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sexta-feira, 18 de julho de 2025

TORNOZELEIRA É MEIO CAMINHO ANDADO

Minha gente, vamos lá!
Nossa turma vai sair,
nossa escola vai sambar,
vai cantar pra gente ouvir!

Tá na hora, vamos lá,
carnaval é pra valer!
Nossa turma é da verdade
e a verdade vai vencer!
(Gilberto Gil, "Ensaio Geral")

sexta-feira, 13 de junho de 2025

1965: A BOSSA TIRAVA O BRASIL DA FOSSA.

Marco da retomada artística: o Show Opinião.
Brasil, 1965. A repressão que se abatera sobre sindicatos, partidos políticos e entidades estudantis não foi estendida às artes, cuja relevância como fator subversivo vinha, até então, sendo quase nenhuma.

O teatro de denúncia, os Centros Populares de Cultura, o cinema novo, tudo isso até então  atingira contingentes pouco expressivos em termos numéricos, daí os novos donos do poder terem se permitido adotar com relação à cultura, uma postura inicial de déspotas esclarecidos...

Como consequência, os palcos e telas começaram a ser catalizadores do repúdio ao regime e das esperanças de uma reviravolta popular, ocupando o espaço dos canais de comunicação que permaneciam bloqueados.

Surgiam espetáculos de integração entre a música, a literatura e o teatro, como Liberdade, Liberdade e o Show Opinião (colagem em que os personagens-símbolos do povo oprimido, camponeses e favelados, eram representados pelo compositor de baião João do Valle e o sambista Zé Keti, respectivamente).
Oduvaldo Vianna Filho e Isabella em O desafio

O cinema, por meio de Paulo César Saraceni, lançava O desafio, filme cujo título aparecia em pichações contestatórias nos muros de São Paulo.

A música, após o refluxo da bossa-nova, tendia para um maior engajamento político e social, na linha defendida por Carlos Lira, Sérgio Ricardo, Edu Lobo e Nara Leão.

E a redescoberta ou revalorização dos sambistas do morro, colocados em evidência graças às parcerias com expoentes da bossa-nova (Pixinguinha/Vinícius de Moraes, Carlos Lira/Zé Keti, etc.), ainda rendia dividendos.

Foi quando o Centro Acadêmico Onze de Agosto, da tradicional Faculdade de Direito da USP, sediada no Largo São Francisco (de papel destacado em vários episódios de resistência ao arbítrio através dos tempos), decidiu promover noitadas de música popular no Teatro Paramount, sob o comando do radialista Walter Silva, apelidado de o pica-pau (ele era o apresentador de um programa de rádio dedicado à bossa-nova, pick-up do pica-pau). 

Logo esses shows eram assistidos por plateias entusiásticas (estudantes, intelectuais, boêmios, profissionais liberais).
O Paramount na fase das noitadas de MPB
Um ótimo documento do período foi o LP Uma Noite no Paramount, lançado em 1983 pela RGE – não é fácil de encontrar-se na internet, mas os obstinados o conseguem baixar. 

Divide-se quase que meio-a-meio entre a bossa-nova tradicional e canções de protesto como "Terra de ninguém", "Maria Moita", "Sem Deus com a família", "Aleluia", "Pedro Pedreiro".

A temperatura do espetáculo pode ser aferida pelo frenesi do público quando César Roldão Vieira canta versos do tipo "a minha mulher é só minha,/ a do branco eu nem sei se só dele é".

Um observador atento, Solano Ribeiro, viu a chance de realizar um evento de grande repercussão. Ele era um dos mandachuvas da TV Excelsior - Canal 9 (emissora paulista já extinta).
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1º FESTIVAL DE MPB: A ESTRELA SOBE NO GUARUJÁ.
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Idealizado por Solano Ribeiro, o 1º Festival da Música Popular Brasileira teve lugar no Guarujá (litoral sul paulista), em abril de 1965.

Projetou nacionalmente Elis Regina, que aos 12 anos começara a se apresentar em programas infantis de Porto Alegre, tendo depois gravado dois discos de músicas para a juventude e, afinal, firmado reputação como cantora de bossa-nova nas boates cariocas do Beco das Garrafas.
Sua interpretação vigorosa, arrebatada, com movimentação frenética (movia os braços como pás de moinho...), transformou-a instantaneamente em estrela.

Defendeu a canção vencedora, "Arrastão", parceria de Edu Lobo e Vinícius de Moraes.

