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sexta-feira, 11 de novembro de 2022

É HORA DE EXPURGAR A POLÍTICA DOS QUARTÉIS

josias de souza
REBULIÇO MILITAR REFORÇA A URGÊNCIA DE
DEVOLVER A PASTA DA DEFESA A UM CIVIL
O
resultado das eleições presidenciais deixou buliçoso o pedaço bolsonarista das Forças Armadas. Nas últimas 48 horas, vieram à luz três notas oficiais de militares. Todas inadequadas. 

Na mais recente, os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica encostam as forças que representam nos delírios golpistas de Bolsonaro. 

Sustentam, com outras palavras, que são justificáveis os atos antidemocráticos que clamam na frente dos quarteis por uma intervenção qualquer dos militares para reverter a vitória de Lula. 

Tanto rebuliço não serve senão para evidenciar a necessidade urgente de devolver a chefia do Ministério da Defesa a um civil. 

Ao confundir cargo com propriedade e bagunça com atividade, Bolsonaro levou as minhas Forças Armadas a confundirem general com generalidades. Habituados a ordenar o transporte de urnas, os comandantes militares acharam que poderiam também fiscalizar a mercadoria. Deu em humilhação. 
Abespinhados com o teor do relatório sobre a inspeção em que os militares não encontraram fraudes nas urnas, os bolsonaristas que tomaram chuva pedindo golpe militar promoveram uma intervenção civil nos perfis do Ministério da Defesa nas redes sociais.

Assustado com a invasão digital, Paulo Sérgio Nogueira, o general que ainda comanda a escrivaninha de Ministro da Defesa, soltou uma segunda nota.

Explicou que os militares não acharam inconsistência nas urnas, mas também não excluíram a hipótese de ter ocorrido fraude no processo eleitoral. 

Foi como se o general gritasse para os golpistas: "Não esmoreçam!" 

Os repórteres correram para perguntar ao presidente do TSE, Alexandre de Moraes, se o conflito entre a farda e a Justiça Eleitoral não teria mais fim. E ele: "Já acabou faz tempo". 

Ou seja: no momento, os generais de Bolsonaro guerreiam apenas contra suas generalidades e contra a intervenção civil que os bolsonaristas realizam nas redes sociais militares. Passa da hora de reacomodar um civil no Ministério da Defesa. 

Em respeito à historiografia, convém registrar que foi Michel Temer, não Bolsonaro, quem inaugurou a perversão de confiar a chefia da Defesa a um militar. A coisa foi desvirtuada em 2018, quando Temer nomeou para o posto como o general Joaquim Silva e Luna. 

Ouvido na época, Fernando Henrique Cardoso, que havia criado a pasta da Defesa 19 anos antes, declarou que colocar um civil acima dos comandantes das três forças militares era importante porque simbolizava o poder que deveria prevalecer numa democracia. 

É hora de expurgar a política dos quarteis, recolocando as Forças Armadas sob o poder civil. (por Josias de Souza)

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

BATALHA DE URNARARÉ: MILITARES SE RETIRAM SEM RECONHECER A DERROTA

jânio de freitas
INVESTIDA CONTRA URNAS AGORA TEM SILÊNCIO SEM DEFESA

Em condições anormais, o percurso daqui ao dia 30 se encerrará com vitória do ex-presidente Lula. 

Contudo, não está extinto o risco de que se volte ao que é a normalidade destes tempos, sucessão impune de aberrações e crimes do governo, um tanto contidos desde o 1º turno eleitoral.

A combinação de derrota inapelável do golpismo na batalha inicial e condições mais promissoras para Lula nos dados preliminares, não garante sucessão tranquila com possível derrota de Bolsonaro.

O Tribunal Superior Eleitoral proclamou os 100% de aprovação às urnas e à contagem. Importa pouco ou nada o silêncio de Bolsonaro a respeito. Não é o caso do Ministério da Defesa e do general-ministro Paulo Sérgio Nogueira.
Foram a infantaria no ataque às urnas e à lisura eleitoral, dando realidade às circunstâncias golpistas em que Bolsonaro foi e é o instigador.

