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quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

A CONDENAÇÃO E PRISÃO DE BOLSONARO PARECE FILME POLICIAL SEM SUSPENSE: TODOS JÁ SABEM QUE ELE É CULPADO

rui martins
BALANÇO POSITIVO DE FIM DE ANO
Chegamos ao fim do ano com boas notícias. 

Uma é nacional: o início prático do processo dos chefes golpistas, depois de já ter sido julgada e condenada uma parte dos seus fanáticos seguidores, autores dos atos de vandalismo nos prédios da praça dos Três Poderes, no 08.01.2023.

O ano 2025 deverá monopolizar a atenção da imprensa na sequência do indiciamento do primeiro escalão dos articuladores de um golpe com assassinatos, envolvendo militares de alto escalão e autoridades do governo passado, podendo incluir, ao que tudo indica, o ex-presidente Jair Bolsonaro, embora ele mesmo e seus filhos, apostem numa pressão contrária pelos Estados Unidos, com novo governo no dia 20 de janeiro.

A consumação da condenação e prisão de Bolsonaro parece um filme policial da série Columbo, no qual não há suspense, pois, desde o começo, todos já sabem quem é o culpado.

Viveremos o retorno ao passado de intervenções diretas ou indiretas do governo estadunidense no Brasil? Elon Musk e Donald Trump poderão criar condições favoráveis a um impeachment de Lula e Alexandre de Moraes?

Improvável, pois Trump estará empenhado num acordo de paz entre Rússia e Ucrânia, numa normalização no Médio Oriente e no fim de uma ameaça nuclear pelo Irã.

Ao contrário, o julgamento do ex-presidente Bolsonaro, preso ou solto, criará condições para o indiciamento, por incitação ao golpe, de juristas que aderiram à interpretação falaciosa do artigo 142 da Constituição, tentando legalizar a intervenção militar. 
Eles, inclusive o tributarista direitista Ives Gandra Martins (que andou divulgando pareceres de constitucionalista sem ser autoridade reconhecida em tal área) deverão responder pela minuta do golpe. 

É bem provável que esteja chegando a vez de serem processados os idealizadores do gabinete do ódio, com suas redes sociais especializadas em fake news.  Sem esquecer dos guias espirituais evangélicos pregadores e justificadores do golpe com o uso do Velho Testamento bíblico e da  chamada teoria do domínio.

Outra notícia auspiciosa, também recente, é a queda do ditador sírio Bashar al-Assad, deposto pelo grupo HTS, de Abu Mohammad al-Jolani (um movimento islamista sui generis, contrário à aplicação da truculenta lei da charia e, até agora, disposto a aceitar a presença de cristãos na Síria).

Algumas redes sociais brasileiras de esquerda lamentam a queda do ditador al-Assad, de longe muito pior que um Brilhante Ustra. Mas foi gratificante ler o seguinte num texto de Fernando Gabeira: "Considero-me feliz por ter passado um fim de semana colado à TV, vendo o fim de uma longalonga ditadura, as pessoas festejando nas ruas de Damasco, os presos saindo das masmorras, bandeiras, gritos, exilados preparando a volta".

A ONU e alguns países da União Europeia já vão encontrar-se com o chefe Jolani do HTS para avaliarem a situação na Síria e se certificarem da implantação pacífica do novo governo islamita, sem criação de uma nova ditadura teocrática na região.

Como a do Irã, apoiadora da ditadura de al-Assad, para a qual este fim-de-ano é negativo. Um debate no canal francês Arte discute se, depois da Síria, não será a vez da teocracia iraniana, que apoiava al-Assad e apoia o Hamas e o Hezbollah, e cuja expectativa de ter a bomba nuclear poderá ser impedida por Trump. (por Rui Martins)

sábado, 17 de setembro de 2022

UM MESMO CRISTO, MAS DOIS EVANGELHOS

U
ma estimada amiga de João Pessoa (PB) me presenteou com um livro do conhecido frei Betto, que tem como título Jesus militante. 

Foi um presente bem oportuno neste momento político do Brasil, onde uma facção de intitulados seguidores de Cristo tomou parte da cena e tem peso suficiente para decidir a eleição presidencial, influir na composição da próxima Câmara Federal, na substituição de um terço do Senado, sem omitir sua influência nas votações estaduais e municipais.

O livro do frei Betto é todo ele baseado no Evangelho de São Marcos, contemporâneo –assim como Mateus, Lucas e João– de Jesus na época do domínio e controle da Palestina pelos romanos. Ele contou seu convívio com Cristo e transmitiu, nos seus escritos, as mensagens deixadas pelo verdadeiro messias.

É sempre impressionante, quando se trata da figura de Jesus, imaginar-se como uma figura desvinculada do clero dominante da época (dominado e comprometido com os ocupantes romanos), sem poder econômico ou político, ainda subsiste dois milênios depois, exercendo influência tão marcante na sociedade.

