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segunda-feira, 17 de março de 2025

CABEÇAS PENSANTES DO GOLPE FLOPADO TÊM DE SER PUNIDOS COM MÁXIMO RIGOR!

F
aço questão de ser sempre coerente com meus ideais assumidos e com as convicções que tenha expressado anteriormente. 

Detesto quem desculpa e passa pano em tudo que envolve seus amigos, exigindo, contudo, o máximo rigor quando são seus inimigos que estão na berlinda.

Não sou religioso, mas me guio firmemente por Mateus 5:37: "Que suas palavras sejam sempre sim, sim e não, não, porque o que passa disto tem procedência maligna" (sem, contudo, imputar a falta de caráter à influência de um imaginário capeta, pois não passa de deficiência moral de nós mesmos, os humanos).   

Tudo isso posto, mantenho o que sempre escrevi e disse sobre o gado bolsonarista: a profunda ignorância desses cidadãos (?) os torna quase inimputáveis, como as crianças. 

Não sabem nada de nada dos valores do mundo civilizado. Detestam pensar e estão sempre em busca de quem pense por eles. Pagam dízimos ou cometem atos aberrantes obedecendo caninamente aos canalhas que os manipulam e exploram.

Esses seres vegetativos, desde que não tenham praticado atos violentos contra os humanos, não deveriam jamais ser encarcerados por sua participação na micareta golpista de 08.01.2023. Bastaria impor-lhes a prestação de serviços à comunidade durante um bom tempo.
Mas, ficou comprovada acima de qualquer dúvida a tentativa de anular-se pela força o resultado de uma eleição presidencial e impor nova ditadura ao Brasil, e isto não pode ficar impune nem ser tratado com benevolência. 

Foi porque Donald Trump não recebeu o merecido castigo pelo mesmíssmo crime que ele agora está vandalizando a civilização que a tanto custo construímos através dos séculos.

Então, as dezenas de mandantes da tentativa de virada de mesa no Brasil merecem cumprir até o último dia as penas a que fazem jus, inclusive como totais responsáveis pelas transgressões perpetradas por suas hostes zumbificadas.

O principal culpado por tudo que de pior aconteceu por aqui em passado recente, Jair Bolsonaro, está devendo ao povo brasileiro não apenas a punição pelo absurdo retrocesso civilizatório que encabeçou, como também pelas centenas de milhares de vidas que roubou dos coitadezas com sua sabotagem alucinada ao combate científico da pandemia de covid.

Deixando de lado a enorme profusão de delitos menores por ele cometidos, só os crimes maiores do golpismo e da sabotagem vacinal já são suficientes para mantê-lo encarcerado até o final de sua infame existência.    

Nós, herdeiros do repúdio dos melhores seres humanos aos regimes totalitários do século passado, temos o dever moral de nos mantermos fiéis ao basta! então dado aos grandes delinquentes políticos nos julgamentos de Nuremberg. 

Ou então, que voltemos todos às cavernas juntamente com os Trumps, Putins, Mileis e Bolsonaros, para nelas nos prostrarmos de novo à lei do mais forte! (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 19 de setembro de 2023

AO PGR QUE LULA ESTÁ PRESTES A INDICAR CABERÁ PERMITIR OU IMPEDIR QUE A JUSTIÇA PUNA O PIOR GENOCIDA DA NOSSA HISTÓRIA

PGRs que só servem para blindar altas
autoridades são inaceitáveis hoje em dia
Para quem segue a escola marxista, sempre foi um óbvio ululante que não existem Poderes imparciais e isentos na democracia burguesa, pois Executivo, Judiciário e Legislativo giram em torno daquele que realmente determina o destino das nações: o poder econômico.

Daí eu ter considerado ridículo o chororô petista quando a gerentona trapalhona foi impichada, não exatamente em razão de obscuras pedaladas fiscais, mas por ir além de suas prerrogativas constitucionais para evitar que o eleitorado tomasse conhecimento da situação crítica a que ela havia reduzido as contas públicas. O nome do motivo real do impeachment é estelionato eleitoral.

E ela perdeu qualquer autoridade moral para chiar porque, mal acabava de tomar posse no seu segundo mandato, nomeou o neoliberal Joaquim Levy como ministro da Fazenda, depois de haver jurado várias vezes de pés juntos que o eleitorado se salvaria das reformas neoliberais exigidas pelo grande empresariado se votasse nela. 

Este último estelionato foi muitíssimo mais grave do que a maquilagem das contas públicas, mas seria difícil para os donos do Brasil obterem seu afastamento sob tal alegação. Já as tais pedaladas permitiam que ela fosse defenestrada sem ferir a letra da Constituição.  

Na época, ressaltei que, formalmente, não havia motivo para o PT abrir tamanho berreiro contra o encaminhamento dado àquele impeachment, mas todos os motivos para lembrar que já haviam ocorrido várias situações similares no passado, só que com presidentes de direita e sem que as coisas tivessem sido levadas a tal extremo.
Lula, quando trombeteava que, graças a ele, a pasta dos
Esportes deixara de ser moeda de troca de vis barganhas 
Mas, claro, o PT jamais quis ir pelo caminho correto porque tal argumento evidenciaria, mais uma vez, que a democracia burguesa sempre foi um jogo de cartas marcadas, o que coloca os partidos de esquerda que submetem-se à sua institucionalidade, desistindo de fazer a revolução, na ignominiosa posição de estarem iludindo seus eleitores, ao fazê-los crer na lorota de que a classe operária chegará ao paraíso pela via eleitoral. 

