Antigamente a sabedoria popular recomendava: quem é burro (como o Framcisco Wanderley Luiz), peça a Deus que o mate e ao diabo que o carregue.
Jair Bolsonaro, contudo, não estava sendo burro em 2018, ao simular um atentado que lhe servisse de desculpa para fugir dos debates eleitorais nos quais já tinha sido derrotado por Guilherme Boulos e triturado por Marina Silva.
Burros foram os que acreditaram naquela patranha, que o vídeoFacada no Mito(depois removido doYouTubea pedido do farsante) desmascarou sem deixar margem nenhuma para dúvida.
Empossado após a eleição mais fraudulenta do Brasil em todos os tempos, ele novamente continuou a servir-se do terrorismo, mas com um novo propósito: o de eternizar sua presidência pela via do golpe de estado.
Passou quatro anos semeando ventos, mas não colheu o tipo de tempestade que almejava pelo simples motivo de que jamais passou de um poltrão se fingindo de machão.
Três vezes ele engatilhou o sonhado golpe (nosDias da Pátriade 2021 e 2022, depois no 08.01.2023) e nas três amarelou repulsivamente, sendo o único golpista que não era encontrado no palco do golpe.
O ridículo chegou ao extremo na terceira micareta: aí ele não conseguiu pensar num único ponto do território brasileiro no qual estivesse a salvo de prisão caso seu putsch flopasse, então foi abrigar-se na Disneylândia enquanto seus bovinizados seguidores viam o sol nascer quadrado.
Como o feitiço às vezes se volta contra o feiticeiro, um desses seguidores resolveu fazer agora o que o Bolsonaro queria que fosse feito durante o seu mandato, para criar uma confusão que lhe permitisse colocar o país sob estado de sítio, botar as tropas nas ruas e impor uma ditadura enquanto fingia a estar evitando.
Depois que tal conspiração ruiu fragorosamente, as bombas detonadas em Brasília perderam qualquer razão de ser: a direita, na prática, já está no poder, não pela via golpista mas pelo controle do Legislativo, que tornou o Lula pouco mais do que uma rainha da Inglaterra, obrigado a negociar com o Centrão até a permissão para ir no banheiro...
Mas, quem saiu dominante das eleições municipais não foi a direita ferrabrás, mas sim a convencional, que agora está com a faca e o queijo na mão para obter outra vitória esmagadora em 2026.
Tal direita nada tem a lucrar com o terrorismo, portanto deverá colaborar com os petistas para evitar o alastramento dessa praga.
E, se o Bolsonaro apostava todas as suas fichas em conseguir uma anistia ilegal para concorrer á presidência na próxima eleição, a palhaçada terrorista desta semana serviu. isto sim, para a direita majoritária se dar conta de que correrá algum risco se contribuir para os planos malucos do Bozo.
O que já era difícil (porque implicava confronto de Poderes) agora se tornou impossível. Sem força para fazer aprovar a anistia inconstitucional no Congresso, o azarão Bozo tende a ficar chupando o dedo enquanto Tarcísio de Freitas participará da próxima eleição como o grande favorito.
Isto é o que ocorre quando um espertalhão coloca ideias de jerico na cabeça de imbecis, mas não tem como controlá-los o tempo todo. A chance de o tiro sair pela culatra e atingir o próprio instigador se torna enorme.(por Celso Lungaretti)
É tão óbvio que o Bozo será escorraçado pelos eleitores em outubro, ao que tudo indica já no 1º turno, que seus especialistas em truques sujos estão operando em tempo integral e no modo desespero total.
Uma vez deu certo, quando ele estava tendo desempenho caricato nos debates da eleição presidencial de 2018 e trataram de providenciar-lhe uma boa desculpa para fugir do tête-à-tête com os Guilhermes Boulos e Marinas Silvas daquela campanha, antes que o país inteiro concluísse que ele não passava mesmo de um palhaço sinistro.
[Tal ficha só cairia tarde demais para os 39,2% de brasileiros que elegeram gato por lebre e tornaram nosso país motivo de chacota para os civilizados do mundo inteiro.]
Mas, como a farsa do Adélio teve mais furos do que uma peneira e não sobreviveria a nenhuma investigação independente (o que mais se aproximou disto foi o vídeo Facada no mito, que a reduziu a picadinho), é uma temeridade quererem voltar ao assunto agora.
