Muitos companheiros me criticam por desafinar o coro dos contentes (vide aqui), não participando de correntes de solidariedade anomenklaturascorruptas e tirânicas como a de Cuba.
Faço-o, primeiramente, por eles acreditarem estar lutando quando apenas martelam os teclados. Na verdade, só fariam a diferença hoje em dia se fossem combatentes solidários, como aqueles bravos estrangeiros que se voluntariaram para ajudar as tropas republicanas na guerra civil espanhola.
Depois, por tais luminares dos teclados me lembrarem demasiadamente os sociais patriotas que se avacalharam na 1ª guerra mundial. Também eles eram numericamente muito superiores aos verdadeiros revolucionários e isto não impediu que acabassem na lata de lixo da História.
Marx, o teórico mais influente dos últimos séculos
Aliás, tal história merece ser contada ou lembrada. É o que faremos.
No princípio, Marx e Engels anunciavam uma maré revolucionária que uniria e imantaria os proletários de todos os países, varrendo o planeta. É o que lemos no mais inspirado panfleto político que a humanidade já produziu, oManifesto do Partido Comunista de 1848.
Os trabalhadores do mundo inteiro estavam irmanados pela sina de terem uma substancial parcela da riqueza que geravam (a mais-valia) expropriada pelo patronato. Ademais, a exploração capitalista havia subjugado países e culturas, submetendo proletários de todos os quadrantes a uma mesma lógica de dominação.
Os papas do marxismo profetizaram, então, que o socialismo seria igualmente implantado em escala global, começando pelas nações de economias mais avançadas e estendendo-se às demais.
O movimento revolucionário foi, pouco a pouco, conquistado pela premissa teórica do internacionalismo, ainda mais depois de a heroicaComuna de Parisser esmagada em 1871 pela ação conjunta de tropas reacionárias francesas com o invasor alemão.
Uma rara imagem nítida da 3ª Internacional
Se as nações capitalistas conjugavam suas forças para sufocar qualquer governo operário que fosse instalado, então os movimentos revolucionários precisariam também transpor fronteiras, para terem alguma chance de êxito – foi a conclusão que se impôs.
A Internacional Socialista, que havia sido fundada en 1864, soçobrou principalmente devido ao impacto da derrota da Comuna de Paris sobre o conjunto do movimento operário europeu, mas a semente plantada frutificou na poderosa 2ª Internacional, que aglutinou em 1889 os grandes partidos socialistas consolidados nesse ínterim.
A bonança, entretanto, não fez bem a esses partidos. Muitos dirigentes, deslumbrando-se com os aparelhosconquistados, passaram a querer mantê-los a qualquer preço, lutando por melhoras para a classe operária do seu próprio país, em detrimento da solidariedade internacional.
Teorizaram que o socialismo poderia surgir a partir das reformas realizadas pacificamente e do crescimento numérico da classe média, sem necessidade de uma revolução. A deflagração da 1ª Guerra Mundialcindiu definitivamente o movimento revolucionário
Proudhon nos ensinou que a propriedade é um roubo
Os reformistas acabaram alinhados com os governos de seus respectivos países no esforço guerreiro, enquanto os marxistas conclamaram os proletários a não dispararem contra seus irmãos de outras nações.
Lênin, Trotsky e Rosa Luxemburgo encabeçaram a reação contra os (por eles designados pejorativamente como) sociais patriotase os trâmites para a fundação da 3ª Internacional, contraponto àquela que perdera sua razão de ser.
As nomenklaturassão igualmente perniciosas, pois, passado o momento heroico da revolução, se tornam regines desvirtuados pelo favorecimento escandaloso aos altos funcionários. A dominação de classe capitalista dá lugar à dominação de castado chamado socialismo real.
Fico com Lênin, Trotsky e Rosa Luxemburgo, até porque é neles que me inspiro desde 1967.
Protesto na porta da Folha em 2009: qualificara a ditadura militar de ditabranda.
