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sábado, 1 de janeiro de 2022

CRÍTICA LITERÁRIA: CONHEÇA A TRAJETÓRIA DO BUFÃO QUE TROPEÇAVA NAS PRÓPRIAS PERNAS E FAZIA AS CRIANÇAS CHORAREM

BOLSONARO (Editora Máquina de Livros, 2018, arte circense, 192 pag.) 
O
jornalista Clóvis Saint-Clair, ex-Veja, aproveitaria melhor o seu tempo se escrevesse sobre expoentes realmente respeitáveis desse ofício, como o Piolin, o Arrelia, o Pimentinha, o Fuzarca, o Torresmo, o Carequinha, o Atchin, o Espirro, o Patati e o Patatá. 

O Bozo, além de pertencer ao baixo clero circense, não passa de uma franquia dos EUA. E seu sucesso se não se deveu a méritos (jamais teve algum), mas sim à insistência dos donos do circo, que fizeram todo tipo de propaganda enganosa e chegaram até a encenar a farsa Facada no mito para fins de chantagem emocional, bem como para evitar que ele tivesse de competir com palhaços mais talentosos. Cotação: pior, impossível.

segunda-feira, 26 de julho de 2021

EIS O 'QUEM É QUEM' DA EXTREMA-DIREITA QUE DISSEMINA O CAOS POR MEIO DA MENTIRA E DO CHARLATANISMO

S
ão 12 pessoas as principais responsáveis pela disseminação via Facebook de desinformação, negacionismo, mentiras e teorias de conspiração, como as que sabotam a vacinação contra a covid-19.

Esses apóstolos do ódio destilado pelas fake news são seguidos por 59 milhões de pessoas. As notícias falsas são por elas redistribuídas e constituem 65% do conteúdo informativo mundial. 

De modo geral, essa cambada de charlatães está ligada à extrema-direita, às religiões, à medicina alternativa e às crenças esotéricas.
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rui martins
OS 12 LANÇADORES DO ÓDIO NAS REDES SOCIAIS
O número 12 poderia ser considerado mágico. Os deuses gregos do Olimpo eram 12, os mostradores dos relógios marcam 12 horas, meio-dia e meia-noite, os signos do zodíaco são 12, o ano se divide em 12 meses, havia 12 tribos em Israel e eram 12 os apóstolos escolhidos por Cristo. Doze ou uma dúzia.

E são 12 pessoas as principais responsáveis pela desinformação, pelo negacionismo, pelas mentiras e teorias de conspiração, relacionadas principalmente com as vacinas para o vírus covid-19, distribuídas pelo Facebook. A pesquisa foi feita por uma organização anglo-estadunidense já citada pelo presidente Biden, o Centro para Combater o Ódio Digital.

Esses 12 apóstolos do ódio destilado pelas fake news são seguidos por 59 milhões de pessoas. As notícias falsas são por elas redistribuídas e constituem 65% do conteúdo informativo mundial. De uma maneira geral, esse grupo de doze está ligado à extrema-direita, à medicina alternativa, às religiões e às crenças esotéricas.
O comportamento do ex-presidente Donald Trump diante do coronavírus foi muito influenciado pelas
fake news, ao mesmo tempo que as fazia circular. Está assim localizada a origem das ideias e iniciativas negacionistas do presidente Bolsonaro. 

Seu gabinete paralelo, chefiado pelo médico Omar Terra e do qual fazia também parte a médica Nise Yamaguchi, inspirava-se nas informações pseudocientíficas veiculadas nos Estados Unidos via fake news.

Essas fajutices incluíam a negação da existência do coronavírus, consideravam desnecessárias (ou parte de um plano para dominar as pessoas) as vacinas, condenavam o confinamento das pessoas, eram contra o uso de máscaras e defendiam a teoria de que a vindoura imunidade do rebanho tornava desnecessária vacinação.

As desinformações desse Grupo dos 12 chegaram a fazer a cabeça do primeiro-ministro britânico Boris Johnson, no início da pandemia do coronavírus (mas ele adiante corrigiu o rumo)..

Na França e alguns países europeus, ainda hoje alguns grupos negacionistas antivacinação continuam fazendo proselitismo, numa mistura estranha de ativismo ecológico  e anarquista com o extremismo de direita, contra a possibilidade da vacinação se tornar obrigatória e contra a criação de um passaporte europeu para os vacinados.
"Descobri que água destilada é pura e simplesmente H2O"
Embora minoritária, tal tendência conta, na França, com o apoio da deputada psiquiatra Martine Wonner, que chegou a defender a cloroquina e a condenar o uso de máscaras, por influência da seita conspiracionista estadunidense QAnon.
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QUEM SÃO OS DOZE? – Um dos principais é o estadunidense Joseph Mercola, adepto da medicina alternativa e das teorias conspiracionistas, e que vende suplementos alimentares. 