Por isto mesmo, muitos historiadores, principalmente nestes últimos dois séculos, deixando de lado sua significação religiosa –construída por seus seguidores (dos quais surgiu a Igreja, dividida pela Reforma e subdividida pelos movimentos decorrentes)– quiseram ir além dos relatos santificados.

Sem entrar nesta busca, da qual surgiram numerosas escolas, livros e interpretações, me lembro de uma delas, talvez mais conhecida embora menos comentada que A vida de Jesus, do francês Ernest Renan, do Collège de France: trata-se da pesquisa feita pelo humanista franco-alemão Albert Schweitzer, mais conhecido como missionário na África, publicada com o título de A busca do Cristo histórico.
Quem foi Jesus? Existiu mesmo? Teve uma certa importância com seus milagres, suas parábolas, suas declarações, criou algum problema para o Império Romano, foi mesmo punido com a pena de morte? 

Morreu numa cruz ou suas mãos foram pregadas acima da cabeça num madeiro ou estaca? Que tipo de pregação ele fazia?

As perguntas, os debates são muitos e não diminuíram à medida que a religião de Jesus, transformada em cristianismo dado o caráter messiânico assumido, chegou às Américas. 

Do lado hispânico-português, exceto a aceitação de uma parte da cultura, lendas, crendices vindas dos índios e dos escravos africanos, o cristianismo católico pouco mudou até meados do século 20.

Entretanto, os ingleses levaram para a América do Norte um protestantismo puritano e anglicano em transformação e ruptura, que se transformou diante das mudanças sociais estadunidenses, crescimento econômico, guerra da secessão (que não solucionou a questão racial imanente). Do dito cujo surgiram as vertentes neopentecostais, que as distinguem das luteranas e calvinistas europeias por serem uma espécie de refundação do cristianismo original pregado por Jesus. 

Tal cristianismo é substituído por uma mistura com o judaísmo dos profetas e a substituição da linguagem pacífica do cristianismo nascente pela recuperação da linguagem guerreira dos reis, dos nacionalistas monoteístas e do próprio deus Jeová contra os vizinhos idólatras. 

No fundo, é o cristianismo do western, da sobrevivência dos imigrantes brancos contra a população autóctone indígena.

É esse cristianismo neopentecostal branco evangélico que se transformou no principal suporte do capitalismo estadunidense e que hoje apoia Donald Trump e novamente ameaça os Estados Unidos de secessão.

E aqui chegamos aos dois Evangelhos vindos do mesmo Jesus, do mesmo Cristo.

O evangelismo neopentecostal brasileiro, cuja doutrina conservadora, machista, agressiva e guerreira já foi adotada por uma questão de sobrevivência pelas denominações protestantes tradicionais, é o filho dileto do neopentecostalismo dos EUA. 

Ele não se preocupa com a situação de pobreza de seus seguidores, citando duas frases do próprio Jesus: Os pobres, sempre os tereis convosco e O meu reino não é deste mundo. Sua pregação básica é o reino dos céus, para depois da morte.

O capitalismo, com suas desigualdades sociais, não é nenhum problema para os novos guerreiros cristãos –Silas Malafaia, Edir Macedo, Cláudio Duarte, Marco Feliciano, etc.– que oferecem aos seus seguidores o Evangelho da Prosperidade, sem uma discussão social sobre de onde poderia advir essa enganadora e quimérica abastança econômica.

O Jesus Militante do frei Betto é pelo evangelho da Teologia da Libertação, também defendido por Leonardo Boff, segundo o qual a preferência teológica do cristianismo é pelos pobres e pelo fim da desigualdade social. 

Sem gabinete do ódio e sem a linguagem guerreira do bem contra o mal, que poderá justificar todos os excessos e crimes depois das eleições. (por Rui Martins)

quarta-feira, 16 de março de 2022

VEJA O QUE ACONTECE AOS OPORTUNISTAS QUE APOIAM PORCARIAS DE GOVERNOS

matheus pichonelli
DANILO GENTILI VIROU ALVO DOS MESMOS
MONSTROS QUE AJUDOU A ALIMENTAR
Cría cuervos y te sacarán los ojos
A
Secretaria Nacional do Consumidor, órgão vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, determinou que os serviços de streaming suspendessem, sob pena de multa diária de R$ 50 mil, a exibição do filme Como se tornar o pior aluno da escola, baseado no livro de Danilo Gentili. 

Com a decisão, o ator e humorista foi colocado no centro de uma trincheira que ajudou a cavar durante anos: a trincheira da guerra cultural. 

Em ano de eleições, essa guerra promoverá ruídos intensos toda que vez que o governo federal se enroscar para explicar o preço da gasolina, a inflação da cesta básica, o orçamento secreto, as rachadinhas, os vexames diplomáticos, os mortos pela covid e a tragédia ambiental.

