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domingo, 19 de outubro de 2025

PROTAGONISMO TÓXICO DOS BOLSONARO VAI PARA A LATA DE LIXO DA HISTÓRIA: THE GAME IS OVER.

"
A reunião de Mauro Vieira com Marco Rubio esta semana, sem que o nome do clã golpista sequer fosse citado, teve um caráter simbólico: pode ter sido a última pá de cal na tentativa dos Bolsonaro de um dia voltar ao poder no Brasil, com a ajuda dos Estados Unidos. Melhor assim: a nação agradece.

"Se só Trump poderia salvar o ex-presidente condenado, como disse outro dia Valdemar Costa Neto, o dono do PL, então agora não há mais nenhuma esperança, chegou o fim da linha, acabou, the game is over. O ar até já ficou mais respirável.

"Foram quase sete anos de protagonismo tóxico, desde a posse do capitão Jair em 2019, que abalaram a democracia brasileira e quase nos levaram a uma nova ditadura, mas agora chegou a vez de fechar as cortinas e tirar essa gente do noticiário político para voltarmos à normalidade institucional..." (Ricardo Kotscho, no artigo Fim da linha para os Bolsonaro. E vida que segue)
N
a mesma linha do meu post 
de sexta-feira passada (17/10), o artigo dominical do grande Kotscho, cujo início reproduzo acima, celebra a derrocada definitiva do bolsonarismo, uma das páginas mais hediondas da história brasileira.

Faço, contudo, uma ressalva: o jogo só terá realmente terminado quando Jair Bolsonaro estiver cumprindo a única sentença possível para quem, ao sabotar a vacinação contra a covid, causou a morte de centenas de milhares de brasileiros. 

A tentativa de autogolpe de 08/01/2025 é motivo suficiente para Bolsonaro ser condenado a uma pena máxima (30 anos), mas a contribuição que ele deu para aumentar enormemente o total de óbitos foi um crime muito pior, que, infelizmente, pelas leis brasileira só poderá ser punido com outra sentença de 30 anos. 

Justiça mesmo só se faria com sua execução. É um dos raríssimos casos em que eu aprovaria a pena de morte.  (Celso Lungaretti)

domingo, 27 de abril de 2025

O GROTESCO EM BOLSONARO NÃO É UM ACIDENTE, É DOUTRINA. DAÍ ELE EXIBIR TANTO SUA PUTREFAÇÃO FÍSICA E MORAL.

O grotesco é o afeto que organiza o gozo fascista. 
E não qualquer gozo. Um gozo invertido, um prazer na destruição simbólica do outro. 

A cada imagem que escancara corpos abjetos, seja o da travesti espancada, do indígena invisibilizado, do pobre ridicularizado, a base se nutre. Ri, compartilha, venera. 

A gargalhada aqui é arma. Ela transforma a dor do outro em motivo de pertencimento. 

Como na cena em que Bolsonaro imita uma pessoa morrendo com falta de ar durante a pandemia, zombando do desespero de milhares que agonizavam sem oxigênio nos hospitais. 

Ou quando ri abertamente da morte de Rubens Paiva, desaparecido na ditadura.  

Ou ainda quando despreza e desumaniza a memória de Bruno Pereira e Dom Phillips, assassinados na Amazônia, insinuando que "isso acontece com quem vai por ali".

Em cada um desses episódios, a dor do outro é convertida em espetáculo. A agonia vira punchline. O luto se torna palanque. 

E é nesse teatro do escárnio que a base se reconhece, se reafirma, se alinha. Porque o grotesco aqui não é acidente. É doutrina. (trecho do artigo O mártir apodrece, o algoritmo alimenta: a guerra afetiva do grotesco de Bolsonaro, de Reynaldo José Aragon Gonçalves, cuja íntegra pode ser acessada no Brasil247) 
.
Observação -- esta constatação da afinidade do fascismo com as baixarias mais repulsivas e degradantes já não aparece na imprensa e nas redes sociais com a frequência de outrora, daí eu ter decidido publicar o trecho que considerei mais significativo no texto do Reynaldo Gonçalves, ao mesmo tempo que recomendo a todos que leiam o artigo na íntegra.

Vale acrescentar que o filme mais maldito do Pier Paolo Pasolini, Saló ou os 120 dias de Sodoma (1976), bate exatamente nesta tecla. Só que hoje é muito difícil de encontrar, inclusive no streaming. E exige de quem o assiste um estômago pra lá de forte. (CL)

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

OS FASCISTAS AVANÇAM, MAS ELES TÊM PÉS DE BARRO – 2

(continuação deste post)
É
 inevitável o paralelo da frase de Sartre com um presidente que:
— imita de modo jocoso e insensível os estertores de um moribundo com os pulmões comprometidos pelo vírus da covid;
— recusa-se a se vacinar; e 
— demorou a aceitar (só o fazendo depois de muita protelação e sob fortes pressões) o imperativo de comprar  vacinas que o mundo inteiro disputava desesperadamente junto aos fornecedores? 