As classificadas a seguir não marcaram época:
  • 2ª, "Valsa do amor que não vem", de Baden e Vinícius, por Elizete Cardoso;
  • 3ª, "Eu só queria ver", de Vera Brasil e Mirian Ribeiro, por Claudete Soares;
  • 4ª, ""Queixa", de Sidney Miller, Zé Keti e Paulo Tiago, por Ciro Monteiro; e
  • 5ª, "Rio do meu amor", de Billy Blanco, por Wilson Simonal.
Como grande injustiçada ficou "Sonho de um carnaval", composição na mesma linha das que valeriam depois a Chico Buarque inúmeras vitórias em festivais. Os jurados passaram batidos pelos belíssimos versos e o enfoque desencantado, adulto, do fenômeno carnaval.
E, na interpretação de "Sonho de um carnaval", aparecia Geraldo Vandré – um paraibano que há mais de dez anos tentava a sorte no eixo Rio/São Paulo e já gravara um LP de peso (embora passasse quase despercebido).

"O FINO DA BOSSA", COM O CAST DO PARAMOUNT.

A poderosa TV Record - Canal 7 reagiu imediatamente, arrancando Solano Ribeiro a peso de ouro da Excelsior e entregando-lhe a organização do seu próprio festival.

Da mesma forma, contratou Elis Regina e colocou-a no comando de um programa que teria capital importância na afirmação dos novos valores da MPB: O Fino da Bossa.

Gravado as segundas-feiras no Teatro Record e levado ao ar nas quartas, O Fino da Bossa logo era enviado também a outros Estados brasileiros, além de ser reprisado nas tardes de sábado para os telespectadores paulistas.
O show inaugural ocorreu no dia 17 de maio de 1965, aproveitando, basicamente, o cast que vinha se exibindo no Paramount: Zimbo Trio, Ciro Monteiro, Nara Leão, Baden Powell, Edu Lobo, Jair Rodrigues e Maria Odete.

Comentando o espetáculo de estreia, o crítico de O Estado de S. Paulo destacou a capacidade de Elis Regina em acumular as funções de intérprete e apresentadora:
"...atuou a jovem e talentosa cantora em tal qualidade e como mestre de cerimônias, papel que desempenhou a inteiro contento. Temos a certeza de que, com mais um pouco de traquejo, a artista adquirirá, nessa prática, aquela mesma arte que a distingue como cantora popular moderna, de grande capacidade de transmissão, de interpretações muito pessoais e imaginativas..."
CRISE NO "FINO": A CLASSE MÉDIA TOMA O COMANDO.

Apesar de ser até hoje lembrado com esse nome, O Fino da Bossa só existiu nos três primeiros meses de programa. O título pertencia a Horácio Berlink Neto, que o utilizara num festival de bossa-nova por ele organizado em 1964 e no LP daí resultante.

A Record pôde aproveitá-lo no curto espaço de tempo em que Berlink foi o assistente do produtor Manuel Carlos. Depois, viu-se obrigada a trocar a denominação para O Fino.

Como atrações fixas, Elis Regina, Jair Rodrigues e o Zimbo Trio.

Elis e Jair respondiam pelas apoteoses finais, em pot-pourris que vinham dos tempos em que protagonizaram o show Dois na Bossa, no Teatro Paramount, sucesso no palco e em disco.
A fase inicial do programa, com predominância dos veteranos da bossa-nova e de sambistas do morro, segurou uma boa audiência até o início de 1966, quando O Fino começou a despencar nas pesquisas do Ibope.

Mas, a chama da resistência ao arbítrio se acendera, com a novidade de que a arte passara a ser uma via de escape face ao amordaçamento de partidos, sindicatos e outras entidades representativas da sociedade civil.

Com isto, a MPB ganhou um formidável impulso, colocando em evidência uma constelação  de talentos tão superlativos como nunca houvera antes, nem haveria depois. (por Celso Lungaretti)  

quarta-feira, 5 de junho de 2024

SOMOS UMA SOCIEDADE DOENTE, MAS AINDA DÁ TEMPO PARA EVITARMOS A NOSSA EXTINÇÃO COMO ESPÉCIE

dalton rosado
GUERRA NUCLEAR E AQUECIMENTO GLOBAL SÃO AS DUAS GRANDES AMEAÇAS À HUMANIDADE

"Temos potencial nuclear de destruição da civilização. A Russia está preparada para a guerra nuclear" (Putin)

Leio no noticiário internacional: Putin ordena exercícios nucleares com tropas perto da UcrâniaOcidente condena nova ameaça nuclear da Rússiaa Rússia ameaça bombardear militares britânicos na Ucrânia e aumenta a tensão, e por aí vai...

A hecatombe nuclear mundial já pode ocorrer, pois, infelizmente, está à mão de tiranos governamentais.

Ligo a televisão e vejo em tempo real o maior desastre natural da história do Rio Grande do Sul, com centenas de mortes e desaparecidos em face de uma submersão de parte do Estado gaúcho sob tempestades de vento e inundações nunca antes experimentadas. 