A exemplo do que aconteceu em 2018, as armas serão apontadas contra inimigos tão perigosos como imaginários, como o tal kit gay e as mamadeiras com formatos estranhos que jamais foram distribuídos pelos proclamados inimigos da família brasileira. É um jogo sórdido, mas conhecido. Quem entrar em campo sabe que precisa levar caneleiras. 

Se teve uma estratégia que de fato funcionou no atual governo foi a asfixia das políticas de incentivo à cultura. Não se vê, como antigamente, senhores e senhoras de Santana munidos de lupas para identificar supostas perversões em filmes, peças e instalações produzidos com verbas públicas ou decorrentes de renúncia fiscal. 

Sobraram para as plataformas de streaming, para as quais, de quando em quando, os cruzados miram suas lanças. Recentemente, Damares Alves, ministra da Família, conseguiu criar caso apontando um suposto incentivo à sexualização precoce num filme da Netflix que criticava a sexualização precoce. 

Há quem desconfie que a ministra não viu o filme até o fim. Ou que não tenha entendido a mensagem. Ou que, vendo e entendendo, achou que seria uma boa oportunidade para recortar e tirar do contexto uma passagem do longa e conseguir nas redes o oxigênio que move a turma: mobilização e engajamento. 
Tudo com base no estímulo ao medo, quase sempre transformado em ódio, das multidões. 

Não teve artista que desde o começo se posicionou contra o governo que não tenha apanhado da turma em algum momento. 

A novidade deste ano é que as lanças já não reconhecem quem é inimigo e quem é antigo aliado. 

Foi o que descobriu Danilo Gentili ao ser acusado de pedofilia desde que seu filme de 2017 entrou no catálogo da Netflix, há algumas semanas. 

A acusação veio à tona após alguém gravar e jogar nas redes um trecho em que um adulto sexualmente perturbado interpretado por Fábio Porchat, que também entrou no radar da patrulha, assedia dois garotos. Na cena, os rapazes reagem ao personagem, didatica e toscamente pintado como vilão – inclusive na hora de se dar mal. 

Mas o recorte da cena, notadamente sem graça (e lá tem graça piada assim?), fez com que o filme passasse a ser interpretado como uma apologia à pedofilia. O suficiente para que o Ministério da Justiça, agora reforçado por um advogado do senador Flávio Bolsonaro na Secretaria do Consumidor, pedisse a remoção do longa da plataforma. 

Gentili chamou o pedido de cortina de fumaça, um espantalho para desviar as atenções em torno de outros problemas, como o aumento dos combustíveis. Ele disse ainda ser alvo de oportunismo e censura. 

O humorista talvez tenha percebido tarde demais que o grande problema de, em algum momento da vida, apoiar fãs da ditadura é a impossibilidade de mudar de ideia sem riscos de se tornar uma vítima dela: antes de ser alvo dos desafetos, ele cansou de promover linchamentos virtuais (como fez com um repórter da Folha de S. Paulo por ter escrito algo sobre seu filme que não lhe agradou) e ataques de todo tipo.

Certa vez, ao receber a notificação de uma ação judicial movida pela então deputada Maria do Rosário, xingada pelo comediante nas redes sociais, ele rasgou o documento e guardou na cueca. 

Ele também arrancou suspiros dos fãs ao distribuir ofensas gordofóbicas contra a deputada Sâmia Bonfim e contra a atriz Thais Carla. 

Os episódios em que se comportou como moleque brigão de colégio são inúmeros. O pior deles talvez tenha sido contra uma mulher que ousou desconfiar de sua inteligência no Twitter. Gentili a chamou de chupadora de rola de genocida corrupto, para aplausos dos amiguinhos da nova direita, uma manada na época disposta a obedecer suas ordens: "Fanzocas a xingue (sic) de puta". 

Seus atuais detratores não criaram nenhuma hashtag em defesa da vítima. Nem quando ele de fato fez apologia ao estupro ao chamar de gênio "o cara que esperou uma gostosa ficar bêbada para transar com ela". 

Na época, Gentili era ídolo da turminha do barulho que acredita (ou finge acreditar) que o grande problema do mundo hoje é a ditadura do politicamente correto. 

Entre os fãs estava o deputado e pastor Marco Feliciano, que rasgou elogios publicamente ao filme durante seu lançamento e, agora, diz que estava ao telefone bem na cena na qual que ele e seus amigos do gabinete do ódio identificaram o elogio à pedofilia. 

Em tempo: a turma que agora carrega as chamas e os tridentes é a mesma que persegue e tenta invadir o hospital onde uma criança vítima de estupro decide interromper a gravidez, resultado de anos de abusos promovidos por um familiar. 

A cena de Gentili talvez passasse batida pelos olhos do bolsonarismo e seu ministro da Justiça se o humorista tivesse em seu avatar o slogan Deus acima de tudo. 
Danilo Gentili ouvindo o Bozo contar como se tornou
o pior aluno de todas e quaisquer escolas do Brasil

Ex-apoiador do presidente, a quem deu palanque em seu programa de TV quando ele era ainda um deputado que só falava, não produzia (ainda), absurdos, Gentili mudou de ideia. Já afirmou que o governo é uma porcaria e que Bolsonaro não cumpre o que prometeu. 