Com milhões de seguidores nas diferentes redes sociais, utiliza a desinformação e procura convencer seu público a não se vacinar e a comprar seus suplementos alimentares. Ele é o autor de uma fake news traduzida em português e bastante divulgada nas redes sociais bolsonaristas. Nela se fazia a falsa afirmação de que o número de mortos em 2020 foi igual ao dos anos anteriores.

O ex-ecologista Robert F. Kennedy Jr. tem utilizado as redes sociais para difundir mentiras sobre as vacinas contra o coronavírus, com o objetivo de desestimular a vacinação. Sua campanha contra a vacinação começou com um artigo publicado na revista Rolling Stone com o título de Imunidade Mortal, falando dos efeitos nocivos do mercúrio contido na vacina, causador de casos de autismo. Produziu também o filme Racismo médico – o novo apartheid, segundo o qual o coronavírus não ameaça os negros, e o verdadeiro perigo seria a vacina.

O casal Ty e Charlene Bollinger acaba de ter o vídeo A Verdade sobre as Vacinas, retirado do Youtube como falsa informação, depois de denúncias publicadas pela agência Associated Press
"Robert F. Kennedy Jr. é um idiota"

Eles ganharam US$ 25 milhões em cinco anos, divulgando inicialmente falsas informações sobre o câncer, para depois aderirem ao discurso negacionista de Donald Trump e à versão mentirosa de ter sido roubada sua vitória nas eleições. Ty Bollinger chegou mesmo a ir ao Capitólio, conta a AP.

A médica osteopata estadunidense Sherri Tenpenny é uma ativa divulgadora de falsidades sobre as vacinas contra covid-19: que causariam autismo nas crianças, podendo provocar a morte de quem se vacina, além de magnetizarem o corpo, permitindo que as pessoas sejam conectadas como celulares.

Os outros são Kelly Brogan, psiquiatra de Nova York, adepta da medicina alternativa e autora de um vídeo que, postado no Facebook, Instagram e Vimeo, nega a existência do coronavírus. Para ela, as mortes registradas nos EUA seriam causadas pelo medo do vírus! Esse vídeo chegou a ser visto por 75 mil pessoas, antes de ser retirado da plataforma do Facebook e Instagram. 

Kelly Brogan critica, ainda, a lavagem das mãos e o confinamento; diz haver um interesse econômico nas vacinas e qualifica a inclusão da vacinação no passaporte de totalitarismo governamental.

Rashid Buttar, filho de paquistaneses nascido em Londres. é  médico osteopata na Carolina do Norte, formado em Washington e Iowa. Ele divulga a teoria de conspiração ligada à vacina e aplica uma discutida terapia de desintoxicação do corpo (chelaton) de metais pesados ionizados, como o mercúrio, cobre e o ferro. 

Repreendido pelas autoridades médicas por técnicas de tratamento ineficazes contra o câncer, vende os vídeos do casal Ty e Charlene Bollinger e propaga que o vírus foi criado na China.
Rindo dos otários que engolem suas lorotas?

Rizza Islam
, natural da Califórnia, é membro do grupo Nação do Islã, com meio milhão de seguidores nas redes sociais. Ele dissemina fake news e teorias da conspiração, instigando antissemitas e homofóbicos contra as vacinas. Defin-se como um intelectual negro extremista e descreve o SARS-Cov-2 como um vírus fabricado para acabar com os negros. Seu passado é ligado à Igreja da Cientologia.

Kevin Jenkins, de Newark, é um líder político local preocupado com as teorias de conspiração contra os negros.

Sayer Ji é uma espécie de guru, defensor da medicina natural e seu website indica remédios contra a vacina, apresentada como uma forma de criar um novo apartheid. Tem uma página na Internet, GreenMedInfo, diversas vezes censurada pelas plataformas de redes sociais por difundir inverdades.

Ben Tapper, de Omaha (EUA), se diz médico mas, na verdade, é um quiroprático. Faz campanha contra o uso de máscaras por ferirem a liberdade individual. Ao criticar as vacinas, afirma, sem fundamento, que os governos sofrem pressões dos laboratórios internacionais para adquirem as ditas cujas.

Christianne Northrup, que praticou obstetrícia e ginecologia por 26 anos em Yarmouth (EUA), espalhou falsidades e absurdos como estes:
— que as vacinas Covid-19 não previnem a doença, mas tornarão a humanidade estéril e podem matar bebês amamentados por suas mães vacinadas;
— que as pessoas não deveriam usar máscaras, mas sim evitar a proximidade de pessoas vacinadas, pois poderiam ser contaminadas com partículas de vacinas malignas e, então, espionadas pelos componentes da vacina que transmitem secretamente informações fisiológicas à Fundação Bill e Melinda Gates, por meio de câmeras de celular e um mecanismo patenteado envolvendo criptomoeda
"Salve-se dos vampirizadores de energia"

Erin Elizabeth
completa a lista desses divulgadores de falsas informações sobre a pandemia e as vacinas.

Os absurdos defendidos por esses embusteiros dão uma boa ideia do nível de formação dos médicos e outros participantes do gabinete paralelo criado por Jair Bolsonaro, responsável pela crise sanitária e por mais de meio milhão de mortos no Brasil.