O aquecimento global, causado principalmente pelos Estados Unidos e China, locomotivas do capitalismo mundial pela emissão incontrolável de gás carbônico na atmosfera que produz o efeito estufa retendo os raios solares, já toma ares de irreversibilidade, segundo os cientistas.  

Na rua em que moro, ou em qualquer local da minha cidade, ou de qualquer outra cidade do Brasil, não se pode sair a pé com um celular porque corre-se de ser roubado, e quase todas as pessoas têm histórias de assalto ou tentativa de tal violência para contar, etc.  

Segundo dados da Food and Agliculture Organization, a fome aumenta mundo afora, e mais de 700 milhões de pessoas (cerca de 10% da população mundial), tem subnutrição alimentar crônica, mesmo com todo o desenvolvimento da engenharia agrícola.  

Três fatores contribuem para o aumento da fome no mundo, por conta da concentração absurda da riqueza abstrata e da terra agricultável:
 a desertificação pela escassez de água;
— a produção voltada para a exportação para quem pode comprar (o Brasil é o segundo maior produtor de alimentos no mundo e seu povo passa fome); e
 o uso de equipamentos em substituição preponderante ao trabalho abstrato, contradição capitalista basilar.  
 
Recentemente formos vítimas de uma pandemia devastadora que causou a morte de cerca de 7 milhões de pessoas num processo de propagação mundial acelerado, reeditando em menor parte a peste bubônica do século 14, e no qual o Brasil foi o infeliz campeão na estatística de mortos por habitantes. 

Sob pretexto de combate ao grupo Hamas, o governo sionista de Israel impõe um genocídio aos palestinos indefesos com mortes e provocando uma diáspora destes mundo afora, reeditando a própria história de que os judeus foram vítimas, numa prova atual da desarmonia de convivência humana.   

Ao ficarmos indiferentes às causas de tudo isto, estaremos sendo negacionistas?
 
Por que, em plena terceira década do século 21, era da tecnologia de ponta e dos ganhos inimagináveis do saber em todas as áreas, estamos tão ameaçados de extinção? 

A resposta a tal indagação não pode ser outra, senão a de que 
somos sociedades mundiais doentes.  

Quando se está doente, a primeira providência para a cura da enfermidade é o diagnóstico desta. Só a partir do diagnóstico se pode pensar no remédio.  

Há hoje uma completa inadequação entre forma e conteúdo da relação social atual, por obsolescência dos seus fundamentos existenciais. Entretanto, ao invés de se estudar as causas primárias de tal enfermidade, prefere-se usar antitérmicos para aplacar a febre sem atacar a doença (e por medo do desconhecido!). 

É evidente que a fórmula social própria ao sistema produtor de mercadorias, que sempre foi excludente e segregacionista, agora encontrou o seu limite existencial por conta de suas contradições endógenas. Encarar a existência humana como somente possível pela via da produção de mercadorias, no exato momento em que tal produção se inviabiliza, é submeter a vida da humanidade a um reducionismo irracional. 

Metaforicamente falando, é a irracional insistência em tentar fazer com que uma massa corpórea maior caiba dentro de um invólucro menor que está a provocar os problemas ora vividos pela humanidade.  

É claro que, sob outro critério de produção e forma de organizações sociais, e com o uso de todos os saberes adquiridos pela humanidade, poderíamos ter uma vida completamente diferente, seja do ponto de vista da subsistência da vida material, seja como racional harmonia social promotora da paz e sustentabilidade ecológica. 

Já não se produzem mercadorias, mais-valia e lucro nos níveis exigidos pela economia porque não há quem compre tudo que se precisa produzir em valor (decresce a massa global de valor pela queda de valor de cada mercadoria e volume de produção destas).

E não há quem compre porque o consumo humano tem limites, mas, principalmente, porque o trabalho abstrato, única forma de produção de valor, está sendo substituído pela máquina em maior proporção. 

Na política, as velhas formas de acesso ao Estado, e a própria função social do Estado como pretenso provedor das demandas sociais (obrigação constitucional nunca cumprida a contento por conta da verdadeira essência opressora do estado como serviçal do capital), denunciam a falência sistêmica com dívidas públicas crescentes e juros sacrificantes para os países pobres, e o ridículo da incompetência de suas funcionalidades.   

A fórmula de relação social do passado escravista mais remoto (após a introdução da forma-mercadoria e abandono da partilha), a escravização direta, como no Império romano (Roma, no ano zero da era cristã, tinha uma população de 1 milhão de habitantes, e 80% eram escravos) funcionou pela força das armas brancas.
  