As pedras que distribuía em consonância com o capitão agora acertaram sua vidraça –e fez até o cantor e guitarrista Roger Moreira entrar em parafuso ao tentar decidir se apoiava o colega de trabalho ou o ídolo que agora reina em Brasília. 

"O pedófilo é um vilão no filme. Estão fazendo tempestade em cima de uma visão distorcida. Não se sabe nem se é contra Danilo, contra a Netflix ou contra o Porchat. Contra a pedofilia o filme também é. Talvez devesse ser proibido para menores de 18, mas não sou eu o censor", escreveu Roger em seu Twitter. 

O roqueiro e o amigo, assim como os rapazes do MBL e outros influencers que já cantaram em coro com o gabinete do ódio, acabam de descobrir na pele um ponto de não-retorno quando se naturaliza projetos de autocracias.

Tu te tornas eternamente responsável pela besta que alimentas. Inclusive quando os dentes se voltam contra ti. (por Matheus Pichonelli)

domingo, 26 de setembro de 2021

DERROTADO EM TODAS AS BATALHAS, O GENOCIDA LANÇA AS MILÍCIAS DIGITAIS DO ÓDIO CONTRA ALVOS DE MENOR GRANDEZA

eliane cantanhêde
APÓS RECUO NOS ATAQUES AO STF E ÀS ELEIÇÕES, 
BOLSONARO COMBATE PASSAPORTE DA VACINA
Na declaração à Nação, o presidente Jair Bolsonaro recuou dos ataques ao ministro do STF Alexandre de Moraes. 

Em entrevista à Veja, ele recuou também dos xingamentos contra o presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, do discurso golpista e das ameaças às eleições e às urnas eletrônicas. 

A guerra agora é outra: desmoralizar a Coronavac, massificar que as vacinas estão em teste e combater o passaporte da vacinação. 

As pesquisas dispararam a luz amarela no QG, não do Exército, mas do bolsonarismo e a coisa só piorou depois do desastre de cabo a rabo da ida de Bolsonaro e sua comitiva inflada a Nova York. 

Daí manter a linha dos recuos, um a um, mas dobrando a aposta nos erros na pandemia e centrando fogo no passaporte. 

A lista de novas contaminações no ambiente bolsonarista é caprichada, justamente quando o número de imunizados sobe, o de mortes cai e a variante Delta é uma incógnita:
— o deputado Eduardo Bolsonaro;
— um diplomata da viagem a NY; 
— três ministros, Marcelo Queiroga (Saúde), Tereza Cristina (Agricultura) e Bruno Bianco (advogado geral da União). 

Mas, sem ter como manter suas guerras pessoais, sustentar os delírios de golpe e na falta do que apresentar na economia e no social, só restou ao candidato Bolsonaro insistir no seu maior erro: o combate ao combate à pandemia. E ele e sua tropa pegam em armas contra o passaporte, exigido no Brasil e no mundo em eventos e estabelecimentos. Um manda, todos (eles) obedecem. 

Tossindo, Eduardo Bolsonaro disse que a vacina está em teste, o passaporte é um absurdo e comparou a pendenga atual com a das Testemunhas de Jeová, que ganharam na Justiça contra transfusão de sangue. 

Naquele caso, porém, tratava-se de um direito individual: toma transfusão quem quer, quem prefere adoecer e morrer, é problema seu. No da vacina, trata-se de um direito coletivo, todos têm de apresentar o comprovante para proteger os demais de contaminações e mortes. 

Para Mário Frias, secretário da combalida Cultura, a exigência é
abominável, um teatrinho autoritário sanitarista, e ele não vai admitir a exigência de atestado em museus e teatros vinculados a ele, ponto final. 

E os clubes Naval e Militar, do Rio, entraram com liminar contra a comprovação de vacinas em suas dependências. 

O que essa gente tem contra máscaras, vacinas e atestado de imunização? Para o deputado, o secretário e os militares de pijama, a questão não é de saúde, medicina, ciência, estatística, vida e morte, é ideológica, a favor do mito e porque são coisas de comunista. 

Até os EUA adotam o passaporte, esse que é absurdo, abominável, teatrinho autoritário. Viraram comunistas! 

Obrigado a comer pizza na rua em Nova York, Bolsonaro abriu a Assembleia Geral da ONU como único presidente do G20 não vacinado, condenou o passaporte de vacina, o isolamento social e insistiu no kit Covid. 

“Não entendemos por que muitos países se colocaram contra o tratamento inicial”, disse, referindo-se a EUA, França, Alemanha, Inglaterra, Japão, Chile, Austrália, o mundo civilizado. Como o soldado da piada, ele se sente o único certo marchando com o pé errado. 

