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quarta-feira, 30 de novembro de 2022

VIROU MODA NA OPUS DEI USAR MEIAS PRETAS COM BOLINHAS BRANCAS?

Estas são as do Alckmin, mas...
rui martins
UM VICE DE MEIAS MEDIDAS
Seria falta de assunto ou atração pelo supérfluo?

Refiro-me à publicação pela imprensa de fotos (que viralizaram nas redes sociais, seguidas de comentários anódinos e reflexões diversas sobre tendências da moda masculina na televisão) mostrando as inusitadas meias usadas pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, logo depois das eleições?

Todo mundo sabia o significado do L feito com os dedos das mãos durante a campanha eleitoral. Mas, muitos se perguntavam, o que queriam dizer os pés de Alckmin, vestidos com meias pretas mostrando estampas de bolinhas ou poás brancas? 

Ninguém se interessou pelos sapatos mocassim de couro preto, imagina-se de luxo. O enfoque era o par de meias, como se elas tivessem uma linguagem muda cifrada, exigindo interpretação.

Teria sido mais um sinal da volubilidade de nossa imprensa, acusada de ter sempre incentivado o surgimento de mitos, como foi no passado Jânio, o homem da vassoura e suas forças ocultas; e, nos nossos dias, Bolsonaro, o homem-mito do palavreado chulo e da fraude nas urnas, empunhando um simulacro de metralhadora? 

Ou existe em nós mesmos, leitores e eleitores, tal tendência para correr atrás da novidade, do que sai do comum, mesmo que seja por um tempo fugaz? Se não houvesse um conteúdo político, o culto a Neymar substituído pelo de Richarlison, talvez efêmero, seria um exemplo.
...chargistas sugerem para o
Sr. Opus Dei este outro visual.



Mas voltemos às extremidades inferiores do vice-presidente. Teriam sido essas meias alckmistas as primeiras a despertarem o interesse da imprensa? 

Não, uma rápida busca nos mostra haver mesmo livros sobre a importância das meias, esses acessórios guardados discretamente nas gavetas do guarda-roupas, dentro dos sapatos após uso ou espalhadas pelo quarto de gente desordenada. 

O mais recente é em francês e tem um título importante, Pequena Filosofia sobre as Meias, escrito por um sociólogo Jean Claude Kaufmann, bom presente de Natal que as esposas orgulhosas dos pés de seus maridos poderiam lhes oferecer (junto com um par de meias, é claro!)...

Bem antes das fotos das meias de Alckmin, há quatro anos os jornais estrangeiros, a começar pelos canadenses, publicaram os pés do primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, com meias azuis nas quais nadavam discretos patinhos amarelos. 

A foto dos pés de Trudeau dentro de sapatos pretos de laços tinha como fundo um cartaz azul do Fórum Econômico de Davos, na Suíça, no qual se lia o tema Construir um futuro comum num mundo dividido. Haveria uma mensagem subliminar nas meias do dirigente canadense? Neste caso, quem seriam os patos?

Outro político cujas meias chamavam atenção, foi o francês de origem armênia, Édouard Balladur, nomeado primeiro-ministro (de 1993 até 1995) por François Mitterrand, numa espécie de coabitação da esquerda com a direita, depois da vitória da direita nas legislativas francesas. Aqui uma coincidência: Balladur era um homem de direita no governo socialista de Mitterrand, assim como Geraldo Alckmin no de Lula .
Édouard Balladur até
que ficou elegante

Porém, mesmo sendo de direita, Balladur usava meias vermelhas, símbolo gritante de uma esquerda mais radical. Ora, os comunistas e socialistas não têm a exclusividade do vermelho. Nisto o gado bolsonarista também se engana ao clamar
nossa pátria nunca será vermelha!, porque a cor dos republicanos norte-americanos, apoiadores do detestável Donald Trump, é vermelha.

Allan dos Santos, refugiado ilegal nos Estados Unidos agora sem passaporte brasileiro, famoso entre os evangélicos bolsonaristas e execrado pelos antigolpistas por ter xingado ou incitado xingamentos contra ministros do STF nos EUA, terá de adotar o vermelho republicano, se conseguir a nacionalidade de Trump. 

Bom, isso não implicará o uso de meias vermelhas. Quem usa obrigatórias meias longas vermelhas dos pés ao alto das pernas são os cardeais do Vaticano (as meias deles são consideradas aristocráticas).

E o povo, que meias usa?  Durante muito tempo, usavam-se meias brancas, hoje consideradas o suprassumo do mau gosto. 

Porém, nestes últimos anos, usar meias nos pés, sejam brancas, pretas com bolinhas brancas, azuis com patinhos ou vermelhas virou coisa de rico, mesmo porque havaianas dispensam meias. (por Rui Martins)
TOQUE DO EDITOR Nunca deixarei de estarrecer-me com a seletividade da memória da imprensa e das redes sociais ditas progressistas! Agora que o Alckmin virou escudeiro do Lula, recebe tratamento afável, inclusive com a levantada de bola que foi este súbito interesse pelas meias do direitista outrora ridicularizado como picolé de chuchu.
De que cor seria a meia dele em 2012?

