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quarta-feira, 26 de maio de 2021

O HOMENZINHO CHAMADO PAZUELLO PAGOU CARO POR TER PACTUADO COM JAIR MEFISTÓFELES: PERDEU TAMBÉM A HONRA .

josias de souza
NOME DO PROBLEMA É BOLSONARO, NÃO PAZUELLO
Quando um general da ativa participa de um comício, ignorando o Estatuto Militar e o Regulamento Disciplinar do Exército, que proíbem a participação de oficiais em atos políticos, fica evidente que o Estado tem um problema. 

Esse problema tem nome e sobrenome. Muitos o chamam de Eduardo Pazuello. Se estivessem certos, a solução seria simples. Bastaria o comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira, divulgar uma nota oficial para distanciar os quarteis da política e informar que a transgressão não ficaria sem uma resposta adequada. 

Após ouvir os membros do Alto Comando do Exército, o comandante Paulo Sérgio abriu procedimento disciplinar contra Pazuello. Pretendia divulgar uma manifestação escrita sobre a participação do general no comício de Bolsonaro no domingo (23/05), no Rio de Janeiro. Chegou a se entender com o ministro da Defesa, o também general Braga Neto. De repente, deu meia-volta. 

Estrela do comício que transformou Pazuello num transgressor, Bolsonaro vetou a divulgação da nota, impondo o silêncio ao Exército. Ficou no ar uma dúvida sobre a autonomia do Exército para impor uma punição adequada a Pazuello —vai de mera advertência à suspensão, passando pela prisão por até 30 dias.

O vice-presidente Hamilton Mourão entendeu rapidamente a natureza do problema. Já na 2ª feira (24/05), Mourão declarou que Pazuello sabia que cometera um erro e já havia inclusive colocado a cabeça no cutelo, à espera de uma punição. 

Mourão sabe como essas coisas funcionam. Em 2014, quando comandava a prestigiosa tropa do Sul, o agora vice-presidente meteu-se numa polêmica política. 

Perdeu o comando. E resignou-se, conforme disse na época:
"Andei extrapolando o tamanho da minha cadeira. E a autoridade do comandante não pode deixar de ser exercida"
Bolsonaro também não desconhece esse tipo de problema. De cadete a capitão, Bolsonaro foi militar por 14 dos seus 66 anos de vida, tendo sido expurgado da carreira por indisciplina e amargado 15 dias de prisão. 

Na presidência, inaugurou um governo civil em que ninguém sabe o nome do ministro da Educação. Mas todos conhecem os nomes dos generais. Há o Mourão, o Heleno, o Braga Netto, o Ramos... 

Há também o Pazuello, que se aventurou no Ministério da Saúde sem passar para a reserva. E agora se comporta como se fosse um deputado em ano pré-eleitoral. 

Militar de pijama em cargo civil pode ser visto como solução. General da ativa na política produz anarquia. E o país precisa de outras coisas —vacinas, empregos e serenidade, por exemplo. (por Josias de Souza). 
Toque do editor – Eu até seria caridoso com o general Eduardo Pazuello noutras circunstâncias, mas Mefistófeles, o demônio tentador, ferrou com a vida dele, tomando-lhe não só a alma, mas também a honra.

Embora não passe de um patético vacilão, o homenzinho se tornou coadjuvante de genocidio, algo que jamais poderei perdoar!

Vi muitos como Pazuello nas turminhas de rua da minha infância: gordinhos desajeitados, lentos de raciocínio, que eram tratados como inferiores pelos outros, servindo de palhaços para muitos e sendo poupados por uns poucos que deles se compadeciam.

Fez uma boa escolha de carreira, porque oficial do Exército, mesmo que não saiba se fazer respeitar, tem os galões para fazerem isso por ele. E acabou designado para a Arma para a qual vão os que não são nem brilhantes, nem têm personalidade forte: a Intendência. Para, zombou o Rui Castro, administrar o estoque de cuecas do quartel.

E seguiria até o fim da carreira como personagem burocrático e apagado, se o toque de Sadim do Bozo não o tornasse um inverossímil ministro da Saúde. Tal escolha provavelmente se deveu a:
  1. não haver à mão outro oficial tão ingênuo a ponto de entrar nessa roubada, depois que os episódios de Mandetta e Teich comprovaram que não havia espaço naquela Pasta para ministros, mas sim para fantoches;
  2. ser o personagem ideal para Bolsonaro poder avacalhar as normas e procedimentos do Exército, como vingança por ter sido corretamente avaliado como indigno da farda. 
Deu no que deu: Pazuello tão servil e trapalhão se mostrou e tão rudemente foi exposto à opinião pública que cedeu a outra tentação fatal: a de tentar parecer firme, participando da micareta dominical do genocida.

Será pelo menos humilhado com uma advertência, como aluno traquinas que é colocado de castigo no canto da sala com chapéu de burro

Quanto ao aprendiz de Mefistófeles, deve estar dando gargalhadas por ter botado Pazuello e o Exército nessa saia justa, mas quem prega tais peças no Exército dificilmente se dá bem. 