E por que Michele Bolsonaro se vacinou em NY, não no SUS e três a quatro meses antes? Bem... Se o general de quatro estrelas Luiz Eduardo Ramos se imunizou
escondido, a mulher do presidente deve haver tido ainda mais motivos para adiar a vacina. 

O relatório final da CPI da Covid começou e termina com o foco no negacionismo macabro do presidente, baseado em fake news e espalhado nas redes pelo Gabinete do Ódio (GDO, nas mensagens entre eles), com financiamento até de empresários que perderam suas mães para a Covid. Inacreditável. 

Quantos milhares poderiam ter sido salvos sem isso? (por Eliane Cantanhêde, n'O Estado de S. Paulo)

segunda-feira, 26 de julho de 2021

EIS O 'QUEM É QUEM' DA EXTREMA-DIREITA QUE DISSEMINA O CAOS POR MEIO DA MENTIRA E DO CHARLATANISMO

S
ão 12 pessoas as principais responsáveis pela disseminação via Facebook de desinformação, negacionismo, mentiras e teorias de conspiração, como as que sabotam a vacinação contra a covid-19.

Esses apóstolos do ódio destilado pelas fake news são seguidos por 59 milhões de pessoas. As notícias falsas são por elas redistribuídas e constituem 65% do conteúdo informativo mundial. 

De modo geral, essa cambada de charlatães está ligada à extrema-direita, às religiões, à medicina alternativa e às crenças esotéricas.
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rui martins
OS 12 LANÇADORES DO ÓDIO NAS REDES SOCIAIS
O número 12 poderia ser considerado mágico. Os deuses gregos do Olimpo eram 12, os mostradores dos relógios marcam 12 horas, meio-dia e meia-noite, os signos do zodíaco são 12, o ano se divide em 12 meses, havia 12 tribos em Israel e eram 12 os apóstolos escolhidos por Cristo. Doze ou uma dúzia.

E são 12 pessoas as principais responsáveis pela desinformação, pelo negacionismo, pelas mentiras e teorias de conspiração, relacionadas principalmente com as vacinas para o vírus covid-19, distribuídas pelo Facebook. A pesquisa foi feita por uma organização anglo-estadunidense já citada pelo presidente Biden, o Centro para Combater o Ódio Digital.

Esses 12 apóstolos do ódio destilado pelas fake news são seguidos por 59 milhões de pessoas. As notícias falsas são por elas redistribuídas e constituem 65% do conteúdo informativo mundial. De uma maneira geral, esse grupo de doze está ligado à extrema-direita, à medicina alternativa, às religiões e às crenças esotéricas.
O comportamento do ex-presidente Donald Trump diante do coronavírus foi muito influenciado pelas
fake news, ao mesmo tempo que as fazia circular. Está assim localizada a origem das ideias e iniciativas negacionistas do presidente Bolsonaro. 

Seu gabinete paralelo, chefiado pelo médico Omar Terra e do qual fazia também parte a médica Nise Yamaguchi, inspirava-se nas informações pseudocientíficas veiculadas nos Estados Unidos via fake news.

Essas fajutices incluíam a negação da existência do coronavírus, consideravam desnecessárias (ou parte de um plano para dominar as pessoas) as vacinas, condenavam o confinamento das pessoas, eram contra o uso de máscaras e defendiam a teoria de que a vindoura imunidade do rebanho tornava desnecessária vacinação.

As desinformações desse Grupo dos 12 chegaram a fazer a cabeça do primeiro-ministro britânico Boris Johnson, no início da pandemia do coronavírus (mas ele adiante corrigiu o rumo)..

Na França e alguns países europeus, ainda hoje alguns grupos negacionistas antivacinação continuam fazendo proselitismo, numa mistura estranha de ativismo ecológico  e anarquista com o extremismo de direita, contra a possibilidade da vacinação se tornar obrigatória e contra a criação de um passaporte europeu para os vacinados.
"Descobri que água destilada é pura e simplesmente H2O"
Embora minoritária, tal tendência conta, na França, com o apoio da deputada psiquiatra Martine Wonner, que chegou a defender a cloroquina e a condenar o uso de máscaras, por influência da seita conspiracionista estadunidense QAnon.
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QUEM SÃO OS DOZE? – Um dos principais é o estadunidense Joseph Mercola, adepto da medicina alternativa e das teorias conspiracionistas, e que vende suplementos alimentares. 

Com milhões de seguidores nas diferentes redes sociais, utiliza a desinformação e procura convencer seu público a não se vacinar e a comprar seus suplementos alimentares. Ele é o autor de uma fake news traduzida em português e bastante divulgada nas redes sociais bolsonaristas. Nela se fazia a falsa afirmação de que o número de mortos em 2020 foi igual ao dos anos anteriores.