Tudo bem que, residindo na distante Suíça, o nosso bom Rui não perceba o quanto chocou nossa esquerda autêntica (aquela que não desbota nem se verga a conveniências eleitoreiras) a atual comunhão de interesses entre petistas e tucanos, após décadas de hostilização mútua. 

Ou como nos envergonha ver o responsável pelo massacre do Pinheirinho alçado a vice-presidente, podendo aproveitar qualquer oportunidade para substituir Lula e colocar o Brasil à mercê do ideário da Opus Dei, como esteve a Espanha durante a ditadura de Francisco Franco.

De resto, pegando carona no ótimo parágrafo final do artigo do Rui, faço questão de ressaltar: os expulsos do Pinheirinho eram exatamente coitadezas que nem meias usavam, obrigados pela penúria a limitarem-se às sandálias havaianas. (por Celso Lungaretti)    

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

CONFIRMADOS OS RECEIOS SOBRE A SAÚDE DO LULA, ELEGEREMOS ALCKMIN?!

Lula se recuperando do tumor de 2011
C
omo reagiria o PT se ficasse sabendo que seu candidato a presidente da República, o favorito da eleição, poderia não cumprir seu mandato, parcial ou totalmente, por causa de uma doença grave?

Conhecendo toda a trajetória desse partido, no qual militei durante uma década inteira (ingressei em 1979 para ajudá-lo a atingir o número de filiados  necessário para obter o registro na Justiça Eleitoral), não tenho dúvidas de que o PT tentaria manter tal informação em sigilo até o  final do pleito.

Daí minha decisão de abordar aqui um assunto melindroso, pelo qual eu passaria reto noutras circunstâncias.

No domingo retrasado (21), Gustavo Castañon, membro do diretório nacional do PDT, tuitou que "Lula deveria se submeter a uma avaliação médica pública para provar que seu câncer na garganta não voltou". [Referência a um tumor do qual Lula se livrou em 2011.]

Hoje (29) foi a vez de Ciro Gomes, o presidenciável do PDT, tuitar e logo depois apagar o seguinte:
"Será que não entendem que Lula está cada dia mais fraco fisicamente, psicologicamente e teoricamente para enfrentar a direita sanguinária?".
Some-se a isso a rouquidão do Lula tanto na sabatina do Jornal Nacional (25) quanto no debate entre candidatos de  ontem (28), além do suspeito excesso de elogios ao companheiro de chapa nas duas ocasiões e a conclusão será óbvia:  
Suspeita-se que Tancredo já estivesse morto
quando fizeram esta foto para tranquilizar o país
— ou se tratou de jogo sujo do PDT para disseminar alarmismo entre os eleitores adversários,
— ou o Lula corre mesmo o risco de repetir a sina de Tancredo Neves, que decerto já estava com um leiomioma qiando concorreu à presidência pelo colégio eleitoral, não conseguindo depois governar por um dia sequer do seu mandato.

O pior é que a escolha de Geraldo Alckmin, direitista moderado, para vice da chapa desagradou boa parte dos quadros não só do PT, como também dos partidos de esquerda  que estão a bordo da barca do Lula. Seria simplesmente ignóbil ludibriar toda essa gente que jamais quereria ver a faixa presidencial no ombro do carrasco do Pinheirinho, mas confiou na garantia do Lula de que saberia como lidar com ele.

O tempo urge e, se tais suspeitas forem infundadas, o PT precisa vir a público esclarecer todas as dúvidas o quanto antes e com a máxima transparência.

Já no caso de os receios serem procedentes, tem a obrigação política e moral de, honestamente, abrir logo o jogo, dando tempo à esquerda para concentrar seus votos e esforços num candidato que pertença realmente a nosso campo, ao invés de empoderar uma cria do Opus Dei.(Celso Lungaretti)

quarta-feira, 30 de março de 2022

PRAGMATISMO POLÍTICO COSTUMA SER DESCULPA PARA ATOS ESPÚRIOS – 2

(continuação deste post)
Eis a obra do Geraldo Alckmin (agora vice do Lula) que o povo de São Paulo nunca
 esquecerá: 
o massacre do Pinheirinho, que fez o lar de 6 mil pobres coitados...
 
N
este contexto, é fichinha regional a aliança da desbotada estrela socialista do PT com quem era, até outro dia, o representante político mais destacado da Opus Dei: o picolé de chuchu, agora convertido num socialista do PSB.... 

Tal metamorfose é uma daquelas que costumam ocorrer em ano eleitoral, meras consequências do apego inescrupuloso ao poder político burguês em fase de decadência. 