Omundo gira e a Lusitana roda. OEstado de S. Paulo e a Folha de S. Paulopassaram por muitas mudanças ao longo dos tempos, mas conservaram uma diferença essencial:
-- o primeiro, porque foi comandado durante longo tempo por uma família ligada ao jornalismo, exibiu caráter em alguns momentos marcantes;
-- a segunda, que nasceu pela mão de comerciantes, era e continua sendo amoral, colocando interesses acima de princípios.
Assim, o jornalão dos Mesquitas teve o mérito de lutar firmemente contra a ditadura de Getúlio Vargas, que deveria ter sido unanimemente repudiada por toda a esquerda durante todos os 15 anos que durou, mas foi ora tratada de forma complacente, ora objeto de uma destrambelhada intentona, conforme iam mudando o humor e as ordens de Stálin.
OEstadãofez a opção correta ao aderir abertamente à ditarevolução constitucionalista, enquanto a Folhaficou em cima do muro em 1932.
Revoltosos de 1932 exibem exemplar do Estadão
Depois, contudo, aInternacionalstalinizada resolveu tirar da cartola umputsch em 1935, despachando Luiz Carlos Prestes para cá com poderes de verdadeiro interventor sobre o partidão: voltou incumbido de vergar a espinha do comitê central do PCB, que não via com bons olhos aquela aventura militar sem respaldo na militância, já que havia sido decidida da noite para o dia.
Foi altaneiro oEstadãoao riscar de sua história o período em que, como represália da ditadura de Vargas, teve sua redação submetida a um interventor in loco.
E continuou sendo altaneiro ao romper com a ditadura dos generais, quando esta não cumpriu o compromisso de devolver o poder aos civis após os expurgos e mudanças de ordenação política que ela veio impor.
Embora houvesse sido uma das principais lideranças civis da conspiração golpista, oGrupo Estadoacabou tendo seus dois veículos (o Estadãoe o Jornal da Tarde) censurados e recusando-se a preencher o espaço com novas notícias: o primeiro ali colocava trechos deOs Lusíadasde Camões e o segundo, receitas culinárias.
Mais emblemática ainda foi a atitude de ambos com relação ao DOI-Codi. O Grupo Folhaorientou seus recepcionistas a ligarem para os jornalistas buscados pela repressão e, sob falsos pretextos, atraírem-nos para o saguão, onde eram presos. Além disto, cedia suas viaturas para camuflarem as incursões dos agentes.
A Folha era retaliada por ceder veículos à repressão
Já no concorrente da rua Major Quedinho, o tratamento era bem diferente. Quando uma patrulha do DOI-Codi chegou para pegar um repórter do JT, o diretor de redação proibiu seu ingresso no prédio e mandou a equipe de segurança garantir que sua ordem seria cumprida."Lá fora ele pode ser subversivo, mas aqui dentro ele é meu jornalista", justificou.
Em seguida, acionou o governador Abreu Sodré e, como resultado das tratativas, os todo poderosos agentes da repressão tiveram de ficar esperando na calçada. Em vão, porque o mesmo diretor levou o por eles caçado, no porta-malas do próprio carro, até seu sítio e lá o abrigou.
E, após Vladimir Herzog ser assassinado pelo DOI-Codi, o Grupo Estado decidiu que, quando jornalistas da casa fossem intimados a comparecer para interrogatórios, algum diretor da empresa deveria sempre acompanhá-los, para garantir-lhes a integridade física.
Quis o destino que aFolha de S. Paulotivesse uma chance de reabilitar sua imagem, que havia sido tão emporcalhada nos anos de chumbo, participando intensamente da campanha dasdiretas-jáem 1983/84.
Bolsonaro teme que prisão cause sua morte política
Mas, a que vêm estas recapitulações no dia de hoje? À deplorável iniciativa da Folha de S. Paulo, de entrevistar nesta quarta-feira (14) o miasma fedorento do politicamente defunto Jair Bolsonaro. Deveria ter seguido a Bíblia e deixado os mortos enterrarem seus mortos.
Como nunca comentei livro psicografado por médiuns, também não comentarei o besteirol de ontem. O que tinha a dizer, já disse num comentário que enviei de imediato para o UOL e foi nele publicado:
"O UOL bem que poderia nos poupar dessas constrangedoras tentativas de justificar o injustificável. Jair Bolsonaro, hoje, não passa de uma prisão esperando acontecer. As centenas de milhares de brasileiros que ele condenou à morte com sua sabotagem alucinada à vacinação contra a pandemia já não têm voz. Por que dar voz ao seu carrasco?".
