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quinta-feira, 13 de outubro de 2022

A FARSA 'JUS SPERNIANDI' ENCERRARÁ AS ATIVIDADES DO CIRCO DO BOZO

ricardo kotscho
MODO DESESPERO: BOLSONARO CONVOCA FIÉIS
PARA TUMULTUAR APURAÇÕES NO DIA 30
"No próximo dia 30, de verde e amarelo, vamos votar. E mais do que isso. Vamos permanecer na região da seção eleitoral até a apuração do resultado"
(Jair Bolsonaro em Pelotas/RS, na 3ª feira)
O que está por trás deste insólito apelo do presidente aos seus apoiadores, a 18 dias da eleição, em que ele caminha para uma derrota inexorável, com remotas chances de virar o jogo, segundo todas as pesquisas? 

Operando já no modo desespero, só pode ser com o objetivo de provocar arruaças e até batalhas campais, se possível, em volta dos locais de votação, se o TSE ousar confirmar a sua derrota na noite do dias 30. Se a convocação fosse para comemorar uma possível vitória, poderiam marcar noutros locais mais apropriados. 

Já imaginaram a confusão que pode se dar se os eleitores de Bolsonaro resolverem permanecer nos locais de votação? 
Farão o quê, o dia inteiro? Vão orar, fazer jejum, ler a Bíblia, promover uma pajelança? Ou vão ficar infernizando a vida dos mesários e dos outros eleitores? 

Ainda bem que a Justiça Eleitoral proibiu entrar armado para votar na urna eletrônica. Poderia acontecer uma carnificina. 

Até outro dia, confiante na vitória, Bolsonaro repetia a toda hora que ganharia no 1º turno, com 60% dos votos. Ficou 5 pontos atrás de Lula (48% a 43 %) e, de acordo com o último Ipec, essa diferença já dobrou no segundo turno (55% a 45% dos votos válidos, ou 12 milhões na frente do presidente candidato à reeleição). 

Bolsonaro já avisou mil vezes que só aceitará o resultado se ele for o vencedor. Repetiu isso em Pelotas: 
"Tenho certeza de que o resultado será aquele que todos nós esperamos.  Até porque, o outro lado não consegue reunir ninguém. Todos nós desconfiamos. Como pode aquele cara [Lula] ter tantos votos se o povo não está ao lado do mesmo?"
Todos nós, quem, cara pálida? Vivendo há tempos numa realidade paralela, o presidente pensa que pode tudo. Esquece que a lei eleitoral proíbe a permanência de eleitores próximos às seções eleitorais durante o período de votação. 

Como teve uma votação maior do que a prevista pelas pesquisas no 1º turno, Bolsonaro começou o segundo mais manso, sem atacar as urnas, os ministros e o processo eleitoral, mas esta semana já voltou à normalidade, ou seja, atirando para todo lado, na medida em que os números das pesquisas só lhe traziam más notícias.

Por mais que não confie nelas, e queira até enquadrar e punir os institutos, ele demonstra que é movido por pesquisas, como de resto todos os candidatos e analistas eleitorais, até porque é o único termômetro que se tem para medir a temperatura das campanhas. 

Bolsonaro passou o ano inteiro colocando em dúvida a segurança e a confiabilidade das urnas eletrônicas, convocou até as Forças Armadas para inspecioná-las e fazer uma apuração paralela. 

Raspou os cofres públicos e estourou o teto de gastos e o orçamento para ganhar a simpatia do eleitorado que o rejeita (em torno de 50% dos aptos a votar). 

No 2º turno, conquistou o apoio de governadores e prefeitos. Multiplicou os comícios e as motociatas. Até deixou de governar, e nada. Continua empacado num honroso 2º lugar desde o início da campanha eleitoral. 

Estranho que até hoje, apesar dos sucessivos pedidos do jornal, o Ministério da Defesa não tenha apresentado à Folha de S. Paulo os relatórios sobre a fiscalização paralela para verificar a integridade e a checagem da totalização dos votos no sistema eletrônico. Só se pode atribuir este silêncio ao fato de que nada encontraram de errado. 

Caso contrário, Bolsonaro já teria convocado uma entrevista coletiva ou feito um pronunciamento à nação para denunciar
fraudes no processo eleitoral. 