Aliás, alianças espúrias do PT, umas por outras, vale lembrar:
— a antiga parceria com José Alencar, que era do PL do Valdemar Costa Neto, condenado no processo do mensalão;
— o PL que hoje recebe, como candidato filiado, Boçalnaro, o ignaro, que antes era o paladino do combate à corrupção, de mãos dadas com Sérgio Moro;
— Moro que brigou com quem beneficiara e agora é outro dos presidenciáveis, etc. Ufa! 
...virar escombros. Para quê? Para nada. 10 anos após 
a reintegração de posse, não passa de área abandonada!
 

A aliança com o José Alencar era até menos perniciosa do que a atual, porque ele não passava de um idoso capitalista simpático e bonachão, que queria apenas acrescentar ao seu currículo empresarial a glória de ser presidente da República; serviu, contudo, para demonstrar quão incoerente é a busca de migalhas de poder por parte dos representantes políticos do capital e dos que dizem falsamente combatê-lo.     

Mas, isto nem sequer é novidade. 

O que dizer de Luiz Carlos Prestes, dirigente máximo do Partido Comunista Brasileiro, ter subido em 1950 no palanque do ditador Getúlio Vargas, que em 1936 consentira na deportação para a Alemanha Nazista de sua mulher, a comunista alemã Olga Benário, grávida dele e que acabaria sendo executada em 1942 na câmara de gás do campo de extermínio de Bernburg (Anita Leocádia Prestes, a filha, seria salva pelas pressões da opinião pública e de instituições internacionais)? 

O que dizer de quem, curvando-se à lógica capitalista, retira do trabalhador direitos previdenciários em nome da governabilidade, alegando que é preciso salvar o Estado e a meta fiscal; ou pior, defende a redução direitos para reduzir custos de produção e, assim gerar riqueza supostamente para o bem do próprio trabalhador (tentando convencer a vítima de que ela é culpada por seu próprio infortúnio)?  

Pragmatismo político costuma ser desculpa para atos e comportamentos espúrios, nos quais a injustiça é praticada em nome da busca de uma pretensa justiça maior e mais abrangente que nunca se realiza. 
O cavaleiro da esperança olha, deslumbrado, para o pai dos pobres. Teria
 esquecido quem deixou 
Olga Benário ser deportada para os braços de Hitler e com
 ordens de quem o carrasco Filinto Müller torturava os camaradas do PCB?
Na guerra se justifica a explosão de bombas atômicas como as de Hiroshima e Nagasaki, que mataram algo entre 150 mil e 250 mil pessoas só nos quatro primeiros meses, afora a morte lenta das vítimas da radioatividade cancerígena. Justificadas como necessárias para evitar mais mortes de estadunidenses diante da resistência nipônica (em frangalhos), as bombas foram, soube-se depois, principalmente demonstrações de força para intimidar o premiê soviético Joseph Stalin  

É que, sob a lógica belicista do capital, quando se tem potencial político-militar de dominação, nunca se deixa de utilizá-lo.

Ao analisarmos o comportamento do Japão, ávido por uma expansão vital de suas fronteiras estreitas numa próspera ilha, verificamos quão mesquinho é o sentimento nacional-capitalista de relação entre os povos. 
Militarmente desnecessários, os bombardeios atômicos
do Truman foram apenas uma forma de intimidar Stalin

Ao analisarmos  comportamento nacional-capitalista dos EUA, verificamos que há uma mesma base comportamental negativa que tudo justifica e que comanda a ação dos homens: a lógica inumana do capital.       

Isto é o pragmatismo político-sistêmico. que justifica a prática de injustiças em nome de uma pretensa busca da realização da justiça, e que termina por tudo deformar, tal qual o uso contínuo do cachimbo sempre acaba por entortar a boca.

Há que termos um pensar fora da caixa, de modo a que os pressupostos limitadores de questões colocadas por premissas equivocadas não nos brutalizem nem nos idiotizem, tornando-nos marionetes de uma lógica a que seguimos como zumbis.

Quando leio ou ouço o noticiário sobre as atuais pesquisas eleitorais, avidamente acompanhadas por muitos como se fossem um Fla-Flu, fico tão constrangido (e enfastiado) como alguém que é obrigado a cumprir uma ordem que sabe ser injusta sob pena de receber uma severa punição. 

Felizmente, já que manda quem pode mas só obedece quem não tem juízo, eu não voto! 

Como dizia Drummond, as coisas são muitos fortes, mas eu não sou as coisas e me revolto. (por Dalton Rosado)
O Dalton não deixa por menos: também em música ele
expressou sua indignação com a invasão da Ucrânia.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

PRIMEIROS ANÚNCIOS DO NOVO GOVERNO VÃO MUITO ALÉM DA CAPACIDADE DE UM BOLSONARO. QUEM ESTÁ POR TRÁS DELE?

Moro é a Lava-Jato no governo
vinícius torres freire
SUPERMINISTROS MAIORES
DO QUE O GOVERNO
Jair Bolsonaro fez grandes lances em seus poucos dias de presidente eleito. Considerem:

1) deu impulso e poder a dois movimentos maiores do que ele, o projeto de encolhimento do Estado e a revolta contra a corrupção, nomeando Paulo Guedes e Sergio Moro;

2) colocou militares em postos de guarda e alerta no governo;

3) até agora não negociou coalizão com o Congresso por meio de compartilhamento de poder no ministério.