E quem faz de todos seus inimigos se descobre sozinho na hora da desgraça. Que, no caso, está cada vez mais próxima. Quem viver, verá. 
(por Celso Lungaretti

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

SABEMOS QUE UM PRESIDENTE RUMA PARA A QUEDA QUANDO SE TORNA DEPENDENTE TOTAL DO CENTRÃO. É O BEIJO DE JUDAS...

igor gielow
PRAZO DE VALIDADE DA VITÓRIA DE BOLSONARO
COM LIRA NA CÂMARA É CURTÍSSIMO
Vitórias de Pirro
são uma constante na política brasileira desde que ela entrou em modo entrópico, no hoje distante 2013.

Nesta 2ª feira (1º), Jair Bolsonaro colheu mais uma dessas, nas quais o preço a pagar é muito maior do que o ganho auferido. O prazo de validade dela é brevíssimo.​

O presidente por certo pode celebrar a vitória expressiva de Arthur Lira, o rei do centrão, para o comando da Câmara dos Deputados. Baleia Rossi, por mais MDB que seja, estaria pressionado para uma posição antagônica ao Planalto.

Bolsonaro também nada tem a reclamar da ascensão do moderado Rodrigo Pacheco à chefia do Senado, ainda que nada indique que ele será um carimbador de iniciativas do Planalto.

Ao contrário, seu primeiro discurso foi centrado numa abordagem racional dos problemas centrais do país, tratados de forma caótica pelo Planalto: vacinação e geração de empregos.

O foco mais chamativo, naturalmente, é o triunfo do centrão na Câmara. Afinal de contas, será a mão de Lira que vai segurar ou não um pedido de impeachment contra Bolsonaro, a obsessão perene do presidente.

Ele tem ao que temer. Se em Brasília há um consenso de que os 30% de popularidade do presidente e a ausência de pressão nas ruas pelo desastre da condução da pandemia barram um impedimento agora, há também a certeza de que a situação pode se deteriorar rapidamente.

A ideia de que a eleição de Lira representa um seguro contra impeachment não prospera nem mesmo entre bolsonaristas menos hidrófobos.

A outra função básica do apoio de Bolsonaro ao deputado, a de tentar destravar iniciativas do governo, é ainda menos tangível, até pela pulverização das bancadas.

O centrão tem vários vasos comunicantes com o bolsonarismo, na chamada pauta de costumes, p. ex. Bolsonaro foi um deputado das franjas do grupo durante três décadas, é bom lembrar.

A pressão por mais gastos federais ante o agravamento da pandemia parece inevitável. Em seu primeiro discurso, Lira já falou  em pauta emergencial contra a pandemia.

O choque entre as demandas do Parlamento e os limites da penúria do Ministério da Economia do questionado Paulo Guedes é uma crise contratada para estourar.

Por fim, o óbvio: a fatura que o centrão vai apresentar em termos de indicação de nomes, ministérios e verbas. Cada votação importante terá um custo talvez impagável —a festa de emendas parlamentares em prol da candidatura Lira terá sido só um aperitivo.

O recuo público de Bolsonaro acerca da recriação de ministérios, deixando como opção ao grupo a polpuda pasta da Cidadania, não foi bem digerido por dirigentes de siglas do centrão. O fatiamento do petroleiro comandado por Guedes também está na mira do grupo.

O centrão, como soube Dilma Rousseff ao achar que havia contratado o seguro contra seu impedimento ao abarcar o grupo em sua base, age de acordo com a disposição de seu hospedeiro no Planalto.

Seu casamento com Bolsonaro, que data de meados do ano passado, agora chega a um novo patamar, ainda que a vitória de Lira seja tão ou mais uma derrota de Rodrigo Maia, cuja atitude imperial gerou um mar de ressentimentos no plenário e cobrou a conta de Baleia, seu ungido.

Mas uma coisa o grupo não faz: levar caixões à cova. Se houver uma deterioração da popularidade de Bolsonaro ou se o governo entrar em um modo de enfrentamento com aqueles que eram chamados pelo general Augusto Heleno de ladrões, a maré vira.

Esse ponto ideológico é bastante curioso. Será preciso muito malabarismo dos robôs bolsonaristas nas redes para convencer algum apoiador do presidente de que os políticos que ele demonizava como plataforma de campanha agora são seus melhores amigos.

As dificuldades de Bolsonaro não vão desaparecer. A gestão da pandemia segue sendo seu ponto mais frágil, ainda que a eventual ampliação do programa de vacinação contra a Covid-19 possa acabar revertendo positivamente para o Planalto.

Já o fim do auxílio emergencial em meio à segunda onda do vírus segue sendo uma questão inconclusa, drenando apoio a Bolsonaro.

Tal cenário brumoso não reduz um efeito secundário importante da disputa. A derrota de Maia e a implosão de seu DEM são ótima notícia para Bolsonaro, por tirar musculatura neste momento das articulações em torno da candidatura do governador João Doria ao Planalto.