Então, como na década passada, é uma justiça tendenciosa que agora impõe penas exorbitantes à boiada bolsonarista, que Jesus Cristo decerto não consideraria tão culpada assim ("Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem"). 

Mas, sendo o STF uma instância política como é, devemos atentar para o fato de que no próximo dia 26 termina o mandato do pior procurador geral da República que este país já teve, principal responsável pela impunidade de que desfrutava o pior presidente idem, causador da morte de centenas de milhares de brasileiros com sua sabotagem alucinada ao combate científico da pandemia.

Então, vários meses atrás já se sabia que parlamentares participantes da CPI da Covid esperariam até o Brasil voltar a ter um PGR de verdade para submeter-lhe as conclusões daquele colegiado, que apontavam diretamente para a abertura de processo contra o genocida-mor da Nação.
Ele fez por merecer uma pena de
30 anos... e nem um ano a menos!



Salta aos olhos que agora ocorre o mesmo: os julgamentos da semana finda, de três coadjuvantes da barbárie, não passaram de um aquecimento para os que virão depois, quando, não havendo nenhum PGR bolsonarista para impedir, serão processados e 
condenados (face às provas e depoimentos acumulados, é inadmissível não o serem) os peixes grandes, sem os quais aqueles fanáticos descerebrados nunca teriam feito o que fizeram.

Então, como escreveu uma colega da grande imprensa, era importante fixar o patamar de 17 anos de prisão, porque tende a ser não o teto, mas sim o piso para as penas dos maiores culpados (aqueles que sabiam muito bem o que estavam fazendo!).

E, embora tudo nos leve a recordar o julgamento de Nuremberg, desta vez o desfecho poderá ser mais alentador, pois o pior de todos os psicopatas empoderados não se suicidou, nem se suicidará, já que coragem pessoal para tanto ela cansou de comprovar que não tem.. 

Portanto, tudo indica que teremos a oportunidade de ver o nosso Hitler trancafiado numa masmorra por 30 anos (o máximo que a justiça brasileira admite), tantas deverão ser as condenações que ele sofrerá nos vários processos aos quais vai responder doravante. As penas tenderão a somar centenas de anos, dificultando as iniciativas para liberá-lo antes do tempo.

Servirá de pequeno consolo para a infinidade de brasileiros que perderam seus entes queridos graças à insensibilidade extrema daquele ser abominável. E, de certa forma, será a tardia justiça que tanto buscamos, em vão, no caso dos torturadores da ditadura militar.
Um governo deste tipo jamais pode ter
a cumplicidade da esquerda brasileira

Devemos, contudo, ficar alertas: no segundo mandato, Lula proibiu seus ministros mais combativos de alinharem-se ao clamor por uma revisão da anistia de 1979, que igualara os torturados e/ou covardemente executados aos seus verdugos, com isto, na prática, inviabilizando a última possibilidade de eles serem punidos por seus crimes hediondos.

Como várias vezes o Lula já se demonstrou algo condescendente com Jair Bolsonaro, enquanto não perde chance para dizer  cobras e lagartos do Sérgio Moro, é importante nos posicionarmos firmemente para que, ao escolher o próximo PGR, ele não saque da manga outro Zanin.

Estão bem vivas nas nossas lembranças as terríveis decepções que Lula causou:
— ao indicar para o STF um defensor das posições políticas do PT, mas adepto da pauta conservadora na área de costumes, como se fosse outro ministro "estupidamente evangélico"; e
— ao sacar a valorosa e respeitadíssima Ana Moser do ministério dos Esportes para empesteá-lo com a nulidade que o centrão designou para recolher parte substancial da grana preta que advirá da liberação dos cassinos on line.

Então, que não ouse Lula optar por outro Aras. caso contrário terá de buscar sustentação política com as viúvas do Bolsonaro, pois, para todo esquerdista autêntico, será a gota d'água.

Alternativamente, Lula pode manter o mesmíssimo Aras, assim tudo vai ficar mais claro e a ficha cairá inclusive para os companheiros lerdos de compreensão. 

Será salutar se todos soubermos exatamente com quem estamos lidando, seja na PGR, seja na presidência da República.
 (por Celso Lungaretti)

sábado, 19 de agosto de 2023

É BOM ELE JÁ IR BOTANDO ESCOVA DE DENTES E MAÇOS DE CIGARRO NA SUA MALA

Dezembro de 2022: deixando o Palácio da
Alvorada, rumo à Disneylândia...
Sob o aspecto moral, é até chocante que, dentre o rosário de crimes cometidos pelo palhaço sinistro antes, durante e depois da temporada de quatro anos do circo dos horrores no Palácio do Planalto, ele vá começar a ver o sol nascer quadrado como consequência de um dos mais insignificantes: a venda de joias das quais se apropriou ilegalmente.