A investida da Defesa em nome dos militares, sem precedente algum que a justificasse, foi pública e documentada em questionamentos com óbvio propósito de induções na opinião geral.

Os experts informáticos e eleitorais das Forças Armadas perscrutaram os intestinos das urnas e os hipotéticos mistérios do processo. O próprio general pôde conhecer a iluminada e transparente sala secreta e escura denunciada pelo despudor de Bolsonaro.

Quantas fraudes ou indícios a operação militar detectou? E as urnas, que tal? Ou não era no processo eleitoral que estava o desvio alegado pela operação?

É razoável esperar que a Defesa e seu ministro cumpram o dever de informar o país sobre o assunto com que o inquietaram. E o diminuíram no mundo. 

Oposição à democracia não isenta de deveres. (por Jânio de Freitas)

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

OS ULTRACONSERVADORES ESTÃO ISOLADOS, MAS VOCIFERANDO – 2

(continuação deste post)
Como se não bastasse ter sido o pivô da expulsão de
Maria Luiza e Dalton Rosado do PT em 1987,  Ciro Gomes
continua atacando até hoje a Administração Popular.
O
voto feminino, de recente inclusão no receituário democrático-burguês, foi uma conquista social relevante diante das circunstâncias jurídico-constitucionais que somente facultavam o voto aos homens alfabetizados, e era descaradamente dominado e controlado pelos senhores feudais que então se transformavam em neocapitalistas.

Entretanto, não podemos admitir que as evoluções havidas, e que devem ser assim consideradas em relação ao status quo social anterior, devam se constituir num imobilismo conformista no qual o medo do pior serve para justificar a aceitação do ruim. 

Ainda na semana passada ouvi, atento, os argumentos bem explanados por dois candidatos de experientes formações jurídico-administrativas (Ciro Gomes e Simone Tebet), e que pôde impressionar pela desenvoltura, a ponto de deixar calados e sem contra-argumentos os experientes e competentes jornalistas que os entrevistavam. 

A mim me dava uma comichão de vontade de contraposição às alegações dos dois candidatos, como se eu pudesse entrar na televisão para participar do debate. 

Outro dia, assistindo ao discurso de lançamento da candidatura de Ciro Gomes, constatei, sem surpresa, as meias-verdades e autoelogios por ele proferidos em detrimento da Administração Popular, primeira experiência de uma capital brasileira (Fortaleza) cujo governo estava realmente comprometido com as necessidades maiores de seus cidadãos. Foi inicialmente petista e dele fiz parte como secretário de Finanças.

Não é repetitivo dizer que da experiência da Administração Popular saí para ser candidato com o apoio da então prefeita Maria Luíza, numa eleição por ele (Ciro) vencida para a prefeitura de Fortaleza nos idos de 1988. 
Paulo Sérgio Nogueira comprometeu seu prestígio ao
coadjuvar ataques golpistas contra as urnas eletrônicas
 

Tendo sido ambos expulsos do PT, que promoveu verdadeira
caça às bruxas de esquerda nos anos 80,
acabei nessa eleição saindo candidato pelo Partido Humanista (que se formava e depois não vingou), e pude então contestar firme e pontualmente cada falácia a nosso respeito.  Mas, claro, a máquina eleitoral mais poderosa venceu o pleito. 

Já no debate eleitoral Simone x Ciro, a minha argumentação seria feito com raciocínios fora da caixa, posto que as proposições aparentemente salvadoras apresentadas não teriam (e não têm) consistência sob um capitalismo decadente e seu Estado falido em decorrência desta falência estrutural de onde retira a sua seiva econômica. 

Os argumentos expendidos abstraem os números da depressão econômica mundial na qual estamos inseridos, como se pudéssemos ser dela poupados embora utilizemos os mesmos mecanismos que a causam; e as estatísticas da realidade social de tragédia insuperável sob o capital eram citados como se estes candidatos não pertencessem, como governantes (e também como parlamentares) que foram, às causas desta mesma realidade.  

Contrapor-se ao capitalismo e sua lógica de retomada do desenvolvimento econômico a partir de determinados pressupostos (falsos) não está facultado aos(às) jornalistas de uma empresa que detém forte importância no contexto capitalista. 

