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domingo, 8 de janeiro de 2023

ANO NOVO, GOVERNO NOVO, POLÍTICA DO TEMPO DO ONÇA

elio gaspari
LULA PRODUZIU MISTURA DE JACARÉ COM COBRA D'ÁGUA 
T
udo indica que Lula formou seu ministério com 37 pessoas obedecendo à lei geral pela qual, ao fim do processo, o presidente nomeia um terço dos ministros, colocando-os onde queria. Este foi o caso de Fernando Haddad, Rui Costa e Luiz Marinho.

No segundo terço nomeia pessoas que desejava ver no ministério, talvez noutra pasta. Neste grupo está Simone Tebet.

No terço final, nomeia gente que mal conhecia. 

Se Lula conhecesse melhor Daniela Carneiro, não a teria colocado no ministério, muito menos na pasta do Turismo. Produziu um espécime de jacaré com cobra d'água. 

Daniela, com suas conexões milicianas, no ministério e Marcelo Freixo, campeão das denúncias contra as milícias, na Embratur. 

Afora Lula ter feito uma nomeação que, expressamente, negava que viesse a fazê-la: Marina Silva para o Meio Ambiente. (por Elio Gaspari)
Toque do editor – A foto de cima, com sorridentes Marcelo Freixo e Daniela Carneiro de mãos dadas, foi agora divulgada  pelo Ministério do Turismo, à qual está vinculada a Embratur.

A foto ao lado foi divulgada pelo Marcelo Freixo, ilustrando no Facebook uma homenagem que ele prestou à Marielle Franco (antes de tornar-se vereadora e ser assassinada pelas milícias do RJ, ela havia trabalhado como sua assessora parlamentar durante 10 anos). 

Vendo-as, lembrei-me de um filme sobre personagem histórico que preferiu morrer executado a renegar suas convicções: Thomas More, o mesmo que escreveu a Utopia.

Na premiadíssima cinebiografia de Fred Zinnemann (1966), um jovem ambicioso a quem More generosamente ajudara na carreira estava mentindo no julgamento para incriminá-lo. 

Percebendo que o ingrato trazia uma nova insígnia de cargo público, pergunta-lhe para onde fora nomeado e a resposta é Gales (poucos caçadores das boquinhas da época queriam ir para lá, por ser muito distante).
More fica surpreso com a recompensa irrisória pela traição:
"Perder sua alma imortal... por Gales?!
" (CL)  

domingo, 17 de julho de 2022

O DESESPERO ELEITORAL FAZ O BOZO BRINCAR COM FOGO

É
tão óbvio que o Bozo será escorraçado pelos eleitores em outubro, ao que tudo indica já no 1º turno, que seus especialistas em truques sujos estão operando em tempo integral e no modo desespero total.

Uma vez deu certo, quando ele estava tendo desempenho caricato nos debates da eleição presidencial de 2018 e trataram de providenciar-lhe uma boa desculpa para fugir do tête-à-tête  com os Guilhermes Boulos e Marinas Silvas daquela campanha, antes que o país inteiro concluísse que ele não passava mesmo de um palhaço sinistro. 

[Tal ficha só cairia tarde demais para os 39,2% de brasileiros que elegeram gato por lebre e tornaram nosso país motivo de chacota para os civilizados do mundo inteiro.]

Mas, como a farsa do Adélio teve mais furos do que uma peneira e não sobreviveria a nenhuma investigação independente (o que mais se aproximou disto foi o vídeo Facada no mito, que a reduziu a picadinho), é uma temeridade quererem voltar ao assunto agora. 

Só serve para lembrar aos adversários que este é ainda um calcanhar de Aquiles daquele pleito no qual também tiveram influência decisiva o abuso escandaloso de poder econômico e o bombardeio virtual impune com uma imensidão de fake news.

Mais ou menos na mesma linha é terem feito agora uma montagem ilegal de trechos de um filme inacabado do Ruy Guerra (por eles obtidos por métodos obviamente crapulosos) e utilizarem-na para enganar novamente os otários, desta vez fazendo-os crer que os
diabólicos comunistas, em conluio com a Rede Globo (!), estariam instigando um atentado contra o motoqueiro fantasma numa de suas grotescas motociatas. 

Mas, como tal mentira é mais fajuta ainda do que a fantástica mamadeira com bico de pênis, não colará.  

Só que eles estão chamando a atenção de todos os miolos moles do Brasil para a facilidade com que poderiam encurtar o prazo da chegada do Bozo ao inferno nos momentos em que ele se expõe nessas palhaçadas de velhinho transviado. Seria a sopa no mel para qualquer sniper.

Quem leu o livro de Frederick Forsyth ou assistiu ao filme do Fred Zinnemann (o original de 1973, pois o remake de Michael Caton-Jones em 1997 é um lixo), ambos intitulados O dia do chacal, sabe que é dificílimo garantir a segurança de um figurão discursando num palco fixo e verdadeiramente impossível se ele circular num veículo lento, durante um tempão, pelas ruas da cidade.

E, até levando em conta o próprio exemplo, o Bozo deveria estar ciente de que há muito louco fora do hospício em nosso país. Indicar-lhes a melhor ocasião para atingirem um alvo que lhes garantirá a notoriedade sonhada é a chamada ideia de jerico... (por Celso Lungaretti) 

terça-feira, 7 de julho de 2020

O CINEMA PERDEU SEU MAIOR CRIADOR DE TRILHAS SONORAS DE TODOS OS TEMPOS E PAÍSES: ENNIO MORRICONE (1927-2020)

Antes de Ennio Morricone, as trilhas sonoras para westerns usavam invariavelmente baladas country, como se os filmes tivessem a obrigação de se restringirem aos ritmos e instrumentos musicais característicos da época em que sua ação transcorria. 

Então, só duas dessas trilhas ficaram na minha memória depois do the end aparecer na tela: as de Dimitri Tiomkin para Matar ou morrer (dirigido por Fred Zinnemann em 1952) e Sem lei e sem alma (d. John Sturges, 1957), ambas por suas letras irem comentando de uma forma poética o que o filme nos estava mostrando.

Aos 14 anos assisti a Por uns dólares a mais (d. Sergio Leone, 1965) e foi um deslumbramento: as músicas continuavam comentando as ações do filme, mas sem usar palavras para tanto: elas haviam sido libertadas da tirania do country e incorporaram ritmos de todos os países e os mais modernos recursos tecnológicos para transmitirem/acentuarem o clima de determinada sequência do filme. Morricone colocara o ovo de Colombo em pé.
Duelo final de Três homens em conflito, que Tarantino reverenciaria em Kill Bill
.
[Foram mais de 400 partituras para cinema e TV por ele compostas em 60 (!) anos de trabalho, afora músicas clássicas, jazz, pop, etc. Deve haver uns 40 temas que eu escuto amiúde, principalmente os dos filmes do Leone, as primorosas baladas interpretadas por Joan Baez em Sacco e Vanzetti (d. Giulano Montaldo, 1971), a tarantela de Allonsanfan (d. Paolo e Vittorio Taviani, 1974), as carregadas de repulsa ao colonialismo e ao racismo de Queimada! (d. Gillo Pontecorvo, 1969).]

Na parceria seguinte com Sergio Leone, o maestro compôs a trilha sonora mais influente da história do cinema mundial, para Três homens em conflito (1966). O tema do duelo final está na janelinha acima; e na de baixo, o "Êxtase do ouro", com Morricone regendo sua orquestra em praça pública e sendo ovacionado pelo imenso público à saída. Nada poderia ser mais apropriado para esta homenagem póstuma. (por Celso Lungaretti)
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