Inclusive, isto acaba sendo uma meia vitória para ele, que tanto fez para normalizar o extermínio de idosos, pobres e indígenas: os podres Poderes parecem dar-lhe razão, pois, ao invés de o submeterem a um julgamento exemplar como o da quadrilha de Hitler pelo tribunal de Nuremberg, vão puni-lo primeiramente como um camelô de muamba.

Isto diz muito sobre o analfabetismo político (grande Brecht!) e ético de considerável parcela do nosso povo. Os, repito, podres Poderes decidiram que seria mais palatável e imune a badernaços uma sentença por transgressão bem conhecida e muito repudiada pela parva gente brasileira do que uma pelo maior dos crimes que se pode cometer contra os seres humanos: tirar-lhes a vida. 
...e a nova delinquência, que deverá dar 
um fim à sua carreira criminosa... 

É óbvio que, depois do abre-alas, virá o resto do desfile: outras condenações estão a caminho. Afinal, nem mesmo num país que não é sério pode passar batido o abate como gado de centenas de milhares de pessoas indefesas que, noutras circunstâncias, teriam sobrevivido à pandemia de covid. 

Seria passar recibo de que o Brasil é um país sem lei, sem princípios, sem humanidade, sem nada que o diferencie da horda primitiva.

Como único consolo para os brasileiros realmente civilizados, está o fato de que o psicopata da necropolítica é e sempre foi um ladrão de galinhas, enfileirando três décadas de mandatos legislativos nos quais, pela sua própria mediocridade e irrelevância, conseguiu passar despercebido para os que tinham a obrigação de puni-lo, enquanto nada, absolutamente nada, fazia de útil para o país e para o povo brasileiro. 

Se não, vejamos sua folha de serviços:
...antes tarde do que nunca!
— desviou tanta grana quanto pôde para si e para seu clã;
— acumpliciou-se com a modalidade de crime organizado conhecida como milícias do Rio de Janeiro;
— esmurrou em público o então deputado federal Randolfe Rodrigues;
— proveu medalhas e homenagens a assassinos bestiais, e, 
— enfim, foi sempre um defensor e propagador dos comportamentos mais ilegais, espúrios, abjetos e degradantes

Então, faz sentido que vá ser finalmente oficializada esta característica que marcou toda a trajetória do Bozo: a de ladrão de galinhas.

E a pergunta que não quer calar é: como todos nós permitimos que um tão escrachado ladrão de galinhas passasse três décadas parasitando impunemente o Legislativo e acabasse se tornando o pior presidente brasileiro de todos os tempos (inclusive minando as instituições e avacalhando a imagem das Forças Armadas como nem o pior dos inimigos até então o fizera)?

Torquato Neto estava certíssimo: aqui é o fim do mundo. (por Celso Lungaretti 

terça-feira, 19 de abril de 2022

BRILHANTE USTRA QUERIA QUE FOSSE O EXÉRCITO O RÉU, E NÃO ELE

Novamente Hamilton Mourão viaja na maionese ao deitar falação sobre as atrocidades da ditadura militar, mas isto já virou hábito.

Em outubro de 2020, p. ex., o vice-presidente, em cuja carreira militar abundaram as incontinências verbais, cometeu uma das mais marcantes, ao ser entrevistado pela Deutsche Welle. 

Pretendendo defender a memória do torturador serial Carlos Alberto Brilhante Ustra, afirmou que o comandante do pior centro de torturas dos anos de chumbo no Brasil (no qual mais de 2 mil cidadãos conheceram o inferno e contra o qual mais de 500 denúncias foram formalizadas) "era um homem de honra e um homem que respeitava os direitos humanos de seus subordinados".

Com isto divergiu do próprio Brilhante Ustra, que em 2008 tentou, com as palavras abaixo, livrar-se de uma ação declaratória no sentido de que ele fosse considerado responsável pelo assassinato do jornalista Luiz Merlino nas dependências do DOI-Codi:
"O Exército brasileiro é uma pessoa jurídica, sendo que, pelos atos ilícitos, inclusive os atos causadores de dano moral, praticados por agentes de pessoas de direito público, respondem estas pessoas jurídicas e não o agente contra o qual têm elas direito regressivo. (...) Todas as vezes que um oficial do Exército brasileiro agir no exercício de suas funções, estará atraindo a responsabilidade do Estado".
Ou seja, em vez de tentar provar inocência, Ustra preferiu pleitear o arquivamento da ação alegando que o alvo correto de tal acusação deveria ser o Exército brasileiro!

Portanto, a fala de 2020 do Mourão conflitou com o que o próprio torturador de estimação do Jair Bolsonaro afirmara, pois o finado Ustra, nos momentos de maior exasperação com o abandono a que considerava estar sendo relegado pelo Exército, repetiu a ladainha dos principais carrascos condenados em Nuremberg, no célebre julgamento de seus congêneres: Eu só estava cumprindo ordens... 
 