Só serve para lembrar aos adversários que este é ainda um calcanhar de Aquiles daquele pleito no qual também tiveram influência decisiva o abuso escandaloso de poder econômico e o bombardeio virtual impune com uma imensidão de fake news.
Mais ou menos na mesma linha é terem feito agora uma montagem ilegal de trechos de um filme inacabado do Ruy Guerra (por eles obtidos por métodos obviamente crapulosos) e utilizarem-na para enganar novamente os otários, desta vez fazendo-os crer que os diabólicos comunistas, em conluio com a Rede Globo (!), estariam instigando um atentado contra o motoqueiro fantasma numa de suas grotescas motociatas.
Mas, como tal mentira é mais fajuta ainda do que a fantástica mamadeira com bico de pênis, não colará.
Só que eles estão chamando a atenção de todos os miolos moles do Brasil para a facilidade com que poderiam encurtar o prazo da chegada do Bozo ao inferno nos momentos em que ele se expõe nessas palhaçadas de velhinho transviado. Seria a sopa no mel para qualquer sniper.
Quem leu o livro de Frederick Forsyth ou assistiu ao filme do Fred Zinnemann (o original de 1973, pois o remake de Michael Caton-Jones em 1997 é um lixo), ambos intitulados O dia do chacal, sabe que é dificílimo garantir a segurança de um figurão discursando num palco fixo e verdadeiramente impossível se ele circular num veículo lento, durante um tempão, pelas ruas da cidade.
E, até levando em conta o próprio exemplo, o Bozo deveria estar ciente de que há muito louco fora do hospício em nosso país. Indicar-lhes a melhor ocasião para atingirem um alvo que lhes garantirá a notoriedade sonhada é a chamada ideia de jerico... (por Celso Lungaretti)
A Polícia Federal informou em nota oficial divulgada nesta 6ª feira (17) que os suspeitos de assassinar o indigenista Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips agiram sozinhos.
As investigações indicariam que não há mandante nem organização criminosa por trás do delito. A versão é precipitada, desrespeitosa e espantosa.
O comunicado foi divulgado horas antes da constatação científica de que são mesmo de Dom parte dos restos mortais recolhidos na floresta na 4ª feira. Prossegue a análise em relação a Bruno.
Segundo a própria PF, a completa identificação é necessária para a compreensão das causas das mortes, assim como para indicação da dinâmica do crime e ocultação dos corpos. Nada mais precipitado do que descartar o que deveria ser a principal linha de investigação num estágio tão inicial do inquérito.
Tanta pressa desrespeita os familiares dos mortos e todos os que esperam por uma investigação criteriosa, profunda e definitiva. A ligeireza insulta também quem se dispõe a colaborar com os investigadores.
A Univaja, p. ex., estranha que estejam sendo ignorados dados que repassou ao Ministério Público, à Funai e à própria PF. São informações que apontam para uma criminalidade graúda.
O desprezo à colaboração externa espanta mais quando se considera que, neste caso, os agentes do Estado só chegaram aos primeiros presos graças ao auxílio dos informantes.
De resto, não teriam encontrado roupas e pertences dos mortos sem o auxílio dos indígenas. De posse desse material, puderam cercar Amarildo Oliveira, o Pelado, extraindo dele a confissão que levou aos corpos.
De duas, uma: ou a PF explica adequadamente por que despreza a hipótese de existência de mandante, ou vai restar a impressão de que o órgão age a mando de gente interessada em enterrar viva uma investigação incômoda para o governo. (por Josias de Souza)
Dá um baita alívio perceber que, afinal, não sou o único comentarista político que mantém suas convicções mesmo quando a esmagadora maioria está contra, seja por credulidade com relação às versões oficiais, seja por medo de as confrontar.
Muito cedo percebi que havia algo de podre, não no reino da Dinamarca, mas sim no episódio da suposta facada que decidiu a eleição presidencial de 2018 em favor de um indivíduo que não tinha sequer condições mentais para ocupar tal cargo e que, se não houvesse encontrado uma justificativa para fugir dos debates eleitorais, teria sido neles destruído, como quase foi pelo Guilherme Boulos no segundo deles e indiscutivelmente o foi pela Marina Silva no terceiro.