Somos os campeões mundiais de mortes na pandemia em números relativos e terceiros colocados em números absolutos (ficamos atrás apenas dos Estados Unidos e Índia, bem mais populosos que nós) e podemos afirmar sem facciosismo que pelo menos 250 mil mortes ficarão historicamente sob a responsabilidade de Boçalnaro, o ignaro.

O mais grave é que, no país da pretendida cordialidade, o caricato general Eduardo Pazuello se tornou campeão de votos no Rio de Janeiro. O fascismo está vivo por aqui.

Na Câmara Federal, o Partido Liberal de propriedade do senhor Valdemar Costa Neto, um dos condenados do  mensalão e cujo modus operandi na política  se limita a ser sempre governo e somente mudar quando o barco faz montou uma grande base parlamentar que, aliada ao pessoal do orçamento secreto do centrão, dará as cartas no absolutismo parlamentar fascistóide.

Se Lula ganhar (o que é mais provável) terá graves dificuldades de governar, seja em razão da crise internacional do capitalismo e do comprometimento fiscal assumido pelo desgoverno do Boçalnaro (que abriu as burras do erário para a compra oficial de votos), seja, principalmente, por sua anunciada decisão de governar com os mecanismos de mercado e com o apoio e conciliação de classe com os donos do PIB brasileiro e mundial.

Mas, a seu favor, mais do que nunca, há uma convergência da
intelligentsia brasileira, dos segmentos capitalistas mais conscienciosos e das esferas superiores do Poder Judiciário, no sentido de evitar a vitória eleitoral e futura volta de um governo autocrático que destrua os ganhos civilizatórios de vez, daí estarem apostando suas fichas no Lula contra um mal maior.

Tal projeto não será suficiente para conter um previsível levante social fruto de uma forte insatisfação popular majoritária, até porque contra Lula há uma elite política e empresarial que tem força econômica para mexer seus pauzinhos e manipular a clara divisão de classe hoje existente em seu favor com a adesão de eleitores menos avisados ou por constrangimento patronal.

Lula já necessitará de grandes esforços nesta reta final para sair vencedor; e. mais ainda, vai precisar de apoio popular e visão emancipatória para promover qualquer (necessária!) transformação social.

A vitória parlamentar dos fascistas já consolidada vai propor a ampliação das vagas no STF de modo a que um futuro governante ultradireitista da estirpe do Boçalnaro possa indicar magistrados com ela comprometidos e ajudar a passar a boiada.

É o método que tem sido usado mundo afora, e que está na pauta das intenções dos fascistas brasileiros, como já se ouve da boca de novos senadores eleitos (inclusive do atual vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, recém-eleito senador).

Os fascistas autocratas da nova realidade mundial efervescente, tal como Hitler e Mussolini, estão sendo eleitos pelo voto conservador e vão assenhoreando-se aos poucos dos poderes institucionais, como um polvo gigantesco que lentamente cerca e imobiliza as suas presas.

Mas, se por um lado a ameaça fascista avança, por outro lado eles têm os pés de barro.

Como capitalistas nacionalistas que são, uma vez nos governos, apelam para a força bruta militarista como forma de conter a insatisfação popular.

Mas o ser humano tem natural e resistente repulsa ao arbítrio e vai lutar, principalmente no atual estágio das comunicações e experimentos já vividos pela humanidade, como também por conservar vivo na memória do que houve no Brasil durante os 21 anos de uma ditadura militar que saiu do governo pela porta dos fundos negociando uma lei de anistia recíproca para ficar impune aos crimes cometidos.

A realidade social mundial e brasileira está a reclamar um novo contrato social, com três pressupostos de base básicos:
— produção social voltada para a satisfação das necessidades humanas, com a abolição dos critérios da produção de mercadorias e mercado, o que significaria a abolição da forma-valor e de todas as categorias que lhe são imanentes;
— sensibilidade humanista que valorize os ganhos civilizatórios de respeito aos seres humanos, com solidariedade e preservação da vida humana e ecológica;
— cânones jurídicos expressos numa constituição e direito ordinário dela derivado que represente a realização do ideal de justiça social, possessória e comportamental do indivíduo.

Os fascistas não passarão! (por Dalton Rosado)

terça-feira, 29 de março de 2022

O BOZO DIZ SER O BEM EM LUTA CONTRA O MAL. MAS, POR QUE FEDE A ENXOFRE?

eliane cantanhêde
MILTON RIBEIRO CAI, MAS
FOI ELE QUEM PÔS OS DOIS PASTORES NO MEC E ENGENDROU O ESQUEMA?
O presidente Jair Bolsonaro definiu as eleições de 2022 como luta entre o bem e o mal, mas foi um tiro pela culatra, porque deixou uma dúvida estimulada pelas próprias imagens do milésimo lançamento de sua candidatura à Presidência ao arrepio da lei eleitoral: o que é o bem e o que é o mal, quem é santo e quem é demônio?