Notícias falsas sempre circularam, geralmente em tempos de guerra e amiúde divulgadas com interesse religioso ou comercial. O surgimento das redes sociais permitiu a multiplicação da falsa informação; favoreceu a manipulação das pessoas ingênuas e sem instrução; e tornou difícil a identificação das fake news

Uma denúncia atualmente investigada pelo Supremo trata da influência das notícias falsas divulgadas pela Internet durante o período pré-eleitoral em 2018, favorecendo a vitória da chapa Bolsonaro-Mourão. (por Rui Martins)

terça-feira, 25 de setembro de 2018

DESMASCARADA MAIS UMA PROPAGANDA ENGANOSA DA 'CAMPANHA PINOQUIARO'

A VERDADEIRA HISTÓRIA DA "BRASILEIRA NEGRA E POBRE"
DE UM VÍDEO DIVULGADO PELA CAMPANHA DE BOLSONARO
A mulher descrita como "negra e de família pobre" num vídeo favorável ao candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) é na verdade canadense e trabalha como executiva na coordenação financeira de uma multinacional.

O vídeo causou polêmica na semana passada. A campanha do candidato diz não ter relação direta com o material e que ele foi produzido por um apoiador.

Filho do presidenciável, o deputado federal Eduardo Bolsonaro publicou o vídeo em seu perfil no Twitter e divulgou a página dos autores para mais de 500 mil seguidores.

A mulher retratada mora em Toronto e gravou o material em 2011, junto a uma série de outros filmes produzidos por um diretor também canadense especializado em criar conteúdo para bancos de imagens.

A ex-atriz tem origem etíope e um perfil bastante diferente daquele descrito na narração usada junto à sua imagem no vídeo.

"Sim, sou mulher negra e vinda de família pobre. Mas não passei procuração para que ninguém fale em meu nome. Há muitos (anos) me libertei do vitimismo que ainda insistem em me colocar nos ombros", diz a narração do vídeo.
Joseph Goebbels hoje provavelmente berraria Heil, Bolsonaro

"Meu voto é Bolsonaro", continua o texto do vídeo [As frases vêm na forma de legendas, com a modelo permanecendo sempre calada, de forma que o comprador do vídeo bota o que quiser na boca dela].

Junto a um link para o vídeo, Eduardo Bolsonaro escreveu no Twitter: "Somente a verdade nos liberta. Quem pede tudo ao Estado, tudo lhe é retirado, inclusive a liberdade".

A publicação foi um dos temas mais comentados no Twitter no último dia 18 – usuários criticaram a divulgação de imagens de uma estrangeira apresentada como brasileira e pobre.

A BBC News Brasil localizou o autor do filme, que diz nunca ter passado por situação semelhante em seus 11 anos de carreira.

"É bastante triste. Eu sou completamente contra qualquer politica de divisão, de ódio. Me sinto mal e sinto que fui roubado", diz Robert Howard por telefone, durante temporada de férias em Paris.

"E não me parece muito patriótico usar as imagens de uma estrangeira, sem prévia autorização, num vídeo que supostamente fala pelas mulheres negras brasileiras", continua Howard, que se descreve como "um cara moderado, liberal, opositor de qualquer extremismo".
Esta é a história da nova fraude da campanha pinoquiaro...
Observação do editoré com incomum atraso que reproduzo acima os parágrafos iniciais de uma notícia da BBC Brasil, de autoria do repórter Ricardo Senra, cuja íntegra os interessados podem acessar clicando aqui.

Peço desculpas a quem já leu noutro lugar, mas tinha passado batido e, quando finalmente tomei conhecimento dessa sórdida manipulação, jamais poderia deixar de registrá-la aqui. 

Os discípulos de Goebbels agem com extrema desfaçatez nesta campanha presidencial. Têm de ser desmascarados e exemplarmente derrotados! (Celso Lungaretti)
...e este é o engana-trouxa que Eduardo Bolsonaro andou espalhando por aí.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

BOLSOMINIONS SEGUEM À RISCA OS ENSINAMENTOS DE GOEBBELS: MENTEM E MANIPULAM DESCARADAMENTE!

leandro colon
BOLSONARO IGNORA FATOS PARA OBTER VOTOS E DEIXA NO AR PERGUNTAS
SOBRE GOVERNO
Além da prática do nocivo fenômeno da fake news, a disputa eleitoral de 2018 tem sido palco da tentativa de imposição de teorias especulatórias que ignoram propositalmente os fatos como arma política para influenciar no resultado.

A mais recente é a que gira em torno de Adélio Bispo Oliveira, o homem que esfaqueou Jair Bolsonaro (PSL). Após o atentado em Juiz de Fora, a Polícia Federal apreendeu um computador, quatro telefones celulares e um cartão de crédito internacional em nome do agressor.

Como um homem pobre, desempregado, poderia ter essa quantidade de equipamentos? Como pagou adiantado os R$ 400 da hospedagem em uma pensão na cidade mineira?