Guedes e Moro terão extenso poder sobre a máquina pública, mas a influência dos dois no destino do governo vai além. São representantes de uma reivindicação maior de mudanças.

Um clichê da política diz que um governante não deve nomear ninguém que não possa demitir. Em caso de sucesso, Bolsonaro dificilmente terá motivo para demitir seus superministros, mas contaria com força política para fazê-lo. Em caso de fracasso, a demissão será irrelevante, pois seu governo terá ido para o fundo do vinagre ou coisa pior.

Guedes representa o projeto de desmanche do Estado que foi formalizado em 2015, no plano de deposição de Dilma Rousseff, e implementado a partir de 2016.

A estabilidade do governo em 2019 (volta de algum crescimento) depende do sucesso parlamentar e do sequenciamento preciso dessas reformas, que não são remendo. 
Guedes: desmanche do Estado

Trata-se de um plano histórico de mudança, que tem apoio de parte da elite econômica e de várias classes médias. 

Caso falhe o plano inicial de Guedes, haverá algum tumulto financeiro. 

Caso o Congresso barre a mudança ou Bolsonaro desista dela, o tumulto será enorme, e o presidente perderá o apoio de elites a quem se aliou, não faz muito mais que um ano.

Não seria apenas a derrota de ambições grandes, mas o fracasso de uma cirurgia de um país à beira do colapso.

Moro leva a Lava Jato para dentro do governo. Tem a tarefa de repetir na segurança pública os resultados do ataque à corrupção.

Além disso, o juiz-ministro é uma tentativa de sinalizar linha dura para o mundo político e compromisso constitucional–símbolo.

Tanto faz o que se pense da atuação de Moro como juiz; sim, o liberalismo de Guedes, o lava-jatismo e a lei podem vir a ser atropelados por Bolsonaro. Importa reter agora que o presidente eleito nomeou dois comandantes superpoderosos para dar satisfação a revoltas sociais significativas e isso é o núcleo do governo.

O futuro ministro da Defesa, o general Augusto Heleno, é o grande conselheiro de Bolsonaro, uma espécie de ministro-chefe da Casa Militar, um pilar político. Nos Transportes, centro habitual de corrupção, haverá outro general, outro alerta. O vice-presidente, general Hamilton Mourão, deve ter algum poder na infraestrutura e no relacionamento entre governo e empresas.
"Tudo pode afundar assim que sair do porto"

A ambição de mudança enfrentará muita resistência. Trata-se de revisar relações socioeconômicas essenciais: seguridade social e poupança (caso da Previdência), protecionismos vários para empresas, vinculações orçamentárias (pactos de distribuição de recursos que não se limitam a saúde e educação), privilégios tributários, acordos com servidores, apoio da banca estatal.

A relação com o Congresso e a superpasta da Justiça ameaçam o modo de lidar com a distribuição de recursos políticos e o business as usual na relação de Parlamento, empresas e governo.

Isto tudo é plano de navegação. Tudo pode afundar assim que sair do porto. Para analisar a travessia ou o naufrágio, convém prestar atenção.
.
Observações do editor: o artigo acima do Vinícius Torre Freire é, de todos que tenho lido desde o domingo maldito, o que mais ajuda a entendermos o governo que se esboça. Mas, não responde a uma dúvida que a nomeação de Sérgio Moro suscitou em mim: quem, afinal, bolou toda esse ambicioso projeto de arquitetura política?
Quem se oculta por trás da cortina?

Bolsonaro, o presidenciável que protagonizou uma vexatória fuga dos debates eleitorais por não estar à altura dos adversários e foi levantar em pleno Jornal Nacional o assunto de sua antiga funcionária-fantasma, insignificante e que necessariamente lhe seria adverso? Nem a pau, Juvenal! 

O Opus Dei, como no caso de Francisco Franco? Os Chicago Boys que pensavam por Augusto Pinochet? Um único estrategista hábil como Golbery do Couto Silva, que conduziu o ditador Ernesto Geisel à abertura? 

E se nota claramente que as campanhas eleitorais com novas ferramentas e procedimentos manipulatórios do Brexit, de Trump e de Bolsonaro são vasos comunicantes. Há uma coordenação ultradireitista em âmbito internacional que ainda não devassamos nem dimensionamos a contento. Precisamos fazê-lo o quanto antes! (por Celso Lungaretti) 

domingo, 2 de setembro de 2018

AS URNAS DE NOSSA DESESPERANÇA – 4: O DIREITISTA CONSERVADOR QUE PARECE UM INOFENSIVO MÉDICO DE FAMÍLIA.

