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quarta-feira, 10 de junho de 2020

MARCELO COELHO DIZ O ÓBVIO ULULANTE: "É INCRÍVEL QUE TANTOS BRASILEIROS SE SINTAM FRACOS DIANTE DE UM PATETA"

marcelo coelho
MEDO DO IMPEACHMENT ENTORPECE A OPOSIÇÃO
Fora algum incidente mínimo, as manifestações pela democracia e contra o racismo no domingo passado foram expressivas, bem organizadas e incapazes de dar pretexto a infiltrados e aproveitadores.

Talvez a movimentação contra Bolsonaro ganhe mais força a partir de agora.

Não é nenhum bicho de sete cabeças, afinal, sair às ruas com a devida máscara cirúrgica e todas as precauções de praxe.

Se o presidente e seus seguidores descreem do coronavírus, nem por isso precisam ter exclusividade nos atos de protesto.

E as ruas vinham fazendo falta na luta pela democracia.

Nunca vi tantos abaixo-assinados. Nunca cliquei tantos apoios a documentos na internet. O problema é que o mundo virtual, por mais que tenha lá suas estatísticas, não dá ideia da dimensão real das coisas.

Mil fanáticos de amarelo, com um presidente no meio, acabam projetando uma imagem superdimensionada de seu peso político.

Não minimizo a ameaça que representam. Muito ao contrário: estão se armando e naturalmente tendem a crescer, porque se julgam mais fortes do que são.

Como não havia manifestantes do outro lado, iam até acreditando que eram, de fato, a maioria da população.

Um pouco de gente real, protestando contra o fascismo, era indispensável. Se não houver vandalismo e violência (algo que lamentavelmente seduz parcelas dos manifestantes), é possível que a coisa cresça.

Agora começa a cair a ficha. A oposição anda intimidada, entorpecida e confusa, enquanto o bolsonarismo não para de avançar.

Não há sinal mais claro disso do que a quantidade de argumentos invocados contra o impeachment:
1não há maioria no Congresso  Sim, pode ser verdade. Mas Bolsonaro tem se isolado cada vez mais. Quem poderia imaginar, há poucos meses, que Lobão, Moro, Joice e Janaina estariam na oposição?

No Brasil, o improvável acontece todo dia. Talvez o Congresso precise de mais alguns empurrõezinhos. Na eventualidade de novas mobilizações de rua, ou de novas barbaridades presidenciais, pode ser que se mexa. Só não vai se mexer se, mesmo entre opositores convictos de Bolsonaro, o medo do impeachment predominar.
E será estranho se o Congresso continuar apoiando as forças que pretendem fechá-lo.
2. de que adianta tirar um capitão para dar posse a um general?  Poucos argumentos me parecem tão acovardados como este.

Na hipótese de uma vitória do impeachment, o clima político do país seria totalmente diverso. Estaríamos vendo um fortalecimento entusiasmante da democracia e uma recomposição radical do equilíbrio de forças. Mourão teria de se adaptar a esse esquema ou negociar uma transição.
3também pode acontecer de Bolsonaro vencer a batalha do impeachment, e sair ainda mais fortalecido — Mas não é bem assim. Trump não ficou melhor nem pior depois de confirmado no cargo.

Você pode dizer que o Brasil é diferente; mesmo antes de ser votado, o impeachment poderia dar pretexto para Bolsonaro dar o seu desejado golpe. Discordo. Quanto mais forte a bandeira do impeachment, menor a sua ousadia. 

Ele é evidentemente um burro e um descontrolado. Lembro de 1992. Posto contra a parede, Fernando Collor se perdia em caretas, acessos e pronunciamentos desesperados. Foi seu próprio coveiro.
4o momento agora é de unir forças contra a Covid-19, sem uma crise política por cima  Este argumento saiu um pouco de moda. Todos sabemos que Bolsonaro é o maior obstáculo ao enfrentamento do coronavírus. 

A tentativa de esconder os dados de letalidade é sua última proeza. Ele faz tudo o possível para espalhar a doença. Deseja o vírus com a mesma intensidade com que deseja as armas de fogo e as queimadas da Amazônia.
5ele ainda tem o apoio de um terço do eleitorado — o rebanho bolsonarista só se mantém em um terço porque não está confrontado com a existência fatual dos outros 70%. Vive numa bolha. A loucura se transmite, como um vírus. 

Mas a razão também tem seus poderes: estaríamos na idade da pedra se não fosse assim. Com imensos esforços, o nazismo e o stalinismo foram derrotados. 