Foi a relação social imposta pelo mercantilismo das armas de fogo que criou a produção de valor pelo trabalho abstrato pretensamente livre, e que funcionou como forma de relação social capitalista dita mais civilizada em substituição ao escravismo direto do feudalismo fisiocrata (a abolição dos escravos no Brasil, há pouco mais de cem anos, atendeu a um objetivo mercantilista interesseiro). 
Tal relação social de produção baseada no trabalho abstrato agora foi substituída pelas máquinas que não produzem valor, impondo a concorrência de mercado. Esta é uma contradição fundamental: mata-se a galinha dos ovos de ouro (o trabalho abstrato), confirmando o prognóstico de Marx de que 
o capitalismo cava a própria sepultura.    

Basta considerarmos que em nenhum dos bens de consumo tangíveis, e em nenhum tipo de serviço de que necessitamos, há um grama sequer de dinheiro, e que podemos produzir e consumir sem a intermediação dessa coisa demoníaca (mas aparentemente ingênua) que é a troca de mercadorias. 

Como disse Belchior, não devemos temer o novo que sempre vem, mas, mesmo assim, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais.  

Ainda dá tempo para evitarmos a nossa extinção como espécie. Mas, quando é que vamos sair da casa antiga deteriorada e disfuncional e construirmos uma nova morada para uma vida social adulta? (por Dalton Rosado) 

terça-feira, 4 de abril de 2023

ANOS 60 E A CONTESTAÇÃO AO CAPITALISMO. É PRECISO RETOMAR A ENERGIA REVOLUCIONÁRIA DAQUELE PERÍODO!

 Em que pese no Brasil termos vivido o início das duas décadas de regime militar opressivo das liberdades individuais, da tentativa de conservação da caretice nos costumes por este mesmo regime, da mentira do falso milagre econômico brasileiro - financiado por uma dívida que nos custa caro, até hoje -, e das torturas, mortes e perseguições políticas, a lufada dos ventos libertadores dos anos 60 também chegaram ao nosso país pelas mãos da rebeldia juvenil.   

No mundo ocidental capitalista os jovens passaram a dizer NÃO! ao conservadorismo retrógrado nos costumes, bem como se posicionando contra os males da lógica capitalista sob diferentes formas: negando o modo de se vestir empolado, adotando o charmoso desleixo nos cabelos compridos, negando a sociedade de consumo sufocante, posicionando-se contra as guerras, principalmente a guerra do Vietnã e defendendo a consigna  faça amor, não faça a guerra!  

O surgimento da pílula anticoncepcional no início dos anos 60, nos Estados Unidos, rapidamente disseminada pelo mundo, representou substancial transformação nas relações sexuais, posto que os jovens namorados, e adultos também, passaram à prática do sexo livre sem maiores constrangimentos, e podemos ter uma ideia do que isto significou.  

Na música, que se tornou uma arma demolidora contra o establishment, vieram as bandeiras melódicas da rebeldia. Da Inglaterra vieram os Beatles, com suas músicas inicialmente adocicadas para explodir na visão psicodélica de mundo posteriormente, e os Rolling Stones, desde o começo mostrando a sua visceral performance de bad boys do blues e do rock’n’roll inconformista. 

Dos Estados Unidos, a irreverência calma e ferina de Bob Dylan e a visão colorida de mundo dos The Mamas & the Papas e dos Beach Boys

No Brasil, era a época da jovem guarda de Roberto Carlos e seu séquito de um lado, com o mesmo viés inicial dos Beatles, e do outro lado a música engajada de Geraldo Vandré, Chico Buarque de Holanda, Sérgio Ricardo, Edu Lobo, Elis Regina, além do anarquismo implícito do tropicalismo de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto, Tom Zé, nas belíssimas vozes de gente como Gal Costa e Maria Betânia. 

Pari passu, veio também a explosão mundial da bossa nova como reconhecimento internacional da qualidade musical brasileira, chegando a competir com a beatlemania nas paradas de sucesso estadunidenses. João Gilberto e Astrud Gilberto, Nara Leão, Tom Jobim, Vinicius de Morais e tantos outros passaram a ser figurinhas carimbadas, de New York ao Japão.   

Iniciou-se um novo estilo de mobilização e contestações sociais utilizando os novos e ágeis meios de comunicação via satélite que se denominou como movimento da contracultura, cuja essência era o combate a conceitos conservadores havidos até então. Uma revolução cultural.  

Por aqui, levantaram-se as vozes contra o regime militar que anunciara a redemocratização após o golpe militar de 1964, mas os militares gostaram tanto do poder que nele permaneceram por sombrios 21 anos, até caírem de podre. 

Mas, embalado pelo sopro dos ventos libertários mundiais, jovens brasileiros iguais a Celso Lungaretti e tantos outros empunharam a bandeira da liberdade, mesmo com as mortes assassinas por policiais militares que vitimaram o jovem estudante Edson Luís de Lima Souto, em março de 1968, numa manifestação pacífica no Calabouço, restaurante estudantil carioca. 

