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quarta-feira, 1 de novembro de 2023

GUETO DE VARSÓVIA? JUDEU ERRANTE? HOLOCAUSTO? ISRAEL AGORA SUBMETE PALESTINOS AOS MESMOS SOFRIMENTOS

"
ISTO NÃO É UM CONFLITO. PODERÍAMOS CHAMÁ-LO DE CONFLITO SE SE TRATASSE DE DOIS PAÍSES, COM UMA FRONTEIRA E DOIS ESTADOS, COM UM EXÉRCITO CADA UM. AQUI TRATA-SE DE UMA COISA COMPLETAMENTE DISTINTA: APARTHEID.

UM POVO QUE TEM SOFRIDO DEVERIA HAVER APRENDIDO DE SEU PRÓPRIO SOFRIMENTO. O QUE ESTÃO FAZENDO COM OS PALESTINOS AQUI É NO MESMO ESPÍRITO DO QUE SOFRERAM ANTES"  (José Saramago, escritor português agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1998)
Ontem como hoje, em nossa América ou no Oriente distante, os
massacres são sempre os mesmos. E os massacrados, também!

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

EM 1970, 0S JOVENS DO MUNDO INTEIRO CANTAVAM "GIVE PEACE A CHANCE". HOJE EMUDECERAM. QUE JUVENTUDE É ESSA?

"Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo; cada
homem é parte do continente, parte do todo. 

Se um seixo for levado pelo mar, a Europa fica menor,
como se fosse um promontório, como se fosse
uma parte de seus amigos ou mesmo sua. 

A morte de qualquer homem me diminui, porque eu
sou parte da humanidade. E, por isso, nunca
procures saber por quem os sinos
dobram: eles dobram por
ti." (John Donne)

quinta-feira, 12 de outubro de 2023

PARA A GRANDE IMPRENSA, MOVIMENTOS TERRORISTAS SÃO DIABÓLICOS E NAÇÕES TERRORISTAS SÃO ANGELICAIS


Deu hoje (12/10) no New York Times
— os terroristas do Hamas, no sexto dia de conflito, já mataram pelo menos 1,2 mil israelenses;
— os anjinhos sionistas já mataram, com seus bombardeios a torto e a direito, 1,1 mil palestinos, atingindo inclusive escolas e hospitais.

Afora isto, os imaculados israelenses estão chantageando os diabólicos militantes do Hamas com o bloqueio de água, luz, combustíveis e alimentos na Faixa de Gaza.

Ou seja, porque 150 israelenses estão prisioneiros do Hamas, Israel tomou como reféns todos os 2 milhões de habitantes de Gaza. 

Na ponta do lápis, cada israelense vale 13.333 palestinos. Isto é crime contra a humanidade, mas no presente caso não passa de legítima defesa, pelo menos segundo a tônica do noticiário da grande imprensa.
É óbvio que a invasão da Faixa de Gaza por parte das tropas terrestres israelenses, que tende a ser lançada nas próximas horas, 
levará o número de vítimas palestinas aos píncaros.

Enfim, lamentei muito não poder mais exercer nos jornalões e revistonas a profissão de jornalista desde que, graças à minha atuação no
Comitê de Solidariedade a Cesare Battisti, entrei em 2011 numa lista negra igualzinha às do macartismo nos EUA. 

Todos os homens da grande imprensa não suportaram perder aquela batalha para um punhado de idealistas.

Hoje, no entanto, sinto imenso alívio por não estar mais sendo obrigado a servir a tão tendenciosos patrões, que desde sábado passado estão atirando as boas práticas jornalísticas definitivamente no lixo. (por Celso Lungaretti)

sábado, 5 de novembro de 2022

VEJA 21 MOTIVOS PARA O BOZO TEMER A VIRADA DO ANO. E HÁ MUITOS OUTROS!

ruy castro
O FUTURO PRESIDIÁRIO
O ex-imbrochável está com medo. É o que se deduz da afinada de Bolsonaro junto aos caminhoneiros, de sua acoelhada visita ao STF e das consultas desesperadas a advogados. 

Ele busca uma fórmula que o salve de, despojado de suas imunidades como presidente, ver seus processos caírem na primeira instância, onde serão julgados como os de um criminoso comum  o que ele é. 

Se não conseguir, seus seguidores terão de acrescentar ao epíteto de ex-presidiário, que conferiram a Lula, um novo epíteto, a aplicar a ele: o de futuro presidiário.

Bolsonaro disse um dia que só três alternativas o tirariam do Planalto: ser preso, ser morto ou perder a eleição. 

"A primeira alternativa não existe", arrotou  frase que eu gostaria de vê-lo repetir agora. A terceira já se confirmou. E ninguém lhe deseja a segunda. 

Ao contrário, todos o querem vivo para pagar por seu legado. Pena Bolsonaro não ter tempo de vida para cumprir todas as sentenças que receber, devido ao número de quesitos em que a lei pode enquadrá-lo. Eis alguns.

