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segunda-feira, 23 de junho de 2025

POR SE PROSTRAR À POSTURA IMPERIAL DOS EUA, A ONU TEM DE SER SUBSTITUÍDA POR UM NOVO PACTO ENTRE AS NAÇÕES

oliveiros marques
MORRE A ONU
Urge sepultar esta velha dama indigna
A poucos meses de completar 80 anos, morre em Washington uma senhora que veio ao planeta com a missão de garantir a concertação mundial. 

Apesar de ter falhado algumas vezes ao longo dessa trajetória, nunca antes se mostrara tão incapaz de reagir. Nunca fora tão desprezada, humilhada e violentada quanto neste 21 de junho. Os Estados Unidos tripudiaram sobre ela.

Trump, em sua postura de imperador do mundo, comete um crime gravíssimo ao contrariar diversas resoluções internacionais. A mais séria delas: a que proíbe ataques a instalações nucleares. 

O imbecil laranja sequer tinha autorização de seu Congresso para realizar o ataque contra o Irã. Mas, como imperador, julga-se autossuficiente.

Os Estados Unidos repetem o roteiro do Iraque. Baseados em falsas narrativas sobre armas nucleares, Trump ataca o Irã — país signatário do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares — apenas para fazer o jogo sujo de seu comparsa Benjamin Netanyahu. Vale lembrar: Israel nunca assinou o tratado, e os EUA abandonaram-no já no primeiro governo Trump.

Com esse ataque ao Irã, a mão que pairava sobre os Estados nacionais deixa de existir. O recado é claro: se eu quiser o seu petróleo, suas terras raras, seu lítio — qualquer riqueza do seu território — direi que você tem armas nucleares e o atacarei. 

E não nos esqueçamos: não há qualquer relatório da
Agência Internacional de Energia Atômica que aponte enriquecimento de urânio em nível necessário para fins militares no Irã.

O único país no mundo que já utilizou armas nucleares — os EUA, contra Hiroshima e Nagasaki na Segunda Guerra Mundial — não pode se arrogar o direito de regular a ordem global. Aliás, mesmo quando ainda eram signatários do Tratado de Não-Proliferação se empenharam em reduzir seu próprio arsenal. 

Cinicamente, sustentam um discurso que vale para os outros, mas não para si mesmos. E o objetivo é escancarado: manter-se como a maior potência militar do planeta, a ponto de ameaçar anexar o Canadá, tomar a Groelândia na mão grande, ou mudar o nome do Canal do Panamá.

É urgente a refundação, articulando-se um novo pacto entre os países, para além da ONU — que se mostra, a cada dia, mais subserviente aos interesses estadunidenses. Um novo eixo precisa emergir no mundo, capaz de confrontar, de forma firme e definitiva, a postura imperial dos Estados Unidos. (Oliveiros Marques é sociólogo e colaborador do Brasil 247)
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domingo, 27 de abril de 2025

O GROTESCO EM BOLSONARO NÃO É UM ACIDENTE, É DOUTRINA. DAÍ ELE EXIBIR TANTO SUA PUTREFAÇÃO FÍSICA E MORAL.

O grotesco é o afeto que organiza o gozo fascista. 
E não qualquer gozo. Um gozo invertido, um prazer na destruição simbólica do outro. 

A cada imagem que escancara corpos abjetos, seja o da travesti espancada, do indígena invisibilizado, do pobre ridicularizado, a base se nutre. Ri, compartilha, venera. 

A gargalhada aqui é arma. Ela transforma a dor do outro em motivo de pertencimento. 

Como na cena em que Bolsonaro imita uma pessoa morrendo com falta de ar durante a pandemia, zombando do desespero de milhares que agonizavam sem oxigênio nos hospitais. 

Ou quando ri abertamente da morte de Rubens Paiva, desaparecido na ditadura.  

Ou ainda quando despreza e desumaniza a memória de Bruno Pereira e Dom Phillips, assassinados na Amazônia, insinuando que "isso acontece com quem vai por ali".

Em cada um desses episódios, a dor do outro é convertida em espetáculo. A agonia vira punchline. O luto se torna palanque. 