Respondo a pergunta que eu mesmo fiz: porque este sempre foi o comportamento da Folha e suas derivações, conforme acima demonstrado.
Aliás, não fui sequer original: vários outros comentaristas fizeram a mesmíssima crítica.(por Celso Lungaretti)
O mito de Che Guevara expõe uma fratura na teoria e prática da esquerda mundial: grande parte dela desistiu, provisória ou definitivamente, de unir os proletários de todos os países numa maré revolucionária que varra o planeta, conforme Marx e Engels pregaram desde o Manifesto do Partido Comunista de 1848.
Levando em conta não só que os trabalhadores do mundo inteiro estavam irmanados pela sina de terem uma substancial parcela da riqueza que geravam (a mais-valia) expropriada pelo patronato, como também que a exploração capitalista havia subjugado países e culturas, submetendo proletários de todos os quadrantes a uma mesma lógica de dominação, os papas do marxismo profetizaram que o socialismo seria igualmente implantado em escala global, começando pelas nações de economias mais avançadas e progressivamente se estendendo a todas as outras.
O movimento revolucionário foi, pouco a pouco, conquistado pela premissa teórica do internacionalismo, ainda mais depois que a heróica Comuna de Paris foi esmagada em 1871 pela ação conjunta de tropas reacionárias francesas com o invasor alemão. Se as nações capitalistas conjugariam suas forças para sufocar qualquer governo operário que fosse instalado, então os movimentos revolucionários precisariam também transpor fronteiras, para terem alguma chance de êxito – foi a conclusão que se impôs.
A Internacional Socialista, que havia sido fundada sete anos antes, soçobrou principalmente devido ao impacto da derrota da Comuna de Paris sobre o conjunto do movimento operário europeu, mas a semente plantada frutificou na poderosa 2ª Internacional, que aglutinou em 1889 os grandes partidos socialistas consolidados nesse ínterim.
A bonança, entretanto, não fez bem a esses partidos. Muitos dirigentes, deslumbrados com os aparelhosconquistados, passaram a querer mantê-los a qualquer preço, lutando por melhoras para a classe operária do seu próprio país, em detrimento da solidariedade internacional. E teorizaram que o socialismo poderia surgir a partir das reformas realizadas pacificamente e do crescimento numérico da classe média, sem necessidade de uma revolução.
A deflagração da 1ª Guerra Mundial cindiu definitivamente o movimento revolucionário: os reformistas acabaram alinhados com os governos de seus respectivos países no esforço guerreiro, enquanto os marxistas conclamaram os proletários a não dispararem contra seus irmãos de outras nações.
Lênin, Trotsky e Rosa Luxemburgo encabeçaram a reação contra os (por eles designados pejorativamente como) sociais-patriotas e os trâmites para a fundação da 3ª Internacional, contraponto àquela que perdera sua razão de ser.
O SOCIALISMO NUM SÓ PAÍS– Em 1917, surgiu a primeira oportunidade de tomada de poder pelos revolucionários desde a Comuna de Paris. E os bolcheviques discutiram apaixonadamente se seria válida uma revolução em país tão atrasado como a Rússia – uma verdadeira heresia à luz dos ensinamentos marxistas.
Para Marx, o socialismo viria distribuir de forma equânime as riquezas geradas sob o capitalismo, de forma que beneficiassem o conjunto da população e não apenas uma minoria privilegiada. Então, ele sempre augurara que a revolução mundial começaria nos países capitalistas mais avançados, como a Inglaterra, a França e a Alemanha.
Um governo revolucionário na Rússia seria obrigado a cumprir tarefas características da fase da acumulação primitiva do capital, como a criação de infra-estrutura básica e a industrialização do país. O justificado temor de alguns dirigentes bolcheviques era de que, assumindo tais encargos, a revolução acabasse se desvirtuando irremediavelmente.