Aliados, filhos e fiéis seguidores de Bolsonaro sentenciaram então que a agressão foi premeditada, a mando de setores da esquerda dispostos a aniquilar o líder das pesquisas.

Passaram a desacreditar qualquer evidência contrária a essa tese martelada diariamente e que tem um peso considerável no contexto eleitoral.

Na noite de sábado (22) o repórter Rubens Valente mostrou dados da investigação da PF que, por ora, desmistificam a versão que a campanha de Bolsonaro quer impor nas redes.

A PF concluiu que o computador de Adélio era velho e quebrado. Dos celulares, apenas dois estão funcionando e nenhum fora adquirido poucos antes do crime. 

O cartão de crédito nunca foi utilizado —tendo sido emitido automaticamente por um banco usado para conta salário de uma empresa onde ele trabalhou. 

O dinheiro depositado era fruto de rescisão trabalhista. São fatos da investigação policial até o momento.

Outra teoria mira as urnas eletrônicas. Bolsonaro e entorno espalham que a derrota dele será fraude. Dizem não confiar em um modelo que nunca deu sinais reais de falhas.

A campanha do deputado hoje ignora os fatos para obter votos, mas deixa no ar uma pergunta cuja resposta preocupa: como um governo dele vai lidar com instituições do porte do TSE e da PF se não seguirem a sua cartilha conspiratória?

segunda-feira, 30 de julho de 2018

COM FALSO MEA CULPA, NEYMAR TOMBOU MAIS ALGUNS CENTÍMETROS

Toque do editor
Se há algo que jamais farei é comentar alguma peça publicitária em particular, pois considero-as todas nocivas: impingem produtos e serviços quase sempre desnecessários, insuflando o consumismo desenfreado, além de incutirem subliminarmente os valores de uma sociedade desumana e injusta ao extremo. 

Caso o Zé Celso Martinez Correa não tivesse afirmado que "os publicitários são filhos de Goebbels", é bem provável que eu mesmo criasse tal frase. Ela simplesmente esgota o assunto.

Mas, o comercial tentando limpar a barra do Neymar, no qual lê uma lenga-lenga piegas que jamais teria capacidade para escrever e que todos sabemos não representar seus reais sentimentos, foi um insulto à inteligência de quantos nos frustramos com o desempenho dele no último Mundial. Então decidi, excepcionalmente, não deixá-lo passar em branco. 

Como não me sentiria bem escrevendo tal crítica, decidi reproduzir a ferina catilinária do roteirista de cinema e TV Tony Goes, que matou a cobra e mostrou o pau....
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COMERCIAL EM QUE DESABAFA É MAIS UMA BOLA FORA DO NEYMAR
Chororô no sábado da eliminação...
Neymar virou um problema para seus patrocinadores. Contratado a peso de ouro por algumas das maiores marcas do mundo, o jogador saiu da Copa do Mundo da Rússia com a imagem chamuscada.

O que derrubou Neymar não foi a derrota da seleção brasileira. O egípcio Salah não conseguiu que seu time passasse da 1ª fase e, mesmo assim, entrou para o ranking dos dez melhores do mundo divulgado pela Fifa (o brasileiro ficou de fora). Cristiano Ronaldo caiu com Portugal nas oitavas de final e assinou um contrato milionário com a Juventus antes mesmo do final do torneio.

Neymar despencou por causa de seu comportamento de prima-dona, sem compensar esses chiliques com gols. À menor resvalada durante um jogo, o rapaz se atira ao chão, se contorce de dor, exagera na encenação. Virou piada a nível planetário.

Um professor de teatro entrevistado pelo jornal The New York Times avaliou a performance do jogador como pífia e não convincente. “Neymar faz o que todos os atores principiantes fazem", disse Jim Calder. "Eles exageram os eventos." 
...e uma alegre noitada de pôquer na 4ª feira seguinte. Serão só as faltas que ele simula?!
Assustada com a súbita queda no valor simbólico de seu garoto propaganda, a Gillette entrou em campo. Durante um intervalo do Fantástico neste domingo (29), o anunciante veiculou um comercial de um minuto e meio (uma duração três vezes maior do que a habitual), em dramático preto e branco, com Neymar recitando em off um texto em que admite alguns erros, mas não chega a pedir desculpas.

Tenho pena do redator que escreveu esse texto. Cada palavra deve ter sido repensada centenas de vezes e submetida ao crivo de muita gente – inclusive ao do próprio Neymar, é claro. Pena que, no final, a coisa descamba, piorando ainda mais a combalida reputação do jogador.

“Eu caí, mas só quem cai pode se levantar”, diz Neymar no fim do comercial. “Você pode continuar jogando pedra, ou pode jogar essas pedras fora e me ajudar a ficar de pé. E quando eu fico de pé, parça, o Brasil inteiro levanta comigo.”

Oi? Quer dizer então que a responsabilidade é nossa? Que temos que ajudar o coitadinho do Neymar a se reerguer, depois dele ter agido feito um moleque mimado durante anos a fio, dando muito pouco em troca aos torcedores de seus times?