É incrível que tantos brasileiros se sintam fracos diante de um pateta. (por Marcelo Coelho)
Toque do editor — este artigo do Marcelo é um daqueles que eu gostaria de haver escrito, pois expressa com máxima fidelidade as minhas avaliações e sentimentos ante a extrema mediocridade do Bozo e a extrema pusilanimidade da nossa esquerda, que fica atribuindo suas patetadas aos mais inverossímeis desígnios secretos e chegou ao absurdo de desaconselhar as manifestações de domingo, decisivas para empurrarmos definitivamente o (des)governo atual ladeira abaixo.

Digo e repito: o Bozo é apenas um trapalhão destrambelhado, com uma ignorância política abismal, que tinha imensas chances de dar um golpe no início do seu governo mas, por absoluta falta de noção, deixou a situação inverter-se por completo. 

Hoje não passa de um cadáver político à espera de que o rabecão institucional passe para o recolher. 
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(por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 29 de maio de 2020

MALAFAIA, SUA VERSÃO DA BÍBLIA CONTÉM O VERBO 'FORNICAR' EM LINGUAJAR CHULO?

"Resistam ao Diabo, e ele fugirá de vocês" (Tiago 4:7)
Um dia depois da divulgação do vídeo da reunião de 22 de abril último, do presidente Jair Bolsonaro com seus ministros, eu quis saber qual tinha sido a reação dos bolsonarianos. 

Levei um susto: tinham ficado eufóricos e, nas mensagens sociais circulando pela Internet, afirmavam: "Com esse vídeo, Bolsonaro está reeleito!”. Até evangélicos defendiam a baixaria.

A deputada Janaína Paschoal, fazendo-se de ingênua, saiu-se com esta: "Eu não sei se eu estou vendo a fita que vinha sendo anunciada. Realmente não sei". O próprio The Intercept cravou um placar 7 a 1 de Bolsonaro sobre Moro! 

Haveria duas versões do vídeo autorizado pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal? Eu teria visto a versão hard e os outros uma soft

Não, só existe mesmo um vídeo, o mostrado nas televisões e transcrito, em suas  partes principais, pelo jornais. Será que eu pirei, não entendi, ouvi mal?

Numa hora dessas, o melhor é ir à fonte. Ouvir alguém representante do maior grupo de apoiadores do presidente Bolsonaro, os evangélicos. Ora, neste caso, um dos mais indicados seria o chamado pastor Silas Malafaia, cujo canal no Youtube ultrapassa um milhão de seguidores.

Cheguei na hora certa. Malafaia tinha acabado de entrar no Youtube e estava eufórico, batia mesmo palmas de satisfação e alegria. Depois de assistir ao tão falado vídeo, Malafaia berrava: “Obrigado Moro, obrigado ministro Celso de Mello, que se transformou no maior marqueteiro do presidente Bolsonaro!”.
Foram quase três minutos de júbilo do líder evangélico. Daí não entendi mais nada. Meu pai que era presbiteriano sério e severo, me teria repreendido e me passado um sabão se, para explicar alguma coisa, por falta de vocabulário, eu utilizasse um palavrão ou uma maneira chula ou vulgar de falar.

Por mais que force a memória, não me lembro de nenhum de meus colegas da Escola Dominical ou da União da Mocidade Presbiteriana usar o que se chamava de uma “palavra feia” ou palavra de baixo calão, num jogo esportivo ou num momento de raiva.

Por isso, como o tempo mudou e os hábitos junto, quero me dirigir ao pastor Malafaia para lhe fazer algumas perguntas. A primeira delas é relacionada com a Bíblia. Quem sabe me tornei careta e estou por fora do que se passa hoje no mundo evangélico?!

A Bíblia do meu pai, que acabou ficando comigo, é uma tradução de João Ferreira de Almeida, editada no começo do século passado. 

A edição da primeira Bíblia na língua portuguesa é toda uma história. O João nasceu em 1628,  numa aldeia de Portugal e foi criado pelo tio padre. Sem grandes distrações, aprendia latim e grego com o tio; aos 14 anos já dominava esses idiomas.

Portugal vivia um período de crise econômica com a ascensão da Holanda (que chegaria a invadir o Brasil) e da Inglaterra. Mesmo na terrinha chegavam os ecos do protestantismo, tanto que João Ferreira de Almeida, ainda adolescente, se tornou protestante, foi para a Holanda e acabou missionário na Indonésia, colônia holandesa, onde passou sua vida a traduzir a Bíblia para o português.

Dessa época para cá, a tradução Almeida passou por diversas revisões para se adaptar ao português do Brasil. E surgiram outras traduções.

Por isso pergunto, pastor Malafaia, se nessas revisões se decidiu, para se popularizar a Bíblia e torná-la mais acessível ao povo, adotar a atual linguagem vulgar e chula, corrente em certas camadas da população. 

Lembro-me de que, nas descrições bíblicas de atos sexuais gerando filhos, se costumava dizer "fulano conheceu sicrana". 

