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quarta-feira, 14 de julho de 2021

QUEM QUISER UM 'NOVO BOLSONARO', QUE APRESSE SUA INTERNAÇÃO NO HOSPÍCIO OU NO XADREZ. SÃO OS REMÉDIOS INDICADOS

elio gaspari
O NOVO BOLSONARO DURARÁ POUCO
As charges são do Jota Camelo
Q
uem vira o Bolsonaro da semana passada, falando e andando com sua opinião a respeito da CPI, insultando ministros do Supremo e ameaçando cancelar a eleição, pensou que estava sonhando, ao vê-lo citar a oração do padre-nosso depois de uma conversa de 20 minutos com o presidente da corte, Luiz Fux.

Seria um novo Bolsonaro, respeitador do quadrado da Constituição, moderado e calmo, até na voz.

O que os dois conversaram, não se sabe, mas é muito provável que a essa novidade se aplique a eterna profecia do deputado Luís Eduardo Magalhães: Não tem a menor possibilidade de dar certo.

Seria bom que tivesse, mas a índole do capitão, seu projeto eleitoral e os fatos que vêm por aí conspiram contra essa hipótese.

Para que o novo Bolsonaro pudesse sair das cordas seria conveniente que houvesse uma trégua nas investigações que tramitam no Supremo Tribunal. Fux não tem como articulá-la. 

Há meses ele aceitou a ideia de uma comissão dos Três Poderes para cuidar da pandemia. Ganha uma fritada de morcego quem souber dela. A comissão existe apenas para tomar o tempo de quem vai às suas reuniões. Ficou no mesmo limbo onde repousava, há meses, o gabinete de crise coordenado pelo general Braga Netto.

Coisas desse tipo acontecem porque estão infiltradas num governo disfuncional, pois só nele poderia ter tramitado a girafa da vacina indiana.

É quase certo que a CPI do Senado seja prorrogada por 90 dias, ocupando o espaço do recesso e indo além dele. O governo continuará sangrando, com uma defesa implausível, num cenário de espetáculo.
Bolsonaro não tem uma versão capaz de explicar o contubérnio de coronéis da reserva, um cabo da PM e um reverendo da ativa em torno de uma compra de vacinas.

Num mundo de sonhos, seria possível supor que Bolsonaro estivesse disposto a deixar de lado por alguns meses a obsessão pelo voto impresso. Isso evitaria conflitos com a Justiça Eleitoral. 

Não dá certo porque Bolsonaro, como Donald Trump, não tem diferenças com a metodologia dos votos, mas com os resultados. Tanto é assim que até hoje não mostrou provas de fraudes nas votações eletrônicas.

O Bolsonaro moderado não cabe no formato que deu à própria plataforma, inclusive no meio dos oficiais que o seguem. Afinal, o general Pazuello nada fez de errado subindo no seu carro de som e o senador Omar Aziz foi vil, leviano e irresponsável ao tratar dos pixulecos em torno dos quais farfalhavam militares da reserva.

O general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro de Bolsonaro, disse que a nota dos comandantes militares e do ministro da Defesa entrou num contexto de manifestações que fazem só alarmismo. Na mosca, mas alarmismo é o legume mais apregoado na quitanda do capitão.

O tranquilizante oferecido por Fux poderá até ter algum efeito. Uma semana, numa conta otimista. Para oferecer resultados, deveria ser administrado em doses regulares. Além disso, precisaria do acompanhamento de um profissional de saúde política. 

O Planalto descumpre o que combina e não há profissional que possa cuidar de um doente que defende a cloroquina e não toma os remédios prescritos. (por Elio Gaspari)

quarta-feira, 26 de maio de 2021

O HOMENZINHO CHAMADO PAZUELLO PAGOU CARO POR TER PACTUADO COM JAIR MEFISTÓFELES: PERDEU TAMBÉM A HONRA .

josias de souza
NOME DO PROBLEMA É BOLSONARO, NÃO PAZUELLO
Quando um general da ativa participa de um comício, ignorando o Estatuto Militar e o Regulamento Disciplinar do Exército, que proíbem a participação de oficiais em atos políticos, fica evidente que o Estado tem um problema. 

Esse problema tem nome e sobrenome. Muitos o chamam de Eduardo Pazuello. Se estivessem certos, a solução seria simples. Bastaria o comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira, divulgar uma nota oficial para distanciar os quarteis da política e informar que a transgressão não ficaria sem uma resposta adequada. 

Após ouvir os membros do Alto Comando do Exército, o comandante Paulo Sérgio abriu procedimento disciplinar contra Pazuello. Pretendia divulgar uma manifestação escrita sobre a participação do general no comício de Bolsonaro no domingo (23/05), no Rio de Janeiro. Chegou a se entender com o ministro da Defesa, o também general Braga Neto. De repente, deu meia-volta. 

Estrela do comício que transformou Pazuello num transgressor, Bolsonaro vetou a divulgação da nota, impondo o silêncio ao Exército. Ficou no ar uma dúvida sobre a autonomia do Exército para impor uma punição adequada a Pazuello —vai de mera advertência à suspensão, passando pela prisão por até 30 dias.

O vice-presidente Hamilton Mourão entendeu rapidamente a natureza do problema. Já na 2ª feira (24/05), Mourão declarou que Pazuello sabia que cometera um erro e já havia inclusive colocado a cabeça no cutelo, à espera de uma punição. 

Mourão sabe como essas coisas funcionam. Em 2014, quando comandava a prestigiosa tropa do Sul, o agora vice-presidente meteu-se numa polêmica política. 

Perdeu o comando. E resignou-se, conforme disse na época:
"Andei extrapolando o tamanho da minha cadeira. E a autoridade do comandante não pode deixar de ser exercida". 
Bolsonaro também não desconhece esse tipo de problema. De cadete a capitão, Bolsonaro foi militar por 14 dos seus 66 anos de vida, tendo sido expurgado da carreira por indisciplina e amargado 15 dias de prisão. 

Na presidência, inaugurou um governo civil em que ninguém sabe o nome do ministro da Educação. Mas todos conhecem os nomes dos generais. Há o Mourão, o Heleno, o Braga Netto, o Ramos... 

Há também o Pazuello, que se aventurou no Ministério da Saúde sem passar para a reserva. E agora se comporta como se fosse um deputado em ano pré-eleitoral. 

Militar de pijama em cargo civil pode ser visto como solução. General da ativa na política produz anarquia. E o país precisa de outras coisas —vacinas, empregos e serenidade, por exemplo. (por Josias de Souza). 
Toque do editor – Eu até seria caridoso com o general Eduardo Pazuello noutras circunstâncias, mas Mefistófeles, o demônio tentador, ferrou com a vida dele, tomando-lhe não só a alma, mas também a honra.

Embora não passe de um patético vacilão, o homenzinho se tornou coadjuvante de genocidio, algo que jamais poderei perdoar!

Vi muitos como Pazuello nas turminhas de rua da minha infância: gordinhos desajeitados, lentos de raciocínio, que eram tratados como inferiores pelos outros, servindo de palhaços para muitos e sendo poupados por uns poucos que deles se compadeciam.

Fez uma boa escolha de carreira, porque oficial do Exército, mesmo que não saiba se fazer respeitar, tem os galões para fazerem isso por ele. E acabou designado para a Arma para a qual vão os que não são nem brilhantes, nem têm personalidade forte: a Intendência. Para, zombou o Rui Castro, administrar o estoque de cuecas do quartel.

E seguiria até o fim da carreira como personagem burocrático e apagado, se o toque de Sadim do Bozo não o tornasse um inverossímil ministro da Saúde. Tal escolha provavelmente se deveu a:
  1. não haver à mão outro oficial tão ingênuo a ponto de entrar nessa roubada, depois que os episódios de Mandetta e Teich comprovaram que não havia espaço naquela Pasta para ministros, mas sim para fantoches;
  2. ser o personagem ideal para Bolsonaro poder avacalhar as normas e procedimentos do Exército, como vingança por ter sido corretamente avaliado como indigno da farda. 
Deu no que deu: Pazuello tão servil e trapalhão se mostrou e tão rudemente foi exposto à opinião pública que cedeu a outra tentação fatal: a de tentar parecer firme, participando da micareta dominical do genocida.

Será pelo menos humilhado com uma advertência, como aluno traquinas que é colocado de castigo no canto da sala com chapéu de burro. 

Quanto ao aprendiz de Mefistófeles, deve estar dando gargalhadas por ter botado Pazuello e o Exército nessa saia justa, mas quem prega tais peças no Exército dificilmente se dá bem. 

E quem faz de todos seus inimigos se descobre sozinho na hora da desgraça. Que, no caso, está cada vez mais próxima. Quem viver, verá. 
(por Celso Lungaretti) 

sábado, 13 de março de 2021

ATÉ QUANDO SUPORTAREMOS VER O BRASIL SE TORNANDO UM CAMPO DE EXTERMÍNIO?!

hélio schwartsman
PANDEMIA MOSTRA QUE FRACASSAMOS COMO SOCIEDADE
O
Brasil vive uma tragédia nacional. Já empilhamos mais de 2.000 cadáveres por dia devido à Covid-19, e essa aritmética macabra ainda vai piorar antes de melhorar.

A situação nos hospitais é desesperadora. A cada dia chegam mais pacientes graves e há menos recursos disponíveis para tratá-los. 

A sensação é a de um tsunami que vem se aproximando e tudo o que temos para tentar manter a água do lado de fora são baldinhos de praia.

O colapso simultâneo de várias redes já é inevitável; ainda dá para fazer alguma coisa em relação à duração que terá esse pesadelo, se adotarmos medidas mais fortes de distanciamento social.

Não se pode, é claro, pôr todos os óbitos por Covid-19 na conta de Jair Bolsonaro, mas ele responde por uma porção significativa deles. Se o presidente tivesse comprado as doses de vacina que lhe foram oferecidas em meados do ano passado, já viveríamos uma situação muito melhor.

Se não tivesse estimulado prefeitos e governadores que lhe são simpáticos a sabotar as medidas de distanciamento social e o uso de máscaras, talvez nem tivéssemos o problema da variante amazônica do Sars-CoV-2, que já é considerada uma ameaça mundial.


Bolsonaro, porém, não só deixou de fazer o mínimo que se espera de um governante como ainda insiste em zombar de milhões de brasileiros que choram seus mortos. Ele é um desastre como administrador e como ser humano.

Há uma corrente de cientistas políticos que afirma que o que faz a democracia funcionar é a facilidade com que permite que um país se livre de maus governantes. Sob essa ótica, cada dia que Jair Messias Bolsonaro permanece na Presidência atesta nosso fracasso como sociedade.

Os paraguaios, que até aqui se saíram melhor que nós na pandemia (486 mortos por milhão de habitantes contra 1.292), se revoltaram e têm chance de despachar um presidente cujo desempenho julgam insuficiente. Inveja do Paraguai. (por Hélio Schwartsman)
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