A ignorância crassa que ele cansa de exibir como presidente teria sido fatal para o candidato. A única salvação era tirá-lo do alcance de quem lhe atirasse na cara, ao vivo e em cores, o quanto carecia dos mais elementares conhecimentos sobre tudo que não fossem as lições de malandragem aprendidas nas ruas onde reinam as milícias e do parasitismo característico do baixo clero (que foi o único saldo de suas três décadas de atuação fisiológica no Legislativo).
Facada encenada, com erros gritantes e furos maiores do que crateras de vulcões, a imprensa não a investigou. Como? Por quê? Era a farsa dos sonhos de qualquer jornalista investigativo que se prezasse.
Por um destino insólito, a VPR fez de mim, em 1969, quando eu tinha apenas 18 anos, o primeiro comandante de Inteligência de uma organização guerrilheira no Brasil. Militante dedicado, tratei de, a duras penas, ir aprendendo o ofício que jamais cogitara exercer.
Depois, como jornalista, pude observar os bastidores da nossa política na condição de espectador privilegiado, completando meu aprendizado.
Então, em 2018 não tive a mais remota dúvida de que a cortina de silêncio que baixou sobre o episódio se devia à pura e simples intimidação fardada. Não consigo imaginar nenhum outro motivo que fizesse os colegas da grande imprensa engolirem sapo tão descomunal.
Mas, objetam alguns simplórios que ainda acreditam na lisura da democracia burguesa, se facada não houve e médicos dela trataram (ou fizeram qualquer outra cirurgia, aquela sim necessária), como uma patranha dessas teria passado batida?
Ora, tudo é permitido depois que a democracia estadunidense, cantada em prosa e verso como um modelo de perfeição, quis fazer-nos crer que:
— um presidente assassinado num fogo cruzado teria sido vítima de um único atirador (o homem de borracha daquelas HQs antigas?); e
— que um notório suspeito de ligações com a máfia teria conseguido entrar armado num estacionamento lotado de policiais e balear um prisioneiro que se constituía num arquivo vivo capaz de provocar um tsunami político, e isto sem que nenhum dos agentes o impedisse.
Então, saúdo o Jota Carneiro que, com sua genial charge, mostrou-me que nem tudo está perdido no trem fantasma brasileiro.
Resistir é preciso, viver não é preciso. (por Celso Lungaretti)
Três dias depois de o PL, partido de Bolsonaro, ter faltado à reunião em que a emissora CNN discutiu com representantes dos candidatos as regras do primeiro debate presidencial de 2022, marcado para 6 de agosto, surge a notícia de que o PT de Lula se queixa do excesso de debates.
A coisa não cheira bem. É como se o líder e o vice-líder das pesquisas preparassem uma rota de fuga.
Surgem as primeiras desculpas. Dirigentes do PT reclamam da quantidade de debates. Alegam que as emissoras deveriam organizar um pool. Conversa mole de quem receia uma discussão franca sobre mensalões e petrolões. Ou sobre a ruína da gestão Dilma.
Bolsonaro já havia declarado há dois meses que pretendia participar de todos os debates, desde que não lhe fizessem perguntas sobre temas pessoais e familiares. Ilusão de quem comanda uma holding da rachadinha e não consegue explicar nem os depósitos feitos pelo operador Fabrício Queiroz na conta bancária da primeira-dama Michelle.
No Brasil, debates eleitorais têm serventia duvidosa. As assessorias dos partidos impõem aos organizadores regras draconianas, que favorecem a cenografia em detrimento do conteúdo.
Os contendores são ensaiados previamente em sessões de treinamento que transformam candidatos precários em boas encenações. Além disso, não há nenhuma garantia de que um bom debatedor será um gestor qualificado.
Ainda assim, é mais vantajoso ter algum debate do que não ter nenhum. É no mínimo constrangedor que os candidatos à Presidência que frequentam as pesquisas como adversários potenciais num eventual 2º turno insinuem o desejo de retornar ao trono brincando de esconde-esconde com os eleitores. (por Josias de Souza)
A Marina Silva desconstruía o genocida em 2018...
TOQUE DO EDITOR– Peixeiro experiente sabe quando está vendendo peixe podre para a clientela e tenta salvar a situação como pode, antes que todos percebam o fedor.
Osstaffsdo Bozo e do Lula, idem. Estão carecas de saber que ambos não são maus debatedores. São péssimos.