O que Neymar tem feito para justificar a paixão dos brasileiros? Nem aqui ele joga mais. Largou o Santos de uma hora para a outra e foi para o Barcelona. Chutou o Barcelona para escanteio e se bandeou para o Paris Saint-Germain, onde ainda não disse a que veio.

Enquanto isso, não perde uma oportunidade de monetizar cada segundo de sua vida pessoal. Solta mal disfarçadas mensagens publicitárias em seus perfis nas redes sociais. Posa em trajes menores ao lado da namorada, a atriz Bruna Marquezine, para uma campanha de uma loja de roupas. E agora deu um jeito de faturar com o vexame que protagonizou no Mundial.

No filme da Gillette, Neymar insiste que ainda é um menino. Não é: é um homem de 26 anos, pai de um filho, que acumulou uma fortuna por seus próprios méritos.

Já passou da hora dele se comportar feito um adulto. Deixar de ser seduzido pelo canto de sereia da publicidade e assessorado por gente que não pensa a médio prazo. Basta conferir a reação largamente negativa dos internautas a esse falso mea culpa: Neymar tombou mais alguns centímetros.

Terá que fazer muito gol para conseguir se levantar. (por Tony Goes)
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Como a bola de ouro ele não vai mesmo ganhar, que tal o Profissionais do
Ano? Desde, claro, que haja prêmio para a peça publicitária mais cínica...

segunda-feira, 26 de junho de 2017

NEM MORO PODE MANDAR PALOCCI E JOÃO SANTANA PARA ONDE ELES MERECEM: O INFERNO DE DANTE!

Estou velho demais para me tornar religioso, então atribuirei os fatos abaixo a ironias do destino, não cedendo à tentação de ver neles uma confirmação do velho clichê de que Deus escreveria certo por linhas tortas:
O medalhão Palocci e o caseiro Francenildo: péssimo exemplo!
— Antonio Palocci acaba de ser condenado pelo juiz Sérgio Moro a 12 anos, dois meses e 20 dias de prisão. Como não acredito nos podres Poderes da democracia burguesa e considero que combater a corrupção pela via policialesca equivale a enxugar gelo (enquanto não acabarmos com o capitalismo, haverá espertalhões encontrando atalhos ditos ilegais para concretizar o objetivo supremo da nossa sociedade de classes, o enriquecei! capitalista), não opinarei sobre a pertinência ou não da sentença. 
Mas direi que, do ponto de vista dos valores revolucionários que um dia ele assumiu e depois arrastou na lama, Palocci merece tudo que existir de pior, por haver, qual um Robin Hood às avessas, mobilizado todo o poder do Estado para esmagar um coitadeza da vida (o caseiro Francenildo Costa). Se não agirmos de forma diametralmente oposta –  protegendo os fracos e oprimidos dos abusos dos poderosos e, assim, irmos acumulando forças para um dia transformarmos a sociedade e acabarmos com a exploração do homem pelo homem –, para que, afinal, serviremos?!
João Santana, o Goebbels brasileiro.
— João Santana e Mônica Moura foram, na mesma sentença, condenados a 7 anos e 6 meses de prisão. Pouco importa para mim se eles são ou não os corruptos alegados. 
Mas, nada se constituiria em punição suficiente para o malefício que causaram à esquerda e ao povo brasileiro, ao serem os pais do pior estelionato eleitoral das eleições brasileiras em todos os tempos, jogando no lixo o compromisso da esquerda com a verdade e reelegendo Dilma Rousseff à custa de mentiras descaradas, como se fossem pupilos de Joseph Goebbels, o ministro da Propaganda nazista. 
Todas as desgraças posteriores – a desmoralização do PT quando Dilma deu carta branca para um ministro neoliberal tentar consertar as lambanças do seu primeiro mandato, o impeachment, a posse de um vice medíocre, o perigoso jacobinismo judiciário que pode desembocar num estado policial, etc. – tiveram como ponto de partida o conto do vigário que o casal aplicou nos eleitores brasileiros, principalmente ao prometer que, com a reeleição de Dilma, não haveria o satânico ajuste fiscal que os adversários tramavam.
Até que seria bom se Deus existisse, pois assim poderia dar a esses três o destino que realmente merecem: o inferno de Dante... 

A Justiça dos homens, infelizmente, não julga caracteres (nem pune os que são deles desprovidos).

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

DESMASCARANDO OS DISCÍPULOS DE GOEBBELS

A MENTIRA – A máquina de propaganda fascistoide do PT fez os internautas crédulos acreditarem que o governo Temer pretenderia introduzir a jornada de trabalho de 12 horas, de 2ª feira a sábado.

A VERDADE – O ministro do Trabalho apenas cogitou, numa reunião com sindicalistas, a hipótese de uma jornada de trabalho de 12 horas, de 2ª a 5ª feira, sendo 44 horas contratuais e 4 horas extras. Assim, os trabalhadores passariam a dispor de três dias de folga por semana, podendo aproveitá-los para o repouso ou para assumirem um segundo emprego (vide aqui). O tema foi colocado para discussão exatamente porque não havia nenhuma decisão tomada a respeito e se estava ainda na fase inicial, de escutar a opinião dos interessados.