A aliança do ex-presidente Lula com o ex-tucano Geraldo Alckmin é o quê? 

E o palanque de Bolsonaro com o general Augusto Heleno ao lado do ex-presidente Fernando Collor, que sofreu impeachment por corrupção, e do mandachuva do PL, Valdemar Costa Neto, preso no mensalão do PT?

Se o Lollapalooza é do mal e merece multa por campanha antecipada pela estridência do Fora Bolsonaro, estranha o ministro do TSE Raul Araújo achar que outdoors de campanha do presidente são do bem, bacanas. 

E as motos, jet skis, cavalos e palanques de Bolsonaro são o quê? Carnaval eleitoral fora de época pode?

Enquanto Bolsonaro falava no seu Lollapalooza particular sobre o quanto lhe embrulha o estômago ter de cumprir a Constituição, as entranhas do governo se contorciam para jogar a culpa toda do novo escândalo no ministro-pastor Milton Ribeiro. 
Ele perdeu apoio do Executivo, do Legislativo e da Frente Parlamentar Evangélica (ou bancada da Bíblia), terminando por pedir demissão nesta 2ª feira, 28.

Mas, afinal, foi mesmo Ribeiro quem decidiu pôr os pastores Gilmar e Arilton no MEC e na jogada? Engendrou cobranças de R$ 15 mil, R$ 40 mil, um quilo de ouro, mil bíblias ou grana para campanhas políticas para liberar verbas para as prefeituras? E abriu as asas da FAB para eles? Ou ele acatou as ordens de cima e lavou as mãos?

Estava óbvio que Bolsonaro iria demitir, ôps!, acatar o pedido de demissão do ministro, depois de dizer em live que botava a cara no fogo por ele. 

Quando eu anunciei que ele tinha decidido demitir Vélez Rodriguez, o presidente me chamou de mentirosa pelo Twitter. Doze dias depois, o primeiro ministro da Educação caiu.  

Agora é saber se o problema acabou, ou se Ribeiro vai matar no peito; se mais e mais histórias vão surgir e o quanto elas desabam no Planalto e no gabinete presidencial.

Bolsonaro é craque em sair de fininho do gabinete do ódio e das fake news, do gabinete paralelo da cloroquina, do gabinete secreto dos bilhões do Orçamento. Vai sair também desta vez? 

O mal está com o pastor Ribeiro e o bem com o chefe dele? Alias, o mal está com o general Silva e Luna e o bem com Bolsonaro? (por Eliane Cantanhêde, n'O Estado de S. Paulo)

terça-feira, 16 de novembro de 2021

E PENSAR QUE 39% DOS ELEITORES FORAM FEITOS DE OTÁRIOS POR UM RATO DO ESGOTO DA VELHA POLÍTICA!

josias de souza
EXCESSO DE PERVERSÃO DIFICULTA FILIAÇÃO
DE BOLSONARO A UM PARTIDO POLÍTICO
Na convenção do PSL em 2008 o general Augusto Heleno acertou na mosca,
mas esqueceu um pequeno detalhe: o Bozo seria o primeiro a sair correndo!
N
enhum outro país do mundo oferece aos políticos tantas opções partidárias como as que existem no Brasil. Basta o sujeito decidir se é meia esquerda, um quarto de esquerda, direita responsável ou direita bolsonarista e sempre haverá um partido à disposição. 

Mas Bolsonaro, com 33 legendas à disposição, comanda o país há mais de dois anos como um presidente sem partido. Isto acontece não por falta de opção, mas por excesso de perversão. 

Bolsonaro não deseja apenas se filiar. Ele quer se apropriar de um partido. E as legendas à disposição já têm donos. 

O capitão já passou por nove partidos. Excetuando-se o PSL, seu penúltimo abrigo, foi tratado com desdém em todos os outros. Agora, quer mandar. Seu desejo de tirar o atraso esbarra na indisposição dos proprietários dos partidos de abrir mão do controle que absoluto que exercem sobre as legendas.

No caso do PL, que estava de casamento marcado com Bolsonaro para 22 de novembro, o dono do negócio é Valdemar Costa Neto. 
Está difícil compatibilizar seus interesses,
mas eles foram feitos um para o outro
 
O sujeito não abriu mão dos poderes que exerce sobre a legenda nem quando integrou a bancada presidiária do
mensalão. Comandou os negócios da facção partidária de dentro da cadeia. 