Em 2018 o genocida foi levado às cordas pelo Guilherme Boulos e, alguns dias depois, a Marina Silva o deixou grogue, segurando-se nas ditas cujas para não desabar no chão.
Por uma daquelas coincidências que só ingênuos engolem, houve então o nebuloso episódio dafacada mandrakeque lhe serviu de pretexto para ausentar-se de todos os debates restantes, inclusive quando os médicos já o estavam liberando explicitamente para participar.
[Enquanto não houver uma investigação independente daquela que possivelmente foi a maior fraude eleitoral da história brasileira, continuarei afirmando que o vídeo Facada no mito (cliqueaquip/ assistir) ganha por 10x0 da versão oficial em termos de verossimilhança.]
Quanto ao Lula, não debate nem jamais debateu: faz caudalosos discursos rodeando a questão levantada pelo oponente. Quando teve um adversário de verdade pela frente (Fernando Collor em 1989) foi simplesmente arrasado.
...aí o Bozo foi salvo não pelo gongo, mas sim pelo Adélio
Durante o debate decisivo daquela eleição presidencial, Lula passou o tempo todo travado, empurrado para a defensiva, esfregando nervosamente uma mão na outra; chegou ao cúmulo de não retrucar quando o rebento da elite alagoana afirmou que o equipamento 3x1 do metalúrgico era melhor que o dele.
[Circulou nos bastidores que Lula adquirira um 3x1 caro para presentear uma amante, mas os adversários ficaram sabendo; então, ele teria permanecido em silêncio sepulcral por receio de que, se negasse, o falsocaçador de marajásexibisse triunfalmente a nota fiscal do aparelho para o Brasil inteiro ver.]
O debate aconteceu três dias antes do 2º turno. Assisti-o atentamente de cabo a rabo, pois havia sido incumbido de escrever um comentário sobre ele para a Agência Estado.
Fiz questão de concluir meu texto antes de ir dormir, sem tomar conhecimento de nenhuma avaliação alheia, e a minha conclusão foi a de que, se aquele último round da campanha tivesse sido decisivo (pois as pesquisas apontavam empate até então), a vitória final seria do Collor.
Depois, no Jornal Nacional da 6ª feira, a matéria sobre o debate, ao contrário da praxe de equilibrar os pratos da balança, foi acentuadamente favorável ao Collor.
O nervosismo de Lula em 1989 o fazia esfregar incessantemente as mãos
Mas, os que atribuem apenas a uma manipulação da Globo o resultado da eleição, omitem que quem presenciou o dito cujo com olhar crítico ficou se indagando o motivo de o Lula ter-se mostrado tão apático, além de surpreender-se com a facilidade encontrada pelo Collor para prevalecer durante todo seu transcurso.
Vai daí que, se eu fosse o marqueteiro de qualquer um dos dois, o aconselharia mesmo a fugir como uma galinha.
Afinal, o gado do Bozo continua idolatrando-o até quando tira vacina do braço de criancinha e a claque do Lula não estranhou nem mesmo ele não ter participado de um único #ForaBolsonaro em três anos de destruição do Brasil. (por Celso Lungaretti)
BOLSONARO (Editora Máquina de Livros, 2018, arte circense, 192 pag.)
O jornalista Clóvis Saint-Clair, ex-Veja, aproveitaria melhor o seu tempo se escrevesse sobre expoentes realmente respeitáveis desse ofício, como o Piolin, o Arrelia, o Pimentinha, o Fuzarca, o Torresmo, o Carequinha, o Atchin, o Espirro, o Patati e o Patatá.
O Bozo, além de pertencer ao baixo clero circense, não passa de uma franquia dos EUA. E seu sucesso se não se deveu a méritos (jamais teve algum), mas sim à insistência dos donos do circo, que fizeram todo tipo de propaganda enganosa e chegaram até a encenar a farsa Facada no mito para fins de chantagem emocional, bem como para evitar que ele tivesse de competir com palhaços mais talentosos. Cotação: pior,impossível.
Em 1929 começou a grande depressão, que se prolongaria até o início da 2ª Guerra Mundial. Ainda combalida, a Alemanha sentiu duramente o novo baque. As análises nazistas de que os partidos próximos ao poder seriam incapazes de promover o almejado resgate da superioridade alemã passaram a ganhar força e apoio entre o povo alemão.