Prevaleceu, entretanto, a posição de que a revolução russa seria o estopim da revolução mundial, começando pela tomada de poder na Alemanha. Então, alavancada e apoiada pelos países socialistas mais prósperos, a construção do socialismo na Rússia se tornaria viável.
Os bolcheviques venceram, mas seus congêneres alemães foram derrotados em 1918. A maré revolucionária acabou sendo contida no mundo inteiro e, como se previa, várias nações capitalistas se coligaram para combater pelas armas o nascente governo revolucionário. Mesmo assim, o gênio militar de Trotsky acabou garantindo, apesar da enorme disparidade de forças, a sobrevivência da URSS.
Quando ficou evidente que a revolução mundial não ocorreria tão cedo, a União Soviética tratou de sair sozinha da armadilha em que se colocara. Devastada e isolada, precisou criar uma economia moderna a partir do nada.
Nenhum ardor revolucionário seria capaz de levar as massas a empreenderem esforços titânicos e a suportarem privações dia após dia, indefinidamente. Só mesmo a força bruta garantiria essa mobilização permanente, sobre-humana, de energias para o desenvolvimento econômico. A tirania stalinista cumpriu esse papel.
A revolução nunca mais voltou aos trilhos marxistas. Como único país dito socialista, a URSS passou a projetar mundialmente seu modelo despótico, que encontrou viva rejeição nas nações avançadas. Nestas, as únicas adesões não se deveram à atuação política dos trabalhadores, mas sim às baionetas do Exército Vermelho, quando da vitória sobre o nazismo.
Tomada autêntica de poder houve em outros países pobres e atrasados, como a China, Cuba, Vietnã e Camboja. E todos repetiram a trajetória para o modelo autoritário do socialismo num só país stalinista.
UM GRANDE MITO LIBERTÁRIO – Este é o quadro sobre o qual se projeta a figura impressionante de Che Guevara. Totalmente identificado com Fidel até a tomada de poder e durante os primórdios do governo castrista, ele acabou percebendo que o socialismo de seus sonhos não seria possível numa ilha pobre, asfixiada pelo embargo comercial estadunidense e obrigada a sujeitar-se às imposições da URSS em troca de ajuda econômica e proteção militar.
Seguindo o exemplo de Garibaldi e Bolívar, ele foi lutar noutros países. Abriu mão do poder e de honrarias para efetuar tentativas desesperadas de romper o isolamento da revolução cubana. E, após sua morte, acabou se tornando o símbolo maior do internacionalismo revolucionário.
Seu exemplo e seu martírio inspiraram os jovens que, em 1968, protagonizaram a última maré revolucionária. Tanto os marxistas que foram à luta armada, quanto os neo-anarquistas que barricaram Paris e cercaram o Pentágono, tinham Che como símbolo.
Tornou-se o maior mito libertário do nosso tempo, alimentando as esperanças de que ainda aconteça aquela revolução com a qual os melhores seres humanos sempre sonharam e Marx tão bem delineou, o reino da liberdade, para além da necessidade, em que:
cada cidadão contribua no limite de suas possibilidades para que todos os cidadãos tenham o suficiente para suprirem as suas necessidades e desenvolverem plenamente as suas potencialidades; e
o estado desapareça, com os cidadãos assumindo a administração das coisas como parte de sua rotina e a ninguém ocorra administrar os homens, já que eles serão, para sempre, sujeitos da sua própria História.
Para os esquerdistas que consideram irrealizável a utopia marxista e defendem situações intermediárias, o mito de Che evoca a rebelião jovem de 1968, por eles tão execrada. Daí reverenciarem Guevara apenas por obrigação.
Já aqueles que (como eu) acreditam que a retomada revolucionária se dará a partir dos marcos atingidos em 1968, estes sim são verdadeiramente entusiastas do mito Che Pueblo.
Observação: os intérpretes não identificados nas janelas acima são Caetano Veloso (Soy loco por ti, America), Quilapaiún (Canción fúnebre para el Che Guevara) e Inti-Illimani (Carta al Che).
Chicago, 1886: as jornadas de protesto que deram origem ao Dia do Trabalho.
ODia do Trabalhopassou a ser data importante no calendário político brasileiro durante o getulismo.
