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quinta-feira, 30 de abril de 2026

CUIDADO COM QUEM TEM O SOBRENOME 'MESSIAS' E ATUA NA POLÍTICA: PODE SER UM FALSO PROFETA OU UM ANJO CAÍDO

A rejeição do Senado ao indicado de Lula para o STF, Jorge Messias, foi um belo tapa na cara dos evangélicos, que forçam a barra para obterem cada vez mais poder.

E também na cara do Lula, que está fazendo um governo inconsistente e quer um quarto mandato por pura satisfação de ego, pois não confronta mais os poderosos como deveria e já abandonou as bandeiras anticapitalistas e libertárias faz muito tempo.

O currículo de Messias é pobre e não o qualifica para o Supremo. O atual episodio faz lembrar o de Dias Toffoli em 2009: é outro que Lula indicou por mera politicagem ou pelos  seus bons préstimos como serviçal do PT. Deu no escândalo que está dando.

Só mesmo a polarização com os Bolsonaros leva a esquerda majoritária a engolir o flerte descarado de Lula com os vendilhões do templo, como se o Brasil não fosse um estado laico, constitucionalmente separado de qualquer religião desde 1891. 

O novo vexame do Lula deveria lhe servir de advertência. Quando a aceitação do Messias pelo Senado se tornou duvidosa, ele poderia simplesmente substituí-lo por alguém não identificado com nenhum partido e possuidor de notório saber jurídico. Sua teimosia tem aumentado cada vez mais no atual mandato.

De resto, parece que os messias se dão muito mal na política brasileira. 

O Jorge só se destacou como o carteiro escolhido por Dilma Rousseff para entregar ao Lula a papelada que o blindaria contra o Mensalão; e como o aspirante ao Supremo que foi feito de gato e sapato pelo Senado. É um falso profeta (aqueles que distorciam os ensinamentos de Cristo para benefício pessoal).

Já o Jair, pior presidente brasileiro de todos os tempos, tentou impor-nos uma ditadura por meio de golpe de estado e foi um desvairado sabotador da vacinação contra a covid. É um anjo caído (os que, liderados por Lúcifer, se rebelaram contra Deus e foram expulsos do céu).

O falso profeta não conseguiu pregar no templo e o anjo caído foi enxotado da vida pública. O destino pune. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

ASSASSINATOS DO NINHO DO URUBU TÊM DE SER INVESTIGADOS COM MAIS RIGOR. RETÓRICA PUNITIVISTA É DISPENSÁVEL

Não aguento mais ver pessoas que se creem  de esquerda incorrendo no mais rasteiro populismo. 

Lula autoriza a exploração de petróleo, mandando às urtigas o aquecimento global. Acreditará ele que vá ter quarto mandato se a espécie humana for dizimada pelas alterações climáticas? 

E, de quebra, está prestes a colocar outro evangélico no STF, para fazer dupla com o André Mendonça, ambos favorecendo ridículas bandeiras conservadoras.

Para não vomitar, vou até a a seção de Esportes da Folha de S. Paulo e encontro dois comentaristas do nosso lado pregando o linchamento jurídico de cidadãos que a Justiça inocentou. 

É aberrantes concluírem que morreram dez, alguém tem de pagar por isto.

Se a prisão de qualquer pobre coitado quando morrem muitas pessoas virar norma, quantos inocentes passarão pelo pesadelo das torturas e do cárcere? 

E esquerdistas vão ser, como sempre, alvos preferenciais dessas injustiças, ao lado dos pobres da periferia, dos negros e dos gays. 

Para desopilar o fígado, enviei mensagem ao jornal, ensinando o ABC do jornalismo para esses dois punitivistas insensatos. (Celso Lungaretti) 

"O efeito prático é que essas crianças morreram. O que pega é que não vai ter ninguém culpado...

Se a investigação não foi bem feita, se a acusação sei lá o quê, pouco importa --10 pessoas morreram e ninguém foi culpado. É isso que pega." (Walter Casagrande)

"O fato é que houve um crime, dez jovens foram mortos, asfixiados por causa de um incêndio e que nenhuma pessoa foi punida. Essa é a indignação do cidadão…

Dez jovens de menos de 18 anos foram mortos, asfixiados, e a Justiça decidiu, pelo menos por enquanto, que não há culpado."(Danilo Lavieri)

"Casagrande e Lavieri, embora concordando quanto à existência de culpados no episódio específico do incêndio no Ninho do Urubu, discordo de que, como regra geral, a quantidade de óbitos seja critério para definir culpa ou inocência. 

Fatalidades também existem e têm de ser levadas em conta. A culpa de qualquer cidadão precisa ser comprovada por prova(s), testemunho(s) e perícia(s), caso contrário ele pode estar sendo juridicamente linchado para satisfazer à exigência de punições por parte da opinião pública (mais ainda agora que o veredicto das redes sociais costuma ser contundente a ponto de eventualmente  influenciar a decisão de julgadores com personalidade fraca). 