Mesmo no seu hostil depoimento à Comissão Nacional da Verdade em 2013, ele continuou deixando implícito seu descontentamento com o tratamento que recebeu do Exército, ao ressaltar: 
"...quem é que deve estar aqui não é o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. É o Exército Brasileiro, que assumiu, por ordem do presidente da República, a ordem de combater o terrorismo e sob os quais eu cumpri todas as ordens...".
Mas, gato escaldado pela má repercussão de seu desabafo de 2008 junto aos círculos ultradireitistas que o apoiavam, Ustra acrescentou a fantasiosa ressalva de que tais ordens seriam "legais, nenhuma ordem ilegal" 

E, por mais que ele merecesse pessoalmente o repúdio dos civilizados, eu não deixava de dar-lhe razão quanto ao fato de nunca passara de um elo a mais de uma cadeia de comando no topo da qual  estavam os próprios generais ditadores. 

Ao comandar o DOI-Codi, ele fez exatamente o que dele esperava o Exército: combateu o inimigo por todos os meios a seu dispor, sem importar-se com os direitos humanos, as convenções de Genebra e outras perfurmarias. Saiu-se vitorioso e foi aclamado por seus pares.

Veio a redemocratização e ele passou a ser estigmatizado como um monstro... sozinho! 

Levou merecidamente a culpa por tudo aquilo que seus comandados fizeram. 

Mas, ninguém se lembrou de cobrar de seus superiores a responsabilidade maior que tiveram nas atrocidades perpetradas pelo DOI-Codi durante os anos de chumbo. As conveniências políticas falaram mais alto do que o senso de justiça.

Se fosse um homem de princípios, Brilhante Ustra se rebelaria contra aqueles que lhe ordenaram que cometesse crimes contra a humanidade e depois se puseram a salvo, não carregando juntos com ele o fardo do opróbrio. 

Mas, de quem fez o que ele fez durante 1970/1974 só poderia esperar-se o caminho tortuoso que preferiu trilhar: tentar convencer o Brasil inteiro de que as vítimas é que eram os algozes e ele, um pobre coitado sem culpa nenhuma no cartório.

Seus dois livros repulsivos, entretanto, atraíram contra si a ira dos justos. Porque foram montados a partir das informações arrancadas dos prisioneiros mediante as torturas mais cruéis, seja no próprio DOI-Codi, seja nos aparelhos clandestinos da repressão, de onde não se saia vivo. Era muita impudência utilizar o espólio de sua ignomínia para tentar justificar-se. 

Então, Brilhante Ustra acabou sendo merecidamente visto pelos brasileiros como o torturador-símbolo da ditadura militar.

Mas, nunca fui tão injusto com ele como ele sempre foi com os outros: afirmo e assino embaixo que seus superiores tiveram culpa ainda maior pelas práticas desumanas e desonrosas do DOI-Codi, naquela que foi uma das páginas mais vergonhosas da História do Brasil(Celso Lungaretti, anistiado político que foi torturado em duas unidades militares do Rio de Janeiro, nas quais quase enfartou e sofreu lesão permanente, tendo conhecido o DOI-Codi paulista apenas de passagem, mas o suficiente para ouvir os gritos ensurdecedores dos torturados, ouvir seus relatos, ver seus ferimentos e inclusive ser apresentado à sala de torturas, pois o comandante gostava de brincar de gato e rato com os hóspedes que haviam sido presos noutros Estados)

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

ENJAULADOS E COM PAIS DESAPARECIDOS, OS FILHOS DE IMIGRANTES ILEGAIS SOFREM A INCLEMÊNCIA DO 'AMERICAN WAY OF HELL'

dalton rosado
AS 545 CRIANÇAS SEQUESTRADAS NOS
 EUA E OUTRAS PRÁTICAS NAZISTOIDES
"A cada dia descobrimos novos horrores cometidos pelo presidente Trump e sua administração
"(Joe Biden, sobre
as 545 crianças que permaneceram enjauladas nos EUA depois
de seus pais terem sido deportados, desaparecendo em seguida)
A cena de 545 crianças enjauladas nos faz lembrar um campo de concentração nazista de meninos e meninas judias durante a 2ª Guerra Mundial. 

O holocausto está aí para demonstrar do que são capazes os regimes totalitários, mesmo que ungidos pelo voto, como o foram Adolf Hitler e o Partido Nazista, em quase tudo assemelhados aos atuais governantes negacionistas, que já não têm o menor pejo em agir como genocidas.

Separadas dos pais que haviam entrado nos Estados Unidos fugindo da miséria e da violência em seus países de origem, fatos muito comuns na periferia capitalista, a condição de orfandade dessas crianças mostra bem como o capitalismo trata os seus explorados.

O episódio lembra, também, as crianças roubadas dos presos políticos na Argentina, que eram passadas a casais sem filhos e simpáticos à ditadura militar de então, para os criarem como se fossem seus verdadeiros pais. O jeito nazista de adoção.

O clamor das avós da praça de maio em Buenos Aires demonstrou quão vigorosa pode ser a repulsa à força das armas e ao despotismo e até que ponto pode ir o terrorismo oficial, quando se sente ilusoriamente inatingível pelo poder das armas na sua sanha despótica. 

Aprendi desde cedo que o gigante se conhece pelo dedo, mesmo que o restante do corpo esteja encoberto. 

Assim, por pequenos gestos iniciais podemos vislumbrar tudo de que é capaz o sentimento conservador governamental que se atém à lógica da contabilidade capitalista como critério do pretensamente correto e do culto da meritocracia como critério válido de ascensão social e da abominável limpeza étnica. 

