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segunda-feira, 13 de novembro de 2023

AS VÁRIAS FACES DO TERRORISMO

 


O
terror se caracteriza pela agressão e assassinatos de civis praticada por quem promove tal ação, independentemente de ser praticada por um exército regular cumprindo decisão política estatal ou de um grupo de militantes ou outra denominação que se queira dar a quem se agrupa ou age individualmente para tal fim.  

Não se precisa nem do distanciamento histórico para se definir tal ocorrência: o conceito de terrorismo é auto explicável por sua natureza desumana e cruel. 

Quando o exército de Guangdong do Império Japonês invadiu a Manchúria, na República da China, em 1931, e cometeu uma brutalidade animalesca, um terrorismo de estado; 

Quando os aviões alemães bombardearam a cidade de Guernica em 1937, na Espanha, numa aliança com os nacionalistas liderados pelo General Francisco Franco, matando milhares de pessoas inocentes e destruindo prédios aleatoriamente numa agressão desmedida, retratada no famoso quadro Guernica, do pintor espanhol Pablo Picasso, cometeu terrorismo de estado;  

Quando Hitler e Stalin invadiriam a Polônia em 1939, em 01 de setembro e 17 de setembro, respectivamente, dividindo país entre si, uma semana após a assinatura do pacto Molotov-Ribbentrop de não agressão entre a Alemanha nazista e a União Soviética, cometeram terrorismo de estado; 

Quando os Estados Unidos enviaram tropas para o Vietnã e houve um massacre de civis em My Lay, em que qual os marines fortemente armados incendiaram um vilarejo vietnamita, matando  cerca de 500 mulheres e crianças indefesas, cometeram crime de guerra que é uma forma de terrorismo no interior da guerra havida entre Vietnã do Norte e Vietnã do Sul, na qual potências mundiais de um lado e de outro intervieram e deram testemunhos sangrentos e expressos dos seus ódios da guerra fria, que nesse caso foi bem quente;  

Quando os militares da América do Sul, apoiados pela política da guerra fria desencadeada pelos Estados Unidos em face da revolução cubana contra o governo corrupto de Fulgencio Batista, resolveram desencadear em vários países simultaneamente a perseguição e mortes de militantes políticos de esquerda contadas às dezenas de milhares, sequestrando crianças de suas famílias e as entregando às famílias dos seus adeptos, cometeram terrorismo de estado;  

Quando Osama Bin Laden comandou o ataque suicida dos fundamentalistas islâmicos às torres gêmeas do World Trade Center em Nova York, em nome da jihad islâmica, em 11 de setembro de 2001, matando 2.996 pessoas que ali se encontravam pacificamente, cometeu terrorismo fundamentalista religioso; 

Quando os Estados Unidos, sob as ordens do presidente George W. Bush, invadiu o Iraque em 19 de março de 2003 sob a alegação falsa de que ali haviam armas de destruição em massa, e despejou milhares de bombas a 10.000 metros de altura matando grande parte da população civil de Bagdá, cometeu terrorismo de estado; 

Quando no dia 07de outubro deste ano o Hamas atacou Tel Aviv por terra e lançou mísseis pelo ar matando pessoas, ferindo, incendiando casas e carros, sequestrando e mutilando outras por balas e por destroços, segundo as imagens e relatos de muitas pessoas, e por diversos vídeos de celulares como o de Rafael Birmann, um insuspeito músico brasileiro que estava na cidade para um festival de música eletrônica e viu de perto a morte, praticou terrorismo contra civis que sofreram injustamente; 

Quando Israel retalia o ataque do Hamas confinando pessoas em Gaza e transformando a cidade num gueto cercado e sem saída, despeja bombas matando milhares de mulheres, velhos e crianças, destruindo prédios aleatoriamente, inclusive hospitais, escolas e templos religiosos, segregando pessoas diante da fome e da sede por conta da proibição de entrada de ajuda humanitária, proibindo outras de saírem da região, numa agressão desproporcional e assimétrica, mais do que terrorismo de estado está prenunciando um genocídio bárbaro; 

Genocídio se caracteriza como o extermínio deliberado de um povo, normalmente definido por diferenças étnicas, nacionais, raciais, religiosas, e por vezes sociopolíticas, no total ou de parte destes contingentes populacionais.   