Mas somente um jornalista com a alma revolucionária e independência de um Celso Lungaretti (qualidades que evidentemente seus colegas da Globonews não têm, por mais competentes que sejam, e são), e num debate sem patrocínio mercantil e organizado por um veículo de comunicação isento, poderia colocar as coisas sob um raciocínio fora da caixa e demonstrar que a ingovernabilidade não decorre da falta de competência administrativa, mas sim de contradições econômicas insanáveis.  
Um plano golpista era bisar esta
zorra, mas ficou óbvio a ponto
de Deus e o mundo perceberem
.


Boçalnaro, o ignaro
, tornou evidente a sua ignorância político-estratégica e está isolado. 

Também na semana passada o seu ministro da Defesa em reunião com seus pares internacionais, se contrapôs (ainda que com palavras de duplo sentido, num malabarismo retórico evidente) ao seu discurso de derrotado; até o presidente da Câmara Federal teve o desplante de contestar suas alucinações ao vivo. deixando numa posição desconfortável aquele que lhe concedeu o orçamento secreto.

Mas não nos iludamos, o preside(me)nte e sua horda de fanáticos, tal qual Donald Trump, tentará sair do poder atirando, e talvez se exilando para escapar de uma possível cana por tantos desmandos e crimes de responsabilidade cometidos. 

Precisamos, portanto, nos mobilizar na contraposição ao pretendido golpe, sem considerar que as forças ultraconservadoras estejam mortas e sepultadas; elas estão apenas isoladas, mas vociferando.  

Precisamos de uma nova ordem jurídico-constitucional fora da lógica do capital, verdadeiramente popular, que dê ao povo, pela primeira vez nesta terra brasiliana, a capacidade de decidir, acertar, errar, consertar e comemorar aquilo que for o resultado de sua responsabilidade soberana. (por Dalton Rosado)

quarta-feira, 20 de julho de 2022

NOSSO REI ESTAVA NU!

N
ão é bem o conto do dinamarquês Hans Christian Andersen, mas tem suas semelhanças. 

Os dois Nogueiras (o chefe da Casa Civil e um dos líderes do centrão Ciro e o ministro da Defesa Paulo Sérgio), lá estavam no encontro do presidente Jair Bolsonaro com os embaixadores, mas não precisou aparecer uma criança, como no conto de Andersen, para mostrar o pirulito murcho do presidente. 

Os embaixadores viram e, como são gente educada, saíram de mansinho, sem aplaudir, segurando uma vontade enorme de soltar as gargalhadas que explodiram ao chegarem em suas embaixadas. 

Nosso rei não estava nu, mas estava ridículo, risível, como se quisesse também destruir com suas lorotas a imagem do Brasil, construída nestes séculos por tantos brasileiros ilustres, economistas, diplomatas, cientistas e esportistas.

Deveriam ter aconselhado Bolsonaro a não passar pelo vexame e pela vergonha: ele não tem porte de um estadista, não tem cultura, não tem verve, não tem carisma, não sabe desenvolver um discurso, montar uma argumentação e nem construir uma frase com certa erudição para o alto nível dos embaixadores. 

Que gol contra! Não só contra ele, mas igualmente contra o Brasil. Foi uma vergonha transmitida ao vivo pela estatal TV Brasil.

E afinal, o que desejava mostrar o nosso presidente despido de pudor e de retórica, mas com certo cinismo?  Que nosso sistema de votação –o mais avançado do mundo, produto de uma alta tecnologia brasileira em matéria de informática, orgulho dos governos passados desde sua primeira utilização em 1996, pelo qual se pode ter os resultados alguns minutos depois de encerradas as votações–, que esse sistema não presta!

Que o melhor mesmo seria retornar ao voto por cédulas de papel com os nomes dos candidatos nelas impressos, ou seja, quatro cédulas no mínimo (presidente, senador, deputado federal, governador) a serem colocadas numa urna, seguindo-se a apuração manual! 