Por que Donald Trump é supremacista branco? Porque, como empresário bilionário que é, acredita que deve os seus privilégios só a si mesmo e não aos milhares de trabalhadores que, com o seu suor, proporcionaram-lhe a acumulação de riqueza tão excessiva a ponto de afrontar a dignidade humana. 

Estes tipos veem como meritória consequência da sua competência empresarial o que não passa  da apropriação indébita da produção coletiva de valor. 

É o mesmíssimo caso do genocida que nega a eficácia da ciência no combate a uma pandemia (a maior tragédia humanitária do pós-guerra!) e ilude a população com exemplos ridículos a partir de bravatas negacionistas sobre o risco de contaminação virótica. Ambos incorrem no mesmo erro de autossuficiência, sem exibirem um mínimo de bom senso.
Governantes como esses, que submetem os infectados a uma loteria da morte, devem ser implacavelmente combatidos antes que um mal maior ainda advenha. O destino deles, evidentemente, é a lixeira da História, mas têm de ser detidos no presente, para não maximizarem os danos de sua insanidade.

A tal loteria da morte virótica atinge, principalmente, e em escala percentual maior, os pertencentes ao chamado grupo de risco (idosos, obesos, diabéticos, hipertensos, etc.). 

Assim, os governantes negacionistas se igualam, com suas performances insensíveis, àqueles que no início da ascensão nazista eram aclamados por uma multidão de mentes manipuladas pela mídia radiofônica e pelos espetáculos triunfalistas de bandeiraços e frenesi patriótico, para somente depois do mal consumado serem finalmente reconhecidos como os genocidas que sempre haviam sido. 

Depois do pesadelo, haverá um novo julgamento de Nuremberg para eles? Tomara, pelo bem da civilização! 

O campeonato mundial de mortes por coronavírus/habitante, tristemente conquistado pelos Estados Unidos e Brasil, bem comprova o que representam governantes negacionistas, dando uma boa pista do que serão capazes de fazer noutros campos da vida social se lhes concedermos poder e tempo para tanto.

Temos muitos exemplos da insensibilidade humanista do capital. Por exemplo, caso morram de covid-19, os idosos e/ou aposentados, que representam um custo previdenciário sem contrapartida em termos de produção de valor, reduzirão o desequilíbrio na deficitária contabilidade das contas públicas, que é a absurda referência de boa administração dentro da lógica capitalista.

Para completar esse campeonato mundial de sandices que estamos disputando, posicionados no G4, eis que o presidente Boçalnaro, o ignaro, resolveu proibir a compra de vacinas em razão de sua nacionalidade chinesa.  

Ora, qualquer país do mundo que desenvolva em seus laboratórios uma vacina que consiga barrar a contaminação e os milhões de mortes já registradas e outras milhares ou milhões que se prenunciam, deveria ser saudado como benfeitor da humanidade. 

Ao contrário, e agindo assim, além de demonstrar que coloca critérios políticos acima do bem comum, o presidente ofende o nosso maior comprador externo de mercadorias, apenas para puxar o saco do demissionário Trump, que nem sequer grato lhe é, pois mais e mais sobretaxa os nossos produtos de exportação. 

Para piorar as coisas ele faz propaganda da não vacinação profilática, como se estivéssemos na Idade Média, submetidos a preceitos religiosos anticientíficos fundamentalistas e fanáticos. Realmente esse governo já está concorrendo como um dos mais idiossincráticos da História brasileira.
A reforma da previdência social no Brasil, imposta pelo governo e aprovada no parlamento por questões de mera matemática financeira (e aplaudido por incautos que querem salvar o capitalismo), vai na mesma trilha do
presidente destrumpelhado que escolheu a pior hora possível e imaginável para tentar destruir o chamado Obamacare.

Trata-se de um programa de assistência social médica aos despossuídos dos Estados Unidos pela via dos subsídios federais aos planos de saúde de modo a tornar ditos planos mais acessíveis financeiramente aos coitadezas. Na verdade, é uma versão menos radical do nosso bom SUS, que funciona o melhor possível se levarmos em conta as deficiências próprias a um país da periferia capitalista e, desde a posse do genocida, submetido a uma criminosa restrição de recursos. 

Por aqui (e em boa parte do mundo capitalista) se justifica a abertura da circulação de pessoas e mercadorias como forma de se salvar as relações mercantis decadentes, mesmo que para isso se exponha a população à loteria da morte. Esta é a maior prova da insensibilidade de uma forma de relação social que usa as relações sociais como instrumento de segregação social e não de promoção de respeito e solidariedade humanas. 

Os acampamentos de refugiados europeus vão na mesma direção da insensibilidade social que não combate o despotismo governamental e, principalmente, a exploração capitalista que ergue e [principalmente] destrói coisas belas, como disse o poeta e complementamos nós.    

Calarmo-nos diante do enjaulamento de crianças nas fronteiras dos Estados Unidos é admitirmos que crianças inocentes devam pagar o preço da ignomínia de um sistema dividido em classes sociais, que se acomoda diante do infortúnio alheio como se toda a culpa fosse dos próprios desafortunados. 

A indignação com as injustiças sociais não pode ficar circunscrita ao murmúrio medroso do interior de quartos emparedados, mas deve, como ousaram fazer as
avós da Praça de Maio, ganhar as ruas e aglutinar a força da ação social coletiva.