A união com Bolsonaro foi adiada porque Valdemar hesita em admitir como sócio alguém que gostaria de ocupar o seu lugar. 

Bolsonaro precisa de dinheiro para a campanha e de tempo de propaganda de televisão. Valdemar quer muito mais. Ele fecha acordos eleitorais com uma lógica empresarial. 

Para 2022, planejou fazer uma aplicação de risco na apólice de Bolsonaro, diversificando seus investimentos nos estados. Suas apostas vão de Rodrigo Garcia, o candidato de João Doria ao governo de São Paulo, até candidaturas estaduais vinculadas a Lula no Nordeste. 

A prioridade de Valdemar não é reeleger Bolsonaro, mas elevar o número de deputados federais do PL. Com uma bancada forte, o oligarca do PL aumenta a mordida no fundo partidário e no fundo eleitoral. E eleva o seu cacife para chantagear o próximo presidente da República, seja ele quem for. 

Bolsonaro ainda pode se filiar ao PL. Mas Valdemar não fechará nenhum negócio que implique a renúncia à chave do cofre ou a perspectiva de prejuízos financeiros. 

No PSL, partido que cresceu na sua aba, Bolsonaro dispunha de tempo de TV e de uma caixa registradora com R$ 350 milhões. Em vez de se entender com Luciano Bivar, o dono do partido, criou uma crise que o deixou sem propaganda e sem dinheiro. 

Bolsonaro não conseguiu fundar seu próprio partido, o Aliança Brasil. Antes de se declarar noivo do PL, namorou outras quatro legendas: Patriotas, PTB, Republicanos e PP. 

Precisa fazer uma escolha até final de março de 2022. À medida que o tempo passa, encurta-se a margem de manobra do presidente. (por Josias de Souza)
Valdemar Costa Neto jamais poderia faltar neste
vídeo: ele é o que aparece antes do Zé Dirceu...  

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

LEIA NUM SÓ ARTIGO TUDO QUE VOCÊ QUER SABER SOBRE O CIRCO DE HORRORES DO BOZO. A TEMPORADA JÁ ESTÁ NO FINZINHO.

josias de souza
CERCO DO CENTRÃO E DO JUDICIÁRIO ESCANCARA
FRAGILIDADE DO GOVERNO BOLSONARO
O matrimônio de Bolsonaro com o centrão evoluiu para o estágio do patrimônio no instante em que o presidente, eleito como político antissistema, entregou as chaves de sua Casa Civil ao sistêmico senador Ciro Nogueira. Na cerimônia em que Nogueira apossou-se da alma do governo, a tropa do centrão, chamada de escória por Bolsonaro em 2018, tomou de assalto os salões do Planalto. 

O novo ministro apresentou-se como amortecedor de um presidente que, cercado pelo Judiciário, precisa de para-choques. Enfraquecido, Bolsonaro pagará um preço alto pela governabilidade que lhe foi oferecida pelo centrão. Como de costume, a conta será espetada no déficit público, eufemismo para bolso do contribuinte.

A formalização do relacionamento de Bolsonaro com o centrão foi celebrada numa festança realizada na casa do ministro Fábio Faria (Comunicações). O grupo tinha razões para celebrar. Enxerga no derretimento do governo uma oportunidade a ser aproveitada. Horas antes, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, incluíra Bolsonaro no rol de investigados do inquérito sobre fake news
No total, o presidente passou a estrelar meia dúzia de processos:
— três no Supremo, onde correm também os inquéritos sobre o aparelhamento da Polícia Federal e a suspeita de prevaricação no caso Covaxin;
 outros três no TSE, onde tramitam o recém-aberto inquérito das mentiras sobre urnas eletrônicas; e
  um par de pedidos de cassação da chapa Bolsonaro-Mourão.

A despeito do cerco, Bolsonaro não se deu por achado. Dobrou a aposta numa entrevista à rádio Jovem Pan
"Não vai ser o inquérito, agora na mão do senhor querido Alexandre de Moraes, para tentar me intimidar. Ou o próprio, lamento, o TSE tomar certas medidas para investigar, me acusar de atos antidemocráticos... Eu posso errar, tenho direito a criticar, mas não estamos errados".
O presidente chamou de ilegal o inquérito sobre notícias falsas, aberto pelo então presidente do Supremo, Dias Toffoli, sem ouvir o Ministério Público. E ameaçou reagir fora dos limites da Constituição. 

O processo "está dentro das quatro linhas da Constituição?", indagou Bolsonaro. Ele mesmo respondeu: "Não está". O complemento como que embalou os brindes erguidos pelo centrão na festa noturna que se seguiu à posse de Nogueira:
"Então, o antídoto para isso também não é dentro das quatro linhas da Constituição. Aqui ninguém é mais macho do que ninguém"
A valentia do capitão elevará o preço do apoio dos coronéis da tropa da escória. Bolsonaro avalia que pode comprar brigas à vontade porque tem o centrãoEngano. Agora, o centrão é que tem o presidente. Bem pago, oferecerá a Bolsonaro a ilusão de que preside. Desatendido, fechará a conta. 