A MENTIRA – A máquina de propaganda fascistoide do PT fez os internautas crédulos acreditarem que, na coletiva de imprensa em que foi anunciada a denúncia contra Lula, um procurador da Operação Lava Jato teria dito: "Não temos prova, mas temos convicção".

A VERDADE – Dois procuradores diferentes fizeram as duas afirmações, em dois trechos diferentes da coletiva. O "não temos prova" foi juntado com o "temos convicção" e a frase resultante, colocada na boca de um deles (vide aqui). Joseph Goebbels, ministro da Propaganda nazista, agia igualzinho. Naquele tempo, os alemães fanáticos eram manipulados para crerem que os judeus teriam botado fogo no Reichstag; hoje, os brasileiros fanáticos são manipulados para crerem que um procurador teria admitido publicamente a inconsistência do seu trabalho.

TAIS MÉTODOS NÃO SÃO NEM JAMAIS SERÃO ACEITÁVEIS PARA OS ESQUERDISTAS AUTÊNTICOS! ENVERGONHAM-NOS E AFASTAM DE NÓS OS CIDADÃOS COM INDEPENDÊNCIA DE PENSAMENTO E ESPÍRITO CRÍTICO.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

O QUE PODEMOS DEPREENDER DA PESQUISA DATAFOLHA SOBRE O IMPEACHMENT?

Segundo o DataFolha, 60% dos deputados estariam decididos a votar pelo impeachment de Dilma Rousseff, 21% a votarem contra e existiriam 19% de indecisos.

Ou seja, o impeachment teria hoje 308 votos, contra o impeachment estariam 108 deputados e os indecisos totalizariam 97.

Para que o impeachment seja aprovado na Câmara e enviado ao Senado (etapa seguinte), precisa obter 342 votos.

Ora, uma análise exclusivamente matemática destes números indica que a probabilidade maior é de que o impeachment passe, pois lhe faltariam 34 votos e os indecisos somam 97. Mantida a tendência prevalecente, 60% dos indecisos optarão pelo impeachment, perfazendo mais 58 votos, suficientes para a aprovação da proposta.

Numa análise política, a hipótese mais plausível é a de uma avalanche de votos, pois nossos bravos parlamentares, firmes como geleia, no frigir dos ovos deverão alinhar-se com o governo que vem, mandando às urtigas o governo que vai –foi assim no impeachment do Collor.

No entanto, a rede chapa branca deu o seguinte enfoque à notícia que lhe é flagrantemente desfavorável: DataFolha: Câmara não tem votos para o impeachment

É um título capcioso, que induz a uma conclusão errônea e, na verdade, não quer dizer absolutamente nada, pois os que tentam impedir o impeachment também carecem dos votos necessários para tanto. A abordagem honesta seria nesta linha: a descida do muro dos indecisos decidirá a parada.

Enfim, os que buscam uma interpretação conscienciosa das notícias, a encontram aqui. 

E terão minha gratidão se indicarem este blogue a outros internautas conscientes do quanto se tenta manipulá-los e cansados de serem tratados como crianças.

sábado, 10 de outubro de 2015

A VERDADE É REVOLUCIONÁRIA. O MANIQUEÍSMO, UMA MULETA PARA SIMPLÓRIOS E FANÁTICOS.

A crise de identidade dos 35 anos está sendo pior ainda...
Neste sábado (10) trouxe para cá um artigo magistral de Demétrio Magnoli, pelo qual muitos companheiros normalmente passariam batidos por puro preconceito. Dei-lhes a chance de conhecerem um dos mais eloquentes libelos já lançados contra a guerra ao terror de George Bush e toda a paranoia referente ao terrorismo.

Magnoli é um dos muitos críticos do petismo que estão longe de serem reacionários e/ou vendidos à direita, mas que ficaram com tal pecha graças à faina repulsiva dos assassinos de reputações.

Trata-se de uma das práticas mais chocantes de uma esquerda desvirtuada e aburguesada, que um dia pregou a revolução mas hoje se limita a buscar, manter e tentar expandir seus nacos de poder dentro do capitalismo, pois agora é movida pelo poder, só o poder e nada mais do que o poder; crava os dentes no osso com tal sofreguidão que até os trinca...

É por isto que em 2015 foi escorraçada das ruas; seu habitat natural hoje são os gabinetes luxuosos dos governos e a sede de entidades e sindicatos cada vez mais inócuos e domesticados.

Quanto mais a esquerda chapa branca se afasta da revolução, mais investe no maniqueísmo e na satanização para desqualificar seus críticos e opositores. Como na última campanha presidencial, quando desconstruiu Marina Silva com métodos de fazerem inveja a Joseph Goebbels, seu longínquo inspirador.
O grande guru da rede chapa branca 

Marina marchava para uma vitória inevitável, pois tinha tudo para chegar ao 2º turno, sepultando as chances de reeleição de Dilma Rousseff, já que os tucanos, fora do páreo, necessariamente despejariam seus votos na ex-seringueira. Então, os petistas transtornados com a perspectiva de perderem suas boquinhas e míopes a ponto de não perceberem que seria uma grande roubada governarem o país quando o grande capital exigia um devastador arrocho fiscal (e eles jamais ousariam deixar de atendê-lo!), optaram por desconstruírem-na a qualquer preço. 