Crianças latinas sequestradas dos seus pais nos Estados Unidos pelo governo Trump: que um dia vocês possam reencontrá-los e ficarem livres da segregação social! 

Esse é o maior desejo dos que fazem o blog Náufrago da Utopia e o registro de nossa solidariedade e indignação ativa. (por Dalton Rosado)

sábado, 10 de outubro de 2020

AO DEFENDER O BRILHANTE USTRA, O VICE MOURÃO, NA VERDADE, O DESMENTIU

Entrevistado dias atrás pela Deutsche Welle, o vice-presidente Hamilton Mourão pretendeu defender a memória do serial torturer Carlos Alberto Brilhante Ustra, afirmando que o comandante do pior centro de torturas dos anos de chumbo no Brasil (no qual mais de 2 mil cidadãos conheceram o inferno e contra o qual mais de 500 denúncias foram formalizadas) "era um homem de honra e um homem que respeitava os direitos humanos de seus subordinados".

Com isto divergiu do próprio Brilhante Ustra, que em 2008 tentou, com as palavras abaixo, livrar-se de uma ação declaratória no sentido de que ele fosse considerado responsável pelo assassinato do jornalista Luiz Merlino nas dependências do DOI-Codi:
"O Exército brasileiro é uma pessoa jurídica, sendo que, pelos atos ilícitos, inclusive os atos causadores de dano moral, praticados por agentes de pessoas de direito público, respondem estas pessoas jurídicas e não o agente contra o qual têm elas direito regressivo. (...) Todas as vezes que um oficial do Exército brasileiro agir no exercício de suas funções, estará atraindo a responsabilidade do Estado".
Ou seja, em vez de tentar provar inocência, ele preferiu pleitear o arquivamento da ação alegando que o alvo correto de tal acusação deveria ser o Exército brasileiro!
Portanto, Mourão acaba de desmentir o finado torturador que Jair Bolsonaro não cansa de elogiar, pois Ustra, nos momentos de maior exasperação com o abandono a que considerava estar sendo relegado pelo Exército, repetiu a ladainha dos principais carrascos condenados no Julgamento de Nuremberg, seus congêneres: Eu só estava cumprindo ordens...

Mesmo no seu hostil depoimento à Comissão Nacional da Verdade, em 2013, ele continuou deixando implícito seu descontentamento com o tratamento que recebeu do Exército, ao ressaltar: 
"...quem é que deve estar aqui não é o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. É o Exército Brasileiro, que assumiu, por ordem do presidente da República, a ordem de combater o terrorismo e sob os quais eu cumpri todas as ordens...".
Mas, gato escaldado pela má repercussão de seu desabafo de 2008 junto aos círculos ultradireitistas que o apoiavam, Ustra acrescentou a fantasiosa ressalva de que tais ordens seriam "legais, nenhuma ordem ilegal" 

Foi na esteira  do primeiro episódio que lancei o melhor de meus muitos artigos sobre o Brilhante Ustra, recolocando a questão nos trilhos corretos: por mais que ele merecesse pessoalmente o repúdio dos civilizados, nunca passou de um elo a mais de uma cadeia de comando no topo da qual  estavam os próprios generais ditadores. 

Não teria uma palavra sequer a alterar hoje. Leiam-no e avaliem:
.
OS MOTIVOS DO TORTURADOR
Embora seja impossível simpatizar com os motivos de um Brilhante Ustra ou, sequer, aceitá-los, eu compreendo muito bem o que o leva a sentir-se traído e injustiçado.

Ao comandar o DOI-Codi, ele fez exatamente o que dele esperava o Exército: combateu o inimigo por todos os meios a seu dispor, sem importar-se com os direitos humanos, as convenções de Genebra e outras perfurmarias. Saiu-se vitorioso e foi aclamado por seus pares.

Veio a redemocratização e ele passou a ser estigmatizado como um monstro... sozinho! 

Levou merecidamente a culpa por tudo aquilo que seus comandados fizeram. Mas, ninguém se lembrou de cobrar de seus superiores a responsabilidade maior que tiveram nas atrocidades perpetradas pelo DOI-Codi durante os anos de chumbo. As conveniências políticas falaram mais alto do que o senso de justiça.

Se fosse um homem de princípios, Brilhante Ustra se rebelaria contra aqueles que lhe ordenaram que cometesse crimes contra a humanidade e depois se puseram a salvo, não carregando juntos com ele o fardo do opróbrio. 

Mas, de quem fez o que ele fez durante 1970/1974 só poderia esperar-se o caminho tortuoso que preferiu trilhar: tentar convencer o Brasil inteiro de que as vítimas é que eram os algozes e ele, um pobre coitado sem culpa nenhuma no cartório.

Seus dois livros repulsivos, entretanto, atraíram contra si a ira dos justos. Porque são montados a partir das informações arrancadas dos prisioneiros mediante as torturas mais cruéis, seja no próprio DOI-Codi, seja nos aparelhos clandestinos da repressão, de onde não se saia vivo. Era muita impudência utilizar o espólio de sua ignomínia para tentar justificar-se. 