Terá agora também se adotado "fulano fodeu com sicrana e ela pariu"? E, na mesma toada, “que os inimigos de Deus se fodam!'?

Se já existem versículos assim na Bíblia, entendo sua conivência com a enxurrada de palavrões pronunciada pelo presidente Bolsonaro, e imagino que alguns pastores talvez usem linguagem chula e vulgar ao atacarem o diabo, os comunistas e os homossexuais no púlpito das igrejas.

Mas, se a Bíblia ainda não se vulgarizou, imagino qual seria a reação do severo reverendo Boanerges Ribeiro, antigo presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil e da Universidade Mackenzie (em São Paulo), à linguagem vulgar do presidente. Ainda que ele tenha sido também cristão de direita, apoiador do golpe de 1964 e criador do equivalente aos inquéritos policiais militares, IPMs, dentro dos seminários presbiterianos da época.

Daí minha primeira surpresa – a conivência total com tal inovação de linguagem mesmo num encontro ministerial. Espero que o chanceler Ernesto Araújo não vá mandar tomar no c... um colega seu de um país europeu que critique o desmatamento da Amazônia.

Bom, dizem que educação não se aprende na rua. Isso me lembra que, na época do Almeida tradutor da Bíblia, devia ser rei um Afonso VI, cuja diversão era ficar travando batalhas de pedradas diante do Palácio com os arruaceiros da época (como, hoje, os carreteiros à frente do Alvorada). 

Afonso VI, logo se percebeu, era maluco e acabou tendo de ceder o reinado. Qualquer semelhança é ou será mera coincidência.

Um pastor tolerante com palavrões me lembra um comentário no Facebook de uma evangélica: "Prefiro quem diz palavrão do que quem é ladrão". Ora, não acho que seja uma questão de oito ou oitenta. Eu não tenho preferência nem pelo palavrão nem pelo ladrão.

Agora, vamos às coisas mais séria, pastor. Nesse mesmo encontro ministerial, foram cometidos crimes verbais muito graves. E como o pastor aplaudiu com euforia, gostaria de saber se, passado o momento da alegria, continua aprovando tudo quanto ali foi dito.

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, vai ser provavelmente processado e perderá seu cargo de ministro, por ter feito declarações grosseiras e inaceitáveis aos membros do STF. Não preciso acentuar o caráter ofensivo de tais afirmações porque o próprio ministro Celso de Mello se considerou agredido, assim como seus pares.

Pergunto ao pastor Malafaia se ainda aprova, como líder cristão, as falas beligerantes do ministro da Educação. Isto porque, como tais declarações têm um caráter anti-institucional e antidemocrático, sua cumplicidade, que pode influir sobre seu milhão de seguidores e outros milhões de evangélicos, talvez nem Deus lhe perdoe. São pecado grave.

Mais grave, porém, pastor, é sua conivência com o apelo do presidente aos seus ministros, no sentido de ser preciso se armar o povo. O pastor, matreiro como é, deve ter percebido qual o objetivo deste apelo. Ninguém arma o povo para festejar São João em junho. Armar o povo só pode ter por objetivo criar uma base civil, um apoio armado, no caso de o golpe pretendido provocar uma guerra civil.

O pastor não é surdo para se eximir. Ouviu muito bem o presidente falar em armar o povo. Como não condena tal apelo às armas, será que também deixará de reprovar o uso dessas armas por seus seguidores contra irmãos brasileiros, em contradição com os ensinos pacíficos dos Evangelhos? 

Veja bem, pastor, aqui não se trata de palavrão, nem de ofender os ministros do STF, mas de matar. Matar para defender um golpe. Foi o que entendi ao ver seu Youtube.

Porém, não é só isso. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, fez, no famigerado encontro, uma proposta indecorosa, desonesta, digna de bandido – Vamos aproveitar a crise do coronavírus para aprovar as leis que favorecerão a pecuária? Noutras palavras, o ministro quer favorecer a doação de terras da União para invasores de terras da Amazônia, a fim de transformar a região num imenso pasto de gado.

O pastor também aprova isso, mesmo porque forçando os indígenas a sair de suas reservas ou mesmo de suas tribos, ficará mais fácil convertê-los para Cristo? Mas, pôr em prática essas medidas exigirá violência, assassinatos e a destruição de nossas florestas. O pastor também concorda com Ricardo Salles, mesmo estando a comunidade internacional revoltada com tal crime anunciado? Isto seria cristão? Isto seria um ato evangélico?

Muitos de nós brasileiros temos ancestrais autênticos brasileiros, cuja memória não nos permitirá aceitar esses crimes e assassinatos.
Lembro-me aqui de minha bisavó índia guarani, pegada a laço aos seis anos numa floresta paulista na metade do século 19. Conceição foi assim cristianizada. 