Ora, seria o mesmo que chover no molhado, pois uma proposta de emenda constitucional acabando com o voto eletrônico já havia sido proposta, no ano passado, pelo deputado Filipe Barros, mas rejeitada pela Comissão Especial da Câmara.

Fora isso, o voto impresso existente em 44 Estados nos EUA foi a razão pela qual o ex-presidente Donald Trump declarava ter havido fraudes nas eleições em que foi derrotado por Joe Biden. 

Usando do argumento de fraudes, ele incitou seus seguidores a impedirem a diplomação de Biden como presidente, resultando na invasão do Senado por trumpistas, com sérias depredações e morte de cinco pessoas. 
Ora, na sua tentativa de reeleição, Bolsonaro quer utilizar o mesmo argumento de Trump caso não seja eleito, mas trocando a seu favor as fraudes nos votos impressos nos EUA por fraudes nos votos eletrônicos no Brasil

Com base nas alegações de fraude nas urnas eletrônicas (que não convenceram os embaixadores, como mostraram os jornais que os contataram), Bolsonaro, contando com a presença do ministro da Defesa e do líder do centrão, parece ter feito uma pré-justificativa do seu golpe à comunidade internacional, pois pretende, como já afirmou diversas vezes, não reconhecer a validade do resultado das votações eletrônicas de outubro, oficializando a virada de mesa. 

Para isso conta com a maioria na Câmara e no Senado, seguindo-se a decretação do estado de sítio se houver manifestações e choques com suas milícias, prorrogando-se todos os mandatos atuais por tempo indeterminado, como explicou com algumas variantes numa entrevista, o ex-ministro da Justiça de Lula, o gaúcho Tarso Genro.

Entretanto, ao contrário do que espera Bolsonaro, esse pretexto de fraude eleitoral não será aceito pelos grandes países da comunidade internacional. Isso já deixou claro o embaixador da Suíça, Pietro Lazzeri, segundo o qual não se vai questionar um sistema "que tem funcionado bem nestes últimos 50 anos". 

Havendo ou não a confirmação do golpe, esse encontro de Bolsonaro com os embaixadores foi uma manobra golpista preocupante , porque dela participaram os dois Nogueiras, Forças Armadas e centrão, dando-lhe adesão e validade oficial.

Os partidos da oposição entraram com uma denúncia contra Bolsonaro por crime de atentado contra o Estado democrático, com seus ataques ao sistema eleitoral vigente. Uma reação esperada, porém, provavelmente sem sequência, pois deverá passar por Augusto Aras, na Procuradoria Geral da República. 

Entretanto, o surpreendente é o silêncio e a falta de reação dos mais importantes órgãos da sociedade civil, federações, confederações e patronatos da imprensa, que não reagem às repetidas ameaças à democracia por Bolsonaro.

Para concluir, vale destacar o pronunciamento do jornalista apresentador da CNN, William Waack, criticando o encontro de Bolsonaro com os representantes de países estrangeiros para falar mal do Brasil, como se nosso país fosse "uma republiqueta, que elege seus dirigentes com urnas fraudulentas", usando dados falsos, versões já desmentidas para atacar tribunais superiores. 

Enfim, diz Waack, “Bolsonaro se tornou o primeiro presidente que convoca embaixadores de todos os países do mundo para emporcalhar a imagem do seu próprio país". (por Rui Martins, direto da Suíça)

terça-feira, 12 de julho de 2022

ATÉ ONDE OS MILITARES IRÃO PARA ENCOBRIR A FLOPADA ELEITORAL DO BOZO?

chico alves
MINISTRO DA DEFESA BOLSONARISTA QUER
ACHAR CHIFRE EM CABEÇA DE BURRO
O
s antigos cunharam uma expressão adequada para aqueles que gastam tempo procurando problemas onde eles não existem: são os que querem achar chifre em cabeça de burro.

Os burros, como se sabe, não têm chifres. Mas há quem os procure com afinco e crie caso por isso.

O Brasil acompanha nos últimos tempos os movimentos de uma personalidade da República que turva o cenário político nacional ao conceber dificuldades imaginárias. 