Era no 1º de maio que o ditador Vargas, seguindo as pegadas do fascista Mussolini, anunciava as medidas benéficas aos trabalhadores, que tinham o efeito colateral de satelizar o sindicalismo ao governo, reduzindo a influência comunista nas fábricas.
Medidas como a instituição do salário-mínimo, seu reajuste anual, a redução da jornada de trabalho para oito horas, a promulgação das leis garantiram direito de férias e aposentadoria, etc. Um 1º de maio raivoso foi o de 1968, quando os opositores moderados da ditadura (encabeçados pelo velho partidão) convenceram o governador paulista Abreu Sodré de que ele seria bem recebido na manifestação dos trabalhadores na Praça da Sé.
Os sindicalistas do ABC e de Osasco não concordaram e, quando Sua Excelência começou a discursar, uma nuvem de pedras voou em sua direção.
Com um filete de sangue escorrendo pela testa, Sodré escafedeu-se para a Catedral da Sé, sem o mínimo respeito pela dignidade do cargo (o presidente francês Charles De Gaulle, quando caçado pelos terríveis terroristas da OAS, mantinha-se imperturbável enquanto os disparos zuniam a seu lado, deixando a tarefa de salvá-lo inteiramente a cargo dos seguranças).
Veio o AI-5 e o terrorismo de estado inviabilizou as manifestações de protesto de trabalhadores até 1978, quando mais de 3 mil metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP) fizeram do 1º de maio uma comemoração do renascimento do movimento sindical independente.
Dois anos depois, já eram 100 mil os trabalhadores que se reuniam no estádio da Vila Euclides, para manifestar apoio aos diretores do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo que haviam sido presos por organizarem uma greve. Um deles se chamava Luiz Inácio da Silva.
Chocante é a perda de conteúdo e simbolismo do Dia do Trabalho, desde aquele longínquo 1º de maio de 1886, quando oito líderes trabalhistas de Chicago (EUA) organizaram manifestações de protesto contra os baixos salários e condições aviltantes, que incluíam jornadas de trabalho de até 17 horas diárias.
Eles foram presos, submetidos a julgamento sumário e enforcados, o que gerou enorme indignação no mundo inteiro e acabou consagrando essa data como o dia de luta dos trabalhadores.
O que mudou?
Primeiramente, claro, as características do processo produtivo. As enormes fábricas em que trabalhavam milhares de operários deixaram de existir, a mecanização atingiu um grau tal que muitas máquinas são operadas por pouquíssimos homens, o desemprego crônico se tornou uma guilhotina suspensa sobre a cabeça de quem ainda tem vaga (e, quiçá, carteira assinada), a terceirização se alastrou como uma praga que dissolve direitos e mina a solidariedade entre os iguais (pois eles passam a ver-se como competidores), as categorias enfraqueceram-se, os sindicatos passaram a ser quase irrelevantes.
O 1º de maio nasceu com o operariado industrial e esteve sempre tão identificado com ele que o esvaziamento de ambos se deu simultaneamente. É lamentável, entretanto, que os dias de luto e de luta não hajam deixado de existir por terem se tornado desnecessários.
Pelo contrário, “nunca antes neste país” (como costuma dizer o Lula) os trabalhadores viveram tão mal e com tanta insegurança.
A distância entre o lar respeitável e o colchão embaixo da ponte hoje é mínima, tanto em tempos normaiscomo quando as traquinagens dos grandes capitalistas colocam o mundo inteiro em recessão. Boa parte das garantias trabalhistas foi pro espaço e a grande maioria da mão-de-obra está relegada à terceirização e à informalidade.
Quem quer manter-se à tona no nosso abominável mundo novo, é obrigado a longas jornadas de trabalho (cujas horas extras, no caso de quem ainda tem carteira assinada, dificilmente são pagas) e à reciclagem constante, obsessiva. Acaba mais vivendo para trabalhar do que trabalhando para viver.
O 1º de maio institucionalizou-se e definhou. As centrais sindicais só conseguem público para suas festas contratando artistas famosos e sorteando carros ou casas.
Mas, ainda há uma função a ser preenchida pelos dias de luto e de luta – na verdade, importantíssima, face ao caráter cada vez mais predatório e perverso assumido pelo capitalismo. Os trabalhadores das nações levadas à ruína pela irracionalidade globalizada estão aprendendo isto na carne.