Então, eis Brilhante Ustra, mais do que nunca, sendo visto pelos brasileiros como o torturador-símbolo da ditadura militar.

Mas, não serei tão injusto com ele como ele sempre foi com os outros: afirmo e assino embaixo que seus superiores tiveram culpa ainda maior pelas práticas desumanas e desonrosas do DOI-Codi, nessa que foi uma das páginas mais vergonhosas da História do Brasil. (CL)

sexta-feira, 3 de abril de 2020

O BOZO CONTINUA SABOTANDO O COMBATE À PANDEMIA. QUANTOS MORTOS O SEU MANDATO É CAPAZ DE AGUENTAR?

leonardo sakamoto
BOLSONARO, QUE NÃO ACREDITA NA CIÊNCIA, DIZ QUE FALTA HUMILDADE A MANDETTA
O presidente Jair Bolsonaro – que menosprezou o conhecimento de cientistas e médicos, agindo como se soubesse mais sobre o coronavírus do que a Organização Mundial da Saúde e os líderes de todos os países do mundo juntos – reclamou que está faltando humildade ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. 

Bolsonaro, que chamou a pandemia de coronavírus de fantasia, histeria, gripezinha e resfriadozinho e disse, novamente nesta 5ª feira (2), que ela não é tudo isso que estão pintando, reclamou que Mandetta teria que ouvir um pouco mais o presidente da República (*).

Nas últimas 24 horas, o país registrou mais 58 mortos por Covid-19. O próprio Ministério da Saúde avisa que esse número é subdimensionado e há muito mais casos e mortos que não foram identificados devido à falta de testes. Isso representa um óbito a cada 25 minutos. 

O número é grande em termo de perdas humanas, mas pequeno em se tratando desta pandemia. Ainda estamos no começo. Há projeções que mostram que chegaremos a mais de uma morte por minuto. 

Como o ministério vem agindo de forma técnica, o impacto será menor do que se a saúde do país estivesse nas mãos de Bolsonaro. Nesse caso, o coronavírus causaria centenas de milhares, talvez milhões de mortos por aqui.

Não pretendo demiti-lo no meio da guerra, disse o presidente, antecipando que fará isso quando puder. 

É uma guerra pitoresca. Pois o capitão, enlouquecido, quer que sua tropa empurre população em direção ao abismo. 

Ela ignora suas ordens e caminha lentamente no sentido contrário. Como vingança, promete punir seus subordinados que fizeram a coisa certa. 

O mais deprimente é que uma parte do povo, que está sendo empurrado para a morte, aplaude o capitão. Como o presidente disse que o nazismo é de esquerda, no Memorial do Holocausto, em Israel, no ano passado, deve ter cabulado as aulas sobre esse período histórico. Pena. 

Se tivesse lido um pouco sobre isso, Bolsonaro teria se deparado com os julgamentos dos militares que cometeram crimes contra a humanidade.
E talvez até entendesse que se espera de subordinados o não-cumprimento de ordens de seus superiores hierárquicos quando elas significarem atrocidades contra outros seres humanos. 

Atuar para que a sociedade ignore medidas de contenção de uma pandemia e volte ao trabalho em nome da sobrevivência política de seu líder é tentativa de genocídio. 

Os 58 mortos por Covid-19 das últimas 24 horas entram na conta do presidente, que luta a favor do coronavírus quando deveria proteger a vida. Quantos mortos o seu mandato aguenta? (por Leonardo Sakamoto)
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* em resposta, Mandetta deu um calaboca memorável no governante que só atrapalha e não cansa de criticar os que lutam pra valer contra o pior desafio sanitário da nossa História: "Não comento o que o presidente da República fala. Ele tem mandato popular, e quem tem mandato popular fala; quem não tem, como eu, trabalha..." 
O Julgamento de Nuremberg (d. Yves Simoneau, 2000) é uma digna abordagem
televisiva do episódio histórico, que também rendeu o clássico cinematográfico 
dirigido por Stanley Kramer em 1961, com Jean Gabin e Burt Lancaster.    

quinta-feira, 6 de abril de 2017

A NOVA BESTIALIDADE DO CARNICEIRO DE DAMASCO

Já lá se vão 11 anos que eu divulgo sistematicamente meus artigos na internet. Uma posição que mantenho desde o início e da qual jamais abrirei mão é a de colocar os princípios revolucionários acima de todas e quaisquer conveniências. Quem vai ao povo pregar a luta contra a desumanidade não pode, ele mesmo, compactuar com práticas desumanas.

Pouco se me dão as alianças firmadas por ditadores sanguinários como Bashar al-Assad, o carniceiro de Damasco. Mesmo que sua permanência no poder incomode EUA, Israel, as nações ricas da Europa Ocidental ou qualquer outro grande vilão da esquerda, ainda assim ele tem de ser afastado o quanto antes. 

Não passa de um réprobo da civilização, um genocida e um psicopata, tanto quanto Adolf Hitler. ou Pol-Pot. Deveria estar num tribunal como o de Nuremberg, sendo julgado por crimes contra a humanidade.

