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| Vladimir Safatle foi alvo dos bolsonaristas |
"...Entrei num partido pela primeira e única vez na vida por acreditar que havia chegado o momento de tentar fazer a passagem das dinâmicas de pressão popular à intervenção institucional.
Eu deveria ter sido o candidato a governador de São Paulo pelo Psol na eleição de 2014, mas na última semana antes da nominação, um conflito estourou no interior do partido e acabei por abandonar o projeto.
Só fui me candidatar em 2022 a deputado federal, num momento em que acreditava que tudo deveria ser feito para impedir um segundo mandato de Jair Bolsonaro. Acabei me tornando suplente de deputado.
Desde que o Jair Bolsonaro assumiu o poder, juntei-me a quem lutou sem trégua contra seu governo e seu projeto. Montamos grupos de ação a partir da pandemia, organizando manifestações e outras formas de ações públicas.
Juntos com ex-ministros e intelectuais de todos os espectros políticos, criamos a Comissão Arns de defesa de direitos humanos.
Levamos Jair Bolsonaro aos tribunais internacionais por genocídio indígena. Com deputados do Psol e contra a cúpula do próprio partido, protocolamos um dos primeiros pedidos de impeachment.
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| Foi uma roubada que passou em minha vida |
Como um dos resultados, em 2021 acabei por precisar ser acolhido pelo governo francês em um programa de auxílio a acadêmicos em perigo. (trecho da introdução que Vladimir Safatle escreveu para a reedição de seu livro A esquerda que não teme dizer seu nome)
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Observação: A semelhança da passagem do Vladimir Safatle pelo Psol com a minha é tanta que decidi lembrar uma roubada na qual entrei em 2012.
Eu estava em evidência nas redes sociais por haver lançado um livro marcante e pela minha atuação na luta para evitar que o escritor Cesare Battisti fosse entregue à Itália berlusconiana, então um candidato a prefeito me convidou para ingressar no partido e candidatar-me a vereador.
Pensando em como seria bom ter 18 assessores custeados pela Câmara Municipal investigando escândalos de todo tipo para depois eu denunciá-los em plenário e na imprensa, aceitei.
Mas, com uma ressalva: como eu não fazia trabalho de massa, só poderia ter êxito se o partido alavancasse a minha candidatura, tal qual agia o PCB no passado (os dirigentes escolhiam quem eles consideravam mais útil naquele momento e criavam condições para que fosse ele o eleito).
Desde o primeiro momento o que eu tinha ou julgava ter apalavrado com o candidato não foi cumprido. Houve uma baita demora para liberarem os fundos de campanha e uma demora maior ainda em me enviarem as listagens de eleitores residentes na capital, para enviar-lhes material de campanha.
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Burguesa, com certeza, ela é. Democracia, nem tanto... |
Como as pesquisas revelassem que o Psol conseguiria eleger um único vereador (o mais votado da legenda), o candidato da base municipal travava uma briga de foice no escuro com o indicado pelos dirigentes nacionais.
Cada lado tratava de impulsionar o seu representante e de dificultar a vida dos concorrentes mais promissores.
Logo que foram anunciado os resultados do pleito, anunciei meu desligamento do partido. Enojado.
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(por Celso Lungaretti)
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