É isto, pastor, que recomenda e aprova para a Amazônia? Vamos acabar com o povo indígena, limpar o terreno, plantar capim e milho para o gado e erguer templos evangélicos, em cima dos cemitérios dos nossos irmãos nativos?

É isto, pastor?

Se concorda também com a prisão dos governadores, proposta pela ministra Damares, por terem implantado a quarentena e protegido sua população, evitando assim a contaminação e morte de muito mais pessoas, se está eufórico com tudo isso, como vi no  Youtube, me desculpe, mas não posso nem lhe considerar cristão, mas um impostor e cúmplice de todos os erros e abusos já cometidos e dos crimes que virão. 

E o pior: cometidos em nome da Bíblia, do Evangelho e de Cristo. (por Rui Martins)

sábado, 9 de maio de 2020

"OS QUE LAVAM AS MÃOS, O FAZEM NUMA BACIA DE SANGUE" – IMPERDÍVEL!

mário sérgio conti
ESPERAR QUE A ELITE DETENHA BOLSONARO É ACEITAR UM GOLPE E MILHARES DE MORTES
Aconteceu o previsto nos idos de março:
— milhões se acotovelam para receber uma merreca;
— os exames para detectar o corona são irrisórios;
— o SUS superlotou e os planos de saúde querem que os pobres se explodam;
— o mitômano sabota o confinamento e prepara um golpe.
.
Os números sobre a peste são subestimados e suspeitos —exceto o dos mortos, que cresce de modo apavorante. É cada um por si e Messias contra todos. Está certo que ele não é mais lambido por Mouro e Maneta; por Joice Hellmann’s e Janaína del Fuego; por Frotão e Lobinho.

Mas os afagos testiculares da turma são largamente compensados pelo largo —bota largo nisso— derrière de Maia, que sentou numa pilha de pedidos de impeachment. E a debandada dos palacianos é reequilibrada pela subserviência de Toffoli, estafeta do PT transmutado em rábula de Bozo.

Por fim, há bois à beça no rebanho dos aduladores. Os zebus são pastoreados por Guedes, que na quinta-feira levou 15 reses pelo cabresto ao estábulo em frente ao Planalto. Muuuu, mugiram elas enquanto o dócil Toffoli lustrava as ferraduras do cavalão indócil.

Guedes obedece aos donos do dinheiro. Cumpre ordens de gente fofa como o cervejeiro Jorge Paulo Lemann, que está amando de paixão a mortandade: O que gosto mais é que toda crise é cheia de oportunidades. Vai uma cervejinha?

Ou Guilherme Benchimol, o especulador classudo: O pico da doença já passou quando a gente analisa a classe média alta. E vaticinou: Se as reformas continuarem avançando, a crise política não atrapalha. Invista em mim, que a crise é mansa!

A guarânia das reformas para atrair investimento externo não termina nunca por um motivo singelo: o investimento externo só chegará se —e quando— as reformas diminuírem o valor do trabalho. Vide a Ásia.

Os dólares virão se os direitos trabalhistas virarem pó, quando sindicatos e partidos populares forem anestesiados. Chegarão às mancheias se a liberdade e a democracia forem letra morta. Daí o conluio dos faria limers com o ferrabrás.

Não é verdade que a pandemia tenha feito Bolsonaro alucinar. O lado poltrão e pirado do cavalão já era bem conhecido. Mas a Covid-19 fez com que acelerasse o galope rumo ao golpe e escoiceasse adoidado. Sua louca cavalgada tem duas constantes.

Primeiro, o mito pintou a Esplanada de verde-oliva. Com 3 mil milicos, o Executivo é hoje uma caserna.

Como os azeitonas têm expertise em destruir, foram incumbidos de gerir o féretro pandêmico. Receberam também a missão de atacar a Amazônia e acobertar agronegociatas.

As classes conversadoras solfejaram meses a fio a pia ladainha que generais iluminados tutelariam o mitômano. Deu-se o contrário. Ele é o chefão inconteste das Forças Armadas. Vem encurralando o Supremo e o Congresso para, na hora agá, recorrer à força bruta e peitá-los.

Como faria isso? Messias tem vários cenários e pretextos à mão: descumprir uma ordem judicial; saques; a prisão de um filho; a sublevação de um setor da PM; um levante popular; inventar uma conspiração comunista.

Numa paisagem de caos, contando com a simpatia de Trump e a obediência da tropa, Bozo pode muito.

E tanto mais poderá se não for enfrentado. Mas, exceto por um ou outro juiz, os mandachuvas se limitam ao suave palavrório das notinhas de repúdio. O grosso da elite tem lavado as mãos.

A provocação, o incremento da divisão política, da discórdia e da depuração são traços do bonapartismo —essa trilha rumo à ditadura.