Foi o gatilho da revolta estudantil represada. 

As intensas manifestações que se seguiram e que vinham contra a intenção de manutenção do regime militar, tiveram o seu ápice em 1968, quando a linha dura dos ferrabrases da ditadura resolverem promulgar o Ato Institucional nº 05 - AI5 - em 13 de dezembro daquele mesmo ano, quando, simplesmente, os militares tiraram o resto de sua máscara de caráter democrático-burguesa, fecharam o Congresso, manietaram o poder judiciário e passaram a governar o Brasil segundo os seus critérios pretensamente iluminados e perversos do ódio que promovem perseguições e mortes arbitrárias.  

Um mero soldado do regime passaria a ter salvo conduto para matar quem fosse por ele julgado como subversivo. Dirigentes de estatais demitiam funcionários de carreira que manifestassem desapreço ao regime miliar, grandes empresas contratavam generais de pijama como diretores para facilitar seus interesses diante de licitações e relações de  negócios com o governo militar, o gerenciamento por militares de empresas públicas ou autarquias federais era reserva de mercado dos novos governantes e seus lacaios, o judiciário era temoroso de qualquer sentença que contrariasse a vontade militar encastelada no poder central e por aí vai...   

Nos Estados Unidos um pastor negro chamado Martin Luther King promoveu uma epopeia pelos direitos civis dos negros estadunidenses e plantou a semente da igualdade racial expressa hoje no movimento black lives matter, estando o sangue do seu assassinato ainda hoje a irrigar a lucidez das mentes libertárias dos seres humanos que acreditam na solidariedade entre todos nós.   

Na Europa, os ventos da liberdade sopravam numa região que ainda se restabelecia dos traumas e destruições da segunda guerra mundial. Na França - sempre ela - eclodia o lendário maio de 1968 levado por jovens universitários que contou com grande parcela do operariado francês desatrelado do movimento sindical pelego

Pela primeira vez surgiu um movimento de esquerda que criticava tanto o socialismo real, como a democracia burguesa, e tudo a partir de uma visão de mundo sem as amarras do Estado e das doutrinas estatizantes de extração de mais valia pelas empresas da nomenclatura stalinista.  

Frases como não trabalhe jamais, numa alusão ao trabalho abstrato produtor de valor e artífice do capital. Sejamos realistas, queiramos o impossível, referência jocosa à irracionalidade capitalista. É proibido proibir como contraponto à censura castradora da liberdade de opinião. E finalmente, a imaginação no poder  numa clara alusão à obtusidade do poder vertical obediente às ordens do capital, eram escritas nos muros de Paris e conduzidas em cartazes nas passeatas e paralisações que por um período longo de dias sacudiram o país, assustando o Presidente General Charles de Gaulle e sindicalistas, os quais ficaram tomados de surpresa por um movimento que simplesmente reivindicava a vida. 

 Surgiu na esteira do sonho libertário dos anos 60 o movimento hippie, que consistia numa mudança radical de comportamento e costumes e pregava a paz - peace and love era um dos dísticos mais usados - além de contestar a sociedade de consumo capitalista e fazer a defesa da natureza, tendo sido os precursores da luta de preservação ecológica, que teve a sua celebração máxima no festival denominado Woodstock Music and Art Fair, realizado no interior do Estado de New York, com a presença de milhares de jovens vindos dos mais longínquos recantos dos Estados Unidos e até de outros países.   

Mas, de repente, como disse John Lennon, o sonho acabou! 

Vieram os anos setenta e muitos hippies pouco convictos vestiram ternos e se transforam em yuppies bem-comportados e obedientes servos da ordem capitalista, na qual procuraram subir na hierarquia das suas carreiras profissionais.  

As gerações que se sucederam aos anos 60 foram afetadas pelo conservadorismo oportunista e opressor que catapultou o surgimento de fenômenos hoje tão comuns como violência urbana desmedida, consumo e tráfico de drogas por organizações criminosas, desemprego estrutural e queda vertiginosa do poder aquisitivo da classe média formadora de opinião, que ao invés de pugnar por uma sociedade diferente desta atual, prefere o retrocesso tão bem expresso no numeroso segmento anticivilizatório que ora se manifesta publicamente no Brasil e no mundo.  

Nunca foi tão necessário retornarmos  às bandeiras dos anos 60, agora mais conscientes da importância do conteúdo conceitual daquilo que os jovens daqueles anos defenderam, e com a sabedoria de quem experimentou um pedacinho do Céu, e pretende retomá-lo.  

Nosso companheiro Celso Lungaretti e seus companheiros estudantes, aos 18 anos ou pouco mais, ofereceram a sua vida em sacrifício da luta pela liberdade e ele, como eu - que não tive a mesma honrosa experiência sua -, vivemos por breve tempo no paraíso, antes de descermos ao inferno da ditadura militar.  

