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domingo, 27 de julho de 2025

6ª FEIRA COMEÇA O MÊS DO TRUMP LOUCO

Parece inexistir estatística que comprove o aumento de casos de hidrofobia canina no mês de agosto, mas ninguém precisa de estatísticas para perceber que a Donald Trump só falta babar aos borbotões para, mesmo sendo bilionário, parecer cada vez mais um vira-latas raivoso. 

Então, bem que poderíamos inovar neste ano: em homenagem ao tarifaço chantagista que ele promete lançar contra nós exatamente no dia primeiro, a expressão mês do Trump louco cairá bem melhor desta vez...

De resto, percebo nos principais comentaristas da grande imprensa que aqueles cuja abordagem é principalmente política tendem a exagerar os efeitos da última loucura de Donald Trump, enquanto os mais identificados com a economia fazem ressalvas consistentes. 

Algum prejuízo para os brasileiros realmente haverá se o grão papalvo não voltar atrás, mas nem de longe suficiente para justificar um recuo de nosso país em pontos inegociáveis como o direito de julgarmos nossos criminosos sem coerção estrangeira.

Unânime é o entendimento, aqui e no exterior, de que se trata de um tiro no pé que, em médio e longo prazos, vai acelerar a decadência estadunidense.
Colocar o mundo inteiro em estado de alerta contra medidas intempestivas dos EUA só fará as outras nações adotarem precauções para não serem pegas de surpresa. 

E isto não só na economia, pois há países importantes (como a Alemanha) cogitando armarem-se para não dependerem da proteção de um ferrabrás ciclotímico.

Enquanto isto, o  bananinha 03, no seu deslumbramento pueril com a ilusão de poder que a condição de traidor da pátria lhe proporciona, vai escavando vez mais funda a sepultura política do pai. 

Ameaçar o Motta e o Alcolumbre com besteirinhas inócuas como as já adotadas contra os ministros do Supremo só vai servir para o centrão se dar conta de que deve afastar-se o máximo possível dos Bolsonaros, pois esse clã tende a tornar-se mais tóxico a cada dia.   

Difícil mesmo é convencer a companheirada de que o ultradireita é presente e tem futuro, mas podemos desde já considerar o bolsonarismo como uma praga do passado que foi erradicada da política brasileira, pouco importando o populismo retrô do Trump. 

Suas ameaças megalomaníacas e extemporâneas cheiram a mofo, fazendo lembrar o presidente Jânio Quadros a proibir o monoquini e as rinhas de galos. (por Celso Lungaretti) 

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

A VIDA DE PRESIDENTES IMPORTA MUITO PARA LULA. A DAS VÍTIMAS DA DITADURA MILITAR, NEM TANTO.

"Q
uero agradecer, agora muito mais, porque estou vivo. A tentativa de me envenenar, eu e o Alckmin, não deu certo.
"

A frase do Lula me fez lembrar uma verdadeira pérola da sabedoria popular: "Pimenta no olho dos outros é colírio".

Pois o mesmo Lula que ora agradece aos céus por ter sobrevivido aos planos dos golpistas trapalhões, jamais deu o mesmo valor à vida dos combatentes executados pela ditadura militar. 

Assim, ignorou olimpicamente o sofrimento das famílias desses mártires brasileiros, que queriam ao menos ver punidas as bestas-feras que assassinavam prisioneiros indefesos, torturavam bestialmente cidadãos (inclusive pela mera suspeita de que fossem subversivos), estupravam quem lhes apetecesse, seviciavam pais na frente de suas crianças para quebrar-lhes a resistência, davam sumiço em restos mortais dos opositores, etc., escrevendo uma das páginas mais vergonhosas da História brasileira.

Como a anistia de 1979 igualava as vítimas da ditadura a seus carrascos, impedindo que os torturadores fossem processados pelo festival de horrores que perpetraram nos anos de chumbo, dois ministros de Lula se dispuseram em 2007 a lutar pela revisão de tal lei, primeiro passo para os responsáveis por aqueles crimes hediondos poderem ser alcançados pelo braço da lei.