Chegaram ao cúmulo de apontá-la como fantoche do Banco Itaú, apenas porque uma herdeira entediada da família proprietária lhe dava apoio, tanto quanto apoiara o candidato petista a prefeito (Fernando Haddad) na eleição anterior. Bastaria um pingo de honestidade e uma pesquisa de três minutos na internet para se constatar que a tal Neca Setúbal não apitava nada nas decisões do grupo, limitando-se a receber sua gorda mesada e gastá-la em cruzadas edificantes. [Paradoxalmente, seria Dilma quem comeria nas mãos do presidente do Banco Itaú, Luís Carlos Trabuco, a ponto de convidá-lo para ministro da Fazenda e, face à recusa, aceitar que ele indicasse para o posto um de seus funcionários menores, o inexpressivo Joaquim Levy].

Isto não impediu que, repetindo dia e noite esta e outras mentiras cabeludas (como a de que a autonomia do Banco Central fosse uma espécie de fim do mundo...), a central de guerra psicológica e desinformação petista acabasse por desviar de Marina votos de classe média em proporção suficiente para alijá-la do 2º turno, assegurando a reeleição de Dilma, seu impeachment vindouro e a destruição do PT, que talvez nunca mais eleja um presidente como consequência de sua extrema desmoralização em 2015. Mágica mais besta, impossível!
E o que foi que a Dilma e o Levy fizeram?!

É da mesma forma, embora com menos fúria homicida, que são tratados muitos intelectuais independentes, como Magnoli, que não rezam sempre pela cartilha petista nem se alinham em todas as questões com a direita. Nos bons tempos da esquerda civilizada, procurava-se atrair pessoas desse tipo, principalmente quando eram brilhantes, ao invés de hostilizá-las encarniçadamente, como se o desejável fosse atirá-las nos braços do inimigo.

Faço questão de registrar que alguns petistas andam incomodados com meus artigos I-N-D-E-P-E-N-D-E-N-T-E-S e começaram a postar comentários na mesma linha goebbelsliana. P. ex., um me acusou de copiar um reaça menor que eu nem sequer conhecia, não aceitou minha negativa, voltou à carga alegando que eu publicara uma imagem qualquer da Dilma que havia saído no blogue do dito cujo e novamente ignorou minha paciente explicação de que garimpo imagens no Google e nunca me interessei por sua proveniência, só por sua pertinência.

Como ele insistisse no seu delírio inicial, deixei de autorizar seus comentários, pois não vejo sentido nenhum em debater com quem quer me fazer passar por mentiroso. Não sou nenhum moleque, tenho uma trajetória de quase cinco décadas de luta contra a direita e seus porta-vozes.

Na esteira veio mais um fanático batendo na mesmíssima tecla e ainda botando outra ovelha negra na relação dos meus pseudos-inspiradores, o Olavo de Carvalho. Seria cômico se não fosse trágico pois, quando alguns esquerdistas fugiam covardemente dos reiterados desafios lançados pelo OC, fui eu que ergui a luva e polemizei com ele, provando que não passava de um tigre de papel (vide aqui).

A mim, jamais intimidarão! Muito menos recorrendo a tolices e chutes na virilha...
A esquerda precisa muito mais de militantes que de votantes

Sempre afirmei que deter presidências da República, para revolucionários, tem importância meramente TÁTICA, não sendo nem de longe para nós um objetivo ESTRATÉGICO.

Quando estão ajudando a alavancar a revolução, devem ser defendidas. Quando se tornam baluartes do neoliberalismo, que os banqueiros as defendam. É simples assim.

Se houver ameaça de tanques nas ruas, arriscarei novamente a vida para evitar outra ditadura. Mas, enquanto a coisa se mantiver nos marcos constitucionais, estarei priorizando é a reconstrução da esquerda, pois depois do tsunami teremos muito o que fazer, juntando os cacos e tentando reencontrar nosso caminho. 

Torço e darei minha melhor contribuição para que a esquerda extraia deste desastroso 2015 a lição de que precisa desesperadamente voltar às raízes, reassumindo suas bandeiras históricas e recolocando como objetivo supremo o fim do capitalismo e a construção de uma sociedade fundada na justiça social e na verdadeira liberdade.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

DEPOIS DA POEIRA COLORIDA NOS OLHOS DOS ELEITORES VIRÁ O OLHO DO FURACÃO

Josias de Souza, experiente jornalista que tem seu blogue hospedado no UOL, fez uma análise acurada da eleição presidencial (vide íntegra aqui), cujos trechos principais eu reproduzo abaixo:

"A 12 dias do encontro com as urnas, o eleitor brasileiro permanece no escuro em relação ao essencial. Admita-se que há duas crises sobre a mesa: a econômica e a ética. Quanto à primeira, os candidatos revelam-se capazes de quase tudo, menos de esmiuçar seus planos. Quanto à segunda, sabe-se que nem o petróleo é mais nosso. Um delator esclareceu que já não existem coisas nossas... 