Há ainda a previsível crise de identidade do PSDB, que namorou abertamente a ideia de ir com Lira. A rapidez de Doria em manter alguma ordem unida será central para suas pretensões, já que o DEM agora deverá rachar e se tornar meio centrão, meio tucano.

Essa fissura visa, nas contas do Planalto, manter a impressão de que o Brasil em 2022 estará dividido entre ele e o candidato de Luiz Inácio Lula da Silva. É um projeto monotemático, e arriscado dado o cenário bem mais complexo colocado para o eleitorado.

Neste ponto, fica a ironia sobre as defecções no PT e outros partidos de esquerda em favor de Lira, que sinalizou a eles ajudar nos exéquias da Operação Lava Jato, objeto de horror do Congresso. (por Igor Gielow)
TOQUE DO EDITOR As corretas análises do Gielow vão na mesma direção das que eu fiz antes desse deprimente leilão legislativo acontecer, com o resultado esperado: quem pagou mais arrematou os dois lotes à venda.

Como o Gielow é do ramo, fico contente em constatar que sua avaliação coincide inteiramente com a minha: o Bozo pagou muito caro por um pastel de vento, que não será, nem de longe, uma garantia de que lhe permitam continuar até 2022 destruindo o Brasil e matando brasileiros com pestes e penúria.
Já vi este filme com o Collor e depois com a Dilma: quem se agarra ao centrão como salva-vidas acaba afundando logo em seguida, abandonado pelos pretensos protetores no momento de maior perigo. O pacto com o dem..., quer dizer, com o centrão, acaba sempre com os mesmos resultados daqueles firmados por Fausto e por Dorian Gray. 

Mas, como o Bozo e os livros são antípodas absolutos (jamais se tocam!), ele ignora que marcha em passo acelerado para o mais amargo fim. E o faz por merecer plenamente!

Por último, a esquerda revolucionária tem algo a festejar nessa deprimente jornada: a desmoralização definitiva da esquerda reformista e conciliadora com a burguesia, que apoiou o candidato bolsonariano à presidência do Senado por estar até hoje obcecada com a esvaziada Operação Lava-Jato, sem perceber que, dormindo com o inimigo atual, compartilhará não só a cama, mas também o caixão com ele! (por Celso Lungaretti

sexta-feira, 31 de maio de 2019

FAUSTOFFOLI FIRMA UM SUPREMO PACTO COM BOLFISTÓFELES

"O Judiciário não atravessa a praça para somar forças com o Executivo e o Legislativo. Se o fizer, fatalmente acabará disputando o protagonismo. Será massa negativa —aquela que, na soma, diminui. 

Os outros dois Poderes é que fazem o movimento contrário quando, diante de uma dissensão insanável, buscam a Justiça. Aí, então, atua o Moderador.

Ora, como é possível que o Poder Irrecorrível se meta em porfias políticas —e isso fatalmente aconteceria— para, mais tarde, atuar como o juiz isento do que escapou, então, ao chamado pacto?" (Reinaldo Azevedo)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

DEVIL SAVE THE CHAOS

vinicius mota
BREXIT FOI PRESENTE DO
 CAPETA PARA O REINO UNIDO
Nunca foi fácil ser o demônio —embora a coisa talvez venha ficando ainda mais dificultosa com a proliferação contemporânea de especialistas em expulsá-lo do corpo.

Veja a dedicação de Mefistófeles no cultivo da alma danada de Fausto. Por décadas atendeu a todos os caprichos do homem com a paciente expectativa de obter seu justo prêmio após a morte do doutor. Tomou um drible celestial na hora agá, uma quebra de contrato de dar pena.

Mas o capeta é o capeta não porque seja ruim ou porque seja velho. Ele é como o coiote do papa-léguas: jamais desiste. Em junho de 2016, meteu os britânicos numa arapuca da qual não conseguem escapar.

Foi o diabo. Apenas ele seria capaz de um ardil tão... diabólico.

O embuste veio embalado em papel nobre, a vontade popular. Perguntou-se à população se queria o Reino Unido fora da União Europeia, e uma pequena maioria disse sim.

Coube ao Parlamento, cuja maioria se opunha ao desembarque, desembrulhar o pacote-surpresa. Caiu o premiê que, decerto sob influência satânica, tinha parido o referendo. Assumiu a ex-ministra do Interior.

Um ano depois tentou-se, com uma eleição geral, sintonizar a vontade de cidadãos e representantes.

O coisa-ruim deu um jeito de envenenar o resultado e deixou a premiê entre a cruz —uma horda de lunáticos no seu partido querendo divórcio a qualquer custo— e a caldeirinha —a oposição liderada por um velho populista de esquerda, querendo apenas o fígado da adversária.
"Posso sugerir um paraquedas?" / "A bandeira basta!"
Nesse pandemônio, não parece haver aritmética terrena capaz de chegar à maioria dos votos parlamentares, seja para uma saída organizada do bloco europeu, seja para derrubar a premiê, que apanha sem piedade de opositores e correligionários.