Tanto o terrorismo como o genocídio, que podem ser diferenciados pelas formas e dimensões como ocorrem, tem similaridades que mais do que questões semânticas traduzem as crueldades e perversidades neles contidas.  

A diferenciação reside mais na dimensão dos atos, posto que genocídio é crime contra a humanidade por seu significado mais abrangente; terrorismo é crime pontual injustificado contra determinados grupamentos religiosos, étnicos, de gênero, e/ou políticos. 

Na chamada modernidade convivemos com fenômenos comportamentais belicistas que bem demonstram o estágio intelectual inferior de uma segunda natureza humana racional cuja ilogia confirma o teor e alto grau de decomposição moral ainda presente na sua racionalidade evolutiva.       

Quando o Império Romano destruiu Cartago em 146 AC, considera-se que ali ocorreu o primeiro grande genocídio da história, e tudo graças ao poderio bélico então adquirido por um exército regular, as legiões romanas;  

Quando em 1864 e 1867, na região da Circássia, na costa nordeste do Mar Negro - atualmente conhecida como República da Georgia, região onde se situa a cidade de Gori, onde nasceu Josef Stalin - houve uma invasão pelo exército do Império Russo em que morreram cerca de 800 mil a 1,5 milhões de pessoas, provocando uma diáspora do seu povo mundo afora, houve genocídio;  

Quando o Movimento Nacional Turco do Império Otomano invadiu a República Democrática da Armênia, de 1915 a 1922, e provocou o extermínio étnico dos armênios, com cerca de 700 mil a 1,8 milhões de pessoas mortas, praticou genocídio de Estado; 

Quando o governo nazista de Adolf Hitler confinou milhões de judeus, comunistas, ciganos e adversários políticos nos campos de concentração destinados ao extermínio em massa pelo governo nazista, cujas mortes se calcula entre 5,7 a 6 milhões de pessoas, num período de cerca de 10 anos, num fenômeno conhecido como holocausto judeu, cometeu genocídio; 

Quando Jair Messias Bolsonaro, como Presidente do Brasil, deixou de promover a vacinação dos brasileiros em tempo hábil diante de uma epidemia de coronavírus, incentivando a livre circulação de pessoas, e orientando a população para o uso de remédios supostamente preventivos, que a ciência negou eficácia, transformou o Brasil num campeão mundial de mortes per capita, levando ao genocídio;  

Quando Josef Stalin promoveu o confisco armado da produção de grãos da região da Ucrânia, de 1932 a 1933, que causou a morte de milhões de ucranianos, pretensamente em nome da salvação da revolução russa de 1917, no episódio conhecido como Holodomor, cometeu genocídio;  

Quando Pol Pot, à frente do governo dito comunista do Khmer Vermelho do Camboja, entre 1975 e 1979, com a justificativa esfarrapada de construção de uma República Agrária, organizou massacres e perseguições sistemáticas nas cidades, com mortes estimadas entre 1,3 a 3 milhões de pessoas, ou 33% da população cambojana, cometeu genocídio;  

Na base de todos esses eventos há uma mistura de comportamentos ditatoriais, xenófobos, racistas, fundamentalistas religiosos e/ou desejos de submissão de uns povos por outros que se sentem suficientemente fortes militarmente e com capacidade de oprimir aqueles que julgam impotentes de reação.  

Não podemos deixar de citar o maior genocídio já havido na humanidade durante a primeira e segunda guerras mundiais, nas quais morreram cerca de 3% da população mundial, ou cerca de 70 milhões de pessoas, induzida pelas crises capitalistas.

Mas o elemento aglutinador da beligerância atual é a tradicional competição fratricida do capitalismo, que em sua fase de implosão interna tenta se manter vivo pela força em face do desespero da população que não compreende os meandros de sua trágica realidade. 

Com o advento da fase desenvolvida do capitalismo, que atingiu todos os poros das sociedades humanas, independentemente de suas organizações políticas, criaram-se os estados nacionais que açularam a beligerância entre os povos a um grau de letalidade e irracionalidade espantoso.  

