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domingo, 17 de julho de 2022

O DESESPERO ELEITORAL FAZ O BOZO BRINCAR COM FOGO

É
tão óbvio que o Bozo será escorraçado pelos eleitores em outubro, ao que tudo indica já no 1º turno, que seus especialistas em truques sujos estão operando em tempo integral e no modo desespero total.

Uma vez deu certo, quando ele estava tendo desempenho caricato nos debates da eleição presidencial de 2018 e trataram de providenciar-lhe uma boa desculpa para fugir do tête-à-tête  com os Guilhermes Boulos e Marinas Silvas daquela campanha, antes que o país inteiro concluísse que ele não passava mesmo de um palhaço sinistro. 

[Tal ficha só cairia tarde demais para os 39,2% de brasileiros que elegeram gato por lebre e tornaram nosso país motivo de chacota para os civilizados do mundo inteiro.]

Mas, como a farsa do Adélio teve mais furos do que uma peneira e não sobreviveria a nenhuma investigação independente (o que mais se aproximou disto foi o vídeo Facada no mito, que a reduziu a picadinho), é uma temeridade quererem voltar ao assunto agora. 

Só serve para lembrar aos adversários que este é ainda um calcanhar de Aquiles daquele pleito no qual também tiveram influência decisiva o abuso escandaloso de poder econômico e o bombardeio virtual impune com uma imensidão de fake news.

Mais ou menos na mesma linha é terem feito agora uma montagem ilegal de trechos de um filme inacabado do Ruy Guerra (por eles obtidos por métodos obviamente crapulosos) e utilizarem-na para enganar novamente os otários, desta vez fazendo-os crer que os
diabólicos comunistas, em conluio com a Rede Globo (!), estariam instigando um atentado contra o motoqueiro fantasma numa de suas grotescas motociatas. 

Mas, como tal mentira é mais fajuta ainda do que a fantástica mamadeira com bico de pênis, não colará.  

Só que eles estão chamando a atenção de todos os miolos moles do Brasil para a facilidade com que poderiam encurtar o prazo da chegada do Bozo ao inferno nos momentos em que ele se expõe nessas palhaçadas de velhinho transviado. Seria a sopa no mel para qualquer sniper.

Quem leu o livro de Frederick Forsyth ou assistiu ao filme do Fred Zinnemann (o original de 1973, pois o remake de Michael Caton-Jones em 1997 é um lixo), ambos intitulados O dia do chacal, sabe que é dificílimo garantir a segurança de um figurão discursando num palco fixo e verdadeiramente impossível se ele circular num veículo lento, durante um tempão, pelas ruas da cidade.

E, até levando em conta o próprio exemplo, o Bozo deveria estar ciente de que há muito louco fora do hospício em nosso país. Indicar-lhes a melhor ocasião para atingirem um alvo que lhes garantirá a notoriedade sonhada é a chamada ideia de jerico... (por Celso Lungaretti) 

sábado, 17 de outubro de 2020

UM ALERTA: QUANDO PASSA DO LIMITE, A INDIGNAÇÃO POPULAR NÃO TEM FREIO – 1

dalton rosado
A IDIOSSINCRACIA E O OPORTUNISMO GOVERNAMENTAL
Em geral, os governos têm uma identidade de propósitos  a nortear as suas ações. 

Isto se dá mesmo que estas estejam circunscritas e limitadas a uma superestrutura que envolve regras constitucionais; instituições; costumes; forma de relação social de produção dos bens e serviços necessários à satisfação do consumo; subvenção da manutenção governamental; direito; valores morais e éticos, etc., etc., etc. 

A identidade de propósitos define o caráter ideológico do exercício do poder vertical, mesmo que este seja exercido dentro de parâmetros constitucionais preestabelecidos. Mas, não raro, o oportunismo e o desejo de perpetuação no poder provocam mudanças de rumo, sempre conservadoras e imanentes ao dito cujo.

Sou contra o poder vertical porque ele é, invariavelmente, uma falsa representação da vontade coletiva, apenas reproduzindo a hierarquia de uma ordem social opressora e dividida em classes sociais ao longo dos tempos.

Sou contra as ideologias justamente porque elas representam uma camisa-de-força a impedir o processo dialético histórico de caminhar no sentido da incorporação e adequação dos melhores procedimentos criados pela coletividade; é como se as ideologias representassem a verdade absoluta (coisa que não existe, já que a verdade, por estar condicionada às mutações da vida social, é sempre relativa e ocasional).

A atual idiossincrasia governamental brasileira, contudo, representa a completa falta de referência norteadora, como se estivéssemos num barco à deriva, levado pela correnteza rumo ao abismo. É esta sensação que tenho com relação ao governo do
capitão Boçalnaro, o ignaro

Única bússola da ação governamental, a obsessão pela manutenção e ampliação (a qualquer preço) do poder de que dispõe é a grande responsável pela idiossincrasia governamental. 