Toda campanha eleitoral tem um quê de teatro. A teatralização da sucessão de 2018 viveu um momento inusitado quando Bolsonaro criticou o então rival tucano por encostar a candidatura no 
centrão"Obrigado, Geraldo Alckmin, por ter unido a escória da política brasileira", declarou, em julho de 2018. 

O capitão, que agora admite que sua alma sempre foi do centrão, apenas cuspia num prato em que o grupo não permitiu que ele comesse. Na semana anterior, frustrara-se a tentativa de firmar aliança com o PL. Planejava-se fazer do então senador Magno Malta o vice de Bolsonaro. Mas o ex-presidiário e mensaleiro Valdemar Costa Neto, dono do PL, preferiu se entender com Alckmin. 

Mandachuva do PP, legenda que frequentou o topo do ranking de encrencados da Lava Jato, o agora ministro Ciro Nogueira, ele próprio um cliente de caderneta da operação anticorrupção, também cedeu o tempo de propaganda eleitoral do seu partido para o tucano Alckmin. Nesta 4ª feira (4), Valdemar era uma das estrelas da posse de Ciro. 

Há três anos, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, cantarolava na convenção em que Bolsonaro tornou-se candidato ao Planalto pelo PSL: "Se gritar pega centrão, não fica um meu irmão..." 

Na invasão do centrão à sede do governo, o general Heleno trocou um animado dedo de prosa com dois coronéis da desonestidade: o novo colega Ciro e o presidente da Câmara Arthur Lira. A cena teve uma aparência de rendição.  
No DNA do centrão está gravada a expressão é dando que se recebe. Retirada da oração de São Francisco, passou a simbolizar uma prática profana: a exigência de vantagens –lícitas e, sobretudo, ilícitas em troca de apoio político no Legislativo.

Quem lançou a moda foi o deputado Roberto Cardoso Alves (1927-1996), do PMDB de São Paulo.
Robertão, como era conhecido na intimidade, inaugurou a facção franciscana do fisiologismo em março de 1988. 

Na época, o Congresso Constituinte discutia a prorrogação do mandato do então presidente José Sarney para cinco anos. Foi dando que Sarney recebeu. A moda perdura até agora. 

No intervalo de três décadas, o vocábulo governabilidade ganhou um sentido gangsterístico. Virou um outro nome para corrupção. Serve de álibi para que políticos invadam os cofres públicos. A anomalia marcou todos os governos desde a redemocratização. Ganhou escala industrial sob Lula e Dilma. 

Imaginou-se que a Lava Jato encurralaria o pedaço mais arcaico da política. Em maio de 2016, quando tomou posse, Michel Temer disse, em discurso: "A moral pública será permanentemente buscada" no meu governo. Afirmou que a Lava Jato, referência no combate à corrupção, teria "proteção contra qualquer tentativa de enfraquecê-la"

As palavras de Temer viraram pó. Ou lama. Candidato, Bolsonaro enrolou-se na bandeira da Lava Jato. Eleito, levou para sua equipe Sergio Moro, símbolo da força-tarefa de Curitiba. 

Hoje, Moro foi reduzido à condição de um ex-juiz cuja atuação nos processos contra Lula foi sentenciada como suspeita pelo mesmo Supremo que processa Bolsonaro depois de devolver o ex-presidiário do PT ao jogo eleitoral de 2022, lavando-lhe a ficha suja.  

Seis anos de combate à corrupção fizeram do Brasil o local ideal no mapa para o surgimento de um país eticamente renovado. Imoralidade não falta. Ao sedimentar seu relacionamento com o centrão sem levar à vitrine nada que se pareça com interesse público, Bolsonaro escancara sua fragilidade.

Desde que assumiu a Presidência, Bolsonaro declara guerra ao mundo. Em sua penúltima incursão, guerreia contra a estabilidade da democracia. 

Pela lógica, um governante que derrete deveria buscar aliados e evitar brigas. Mas a única lógica que Bolsonaro conhece é a lógica do confronto. 

Essa obsessão pela guerra tem suas raízes nos 28 anos de exercício de mandato parlamentar. O problema é que, na Câmara, o custo do destempero e dos xingamentos de Bolsonaro limitava-se ao desperdício de verbas públicas com o pagamento do seu contracheque e com as rachadinhas proporcionadas pela estrutura administrativa do seu gabinete. 