(continuação deste post)
Geraldo Alckmin, o candidato neoliberal do PSDB 
Um analista mais atento e que saiba ler nas entrelinhas, consegue extrair e compreender o conteúdo neoliberal implicitamente contido nas propostas de governo do Geraldo Alckmin. 

Por mais que tenha um discurso insosso (tanto que o jornalista José Simão o apelidou de picolé de chuchu), ele deve ser entendido como o candidato de uma moderna direita formadora de opinião, aquela que teme a truculência obtusa de um Jair Bolsonaro e o despreparo de um cabo Daciolo. 

Ele é um presidenciável perigoso para o Brasil exatamente por isto: consegue disfarçar o seu discurso de direita conservadora como se fosse um inofensivo e confiável médico de família. 

Não se pode afirmar peremptoriamente que Alckmin se guie pelos conceitos ultraconservadores do Opus Dei (segmento da igreja católica que defende dogmas ultrapassados e até fundamentalistas).

De todo modo, ele tem ouvido e convivido com representantes assumidos desta seita. E a relação de tal segmento religioso com a mídia de comunicação, como denunciava o saudoso jornalista Alberto Dines, caminha na direção da moderna direita mundial: conservadora, nacionalista, xenófoba e defensora do princípio segundo o qual farinha pouca, meu pirão primeiro.

Nesta reportagem sobre o chamado exército do papa, p. ex., a revista Superinteressante coloca Alckmin como o primeiro nome da lista de gente importante supostamente ligada ao Opus Dei

E há os fatos de um dos mais importantes expoentes de tal prelazia no Brasil haver sido o tio dele, José Geraldo Rodrigues Alckmin; e de o próprio Alckmin, quando prefeito de Pindamonhangaba (SP), haver batizado uma das ruas da cidade com o nome do fundador do Opus Dei, Josemaria Escrivá de Balaguer. Mas, se tem ou teve vínculo(s) com esses religiosos comumente identificados com o regime fascista espanhol do generalíssimo Franco, não lhe seria conveniente admitir.

A doutrina neoliberal, antes de postular o fim do Estado, como quer o pensamento libertário da crítica do valor, pede um Estado mínimo, justamente para ser forte o suficiente na defesa dos interesses capitalistas privados. 
Nesta linha, Alckmin propõe que seja zerado o déficit fiscal, como medida indispensável à soberania financeira do Estado. Isto todos os candidatos defendem, até o Presidente Temerário, que recebeu apoio antes mais ostensivo do PSDB, mas agora vê seus aliados se esquivarem de dar e ter dado tal apoio como o conde Drácula foge da cruz.    

A questão que se coloca é como zerar esse déficit num país que não pode emitir moeda sem lastro e tem dificuldades de vender seus títulos no mercado financeiro internacional a juros baixos. Alckmin dá a receita para tal mágica: cortar gastos com a Previdência e outras rubricas orçamentárias que farão falta para o povo brasileiro. 

Acena também com um aumento das exportações em 50%, que faria crescer o número de empregos, de contribuintes previdenciários e de receita orçamentária. Trata-se de uma quimera falaciosa, pois esbara na realidade do capitalismo em depressão mundial (e, principalmente na América Latina).

Sobre a privataria tucana, o desemprego estrutural e o Estado mínimo militarista – um terceiro viés é a tradicional privataria tucana. O PSDB tudo vendeu durante o Governo FHC e, mesmo assim, não conseguiu aliviar as contas públicas nem alavancar a economia, tendo de bater às portas do Fundo Monetário Internacional (sempre rigoroso ao ditar para os países empobrecidos da economia mundial as regras de comportamento que terão de seguir para receberem os empréstimos de que necessitam para salvar o Estado capitalista). 

Ora, Alckmin já cumpriu quatro mandatos como governador de São Paulo e a taxa de desemprego no Estado é de cerca de 17%, enquanto a taxa brasileira está na casa de 12% da mão-de-obra economicamente ativa. Vale então perguntar: por que o Estado mais industrializado do país tem a maior percentagem de desempregados? 

Será que a culpa é do seu aliado emedebista Michel Temer? Ou dos seus também aliados do centrão (que jamais aceitaram as propostas de redução do déficit do orçamento fiscal, porque isto lhes acarretaria desgastes políticos eleitorais)?

Como Alckmin pretende aprovar as medidas impopulares de ajuste do déficit fiscal que prega, se para tanto precisará do apoio dos fisiológicos de sempre? O que lhes concederá à guisa de contrapartida?     

As propostas de Alckmin para ativar as exportações brasileiras em 50% deixam de considerar a existência de concorrentes internacionais que competem conosco com alta tecnologia aliada a salários escravos (como a China e a Índia); e, por mais que ele prometa a desburocratização e a eliminação do chamado custo Brasil, isto implicaria cortar privilégios de corporações ligadas ao segmento político ao qual ele está atrelado até a alma. Comprará tal briga? Duvido.