Das muitas distorções em que incorre a esquerda desvirtuada do pós-1968, uma das piores é avaliar os acontecimentos internacionais sob a ótica desumana da realpolitik, como se o mundo fosse um enorme tabuleiro de xadrez. Ao copiarmos a amoralidade estadunidense (expressa de forma emblemática na frase do secretário de Estado Cordell Hull a respeito do ditador dominicano Rafael Trujillo, “ele pode ser um filho da puta, mas é nosso filho da puta”), deixamos os melhores seres humanos sem motivos para nos seguirem. 
Exemplo de realismo político: pacto Hitler-Stalin de 1939.

Bom para quem quer convencer o povo de que os políticos são todos farinha do mesmo saco e que é melhor cada um de nós cuidar da própria vida. Péssimo para quem precisa reavivar as esperanças de que, unidos, possamos dar um fim à exploração do homem pelo homem.

Revolucionários existem para conduzirem a humanidade a um estágio superior de civilização. Traem sua missão quando compactuam com a barbárie, seja lá qual for o pretexto. Ponto final. 

As sucessivas opções pelo supostamente menos pior em detrimento do realmente melhor vêm conduzindo a humanidade para a beira do abismo e a esquerda para a impotência e até a irrelevância. É hora de voltarmos a nossos clássicos, a Marx, Engels, Proudhon, Lênin, Trotsky, Rosa Luxemburgo e outros deste porte, pois, como aprendizes de Maquiavel, fracassamos miseravelmente.

A indignação do veterano Clóvis Rossi com mais uma bestialidade cometida por Assad é minha também. 

Idem o desalento, pois ele escreveu e eu o subscrevo por mero desencargo de consciência. Ambos estamos carecas de saber que nem desta vez o cão danado será, pelo menos, neutralizado. Continuará barbarizando, continuará mentindo e aqueles que o protegem continuarão fingindo que acreditam. (Celso Lungaretti)
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DITADURAS SÃO SEMPRE TÓXICAS
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É tarde demais para o mundo se horrorizar com o ataque com armas químicas ocorrido na 3ª feira (4) na Síria.

O horror é inerente às ditaduras, de qualquer coloração política, e elas se instalam ou se mantêm ante a indiferença e/ou impotência do mundo civilizado. No caso da Síria, a ditadura do clã Assad já dura 46 anos, primeiro com o pai, Hafez, e a partir de 2000 com o filho Bashar. Que esse horror suba alguns pontos na escala, com ataques com armas químicas, é tudo menos surpreendente.

Até porque já ocorreu antes: o BuzzFeed relata que, em outubro passado, uma investigação conjunta das Nações Unidas e da Organização para a Proibição de Armas Químicas denunciou que forças aliadas ao governo sírio haviam usado armas químicas pelo menos três vezes entre 2014 e 2015.

O caso mais notório ocorreu em 2013, com o uso de gás sarin em Ghouta, nas imediações de Damasco, o que causou a morte de cerca de 500 pessoas. O episódio levou a um acordo, organizado por EUA e Rússia, pelo qual o governo sírio entregou, em tese, todo o seu arsenal de armas químicas para destruição.

Se, como tudo parece indicar, o ataque desta semana é de responsabilidade do governo ou de aliados, fica claro que nem todo o arsenal foi destruído. Escrevo antes de saber o resultado da sessão de emergência das Nações Unidas (*), até porque é desnecessário esperar: se tivesse que agir, a comunidade internacional deveria tê-lo feito no início da crise síria, em março de 2011.
Tratava-se, então, da revolta de parcela importante da sociedade civil contra a ditadura. Revolta pacífica, reprimida, porém, com a violência característica de toda ditadura.

Deu no que deu: os rebeldes pegaram em armas, o regime endureceu ainda mais, outros países se envolveram – e, seis anos depois, "era uma vez um país, a Síria", como escreve o radialista Fouad Roueiha no capítulo sírio do livro Rivoluzioni Violate, editado na Itália a propósito da fracassada Primavera Árabe.

É natural que um ataque com armas químicas acenda sinais de alarme e desperte gritos de indignação, mas o alarme e a indignação deveriam ter ocorrido também (ou principalmente) ante os 470 mil mortos, os 5 milhões de refugiados no exterior e os 6,3 milhões de refugiados internos.

Para ficar só no tema armas químicas, "desde o início do conflito em 2011, mais de 14 mil pessoas foram vítimas de ataques com armas químicas e mais de 1.500 morreram em decorrência", escreve para o New York Times Ahmad Tarakji, da Sociedade Médica Sírio-Americana.

Para um país de cerca de 18 milhões de habitantes, tais números desenham o pior desastre humanitário desde a 2ª Guerra Mundial, como admitem os organismos das Nações Unidas. A ditadura e a guerra que ela atiçou deixaram a Síria com 85% da população na pobreza, com mais de 2/3 em extrema pobreza, e 1,75 milhão de crianças sem escola.

Uma tragédia inenarrável a que o mundo assistiu, às vezes horrorizado, mas sempre passivo. (Clóvis Rossi)
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* Nota do editor: como o Clóvis Rossi previa, a reunião deu em nada, pois o representante russo conseguiu criar um impasse ao sustentar que as armas químicas pertenceriam aos rebeldes, estando estocadas num depósito atingido pelos bombardeios de Assad. Esopo e La Fontaine não fariam melhor. Como alguém consegue mentir tão descaradamente sem sequer enrubescer?! 
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