Vivemos, portanto, a terceira revolução industrial cibernética da microeletrônica que modificou o nosso modo de fazer a vida e numa fase em que não podemos considerar que tenha razão quaisquer dos lados beligerantes, conduzidos por governos falidos e desgastados perante suas populações, que tentam obnubilar os seus fracassos com guerras que servem de biombos para a real situação de crise.  

A guerras russo-ucraniana e o conflito Hamas-Israel, em que está inserido o povo palestino indefeso, bem traduzem essa realidade, cabendo a nós a condenação da guerra por qualquer dos lados e a defesa da população que está atônita diante da escalada belicista capaz de se ampliar pelo mundo e provocar uma hecatombe nuclear devastadora, como se já não bastassem os já difíceis problemas ecológicos causados pela irracionalidade capitalista. 

Um pouco mais de juízo, senso de justiça, imparcialidade, serenidade nas análises, lucidez e cautela não faz mal a ninguém! (por Dalton Rosado) 

quinta-feira, 12 de outubro de 2023

PARA A GRANDE IMPRENSA, MOVIMENTOS TERRORISTAS SÃO DIABÓLICOS E NAÇÕES TERRORISTAS SÃO ANGELICAIS


Deu hoje (12/10) no New York Times
— os terroristas do Hamas, no sexto dia de conflito, já mataram pelo menos 1,2 mil israelenses;
— os anjinhos sionistas já mataram, com seus bombardeios a torto e a direito, 1,1 mil palestinos, atingindo inclusive escolas e hospitais.

Afora isto, os imaculados israelenses estão chantageando os diabólicos militantes do Hamas com o bloqueio de água, luz, combustíveis e alimentos na Faixa de Gaza.

Ou seja, porque 150 israelenses estão prisioneiros do Hamas, Israel tomou como reféns todos os 2 milhões de habitantes de Gaza. 

Na ponta do lápis, cada israelense vale 13.333 palestinos. Isto é crime contra a humanidade, mas no presente caso não passa de legítima defesa, pelo menos segundo a tônica do noticiário da grande imprensa.
É óbvio que a invasão da Faixa de Gaza por parte das tropas terrestres israelenses, que tende a ser lançada nas próximas horas, 
levará o número de vítimas palestinas aos píncaros.

Enfim, lamentei muito não poder mais exercer nos jornalões e revistonas a profissão de jornalista desde que, graças à minha atuação no
Comitê de Solidariedade a Cesare Battisti, entrei em 2011 numa lista negra igualzinha às do macartismo nos EUA. 

Todos os homens da grande imprensa não suportaram perder aquela batalha para um punhado de idealistas.

Hoje, no entanto, sinto imenso alívio por não estar mais sendo obrigado a servir a tão tendenciosos patrões, que desde sábado passado estão atirando as boas práticas jornalísticas definitivamente no lixo. (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

INTERESSES INCONFESSADOS DETERMINAM A ABORDAGEM DADA AOS CONCEITOS/1

dalton rosado
Série AS DETURPAÇÕES CONCEITUAIS E SEMÂNTICAS / parte a
O
 s conceitos são manipulados no sentido de reproduzirem um viés prévio, que obedece ao interesse do poder instituído e é disseminado na comunicação de massas e até no processo educacional do Estado.

É comum tratar-se uma determinada prática social de forma depreciativa ou mesmo caluniosa, ao mesmo tempo em que se enaltece outra de teor negativo como heroica.
Sobre o terrorismo – Uma dessas distorções de cunho maniqueísta (mais adiante abordarei o maniqueísmo como prática política ou religiosa) volta e meia se verifica ao se qualificarem de terroristas os adversários do stablishment.

Quando um país invade outro e mata civis inocentes, fizeram os Estados Unidos ao atacarem o Iraque ou como ora faz a Rússia na Ucrânia, as adjetivações dadas pelos mandatários promotores de tais genocídios são as mais diversas.

Discursando no Congresso Nacional em 2002, o presidente dos EUA, George W. Bush, justificou a invasão do Iraque como sendo uma guerra contra o terrorismo e o eixo do mal (embora o atacado, o ditador sanguinário Saddam Hussein,  fosse antiga cria estadunidense).