Paulo Sérgio Nogueira, o ministro da Defesa, está empenhado em tentar provar a vulnerabilidade das urnas eletrônicas a fraudes. Esse tipo de acessório é usado há 26 anos no processo eleitoral brasileiro e nunca houve nenhuma comprovação de maracutaia. Nada. Zero. 

Apesar disso, Nogueira optou por seguir a linha ditada pelo presidente Jair Bolsonaro e seu antecessor, o general Braga Netto, de questionar ao infinito os procedimentos do Tribunal Superior Eleitoral. Usa como pretexto o convite que recebeu do tribunal juntamente com outras entidades e instituições para participar de reuniões que tinham o objetivo de sugerir melhorias nas urnas. 

Das 15 sugestões enviadas pelo ministério ao TSE, 10 acabaram aproveitadas. Apesar disso, Nogueira acha que as Forças Armadas foram desprestigiadas, insiste em mais questionamentos e prepara um sistema de auditoria paralelo para as eleições.  

O ministro da Defesa finge ignorar o fato de que a Constituição não atribui às Forças Armadas o status de coordenadoras do processo eleitoral. Nesse front, o TSE é que manda.

O tribunal gentilmente convidou os militares a darem seus pitacos. Feito isso, deveriam voltar à sua rotina. 

Mas Nogueira e outros fardados (nem todos) acham que só eles têm isenção para cuidar do processo eleitoral. 

Logo o ministro da Defesa que, no fim de semana, distribuiu num aplicativo de mensagens o artigo em que o general da reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva defende que uma possível vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição para presidente será o desastre e a ruína moral da nação e de suas instituições. 

Nogueira não parece achar imorais:
— maracutaias como rachadinha com o salário de funcionários de gabinete;
— gasto bilionário do orçamento secreto, em que verbas são trocadas por apoio político;
— indicação presidencial de pastores de fora do serviço público para intermediar verbas do Ministério da Educação;
— ministro do Meio Ambiente acusado de parceria com contrabandistas de madeira;
— troca de delegados federais que investigavam crimes dos filhos do presidente;
— incentivo à sublevação armada por parte do chefe do Executivo (feito explicitamente na reunião ministerial de abril de 2020), e outros malfeitos de Jair Bolsonaro.
Para ele, que se acha imparcial, Lula é imoral. Não faz qualquer menção às imoralidades de Bolsonaro 
– é o comportamento típico de um bolsonarista. 

Sendo assim, o ministro da Defesa continuará procurando chifre em cabeça de burro, para satisfazer o presidente. 

Do jeito que vai, baseado em narrativas fictícias, poderá encontrar qualquer coisa, até um unicórnio. 

A grande dúvida é saber quantos generais da ativa concordarão em acompanhá-lo na empreitada de criar para o país problemas que não existem. (por Chico Alves, no UOL) 

quarta-feira, 26 de maio de 2021

O HOMENZINHO CHAMADO PAZUELLO PAGOU CARO POR TER PACTUADO COM JAIR MEFISTÓFELES: PERDEU TAMBÉM A HONRA .

josias de souza
NOME DO PROBLEMA É BOLSONARO, NÃO PAZUELLO
Quando um general da ativa participa de um comício, ignorando o Estatuto Militar e o Regulamento Disciplinar do Exército, que proíbem a participação de oficiais em atos políticos, fica evidente que o Estado tem um problema. 

Esse problema tem nome e sobrenome. Muitos o chamam de Eduardo Pazuello. Se estivessem certos, a solução seria simples. Bastaria o comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira, divulgar uma nota oficial para distanciar os quarteis da política e informar que a transgressão não ficaria sem uma resposta adequada. 

Após ouvir os membros do Alto Comando do Exército, o comandante Paulo Sérgio abriu procedimento disciplinar contra Pazuello. Pretendia divulgar uma manifestação escrita sobre a participação do general no comício de Bolsonaro no domingo (23/05), no Rio de Janeiro. Chegou a se entender com o ministro da Defesa, o também general Braga Neto. De repente, deu meia-volta. 

Estrela do comício que transformou Pazuello num transgressor, Bolsonaro vetou a divulgação da nota, impondo o silêncio ao Exército. Ficou no ar uma dúvida sobre a autonomia do Exército para impor uma punição adequada a Pazuello —vai de mera advertência à suspensão, passando pela prisão por até 30 dias.