Sem que nenhuma entidade corpórea os pressionasse, os britânicos decidiram ficar mais pobres e agora trilham a via mais custosa da separação. 

Não é possível que ajam conscientemente. Alguma força maligna os possui. Que Deus os ajude. (por Vinicius Mota)
Terão sido os Rolling Stones que atraíram Lucifer para o Reino Unido?

segunda-feira, 15 de maio de 2017

O LEÃO DO IMPOSTO DE RENDA NÃO PASSA DE UM ROBIN HOOD ÀS AVESSAS

Lembram-se de quando tantos esquerdistas decepcionados diziam que, no governo, Lula era um pai para os pobres e uma mãe para os ricos

Isto tinha tudo a ver com o pacto que o Zé Dirceu, em nome dele, firmara em 2002 com os poderosos da economia, confirmado pelo próprio Lula em sua verdadeira ode ao capitalismo intitulada Carta aos Brasileiros.

Tratou-se um documento escrito sob medida para tranquilizar magnatas, atualizando o Manifesto de Fundação do PT de 1980. Passou-se uma borracha no objetivo de se construir "sociedade igualitária, onde não haja explorados nem exploradores" e se colocou, no lugar, "o caminho de combinar o incremento da atividade econômica com políticas sociais consistentes e criativas",  sempre se mantendo "o respeito aos contratos e obrigações do país". 

Ou seja, contratos injustos ao extremo, que beneficiavam de forma escandalosa a classe privilegiada, continuariam sendo ciosamente respeitados. Foi o preço que Fausto/Lula pagou aos Mefistófeles do capitalismo para que o poder econômico consentisse na sua ascensão a presidente da República. 

O resultado seria escancarado nas várias evidências de que os interesses do grande capital eram considerados pelos formuladores da política econômica como intocáveis; e, de maneira mais explícita, naqueles descarados press releases por meio dos quais, a cada mês, o Itaú e o Bradesco anunciavam terem atingido novo patamar de receita ou lucratividade, como se estivessem em campanha para conquistarem o Prêmio Guinness da agiotagem legalizada...

Também constava da Carta aos Brasileiros a promessa de o governo do PT reduzir os tributos pagos pelo empresariado, tomando providências contra "o caráter regressivo e cumulativo dos impostos, fardo insuportável para o setor produtivo e para a exportação brasileira".

O bom colunista Vinícius Mota, nesta 2ª feira, 15, mostra que o fardo era (e é) bem mais insuportável para os que ganham menos, muito menos. O tal do leão do Imposto de Renda não passa de um Robin Hood às avessas, pois tira dos pobres e alivia para os ricos...

Leiam e avaliem:
"Em 2015, segundo dados que a Receita acaba de divulgar, os 435 mil indivíduos no topo da remuneração representaram apenas 1,6% de todos os contribuintes que declararam Imposto de Renda. A esse pequeno conjunto de cidadãos correspondeu, no entanto, 15% da massa de rendimentos que é isenta do tributo.
Nesse ápice de pirâmide, quanto mais se eleva a renda, maior é a fatia que escapa à mordida do leão. Em torno de R$ 40 em cada R$ 100 recebidos pelos 29 mil brasileiros mais ricos (renda mensal média de R$ 332 mil) são imunes ao IR, contra cerca de R$ 30 no universo dos declarantes.
Mecanismos indiretos de cobrança de imposto e benefícios legais não garantem taxação equitativa da pessoa que recebe como acionista de empresas. O ambiente incentiva, nas altas rendas, esse regime de remuneração, sobre o qual há escassa prestação balanceada de contas.
Embora seja assunto complexo tecnicamente e custoso politicamente, é possível corrigir anomalias nele embutidas... 
Mas o governo do PT, na contramão de partidos homólogos nos países ricos, jamais patrocinou uma reforma tributária para corrigir iniquidades. Preferiu reforçar os laços do capitalismo de compadrio que enfiou o Brasil na crise"

quarta-feira, 19 de abril de 2017

ASSISTA À VERSÃO INTEGRAL DO "1900" DO BERTOLUCCI, COM 70 MINUTOS A MAIS.

O filme 1900 (Novecento, 1976), cujas duas partes podem ser vistas abaixo com legendas em português e na sua DURAÇÃO ORIGINAL DE 5 HORAS E 10 MINUTOS, foi um projeto extremamente ambicioso do cineasta italiano Bernardo Bertolucci.

Passou nos cinemas com pouco menos de 4 horas, depois saiu em DVD com 310 minutos (como o vemos aqui), mas Bertolucci sonhara com uma obra maior ainda: uma minissérie em seis capítulos, totalizando oito horas!  O que terá deixado de lado, quando não conseguiu viabilizá-la nas tratativas com a TV?
De Niro e Depardieu: amigos pessoais, inimigos de classe. 