E é nesse teatro do escárnio que a base se reconhece, se reafirma, se alinha. Porque o grotesco aqui não é acidente. É doutrina. (trecho do artigo O mártir apodrece, o algoritmo alimenta: a guerra afetiva do grotesco de Bolsonaro, de Reynaldo José Aragon Gonçalves, cuja íntegra pode ser acessada no Brasil247) 
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Observação -- esta constatação da afinidade do fascismo com as baixarias mais repulsivas e degradantes já não aparece na imprensa e nas redes sociais com a frequência de outrora, daí eu ter decidido publicar o trecho que considerei mais significativo no texto do Reynaldo Gonçalves, ao mesmo tempo que recomendo a todos que leiam o artigo na íntegra.

Vale acrescentar que o filme mais maldito do Pier Paolo Pasolini, Saló ou os 120 dias de Sodoma (1976), bate exatamente nesta tecla. Só que hoje é muito difícil de encontrar, inclusive no streaming. E exige de quem o assiste um estômago pra lá de forte. (CL)

quarta-feira, 13 de abril de 2022

O SAMBA DA ESQUERDA DOIDA

 rui martins
A ÉPOCA É DE TOTAL CONFUSÃO
Uma avaliação política brasileira torna-se complicada se fizermos algumas comparações com o quadro internacional da invasão da Ucrânia pela Rússia de Vladimir Putin.

Embora a ONU, a União Europeia, a Comissão de Direitos Humanos e outras tantas organizações tenham condenado a invasão da Ucrânia, tanto a posição do governo Bolsonaro como da esquerda brasileira são ambíguas.

Depois de ter ido a Moscou, onde Bolsonaro reafirmou sua confiança em Putin (poucos dias antes da invasão da Ucrânia), o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, garantiu o apoio para o ingresso do Brasil como membro permanente no Conselho de Segurança da ONU. 

O presidente Jair Bolsonaro agradeceu a Putin seu apoio à soberania nacional na questão da Amazônia, "quando alguns países questionaram a Amazônia como patrimônio da humanidade".

Em retribuição, o Brasil, em Genebra, se declarou neutro na questão da invasão da Ucrânia pela Rússia.

A maioria da mídia brasileira e figuras conhecidas do PT, apesar das más companhias no Brasil, não escondem seu apoio ao também homofóbico Putin, no que continuam a chamar de operação militar especial

Ignoram ou fazem de conta que a Rússia não é um exemplo para a esquerda internacional. E, muito menos, Putin um líder de esquerda, já que compartilha do conservadorismo hipócrita de Bolsonaro e conta também com a benção de religiosos (caso do patriarca da Igreja Ortodoxa Russa).

Seguem algumas mostras bem evidentes dessas contradições envolvendo atualidades internacionais e a mídia de esquerda brasileira:
 Marine Le Pen, que disputará o 2º turno nas eleições presidenciais francesas, líder do partido de extrema-direita União Nacional, não escondia sua proximidade com o presidente russo Vladimir Putin. Um adversário seu nas eleições francesas, Eric Zemmour, também de extrema-direita, se queimou por ter demorado a assumir uma posição contra Putin. logo depois da invasão da Ucrânia;
 o Brasil 247, considerado de esquerda, é pela operação militar especial desfechada pela Rússia contra a Ucrânia e coloca em dúvida todas as atrocidades atribuídas aos soldados russos (sua fonte de informação é geralmente a agência de informação Sputnik);
 a agência Sputnik e o informativo Russian Today são considerados informativos estatais russos pela União Europeia e foram proibidos nos países a ela pertencentes. Essa dúvida quanto à independência dessas duas agências noticiosas não é de hoje. Emmanuel Macron sentiu-se visado pela Sputnik na primeira campanha presidencial e a considera um órgão de influência. Num relato feito pelo jornal Libération, Sputnik e Russian Today  foram citadas por como difusoras de falsas informações nas eleições de 2017, favorecendo Marine Le Pen, depois de terem também agido em favor de Trump nos EUA.
 no Brasil, os evangélicos, com seus líderes Silas Malafaia, Edir Macedo, Marco Feliciano e Cláudio Duarte, entre outros, apoiam a política de extrema-direita aplicada por Bolsonaro, assim como os religiosos ortodoxos russos apoiam nas suas orações o presidente Putin.
 o jornalista Milton Blay foi demitido do Brasil 247 por ter criticado afirmações antissemitas do editor de “O Mundo como ele é”, José Reinaldo de Carvalho, e, por tabela, condenar a invasão da Ucrânia por Putin. (por Rui Martins, de Genebra)
Os absurdos históricos do samba-enredo zombeteiro do Lalau são
menos absurdos do que o apoio da esquerda desvirtuada
a uma miniatura de Hitler e Stalin

terça-feira, 25 de outubro de 2016

ESQUERDA, CENTRO E DIREITA SE UNEM CONTRA MORO

Para atingir Moro, imprensa petista valoriza Gilmar Mendes...
O site Brasil247, uma espécie de porta-voz informal do petismo, dá grande destaque a declarações de arquivilãos contra Sérgio Moro e a Operação Lava-Jato

