sábado, 21 de março de 2026

APÓS PEDIR O IMPEACHMENT DO BOZO EM 2021, SAFATLE RECORREU A UM PROGRAMA DE AJUDA A ACADÊMICOS EM PERIGO

Vladimir Safatle foi alvo  dos bolsonaristas
"...Entrei num partido pela primeira e única vez na vida por acreditar que havia chegado o momento de tentar fazer a passagem das dinâmicas de pressão popular à intervenção institucional. 

Eu deveria ter sido o candidato a governador de São Paulo pelo Psol na eleição de 2014, mas na última semana antes da nominação, um conflito estourou no interior do partido e acabei por abandonar o projeto. 

Só fui me candidatar em 2022 a deputado federal, num momento em que acreditava que tudo deveria ser feito para impedir um segundo mandato de Jair Bolsonaro. Acabei me tornando suplente de deputado.

Desde que o Jair Bolsonaro assumiu o poder, juntei-me a quem lutou sem trégua contra seu governo e seu projeto. Montamos grupos de ação a partir da pandemia, organizando manifestações e outras formas de ações públicas. 

Juntos com ex-ministros e intelectuais de todos os espectros políticos, criamos a Comissão Arns de defesa de direitos humanos. 

Levamos Jair Bolsonaro aos tribunais internacionais por genocídio indígena. Com deputados do Psol e contra a cúpula do próprio partido, protocolamos um dos primeiros pedidos de impeachment. 
Foi uma roubada que passou em minha vida

Como um dos resultados, em 2021 acabei por precisar ser acolhido pelo governo francês em um programa de auxílio a acadêmicos em perigo. (trecho da introdução que Vladimir Safatle escreveu para a reedição de seu livro A esquerda que não teme dizer seu nome
.
Observação: semelhança da passagem do Vladimir Safatle pelo Psol com a minha é tanta que decidi lembrar uma roubada na qual entrei em 2012.

Eu estava em evidência nas redes sociais por haver lançado um livro marcante e pela minha atuação na luta para evitar que o escritor Cesare Battisti fosse entregue à Itália berlusconiana, então um candidato a prefeito me convidou para ingressar no partido e candidatar-me a vereador.

Pensando em como seria bom ter 18 assessores custeados pela Câmara Municipal investigando escândalos de todo tipo para depois eu denunciá-los em plenário e na imprensa, aceitei.  

Mas, com uma ressalva: como eu não fazia trabalho de massa, só poderia ter êxito se o partido alavancasse a minha candidatura, tal qual agia o PCB no passado (os dirigentes escolhiam quem eles consideravam mais útil naquele momento e criavam condições para que fosse ele o eleito).

Desde o primeiro momento o que eu tinha ou julgava ter apalavrado com o candidato não foi cumprido. Houve uma baita demora para liberarem os fundos de campanha e uma demora maior ainda em me enviarem as listagens de eleitores residentes na capital, para enviar-lhes material de campanha.
Burguesa, com certeza, ela
é. Democracia, nem tanto...

Como  as pesquisas  revelassem que o Psol conseguiria eleger um único vereador (o mais votado da legenda), o candidato  da base municipal travava uma briga de foice no escuro com o indicado pelos dirigentes nacionais. 

Cada lado tratava de impulsionar o seu  representante e de dificultar a vida dos concorrentes mais promissores.

Logo que foram anunciado os resultados do pleito, anunciei meu desligamento do partido. Enojado. 
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(por Celso Lungaretti)

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