Em Bagdá, enquanto dormiam em seus lares, morreram milhares de crianças sob as bombas libertárias dos EUA. Se uma dessas crianças fosse seu filho e você um mero cidadão iraquiano, qual o adjetivo que você usaria para classificar os assassinos do seu filho???

Alegaram que no Iraque existiam, prontas para serem usadas contra os Estados Unidos pelos
terroristas, armas químicas e biológicas que jamais foram encontradas. 

Na verdade. tudo não passou de uma resposta política equivocada, mas capaz de satisfazer, para fins eleitoreiros, a sanha dos estadunidenses face ao ataque às torres gêmeas do WTC.

A irracionalidade coletiva exigia que se usasse a lei do talião contra os deploráveis fundamentalistas religiosos islâmicos (não devemos confundir tais seitas com a religião islâmica convencional, ainda que tenhamos discordâncias quanto a qualquer conteúdo desta) e, assim, aceitou-se matar inocentes com bombas lançadas a mais de 10 mil metros de altura por aviões inatingíveis pela defesa aérea iraquiana.

Da mesma forma, não há como justificar a invasão da Ucrânia pela Rússia usando mísseis de longo alcance contra objetivos civis, matando quem não guerreava e provocando um êxodo populacional somente comparável aos da 2ª Guerra Mundial.

As afirmações de que o objetivo seria a desnazificação da Ucrânia ou de que se tratasse de uma operação especial étnica seriam apenas ridículas e patéticas, caso não fossem genocidas.

Após o golpe militar de 1964 no Brasil, sob a alegação falaciosa de luta contra o comunismo (eram tempos da chamada guerra fria, após a tomada de poder pelos guerrilheiros em Cuba) que estaria sendo implantado pelo presidente Jango Goulart ou com sua conivência. Seguiu-se uma sequência interminável de:
— prisões, maus tratos e/ou assassinatos de opositores;
— demissões de funcionários públicos, mesmo os que eram estáveis;
— cassação de mandatos eletivos;
— aparelhamento do Estado para interesses corporativos militares;
— censura à imprensa e às artes; e
— doutrinamento conservador sob a égide do Estado.

Tudo isso ocorreu com alto grau de arbitrariedade e sob o primado da impunidade, a pretexto de defender uma democracia que nunca havia estado realmente ameaçada..

Diante do ascenso das forças democráticas que resistiam ao arbítrio, ao invés da promoção da redemocratização burguesa, ocorreu um recrudescimento da ditadura militar e uma caça às bruxas desembestada, com execuções e torturas daqueles alcunhados pela ditadura como terroristas.

Estes são apenas alguns exemplos históricos e atuais da prática do terrorismo de Estado.

Entretanto, a menos que se chegue às portas do bunker dos terroristas de Estado, como correu com Adolf Hitler (que preferiu suicidar-se do que responder por seus atos), tal crime jamais é classificado como tal, nem seus promotores sentenciados e presos.

Somente são considerados terroristas aqueles heroicos militantes que arriscam suas vidas contra os que assassinam sob o manto protetor da institucionalidade estatal!!!
S
oberania do voto e democracia
 – O
 voto não representa soberania de vontade. Escolhe-se dentre o que já foi previamente escolhido, ou seja:
— primeiramente os eleitores estão, na prática, ratificando os preceitos constitucionais anteriormente estabelecidos como resultante da vontade geral firmada pelos constituintes, que receberam outorga do voto para a elaboração do texto constitucional por representação;
 secundariamente, elegem-se pelo voto os governantes e parlamentares que obedecerão às regras previamente fixadas e juramentadas (no capitalismo, obviamente, regras capitalistas) e que são escolhidos pelos partidos políticos para participarem de um processo eleitoral.

Algum democrata-burguês mais convicto certamente objetará que o contrário disto seria a ditadura, do mesmo modo que os capitalistas costumam chamar de comunismo o que nunca foi comunista. É como se costuma dar significado negativo e deturpado às palavras e conteúdos doutrinários que estão na contramão de determinados interesses inconfessados. (por Dalton Rosado – continua) 
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