Da noite para o dia, o ministro Gilmar Mendes deixou de ser um supremo defensor das posições e interesses direitistas; o senador Aloysio Nunes, aquele ex-guerrilheiro da ALN que se deslocou para o extremo oposto do espectro político (tornando-se anticomunista furibundo!), obteve a absolvição de tal pecadilho, sem nem mesmo ter de rezar uns tantos pai-nossos e ave-marias; e o senador Renan Calheiros, atolado em denúncias de ilegalidades até o pescoço (tanto quanto estava em 2007, quando precisou abandonar sob vara a presidência do Senado), deve agora ser visto como um paladino da luta contra o regime de exceção. As voltas que o mundo dá...

Vale tudo para deter a Lava-Jato antes que encarcere Lula. Ou seja, mais uma vez o PT coloca a sobrevivência política do partido acima da revolução, da justiça social, dos trabalhadores, dos valores da esquerda e de tudo que se comprometeu a defender em 1980. Pactua nos bastidores com o PSDB e o PMDB para, juntos, cortarem as asas de Moro, no exato instante em que as delações premiadas de Marcelo Odebrecht e mais 50 executivos de sua empresa ameaçam decepar mãos sujas de figurões de todos os partidos, não deixando pedra sobre pedra em Brasília.
...o figurinha carimbada Renan Calheiros...

Todo aquele blablablá contra o Michel Temer, portanto, não era pra valer. Esta nova rodada de delações premiadas decerto vai causar-lhe imensos embaraços e talvez até o derrube; e há, ainda, a possibilidade de Eduardo Cunha também fechar um acordo para salvar o pescoço, o que equivaleria a outra bomba arrasa-quarteirão. Mas, se abortar tudo isso for o preço para evitar a prisão de Lula, o PT se mostra disposto a pagá-lo de bom grado. 

Por quê? Porque faz das tripas coração para se manter como força hegemônica da esquerda, apesar dos erros crassos que tem cometido e das acachapantes derrotas que vem sofrendo ultimamente. E, como continua sem nenhuma outra figura de proa com prestígio nacional, sua única esperança de não repetir nas eleições de 2018 o desempenho pífio das de 2016 é ter Lula como candidato a presidente da República, puxando votos para os pleiteantes aos governos estaduais, Senado, Câmara Federal e assembleias legislativas.

O desespero é tamanho que o coordenador do MST, Miguel Stedile, constrangeu d. Paulo Evaristo Arns no ato comemorativo do seu 95º aniversário, ao pedir-lhe: "Reze, faça tudo o que o senhor puder para salvarmos o Lula desse impostor" (referência a Moro, a quem ele também qualificou de imperador de Curitiba). A fala foi tão descabida e inoportuna que só restou a d. Paulo a opção de manter-se em silêncio.
...e o neo-conservador Aloysio Nunes.
A minha impressão é que a cruzada de direita, centro e esquerda contra a Lava-Jato acabará vitoriosa. 

Divirto-me ao ler artigos enfáticos do Reinaldo Azevedo desaconselhando a aceitação da delação premiada de Eduardo Cunha sob mil pretextos, menos o motivo real, de que causaria uma enorme devastação no coração do poder. 

Ou ao tomar conhecimento de alguns excessos caricatos em que incorrem os petistas para preservarem seu último trunfo, como o de mobilizarem-se ruidosamente para resistirem ao que depois acaba se evidenciando como mero boato. 

E fico imaginando a cara dos visitantes de Moro que vão lhe perguntar quando mandará a Polícia Federal atrás da bola da vez, ao dele receberem como resposta apenas o indicativo apontando a placa jocosa que pendurou na parede do gabinete: "Prisão do Lula só amanhã".