E, quando há indícios para suspeitarmos de alguém, mas a investigação policial foi relapsa, seria criminoso condenar-se tal pessoa apenas para aplacar a sanha vingativa de quem quer que seja. Punitivismo rima com autoritarismo." (CL)

sexta-feira, 24 de abril de 2020

MORO DEVERÁ ACRESCENTAR HOJE OUTRA MARCA À CORONHA DE SUA ARMA

Sergio Moro é assustador.

Não tem carisma nem impressiona por sua bagagem cultural. É difícil encontrar brilhantismo em suas falas (ainda mais com sua voz lembrando grasnado de marreco) e escritos. E durante quase todo o tempo parece estar fazendo o chamado feijão com arroz, como um funcionário de desempenho satisfatório, mas mediano e rotineiro.

No entanto, trata-se de um juiz de primeira instância que logrou ascensão meteórica, aproveitando, com precisão cirúrgica e muita habilidade em adequar a lei a seus desígnios (amiúde ultrapassando limites legais e logrando permanecer impune), as oportunidades que o petrolão e a Lava-Jato lhe ofereceram. 

Simplesmente conseguiu, com uma só tacada em março de 2016, colocar Dilma Rousseff a caminho do impeachment e Lula, da prisão, no decisivo episódio do Bessias: levantando o sigilo de uma escuta telefônica sem ter autoridade para fazê-lo, abortou a nomeação protetora de Lula para a Casa Civil e causou considerável dano à reputação de Dilma, até então majoritariamente considerada como incompetente mas honesta.

Acumulou mais poder do que a maioria dos ministros do Supremo, tornou-se ministro da Justiça sem ter currículo à altura (muito menos para a vaga outrora prometida no STF), mas há muito mira um objetivo maior, a presidência da República. 

Então, por mais que se fingisse de morto, a ponto de renomados comentaristas o qualificarem de ministro omisso, jamais poderia ser descartada a possibilidade de ele sair hoje das cordas com um contra-ataque devastador. Ao acordar do nocaute no vestiário, Bolsonaro deve ter perguntado se havia sido atropelado por um trem ou por uma jamanta...

Moro simplesmente jogou no ventilador a tentativa de Bolsonaro de controlar a Polícia Federal para influir no desfecho de investigações em curso que ameaçavam a ele próprio e a seus três filhos, afora sua provável responsabilidade pela publicação no Diário Oficial de uma exoneração dada como aprovada por Sergio Moro, sem que ele tivesse realmente concordado com ela. A primeira acusação é dinamite pura e mais do que suficiente para justificar o impeachment presidencial.

Na verdade, desde aquele domingo (15/03) em que Bolsonaro afrontou as determinações sanitárias do seu próprio governo ao participar de uma manifestação ultradireitista, procedendo como um espalha-vírus alucinado, ele só tem feito cavar a sepultura do mandato que um destino insólito atirou-lhe no colo. 

São 40 dias cometendo erro após erro, dia após dia, a ponto de levantar suspeitas cada vez maiores de que lhe faltam condições mentais para o exercício do cargo. Os mais perspicazes já não tinham dúvida de que ele era um cadáver político insepulto, à espera do enterro. 

A imperdoável e asnática exoneração do ministro Mandetta foi algo assim como o penúltimo degrau do cadafalso. Faltava só a gota d'água, o episódio que causasse uma sensação generalizada de agora passou da conta, não dá mais!, tanto em termos políticos quanto jurídicos.

E Moro roubou o espetáculo, não só empurrando Bolsonaro para o abismo, como causando a impressão de que foi ele, e mais ninguém, o responsável pela remoção do nosso mais tosco e desequilibrado presidente da República em todos os tempos.

Bolsonaro se tornara uma ameaça ambulante aos brasileiros e é auspicioso que a performance de Moro provavelmente tenha contribuído para abreviar a ansiedade nacional por sua saída.

Mas, fico com a pulga atrás da orelha: até onde irá Moro, perseguindo com espantosa frieza e eficiência desumana suas ambições? Ele acredita mesmo no autoritarismo fascistoide dos lavajatistas ou era apenas o veículo à sua disposição para chegar aonde queria? 

Pois, se há alguém capaz de construir um regime utradireitista que funcione no Brasil, não são os bufões como o Bolsonaro, seus filhos e seu guru. mas sim o Moro. Ele sempre me faz lembrar os infalíveis matadores profissionais das ficções populares... (por Celso Lungaretti)   

quarta-feira, 15 de maio de 2019

TITANIC DE BOLSONARO ENCARA UM ICEBERG: A APURAÇÃO DAS MILÍCIAS!