O ex-ecologista Robert F. Kennedy Jr. tem utilizado as redes sociais para difundir mentiras sobre as vacinas contra o coronavírus, com o objetivo de desestimular a vacinação. Sua campanha contra a vacinação começou com um artigo publicado na revista Rolling Stone com o título de Imunidade Mortal, falando dos efeitos nocivos do mercúrio contido na vacina, causador de casos de autismo. Produziu também o filme Racismo médico – o novo apartheid, segundo o qual o coronavírus não ameaça os negros, e o verdadeiro perigo seria a vacina.

O casal Ty e Charlene Bollinger acaba de ter o vídeo A Verdade sobre as Vacinas, retirado do Youtube como falsa informação, depois de denúncias publicadas pela agência Associated Press. 
"Robert F. Kennedy Jr. é um idiota"

Eles ganharam US$ 25 milhões em cinco anos, divulgando inicialmente falsas informações sobre o câncer, para depois aderirem ao discurso negacionista de Donald Trump e à versão mentirosa de ter sido roubada sua vitória nas eleições. Ty Bollinger chegou mesmo a ir ao Capitólio, conta a AP.

A médica osteopata estadunidense Sherri Tenpenny é uma ativa divulgadora de falsidades sobre as vacinas contra covid-19: que causariam autismo nas crianças, podendo provocar a morte de quem se vacina, além de magnetizarem o corpo, permitindo que as pessoas sejam conectadas como celulares.

Os outros são Kelly Brogan, psiquiatra de Nova York, adepta da medicina alternativa e autora de um vídeo que, postado no Facebook, Instagram e Vimeo, nega a existência do coronavírus. Para ela, as mortes registradas nos EUA seriam causadas pelo medo do vírus! Esse vídeo chegou a ser visto por 75 mil pessoas, antes de ser retirado da plataforma do Facebook e Instagram. 

Kelly Brogan critica, ainda, a lavagem das mãos e o confinamento; diz haver um interesse econômico nas vacinas e qualifica a inclusão da vacinação no passaporte de totalitarismo governamental.

Rashid Buttar, filho de paquistaneses nascido em Londres. é  médico osteopata na Carolina do Norte, formado em Washington e Iowa. Ele divulga a teoria de conspiração ligada à vacina e aplica uma discutida terapia de desintoxicação do corpo (chelaton) de metais pesados ionizados, como o mercúrio, cobre e o ferro. 

Repreendido pelas autoridades médicas por técnicas de tratamento ineficazes contra o câncer, vende os vídeos do casal Ty e Charlene Bollinger e propaga que o vírus foi criado na China.
Rindo dos otários que engolem suas lorotas?

Rizza Islam
, natural da Califórnia, é membro do grupo Nação do Islã, com meio milhão de seguidores nas redes sociais. Ele dissemina fake news e teorias da conspiração, instigando antissemitas e homofóbicos contra as vacinas. Defin-se como um intelectual negro extremista e descreve o SARS-Cov-2 como um vírus fabricado para acabar com os negros. Seu passado é ligado à Igreja da Cientologia.

Kevin Jenkins, de Newark, é um líder político local preocupado com as teorias de conspiração contra os negros.

Sayer Ji é uma espécie de guru, defensor da medicina natural e seu website indica remédios contra a vacina, apresentada como uma forma de criar um novo apartheid. Tem uma página na Internet, GreenMedInfo, diversas vezes censurada pelas plataformas de redes sociais por difundir inverdades.

Ben Tapper, de Omaha (EUA), se diz médico mas, na verdade, é um quiroprático. Faz campanha contra o uso de máscaras por ferirem a liberdade individual. Ao criticar as vacinas, afirma, sem fundamento, que os governos sofrem pressões dos laboratórios internacionais para adquirem as ditas cujas.

Christianne Northrup, que praticou obstetrícia e ginecologia por 26 anos em Yarmouth (EUA), espalhou falsidades e absurdos como estes:
— que as vacinas Covid-19 não previnem a doença, mas tornarão a humanidade estéril e podem matar bebês amamentados por suas mães vacinadas;
— que as pessoas não deveriam usar máscaras, mas sim evitar a proximidade de pessoas vacinadas, pois poderiam ser contaminadas com partículas de vacinas malignas e, então, espionadas pelos componentes da vacina que transmitem secretamente informações fisiológicas à Fundação Bill e Melinda Gates, por meio de câmeras de celular e um mecanismo patenteado envolvendo criptomoeda
"Salve-se dos vampirizadores de energia"

Erin Elizabeth
completa a lista desses divulgadores de falsas informações sobre a pandemia e as vacinas.

Os absurdos defendidos por esses embusteiros dão uma boa ideia do nível de formação dos médicos e outros participantes do gabinete paralelo criado por Jair Bolsonaro, responsável pela crise sanitária e por mais de meio milhão de mortos no Brasil.

Notícias falsas sempre circularam, geralmente em tempos de guerra e amiúde divulgadas com interesse religioso ou comercial. O surgimento das redes sociais permitiu a multiplicação da falsa informação; favoreceu a manipulação das pessoas ingênuas e sem instrução; e tornou difícil a identificação das fake news. 