Na Presidência da República, o custo é mais alto. O centrão faz festa porque sabe que, nesse tipo de conjuntura, não perde por esperar. Ganha!  (por Josias de Souza)
Bem que o Raulzito profetizou: "Vai cair!"

domingo, 31 de maio de 2020

LÁ VEM O BRASIL, DESCENDO A LADEIRA... (um artigo de Dalton Rosado) – 2

                  (continuação deste post)
3. corrupção – atual se elegeu pegando carona na bandeira do combate à corrupção, historica e hipocritamente desfraldada pelo conservadorismo nas suas investidas rumo a poder. Se não, vejamos:
— o corvo Carlos Lacerda, na acumulação de forças para derrubar o Governo Vargas, acusava-o de ter-se tornado um mar de lama
— a União Democrática Nacional, antecessora dos atuais partidos pretensamente restauradores da moral e dos bons costumes, sempre utilizou tal demagogia moralista como cavalo de batalha; 
— os militares seguiram-lhes o exemplo ao derrubarem o governo constitucional de João Goulart, (tanto que o golpe de 1964 chegou a ser apregoado como uma revolução redentora), mas logo mostraram a que realmente vinham, prendendo arbitrariamente pessoas de bem, juntamente com contrabandistas e políticos sabidamente corruptos, como forma de se tornarem senhores absolutos do poder, e por aí vai. 

Mas o governo do Boçalnaro, o ignaro, que retoricamente se apresentava como antípoda da velha política, já passou 17 meses sem jamais ter coibido as falcatruas do centrão no qual estão fincadas as raízes do presidente miliciano (outrora seguidor dos Malufs, Jeffersons e Costa Netos da vida), tendo, pelo contrário, esvaziado as ações do seu ex-ministro da Justiça Sérgio Moro de cunho pretensamente moralizador.

Assim é que a prática usual entre parlamentares da rachadinha (devolução ao titular das nomeações dos salários, ou de parte destes, pagos aos laranjas), da qual é culpado um dos seus filhos zero à esquerda, bem como o seu injustificado crescimento patrimonial, não podem vir à tona.
Após bilionários desvios de recursos, a Transamazônica, 47 anos após inaugurada, só tem 10% asfaltados
Para encobrir a corrupção do passado, quaisquer investigações a respeito tinham de ser abortadas, ainda que isto custasse a cabeça do ministro que personificava o legado da Lava-Jato.

As recentes declarações governamentais de que doravante não vai cumprir determinações processuais emanadas das competências jurisdicionais da mais alta corte do país por ele consideradas descabidas e causadora de constrangimentos a si e a seus filhos e parças, apenas explicita o que os perspicazes já sabiam: o governo tem um norte ditatorial que somente não se consubstancia porque a conjuntura e a correlação de forças desfavorecem suas pretensões. 

Por considerar-se acima da lei e da ordem jurídico-institucional do país, ele quer evitar que o Legislativo e o Judiciário continuem dispondo de poder para anularem suas decisões desatinadas e inconstitucionais. Simples assim. 

O quadro é assustador: aumento do desemprego, fuga de capitais, queda do PIB, deflação e inflação, aumento do dólar, etc. 
Segundo o IBGE, nos dois últimos meses foram demitidos em torno de 5,5 milhões de trabalhadores com carteira assinada, os quais, somados aos mais de 12 milhões anteriores, deve elevar esse quantitativo para o patamar de 17 milhões.

[Ou muito mais, se considerarmos a paralisia daqueles que estão no mercado informal de trabalho e não são contabilizados (é enorme a força de trabalho informal no Brasil, segundo o mesmo IBGE).] 

Embora os números sejam acachapantes, não nos atingem tanto quanto a observação in loco do drama de um pai e uma mãe aptos ao trabalho mas de mãos atadas por um sistema insano que não lhes permite produzir, amiúde ameaçados de serem despejados de suas moradias toscas, impotentes diante de seus filhos famintos, maltrapilhos, a clamarem pelo alimento que lhes falta.  

Mais do que nunca, ao invés de buscarmos empregos devemos é superá-los, substituindo-os por uma participação social na produção fora da ingerência do dinheiro e da propriedade, possibilitando que todos produzam e usufruam dessa produção. 

Isto é perfeitamente possível, ainda que estejamos condicionados culturalmente (e de modo equivocado) a crer que somente se possa produzir algo com dinheiro.

O emprego, que é causa do desemprego por conta de sua lógica funcional contraditória, representa menor produção de valor; menor produção de valor representa mais pobreza sob o critério mercantil de relação social; menor valor representa a falência do Estado. 

Daí os capitalistas somente sobreviverem (e, assim mesmo, com as horas contadas e como últimos a apagarem as luzes) até queimarem o último pedaço de toucinho de capital produzido pelo povo e indebitamente apropriado. 

O capital internacional está batendo asas do Brasil, apesar do discurso liberal do ministro da Economia Paulo Guedes.