Mas, o strip-tease dos poderosos já durou demais e suas pudendas são muito feias de se olhar. Se levada às últimas consequências, a luta contra a corrupção esfarelará de tal forma o poder político que este não servirá mais nem para continuar cumprindo seu tradicional papel de fachada do poder dominante (o econômico). 
Seu prazo de validade parece estar chegando ao fim

E, só os ingênuos não percebem, neste instante inexiste qualquer possibilidade de o povo tomar nas mãos seu destino; se a desqualificação generalizada dos políticos abrir caminho para uma solução alternativa, o beneficiário será algum demagogo carismático que decerto vai se apresentar como um outsider, mas ideologicamente rezará pela cartilha da direita mais selvagem!

Registro a sábia advertência do colega jornalista Mário Sérgio Conti, que é minha também:
"Depois do tacão militar, da Nova República, do pesadelo collorido, do apagão tucano, da deterioração petista e do golpe democrático – após o fracasso total virá o Salvador da Pátria...
...Bonaparte poderá vir até mesmo antes do próximo pleito, caso um desses cruzados contra a corrupção se meta na política. Como tantas almas crédulas seguiram Jânio, os milicos e Collor, dá para imaginar o tamanho da procissão atrás de um histrião moralista".
Mas, se Moro for mesmo enquadrado para o bem de todos que se lambuzaram com o poder e felicidade geral dos políticos profissionais, merecerá ser respeitosamente lembrado como um Gulliver que os liliputianos terão imobilizado, mas não vencido. 

Admirador entusiástico da Operação Mãos Limpas italiana, ele foi totalmente coerente com suas devoções. Quantos dos feios, sujos e malvados da política brasileira podem dizer o mesmo? 

quarta-feira, 20 de abril de 2016

GOEBBELS E SEU LEGADO QUE SE DANEM!!!

Quanto recrimino a opção do PT e da rede chapa branca por uma propagandaiada altamente falaciosa, imposta pela repetição massacrante e tendo tudo a ver com as práticas do ministro da Propaganda nazista Joseph Goebbels, não me refiro apenas às mentiras cabeludas da campanha presidencial de 2014 ou à insistência em chamar de golpe o que não passa de mais um impeachment como o de Collor.

Há também o amoral utilitarismo que norteia sua atuação. Os princípios e valores tradicionais da esquerda foram todos jogados no lixo e, ao sabor das conveniências e interesses imediatos, os personagens mais repulsivos da nossa política são apresentados como exemplos e suas opiniões, enaltecidas e difundidas.

Assim, p. ex., quando se tratou de desqualificar Marina Silva, o site petista Brasil 247 não se vexou de reproduzir com destaque as críticas que Reinaldo Azevedo a ela fazia. Ele, o mais notório porta-voz jornalístico da direita. Marina, uma herdeira de Chico Mendes e do petismo idealista de outrora. Foi uma opção chocante para quem ainda consegue fazer avaliações isentas, ao invés de apenas seguir o rebanho.

Juntando o cinismo ao escárnio, ao invés de introduzir Reinaldo Azevedo como o Carlos Lacerda em miniatura que ele é, o Brasil 247 optou pela fórmula evasiva, não cheira nem fede, de "expoente do movimento neocon", pois não ficaria bem dar a referência correta quando estava implicitamente levantando a bola dele. 

Com isto, foi ridicularizado até pelo próprio, que escreveu algo nesta linha (reproduzo de memória): quer dizer que, quando trato de outros assuntos, sou um grandessíssimo canalha; agora, se desço o cacete na Marina, eu me torno um sujeito muito legal...

Outra manifestação grotesca de utilitarismo foi quando o Brasil 247 colocou o Delfim Netto, um dos últimos signatários do AI-5 ainda vivo, como personagem de capa de sua revista e uma das atrações do site, apenas e tão somente porque ele declarara não concordar com o impeachment de Dilma. 

Isto seria suficiente para qualquer pessoa civilizada esquecer que, ao dar o seu aval à remoção da focinheira das bestas-feras, Delfim se acumpliciou com uma infinidade de assassinatos, torturas, estupros e outros horrores?! Não, mil vezes não!

De resto, quem age apenas em função de motivações menores, geralmente paga o preço de seu oportunismo.