Uma denúncia atualmente investigada pelo Supremo trata da influência das notícias falsas divulgadas pela Internet durante o período pré-eleitoral em 2018, favorecendo a vitória da chapa Bolsonaro-Mourão. (por Rui Martins)

terça-feira, 6 de abril de 2021

TERÃO OS EVANGÉLICOS SE TORNADO PIORES DO QUE O CORONAVÍRUS?

V
ocês me desculpem, mas parece não haver mais jeito. O Brasil vai acabar. 

Vai acabar o Brasil da época de minha mocidade e de ainda há alguns anos. O Brasil da alegria solta e descompromissada, que fez nosso sucesso no estrangeiro. 

O Brasil do Ari Barroso, Dorival Caymmi, Chico Alves, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e tantos outros cantando nossa maneira livre de viver, nossa irreverência, nosso gosto pelo sabor do pecado, pelo rebolar das cabrochas, pelas morenas dengosas, nossas gargalhadas gostosas, nosso riso incontido, nossa inconsequência, nosso samba, nosso Carnaval... tudo isso acabou, vivemos agora uma 4ª feira de cinzas sem fim.

E de onde nos vem essa desgraça, essa maldição, essa tristeza constante, esse olhar perdido de condenados, esse medo do além, esse desejo de submissão, essa vontade covarde de criar calos nos joelhos dobrados, esse remoer de novenas, esses cantos soturnos de salmos e hinos de condenados, anestesiados de tanto ouvir o repetir de mentiras, sem coragem e nem força de se rebelar? 
Quem nos roubou nossa consciência de povo feliz, mesmo na pobreza mas sempre na luta por conquistas sociais, aqui, agora, para nossos filhos e nossos netos. Quem promete o paraíso em troca de uma vida no inferno?

É uma praga, que se alastra, corrói e destrói. Mais forte que o coronavirus porque justifica o genocídio, rejeita as vacinas, se opõe ao confinamento e aceita esse tipo de holocausto como uma vontade divina indecifrável ou castigo mesmo imerecido, ou ainda sinal de fim do mundo, que nega existir um culpado. 

Essa praga tem um nome chama-se fanatismo e só cresce e se desenvolve em terreno incultos, regados pela ignorância. 
É uma degenerescência da mensagem de paz e amor, no contato com o cultivo do ódio, adubado com o mais baixo populismo, por aproveitadores, hipócritas e enganadores da pior espécie.

Quem poderia prever que do protestantismo —um dos elementos detonadores e inspiradores, no século XVI, dos movimentos de ruptura com as trevas medievais do absolutismo religioso e político, dos quais decorreram a liberdade de interpretação das Escrituras antes intocáveis e, por tabela, a liberdade de expressão e a democracia— iria sair essa excrecência evangélica dos nossos dias?

Hoje os evangélicos são cerca de 70 milhões de pessoas, cerca de um terço da população, e a principal coluna de apoio do governo Bolsonaro. 

Difícil de entender como o programa de governo do candidato Bolsonaro atraiu os evangélicos, mais difícil ainda de compreender como essa base de apoio se manteve fiel diante da crise do coronavírus, tornando-se negacionista com relação às vacinas e ao confinamento, sendo envolvida pelas teorias de conspiração de QAnon, acreditando piamente nas notícias falsas (ou fake news) distribuídos pelo chamado gabinete do ódio.

O evangelismo brasileiro deixou de ser um movimento religioso reacionário, um subproduto de seitas populares evangélicas estadunidenses, para se transformar num movimento neofascista de sustentação do governo Bolsonaro. 

Como isso ocorreu, e tão rapidamente, a ponto de logo suplantar o tradicional culto católico, merece uma pesquisa aprofundada. 

Os evangélicos seguidores de Bolsonaro, pouco diferem dos evangélicos seguidores de Trump, mesmo se existe uma contradição doutrinária com o credo político e com o comportamento desses dois políticos.

Fator novo na política brasileira, a fidelidade política decorrente de um fanatismo religioso teleguiado por redes de Internet e dirigido por pastores, na maioria sem formação teológica, na verdade espertos vendedores de planos de salvação post mortem, vai conduzir o Brasil a um retrocesso social ditado por princípios religiosos. 

E, caso prossiga o aumento dos fiéis evangélicos, o Brasil acabará abandonando sua tradição republicana, democrática e laica para ser catalogado como país religioso, teocrático, como são os países muçulmanos e budistas.

A reabertura das igrejas para os fiéis, por decisão do mais recente juiz do STF nomeado por Bolsonaro, é mais que sintomática. Hoje os demais juízes reagem, porém estão previstas novas substituições por Bolsonaro, uma delas já prometida aos evangélicos. Serão novos juízes que, durante algumas décadas, sedimentarão os novos comportamentos sociais defendidos pelo populismo evangélico.