O caso Marielle Franco é a ponta de um iceberg que ameaça cada vez mais o Titanic de Jair Bolsonaro. O presidente não exagerava quando falava em tsunami contra si no horizonte.

Segundo uma alta autoridade do Ministério Público Federal, com acesso parcial ao que está sendo apurado no inquérito que analisa os elos entre a família Bolsonaro e as milícias do Rio, o potencial destrutivo do que vem sendo analisado é enorme.

Isso foi dito por essa pessoa a um político em Brasília sem ligação nem com Bolsonaro, nem com a oposição. Ele se disse estarrecido pelas possibilidades que a investigação abre contra a imagem da família imperial, digo, da família presidencial brasileira.

Por que Marielle? Porque a investigação sobre as milícias surge e se sobrepõe à apuração sobre a morte da vereadora, fuzilada com seu motorista no ano passado.
"ligações com pessoas suspeitíssimas do submundo miliciano"

O esforço político-policial para melar o trabalho acabou levantando suspeitas federais, que ajudaram a driblar as barreiras locais e estabelecer pontos de ligação relativamente óbvios: é claro que o assassinato teve a ver com milícias.

Isso não quer dizer, como já inunda as redes sociais à esquerda, tão odiosas quanto as governistas, que os Bolsonaros tenham qualquer coisa a ver com a morte. 

Mas foi aberto um baú de sortilégios sobre as ligações do gabinete do então deputado estadual Flávio, hoje senador, com pessoas suspeitíssimas do submundo miliciano —e, aí sim, com ligação sendo apurada com o notório assassinato. Não fica muito pior que isso, em termos de imagem.

O argumento bolsonarista de complô enquanto o país se desvia de discussões econômicas não para em pé. É queixar-se da qualidade das músicas tocadas pelos violinistas do Titanic numa etapa avançada de naufrágio, até porque hoje o problema da alquebrada economia brasileira passa justamente pelo risco político estimulado pelo governo. 
"metades quebradas da placa pendem sobre o governo"

O papel de Sergio Moro, candidato a viúva Porcina [alusão à personagem da telenovela Roque Santeiro, de 1985, que se fazia passar por viúva de um santo e lucrava muito com a maracutaia, mas o dito cujo volta e a cidade fica sabendo que ele não estava morto, não era santo, nem marido da espertalhona] do Supremo, é central no desenrolar dos fatos.

É dele a chave do cofre dos segredos que a Polícia Federal vem acumulando e analisando desde que o Ministério da Segurança e a Procuradoria-Geral da República determinaram o pente-fino na confusão do inquérito de Marielle.

Como se vê, as metades quebradas daquela placa em homenagem à vereadora por um agora deputado bolsonarista do Rio seguirão, por um bom tempo, pendendo como lâminas de Dâmocles sobre o governo. (por Igor Gielow)
.
Toque do editor – Uma reflexão interessante que me ocorreu após ler o esclarecedor artigo do Gielow foi a de que o destino parece ter concedido a Sérgio Moro uma chance para fazer limonada com o limão do Bolsonaro.
"agora a perspectiva para Moro é a pior possível"

Sua trajetória vinha sendo estrategicamente perfeita (não é qualquer juiz de 1ª instância que consegue ir tão longe e subir tão depressa como ele!) até aceitar o convite para integrar o ministério de um governo cuja atuação ele (tanto quanto os militares) não poderia imaginar quão medíocre, patética e desastrosa viria a ser.

Então, com a insídia de Bolsonaro ao anunciar desde já que o indicará para o STF assim que vagar uma cadeira, a perspectiva para Moro é a pior possível: ficar 18 meses se desgastando como ministro de um governo  cuja impopularidade tender a crescer cada vez mais e se desmoralizando para agradar aos parlamentares dos quais dependerá a aceitação ou não da indicação presidencial.

Mas, e se ele passasse a agir como um verdadeiro ministro da Justiça, determinando a apuração rigorosa do rosário de delitos das quais Bolsonaro, filhos e ministros são suspeitos? É óbvio que sua exoneração seria só questão de tempo, mas, com isto, ele desvincularia sua imagem da do trem fantasma bolsonarista e poderia posar de novo como o justiceiro que afronta poderosos.
"depois do Bessias, não o podemos subestimar"

Seria trocar um posto que neste instante lhe está sendo altamente desvantajoso e uma perspectiva longínqua que poderá não vingar por uma volta com força total à condição de presidenciável com apreciáveis chances de vitória em 2022. 

Resta saber se tal ficha cairá para ele (não sou vaidoso a ponto de acreditar que o Moro tomará conhecimento destas mal traçadas linhas) e se ele seria capaz de fazer uma jogada tão arriscada, mesmo estando num mato sem cachorro. 

Mas, depois do episódio do Bessias, não o podemos subestimar... (por Celso Lungaretti)
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