Pois, se o Brasil 247 considera dignas de serem amplamente difundidas as opiniões do ministro sinistro da ditadura, deveria divulgar estas também, de sua coluna na Folha de S. Paulo de hoje (20/04):
"O Brasil vive um momento triste e angustiante. É o resultado de uma acumulação de equívocos quase inacreditáveis no tratamento da política e da economia... 
"...nem sequer o razoável programa proposto pelo ministro Nelson Barbosa (aparentemente com o apoio da presidente) pode ser aprovado. 
"A objeção não veio da fraca 'oposição', mas do seu barulhento partido, o PT, que a rigor nunca teve qualquer proposta para construir uma sociedade civilizada em um regime de verdadeira liberdade individual.... 
"...Dilma Rousseff meteu-se, imprudentemente, na disputa da presidência da Câmara dos Deputados contra o segundo maior partido de sua base. Perdeu! Viu extinguir-se, lentamente, a sua capacidade de impor sua agenda ao Legislativo. 
"No campo da economia, o desastre não foi menor. Depois de uma excelente administração em 2011, (...) Dilma iniciou um insensato intervencionismo voluntarista com a destruição do setor elétrico, com a baixa dos juros reais sem os alicerces fiscais necessários, com a valorização do câmbio para combater a inflação e com o inacreditável prejuízo imposto à Petrobras e ao setor sucro-energético. 
"...Esses fatos mostram como é inútil procurar efeitos externos (que existem) para explicar a tragédia em que estamos metidos. 
"Ela é filha legítima da falta de habilidade política e da desastrada política econômica do período entre 2012 e 2014, que em 2015 levou a uma queda do PIB per capita de 4,8%. Se nada for feito -e rapidamente - é bem provável que a profecia hoje corrente, de que no final de 2016 o nosso PIB per capita será igual ao de 2009, se realize".
Era de esperar-se que Delfim escrevesse algo diferente depois do domingo do impeachment? Claro que não! Então, quem contribuiu para conferir-lhe uma credibilidade que jamais deveria ter está colhendo o que plantou. 

Que sirva de lição. O utilitarismo serve para manipular e encabrestar os públicos atingidos por um veículo de comunicação, mas o objetivo da esquerda é bem diferente: despertar as consciências

Goebbels e seu legado que se danem!!!

Obs: juro que não tenho bola de cristal, apenas conheço bem o caráter dos personagens. Então, confirmando a opinião que eu tenho dele, no final da tarde ficamos sabendo que o Delfim Netto almoçou com o Temer e saiu elogiando o amigo da onça.

Fez questão de repetir para o repórter, dizendo ser uma "avaliação correta", o seguinte diagnóstico de Michel Temer: "O que falta neste momento é governo, é organização política".  

Fez lembrar aquela velha marchinha de carnaval que dizia: "O cordão dos puxa-saco cada vez aumenta mais". Suponho que nunca mais a revista do Brasil 247 o quererá na capa...

domingo, 17 de janeiro de 2016

PARA SALVAR A PELE DA DILMA, ATÉ O DELFIM NETTO SERVE!

Delfim Netto foi um dos 17 signatários do Ato Institucional nº 5, que deu sinal verde para os órgãos de repressão da ditadura militar barbarizarem, matarem, torturarem, estuprarem, darem sumiço em cadáveres, etc. Isto faz dele co-autor de todos os crimes cometidos pelos terroristas de Estado entre 13 de dezembro de 1968 e 31 de dezembro de 1978.

Delfim Netto não se arrepende de todo sangue que jorrou de sua caneta e já chegou a afirmar que assinaria de novo o AI-5. Eis, textualmente, a defesa que fez da sua ignomínia em junho de 2013: "Se as condições fossem as mesmas e o futuro não fosse opaco, eu repetiria".

Este é o indivíduo cuja opinião favorável à continuidade da presidente Dilma Rousseff no poder foi valorizada pelo Brasil 247  a ponto de ocupar toda a capa da edição 74 de sua revista. De que vale, afinal, o apoio de quem apoiou o AI-5?!

Não há nada a estranhar, contudo, pois na campanha presidencial de 2014 o site do Brasil 247 chegou a reproduzir, respeitosamente, críticas a Marina Silva formuladas por... Reinaldo Azevedo! Tão respeitosamente que o pitbull ultradireitista foi introduzido apenas como "expoente do movimento neocon".

Mesmo que eu estivesse me afogando, recusaria uma mão estendida por Delfim Netto.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

RUI MARTINS: "TEREZA CRUVINEL E BICUDO GAGÁ".