Eles se coadunam com a segunda constante do governo Bolsonaro, que se acentuou nos últimos dias: a mobilização da escória para fins de intimidação física.

Foi o que se deu no 1º de maio: o presidente reuniu sua corja, que clamou pela ditadura e esmurrou jornalistas. O troco veio pouco depois, na mesma praça dos Três Poderes.

Chamados pelo seu sindicato, dezenas de enfermeiros protestaram ali. Ao contrário dos bolsonaristas, usaram máscaras e mantiveram distância entre si. Atacados pela malta verde-amarela, eles se mantiveram firmes e altivos.

Houve protestos semelhantes nos dias seguintes. Todos eles respeitaram as normas de segurança da pandemia. Mostraram disposição em não ceder o espaço público aos bandidos e milicianos do presidente.

Os protestos deram carne às palavras do ator Lima Duarte, que citou Brecht para homenagear seu amigo Flávio Migliaccio, que se suicidara de desgosto dias antes: Os que lavam as mãos, o fazem numa bacia de sangue. (por Mário Sérgio Conti)

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

DEPOIS DE REINALDO AZEVEDO, TAMBÉM GUSTAVO BEBIANNO PÕE EM DÚVIDA A SANIDADE MENTAL DE BOLSONARO

edson sardinha
BEBIANO VAI À JUSTIÇA CONTRA BOLSONARO: "PRECISA DE TRATAMENTO PSIQUIÁTRICO"
O ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência Gustavo Bebianno afirmou nesta 2ª feira (23) ao Congresso em Foco que vai interpelar na Justiça o presidente Jair Bolsonaro por ter sugerido, em entrevista à revista Veja, que ele teve participação no atentado praticado pelo desempregado Adélio Bispo durante a campanha eleitoral. 

Bebianno disse que pretende apresentar a ação no início do próximo ano. “Já estou me mexendo para promover uma interpelação criminal. Depois, ação cível”, explicou.

Para o ex-ministro, que presidiu o PSL e coordenou a campanha de Bolsonaro, o presidente precisa de tratamento psiquiátrico:
"A raiva passou. Sinto pena. O Jair está nitidamente desequilibrado. Precisa urgentemente de tratamento psiquiátrico. Estou também preocupado, uma vez que o país está sob seu comando. Isso tudo é muito triste. Não era para ser assim".
Na entrevista à Veja, Bolsonaro não chegou a citar o nome de Bebianno, mas fez ilações que remetem ao ex-aliado: 
"O meu sentimento é que esse atentado teve a mão de 70% da esquerda, 20% de quem estava do meu lado e 10% de outros interesses. 
Tinha uma pessoa do meu lado que queria ser vice. O cara detonava todas as pessoas com quem eu conversava. 
Hoje eles se veem como terrorista e louco, respectivamente
Liguei para convidar o Mourão às 5 da manhã do dia em que terminava o prazo de inscrição. Se ele não tivesse atendido, o vice seria essa pessoa. 
Depois disso, eu passei a valer alguns milhões deitado".
O presidente já acusou o ex-ministro de atrapalhar a candidatura do hoje deputado Luiz Philippe de Orleáns e Bragança a vice-presidente por meio de um falso dossiê. Bebianno gravou um vídeo, na ocasião, negando ter produzido qualquer material contra Luiz Philippe ou qualquer outro postulante a vice de Bolsonaro.
"O presidente deveria buscar tratamento. Um bom remédio é amar mais e odiar menos. Reflexão sobre o passado também ajuda. Cuspir no prato que comeu é muito feio. 
Esse período do ano é propício para isso. Ele deveria aproveitar".
Após a publicação da entrevista, a deputada estadual Janaína Paschoal relatou no Twitter que o ex-ministro insistiu para que ela assumisse a candidatura até horas antes de o general Hamilton Mourão ser escolhido e anunciado como companheiro de chapa do presidente.

Bebianno afirmou que Bolsonaro tem disparado reiteradas mentiras contra ele e demonstrado ingratidão: 
"O Jair está nitidamente desequilibrado"
"No primeiro momento, fiquei com muita raiva. Só fiz o bem para esse cara.  Carreguei a campanha nas costas, assim como o partido. Eu e o deputado Julian Lemos.  Trabalhamos incansavelmente. Não aceito mentiras e acusações de qualquer natureza".
O ex-ministro também contou que tomou medidas de segurança depois de receber ataques de Bolsonaro. 
"A irresponsabilidade do presidente me obriga a isso. Mas o Poder Judiciário examinará toda essa questão"
TOQUE DO EDITOR — Tais declarações de Bebbiano, em entrevista ao repórter Edson Sardinha, do Congresso em Foco, vêm ao encontro do impactante post (clique aqui p/ abri-lo) de três dias atrás do Reinaldo Azevedo, que enxergou "idiotia clínica" no presidente e concluiu:
"(Bolsonaro) Ocupa, no entanto, um lugar de quem está obrigado a responder por seus atos. O único remédio que a institucionalidade tem de ministrar a ele é o triunfo da lei. O Brasil não pode se transformar em seu hospício privado"
E a pergunta que não quer calar é: se ambos estiverem certos, como a institucionalidade administrará tão grave problema? Com a tibieza e a morosidade habituais, enquanto mais anos estarão sendo perdidos? 