Homofobia, xenofobia, racismo, desvio de verba pública (rachadinhas), formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, peculato, estelionato, corrupção passiva, crime hediondo (suas atitudes na pandemia), charlatanismo (como garoto-propaganda da cloroquina), prevaricação, vazamento de dados sigilosos, uso de milícias digitais, propagação de fake news, ofensas e ameaças ao STF, abuso do poder, incitação à baderna, tentativa de golpe de Estado e, não por último, crimes contra a humanidade. (por Ruy Castro)

sábado, 10 de outubro de 2020

AO DEFENDER O BRILHANTE USTRA, O VICE MOURÃO, NA VERDADE, O DESMENTIU

Entrevistado dias atrás pela Deutsche Welle, o vice-presidente Hamilton Mourão pretendeu defender a memória do serial torturer Carlos Alberto Brilhante Ustra, afirmando que o comandante do pior centro de torturas dos anos de chumbo no Brasil (no qual mais de 2 mil cidadãos conheceram o inferno e contra o qual mais de 500 denúncias foram formalizadas) "era um homem de honra e um homem que respeitava os direitos humanos de seus subordinados".

Com isto divergiu do próprio Brilhante Ustra, que em 2008 tentou, com as palavras abaixo, livrar-se de uma ação declaratória no sentido de que ele fosse considerado responsável pelo assassinato do jornalista Luiz Merlino nas dependências do DOI-Codi:
"O Exército brasileiro é uma pessoa jurídica, sendo que, pelos atos ilícitos, inclusive os atos causadores de dano moral, praticados por agentes de pessoas de direito público, respondem estas pessoas jurídicas e não o agente contra o qual têm elas direito regressivo. (...) Todas as vezes que um oficial do Exército brasileiro agir no exercício de suas funções, estará atraindo a responsabilidade do Estado".
Ou seja, em vez de tentar provar inocência, ele preferiu pleitear o arquivamento da ação alegando que o alvo correto de tal acusação deveria ser o Exército brasileiro!
Portanto, Mourão acaba de desmentir o finado torturador que Jair Bolsonaro não cansa de elogiar, pois Ustra, nos momentos de maior exasperação com o abandono a que considerava estar sendo relegado pelo Exército, repetiu a ladainha dos principais carrascos condenados no Julgamento de Nuremberg, seus congêneres: Eu só estava cumprindo ordens...

Mesmo no seu hostil depoimento à Comissão Nacional da Verdade, em 2013, ele continuou deixando implícito seu descontentamento com o tratamento que recebeu do Exército, ao ressaltar: 
"...quem é que deve estar aqui não é o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. É o Exército Brasileiro, que assumiu, por ordem do presidente da República, a ordem de combater o terrorismo e sob os quais eu cumpri todas as ordens...".
Mas, gato escaldado pela má repercussão de seu desabafo de 2008 junto aos círculos ultradireitistas que o apoiavam, Ustra acrescentou a fantasiosa ressalva de que tais ordens seriam "legais, nenhuma ordem ilegal" 

Foi na esteira  do primeiro episódio que lancei o melhor de meus muitos artigos sobre o Brilhante Ustra, recolocando a questão nos trilhos corretos: por mais que ele merecesse pessoalmente o repúdio dos civilizados, nunca passou de um elo a mais de uma cadeia de comando no topo da qual  estavam os próprios generais ditadores. 

Não teria uma palavra sequer a alterar hoje. Leiam-no e avaliem:
.
OS MOTIVOS DO TORTURADOR
Embora seja impossível simpatizar com os motivos de um Brilhante Ustra ou, sequer, aceitá-los, eu compreendo muito bem o que o leva a sentir-se traído e injustiçado.

Ao comandar o DOI-Codi, ele fez exatamente o que dele esperava o Exército: combateu o inimigo por todos os meios a seu dispor, sem importar-se com os direitos humanos, as convenções de Genebra e outras perfurmarias. Saiu-se vitorioso e foi aclamado por seus pares.

Veio a redemocratização e ele passou a ser estigmatizado como um monstro... sozinho! 

Levou merecidamente a culpa por tudo aquilo que seus comandados fizeram. Mas, ninguém se lembrou de cobrar de seus superiores a responsabilidade maior que tiveram nas atrocidades perpetradas pelo DOI-Codi durante os anos de chumbo. As conveniências políticas falaram mais alto do que o senso de justiça.

Se fosse um homem de princípios, Brilhante Ustra se rebelaria contra aqueles que lhe ordenaram que cometesse crimes contra a humanidade e depois se puseram a salvo, não carregando juntos com ele o fardo do opróbrio. 