Mas estamos aqui como combatentes septuagenários, os quais sobreviveram para contar a história e a verdade, tal como feito por Celso neste sábado, 01 de abril, para um grupo de jovens que têm o mesmo espírito imorredouro da liberdade. (por Dalton Rosado) 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

INTIMIDANTE, A OVERSOSE DE AUÊS EMBOTA O RACIOCÍNIO CRÍTICO

Quem sonha com uma vida sem privilegiados,
não se identifica com reis e suas coroas...
S
er revolucionários é ser iconoclasta, pois todos os ídolos oscilam entre o sublime e o ridículo, ora se comportando com grandeza, ora tropeçando nas cascas de banana da vida. Quanto muito, sua quota de acertos é maior que a dos sem holofotes.

Como estou cansado de remar contra a corrente, dispus-me a ficar alheio à enxurrada de auês que a morte do Pelé inevitavelmente provocaria. 

Mas, para o bem ou para o mal, meus sentimentos falaram mais alto e acabei abrindo o jogo num grupo de discussão da web. 

Então, já que o gênio saiu da garrafa, deixemo-lo à solta 

Rei Pelé? Viramos monarquistas? Ele foi o melhor futebolista do mundo no século passado e um cidadão com suas contradições, virtudes e fraquezas, como qualquer ser humano. 

A obsessão em magnificar seus feitos e passar pano em seus defeitos me parece ser ainda uma sequela do complexo de vira-lata. Em tão poucas coisas nos destacamos que extrapolamos desmedidamente a dose quando algum brasileiro obtém reconhecimento mundial. 
...mas sim com quem  existe para trazer  alegria ao povo!

E dizer que Pelé jamais será superado é simplesmente negar a dinâmica da História, além de não haver termo de comparação possível ou imaginável entre o futebol do tempo dele e o atual. 

Com espírito crítico, o que dá para se dizer é que Pelé foi o melhor do século 20, Messi é por enquanto o melhor do século 21 e ponto final. Tudo que vem depois disto costuma ser ufanismo e patriotada.

Quanto a maior atleta do século passado, só existiu um realmente completo, ou seja, tão extraordinário como esportista quanto como cidadão: Muhammad Ali. 

Mas, é claro que a imprensa burguesa jamais passará recibo disto, tendo sido ele um boxeador que abriu mão de um cinturão de campeão e de milhões de dólares em bolsas para não avalizar uma guerra injusta, participando de eventos cujo objetivo era empurrar soldados para os campos de batalha e a morte inútil. (por Celso Lungaretti)
"...a perfeição é uma meta/ defendida pelo goleiro/ que joga na seleção/
e eu não sou Pelé nem nada/ se muito for, eu sou um Tostão" (tendo
esta música sido lançada no tempo da censura brava, circulou muito
que o verso acima originalmente seria a perfeição é uma merda) 

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

FORA, VENDILHÕES DO TEMPLO!

dalton rosado
FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO E MISÉRIA POLÍTICA
Historicamente a política, entendida como formatação de poder e de canal de acesso ao dito cujo, teve forte influência religiosa. Não é rara a associação do poder de mando político a uma unção divina sob a qual tal poder é exercido.

A nossa chamada carta magna começa assim:
"Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático... promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da República Federativa do Brasil".
O Estado é laico, mas os seus constituintes invocam a proteção de Deus. A fé monoteísta ainda hoje permeia a ação política dos homens, sendo este o traço da presença religiosa na nossa sociabilidade laica.

Quando surgia o capitalismo e se queria separar o Estado monárquico feudal ocidental da influência simbiótica deste com a Igreja Católica Apostólica Romana, filósofos iluministas como Thomas Hobbes e John Locke já criticavam o protagonismo público de grupos ou movimentos religiosos radicais, fechados à crítica e infensos ao reconhecimento da pluralidade de convicções.

As frases iluministas do século 18 estão mais atuais do que nunca, presentes no pensamento democrático burguês em contraponto ao conservadorismo religioso pentecostal reacionário de proposição de uma prosperidade coletiva impossível de ocorrer sob a égide das relações capitalistas, pretensamente tuteladas pela proteção divina.

Para os fundamentalistas religiosos tudo que se consegue vem de Deus; as mazelas sociais são artes do demônio que se apoderaria das mentes pouco crédulas!

Brasil acima de tudo; Deus acima de todos, o lema do Boçalnaro, o ignaroprimeiramente reafirma o teor nacionalista xenófobo que é a essência do seu militarismo retrógrado (e que se contrapõe ao liberalismo clássico do Paulo Guedes, contradição com a qual ambos convivem por força do mútuo apego ao poder); e, em segundo lugar, quer passar a impressão de que conta com a benção divina como um messias salvador.