Vida que segue.  (por Ricardo Kotscho)

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

OS FASCISTAS AVANÇAM, MAS ELES TÊM PÉS DE BARRO – 2

(continuação deste post)
É
 inevitável o paralelo da frase de Sartre com um presidente que:
— imita de modo jocoso e insensível os estertores de um moribundo com os pulmões comprometidos pelo vírus da covid;
— recusa-se a se vacinar; e 
— demorou a aceitar (só o fazendo depois de muita protelação e sob fortes pressões) o imperativo de comprar  vacinas que o mundo inteiro disputava desesperadamente junto aos fornecedores? 

Somos os campeões mundiais de mortes na pandemia em números relativos e terceiros colocados em números absolutos (ficamos atrás apenas dos Estados Unidos e Índia, bem mais populosos que nós) e podemos afirmar sem facciosismo que pelo menos 250 mil mortes ficarão historicamente sob a responsabilidade de Boçalnaro, o ignaro.

O mais grave é que, no país da pretendida cordialidade, o caricato general Eduardo Pazuello se tornou campeão de votos no Rio de Janeiro. O fascismo está vivo por aqui.

Na Câmara Federal, o Partido Liberal de propriedade do senhor Valdemar Costa Neto, um dos condenados do  mensalão e cujo modus operandi na política  se limita a ser sempre governo e somente mudar quando o barco faz montou uma grande base parlamentar que, aliada ao pessoal do orçamento secreto do centrão, dará as cartas no absolutismo parlamentar fascistóide.

Se Lula ganhar (o que é mais provável) terá graves dificuldades de governar, seja em razão da crise internacional do capitalismo e do comprometimento fiscal assumido pelo desgoverno do Boçalnaro (que abriu as burras do erário para a compra oficial de votos), seja, principalmente, por sua anunciada decisão de governar com os mecanismos de mercado e com o apoio e conciliação de classe com os donos do PIB brasileiro e mundial.

Mas, a seu favor, mais do que nunca, há uma convergência da
intelligentsia brasileira, dos segmentos capitalistas mais conscienciosos e das esferas superiores do Poder Judiciário, no sentido de evitar a vitória eleitoral e futura volta de um governo autocrático que destrua os ganhos civilizatórios de vez, daí estarem apostando suas fichas no Lula contra um mal maior.

Tal projeto não será suficiente para conter um previsível levante social fruto de uma forte insatisfação popular majoritária, até porque contra Lula há uma elite política e empresarial que tem força econômica para mexer seus pauzinhos e manipular a clara divisão de classe hoje existente em seu favor com a adesão de eleitores menos avisados ou por constrangimento patronal.

Lula já necessitará de grandes esforços nesta reta final para sair vencedor; e. mais ainda, vai precisar de apoio popular e visão emancipatória para promover qualquer (necessária!) transformação social.

A vitória parlamentar dos fascistas já consolidada vai propor a ampliação das vagas no STF de modo a que um futuro governante ultradireitista da estirpe do Boçalnaro possa indicar magistrados com ela comprometidos e ajudar a passar a boiada.

É o método que tem sido usado mundo afora, e que está na pauta das intenções dos fascistas brasileiros, como já se ouve da boca de novos senadores eleitos (inclusive do atual vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, recém-eleito senador).

Os fascistas autocratas da nova realidade mundial efervescente, tal como Hitler e Mussolini, estão sendo eleitos pelo voto conservador e vão assenhoreando-se aos poucos dos poderes institucionais, como um polvo gigantesco que lentamente cerca e imobiliza as suas presas.

Mas, se por um lado a ameaça fascista avança, por outro lado eles têm os pés de barro.

Como capitalistas nacionalistas que são, uma vez nos governos, apelam para a força bruta militarista como forma de conter a insatisfação popular.

Mas o ser humano tem natural e resistente repulsa ao arbítrio e vai lutar, principalmente no atual estágio das comunicações e experimentos já vividos pela humanidade, como também por conservar vivo na memória do que houve no Brasil durante os 21 anos de uma ditadura militar que saiu do governo pela porta dos fundos negociando uma lei de anistia recíproca para ficar impune aos crimes cometidos.

A realidade social mundial e brasileira está a reclamar um novo contrato social, com três pressupostos de base básicos:
— produção social voltada para a satisfação das necessidades humanas, com a abolição dos critérios da produção de mercadorias e mercado, o que significaria a abolição da forma-valor e de todas as categorias que lhe são imanentes;
— sensibilidade humanista que valorize os ganhos civilizatórios de respeito aos seres humanos, com solidariedade e preservação da vida humana e ecológica;
— cânones jurídicos expressos numa constituição e direito ordinário dela derivado que represente a realização do ideal de justiça social, possessória e comportamental do indivíduo.

Os fascistas não passarão! (por Dalton Rosado)
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