Deus nos acuda! 
(por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

O BOLSONARISMO VAI SE TORNANDO UM NICHO. E, NO FIM DA LINHA, VIRARÁ LIXO...

celso rocha de barros
BOLSONARO RADICALIZA
Bolsonaro mentiu sobre a morte do pai do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz. O presidente da República disse saber que o guerrilheiro Fernando Santa Cruz foi executado por membros da guerrilha, o que é falso: os documentos da Aeronáutica provam que ele morreu no berço bolsonarista, os porões da ditadura.

A semana que começou com essa demonstração do que é o caráter do presidente da República terminou com seus apoiadores executando uma ação coordenada nas redes sociais para ofender a mãe do jornalista Gleenn Greenwald, que tem câncer em estado avançado.

O iniciador do ataque foi um elemento que a ministra Damares Alves já recomendou em suas redes sociais como um profissional sério e muito ético [Nota do editor: trata-se de Oswaldo Eustáquio].

O que isso mostra é que o autoritarismo bolsonarista não é só repúdio às liberdades civis brasileiras, é um problema de saúde pública moral.

Mostra o que seria uma ditadura Bolsonaro: não seríamos apenas impedidos de votar ou de nos expressar livremente. O ditador Bolsonaro constantemente ofereceria a seus seguidores espetáculos de violência, prometeria impunidade ao cidadão comum que atacasse opositores. E, acredite, haveria gente que o apoiaria por isso.

Ao mesmo tempo em que intensificava os ataques contra a liberdade, Bolsonaro acelerava os expurgos na máquina pública.

O presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Ricardo Galvão, foi demitido por se recusar a mentir em defesa do governo. 

Os dados coletados pelo Inpe mostraram uma aceleração grande do desmatamento na Amazônia desde que Bolsonaro tomou posse. 

O presidente da República mentiu que os dados estavam errados. Galvão respondeu com altivez, com competência, e foi demitido, porque no governo Bolsonaro não se admite nenhuma das duas coisas.

O próximo alvo é Roberto Leonel, a quem Moro deu a presidência do Coaf. Bolsonaro pediu a Guedes sua demissão porque Leonel criticou a decisão de Toffoli que livrou Flávio Bolsonaro.

Se você tinha alguma dúvida de que a decisão era obra de Bolsonaro, não de Toffoli, aí está.

A deputada estadual Janaina Paschoal, é claro, entrou com pedido de impeachment de Toffoli. Impeachment errado, deputada. De novo.
A boa notícia é que, conforme o bolsonarismo acelera a degradação moral —e, repito, se não fosse assim teria cometido estelionato eleitoral, a campanha foi toda dizendo que faria isso— aliados de peso vão abandonando o Planalto.

O governador de São Paulo, João Doria, criticou duramente a declaração contra Felipe Santa Cruz, e procura se reposicionar ao centro. 

É provável que os governadores tucanos, como o gaúcho Eduardo Leite, se lembrem de como Bolsonaro tentou erradicá-los no segundo turno de 2018.

Mas até o governador do Rio, Wilson Witzel, está em dúvida se vale a pena apoiar para prefeito da capital o extremista Rodrigo Amorim, um dos que rasgaram a placa da Marielle, homem próximo a Flávio Bolsonaro e Queiroz.

Aos poucos, o bolsonarismo vai se tornando um nicho, que o presidente luta para que se mantenha do tamanho atual, de cerca de 30% do eleitorado. Pode dar certo. Mas, pelo que eu me lembro, 30% foi só depois da facada. (por Celso Rocha de Barros)

quarta-feira, 31 de julho de 2019

O CASO É PARA IMPEACHMENT OU INTERDIÇÃO? EIS A QUESTÃO...

Um pecado capital do PT foi adotar a ótica simplista de que quem não estava a seu favor, era automaticamente contra. 

Graças a isto, espantou para o outro lado um grande número de forças e atores políticos que não eram necessariamente inimigos, como Hélio Bicudo, D. Paulo Evaristo Arns e Miguel Reale Jr., três cujo prestígio lhe acabou sendo devastador durante o processo de impeachment da Dilma. 