Segundo o Banco Central do Brasil, no ano de 2019 (antes da crise do coronavírus, portanto) cerca de US$ 62,2 bilhões se retiraram da economia brasileira. Isto quando um real valia ainda R$ 4,01 em relação ao dólar  estadunidense. 

Somente da nossa Bolsa de Valores escafederam-se cerca de US$ 44,5 bilhões, o que fez os índices caírem abruptamente, de 119 mil pontos para os atuais 87 mil pontos. Os investidores brasileiros viram as suas aplicações simplesmente se reduzirem em cerca de 27% do capital investido.

Nos meses iniciais de 2020, com a crise do coronavírus e o dólar sendo cotado em cerca de R$ 5,33, a fuga de capitais continua acentuada. 

Exemplo do descrédito na economia foi o fracasso das vendas de concessões para exploração de petróleo na camada do pre-sal. Dos R$ 120 bilhões pretendidos de arrecadação, somente se realizaram cerca de R$ 70 bilhões, fato que contribuiu para a queda do real em relação ao dólar. 

O PIB do Brasil, que já havia sido menor em 2019 (-1,1%) do que aquele de 2018, tem projeção rebaixada mês a mês, e já se prevê que possa chegar a -8% ou mais em 2020. 

A fuga de dólares do Brasil se deve a fatores econômicos e políticos. 

Dentre os fatores econômicos estão a depressão econômica mundial e a redução forçada das taxas Selic no Brasil que tornaram desinteressantes as aplicações financeiras pelas quais se obtinham ganhos fáceis de capital sem risco (ou aparentemente sem rico, pois isso não vai terminar bem).

O Brasil não poderia continuar com altas taxas Selic, que servem de balizamento para o pagamento de juros nos patamares existentes, tendo-se em vista a baixa inflação brasileira atual.

Com a emissão de moeda sem lastro para viabilizar o socorro de R$ 600 aos desvalidos do capitalismo, deveríamos ter uma inflação acentuada. Mas, ao contrário, estamos num processo de deflação, que é ainda pior do que a inflação, pois significa estagnação do sistema produtivo de mercadorias, que emperra quando não há compradores.

Acresça-se a isso o fato de que os produtos alimentícios estão subindo de preço, ou seja, temos uma deflação conjuminada com inflação de preços de alguns produtos básicos. 

O PIB já caiu 1,5% no primeiro trimestre e para o segundo a queda projetada deverá ser muito maior. É mole? (por Dalton Rosado)
(continua neste post)

quarta-feira, 6 de maio de 2020

NEM PARA GOLPISTA O BOLSONARO SERVE: ELE É INCOMPETENTE, HISTORICAMENTE SUPERADO E DE UM PRIMARISMO ATROZ – 2

(continuação deste post)
O absolutismo é tosco, daí não servir à exploração capitalista em situações de normalidade; mas, nem por isto deixará de usar a força quando necessário. Não é, contudo, o que ora ocorre no Brasil.

O capitão Boçalnaro, o ignaro e, principalmente, os seus fanáticos e desavisados seguidores, querem repetir exemplos históricos ultrapassados e estão absolutamente enganados (entre os seus 33% de apoiadores nem todos são fanáticos, há também os mal informados do tipo maria-vai-com-as-outras). 

Tal como os nazistas e fascistas, os mitômanos fanatizados acreditam equivocadamente que podem agredir impunemente, seja com seus zurros fascistoides (pela via virtual ou em pessoa) ou fisicamente, atônitos profissionais: enfermeiros que protestam contra as más condições de trabalho e jornalistas que cobrem as manifestações. 

Tão tacanhos quanto bestiais, erigem em alvos, no último caso, não necessariamente repórteres que possam amedrontar o poder democrático-burguês, mas também fotógrafos e motoristas que em nada incomodam seus mandantes e instigadores. Cães danados são assim, mordem o primeiro que veem pela frente.

Quem mandou matar a vereadora Marielle Franco? A mesma intolerância fascista que assassinou Rosa Luxemburgo há cem anos na Alemanha, barbarizou no último domingo (3) o fotógrafo Dida Sampaio, do Estadão

Mas o Brasil não é uma republiqueta das bananas, nem estamos na primeira metade do século 20, de tantas e tão traumáticas guerras por hegemonia capitalista e política. 

Os tempos são outros do ponto de vista dos ensinamentos históricos, ainda que a tragédia humana venha se intensificando, seja como consequência da debacle capitalista ou de uma crise sanitária antes inimaginável.

Boçalnaro é incompetente e historicamente ultrapassado como golpista. 

Mente e se desmente por ele mesmo em razão de sua primariedade intelectual, ainda que tenha muita esperteza e faro para oportunismos políticos rasteiros. É a contradição em pessoa.