Sob pressão de comandantes militares, o então presidente Lula
proibiu Tarso Genro (Justiça) e Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) de  levantarem a bandeira da revisão da anistia de 1979 em nome do Executivo. 

Determinou que ambos, ao invés disto, apenas apontassem aos queixosos o caminho dos tribunais. E que multiplicassem as homenagens oficiais àqueles que haviam entregado a vida na luta pela liberdade. 

Com isto, a punição criminal dos torturadores ficou inviabilizada para sempre. 

Se os golpistas trapalhões houvessem tido êxito em envenenar Lula, o que deveríamos fazer: esforçarmo-nos ao máximo para que fossem devidamente punidos ou bastaria criarmos um monte de homenagens à memoria desse presidente que não ousou confrontar os criminosos do regime anterior?

E não é de agora que digo isto: cansei de, então, escrever artigos como este, protestando contra a decisão do Lula de passar pano para tais agentes do terrorismo de estado.

E tem mais: o companheiro Rui Martins e eu lançamos em 2009 a proposta de criação de uma lei específica para coibir a negação das atrocidades cometidas pelo regime militar. 

Afinal, número de mortos à parte, não havia diferença qualitativa entre a negação do Holocausto e a negação da nossa ditadura (que jamais foi uma ditabranda, tal qual a Folha de S, Paulo pretendeu). 

Como Lula e o PT optaram por tirar o corpo fora, um medíocre deputado fluminense pôde continuar endeusando os verdugos da ditadura e, em especial. o torturador-símbolo do Brasil, Brilhante Ustra.  

Então, não é de estranhar que, 15 anos depois, tal aberração gere sequelas como o plano dos golpistas trapalhões. de assassinarem numa fornada só Lula, Alckmin e Moraes. 

O ovo da serpente eclodiu! (por Celso Lungaretti)

sábado, 19 de outubro de 2024

O PESADELO DA POLARIZAÇÃO PODE FINALMENTE ESTAR TERMINANDO

Lula, que aparou as garras do PT, tornando-o um mascote da dominação burguesa; e Jair Bolsonaro, que em 2021, 2022 e 2023 agendou golpes de estado ultradireitista e nas três ocasiões faltou ao encontro, preferindo ficar olhando a encrenca de longe para não correr nenhum risco de ir em cana.

Estes são os ídolos de pés de barro dos quais muitos eleitores paulistas desencanaram, finalmente concluindo que a loucura da polarização produziu o pior Brasil de todos os tempos, com explorados matando uns aos outros por dá-cá-aquela-palha ao invés de concentrarem o fogo contra os verdadeiros culpados pelas tragédias e ruína brasileiras: a ínfima minoria de superexploradores. 

É o que se depreende da nova pesquisa do DataFolha, segundo a qual 61% dos petistas acham que o apoio de Lula a Guilherme Boulos não faz diferença e 58% dos ultradireitistas estão pouco ligando para o apoio do Bozo a Ricardo Nunes.

Segundo o comentarista político Josias de Souza, no artigo
Em São Paulo, maioria está se lixando para Lula e Bolsonaro, o desprezo pelo palhaço psicopata é tamanho no comitê de Nunes que apelidaram-no de cartola (aquele que não entra em campo nem faz gol, só aparece na hora de receber a taça)

Motivo: será somente na próxima terça-feira (22) que o Bozo ingressará pra valer na campanha, pois até sair o resultado do primeiro turno ele hesitava entre honrar o compromisso assumido com o prefeito paulistano ou transferir-se com armas e bagagens para a trincheira do Pablo Marçal, que parecia prestes a tornar-se o candidato preferido pelos eleitores direitistas. 

De que serve um cabo eleitoral que faz jogo duplo?

Quanto ao PT, sabe-se que existe uma ala do partido dando como certa a derrota do Guilherme Boulos e avaliando formas de evitar que tal fracasso nele respingue com mais força. Chega a defender a cooperação com os vencedores. 

O fundamental é que, quanto antes o desencanto com os velhos caciques do populismo se espalhar por todo o país, melhor. Eles são âncoras mantendo o Brasil preso a um passado nefando e nefasto. 

A quebra do monolitismo no campo da direita é uma novidade auspiciosa. Mas a promiscuidade com alguns desses direitistas deveria ser considerada fora de questão. (por Celso Lungaretti)
POST SCRIPTUM
R
icardo Kotscho, lenda viva do jornalismo brasileiro, curiosamente também acaba de dedicar um artigo ao candidato petista à prefeitura de Cuiabá, Lúdio Cabral, só que elogiando-o (!) por jogar o passado anticapitalista do partido no lixo:
"Cabral está fazendo uma campanha de rua em que predomina a cor lilás no lugar do vermelho e da estrela petista. 
O número 13 do partido quase não se vê nas propagandas, e o presidente Lula não aparece nem em vídeo na TV".
E se esse Cabral que descobriu (como cativar a pequena burguesia conservadora d)o Brasil se fantasiasse de pantera cor-de-rosa, será que ganharia a eleição? (CL)

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

O ÓBITO DO GOVERNO BOZO VAI SER ATESTADO DIA 2. A CREMAÇÃO SERÁ EM 2023

vinicius torres freire
SINAIS DE VIRADA PRECOCE PARA UM GOVERNO LULA 3
O
voto útil, o risco de alguma violência, de gracinha dos generais fiscais de urna e um par de disputas estaduais são os assuntos deste fim de campanha. 

Uma debandada precoce para Lula da Silva começa a surgir na conversa, embora uma decisão já no 2 de outubro ainda esteja no universo do aleatório.

O assunto não é motivado exatamente por adesões tais como a de Henrique Meirelles ao lulismo e de outras figuras simbólicas. Meirelles foi:
— eleito deputado federal pelo PSDB em 2002;
— presidente do Banco Central de Lula de 2003 a 2008;
— ministro da Fazenda da Ponte para o Futuro de Michel Temer, do MDB, com Supremo, com tudo, de 2016 a 2018; e
— secretário da Fazenda do tucanato em estado terminal de João Doria, 2019 a 2022.

Meirelles ora está no União Brasil, união instável entre o DEM, o velho PFL, e parte do partido que Jair Bolsonaro alugou em 2018, o PSL. O outro bando de bolsonaristas originais, por assim dizer, foi parar no PL. A enumeração quase caótica dessas siglas não é por acaso.

O assunto da debandada aparece porque, na surdina ou abertamente, há novas adesões a Lula. Há gente do próprio PL, há gente do PSDB que não vê futuro nas ruínas do partido e outros adesistas no União Brasil. Parte do MDB que não aderiu a Lula na primeira leva já manda sinais. O racha vai ser meio feio, mas parte do PSD de Gilberto Kassab vai aderir a um Lula 3.

E daí? Mesmo neste país mais partido do que nunca, as debandadas adesistas não são de estranhar. Depois de 2002, na eleição de Lula 1, uma fatia gorda do então grande PFL pulou para o barquinho de partidos menores a fim de atracar em algum carguinho no governo petista.

Embora tudo isso seja ainda especulativo e incerto (como o é uma vitória lulista no dia 2), o assunto é relevante porque a primeira tarefa de um novo governo, lulista ou bolsonarista, é remendar o Orçamento de 2023. 

Sempre uma ficção, a tabela de gastos é agora uma fantasia elevada ao quadrado por causa de promessas firmes de gasto extra apresentadas nesta campanha.

Lula e Bolsonaro prometeram um Auxílio Brasil de R$ 600, para o que não há dinheiro previsto. Lula sugeriu que pode corrigir o salário-mínimo e o dos servidores já em 2023 (também não há dinheiro previsto).

Falta, p. ex., previsão de dinheiro para o Farmácia Popular. Sabe-se lá o que será feito do subsídio para combustíveis, talvez de precatórios e compensações para estados e municípios (que reclamam da perda de receita com a redução das alíquotas do ICMS), casos que estão ou ficarão enrolados na Justiça.

Esse nem é o debate duro, difícil e fundamental acerca da reforma das regras fiscais (que tipo de teto ou limite vai haver, se algum). É apenas o remendo das contas finais e avacalhadas do governo Bolsonaro. 

No entanto, um ligeiro estelionato eleitoral, a quebra dessas promessas de campanha, seria um mau começo de governo –não tanto quanto o desastre que praticamente selou o destino de Dilma Rousseff em 2015. Mas não vai ser bom.

Além disso, uma eventual debandada para um hipotético 
Lula 3 e a composição partidária para remendar o Orçamento serão um primeiro teste de viabilidade política da coalizão que governará a partir de 2023.

Há dúvidas várias. O núcleo do centrão, ora regido pelo PP em colaboração com o PL, queimou navios e pontes com Lula, embora sempre possam boiar até a outra margem, como ocorre com tantos dejetos. Há uma extrema-direita feroz, antilulista e há até esse novo PDT de Ciro Gomes. Etc.

Se a eleição acabar logo, o novo governo terá de começar ainda mais cedo. (por Vinícius Torres Freire)

quarta-feira, 2 de março de 2022

ESQUERDA QUE APOIA PUTIN TROCOU O MARXISMO PELO UTILITARISMO

Como esquerdistas brasileiros travam uma briga de foice no escuro sobre se devem apoiar ou execrar a invasão da Ucrânia, vale a pena aprofundarmos este assunto. 

Primeiramente, é bom repetir o óbvio: não se trata de um problema de característica pessoais do governante da nação vítima, mas sim das do autocrata do país agressor, que quer impor sua vontade pela força militar, colocando a Ucrânia sob sua dependência, seja para exercer a dominação diretamente, seja para dourar a pílula mediante a instalação de um governo fantoche.

E o antiamericanismo não é argumento para revolucionários anticapitalistas. Para nós, EUA, Rússia e China se equivalem, são apenas o jugo capitalista em três diferentes roupagens.

Estamos batendo numa tecla à qual os revolucionários anticapitalistas já deram resposta definitiva quando eclodiu a 1ª Guerra Mundial: os dirigentes verdadeiramente revolucionários, rechaçando a hipótese de acumpliciarem-se com o conflito capitalista, orientaram os trabalhadores de seus países a não irem matar os proletários de outras nações, o que os reduziria ao papel de meras buchas de canhão numa disputa de mercados.

Qualificaram pejorativamente os socialistas pusilânimes, que procuravam pretextos para colocar-se a reboque de seus governos nacionais (o que implicava empurrar os trabalhadores de seus países para o matadouro) de
Sociais Patriotas.

Continua não havendo motivo nenhum para tomarmos partido numa guerra capitalista. Devemos ser contrários a tais matanças e contrários a todos os governos capitalistas que delas participam. Existimos para impedir esses sacrifícios inúteis da vida de trabalhadores.
JOGO SUJO – A desqualificação do presidente Zelensky está servindo para justificar um posicionamento simpático ao autocrata Putin por parte da esquerda que trocou os valores marxistas ou anarquistas pela realpolitik

Dá-se descabido destaque a pontos até irrelevantes (ele foi comediante no passado? E daí? Pior estamos nós, que temos como presidente quem jamais deixou de ser um palhaço sinistro...} no quadro do morticínio e destruição desfechados contra a Ucrânia por um país extremamente mais poderoso em termos militares.

A invasão do Putin lembra em tudo (menos na eficiência, já que deveria ser uma guerra-relâmpago mas, enquanto tal, flopou...) as conquistas do Hitler entre 1939 e 1941, até sua escalada ser detida na Inglaterra e revertida na URSS.

Desde a década retrasada eu venho defendendo nas redes sociais a integridade dos valores revolucionários, contra essas análises em que os princípios são escanteados, enquanto se superdimensionam os fatores geopolíticos. Elas têm servido para dourar a pílula das posturas descabidas e vergonhosas assumidas por petistas & aliados.

O sentido maior da prática revolucionária nos últimos séculos tem sido o de conduzir a humanidade a um estágio superior de civilização, com igualdade e liberdade plenas. Admitir e relevar o autoritarismo de nomenklaturas ou de fanáticos religiosos é uma postura totalmente inaceitável à luz dos ensinamentos de Marx, Lênin, Trotsky, Proudhon, Bakunin, Malatesta e que tais.

Polemizei muito com esquerdistas que pretendiam estar combatendo o imperialismo ao apoiarem tiranos execráveis como Gaddafi, Saddam Hussein e Ahmadinejad e/ou assassinos desvairados como Osama Bin Laden. Temos é de superar o capitalismo, não de favorecer uma volta à Idade Média ou a instauração do caos.

Levo sempre em conta que Marx definiu como países fundamentais para a vitória do socialismo as nações capitalistas avançadas, pois elas é que determinam o rumo a ser seguido pelas menos pujantes. Tentar comer o capitalismo pelas bordas foi um erro terrível e um desvio de rota desastroso, iniciado pela URSS de Stalin.
A imagem do socialismo, graças à lavagem cerebral incessante com que a imprensa burguesa usou e abusou de trunfos que lhe fornecemos estupidamente, passou a ser identificada com o atraso e com o despotismo, acabando por causar repulsa até em grande parte dos trabalhadores dos países avançados.

E onde isto nos levou? A conquistas efêmeras que depois se transformaram em retomadas capitalistas, como nos casos da Rússia e da China. A reinados dantescos do terror, como no Camboja de Pol Pot. E a decadências econômicas extremadas como a da Venezuela.

A adesão à realpolitik em termos internacionais por parte do PT é irmã da opção pelo reformismo em território nacional. Ambas expressam a desistência de lutar pela superação do capitalismo e a insistência em procurar um lugar ao sol na noite capitalista (o paradoxo é intencional), posturas ademais condenadas de antemão ao fracasso, neste momento em que o capitalismo visivelmente se encontra nos estertores.

É hora de darmos um chute nesse utilitarismo amoral, que hoje nem sequer se traduz mais na afirmação de que os fins justificam os meios. Se fossem sinceros, seus praticantes diriam que as conveniências da nomenklatura justificam os meios... 

É hora de voltarmos a apostar na revolução! (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

DEUS DESCANSOU NO 7º DIA OU ESTÁ DESCANSANDO DESDE O 7º DIA?

hélio schwartsman
DEUS E A COVID
Em tempos de terraplanistas, olavistas e antivaxxers, os criacionistas andam surpreendentemente quietos. Dá para entender. Uma pandemia viral que já matou quase 6 milhões e que não para de produzir novas cepas, como a ômicron BA.2, não é uma ocasião muito propícia para negar a evolução darwiniana. Fazê-lo jogaria a responsabilidade por essa carnificina diretamente no colo de Deus.

O criacionismo se apresenta numa paleta variada de sabores. Há desde os criacionistas da Terra jovem, que afirmam que o planeta não tem mais do que 6 mil anos e que cada espécie que nele existe, incluindo as de vírus, foi desenhada por Deus, até os defensores da evolução teística, para os quais o Demiurgo projetou um Universo completo com todas as leis naturais e nunca mais precisou trabalhar.
Para os criacionistas do primeiro tipo e suas adjacências, o problema da teodiceia (justiça divina), cai como uma bomba. Se Deus é o responsável direto pelo surgimento desse vírus e das variantes que nos causam tanto sofrimento, como sustentar que Ele é um ser benevolente? 

Como já notara Epicuro em plena Antiguidade, onisciência, onipotência e benevolência não são compatíveis com um mundo no qual o mal se faz presente. (por Hélio Schwartsman)
TOQUE DO EDITOR – Curiosamente, alguns dias atrás pensei em iniciar um post lembrando o non sense do cineasta Jean-Luc Godard (num de seus filmes, o personagem pergunta aos céus "Deus, por que me abandonaste?" e dos céus recebe esta resposta: "Porque eu não existo!".

O Schwartsman fez, de forma erudita, algo na mesma linha que eu tinha em mente. E fez-me arrepender de não haver seguido minha inspiração.

Se eu tivesse escrito aquele post, iria diretamente ao ponto: "Como crer  num Deus que permite a fanáticos e/ou imbecis assassinarem Lennon, Gandhi, Luther King e tantas outras pessoas de valor inestimável para a humanidade e, ao mesmo tempo, não fulminou com seu raio os totalmente inúteis e nocivos Hitler, Trump e Bolsonaro antes que causassem todo o mal que causaram?". Xeque-mate. (CL)

segunda-feira, 31 de maio de 2021

NÃO HÁ DESCULPA POSSÍVEL PARA QUEM DIZ SER DE ESQUERDA E SE OMITE NA HORA DE AGIRMOS EM LEGÍTIMA DEFESA DA VIDA

dalton rosado
OPOSIÇÃO AO QUÊ?
"A revolução, tal qual o arco-íris, é multicolorida e diversa!" (de um cartaz do #forabolsonaro!)
Há muitos tipos de oposição.

Há oposição conservadora que não aceita o genocídio no Brasil praticado por um conservadorismo retrógrado, anticientífico, fundamentalista religioso, antiglobalista, antiecológico, racista, xenófobo, misógino e, sobretudo, burro.

Os conservadores deste naipe lastimam ter entronizado no poder um energúmeno como o presidente Boçalnaro, o ignaro

É que, com a suas obtusidade primária e confusão ideológica entre nacionalismo estatizante e liberalismo de mercado, ele troca sua equipe de ministros como quem troca de sapatos (e de simbologias), com resultados desastrosos no plano administrativo, além de comprovar que não passavam de lorotas eleitoreiras seus discursos propondo nova política, combate ao crime organizado e à corrupção, privatização de estatais, reforma tributária, eliminação do custo Brasilequilíbrio das contas públicas, mais Brasil e menos Brasília, etc.

A verdade é que o seu (des)governo é idiossincrático por excelência e isto incomoda os conservadores mais moderados –mas igualmente equivocados– que gostariam de ter na presidência da República um dos seus e não um mero reacionário trapalhão (o jornal mais representativo de tal fauna, O Estado de S. Paulo, queixou-se exatamente disto num editorial de semana pessada). O capitão cloroquina está mais para Roberto Jefferson do que para Roberto Campos. 

Há oposição empresarial sentindo-se prejudicada pela má performance governamental na área administrativa, que termina por prejudicar os interesses do capital. Tamanha incompetência em meio a depressões mundiais econômica e sanitária é fator negativamente explosivo para a burguesia consciente do seu papel explorador em meio à turbulência sistêmica que a ameaça.   

Há oposição de segmentos da imprensa como a rede Globo, que se vê excluída do butim governamental, dando lugar a emissoras pertencentes ao campo pseudo-religioso da mercantilização da fé, aliadas do genocida, que exploram o entretenimento medíocre, disseminando um discurso superficial e demagógico entre um público empobrecido e em grande parte semialfabetizado, ou nem isto.

Há oposição de uma ala militar mais bem informada que conhece a história e faz análises econômicas (um novo generalato, pós-1964), além de ter consciência do seu papel na defesa constitucional sistêmica da burguesia à qual serve, daí renunciar ao canto de sereia de um empreguismo governamental de pouca consistência e vida efêmera, corrosivo para a credibilidade que os fardados tanto se esforçaram para reconquistar após terem saído da ditadura dos generais com um perfil hediondo.

Tal credibilidade é mais forte principalmente entre segmentos conservadores que, por desconhecerem a história ou sofrerem de amnésia crônica, não percebem que de 1930 a 1985 fomos tutelados, perturbados ou subjugados por governos militarmente fortes (com apenas breves períodos de democracia burguesa mais independente, de 1954 a 1960, assim mesmo com fracassadas tentativas de golpes), cujos resultados negativos são hoje facilmente perceptíveis.

Neste aspecto, das intervenções militares, temos muitas similaridades com as chamadas repúblicas bananeiras das Américas Central e do Sul, ou ainda com as frágeis repúblicas africanas e regimes totalitários asiáticos (principalmente no mundo arábico).

E há, ainda, uma oposição dita de esquerda que não se opõe ao substancial, bem na linha da frase célebre do Tomasi di Lampedusa em
O Leopardo (algo deve mudar para que tudo continue como está). São os sociais-democratas burgueses, que querem humanizar o capitalismo como se fosse possível regenerar o diabo. 