O vice-presidente Hamilton Mourão entendeu rapidamente a natureza do problema. Já na 2ª feira (24/05), Mourão declarou que Pazuello sabia que cometera um erro e já havia inclusive colocado a cabeça no cutelo, à espera de uma punição. 

Mourão sabe como essas coisas funcionam. Em 2014, quando comandava a prestigiosa tropa do Sul, o agora vice-presidente meteu-se numa polêmica política. 

Perdeu o comando. E resignou-se, conforme disse na época:
"Andei extrapolando o tamanho da minha cadeira. E a autoridade do comandante não pode deixar de ser exercida". 
Bolsonaro também não desconhece esse tipo de problema. De cadete a capitão, Bolsonaro foi militar por 14 dos seus 66 anos de vida, tendo sido expurgado da carreira por indisciplina e amargado 15 dias de prisão. 

Na presidência, inaugurou um governo civil em que ninguém sabe o nome do ministro da Educação. Mas todos conhecem os nomes dos generais. Há o Mourão, o Heleno, o Braga Netto, o Ramos... 

Há também o Pazuello, que se aventurou no Ministério da Saúde sem passar para a reserva. E agora se comporta como se fosse um deputado em ano pré-eleitoral. 

Militar de pijama em cargo civil pode ser visto como solução. General da ativa na política produz anarquia. E o país precisa de outras coisas —vacinas, empregos e serenidade, por exemplo. (por Josias de Souza). 
Toque do editor – Eu até seria caridoso com o general Eduardo Pazuello noutras circunstâncias, mas Mefistófeles, o demônio tentador, ferrou com a vida dele, tomando-lhe não só a alma, mas também a honra.

Embora não passe de um patético vacilão, o homenzinho se tornou coadjuvante de genocidio, algo que jamais poderei perdoar!

Vi muitos como Pazuello nas turminhas de rua da minha infância: gordinhos desajeitados, lentos de raciocínio, que eram tratados como inferiores pelos outros, servindo de palhaços para muitos e sendo poupados por uns poucos que deles se compadeciam.

Fez uma boa escolha de carreira, porque oficial do Exército, mesmo que não saiba se fazer respeitar, tem os galões para fazerem isso por ele. E acabou designado para a Arma para a qual vão os que não são nem brilhantes, nem têm personalidade forte: a Intendência. Para, zombou o Rui Castro, administrar o estoque de cuecas do quartel.

E seguiria até o fim da carreira como personagem burocrático e apagado, se o toque de Sadim do Bozo não o tornasse um inverossímil ministro da Saúde. Tal escolha provavelmente se deveu a:
  1. não haver à mão outro oficial tão ingênuo a ponto de entrar nessa roubada, depois que os episódios de Mandetta e Teich comprovaram que não havia espaço naquela Pasta para ministros, mas sim para fantoches;
  2. ser o personagem ideal para Bolsonaro poder avacalhar as normas e procedimentos do Exército, como vingança por ter sido corretamente avaliado como indigno da farda. 
Deu no que deu: Pazuello tão servil e trapalhão se mostrou e tão rudemente foi exposto à opinião pública que cedeu a outra tentação fatal: a de tentar parecer firme, participando da micareta dominical do genocida.

Será pelo menos humilhado com uma advertência, como aluno traquinas que é colocado de castigo no canto da sala com chapéu de burro. 

Quanto ao aprendiz de Mefistófeles, deve estar dando gargalhadas por ter botado Pazuello e o Exército nessa saia justa, mas quem prega tais peças no Exército dificilmente se dá bem. 