À medida que o PIB cai e a inflação sobe, os receituários econômicos dos candidatos vão se tornando mais aguados, seus discursos mais evasivos. Todos sabem o que terá de ser feito. Nesta segunda-feira, o ex-presidente do BC Armínio Fraga, guru econômico de Aécio Neves, disse que a economia brasileira foi acometida de infecção generalizada.

“É uma septicemia, não é uma verruga que você precisa tirar. É grave mesmo”, disse Armínio. Com maior ou menor ênfase, a gravidade do quadro é admitida também atrás das cortinas nos comitês de Marina Silva e até no de Dilma Rousseff.

Considerando-se que ninguém combate septicemia com aspirina, vêm aí providências mais duras. Por exemplo: corte pesado de despesas, realinhamento dos preços da luz e da gasolina, reformulação do seguro-desemprego, reforma da Previdência e um imenso etcetera. Os presidenciáveis não falam sério com o eleitor porque a política virou apenas um ramo da publicidade".

A sopa dos pobres na depressão da década de 1930
Mandou bem, mas não disse nada de inusitado. Há meses eu venho alertando que, seja quem for o(a) vitorioso(a), o ano de 2015 será de tratamento de choque na economia, com grande possibilidade de os remédios amargos continuarem sendo ministrados em 2016. 

Mesmo tendo detestado cada minuto que trabalhei em editorias de economia, aprendi o suficiente para saber que, segundo a ortodoxia capitalista, da qual nenhum dos três candidatos com chance de êxito mostra a mínima intenção de discrepar, a recessão é inevitável e a depressão, bem provável. 

Isto já foi admitido inclusive pelo Guido Mantega, o ministro da Fazenda que derreteu após ter sido considerado rançoso pelos empresários. E até o Luís Nassif, apoiador de Dilma, reconhece que "no próximo ano, seja quem for o presidente eleito, haverá uma freada de arrumação na área econômica. A política econômica e suas vertentes monetária e cambial padecem de uma falta de rumo a toda prova... Não dá para continuar assim". Só discordo do eufemismo, a coisa se prenuncia mais como trombada...

Eu gostaria, claro, que Dilma ou Marina (Aécio, nem pensar!) ousassem trilhar outros caminhos. Mas, não existe sequer um nível de organização dos explorados suficiente para dar sustentação a uma ruptura, mesmo que parcial, com o receituário neoliberal. 

É o que dá a esquerda palaciana ver os trabalhadores apenas como os votantes que garantirão sua perpetuação no poder; quando precisa de algo além disto, não encontra, porque deixou de fazer a lição de casa lá atrás. [Mesmo caso do PCB em 1964: confiou que as Forças Armadas (!) defenderiam a Constituição e, na hora do golpe, não contava com um dispositivo militar próprio para encetar a mínima resistência.]

Também tenho batido na tecla de que a "política virou apenas um ramo da publicidade" -principalmente ao responder a comentaristas crédulos e obtusos, que caem na esparrela de quererem discutir a sério programas de governo que não são sérios. Se soubessem a forma como os políticos se referem a tais papeluchos na intimidade! Dou pistas: Mirafiori, Neve, Personal, Primavera, Scott, Sublime...

O de Marina Silva não cumpriu bem a função de apenas fazer afagos ao máximo de fatias do eleitorado, pois deixou brechas para contestações -a maioria, tendenciosas- dos adversários.

Dilma Rousseff não lançou até agora o seu porque ainda não decidiu a quem descontentará: se às centrais sindicais que querem a redução da jornada de trabalho, o fim do fator previdenciário e a regulamentação da terceirização, ou aos grandes capitalistas que não querem nada disso; se aos inconformados com a impunidade dos torturadores, que querem a revisão da Lei da Anistia, ou aos altos oficiais que blefam descaradamente, fingindo terem o apoio das tropas para viradas de mesa.

Aécio Neves, o candidato ideologicamente mais afinado com o grande capital (diferentemente de Dilma, que submete-se ao poder econômico por interesse político e não por convicção), também não pode abrir o jogo, porque se revelar honestamente o tipo de política econômica que vai implementar, sua votação cairá para menos de 10%...

É patético que se faça tanta exegese do nada, atribuindo tamanha importância ao que não tem nenhuma: a peça publicitária imperfeita da Marina e as peças publicitárias que Dilma e Aécio continuam devendo, porque a indefinição lhes convém.

No final de outubro vão acabar os embustes e manipulações, com o vento soprando para longe a poeira colorida que a propaganda política espalhou. Ainda haverá, claro, a trégua natalina, mas em janeiro o povo começará a defrontar-se com a dura realidade. E ai vai ficar sabendo qual o preço a pagar pela escolha que fez.
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