Por meio das trajetórias paralelas de um filho de latifundiário (Robert De Niro) e um filho de camponeses (Gerard Depardieu), nascidos exatamente ao iniciar-se o novo século, ele traça um grandioso painel da sociedade italiana no século 20, com destaque para o apogeu e decadência dos movimentos comunista e fascista (este personificado por um capataz composto de forma tão vigorosa por Donald Sutherland que acaba ofuscando os dois atores principais).

A história alcança até o chamado compromisso histórico, quando o PCI, em troca do poder, abdicou definitivamente de quaisquer veleidades revolucionárias. [As semelhanças com um certo pacto firmado pelo PT em 2002 NÃO são mera coincidência. Goethe explica...]

Num primor de sarcasmo, Bertolucci dá sua visão sobre o compromisso histórico  na sequência em que os dois envelhecidos amigos pessoais/inimigos de classe, gagás e rabugentos, fustigam-se mutuamente, mas já não têm capacidade para causar dano um ao outro.
Sutherland encarna de forma brutal o fascismo nascente

Trata-se, contudo, de um filme com altos e baixos, às vezes nos empolgando por suas sequências fortíssimas, às vezes nos parecendo um tanto esquemático. O certo é que as cinco horas passam bem mais depressa do que as duas ou três horas dos épicos de Hollywood, com raríssimas exceções (Spartacus, do Stanley Kubrick, é uma delas).

As grandes obra-primas de Bertolucci foram mesmo O Conformista (Il conformista, 1970), sobre o papel da repressão sexual na formação da personalidade fascistizada; e Último tango em Paris (Ultimo tango a Parigi, 1972), que primeiramente despertou a fúria dos moralistas rançosos de direita, depois das patrulheiras cricris feministas, mas é infinitamente maior do que seus vãos detratores, em seu primitivismo abissal, conseguiram captar...

Aliás, quem disse tudo sobre a intolerância dos broncos foi o grande poeta Capinam: "moda de viola não dá luz a cego". 

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

"FORA TEMER!" OU "FORA CAPITALISMO!"?

A rainha de copas foi retirada do baralho político. Autoritária, com pavio curtíssimo, useira e vezeira em tomar decisões desastrosas, ela comprometia a continuidade do próprio jogo, não por cortar a cabeça de todos que lhe desagradavam (os tempos são outros!), mas por cortar o PIB, os empregos, o poder aquisitivo dos brasileiros, a esperança em dias melhores y otras cositas más

Acabaria cortando o próprio Brasil, despedaçado numa crise sem fim, se não a tivessem cortado antes.

Mas, eliminado o complicador no qual se constituía a presença da pessoa errada, no lugar errado e na hora errada, o que realmente mudou?

Tivemos, de janeiro de 2003 até abril de 2016, governos totalmente servis ao capitalismo, só que terceirizados, ou seja, geridos por forças políticas que um dia foram de esquerda, mas há muito o haviam deixado de ser. 

Serviam de biombo, para o povo não perceber quem realmente mandava e qual o verdadeiro responsável por suas desditas. Como paga, era dado a tais gerentes o direito de fazerem todo tipo de maracutaias, efetuarem uma farta distribuição de boquinhas entre sua criadagem e de migalhas entre os coitadezas –os quais, por medo de perdê-las, os continuariam elegendo.

Agora a farsa acabou, passando a dominação burguesa a ser exercida por partidos que não iludem ninguém: expressam e obedecem ao capitalismo, ponto final.

Os Faustos que eram de esquerda antes de venderem a alma ao Mefistófeles burguês, muito fazem para direcionar a indignação dos simplórios contra o novo gerente, pois querem recuperar o posto na próxima eleição. Se forem bem sucedidos, tudo continuará como dantes no quartel de Abrantes.

Quem é de esquerda por querer dar um fim à exploração do homem pelo homem (e não encarando-a como profissão ou atalho para vencer na vida), estará iludindo a si próprio se, tão somente, aderir ao coro do Fora Temer!.

É mais do mesmo. Já tivemos o Fora Sarney!, o Fora Collor!, o Fora FHC! e de que serviram? Apenas abriram caminho para a realização dos anseios de poder e enriquecimento pessoal  desses Faustos que incluíram nossos sonhos no pacote negociado com o demo...

A raiz de todos os males é o sistema capitalista, cada vez mais nocivo, predatório e desumano à medida que marcha para o fim, não seu serviçal da vez no Palácio do Planalto.

O xis da questão, portanto, é não combatermos as políticas anti-sociais do Temer apenas no sentido de evitá-las, mas sim encarando tais lutas como uma oportunidade de acumulação de forças para o que realmente importa: a superação do capitalismo.

Caso contrário, toda conquista poderá ser revertida adiante e toda vitória desmanchar-se no ar. 

Já lá se vão 31 anos que nos vimos livres da ditadura militar e continuamos até hoje patinando sem sair do lugar. Até quando?