Alckmin quer mesmo é o Estado mínimo que, sob o capitalismo em fase de decadência mundial, caminha para salvar pelo menos a capacidade de pagamento dos escorchantes juros da dívida externa brasileira e funcionamento dos poderes estatais e da força militar capaz de conter a insatisfação popular que tende a crescer cada vez mais (ela lhe foi muito útil, p. ex., nas jornadas de protestos de junho/2013, quando Alckmin deu às tropas carta branca para barbarizarem os manifestantes).  

Para dourar a pílula de suas proposições impopulares que embutem mais arrocho a uma população já exaurida, ele hipocritamente propõe a ampliação de programas assistenciais como o bolsa-família. Ou seja, morde de um lado e assopra do outro, como qualquer demagogo de quinta categoria.   

Avançando na militarização do Estado, propõe a criação de uma Guarda Nacional, que atuaria, complementarmente, como polícia militar. Daí para a repressão aos tumultos que virão em razão das medidas impopulares de ajuste fiscal do Estado no capitalismo em depressão será um passo. Quem viver verá, se tivermos o desprazer de estarmos submetidos a um governo ao mesmo tempo neoliberal e conservador de direita. Duas doutrinas que, antes de se contraporem, são convergentes.
A polícia do Alckmin em ação nos protestos de 2013
Tudo que dissemos nos artigos anteriores desta série sobre a ingovernabilidade do Estado num sentido pró-povo sob a depressão capitalista, vale, de forma mais acentuada, para um eventual governo de Alckmin. 

Sobre saúde, educação e previdência social   as suas proposições para serviços básicos e fundamentais do Estado (educação e saúde) colidem com a sua pregação de um Estado mínimo, de déficit fiscal zero e de redução de Ministérios, que são, verdadeiramente, aparelhos destinados às negociações políticas no parlamento, sem as quais governo nenhum consegue fazer nada.

O caráter onívoro da forma-mercadoria tende a transformar tudo nela mesma (em mercadoria). Não é por menos que a educação do Brasil, ainda que a Constituição determine ser ela do Estado e direito do cidadão pagador de impostos, cada vez mais se torna um negócio privado. 

As diretrizes de Alckmin para a educação seguem nesse sentido, se tomarmos como parâmetro o que ele fez ao longo de seus quatro governos no Estado. Todas as iniciativas alckmistas se coadunaram com a visão privatista do ensino, expressa em seus elogios à gestão privada das escolas públicas. 

Quando seu governo anunciou o fechamento de mais de 70 escolas públicas a pretexto de serem redundantes ou estarem mal equipadas, a medida despertou forte contestação por parte dos docentes e de toda a comunidade que necessita da escola pública para a educação dos seus filhos. 

Houve suspeita generalizada de que se tratasse de um artifício para deslanchar a privatização e foi exemplar a resistência do movimento que se criou para abortar tal propósito, intitulado as escolas são nossas

A única forma de gestão eficiente, para Alckmin, é a empresarial. Tudo converge para a sua visão do Estado mínimo, no qual as demandas sociais devem ser minimizadas em benefício da priorização do crescimento econômico, com o incremento da infraestrutura e das salvaguardas institucionais. 

Esta é a visão alckmista para todas as questões, inclusive a da saúde (sua insensibilidade neste quesito é ainda mais chocante por tratar-se de um médico).  

A saúde no Brasil se divide em dois segmentos: a) os que podem bancar planos de saúde; e b) os que são obrigados a padecer sob o Sistema Único de Saúde. Ou seja, há o Brasil dos ricos cujas chances de terem vida longa são bem maiores e um Brasil dos pobres que morrem nos corredores dos hospitais.  

As proposições de Alckmin nesta área em nada discrepam do diapasão privatista de governo: o seu programa de saúde é pobremente repetitivo, demasiado genérico e tão insípido como seu discurso.   

Afinal, sua proposta de ajuste fiscal (adequação das receitas com as despesas) das contas públicas implica o cumprimento de obrigações orçamentárias fixas, imutáveis e, consequentemente, a impossibilidade de dotações orçamentárias voltadas para demandas sociais importantes para a população como é o caso da saúde.

Sob o capitalismo a aposta é sempre de crescimento econômico que possibilite à iniciativa privada comercializar esse aspecto fundamental da vida humana que é o provimento de assistência médico-hospitalar e preventiva, ou seja, tudo depende de um crescimento da economia (o qual, por força das suas contradições internas, é cada vez mais travado). 
Protesto dos servidores da Saúde em março último
As propostas de Alkmin para a saúde não vingaram nem no Estado mais rico da federação; portanto, não deverão vingar no restante do Brasil, com suas desigualdades e pobrezas regionais gritantes. 

Na questão explosiva do déficit previdenciário, Alckmin se limita a propor um sistema único de aposentadorias que elimine eventuais privilégios. 

Trata-se de uma proposta requentada, cujos princípios se baseiam na antiga proposição eleitoreira de caça aos marajás do ex-presidente Fernando Color, ou seja, uma projeção daquilo que o neoliberalismo entende como boa gestão pública: o ajuste da receita previdenciária à despesa, num salve-se quem puder que atesta a falência de um sistema agonizante.