O primeiro, ex-petista que travou luta heroica contra o Esquadrão da Morte em pleno regime militar, foi tratado a pontapés pelo partido e teve carradas de razão para o desfiliamento. D. Paulo, o vencedor do confronto decisivo para a desmontagem da ditadura (a realização da missa para o Vladimir Herzog). E Reale Jr., um centrista que chegou a ser secretário da Segurança Pública no governo de Franco Montoro e ministro da Justiça no de FHC.

Tenho certeza absoluta de que, caso ainda fossem vivos, os dois primeiros estariam se posicionando de forma contundente contra o desgoverno atual.

Reale Jr. o faz. E, numa entrevista à rádio Guaíba (RS), levantou uma hipótese interessante: será impeachment ou interdição o caminho mais apropriado para o Brasil livrar-se do seu pior presidente em todos os tempos?
Reale Jr. vê Bolsonaro como alucinado, cruel e malvado
Ouvido pela Folha de S. Paulo, o jurista admitiu que se tratou antes de um desabafo do que um diagnóstico, explicando: 
"É porque é um processo tão alucinatório. Ele prejudica a si próprio a cada declaração. Lógico que beira o problema do decoro, mas é uma afronta tamanha à dignidade humana o que ele falou sobre o presidente da OAB [ao afirmar que poderia contar-lhe como realmente morreu o pai dele, insinuando haver falsidades nas narrativas sobre seu assassinato por parte dos torturadores].  
O culto aos mortos e aos despojos vem desde os primórdios da humanidade. Dizer isso é (...) uma crueldade, é uma malvadeza. Isso demonstra uma deturpação de sensibilidade. 
Aquela minha frase valeu muito mais como expressão do que como realidade médica. Mas é de se espantar como alguém pode gostar desse mundo obscuro".
Isto não evidencia transtorno mental?!
No entanto, noutro trecho da entrevista Reale se refere a Bolsonaro como um homem, no mínimo, com urgente necessidade de terapia mental:
"[as frases monstruosas dos últimos dias são explicadas] Pela própria personalidade dele, que se tem notado desde a época em que era deputado, quando defendeu que se fechasse o Congresso, que deviam matar Fernando Henrique. É de uma litigiosidade exacerbada, sempre [busca] o confronto. Sempre volta ao passado e [faz] uma reconstrução do conflito que se estabeleceu na época da ditadura. 
Essas manifestações você pode colher ao longo dos 28 anos de um mandato absolutamente medíocre na Câmara dos Deputados, que se pautou por agressões contínuas aos direitos humanos... 
...essa belicosidade é da sua natureza. Ele não consegue sair da dicotomia, do maniqueísmo. É da natureza dele estabelecer continuamente o confronto, e não a união, não a harmonia, o apaziguamento dos espíritos. Ele precisa do confronto. Fora do confronto, ele não sabe viver".
E o que dizer desta frase? É de alguém mentalmente são?
Reale, que presidiu a Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos durante seis anos, qualifica os depoimentos por ela colhidos sobre as torturas no Doi-Codi de "impressionantes, era um filme de terror". Daí a indagação: 
"Como um deputado faz elogio ao torturador? No programa Roda Viva, perguntaram a ele qual era seu livro de cabeceira, e ele mencionou o livro do Ustra. Então, o habitat dele é este, o habitat horrendo do mundo das trevas, do mundo da morte, da tortura, da perseguição. É o universo dele. Ele não foge disso. É um universo muito pobre e muito restrito".
Reale conclama a elite brasileira a conscientizar-se de que "ela tem uma responsabilidade de dar respostas consistentes a essa avalanche de ignorância", mas avalia que ainda não existem "condições políticas" para o impeachment de Bolsonaro, assim como "durante muito tempo não havia condições políticas para o impeachment de Dilma", pois "as afrontas que ele pratica podem beirar a falta de decoro, mas ficam numa zona fronteiriça entre a infração política e a infração moral".

A pergunta que não quer calar é: e a interdição? Já não haveria motivos de sobra para que ao menos fosse requerida uma avaliação psiquiátrica?
Antes os malucos se contentavam em ser Napoleões...

Janaína Paschoal, outra peça importante no tabuleiro do impeachment de Dilma, já havia tirado esse gênio da garrafa, ao comentar o fato de Bolsonaro haver compartilhado no seu Facebook um vídeo no qual o pastor Steve Kunda o apontou como escolhido por Deus:
"Um presidente da República, na plenitude de suas faculdades mentais, publicaria um vídeo desses?” 
Temo que ainda voltaremos a este assunto. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

UNS LATEM, MAS NÃO MORDEM. OUTROS SÃO TÃO TOSCOS QUE PODEM ESTAR LEVANDO SEUS DELÍRIOS A SÉRIO

marcelo coelho
TORTURADORES REAIS E CHAVISTAS DE FICÇÃO
Gleisi, cadê a gente que morreria se fossem prender o Lula?
Qual a diferença entre uma ameaça e uma bravata? É que numa bravata ninguém acredita —nem mesmo aquele que a profere.