Chega!

segunda-feira, 25 de julho de 2016

O PRESIDENTE TEMERÁRIO E A ESQUIZOFRENIA DA LÓGICA CAPITALISTA

Por Dalton Rosado
"As coisas são tão fortes! Mas eu
não sou as coisas, e me revolto."
(Carlos Drummond de Andrade, Nosso tempo)
Os políticos governantes obedecem ao comando fetichista da lógica do capital; nós também agimos da mesma forma enquanto conceitos e modo de vida, enquadrados que estamos à vida mercantil. Trata-se de uma lógica reificada, de coisas que ganham vida e comandam as nossas vidas. Um tipo especial de esquizofrenia social.   

Todos os governantes, dependentes que são da lógica capitalista (na qual a mediação social é feita pela forma-valor: mercadoria e dinheiro), agem de acordo com os conceitos da ciência social econômica. Não seria diferente disto com o governo do Presidente Temerário, da mesma forma como não seria com qualquer governo de esquerda. 

Vale, neste sentido, lembrarmos a boa vontade dos recentes governos petistas para com os detentores e mantenedores do capital, numa tentativa de conciliação com Mefistófeles (os dirigentes do partido já deveriam estar carecas de saber que, como Goethe explicou, tais pactos sempre terminam mal!).  

E, quando há uma exceção a isto, como na administração popular de Maria Luíza Fontenele em Fortaleza (1986/1988), ela é sufocada pela direita, pela própria esquerda, pelos poderes constituídos, pelo poder econômico, pelo sistema financeiro oficial e privado. Termina isolada e expulsa como um vírus estranho ao organismo.  

Se perguntarmos a qualquer pessoa medianamente informada ou àquelas que tenham pretensões de dar pistas sobre a saída da crise social, principalmente aos ditos cientistas políticos (expressão inventada pela mídia para dar uma aparência de sapiência a palpiteiros sociais acumpliciados com o sistema), que respostas obteríamos? 

Apenas e tão somente as muitas e diferenciadas propostas que se circunscrevem ao universo da ciência econômica (cada economista ou cientista político dá seu douto pitaco e, parafraseando o delicioso Coco Praieiro de Marcus Accioly e Cussy de Almeida, "um mais um é igual a zero/ tire a prova se restar"...). 
Cientistas políticos: "palpiteiros acumpliciados com o sistema".

Nenhuma dessas teses se aventura a fazer como Cristóvão Colombo, que saiu do universo das regras pré-estabelecidas da impossível exigência de colocação do ovo em pé, quebrando a sua base e resolvendo o impasse. É que todos os raciocínios partem do pressuposto básico e equivocado de que a vida social somente é possível a partir das teses econômicas e sua mediação social pelo dinheiro e mercadorias. É a prisão do pensar pela matriz fetichista. 

Quais as medidas sociais aplicadas às atividades privadas e às finanças públicas ditadas pela ciência econômica, visando uma pretendida retomada do desenvolvimento econômico e preservação do Estado? São sempre as mesmas, geradoras de impasses sociais decorrentes do receituário tradicional. 

Delas inevitavelmente resulta a imposição de maiores sacrifícios a uma população já exaurida economicamente. Restringem-se a dois campos:
a) no campo privado seguem-se as regras de mercado, com a migração dos meios de produção para áreas de mão-de-obra barata ou sobrevivência com o uso de alta tecnologia na produção e reserva de mercado (direito de patentes), tudo ajustado à busca do enquadramento aos ditames da concorrência internacional de mercado a partir de medidas consentâneas com as ordens ditatoriais da lógica do sistema produtor de mercadorias. 
E no fã-clube do Henrique Meirelles...
A tônica é a redução de custos de produção via aumento da produtividade per capita (maior produção de mercadorias num mesmo tempo de trabalho abstrato e exacerbação da extração de mais-valia relativa) ou trabalho escravo, que é o que determina quem vai viver e quem vai ser considerado supérfluo, e assim, sentenciado à morte como pária social; 
b) no campo estatal e das finanças públicas seguem-se os sacrifícios sociais da compatibilização entre receitas e despesas (com os indispensáveis mimos aos políticos), de modo a que o estado seja preservado como instrumento indispensável à regulação da vida social mercantil. 
Aí se incluem até os atendimentos às demandas sociais vitais. Não é por menos que profissionais competentes nesse ofício, como Henrique Meireles, o ex-executivo mor do grupo Rockfeller para a América latina, vem servindo igualmente a vários governos que supostamente têm pontos de vista diferenciados, como o de Lula e o de Michel Temer. 
Temos, hoje, dois exemplos flagrantes dessa postura que está sendo comum a todos os países, na corrida desesperada pela sobrevivência na lógica mercantil em decomposição. Hoje, na França, a principal causa das greves no governo socialista de François Hollande é a desregulamentação dos direitos trabalhistas visando à redução de custos de produção de mercadorias.
A agonizante CLT poderá ser mais precarizada ainda

No Brasil do Presidente Temerário, ele tenta dourar a pílula com o discurso de salvação nacional e, estabelecidas as condições de consenso parlamentar, se revigora a tese da desregulamentação da Convenção Coletiva do Trabalho (CLT), arguindo-se a inevitabilidade de tal medida em decorrência da necessidade de se restabelecer a competitividade nacional mercantil diante da concorrência mundial, que imporia tal condição. 

