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sábado, 2 de agosto de 2025

46% DOS BRASILEIROS NÃO DIFERENCIAM TRAIDORES DA PÁTRIA DE PATRIOTAS

Excluídos os ditadores que usaram a faixa presidencial mas foram empossados pelas tropas e não pelos eleitores, o Brasil jamais teve presidente da República pior nem mais nocivo para os governados do que Jair Bolsonaro.

Insisto em considerá-lo uma miniatura do Adolf Hitler, só se diferenciando do führer nazista pela escala do morticínio que causou: algo entre 350 mil e 400 mil brasileiros foram vítimas fatais da pandemia de covid graças à sua sabotagem alucinada da vacinação, pois sob um presidente mentalmente equilibrado se salvariam, segundo concluíram instituições do mundo civilizado cuja credibilidade é incontestável.

O que equivale a dizer que Bolsonaro é o maior exterminador de brasileiros de todos os tempos.

Mesmo assim, o levantamento do DataFolha divulgado neste sábado (2) aponta que só 48% dos brasileiros são capazes de ter a única posição aceitável face a tal abominação, ou seja, querem vê-lo preso; e 46% não passam de gado tangido pelos berrantes da desumanidade e da barbárie, a ponto de preferirem vê-lo solto para continuar defendendo os privilegiados e desgraçando os coitadezas. 

E isto no momento em que ele e seu clã chegam ao fundo do poço em termos morais, mancomunados que estão com um governo estrangeiro que tenta passar como um trator sobre a soberania brasileira, recorrendo à mais vil chantagem para impor-nos seus caprichos.

Então, somos obrigados a constatar que 46% dos brasileiros não sabem sequer que traidores da pátria são o contrário de patriotas.

Trata-se de um
como queríamos demonstrar que chega seis dias depois do mais doloroso e importante artigo que escrevi na vida, Melancólica conclusão: a democracia não sobrevive à agonia do capitalismo.

Curvando-me à evidência dos fatos, admiti que o capitalismo, ora em estado terminal, levará de roldão a democracia burguesa: 
"...a minoria de privilegiados já não conta apenas com a força bruta para sufocar os anseios da maioria de explorados. Eventualmente ainda recorre a golpes de estado (...), mas consegue também conquistar maioria no Executivo e no Legislativo pelo voto popular, mesmo quando prega ostensivamente mentiras cabeludas e desumanidade extremada. 
Uma coisa é certa: a democracia já não nos serve mais como trincheira, pois é cada vez maior a facilidade com que o inimigo ocupa tal bastião".
E a pergunta que lancei em seguida continua em pé, sendo o que realmente resta discutirmos neste momento:
como revertermos a nova barbárie ultradireitista? 

Se não encontrarmos a resposta correta, estaremos nos condenando a mais mil anos de retrocesso civilizatório, como o ocorrido após a queda do Império Romano.

Isto, claro, se a nossa espécie não for extinta pelas alterações climáticas e caos econômico que nos golpearão com força total a partir da segunda metade deste século. (por Celso Lungaretti

domingo, 18 de setembro de 2022

REJEIÇÃO DAS MULHERES AO BOZO DEIXA SUA BANDEIRA A MEIO-PAU NAS PESQUISAS

"BOLSONARO PASSOU QUATRO ANOS DANDO DE OMBROS PARA O ELEITOR QUE ACORDA CEDO E SE PENDURA NO BALAÚSTRE DO ÔNIBUS. IMBROCHÁVEL, ELE SE TORNOU O VIAGRA ELEITORAL QUE MANTÉM O FAVORITISMO DO SEU PRINCIPAL RIVAL ERETO" (Josias de Souza)

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

O ANTIBOLSONARISMO HOJE DÁ DE GOLEADA NO ANTIPETISMO

josias de souza
BOLSONARO PEDE VOTO, MAS ELEITOR ENTREGA A CONTA
Mal comparando, Bolsonaro vive em 2022 uma experiência parecida com a do cliente que entra no restaurante, pede peixe assado e recebe bife mal passado. 

A frustração do capitão é bem maior. Ele pede voto. Esperava saborear mais quatro anos de poder. A praticamente duas semanas da eleição, o brasileiro sinaliza por meio do Datafolha a intenção de fechar a conta. 

A taxa de reprovação do governo oscilou para o alto: de 42% para 44%. Segundo o Datafolha, 53% dos eleitores declaram não votar em Bolsonaro em nenhuma hipótese. Para 51%, as declarações do atual presidente nunca são confiáveis. 

Entre as mulheres, donas da maioria dos votos no Brasil, a corrosão é ainda maior: 56% rejeitam Bolsonaro; 54% enxergam nele um mentiroso compulsivo.

O quadro é absolutamente inédito. Todos os presidentes que pleitearam a reeleição antes de Bolsonaro tiveram sucesso. Nenhum chegou à antessala da eleição em desvantagem nas pesquisas, acorrentado a indicadores tão radioativos. 
Mantiveram-se estáveis no Datafolha os dados que medem as intenções de voto. Lula, rejeitado por 38%, conserva vantagem de 12 pontos sobre o principal rival. A passagem de Bolsonaro para o 2º turno aparece na pesquisa como uma possibilidade estatística. 