Quanto mais a miséria social se aprofunda no seio das sociedades, mais se aproveitam e se apressam os mercadores da fé em fazer uma leitura bíblica fundamentalista que é repassada aos fiéis sob estes eixos básicos:
— o convencimento dos fiéis de que todos podem prosperar, desde que aceitem a fé ditada naquela igreja específica (agora são milhares as denominações religiosas protestantes);
— o conservadorismo nos costumes, como condicionante para se ganhar o reino dos Céus;
— o pagamento do dízimo, parte bem terrena da pretendida salvação na vida espiritual.

País de maior contingente populacional católico do mundo, o Brasil sempre foi elitista e conservador, detendo o desastroso título de um dos mais concentradores de renda do mundo ocidental (rivaliza com os emirados árabes nesta matéria).

Viu, de uns anos para cá, o crescimento do pentecostalismo conservador reacionário anticatolicista crescer significativamente, fazendo a riqueza dos dirigentes religiosos e seus tentáculos nacionais (e alguns já internacionais).

O empobrecimento dos brasileiros na última década é inversamente proporcional ao crescimento da riqueza de muitos pastores e ao aumento do número de fiéis e das denominações religiosas que abrem suas portas (enquanto as lojas e estabelecimentos comerciais capitalistas as fecham).

A miséria social é campo fértil para a proposição e aceitação, por parte de incautas vítimas sociais, tanto da promessa (vã) de prosperidade, quanto da orientação política patrocinada pela maioria dos pastores evangélicos que se associam politicamente aos seus delegados políticos (quando não são eles próprios os protagonistas da cena política) para a dominação política do Estado laico. Neste cenário a política é tão presente quanto a doutrinação religiosa fundamentalista.

Não é por menos que temos no Congresso Nacional uma bancada evangélica que, na prática, se constitui num partido político religioso unificado sob várias siglas político-partidárias. 

O mesmo ocorre noutras instituições do poder do Estado, de modo que se nomeiam ministros para o Supremo Tribunal Federal em razão de serem terrivelmente evangélicos e não por seus méritos como magistrados. Como esperar deles a obrigatória isenção no ato de julgar?

Vivemos no Brasil (e no mundo) um retrocesso social, político e cultural que prospera paralelamente ao aprofundamento de miséria social, até porque existe correlação entre uma coisa e outra.

As pesquisas de opinião pública estão a demonstrar a preferência eleitoral dos fiéis evangélicos pelo presidenciável batizado no rio Jordão pelo pastor Everaldo (aquele que foi preso por corrupção) e que nomeou outro pastor como ministro da Educação (aquele defensor da teologia da discriminação que viajava armado, mas foi preso por desviar para seus cumpliciados evangélicos as parcas verbas de sua pasta.

Para a elite brasileira e para as lideranças religiosas pentecostais, não importa(m):
— Boçalnaro ter dito que pintou um clima entre ele e jovens adolescentes venezuelanas refugiadas (suas frases sexistas vem desde quando era deputado federal e chegou a afirmar a uma colega que não a estupraria por ser feia);
 o genocida haver virado as costas à compra de vacinas (e até hoje trombetear que não é vacinado) num momento em que o mundo todo disputava a compra das ditas cujas; 
— a CPI da Covid ter concluído que existiu tentativa de corrupção por parte do Ministério da Saúde na compra de vacinas, na base do por fora de 1 dólar a cada dose;
— o governo ultradireitista 
ter reduzido as verbas para a educação, após haver nomeado três ministros que teve de afastar, sob vara, por incompetência e/ou corrupção;
— que o primeiro mandatário da nação tenha um imenso histórico de incontinência verbal, tudo levando a crer, p. ex., que as frases machistas e misóginas, tão repetidamente por ele disparadas contra as mulheres, refletem sua verdade interior;
— o nepotismo do dito cujo (como a nomeação absurda para embaixador do Brasil nos Estados Unidos de um filho despreparado para o cargo (ato felizmente contido pela opinião pública clamorosa) e a corrupção evidenciada na compra em dinheiro vivo de imóveis no valor de R$ 51 milhões;
— o desmantelamento de todos os órgãos ambientais, culturais, de combate ao racismo e de combate à dissociação de gênero;
— as constantes ameaças de autogolpe e de fechamento das instituições de poder democrático burguês para substituí-las por mecanismos totalitários e intolerantes, próprios ao arbítrios de quem se considera ungido por Deus para governar por tempo indefinido;
— as reiteradas mentiras, logo desmascaradas, do portador da faixa presidencial, como aquelas de se dizer um outsider da política, mas colocar os filhos e ex-mulheres na vida política e, por fim, retirar a máscara e se subjugar aos parlamentares do centrão (que pratica impunemente a mais descarada forma de corrupção oficial já experimentada no Brasil e quiçá no mundo, qual seja o chamado orçamento secreto).