A História não terá fim enquanto o homem não levar a bom termo sua busca da felicidade. Então, para cada bandeira que tombar, outra deverá ser erguida.
É um desafio colocado para todos nós, neste século 21 que, em termos de lutas sociais e políticas, ainda engatinha...
De pé, ó vitimas da fome! De pé, famélicos da terra! Da idéia a chama já consome A crosta bruta que a soterra. Cortai o mal bem pelo fundo! De pé, de pé, não mais senhores! Se nada somos neste mundo, Sejamos tudo, oh produtores!
Bem unidos façamos, Nesta luta final, Uma terra sem amos A Internacional
Senhores, patrões, chefes supremos, Nada esperamos de nenhum! Sejamos nós que conquistemos A terra mãe livre e comum! Para não ter protestos vãos, Para sair desse antro estreito, Façamos nós por nossas mãos Tudo o que a nós diz respeito!
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Crime de rico a lei cobre,
O Estado esmaga o oprimido.
Não há direitos para o pobre,
Ao rico tudo é permitido.
À opressão não mais sujeitos!
Somos iguais todos os seres.
Não mais deveres sem direitos,
Não mais direitos sem deveres!
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Abomináveis na grandeza,
Os reis da mina e da fornalha
Edificaram a riqueza
Sobre o suor de quem trabalha!
Todo o produto de quem sua
A corja rica o recolheu.
Querendo que ela o restitua,
O povo só quer o que é seu!
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Nós fomos de fumo embriagados,
Paz entre nós, guerra aos senhores!
Façamos greve de soldados!
Somos irmãos, trabalhadores!
Se a raça vil, cheia de galas,
Nos quer à força canibais,
Logo verrá que as nossas balas
São para os nossos generais!
Bem unidos façamos, Nesta luta final, Uma terra sem amos A Internacional
Pois somos do povo os ativos Trabalhador forte e fecundo. Pertence a Terra aos produtivos; Ó parasitas deixai o mundo Ó parasitas que te nutres Do nosso sangue a gotejar, Se nos faltarem os abutres Não deixa o sol de fulgurar!
Bem unidos façamos, Nesta luta final, Uma terra sem amos A Internacional
De pé, ó vitimas da fome! De pé, famélicos da terra! Da idéia a chama já consome A crosta bruta que a soterra. Cortai o mal bem pelo fundo! De pé, de pé, não mais senhores! Se nada somos neste mundo, Sejamos tudo, oh produtores!
Bem unidos façamos, Nesta luta final, Uma terra sem amos A Internacional
Senhores, patrões, chefes supremos, Nada esperamos de nenhum! Sejamos nós que conquistemos A terra mãe livre e comum! Para não ter protestos vãos, Para sair desse antro estreito, Façamos nós por nossas mãos Tudo o que a nós diz respeito!
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Crime de rico a lei cobre,
O Estado esmaga o oprimido.
Não há direitos para o pobre,
Ao rico tudo é permitido.
À opressão não mais sujeitos!
Somos iguais todos os seres.
Não mais deveres sem direitos,
Não mais direitos sem deveres!
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Abomináveis na grandeza,
Os reis da mina e da fornalha
Edificaram a riqueza
Sobre o suor de quem trabalha!
Todo o produto de quem sua
A corja rica o recolheu.
Querendo que ela o restitua,
O povo só quer o que é seu!
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional
Nós fomos de fumo embriagados,
Paz entre nós, guerra aos senhores!
Façamos greve de soldados!
Somos irmãos, trabalhadores!
Se a raça vil, cheia de galas,
Nos quer à força canibais,
Logo verrá que as nossas balas
São para os nossos generais!
Bem unidos façamos, Nesta luta final, Uma terra sem amos A Internacional
Pois somos do povo os ativos Trabalhador forte e fecundo. Pertence a Terra aos produtivos; Ó parasitas deixai o mundo Ó parasitas que te nutres Do nosso sangue a gotejar, Se nos faltarem os abutres Não deixa o sol de fulgurar!
Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional