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sábado, 3 de janeiro de 2026

TODO APOIO AO POVO VENEZUELANO! NÃO PODEMOS ACEITAR A AGRESSÃO IMPERIALISTA!

 

Trump deu mais um passo em sua sanha criminosa ao atacar na madrugada deste sábado (03/01) a Venezuela e sequestrar Maduro e sua esposa. Independentemente da caracterização que possa ser feita do governo de Maduro e do atual estado do regime naquele país, é inadmissível uma intervenção militar imperialista a um país soberano com bombardeios a cidades.

Por óbvio, a ação não visa democracia, o bem-estar do povo venezuelano ou mesmo o combate ao narcotráfico, essas são apenas desculpas para perpetrar o ato de agressão militar. O fato é que a extrema-direita venezuelana não possui forças para retomar o controle do governo daquele país e precisou de uma ação ação militar dos EUA para tal. 

Os ataques são a cumulação de um longo processo de cerco e isolamento da Venezuela, com a imposição de sanções, sequestros de recursos e bloqueios econômicos, na tentativa de asfixiar a economia venezuelana, provocar o caos e levar à derrubada de Maduro. Até hoje as ações foram infrutíferas e o regime se revelou resiliente o que levou Trump a tomar o passo seguinte, a intervenção militar direta.

Mesmo que Maduro seja deposto, é pouco provável que o regime cairá, pois está alicerçado em uma estrutura política muito densa e sólida. Na realidade, o ataque dos EUA pode levar a um reforço dessa estrutura, galvanizando grupos que estavam afastados do chavismo e unindo o povo em torno das lideranças do governo. A resposta do ditador laranja pode ser uma invasão aberta, o que poderá conduzir a uma tragédia inimaginável. 

Seja como for, as ações de hoje colocam não apenas a América Latina, mas o mundo inteiro em uma rota desconhecida de profunda instabilidade que pode nos levar a um grande cataclisma bélico. Juntamente à crise da Ucrânia, de Taiwan e da Palestina, o capitalismo vai tragando a humanidade para o abismo. 

Neste momento, devemos prestar nossa total solidariedade ao povo venezuelano e manifestar nosso completo repúdio a Trump e sua ação criminosa! (por David Coelho) 

domingo, 28 de abril de 2024

O FIASCO DA ESQUERDA INSTITUCIONAL NO CONTEXTO DE GUERRA E DEPRESSÃO

 


N
ão me apraz constatar que a esquerda de há muito se conformou com um infrutífero papel de diluição do seu conteúdo revolucionário, anticapitalista, para se adaptar à forma de relação social própria ao sistema produtor de mercadorias, na vã tentativa de humanizá-lo. 

O mais grave é que isso ocorre no exato momento da sua desintegração total, evidenciada pelo pipocar das guerras e movimentos migratórios sem precedentes na história mundial, em face da inviabilidade estrutural dos conceitos de forma e conteúdo desse mesmo sistema. 

Assim, essa esquerda acaba por concordar implicitamente com a tese equivocada de que o capitalismo pode se adaptar às mutações sociais próprias ao movimento dialético da história tornando-se eterno.  

Dessa forma, no Brasil a esquerda institucional oPTou pela socialdemocracia e está definhando juntamente com a sua escolha de administração e participação política: a ordem econômica-institucional capitalista.  

Essa é a razão básica do crescimento da direita, que sem oposição consistente e duradoura, tenta fazer vingar os seus postulados retrógrados que encontram eco numa sociedade desesperada, desinformada e inconsciente de si mesma.  

Por aqui, há quase onze anos, em 2013, na cidade de São Paulo, Meca do capitalismo da América do sul, houve uma explosão de insatisfação popular por conta de um gatilho de tal estado de ânimo: um mero aumento de passagens. Um gatilho que gerou turbulências que perduram até hoje.   

Diante da ausência de comando de organismos sindicais e partidos da esquerda, que preferiram condenar o movimento, como ficou clara na posição da presidenta Dilma Rousseff, a direita “deitou e rolou” com seu discurso neofascista, recebendo apoio de uma classe média que, embandeirada de verde-amarelo, estimulou o impeachment que veio já em 31 de agosto de 2016, tendo o ex-petista Hélio Bicudo como signatário e sendo aceito pelo abominável presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e referendado pelo legislativo. 

Tudo ocorreu num prazo de pouco mais de três anos e foi o estopim da ascensão ao poder político federal de um deputado federal do baixo clero, de baixíssima capacitação moral e competência para o exercício do cargo: Bolsonaro, o ignaro.   

Resultado: fomos os campeões em porcentagem de mortes por uma epidemia sanitária - cerca de 10% do total das mortes calculadas em 7 milhões, quando temos apenas 3% da população mundial-, em face da demora do uso de vacinas e da incitação governamental à normalização e manutenção das atividades sociais - comércio, produção de mercadorias, serviços, escolas, etc. -, para ficarmos apenas nesse dado irrefutável de comportamento irresponsável e genocida.  

A ordem capitalista, na sua percepção do desastre sistêmico iminente que paira sobre sua cabeça, encontrou sobradas razões para anular um processo judicial parcial e midiático - não esqueçamos que a mesma rede Globo que hoje condena a lava jato, é aquela que tinha o privilégio de transmitir ao vivo e à cores as espetaculares prisões e arbitrariedades -, e trouxe ao processo eleitoral aquele que poderia vencer o tresloucado presidente candidato à reeleição, que deixara de servir aos interesses dos donos do PIB por sua idiossincrasia.  

Tal qual Tancredo Neves no passado, que sempre serviu de válvula de escape à direita para os momentos de tensões políticas e de ameaças à ordem institucional capitalista, trouxeram de volta o conhecido e moderno conciliador socialdemocrata que, para muitos trabalhadores desempregados, mal-empregados e pequenos comerciantes representava a lembrança de tempos mais venturosos: Luiz Inácio Lula da Silva. 

O personagem perfeito para cumprir o papel de administrador da crise de depressão capitalista mundial sob o manto da esmaecida estrela vermelha do socialismo mundial cooptado.  

Ufa!! Retiramos o bode da sala!! 

Mas, passado ano e meio do alívio, eis que temos que encarar a realidade. Há dez anos temos um PIB pífio e que se anuncia como ainda menor para este ano do que foi no ano passado, isso após 10 anos de paralisia econômica.   

Mas não devemos acreditar no senso de justiça das três principais instituições da democracia burguesa - parlamento, judiciário e força militar - a serviço dos donos do PIB daqui e do mundo, que agem de acordo com a direção dos ventos tal qual as birutas dos aeroportos.  

Temos problemas estruturais que já não encontram paliativos nas conhecidas medidas políticas e econômicas tradicionais que se expressam: 

- nos renitentes altos níveis de desemprego;  

- nos baixos salários médios que fazem os sindicatos se silenciarem por medo de demissões em massa e se enfraquecem por não apresentares soluções consistentes para seus associados;  

- na ameaça de retomada da inflação, que representa confisco de salários já defasados;  

- no aumento da criminalidade e poderio do crime organizado;  

- na contradição do discurso de preservação ambiental em contraponto à ênfase na produção e distribuição de petróleo;   

- na necessidade governamental de obediência às exigências ditatoriais de mercado que se contrapõem às justas necessidades do povo, sob pena de êxodo de investimentos; 

- na frustração pela sempre postergada retomada do desenvolvimento econômico num mundo em depressão, que promoveria relativo bem estar social; 

- nas taxas de juros altas e que incidem sobre uma dívida pública crescente e que penaliza o povo brasileiro (cada buchudinho da favela  paga R$ 3.600 de juros ao sistema bancário e rentistas do mundo todo), e que se diferencia dos juros pagos pelos membros do G7, demonstrando quão extorsivo é o sistema bancário mundial;   

- e tantas outras contradições que se explicitam no fato de não se poder (e nem se querer) negar aquilo a que se serve e do que se serve, ou seja, no fato da esquerda pretensamente anticapitalista receber benesses, sob as mais variadas formas, para administrar e assumir a falência sistêmica capitalista. 

Mas, para desespero dos conformistas, há um clima de guerra mundo afora.  

Tal clima de guerra deriva de uma crise estrutural do capitalismo que tenta manter pela força bélica o que já não pode ser contido pelas regras da política diplomática. A insatisfação no interior dos países gera uma ebulição por conta da pretensão de formação de novos blocos pretendentes a se tornarem economicamente e militarmente hegemônicos seguindo a natureza belicosa e competitiva própria ao sistema produtor de mercadorias.    

Enquanto isso, a esquerda perde sua referência revolucionária e se perde numa função estranha ao que é, ou deveria ser, seu ethos original para ocupar um espaço de coadjuvante na administração política do capitalismo decadente.  

Assim, a esquerda institucional abdica do protagonismo na cena mundial que está a merecer uma intervenção propositiva diferente, emancipatória, salvadora, igualando-se ao papel que os atores capitalistas estão a encenar. 

O povo, na sua crença ilusória e simplista da capacidade do poder político governamental de resolver os problemas que se agravam, vê-se diante da repetida frustração da ação governamental em cumprir tal desiderato, e manifesta o seu desencanto a cada ciclo eleitoral, e assim a vida segue com mudanças cosméticas que não alteram a substância do que lhe serve de base.  

Mas o espaço de manobra é cada vez mais reduzido no tempo e no espaço e essa é a razão pela qual o governo Lula perde prestígio, fato demonstrado pelas últimas pesquisas de opinião pública.   

A política, stricto sensu, na verdade é um poder sem soberania de vontade que foi moldado para servir ao capital e, portanto, não pode se voltar contra seu criador sob pena de deixar de ser o que é: uma esfera meramente serviçal de um senhor absolutista e ditatorial. 

À esquerda cabe se reinventar e confrontar essa realidade, por mais dura e difícil que seja, e para merecer a credibilidade duradoura perante a opinião pública.  

Isso somente poderá ser alcançado com a negação do poder político vertical imanente à ordem capitalista, ou seja, se se despir da roupagem com a qual se travestiu e que se constitui como contradição contida na afirmação concomitante daquilo que diz negar na sua ação político-social. (por Dalton Rosado)

 

sábado, 30 de março de 2024

MILITARISMO E PATRIOTISMO, DOGMAS SUPREMOS DO CAPITALISMO

 


A doutrina social consiste num conjunto de ideias que devem exprimir um sentido do viver social orientado por determinados princípios que lhe servem de base estrutural e aspecto teleológico. 

Não raro, as doutrinas são transformadas em dogmas, que nada mais são do que verdades absolutas, inquestionáveis, imutáveis, que em assim sendo tentam tornar, muitas vezes, a própria doutrina como algo antagônico à dialética do movimento social em seu sentido mais dinâmico, amplo e abrangente. 

O pensamento dogmático não admite a síntese, que é a saudável depuração discursiva da tese e da antítese, justamente por estabelecer verdades repressivamente absolutistas e imutáveis que sempre são nocivas ao bom desenvolvimento da vida social e suas mutabilidades decorrentes do processo evolutivo das relações sociais graças ao acúmulo do saber e consequente qualificação científica do ser humano em sociedade.  

Começo este artigo tratando desse tema filosófico para dizer que há sempre uma doutrina, mesmo que implícita, por trás de qualquer regra de convivência social estabelecida.  

O capitalismo se caracteriza como doutrina social histórica e, portanto, com começo, meio e fim, como tudo que é histórico, e nele estão inseridos preceitos de natureza orgânica que dão suporte à sua existência doutrinária. 

Foi a doutrina iluminista, que parecia trazer luzes às trevas do feudalismo, aquilo que embasou filosoficamente o processo de implantação do republicanismo burguês e seu escravismo indireto capitalista.  

Dissequemos um dos aspectos da sustentação institucional doutrinária do capital, qual seja o seu conceito de pátria e a sua correspondente defesa do militarismo.   

O conceito de pátria decorre do dogma de que a dita cuja consiste num conjunto de pessoas vivendo num determinado território sob uma ordem de relação social estabelecida por suas crenças, costumes e idioma(s), que devem ser preservados. São conceitos pretensamente consensuais de vida social, tanto no seu aspecto de produção social como na sua ordem jurídico constitucional.  

Entretanto, tal ideia, de pátria, é uma invenção criada - e imposta pela força das armas de fogo - como forma de institucionalização de uma ordem opressora e escravista da maioria dos cidadãos, e de tal forma sublinear de convencimento que o oprimido se sente culpado pela própria situação a que é submetido.  

A questão que se coloca diante do conceito de pátria, que se confunde com o conceito de nacionalidade, que por sua vez decorre do conceito de nação, que é instituto jurídico recente entre as sociedades humanas, é que nele está inserido um sentimento de exclusividade xenófobo, nacionalista, e como se fosse algo virtuoso. 

Não se percebe a relação entre pátria e opressão patriótica” do Estado.

Fidel era nacionalista, patriótico - pátria o muerte, era o dístico dos outdoors cubanos -; Brizola, Hitler, Bolsonaro, Castelo Branco e todos os generais presidentes da ditadura militar brasileira de 1964 a 1985; Simon Bolivar, José Marti, Sandino, Nicolás Maduro, Emiliano Zapata, e cada um com suas boas ou más intenções, mas igualmente equivocados nesse particular.  

A pátria espolia o cidadão, mas o trata como nacional detentor de determinados direitos e, principalmente, sobre os demais membros não nacionais, ainda que diga o contrário e afirme defender a sua pretensa natureza pacífica em relação aos seus vizinhos 

O capitalismo é belicista, e essa sua natureza é a razão das guerras modernas cada vez mais frequentes. Essa é a razão pela qual, em defesa da pátria, admite-se durante a deflagração política de uma guerra, que os nacionais de uma determinada pátria matem os nacionais de outra, que sequer conhecem.      