Sobre as corrupções tucanas  por fim, propõe tolerância zero à corrupção com o dinheiro público.

Ora, todo o processo eleitoral é fundado na corrupção, começando pela desigualdade de tempo da propaganda eleitoral. Os partidos que podem mais e se coligam mais, têm mais tempo (e qualidade televisiva, que custa caro); os partidos e candidatos que podem menos, têm menos tempo (e menos qualidade técnica de filmagens para veiculação). Uma desigualdade inicial que bem demonstra o que é a falta de isonomia na democracia burguesa.

Não podia ser diferente. Começa que o processo eleitoral todo é marcado pela influência do poder econômico sob as mais variadas formas, sendo mera hipocrisia a suposição de que o Ministério Público, o Tribunal Superior Eleitoral e demais instâncias inferiores do judiciário eleitoral pudessem garantir uma disputa equilibrada.

Uma sociedade que se estrutura a partir do roubo do tempo de trabalho dos trabalhadores, tanto nas empresas privadas como estatais; e que viabiliza o lucro e a acumulação de capitais como sua base de sustentação (praticando uma corrupção endógena), não pode falar seriamente em tolerância zero para com a corrupção. 

Aliás, se fôssemos levar a coisa para o campo da corrupção factual, empírica, não poderíamos deixar de considerar que os muitos correligionários tóxicos de Alckmin no PSDB (casos de José Serra, Aécio Neves e Eduardo Azeredo, entre outros) continuam sendo tolerados como aliados. 

Não há como se deixar de considerar os inúmeros casos de acusações sérias de corrupção no PSDB e seus governos tais como os casos Furnas, Rodoanel, Sivam, Pasta Rosa, aeroporto Cláudio; as menções de delatores do Odebrecht; as máfias do Cachoeira e das merendas escolares; o mensalão tucano; os desvios de dinheiro na privataria tucana; o cartel dos metrôs de SP e DF, etc., etc., etc., em que pese a evidente relutância judicial em apurar a fundo todos esses casos.

Quando qualquer candidato fala em tolerância zero com a corrupção fico a me lembrar daquele marido que chega em casa no fim da madrugada, bêbado, com perfume barato e batom na cueca, mas afirma peremptoriamente para a sua mulher que é tudo culpa dos meus amigos... (por Dalton Rosado)
(continua neste post)

sábado, 18 de novembro de 2017

IVES GANDRA MARTINS TROMBETEIA QUE NÃO É NEGRO, GAY OU ÍNDIO. PERTENCERÁ ELE AO OPUS DEI OU À KU KLUX KLAN?

Quando não está ajudando os podres de ricos a pagarem menos impostos, o advogado tributarista Ives Gandra Martins preenche seu tempo negando ser isto ou aquilo. 

Esquisito, não? Eu, que nunca tive o menor interesse no que ele é, fico tentando imaginar quem se daria ao trabalho de ler suas mal tecladas linhas só para ficar sabendo... o que ele não é! Parece criança tentando chamar atenção.

O certo é que, no artigo que ele escreveu e foi publicado num blog da comunidade luso-brasileira (vide aqui), suas negações vieram trombeteadas até no quilométrico título: Não sou nem negro, nem homossexual, nem índio, nem assaltante, nem guerrilheiro, nem invasor de terras... etc.

O que ele prefere destacar a seu respeito está no primeiro parágrafo: "branco, honesto, professor, advogado, contribuinte, eleitor, hétero". Só que o Gandra alinhavou características comuns a uma imensidão de brasileiros, o que pouco nos serve para formarmos uma imagem mais definida a seu respeito.

Como sou um homem caridoso, perguntei-me como o poderia ajudar. Aí uma busca virtual me revelou que ele pertence a um universo bem menor e muito mais revelador: Gandra é o principal porta-voz do Opus Dei, como se constata, p. ex., no documentário da Rede Viva que coloquei no pé deste texto.

Fazer parte de uma fechadíssima sociedade secreta (dizem até que ele seria o principal dirigente do Opus Dei no Brasil): eis um dado mais substancioso para ficarmos sabendo quem realmente é Ives Gandra Martins.