Isto, aliás, não deixa de ser verdade, mas expõe a negatividade inerente ao sistema e as vísceras de sua natureza segregacionista. E é um sofisma alegar que as regras continuarão sendo as mesmas, mas com a flexibilização das negociações entre o empresariado e os trabalhadores.

O diretor da Confederação Nacional da Indústria, Alexandre Furlan, lembrou que a reforma trabalhista e a regulamentação da terceirização fazem parte da agenda do setor produtivo, entregue a Temer. Ele afirma que o debate em torno desse tema não pode ser ideológico, e se deve levar em conta o aumento da produtividade. Segundo ele, “se simplesmente proteger o trabalhador, esquecendo a sustentabilidade das empresas, a competitividade e a produtividade no ambiente de trabalho, você não conseguirá avançar para uma relação de trabalho mais moderna”. Ou seja, o trabalhador tem de se sacrificar para salvar o seu emprego e a empresa. 

Perguntamos nós: não seria melhor acabar de vez com o trabalho e a empresa produtora de mercadorias, substituindo-os por outra forma de produção social, ao invés de insistir na aceitação do cadafalso como forma de sobrevivência? 
"Liberdade de a raposa negociar com as galinhas"
Obedecendo a orientação sistêmica, o líder do governo na Câmara Federal, Deputado Júlio Lopes, depois de conversar com o Presidente Temerário, apresentou no mês passado um projeto de lei (4.962) que altera o artigo 618 da CLT que trata das convenções coletivas de trabalho. A proposta está sendo avaliada pela Comissão do Trabalho em caráter terminativo. 

O texto, que tem tudo para ser aprovado na Câmara Federal, seguirá depois para o Senado, no qual deverá receber apoio consensual. Tal projeto tem, inclusive, o apoio do presidente do Tribunal Superior do Trabalho. Trata-se da defesa institucional da liberdade de a raposa negociar com as galinhas a sobrevivência destas últimas, na arena livre do galinheiro.    

Fica cabalmente demonstrado que a única saída para o trabalhador é:
a) negar o próprio trabalho e se desvencilhar da própria condição de trabalhador, trocada pela de homem livre e consciente do seu papel na sociedade enquanto produtor de bens e serviços indispensáveis à vida; 
b) negar a política, os partidos, o voto, o Estado, e todos os seus construtos opressores; 
c) negar o dinheiro e a produção de mercadorias, convertendo os seus esforços físicos (que hoje estão enfeixados numa categoria capitalista denominada mercadoria força de trabalho) em atividades naturais e socialmente contributivas.

sábado, 14 de maio de 2016

MEFISTÓFELES E A RESPONSABILIDADE FISCAL DO PRESIDENTE TEMERÁRIO

Mefistófeles, no Fausto de Goethe, encarnava o diabo, que com suas promessas de vida faustosa, mas ilusória, encobria a tragédia premeditada. 

Na modernidade, o diabo atende pelo nome de capitalismo e sua promessa miraculosa é o desenvolvimento econômico. O brilho falso do progresso econômico e, com ele, a esperança de obtenção da “grana que ergue e destrói coisas belas” (Caetano Veloso), é a vã promessa de vida faustosa para todos. 

O referencial de todos são os chamados países desenvolvidos, cuja dívida pública beira o PIB anual. A rica e culta União Europeia, formada por países como Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Holanda, Espanha, Portugal, entre outros, tem dívida pública de 92% do PIB; os Estados Unidos, de 104%; e o Japão, de 220% do PIB. 

São países que, juntos, representam grande parte do PIB planetário, o que torna a dívida pública mundial impagável. Mesmo assim, não recebem reprovação das agências de classificação de risco internacionais, como Standard and Poor’s, Fitch, Moody’s e outras (as mesmas que davam notas altas para o Lehman Brothers e outros grandes bancos responsáveis pela crise de 2008). 

Pior: nem por isso as nações prósperas são responsabilizadas por suas emissões de moedas sem lastro e gastos acima da arrecadação fiscal (o Brasil, por sua vez, tem dívida pública de 66% do PIB). 

Assim, aos países pobres, Mefistófeles pede que arrochem os cintos em nome de um futuro radiante, mesmo que morram os Filemos e Báucias (casal de velhos que são tragados e mortos pelo progresso ansiado por Fausto); ou seja, que se danem os supérfluos do capitalismo, como aqueles mais de 3.000 imigrantes afogados na tentativa de chegarem ao 1º mundo.

A esquerda, entronizada no podre poder institucional do Estado, serviçal do poder econômico (o verdadeiro poder), diz com ares de suprema sabedoria que devemos pugnar por “mais Estado e menos mercado” como afirmou recentemente e antes da queda de Dilma, seu líder na Câmara Federal, deputado José Guimarães, sem compreender que mercado (de onde o Estado tira o seu sustento) e Estado são faces indissociáveis de uma mesmo moeda, literalmente. 