Será o fim do teatro de críticas sociais e de certa liberdade, assim como será o fim da música brasileira irreverente e crítica substituída por canções próximas do gospel evangélico. Será o fim de todas as artes. 

Se os partidos da oposição abrirem mão de um próximo pedido de impeachment de Bolsonaro, aceitando esperarem as eleições do próximo ano, será tarde demais. 

Perderemos nossas grandes empresas, perderemos nossas liberdades e perderemos nosso jeito brasileiro de viver, de cantar e de rir. Bolsonaro e os evangélicos terão acabado com o Brasil. (por Rui Martins)

sexta-feira, 2 de abril de 2021

SE NOSSA ESPÉCIE NÃO FOR EXTINTA ANTES, CHEGAREMOS À 3ª NATUREZA HUMANA – 1

dalton rosado
SOMOS AINDA IRRACIONAIS?
As ciências biológica e sociológica consideram que os seres humanos vivem o estágio da segunda natureza humana. A diferença entre o atual e o período tido como primeira natureza é a irracionalidade animal e a racionalidade do homo sapiens cuja aquisição inicial se situa uns 250 mil anos atrás.

É evidente que a transformação e transição de um estágio para outro não se operou (e nem se opera) num estalar de dedos, mas ao longo de milênios e de modo geografica e linearmente diferenciado; é certo, também, que a cada avanço se aceleram os mecanismos cognitivos de superação dos estágios anteriores, em busca de uma maior racionalidade.

Mas os traços de irracionalidade e crueldade próprios de um estágio selvagem (que me perdoem os animais irracionais pelo termo, de vez que estes jamais predam a natureza, ainda que devorem uns aos outros para sobreviverem) têm aflorado na era moderna, como se ainda estivéssemos presos às amarras de nosso passado distante. 

O que dizer dos exemplos da 2ª Guerra Mundial, na qual pelo menos 50 milhões de seres humanos foram ceifados pela brutalidade de governos tiranos nacionalistas capitalistas (mas autoproclamados socialistas e trabalhistas em suas nomenclaturas de partidos, como o nazista alemão e o fascista italiano)? 
O que dizer da guerra da Síria, que já dura 10 anos, com a morte e a migração forçada de milhões de pessoas? Nela se verifica, além da luta pelo poder, a intervenção oportunista de tudo que é grupo político-religioso ou doutrina ideológica a disputar ali a verdade ditada pelo santo graal.

O que dizer da tragédia dos seres humanos (inclusive crianças) que correm riscos imensos e sujeitam-se às piores agruras em fugas desesperadas da guerra e da fome que grassam em seus países de origem, dirigindo-se cheios de esperanças às mecas do capitalismo e, quando sobrevivem à aventura, sendo por elas sumariamente rejeitados? 

O que dizer das turbas que glamurizam um passado tenebroso, voltando a utilizar, como símbolo de solução dos problemas sociais, a suástica ensanguentada do nazismo (regime decorrente do desemprego e penúria da Grande Depressão, aliás menos grave do que a reprise que ora se delineia, cujas perspectivas são ainda mais aterrorizantes)? 

O que dizer dos grupos raivosos que surgiram recentemente no Brasil (iludidos por conceitos patrióticos ultrapassados e por um simplista moralismo anticorrupção, sem compreenderem que o próprio capital, por eles defendido, é a maior das corrupções, aliam-se aos industriais e banqueiros corruptores e barbarizam os cidadãos conscientes que se lhes opõem)?

O que dizer de um governo que mantém, em gabinetes próximos ao do presidente da República, uma tropa que dá sustentação informática eletrônica à lavagem cerebral em larga escala, o dito gabinete do ódio, a disseminar uma virulenta desqualificação moral dos adversários políticos, além de incitar levantes golpistas e totalitários de ultradireita (querem a quebra das instituições do Estado burguês para em seu lugar colocarem a força das armas e a infâmia das posturas racistas, xenófobas, misóginas, supremacistas, elitistas, etc., etc., etc.)? 

O que dizer da irracionalidade do trânsito das megalópoles, lento por conta do congestionamento de veículos individuais ao invés de transportes públicos de massa que proporcionassem comodidades e rapidez de deslocamento das pessoas, e que ainda polui pela emissão de monóxido de carbono na atmosfera, tudo como forma de atender à pretensa indispensabilidade de empregos da indústria automobilística?
O que dizer de um processo industrial capitalista que infesta a atmosfera com o mesmo poluente do monóxido de carbono do trânsito e que tem nos dois maiores produtores de mercadorias do mundo, os Estados Unidos e a China, os maiores emissores?

Creio serem desnecessários mais exemplos, embora eu ainda pudesse citar muitos outros, de diferentes naturezas mas convergentes quanto à origem: o processo de produção e comercialização mercantil capitalista e seu comando irracional, que nos dá ordens insanas para que as cumpramos como obedientes soldados sem senso de justiça e de moralidade, nem um mínimo de empatia com os demais seres humanos. (por Dalton Rosado)
(continua neste post)
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