Temo, contudo, que não sejam muitos os leitores conhecedores do próprio Opus Dei. Vale a pena, para elucidá-los, reproduzir alguns trechos de um longo artigo (vide aqui) do competente jornalista Altamiro Borges:
"O Opus Dei (do latim, Obra de Deus) foi fundado em outubro de 1928, na Espanha, pelo padre Josemaría Escrivá. (...) Preocupado com o avanço das esquerdas no país, este excêntrico religioso, visto pelos amigos de batina como um 'fanático e doente mental', decidiu montar uma organização ultrassecreta para interferir nos rumos da Espanha... 
...Reconhecida oficialmente pelo Vaticano em 1947, esta seita logo se tornou um contraponto ao avanço das ideias progressistas na Igreja. Em 1962, o papa João 23 convocou o Concílio Vaticano II, que marca uma viragem na postura da Igreja, aproximando-a dos anseios populares. No seu fanatismo, Escrivá não acatou a mudança. Criticou o fim da missa rezada em latim, com os padres de costas para os fiéis, e a abolição do Index Librorum Prohibitorum, dogma obscurantista do século 16 que listava livros perigosos e proibia sua leitura pelos fiéis...  
...Josemaría Escrivá faleceu em 1975. Mas o Opus Dei se manteve e adquiriu maior projeção com a guinada direitista do Vaticano a partir da nomeação do papa polonês João Paulo II...
...Além do rigoroso fundamentalismo religioso, o Opus Dei sempre se alinhou aos setores mais direitistas e fascistas. 
Durante a Guerra Civil Espanhola, deflagrada em 1936, Escrivá deu ostensivo apoio ao general golpista Francisco Franco contra o governo republicano legitimamente eleito. Temendo represálias, ele se asilou na embaixada de Honduras (...), antes de fugir para a França. Só retornou à Espanha após a vitória dos golpistas, firmando então sólidos laços com o ditador sanguinário Francisco Franco... 
...Há também fortes indícios de que Josemaría Escrivá nutria simpatias por Adolf Hitler e pelo nazismo. De forma simulada, advogava as ideias racistas e defendia a violência. Na máxima 367 do livro Caminho, ele afirma que seus fiéis 'são belos e inteligentes' e devem olhar os demais como 'inferiores e animais'. Na máxima 643, ensina que a meta 'é ocupar cargos e ser um movimento de domínio mundial'...  
...Pouco antes de morrer, Josemaría Escrivá realizou uma 'peregrinação' pela América Latina. (...) Na região, o Opus Dei apoiou abertamente várias ditaduras.  No Chile, participou do regime terrorista de Augusto Pinochet. O principal ideólogo do ditador, Jaime Guzmá, era membro ativo da seita (...). 
Na Argentina, numerários foram nomeados ministros da ditadura. No Peru, a seita deu sustentação ao corrupto e autoritário Alberto Fujimori. 
Igreja Católica foi cúmplice ou omissa face ao nazismo 
No México, ajudou a eleger como presidente seu antigo aliado, Miguel de La Madri, que extinguiu a secular separação entre o Estado e a Igreja Católica"
Resumindo: não passam de herdeiros de Torquemada pregando um retrocesso ao catolicismo medieval e tudo fazendo para tanger governos ao fascismo, que priorizam a infiltração na grande imprensa e seu controle político-ideológico como meios para atingirem seus objetivos. Os quais, para aqueles (meu caso) a quem Deus foi apresentado como um Deus de amor e não do ódio, parecem muito mais ser obras do diabo

Que tipo de homem é capaz de bater no peito, orgulhando-se de não ser "negro, nem homossexual, nem índio"?! Quem é contemporâneo espiritual do século 21 e não um nostálgico empedernido da intolerância medieval, fica chocado ao constatar a forma rancorosa como Gandra alude ao fato de alguém ter nascido negro, índio ou preferir praticar o amor com pessoas do mesmo sexo (os héteros que não têm fixação por tais ninharias simplesmente concordam com o belo verso de Caetano Veloso, "qualquer maneira de amor vale a pena").

E o que têm a ver tais posturas repulsivamente preconceituosas com os ensinamentos do próprio catolicismo, afinal? Se negros e índios fossem mesmo o cocô do cavalo do bandido, por que Deus os teria criado? 
Opus Dei teve forte influência nos regimes de Franco e Pinochet
Os pretensos executantes da obra de Deus parecem, isto sim, estar querendo corrigi-la. Vale lembrar que São Tomás de Aquino considerava a soberba como o pior dos sete pecados capitais...

[É curioso que o racismo explícito, assinado e com firma reconhecida do chefão do Opus Dei tenha, nas redes sociais, provocado grita infinitamente inferior à desqualificação furibunda de William Waack sob o pretexto de haver feito um gracejo de mau gosto para os colegas no ambiente de trabalho, sem nenhuma intenção de torná-lo público. A que se deverá uma disparidade tão paradoxal nas reações aos dois episódios?]

Quanto às outras negações do Gandra, eu fui guerrilheiro e tenho muito orgulho de haver confrontado uma tirania odiosa e sanguinária; não hesitaria um segundo em ajudar a invadir latifúndios e terras improdutivas para que famílias pobres tivessem onde morar e trabalhar; e, mesmo não me agradando a ideia de ser um assaltante, ainda preferiria tal opção a ser um dirigente do Opus Dei.

Este documentário sobre o Opus Dei é meramente apologético, então nem me 
preocupei em postar suas outras 5 partes, que podem ser encontradas
com facilidade no Youtube. Meu  objetivo foi apenas o de mostrar 
o Gandra cumprindo seu papel de porta-voz do Opus Dei.
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