação, criatividade, talento e loucura são alguns dos adjetivos que poderiam muito bem definir aquele que é um símbolo da cidade, o arquiteto Antonio Gaudí...

"Por falar em imaginação e criatividade, aqui estão a alma e a essência do que deve ser o bom futebol. E estes são atributos que não faltam ao jovem Messi, que vem sendo nesta temporada a própria expressão do que chamamos 'beleza e alegria' desse esporte. São qualidades extremamente valorizadas pelo povo catalão, que não mede esforços para demonstrar o quanto se sente feliz em ter entre sua gente talentos como o do argentino. E sempre foi assim. Muitos dos últimos agraciados como melhores do mundo vestiam a malha do Barcelona quando da escolha. Inclusive Romário, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho. (...) E é essa energia contagiante do catalão que permite que gênios como esses citados possam exprimir totalmente a sua arte em uma região onde também nasceu ou cresceu a genialidade de Picasso, Joan Miró e muitos mais.

"...o dia nacional [da Catalunha] celebrado em 11 de setembro é para lembrar mais uma derrota e onde a festa e a dança (La Sardanha) são intimistas ao extremo, contrastando com a euforia e a felicidade de outros povos e culturas. Uma história de dor, perdas e frustrações que, em vez de transformar o catalão em derrotista e cabisbaixo, o tornou mais forte e altaneiro.

"No estádio, per supuesto, o que mais vemos é a exaltação à arte dos mais qualificados. É o assombro coletivo empurrando o talento ladeira abaixo na velocidade necessária para que ele desabroche em toda a sua plenitude, para delírio da massa sedenta por essa beleza que o futebol nos oferece quando livre das amarras impostas por mentes menos arrojadas e reacionárias. É o êxtase da liberdade e da criatividade. É o sorriso da ingenuidade de quem só quer acompanhar o desfilar da arte em sua mais profunda interpretação. São manifestações incontroláveis que denotam a total expressividade da emoção que toma conta de todos que entrelaçam as mãos em torno do clube do coração – que, mais que um time ou equipe, representa um povo e sua saga histórica.

"...[e, sobre o Barcelona não vender espaços na sua camisa, mas nela estampar o símbolo da Unicef] Um gigantesco exemplo de como é possível viver em um mundo essencialmente comercial, mantendo preservada a sensibilidade humana. Sensibilidade essa que transparece na fronte e nos pés habilidosos de jogadores como Messi..."
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