Por Rui Martins
Há alguns dias, a conceituada colega jornalista Tereza Cruvinel, ex-O Globo e ex-TV Brasil, colunista e editora do site situacionista Brasil247, dedicado à defesa do governo Dilma e do PT, tornou-se passível de processo ao infringir o Estatuto do Idoso, perguntando, insinuando e levantando sem provas em apoio, em manchete e no texto, que o jurista Hélio Bicudo estaria senil ou gagá.

O texto era bem claro: 
"Bicudo está senil? – Um homem lúcido como ele sempre foi não diria os disparates que disse, em entrevista ao Estadão, se tivesse perfeito domínio de suas faculdades mentais".  
"… só pode fruto da turvação mental do subscritor do pedido de impeachment abraçado pela oposição".
É claro que tudo parece permitido nesse clima de caos político vivenciado pelo Brasil nestes últimos meses, no qual governo e oposição competem em corrupção e incompetência, movidos por interesses pessoais e não ideológicos, destruindo-se pouco a pouco, por confissões na Lava Jato e nos reajustes fiscais alguns dos avanços e muitas ilusões criados na última década.

Da crença de termos vivido anos de ensaios de um governo de esquerda vai restando só a impressão de termos nos iludido com um simples e primário populismo de esquerda. Quando se vê Lula e o presidente do PT terem rejeitados seus pedidos para a presidente Dilma governar em favor do povo, como havia prometido na campanha eleitoral, e não aceitar ser manipulada por banqueiros e grandes capitais, como lulistas e petistas podem continuar lhe dando apoio?
Uma quase sexagenária que vitupera os nonagenários

Que diferença faz haver ou não impeachment se o próprio governo já se antecipou e, desde seu início, praticou um autogolpismo, ignorando porquê e para que foi eleito, ignorando a razão do voto de seus eleitores?

É preciso mesmo ser muito ingênuo para se deixar conduzir cegamente por espertos prestidigitadores sofistas, acreditando estarmos na iminência de um golpe.

O golpe já houve! Foi quando a presidente Dilma eleita por uma campanha populista de esquerda decidiu, logo depois de sua posse, constituir um ministério de interesses próprios, favorecendo o agronegócio, os banqueiros e aumentando desmesuradamente os juros para tentar tapar os buracos criados nos quatro anos de má gestão. Foi a própria Dilma quem deu o golpe!

No que vai mudar o Brasil com impeachment ou sem impeachment de Dilma, se o executivo, o legislativo e parte do próprio judiciário se transformaram em máfias que se ameaçam para dominar mas, na impossibilidade, tentam negociar conchavos entre si num último esforço para continuarem no poder? Se não há mais heróis e só vilões, se os anseios sociais de tantos são postergados e a velha oligarquia vai tranquilamente retomando seus lugares e seus poderes?

Quem se preocupa nestes dias pelos índios, pelos negros, pelos sem terra, pelos favelados, pelos sem teto? Quando se descobre que o próprio projeto de casas populares foi verticalizado e não previu habitações integradas com lazer para crianças e jovens, segurança, saúde, educação e transportes?

Voltando ao início desta coluna, não acredito que o idoso mas combativo e destemido juiz Hélio Bicudo esteja gagá. Nem seu filho ingrato José Eduardo Bicudo, que o criticou em público e, sabe-se lá porquê,  ousou chamar o pai de senil. E, entre sete filhos, só uma voz crítica discordante não tem peso como referência, mesmo porque a filha Maria Lúcia discorda do irmão e faz mesmo uma referência bem positiva ao se referir ao pedido de impeachment entregue hoje em Brasília – “É uma continuação do belo trabalho dele”, diz.

Tereza Cruvinel, que tem 59 anos e se aproxima portanto do grupo da Terceira Idade, não deveria utilizar idade como argumento político, pois chega a ser um recurso insultuoso.

Com qual idade uma pessoa fica demente senil ou gagá? Tereza Cruvinel tem uma tabela exata? Será que todo idoso fica gagá? Neste caso, o Jânio de Freitas estaria gagá? 

Não acredito, mesmo porque muita gente importante envelheceu sem ficar gagá. Por exemplo, o Oscar Niemayer que ainda aos 98 anos ia aos comícios da Dilma; e um dos primeiros professores da Universidade de São Paulo, o Claude Levy Strauss, autor do livro Tristes Trópicos.

Me lembro ainda de uma entrevista feita no aeroporto de Genebra com dom Helder Câmara, quando já era bem velhinho, magrinho, frágil como Hélio Bicudo. Os militares, por certo consideravam o arcebispo gagá, como Cruvinel faz com Bicudo.

De que outros idosos importantes me lembro agora? Do escritor, prêmio Nobel de Literatura, Isaac Bashevis Singer e do pintor Picasso, autor do famoso quadro Guernica. E ainda do herói antiapartheid Nelson Mandela.

Só lhe perdoo, Cruvinel, esse desvio, essa ofensa, essa escrita não digna de uma tão conceituada jornalista, por ter lido hoje no mesmo chapa branca Brasil247, uma crítica sua à presidente Dilma junto com uma crítica ao Eduardo Cunha. 

Enfim, o site vai ficar com o Rui Falcão e o Lula ou vai continuar aceitando o desvio neoliberal da presidente Dilma e seu autogolpe nos eleitores?

Observações
  • na lista de idosos ilustres do companheiro Rui caberia também o matemático e filósofo Bertrand Russell que, quase centenário, presidiu com brilhantismo o tribunal internacional de grandes nomes da cultura e da ciência que julgou simbolicamente os crimes de guerra perpetrados pelos EUA no Vietnam.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

PARA PROFESSOR DA ECA/USP, A PM É BURRA , COVARDE E CORRUPTA

Na série de textos com que este blogue está oferecendo um enfoque alternativo ao da grande imprensa sobre a crise da Universidade de São Paulo, não poderia faltar a ávaliação de um professor da Escola de Comunicações e Artes (*). A combativa ECA/USP de Vladimir Herzog.

E é combativo o artigo Falta inteligência na USP, de Claudio Julio Tognolli, publicado no excelente jornal digital Brasil 247.

Mas, a exemplo do nosso bom Carlos Lungarzo, ele faz análises extensas demais para o padrão aqui dotado, daí eu reproduzir apenas os principais parágrafos, recomendando aos interessados a leitura da íntegra aqui.
"Tudo o que os opinionistas de plantão publicaram sobre a ocupação da Reitoria, a violência da PM etc, é de uma pré-coerência estilizada de quem não conhece a USP de perto. Vamos aos fatos: a PM é burra porque não aplica o seu dito 'serviço de inteligência' nas comunidades carentes que cercam o campus.

...o narcotráfico e até o tráfico de armas invadiu as comunidades carentes... A PM que invadiu a USP metendo um cano na cabeça dos estudantes é a PM burra: que prefere cumprir ordens judiciais cegamente a investigar os traficantes da pesada presentes na USP.

Colocar Polícia Militar nos campi é um tabu que a sociedade americana aprendeu a duras penas a não quebrar: desde que, no final dos anos 60 o governador da Califórnia, Ronald Reagan, botou a Guarda Nacional para dar porrada nos estudantes de Berkeley. Foi ali que se deu a criação do movimento Flower Power, quando Joel Tornabene (...) reagiu a um fuzil apontado contra o seu peito enfiando uma flor no cano do trabuco fumegante.
O movimento hippie nasceu da repressão aos estudantes. O monstro que a PM criou na USP vai gerar subprodutos em curto espaço de tempo – da mesma forma que as areias a irritarem ostras costumam gerar pérolas.
 ...com a falta de inteligência policial, traficantes de armas e de drogas se infiltraram no seio das pessoas de boa índole encravadas nas favelas que a comunidade uspiana sempre tentou ajudar. (...) Traficantes perigosos, bandidos sazonados, calcetas, invadiram as comunidades carentes no entorno do campus. A Polícia de São Paulo não tem inteligência para detectar quem eles são, eles continuam lá, inclusive comandando roubos de aparelhos como câmeras etc, em algumas faculdades – e a Polícia exibe as cabeças de meia dúzia de 'estudantes da USP maconheiros e mimados'.
Mas quem só pode contar essas histórias são os professores da USP, como esse escriba, que já viram os seus alunos serem ameaçados por facas, armas pesadas etc, e depois serem acusados de 'maconheiros' por uma PM que não tem inteligência policial suficiente, ou mesmo coragem para combater os chefões do narcotráfico da USP, que inclusive se gabam de corromper maus policiais".
* minha velha casa: foi na ECA que me graduei em Jornalismo, há três décadas.
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