Ensaio de orquestra –filme raríssimo, mas que vocês ainda podem acessar, completo e legendado, clicando aqui– é, seguramente, o mais amargo de Federico Fellini, um dos maiores diretores de todos os tempos, cujo Oito e Meio (1963) está entre os monumentos da sétima arte.
Realizado em 1978, é inusualmente curto (só tem 69 minutos), não conta com grandes nomes no elenco, nem eles fazem falta. Basta a força da história, a criatividade delirante de Fellini e a genialidade musical de Nino Rota.
Expressa magnificamente um dos piores momentos da vida italiana, quando a esquerda tradicional se avacalhou e os agrupamentos mais combativos embarcaram na desastrosa aventura da luta armada.
Expressa magnificamente um dos piores momentos da vida italiana, quando a esquerda tradicional se avacalhou e os agrupamentos mais combativos embarcaram na desastrosa aventura da luta armada.
O PCI jogara seus ideais e sua história no lixo para dividir o poder com a putrefata Democracia Cristã.
A extrema-esquerda facilitava a própria destruição ao tomar decisões insensatas como a de executar Aldo Moro.
O sensível Fellini respondeu a este quadro desolador com uma parábola devastadora. Mostra uma orquestra que se rebela contra o diretor tirânico mas, depois de o expulsar, não sabe o que fazer com a liberdade conquistada.
Direciona-se cada vez mais para a irracionalidade e o caos, até que o diretor escorraçado volta para evitar o pior: um buraco negro que ameaça a todos tragar.
Mas, sua liderança logo deixa de ser comedida e conciliatória; mal restabelece a ordem, vai se tornando cada vez mais autoritário e odioso. É a volta ao ponto de partida.
Aparentemente, Fellini concluiu que a sociedade não tinha mais jeito, oscilando entre o chicote e o esfarelamento.
Qualquer semelhança com o Brasil de hoje não é mera coincidência. Se o Brasil sair da eleição como entrou, cindido em duas metades irreconciliáveis, a etapa seguinte será o confronto aberto e depois o vencedor terá de implantar alguma forma de ditadura, mesmo que não queira, pois vai estar sob ameaça de uma revanche do vencido.
É isto que queremos, a autofagia? Não? Então, temos de mandar um firme recado aos antagonistas: chega de ódio! Precisamos do diálogo e do entendimento entre as partes para escaparmos do buraco negro que poderá nos destruir a todos.
É isto que queremos, a autofagia? Não? Então, temos de mandar um firme recado aos antagonistas: chega de ódio! Precisamos do diálogo e do entendimento entre as partes para escaparmos do buraco negro que poderá nos destruir a todos.
Quem conseguir passar esta mensagem à sociedade de forma convincente, vencerá o 2º turno.
(post publicado neste blog em 7 de outubro de 2018, mostrando um quadro semelhante ao atual, com algumas diferenças como o de que a destruição do Brasil e o retrocesso civilizatório avançaram acentuadamente, tornando ainda pior o que já era um pesadelo, além de o confronto aberto não ter vindo depois daquela eleição nem tender a vir depois desta, continuando, contudo, a drenar dia após dia as energias de que nosso país precisa para sair do fundo do poço)
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| Por Celso Lungaretti |