A direita, como o fez em seu primeiro discurso o ex-executivo do Banco de Boston para a América Latina e ex-presidente do Banco Central do Governo Lula, Henrique Meirelles, quer enxugar o Estado e manter o arrocho fiscal para salvar o dito cujo, sob a alegação de que se trata de instrumento indispensável à retomada do desenvolvimento econômico. 

Tudo e todos falam e atuam como forma de manutenção da exploração capitalista. No fim, ambas as correntes de pensamento ideológico (keynesiana e neoliberal) terminam por se fundir num único conceito: o Estado é imprescindível à relação social mercantil, por eles defendida; e que se constitui na razão de ser de toda a miséria social e ecológica que nos encaminha para o abismo.  

O Estado obtém seus recursos na economia, daí porque todos são facilmente seduzidos por Mefistófeles com suas promessas de desenvolvimento econômico, mesmo que este tenha chegado ao seu limite interno absoluto, tornando-se destrutivo e autodestrutivo. 

A meta de responsabilidade fiscal num estágio de recessão econômica mundial e nacional representa a negação de todos os postulados dos segregados sociais para quem a esquerda e a direita diz governar prioritariamente; mas o não cumprimento da meta de responsabilidade fiscal significa endividamento insuportável e juros escorchantes. 

As contradições se explicitam e Mefistófeles, ao ver o seu desiderato maléfico se cumprir, esboça um sorriso irônico de satisfação (em off).

A questão é que os países periféricos da ordem econômica mundial, com renda per capita anual abaixo de US$ 11 mil, são chamados a doar seu sangue para a manutenção do capitalismo decadente, e em fase de iminente colapso. Esses países não podem emitir moedas sem lastro, sob pena de aceleração da inflação e o descrédito completo de seus padrões monetários que representam um padrão mundial de valor (ao qual todas as moedas são referenciadas), e nem podem vender seu títulos da dívida pública a juros baixos (irresgatáveis ao longo prazo como também o são os títulos dos chamados países do G7). 

Não é por menos que a ideia dos Brics de criação e uso de uma nova moeda internacional, a ser emitida pelo conjunto dos países emergentes (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e criação de um Banco de Desenvolvimento, causaram tanto alvoroço no sistema financeiro mundial controlado pelos países condutores do Consenso de Washington.    

Mas os administradores da ordem institucional capitalista, sejam de esquerda como de direita, não conseguem se livrar de suas contradições internas. No Brasil, o governo do Presidente Temerário já anuncia, por meio dos seus ministros, a tomada ou estudo de medidas que até ontem eram consideradas (merecidamente) como escorchantes. Estas, p. ex.: 

  • a reedição da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, o chamado imposto do cheque;
  • o aumento da idade mínima para aposentadoria, de modo a que somente depois da morte o contribuinte possa ser aposentado, como forma de tornar economicamente sustentável a imprevidência social capitalista, que em todo o mundo roda em falso com o desemprego dos jovens e a impossível criação de novos nichos de emprego, única forma de sustentação financeira previdenciária;
  • se mantiverem alta taxa de juros para controlar a inflação, isto terá reflexo na pretendida redução da dívida pública que confessam ser meta prioritária do Governo, impactando a desejada e impossível retomada do crescimento econômico;
  • se reduzirem os juros, correm o risco de ver recrudescer a taxa de inflação, fenômeno que representa confisco salarial e empobrece ainda mais os já explorados trabalhadores, levando ao desespero os desempregados (na Argentina do neoliberal Mauricio Macri, foi de quase 20% no primeiro quadrimestre deste ano);
  • se pagarem os escorchantes juros da divida pública, que somente em 2015 consumiu dos brasileiros R$ 277,3 bilhões (com os programas sociais o Brasil gasta por ano apenas 8% desse valor), sacrificarão um povo já exaurido e vão correr o risco de promoção de uma convulsão social (já em curso);
  • se não a pagarem, entrarão no rol de estados inadimplentes aos quais são imputadas pesadas penas econômicas, e por aí vai...
Enfim, a (des)ordem econômica mundial faz água. E, quando estamos num beco sem saída, não será por dentro do beco que vamos conseguir sair, senão criando asas e voando; mas somente poderemos alçar o nosso voo e criar as nossas próprias asas fora da lógica mercantil.

Compreender isso nunca foi tão urgente. É preciso arrebentar as amarras que aprisionam o nosso pensar, que somente consegue raciocinar dentro da lógica do sistema produtor de mercadorias, pois afinal, de tudo que consumimos, não existe um grama sequer de valor, mas apenas matérias orgânicas e esforço humano, que podem e devem prescindir desse intruso espoliador chamado dinheiro e de sua força primária substancial –o trabalho abstrato (ora paradoxalmente negado).

Enquanto isso, na terra do poeta Carlos Drummond de Andrade, onde antes tinha uma pedra no caminho, hoje corre um rio de lama de minério de ferro...   (por Dalton Rosado)
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