E quem faz de todos seus inimigos se descobre sozinho na hora da desgraça. Que, no caso, está cada vez mais próxima. Quem viver, verá. 
(por Celso Lungaretti) 

quinta-feira, 1 de abril de 2021

FIM DE PAPO: O BOZO TENTOU ARRASTAR AS FORÇAS ARMADAS PARA UMA AVENTURA GOLPISTA E ACABOU PENDURADO NA BROXA

ricardo kotscho
NADA VAI MUDAR, NÃO VAI TER GOLPE:
 MILITARES ENQUADRARAM O CAPITÃO
R
esumo da ópera: sem conseguir enfrentar o avanço da pandemia, o capitão tentou arrastar as Forças Armadas para uma aventura golpista, mas ficou pendurado na broxa, ao inventar do nada uma crise militar para mudar de assunto. 

Era só o que faltava na tragédia brasileira. Em poucas horas, os militares se reuniram e desmontaram a bomba-relógio armada por Bolsonaro ao demitir o ministro da Defesa. Desembarcaram do governo e enquadraram o presidente nos limites constitucionais. 

Nada vai mudar com a troca dos comandantes. Não vai ter golpe nenhum. O tiro saiu pela culatra, garantiu-me ontem (31/03) à noite um respeitado general da reserva, contemporâneo dos novos chefes militares e dos 17 integrantes do Alto Comando do Exército. 

A maior prova de que Bolsonaro não conseguiu levar adiante o plano de subordinar as Forças Armadas aos interesses do governo foi engolir a nomeação do general Paulo Sérgio Nogueira para o comando do Exército. 

Foi ele quem provocou a última divergência do ex-ministro Fernando Azevedo e Silva com Bolsonaro, ao conceder uma entrevista no fim de semana ao Correio Braziliense, em que defendeu mais restrições no combate à pandemia, na contramão da política suicida do presidente de mandar todo mundo voltar a trabalhar para salvar a economia. 

[Foi, aliás, o que ele voltou a fazer também ontem, num discurso sem pé nem cabeça em que parecia visivelmente alterado e abatido.] 

Paulo Sergio é da mesma linha legalista do ex-comandante Edson Pujol, que o presidente queria demitir há tempos; contrariado por não ter sua vontade atendida, resolveu se livrar do ministro da Defesa para montar um esquema militar fiel à sua imagem e semelhança para implantar um regime de exceção no país. 

Aconteceu exatamente o contrário: os militares das três Armas se uniram em torno dos seus chefes para garantir a independência das Forças Armadas na relação com o governo. 

Prevaleceu nas nomeações o critério da antiguidade, imposto ao novo ministro da Defesa, Braga Netto, chamado de interventor de Bolsonaro, o que esvaziou a crise armada no horizonte.  

Se Bolsonaro tentar uma nova investida, vai obter o mesmo resultado. Se pensar que vai ter os comandantes a seus pés, vai quebrar a cara. Além disso, a pressão da reserva é grande, disse-me o general.

Até agora, quatro dias após a eclosão da maior crise militar desde 1977, o capitão está tão perdido que ainda não se dignou a falar ao país sobre o que o levou a demitir o ministro da Defesa e os comandantes militares, que já tinham decidido renunciar a seus postos. 

Isolado no bunker do Planalto, agora protegido apenas pelo Centrão, ao qual entregou as chaves do cofre para salvar os anéis e evitar o impeachment, um Bolsonaro menor e mais enfraquecido vai tentar arrastar a procissão pelos longos 650 dias que ainda tem de mandato, sem forças para chamar o meu Exército em caso de necessidade. 

Mais do que dedicar todo seu tempo à campanha pela reeleição e à defesa dos filhos e dos acólitos, o presidente terá que começar a governar para não cair, algo quase impossível para quem nunca trabalhou na vida com carteira assinada e cartão de ponto, e está cercado de ministros medíocres. 

Para quem passou toda a campanha eleitoral fugindo de debates, sem apresentar qualquer programa de governo, só fazendo ameaças e apontando arminha com os dedos, chegou a hora da verdade.   

O Brasil é um país grande e complexo demais, afundado na maior crise da sua história, para ser administrado como se fosse uma bodega da Barra da Tijuca.

Tem cada vez mais gente morrendo sem assistência, não cabe mais ninguém nos cemitérios, e o capitão finge que não é com ele.

Esse pesadelo uma hora tem que acabar. Tudo que ter um limite, até a boçalidade. Chega! 

Vida que segue. (por Ricardo Kotscho)
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