Diz que é um outsider que luta contra a velha política, ainda que, como político, haja trocado NOVE (!) vezes de partido, tenha passado quase trinta anos no parlamento sem nunca destacar-se pela contribuição ao trabalho legislativo, apoiando em votações as proposições de tudo quanto era corrupto do parlamento: desde Paulo Maluf até Roberto Jefferson e Valdemar da Costa Neto, seus antigos líderes e atuais articulares partidários. 

Aliás, sua função sempre foi corporativista, além de constantemente agredir adversários parlamentares e outros com expressões chulas (e até fisicamente, como fez com o senador Randolfe Rodrigues quando a Comissão Nacional da Verdade visitava as antigas instalações do DOI-Codi/RJ). 
Patetada golpista do último domingo: radicalização.
Diz-se defensor da carta magna mas, num ato falho, afirmou ser ele mesmo a Constituição. Isto, claro, não o impede de orquestrar pelas redes sociais (alimentadas por seu gabinete do ódio instalado no Palácio do Planalto) agressões diárias aos poderes instituídos por esta mesma Constituição. 

Afora estimular e participar de manifestações flagrantemente hostis ao parlamento e à corte suprema de justiça do país, nas quais são exibidos cartazes e faixas pregando o fechamento de ambos e uma intervenção militar armada.

Num dia afirma que que sua paciência chegou ao fim quanto ao que considera ingerência indevida dos poderes Legislativo e Judiciário na sua gestão,  acrescentando que povo está ao seu lado (uma generalidade falaciosa, segundo as pesquisas de opinião pública) e, pior, que tem o apoio das Forças Armadas. Invariavelmente, no dia seguinte ministros militares lançam notas desmentindo quaisquer intenções golpistas e reiterando o respeito às instituições republicanas. 

As insistentes afirmações em público insinuando que os fardados o acompanhariam numa quartelada que nem sequer está na cogitação deles representa um mico que deveria indignar até seus apoiadores mais fanáticos, pela enganação que representam; mas fanatismo não aceita reflexão em contrário!
Diante do DOI-Codi, mostrando como agia o DOI-Codi...

Empunha (emprestada) a bandeira do combate à corrupção, para logo adiante, quando um dos seus filhos zero à esquerda é pilhado na prática da rachadinha (pagamento de uma comissão mensal, por parte dos servidores em cargos de confiança, ao responsável por suas nomeações), ao invés de repudiar energicamente tal prática, prefere:
— trocar o policial federal encarregado das apuração do caso;
—  e, ainda, transferir de ministério, reestruturar e renomear o Conselho de Controle de Atividade Financeira, órgão até então encarregado da apuração desta modalidade de crime. 

Outros muitos exemplos de autocontradição poderiam ser citados (ele não se emenda, portanto somente se engana quem é ingênuo ou quer mesmo ser enganado, pois isto lhe convém).

Mas, convenhamos, nada diferente se poderia esperar de quem:
— sempre fez apologia do torturador e assassino Brilhante Ustra; 
— amiúde elogia o golpe militar de 1964 e reclama de terem sido poucos os assassinatos ´de opositores cometidos pelo regime ditatorial deveriam ter sido 30 mil, nas contas dele); 
— homenageia e condecora, por intermédio de seus filhos (igualmente políticos do baixo clero parlamentar), notórios milicianos, inclusive um que acabara de ser condenado por homicídio; 
"apologia do torturador e assassino Brilhante Ustra"
— planejou atentado à bomba e foi por isso punido pelo próprio Exército a que diz pertencer ideologicamente (comprometendo a idoneidade de muitos altos militares democratas, que sentem-se constrangidos com suas fanfarronices militares); e,
— agora dá claros exemplos de onde quer chegar, não deixando dúvidas sobre seus propósitos absolutistas.

Diante disso quem se declara seu aliado está conivente com seus propósitos absolutistas, seja por ingênua ignorância, seja por possuir índole totalitária (confessa ou enrustida). 

Mas o capital, em crise, não deseja aventuras que possam entornar o caldo. 

A nós, os anticapitalistas, que queremos uma ordem social assentada sobre parâmetros de novos e justos modos de produção social e de uma ordem jurídico-organizativa horizontalizada e gerida pelos seus próprios donos (os que com seus esforços, proveem coletivamente essa mesma produção social), nos cabe:
— ao mesmo tempo em que denunciamos as nefastas intenções boçalnarianas de poder absolutista, trabalharmos por sua destituição preventiva; e
— denunciarmos a impossibilidade de vir a existir verdadeira justiça social sob a ordem democrático-burguesa, para que não insuflem falsas ilusões no povo sofrido. 

Esta é a vacina contra os vírus do absolutismo e do populismo eleitoral farisaico. 
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(por Dalton Rosado)
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