Mas, de quem fez o que ele fez durante 1970/1974 só poderia esperar-se o caminho tortuoso que preferiu trilhar: tentar convencer o Brasil inteiro de que as vítimas é que eram os algozes e ele, um pobre coitado sem culpa nenhuma no cartório.

Seus dois livros repulsivos, entretanto, atraíram contra si a ira dos justos. Porque são montados a partir das informações arrancadas dos prisioneiros mediante as torturas mais cruéis, seja no próprio DOI-Codi, seja nos aparelhos clandestinos da repressão, de onde não se saia vivo. Era muita impudência utilizar o espólio de sua ignomínia para tentar justificar-se. 

Então, eis Brilhante Ustra, mais do que nunca, sendo visto pelos brasileiros como o torturador-símbolo da ditadura militar.

Mas, não serei tão injusto com ele como ele sempre foi com os outros: afirmo e assino embaixo que seus superiores tiveram culpa ainda maior pelas práticas desumanas e desonrosas do DOI-Codi, nessa que foi uma das páginas mais vergonhosas da História do Brasil. (CL)

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

NO BRASIL, A DIREITA OU É SELVAGEM OU É PUSILÂNIME E OMISSA; NO CHILE, SIM, EXISTE UMA DIREITA CIVILIZADA.

sylvia colombo
RELAÇÃO COM PASSADO DITATORIAL DISTANCIA
PRESIDENTE DO CHILE DE BOLSONARO
Piñera deplora declarações ultrajantes do Bozo
A relação com o passado ditatorial é o que mais diferencia o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, do chileno, Sebastián Piñera.

Se o primeiro é fã declarado do general Augusto Pinochet, que governou o Chile entre 1973 e 1990, Piñera, de centro-direita, orgulha-se de ter votado não –contra a manutenção do regime –no plebiscito que decidiu o fim da ditadura militar em 1988.

Nesta quarta (4), após Bolsonaro atacar o pai de Michelle Bachelet, que foi torturado e morto pelo Estado sob Pinochet, o presidente chileno disse em pronunciamento não compactuar com as declarações do mandatário brasileiro.
"Não compartilho em absoluto a menção feita pelo presidente Bolsonaro por respeito a uma ex-presidente do Chile e, especialmente, em um tema tão doloroso como a morte de seu pai."
Desde o seu primeiro mandato, entre 2010 e 2014, Piñera estimula a Justiça do país a seguir com processos contra violações de direitos humanos cometidos durante a ditadura. 
Michelle tinha toda razão ao criticar o autoritarismo brasileiro

Promotores e juízes estão autorizados a trabalhar baseando-se no arcabouço jurídico do desaparecimento contínuo, adotado já nas gestões de Bachelet (2006/10 e 2014/18).

O recurso presume que um corpo não encontrado é produto de crime que ainda está sendo cometido –e, portanto, não é anistiável.

Outra ferramenta legal do Estado chileno baseia-se no Estatuto de Roma (1998) e determina que crimes considerados de lesa-humanidade não prescrevem.

A estimativa da Justiça é que cerca de 3 mil pessoas tenham desaparecido durante a ditadura no Chile e que mais de 30 mil hajam sido torturadas. 

Alberto Bachelet, pai de Michelle, era general de brigada da Força Aérea e se opôs ao golpe militar dado por Pinochet em setembro de 1973. Ele foi preso e torturado pelo regime e morreu sob custódia, em fevereiro de 1974. 
A infame resposta foi o ataque à memória do seu martirizado pai
A ex-presidente chilena também foi presa e torturada por agentes de Pinochet em 1975. 

Em entrevista à Folha de S. Paulo no ano passado, o juiz Mario Carroza, responsável por julgar casos importantes da ditadura chilena dentre eles, a morte do pai de Bachelet, afirmou que "nunca houve nenhuma restrição a investigar quem fosse, [seja] políticos, militares ou empresários, por parte de nenhum desses dois presidentes [Piñera e Bachelet]". 

Carroza também esteve à frente de casos como o dos quemados, em que dois jovens foram incendiados por participar de um protesto, o assassinato do cantor popular Victor Jara e a morte misteriosa do poeta Pablo Neruda.

O Chile dispõe de uma Lei de Anistia ainda em vigor. Para o jurista, no entanto, ela se restringiu a cumprir seu papel no momento da transição democrática.

Carroza defende que hoje o direito internacional e a jurisprudência para casos de lesa-humanidade já permitem que se investiguem e condenem sem levar em conta anistias e prescrições. E que tanto Piñera quanto Bachelet sempre respeitaram isso.
O que mais se poderia esperar de um fã do Ustra?

Durante a visita de Bolsonaro ao Chile em março passado, Piñera afirmou, apesar do clima amistoso entre ambos, que não estava de acordo com as opiniões do brasileiro sobre os períodos ditatoriais de seus países e que as frases do brasileiro sobre o tema eram "tremendamente infelizes". 
(por Sylvia Colombo
de Buenos Aires)
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