Nas eleições de 1932, Paul von Hindenburg, embora doente, concorreu à reeleição como único capaz de evitar a vitória do Partido Nazista e seus métodos violentos. O dito cujo ganhara notoriedade e prestígio à medida que se confirmavam suas previsões de depressão econômica. Assim apresentou Hitler como candidato.
O resultado confirmou o prestígio de Paul von Hindenburg, da coalizão de direita, com 53,05% dos votos no 2º turno, à frente de Hitler (36,77%) e Ernest Thälmann, do Partido Comunista (10,15%).
Já as eleições parlamentares de março de 1933, com 647 cadeiras em disputa, ocorreram sob violenta pressão dos hilfspolizei (polícia auxiliar), seis dias após o incêndio do Reichstag. Nelas se confirmou a ascensão do Partido Nazista, que obteve 43,91% dos voos e 288 cadeiras. O Partido Social-Democrata ficou com 120 cadeiras, o Comunista com 81, o de Centro (católico) com 73 e o Popular Nacional Alemão com 52. As 33 restantes couberam, pulverizadas, a seis partidos menores.
O incêndio do Reichstag, ateado por um Adélio Bispo de Oliveira da época, deve igualmente ter sido uma farsa.
Com a recuperação da economia e apoio dos capitalistas alemães que queriam também minar o poderio econômico judeu (combatido pelos nazistas), o poder político e influência do nazismo passou a ser poderoso e sua máquina de propaganda funcionava com os novos recursos midiáticos, inclusive pelas ondas do mais novo meio de comunicação – o rádio, bem aproveitado por Goebbels. (1)
Hindenburg não gostava de Hitler a quem se referia pejorativamente como cabo boêmio. Mas em política o jogo de pesos e contrapesos de interesses políticos e, principalmente, os econômicos, é que dita os comportamentos. A recuperação econômica alemã ocorria paralelamente ao aumento da influência nazista, o que lançava os grandes capitalistas alemães nos braços de Hitler.
Por livre e espontânea pressão, Hindenbrug, que dissolvera o Rechstag por duas vezes em 1932, fragilizado politicamente e doente, nomeou Hitler como chanceler em 1933, concedendo-lhe poderes de controle do parlamento alemão pelo Decreto de Fogo do Reischstag (o incêndio ardilosamente atribuído aos comunistas).
Com a morte de Hindenburg em 1934 Hitler deu o autogolpe. Absorveu o comando dos poderes Executivo e Legislativo tornando-se o führer und reichskanzier, uma espécie de guia supremo do que viria a ser o 3º Reich, que, projetado para durar mil anos, sucumbiu em 1945 sob os escombros de uma Berlim ocupada pelo Exército Vermelho.
Mentor intelectual de Hitler, o político escritor e dramaturgo Dietrich Eckart leva a fama de o haver inventado.
Desde já a exclusão social internacional, fundada na pretensão de um socialismo só para o povo alemão, bem demonstra o equívoco doutrinário de um pensamento:
— que combatia as teses comunistas de Karl Marx (um pensador judeu); e
— que, como todo trabalhismo, favorecia a permanência do trabalho produtor de valor.
[Ou seja, que necessitava do alimento primeiro e primário do capitalismo, a categoria primordial do universo da forma-valor: o trabalho abstrato, sem o qual não há capitalismo.]
O trabalhismo do nacional-socialismo alemão tinha um quê de apelo ao resgate do pleno emprego numa nação devastada pela inflação e pelo desemprego. A penúria do povo alemão era o combustível para o surgimento de um pretenso salvador da pátria que fosse capaz de personificar o führer (guia condutor) da glória alemã que pululava nas mentes dos formuladores de teses políticas e no subconsciente da massas que havia sido contaminadas desde há muito pelas fantasias sobre a potencialidade germânica.
Numa destas reuniões Dietrich Eckart conheceu o jovem, entusiasta e eloquente tribuno que levava os presentes ao júbilo com suas previsões grandiosas de resgate do orgulho alemão. Tratava-se do jovem Hitler, austríaco, artista plástico amador sem sucesso e que fora cabo do exército durante a 1ª Guerra Mundial.