Lula e o PT ostentam um longo histórico de bravatas. Em 2015, o ex-presidente falou em convocar o exército do Stédile para lutar contra o impeachment de Dilma Rousseff.

Depois de sua prisão, surgiram faixas e camisetas dizendo que eleição sem Lula é fraude.

Em sua coluna de 2ª feira (24), Vinicius Mota destaca (vide aqui) pontos de um documento petista, publicado após o impeachment. Bela autocrítica, ironiza ele, com razão.

Para a cúpula do PT, o partido falhou ao não impedir a sabotagem conservadora da Polícia Federal e ao não alterar os currículos das academias militares. O documento citado por Vinicius Mota também lembra que o Executivo, na era Dilma, distribuiu verbas demais aos monopólios da comunicação.

Mais grave foi a frase da senadora Gleisi Hoffmann, que diante da possibilidade de uma prisão de Lula chegou a dizer que ia ter de matar gente.

Um momento. Gleisi Hoffmann disse que ia matar gente?
Exército do Stedile em marcha

É o que li num artigo de Fernando Schüler, O paradoxo da democracia brasileira, publicado na Folha de 5ª feira passada (20).

Mas a citação estava errada. A frase de Gleisi era: Para prender o Lula, vai ter que prender muita gente, mas, mais que isso, vai ter que matar gente. Aí, vai ter que matar.

Foi uma irresponsabilidade. Ela imaginou que algumas pessoas arriscariam a vida em defesa de Lula, mas ao mesmo tempo não se ofereceu para tal sacrifício; entregava a missão, quem sabe, para o exército de Stédile.

Mas é muito diferente dizer que matarão pessoas para prender Lula e dizer que iremos matar gente para não prender Lula.

A distorção operada por Fernando Schüler em seu artigo é significativa. Reflete o esforço generalizado de neutralizar a fraseologia de Bolsonaro e do general Mourão, insistindo na ideia de que o PT é tão radical e antidemocrático quanto a chapa do PSL.

Retomo as autocríticas petistas citadas por Vinicius Mota. Não é certo querer influenciar nas atividades da Polícia Federal. É errado distribuir verbas publicitárias segundo critérios políticos.

Só que, evidentemente, ações desse tipo não configurariam uma ruptura da ordem constitucional. Outros governos democráticos não tiveram escrúpulos em nomear procuradores-gerais da República bem mais camaradas do que Rodrigo Janot.

Quanto a propor uma mudança nos currículos das academias militares, acho que isso seria uma ótima ideia. No mundo das Forças Armadas, nem mesmo a Revolta da Chibata, ocorrida em 1910, foi absorvida —que dizer da Comissão da Verdade.
Alguém tão infantilizado a ponto de gostar disto não percebe nem que é só encenação barata...
Passemos ao exército de Stédile. Uma bravata, como muitas. Péssima, aliás, porque admite que o líder do MST possui nada mais que uma massa de manobra. Bravata, porque Lula sabia perfeitamente que protestos do MST não seriam capazes de enfrentar uma tropa de choque.
Os fatos: chamando ou não de golpe o impeachment de Dilma (pessoalmente acho que foi 80% um golpe), o PT o engoliu. Com protestos e delongas, Lula se entregou à Polícia Federal. Com toda a fraseologia de que sem Lula a eleição é fraude, Haddad disputa a Presidência e sabe que, se perder, perdeu.

Não que eles sejam bonzinhos. Simplesmente faltou força para barrar o impeachment e para intimidar a Justiça no caso Lula.

No seu auge, Lula não enveredou pelo chavismo. Por que Haddad faria isso agora? É pura ficção.
...e tende a reagir mal quando seus castelos no ar desabarem.

Serão igualmente bravatas as frases de Bolsonaro? Quando ele põe em dúvida a urna eletrônica, fico preocupado, mas não muito —Brizola dizia a mesma coisa. Quando ele fala em metralhar a petralhada, não acredito que fará isso assim que eleito.

O problema é saber se ele acredita no que está dizendo, e, mais ainda, se seus apoiadores mais extremados estarão dispostos a isso. Ainda mais depois de eleitos.

Se ele decidir fechar o Congresso, convocar uma Constituinte ao estilo Mourão, quem terá forças para defender as instituições?

Bolsonaro diz que o movimento de 1964 não foi um golpe, elogia como heróis os torturadores da ditadura, cogitou aumentar o número de membros do STF. 

Por este último motivo, aliás, Janaina Paschoal achou melhor não entrar na chapa do capitão reformado. Janaína, pelo menos, não considerou bravata —e me arrisco a dizer que ela entende disso. (por Marcelo Coelho)
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