O rótulo ideológico mais apropriado para o malfadado governo atual é realmente o de idiossincrático, correspondente à contradição de conceitos que se auto-anulam. Vejamos os sintomas. 
.
SOBRE O AUTOPROCLAMADO LIBERALISMO – durante toda a campanha presidencial de 2018, o candidato ultradireitista admitia não dominar os conceitos da ciência econômica (aliás, ele pouco sabe de quase tudo, só se destacando na disciplina oportunismo político, da qual é PhD), mas, apesar de se fazer passar por outsider, defendia as proposições capitalistas do liberalismo econômico professadas por aquele que já escolhera para czar da economia, Paulo Guedes.

Era ao logo apelidado de posto Ipiranga que deveriam ser dirigidas as perguntas sobre a tal Escola de Chicago, a menina dos olhos do Guedes. Tendo como principal expoente Milton Friedman, a dita cuja preconiza o estado mínimo, incumbido de cumprir funções estratégicas de controle monetário e regulamentação protetora da exploração capitalista.

O liberalismo clássico data do século 19, baseado na doutrina do
laissez faire, laissez aller, laissez passer (deixai fazer, deixai ir, deixai passar), que nada mais é do que a função meramente estratégica estatal de indução ao desenvolvimento capitalista, tendo como premissa a livre concorrência de mercado como pretenso fator de equilíbrio da produção e consumo, e relegando o atendimento das demandas sociais a uma pretensa melhora do poder aquisitivo da população.

Entretanto, jamais promoveu, em quase dois anos de governo, qualquer privatização de peso, o que levou a pessoa encarregada dessa agenda (o ex-secretário especial para a Desestatização e Privatização, Salim Mattar) a se demitir por absoluta falta do que fazer. 

É que, apesar de ser militar indisciplinado e infenso à hierarquia, o que lhe valeu uma aposentadoria remunerada precoce, ele gosta do poder estatal forte, nacionalista, como qualquer militar em qualquer lugar no mundo e na história (vale lembrar que os governos militares de 1964 a 1985, estatizaram mais do que preconizavam as pretensas reformas de base do combatido governo João Goulart). A contradição com o liberalismo clássico salta aos olhos. 

Mas, como ele não entendia mesmo nada de economia, fez uma mistureba indigesta entre o nacionalismo patriótico (sob a bandeira verde-amarela de combate a um comunismo inexistente) e a proposta liberal do estado mínimo, sem que os seus fanáticos eleitores percebessem a contradição flagrante.

Faltava-lhe, claro, consistência política e histórica, dado o seu primarismo intelectual; mas, sobrava-lhe esperto oportunismo político eleitoral. 

Foi, ademais, bafejado por uma suspeita facada, cuja intensidade ou mesmo veracidade permanecem na penumbra, mas que terminou por lhe ser oportuna, ao poupá-lo da continuidade dos debates eleitorais que vinham comprovando e escancariam ainda mais a sua mediocridade. 

Assim, graças a um triste acaso ou a um crime eleitoral impune, pôde passar desapercebida a contradição contida nesse enunciado nacional-liberal.

Os gastos militares do governo em 2019, foram maiores do que os gastos com educação, p. ex., evidenciando a falácia do projeto liberal do estado mínimo: a prometida redução do orçamento público em relação ao PIB, foi colocada de lado, num ano em que a economia já estava combalida mas ainda não sofria o impacto negativo da pandemia do coronavírus.

Ressalte-se que o PIB do primeiro ano do governo do Boçalnaro foi inferior ao de 2018, sob o presidente Temerário. Agora, já se comemora como grande conquista a previsão de que o PIB fechará 2020 com uma queda de apenas 5,8%! 
E o desastre só não será maior porque o governo, contrariando a ortodoxia liberal, abriu os cofres; ou melhor, botou a gráfica da Casa da Noeda para trabalhar, endividando-se e promovendo farta distribuição de dinheiro sem valor. Caso contrário esse governo dificilmente conseguiria evitar uma convulsão social de grandes proporções, nem se sustentaria em pé por muito tempo. 

A distribuição de dinheiro sem valor, embora seja providência emergencial necessária, já está causando inflação de alimentos. E, caso seja oficializada em função de interesses eleitorais evidentes, deverá causar danos graves à economia. 

Mas, se o tal auxílio emergencial, sob qualquer nome que se invente, vier a ser suprimido, a convulsão social entrará na ordem do dia. 

No capitalismo é assim, se ficar o bicho pega, se correr o bicho come (e se autodevora).  

Destarte, Boçalnaro jogou pro alto todos os conceitos de ajuste fiscal orçamentário, desmoralizando a orientação liberal do Guedes. 

Mas este, cumprindo orientação do capital financeiro (que hoje é internacional por excelência) do qual sempre foi caudatário, prefere engolir sapos em profusão, tentar justificar o injustificável e permanecer no governo. (por Dalton Rosado)  
(continua neste post)
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