"Nada importa! O que importa é que o candidato sirva aos nossos propósitos retrógrados e interesses mesquinhos."Assim, pensam e agem os reacionários sociais e religiosos fundamentalistas.

Vivemos a tentativa de imposição de um retrocesso às trevas da Idade Média, por parte dos fanáticos religiosos fundamentalistas, dos neófitos religiosos e dos dirigentes
pastorais manipuladores e adeptos da teologia do oportunismo político-econômico diante da miséria alheia,.

Vale, contudo, lembrarmos Belchior ("Mas é você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem!"), pois, como contraponto, temos a esperança de que, tal como Fênix ressurgindo das cinzas, possamos dar o salto qualitativo necessário para a concepção do novo, livre das amarras de um passado e presente escravistas.

Fora, vendilhões do templo! Pois foi esta a lição que nos legou Jesus Cristo, indignado e firme.

Viva a emancipação humana! (por Dalton Rosado)
A saudosa Elis Regina interpreta um dos maiores sucessos de Belchior

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

SARAVÁ, OGUM!

Não sou umbandista.

Nem católico, nem espírita, nem islamita, nem budista.

Menos ainda adepto de qualquer dos cultos ao bezerro de ouro que hoje proliferam, arrancando com  engodos as últimas moedas dos miseráveis.

Com os religiosos sinceros convivo.  Aos mercantilizadores da fé desprezo profundamente.   
Minha mãe era kardecista e eu a acompanhava às sessões quando criança. Lá pelos 11 ou 12 anos, numa semana estava doente e não fui. Noutra, chovia forte e não fomos. Na terceira percebi que, bem lá no fundo, eu realmente não queria ir, então nunca mais fui.

As religiões de matriz africana me agradam esteticamente, pela alegria, pelas cores, pelas danças, pela musicalidade e porque as histórias de orixás me lembram a mitologia grega, que eu adoro.

Se tivesse de escolher culto para assistir, dentre todas as religiões que conheço, seria um da umbanda. Certamente não ficaria entediado nem contando os minutos para dar o fora dali. Mas, e a fé?  Continuaria ausente.
Quando não passam de engana-trouxas, as religiões são exatamente o que Karl Marx disse no arrazoado célebre, tantas vezes e tão sordidamente deturpado:
"A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma. A religião é o ópio do povo.

A abolição da religião enquanto felicidade ilusória dos homens é a exigência da sua felicidade real. O apelo para que abandonem as ilusões a respeito da sua condição é o apelo para abandonarem uma condição que precisa de ilusões. A crítica da religião é, pois, o germe da crítica do vale de lágrimas, do qual a religião é a auréola".
O ópio, como todos deveriam saber, era uma droga utilizada no século retrasado para mitigar a dor. Cumpria bem tal papel, evitando que doentes graves sofressem terrivelmente. Mas, como não atacava a causa da moléstia, proporcionava apenas um alívio momentâneo. Foi neste sentido que Marx a ele se referiu, como se constata indiscutivelmente na frase completa.

Sou revolucionário e dediquei a minha vida a substituir as felicidades ilusórias dos homens pela satisfação das necessidades humanas, numa sociedade regida pela priorização do bem comum e pela fraternidade plena. 

Mas, até chegarmos ao reino da liberdade, para além da necessidade, os revolucionários não podemos jamais nos omitir da defesa dos injustiçados e perseguidos neste vale de lágrimas.
É o que estão sendo hoje e agora os devotos das religiões africanas. Impiedosamente.

Que ninguém se iluda: a cruzada encabeçada pela Micheque não é espiritual, mas racista. Apela aos piores instintos das piores pessoas, aquelas para quem um repulsivo consolo é existir alguém em situação mais desgraçada ainda. 

Nem me lembro mais de que personagem de filme ouvi a frase que melhor explica a atitude e a visão de mundo de um branco pobre e racista: "Se eu não sou melhor do que um negro, melhor do que quem eu vou ser?". 
Quem não tem coragem para queimar os negros nas cruzes, como os carrascos da Ku Klux Khan, inventa lorotas para disfarçar o sonho monstruoso que carrega na alma. 

Como revolucionários, nosso lugar é sempre ao lado dos negros barbarizados e que têm seus templos vandalizados, além de serem expostos à estigmatização pelos farsantes da política crapulosa. 

Se houvéssemos todos sido mais firmes na solidariedade às vítimas desse racismo travestido de religiosidade, tão ignóbil preconceito não estaria sendo usado nas fake news contra o candidato Lula, nem na cínica retórica das ovelhas desgarradas que Cristo, se aqui estivesse, expulsaria das marchas a si dedicadas como fez com os vendilhões do templo. (por Celso Lungaretti)
 
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