O capitalismo e suas necessidades mercantis forjou paulatinamente os conceitos exclusivistas de nação e de exércitos permanentes, profissionais, remunerados pelo dinheiro dos salários, que divergia do conceito do feudalismo no qual os exércitos eram menos numerosos, mercenários e eventuais, inconstantes, vez que não havia ainda desenvolvido a ambição da relação mercantil extramuros.

Alguém acha que Cristóvão Colombo e Pedro Alvares Cabral descobriram as Américas para promover a fraternidade humana? Ou aqui vieram sob um processo de necessidade de expansão da pilhagem de riquezas materiais que se transformavam em riquezas abstratas, ouro e prata, principalmente, que já serviam de lastro monetário em expansão pré-capitalista? 

O desenvolvimento dos burgos, de onde deriva o termo burguesia, locais onde se processavam as trocas de produtos transformados em mercadorias, muitos deles já manufaturados, com intercambio entre comunidades, constituiu-se em práticas sociais cada vez mais frequentes, que passaram a exigir uma ordem social consentânea com seus critérios de vida social baseada na produção de mercadorias destinadas à compra e venda. 

Ora, o feudalismo, no qual a monarquia e a igreja, de mãos dadas com a aristocracia rural, ditavam as ordens, teria que dar lugar a uma nova ordem na qual o capital em processo de desenvolvimento pudesse se expandir sem as amarras das castas sociais que eram avessas a tal desenvolvimento.  

 O capital tem a característica de ser uma abstração impessoal que comanda a sociedade acima dos homens a quem torna súditos de sua lógica tão ditatorial quanto aquela personalíssima, feudal, e que agora se apresentava sob o manto da “liberdade” de escolha, pelo trabalhador abstrato escravizado indiretamente pelo salário e extração de mais-valia, o “direito” de vender a sua única propriedade, o seu tempo-valor de trabalho abstrato.   

Assim, o conceito de pátria está umbilicalmente ligado a uma ordem de produção social e de organização jurídica determinada pelo capital, razão pela qual a força militar criada sob o soldo dos militares profissionais, bem como todo o aparato de guerra, com tudo financiado pelos impostos extraídos das atividades mercantis, pagos pelo povo, é fiel ao conceito de defesa dogmaticamente ensinado e absorvido nas academias militares. 

Quando se compreende que Bolsonaro não recebeu apoio militar para sua aventura golpista no Brasil, pode-se perfeitamente compreender que o comando miliar - à exceção de alguns poucos desavisados - entendeu que não havia clima para tal aventura, e o fez por vários motivos, quais sejam: 


a conjuntura capitalista depressiva ainda não atingiu o estágio de necessidade de intervenção militar;

- o Bolsonaro era um militar sem história de disciplina e carreira como deseja o dogma doutrinário militar; - a locomotiva do capitalismo nas Américas, os Estados Unidos, não tinham interesse, como tiveram em 1964, num golpe civil-militar encabeçado por um protagonista despreparado e sem currículo que o abonasse, igual Bolsonaro, até porque de um novo Hugo Chávez na América latina eles estão ressabiados; - o mercado confia no Lula, que se jacta de que os bancos nacionais e internacionais que aqui operam, tiveram os maiores lucros da história em seus governos; - apesar de Bolsonaro ter enchido seu governo com militares da reserva e até da ativa, os estudos geopolíticos da caserna, desde Golbery do Couto e Silva, estão atentos à conjuntura internacional do capitalismo que anuncia tempos sombrios de sua administração e que desaconselham uma interveniência direta de apoio à Bolsonaro e sua trupe, reservando-se a possibilidade de intervenção para o futuro; - os erros estratégicos de Bolsonaro, que ao não aderir a tempo de promover a vacinação no Brasil, e estimular o povo a continuar vivendo normalmente como se nada estivesse havendo em relação à pandemia de covid19 que assombrou o mundo, provocou a morte de 700 mil pessoas no Brasil, com dados que se supõe subestimados, cerca de 10% dos casos mundiais - um absurdo se considerarmos que o Brasil tem cerca de 3% da população mundial - e que vai se firmar como o maior genocida da história do Brasil. A doutrina militar moderna nasceu com o capitalismo e se tornou um dogma que está acima dos próprios militares comandantes - virou verdade doutrinária conceitual corporativa imutável a ser obedecida inquestionavelmente -, é essa é a sua orientação patriótica, razão pela qual para defendê-la a caserna vai às últimas consequências. Putin, por exemplo, militarista desde os tempos da KGB, que o diga com suas ameaças nucleares...

Quando se prenunciar o colapso capitalista, que deverá começar pelo crash do sistema bancário internacional em razão da dívida pública impossível de ter os juros renegociados para pagamento aos rentistas mundo afora, somente restará à ordem capitalista a tentativa de sustentação militar de seus postulados, ainda que insustentáveis. Esse será o início da hora da verdade dos tempos atuais. (por Dalton Rosado)

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