Neste grupo inserem-se os mais variados segmentos políticos entendidos como um tiquinho mais à esquerda ou levemente moderados, que chamam os outros de radicais.  As diferenciações cosméticas apenas ratificam as suas identidades mais substantivas e profundas; são conservadores travestidos de mudancistas e que dizem fazer parte de um bloco progressista.

Os dois últimos séculos de práticas capitalistas e desenvolvimento de toda a sua entourage institucional colaboracionista, pretensamente civilizatória (apesar de alguns avanço neste campo, que não raro retrocedem acentuadamente quando as circunstancias o exigem, como agora ocorre), demonstraram a incapacidade de solução do grande apartheid histórico da humanidade nos últimos milênios.

Mesmo nos países que fizeram a revolução marxista-leninista, as categorias capitalistas têm estado sempre presentes, ainda que sob o falso discurso da fase de transição para uma sociedade sem classes sociais distintas. Nestas, o que se viu foi uma recuperação econômica de seus retardamentos industriais e desenvolvimento de práticas capitalistas que desembocaram no mais selvagem capitalismo de mercado.  

O que se observou neste sábado (29), dia do protesto contra o governo genocida que aí está, foi uma explicitação prática do que seja o tipo de oposição manca praticada pela esquerda institucional beneficiária das migalhas que a constituição burguesa lhe concede:
o PT ficou contra as manifestações #forabolsonaro!!! 

As direções dos eleitoreiros partidos de esquerda se mostraram mais preocupadas com as eleições de 2022 do que com o necessário estancamento do processo de genocídio em curso no Brasil como consequência da desídia governamental.

O desgaste sofrido pelo atual governo é entendido pela esquerda institucional como a possibilidade de um perdão popular ao mensalão e ao petrolão, bem como ao servil alinhamento ao que há de mais podre na política brasileira. 

Justificam a ausência ao ato contra Boçalnaro, agarrando-se à desculpa esfarrapada de que não poderíamos criticar as aglomerações boçalnaristas e incorrermos no mesmo erro. A alegação é oportunista e incorreta!

A verdadeira esquerda de hoje não precisa de bandeiras e de um vermelho desbotado, mas da multiplicidade de cores que traduzem a diversidade comportamental do pensar revolucionário. 

Um pensar que está a exigir uma nova ordem de produção social e de organização horizontalizada da vida social; que está a propor um anti-poder contra o poder institucional vertical e segregacionista!
Ir às ruas contra a falta de vacinas e pedir o afastamento do
Boçalnaro 
não só como punição por seu atual crime de lesa-humanidade, mas também para abrir um precedente no sentido de que nunca mais qualquer representante do povo ousar proferir obscenidades como a de que a ditadura de 1964/85 deveria ter exterminado 30 mil ditos subversivos e a de que o megatorturador Brilhante Ustra mereceria ser reconhecido como herói da pátria é agir em legítima defesa da vida!

Ir às ruas mesmo sabendo que isto implicará mais infecção e morte por propagação do vírus é lutar contra as muitas e mais volumosas mortes que adviriam (ou advirão) se não mantivermos uma estratégia de isolamento social responsável que ampare a população nos seus vários níveis de subsistência (e que se dane a contabilidade da economia genocida e dissociada do respeito à vida!) e que force a compra de vacinas onde quer que elas possam ser adquiridas, é agir em legítima defesa da vida! 

Ir às ruas demonstrando a força da mobilização popular representa um altaneiro repúdio aos que defendem a força das armas em contraposição à força da razão, sendo, portanto, mais uma forma de agir em legítima defesa da vida!  

Ir às ruas e demonstrar que a manipulação da vontade popular por discursos conservadores veiculados massivamente por fake news não é capaz de promover uma lavagem cerebral entre a maioria que sabe distinguir: 
— o justo do injusto;
— o certo do errado;
— o escravismo da liberdade;
— o civilizado do retrógrado; 
— o verdadeiramente moderno do que é atraso conservador nos costumes;
— o que é heroico do que é covarde;
— o que é ecologicamente preservador do que é predador;
— o que é humano do que é irracional,

é agir em legítima defesa da vida!  (por Dalton Rosado)  
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