O grande momento que marcaria o surgimento localizado do movimento baseado nas teses daquele grupo de pessoas auto-intituladas de nazista ocorreu durante um putsch planejado na cervejaria Burgebräukeller de Munique.
Nada mais era do que uma tentativa armada de tomada do poder estadual da Baviera (os estados tinham relativa autonomia) que foi sufocada pela polícia da cidade de Munique e que resultou na morte de 16 militantes, no ferimento à bala de outros e na prisão dos líderes do movimento.
Goebbels montou um formidável aparato de manipulação política, inspirador das redes bolsonaristas de fake news
Entre os feridos estava um herói da 1ª Guerra, o aviador Hermann Göring (2), que conseguiu fugir para a Áustria e por lá ficou até que os acontecimentos se acalmassem ou tomassem outro rumo.
Foi na convalescência da doença e para minimizar as dores causadas pelos ferimentos que Göring se viciou em morfina, tormento que o acompanharia pelo resto dos seus dias. (por Dalton Rosado–continuaneste post)
1Político ultradireitista desde 1924, quando se empolgou com as ideias e oratória de Hitler, Paul Joseph Goebbels (1897-1945) foi um associado devoto do nazismo, ferrenho anticomunista, formulador da doutrina antissemita e responsável pela solução finalque provocou o holocausto.
Doutor em filosofia pela Universidade de Heidelberg e orador eloquente, teve rápida ascensão no Partido Nazista, tornando-se gauleiter (líder distrital da Baviera) ainda em 1926 e ministro da Propaganda do Reich em 1933.
Compreendeu a importância do rádio e do cinema para a difusão de propaganda de massa e obteve marcante sucesso no seu manejo, insuflando o fanatismo e obtendo o apoio do povo alemão à guerra total (para a qual todos os civis deveriam contribuir, mesmo quando já se evidenciava a iminente derrocada do nazismo).
Obteve plenos poderes de Hitler, a quem acompanhou inclusive nos minutos finais de sua vida. Suicidou-se logo depois, juntamente com a esposa Magna Goebbels e seus seis filhos menores..
Relação entre Göhring e Hitler azedaria no momento do derrota
2Um dos fundadores do Partido Nazista, Hermann Wilhelm Göring (1893-1946) havia sido piloto na 1ª Guerra Mundial, tendo recebido a cobiçada condecoração Pour le Mérite.
Com a ascensão do nazismo ao poder em 1933 criou a temida Gestapo, grupamento policial militar e de informação.
Em 1935 foi nomeado comandante-em-chefe da Luftwaff, a Força Aérea alemã, cargo que manteve até a derrocada germânica.
Em 1940, no auge do seu poder e influência, Göring se tornou o ministro encarregado pelo Plano Quadrienal, o que fez dele responsável por grande parte do funcionamento da economia alemã na preparação para a 2ª Guerra Mundial.
Hitler ainda o promoveria a Reichsmarschall (o posto mais elevado dentre os comandantes da Wehrmacht) e em 1941 o nomeou seu sucessor e assessor em todos os gabinetes.
Com o insucesso da Força Aérea no bombardeio à Inglaterra, perdeu um pouco de prestígio junto ao führer, mas continuou exercendo forte influência.
Nos momentos finais do 3º Reich, ainda enviou uma carta a Hitler pedindo a sua confirmação como substituto do führer, o qual, indignado, o destituiu das honrarias e decretou a sua expulsão do partido.
Entregou-se aos aliados para não cair nas mãos dos russos e foi condenado à morte pelo Tribunal de Nuremberg, suicidando-se com cianureto em outubro de 1946.
Graça Santos é a mais nova intérprete das composições do Dalton
Suponha que Jair Bolsonaro, espumando e em camisa de força, seja submetido a um exame psiquiátrico.
O resultado poderá ser Transtorno Delirante Persistente, síndrome que inclui alucinações, sensação de perseguição e desconexão com a realidade. O paciente rejeita medicamentos, não admite que está doente e diz que não precisa de ajuda.
Você identificou Bolsonaro em cada item desse diagnóstico. O Transtorno Delirante se manifesta nas alucinações em que ele se vê praticando um autogolpe, fechando o Congresso e o STF e se entronizando como um ditador sustentado pelos militares.
O delírio o faz acreditar que a insignificante manada de apoiadores, reunida diante do Planalto para ofender seus adversários e os demais Poderes, representa o povo brasileiro. Ao juntar-se a eles, Bolsonaro oficializa as ofensas e, ao invocar as Forças Armadas, torna-as cúmplices de suas alucinações.
Vejamos a sensação de perseguição. Bolsonaro vive em permanente estado de terror contra inimigos que só ele enxerga e que, se não existirem, precisam ser criados, até mesmo entre os aliados –porque é disso que ele se alimenta.
Os agentes dessa perseguição são todos os que, ao seu lado, ousam ganhar um mínimo de luz própria ou deixam de servi-lo nos níveis inatingíveis que exige dos subordinados.
A desconexão com a realidade também é flagrante. Bolsonaro é o último pitecantropo vivo a enxergar comunistas em toda parte. Nem seu herói Donald Trump acredita mais nisso.
Se o início desta coluna lhe pareceu familiar –como se você já o tivesse lido em algum lugar–, acertou.
Trata-se do diagnóstico dos dois laudos médicos oficiais das equipes que examinaram Adélio Bispo, o portador de insanidade mental que esfaqueou Bolsonaro em Juiz de Fora, em 2018.
Adélio foi internado numa penitenciária federal em Campo Grande. Mas Bolsonaro está à solta em Brasília. (por Ruy Castro)
TOQUE DO EDITOR– Este artigo do Ruy Castro de maio de 2020 continua atualíssimo, daí servir como um ótimo complemento do post inicial deste sábado, no qual Marco Antônio Villa se alinha com os muitos comentaristas políticos que, desde aquela época, vêm pedindo a interdição judicial do louco que, ao invés de camisa-de-força, usa faixa presidencial.
Aproveitando o ensejo, lembro que o passo-a-passo da interdição por insanidade mental, segundo o Código de Processo Civil, é o seguinte:
Art. 747. A interdição pode ser promovida:
I– pelo cônjuge ou companheiro;
II – pelos parentes ou tutores;
III– pelo representante da entidade em que se encontra abrigado o Representado;
IV – pelo Ministério Público.
Art. 748. O Ministério Público só promoverá interdição em caso de doença mental grave:
I– se as pessoas designadas nos incisos I, Il e lII do art. 747 não existirem ou não promoverem a interdição;
II– se, existindo, forem incapazes as pessoas mencionadas nos incisos I e II do art. 747. (CL)
José Belisário Ferreira Filho, ex-presidente da Associação Nacional de
Psiquiatria Infantil, discorre sobre o que é necessário para um quadro
de desequilíbrio mental de presidente da República exigir sua interdição
Suponha que Jair Bolsonaro, espumando e em camisa de força, seja submetido a um exame psiquiátrico.
O resultado poderá ser Transtorno Delirante Persistente, síndrome que inclui alucinações, sensação de perseguição e desconexão com a realidade. O paciente rejeita medicamentos, não admite que está doente e diz que não precisa de ajuda.
Você identificou Bolsonaro em cada item desse diagnóstico. O Transtorno Delirante se manifesta nas alucinações em que ele se vê praticando um autogolpe, fechando o Congresso e o STF e se entronizando como um ditador sustentado pelos militares.
O delírio o faz acreditar que a insignificante manada de apoiadores, reunida diante do Planalto para ofender seus adversários e os demais Poderes, representa o povo brasileiro. Ao juntar-se a eles, Bolsonaro oficializa as ofensas e, ao invocar as Forças Armadas, torna-as cúmplices de suas alucinações.
Vejamos a sensação de perseguição. Bolsonaro vive em permanente estado de terror contra inimigos que só ele enxerga e que, se não existirem, precisam ser criados, até mesmo entre os aliados –porque é disso que ele se alimenta.
Os agentes dessa perseguição são todos os que, ao seu lado, ousam ganhar um mínimo de luz própria ou deixam de servi-lo nos níveis inatingíveis que exige dos subordinados.
A desconexão com a realidade também é flagrante. Bolsonaro é o último pitecantropo vivo a enxergar comunistas em toda parte. Nem seu herói Donald Trump acredita mais nisso.
Se o primeiro parágrafo desta coluna lhe pareceu familiar –como se você já o tivesse lido em algum lugar–, acertou.
Trata-se do diagnóstico dos dois laudos médicos oficiais das equipes que examinaram Adélio Bispo, o portador de insanidade mental que esfaqueou Bolsonaro em Juiz de Fora, em 2018.
Adélio foi internado numa penitenciária federal em Campo Grande (MS). Mas Bolsonaro está à solta em Brasília. (por Ruy Castro)
BEBIANO VAI À JUSTIÇA CONTRA BOLSONARO: "PRECISA DE TRATAMENTO PSIQUIÁTRICO"
Oex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência Gustavo Bebianno afirmou nesta 2ª feira (23) ao Congresso em Focoque vai interpelar na Justiça o presidente Jair Bolsonaro por ter sugerido, em entrevista à revistaVeja, que ele teve participação no atentado praticado pelo desempregado Adélio Bispo durante a campanha eleitoral.
Bebianno disse que pretende apresentar a ação no início do próximo ano. “Já estou me mexendo para promover uma interpelação criminal. Depois, ação cível”, explicou.
Para o ex-ministro, que presidiu o PSL e coordenou a campanha de Bolsonaro, o presidente precisa de tratamento psiquiátrico:
"A raiva passou. Sinto pena. O Jair está nitidamente desequilibrado. Precisa urgentemente de tratamento psiquiátrico. Estou também preocupado, uma vez que o país está sob seu comando. Isso tudo é muito triste. Não era para ser assim".
Na entrevista à Veja, Bolsonaro não chegou a citar o nome de Bebianno, mas fez ilações que remetem ao ex-aliado:
"O meu sentimento é que esse atentado teve a mão de 70% da esquerda, 20% de quem estava do meu lado e 10% de outros interesses.
Tinha uma pessoa do meu lado que queria ser vice. O cara detonava todas as pessoas com quem eu conversava.
Hoje eles se veem como terrorista e louco, respectivamente
Liguei para convidar o Mourão às 5 da manhã do dia em que terminava o prazo de inscrição. Se ele não tivesse atendido, o vice seria essa pessoa.
Depois disso, eu passei a valer alguns milhões deitado".
O presidente já acusou o ex-ministro de atrapalhar a candidatura do hoje deputado Luiz Philippe de Orleáns e Bragança a vice-presidente por meio de um falso dossiê. Bebianno gravou um vídeo, na ocasião, negando ter produzido qualquer material contra Luiz Philippe ou qualquer outro postulante a vice de Bolsonaro.
"O presidente deveria buscar tratamento. Um bom remédio é amar mais e odiar menos. Reflexão sobre o passado também ajuda. Cuspir no prato que comeu é muito feio.
Esse período do ano é propício para isso. Ele deveria aproveitar".
Após a publicação da entrevista, a deputada estadual Janaína Paschoal relatou no Twitter que o ex-ministro insistiu para que ela assumisse a candidatura até horas antes de o general Hamilton Mourão ser escolhido e anunciado como companheiro de chapa do presidente.
Bebianno afirmou que Bolsonaro tem disparado reiteradas mentiras contra ele e demonstrado ingratidão:
"O Jair está nitidamente desequilibrado"
"No primeiro momento, fiquei com muita raiva. Só fiz o bem para esse cara. Carreguei a campanha nas costas, assim como o partido. Eu e o deputado Julian Lemos. Trabalhamos incansavelmente. Não aceito mentiras e acusações de qualquer natureza".
O ex-ministro também contou que tomou medidas de segurança depois de receber ataques de Bolsonaro.
"A irresponsabilidade do presidente me obriga a isso. Mas o Poder Judiciário examinará toda essa questão".
TOQUE DO EDITOR —Tais declarações de Bebbiano, em entrevista ao repórter Edson Sardinha, do Congresso em Foco, vêm ao encontro do impactante post (clique aqui p/ abri-lo) de três dias atrás do Reinaldo Azevedo, que enxergou "idiotia clínica" no presidente e concluiu:
"(Bolsonaro) Ocupa, no entanto, um lugar de quem está obrigado a responder por seus atos. O único remédio que a institucionalidade tem de ministrar a ele é o triunfo da lei. O Brasil não pode se transformar em seu hospício privado".
E a pergunta que não quer calar é: se ambos estiverem certos, como a institucionalidade administrará tão grave problema? Com a tibieza e a morosidade habituais, enquanto mais anos estarão sendo perdidos? Deus nos acuda!