Mas ainda que Bolsonaro sobreviva ao feitiço do voto útil, terá que tirar cartolas de dentro de coelhos para evitar uma derrota. Hoje, Lula prevaleceria num hipotético 2º turno com 16 pontos de lambuja: 54% a 38%. 

No 2º turno de 2018, o brasileiro escolheu um vencedor, não um presidente. Muitos votaram em Bolsonaro para impedir a volta do PT. Prevaleceu a exclusão, não a preferência. Caberia ao vitorioso a generosidade da pacificação. Bolsonaro trocou o nós contra eles pelo eles contra nós

A fratura nunca esteve tão exposta como agora. Em menos de quatro anos, Bolsonaro conseguiu fazer do antibolsonarismo uma força política mais pujante do que o antipetismo.  (por Josias de Souza)
Toque do editor – O Josias cumpriu bem o seu papel de interpretar o que a pesquisa do Datafolha revelou sobre o quadro eleitoral. 

Mas, como não escrevo mais usando a camisa de força da grande imprensa, quero acrescentar que sobrou uma conta também para o Lula, a ser-lhe entregue pelo Bozo juntamente com a faixa presidencial: o estado calamitoso a que o Brasil foi reduzido nos dois últimos anos de desgoverno. 

Lula quis porque quis manter o genocida na presidência para poder ganhar a eleição à frente de um partido desmoralizado e sem ideias, incapaz de apresentar qualquer proposta que pudesse realmente tirar o Brasil da sua interminável recessão (pouco importando como os doutos qualificam a pasmaceira e miserê que nos dilaceram).

O palhaço sinistro poderia ter saído muito antes, com o impeachment. Será escorraçado agora, mas a destruição do Brasil avançou muito no prazo adicional que Lula lhe concedeu. É justo que, ao invés de um país para governar, ele receba uma massa falida para administrar...

Nós, brasileiros, é que não merecemos tal presente de grego! (por Celso Lungaretti)   

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

BYE, BYE, BOZO...

A
pós se tornar o recordista absoluto da República do Brasil em crimes eleitorais impunes ao dar esmolas eleitoreiras  no finalzinho da campanha presidencial e ao avacalhar a comemoração do bicentenário da independência transformando-a num comício tosco e ignaro, o palhaço sinistro ainda perde do Lula por 45% a 34%, segundo o DataFolha.

Então, a corrida já acabou. Depois de o bufão haver queimado seus últimos cartuchos sem conseguir alterar o rumo da batalha, seus apoios (comprados com dinheiro público e com a famigerada caneta Bic) vão bandear para o lado vencedor e o Lula herdará votos suficientes para eleger-se no 1º turno.  

A dominação burguesa prosseguirá, a escandalosa desigualdade econômica  vai permanecer intocada, a economia do País não sairá do buraco, mas a retirada do bode da sala vai dar aos brasileiros algum alívio momentâneo: sem insanidade mental, golpismo e necropolítica, tudo parecerá melhor por uns tempos.

Continuaremos patinando sem sair do lugar, suportando o pesadelo da polarização imbecil que faz do vizinho o lobo do vizinho e a mesmice da alternância entre o ruim (governos populistas reformistas)  e o péssimo (governos populistas ultradireitistas), as duas faces da moeda capitalista na atualidade.

Torcendo para ainda estarmos vivos quando, ao invés de dar cara ou coroa, a moeda cair em pé. E, claro, empenhando-nos ao máximo para que tal aconteça. (por Celso Lungaretti)

domingo, 29 de maio de 2022

MAIO TERMINA COM A SUCESSÃO EM ABERTO E O BOZO NEUTRALIZADO

A
pesar da euforia dos petistas com os resultados da última pesquisa eleitoral do DataFolha e de já estarem executando um deplorável arrastão para tentarem liquidar a fatura no 1º turno, o que realmente se decidiu em maio foi o destino político do presidente Jair Bolsonaro: nem se reelegerá, nem vai conseguir dar golpe nenhum. 

No tocante a ele, as únicas dúvidas que restam são se conseguirá escapar impune de todos os crimes que cometeu no passado e no mandato atual, se vai ser merecidamente processado e depois encarcerado ou se  pedirá asilo para o Putin. 

Por quê? Porque em maio se percebeu nitidamente que o grande capital chegou à óbvia conclusão de que o exterminador do nosso futuro é veneno para a economia, dada a instabilidade permanente que causa, afugentando investidores e dificultando negócios com o exterior. E, como o Lula se mostra ainda mais conciliador com o poder econômico do que em 2002, o pragmatismo empresarial acabou prevalecendo sobre restrições ideológicas porventura remanescentes.

E a última pesquisa do DataFolha, ao escancarar que há forte possibilidade de vitória lulista já no 1º turno, retirou a escada do genocida, deixando-o pendurado na brocha, pois:
— o petista teria hoje 54% dos votos válidos e, num eventual 2º turno, golearia o palhaço sinistro por 58% a 33%;
— mostrou que o preside(me)nte não conseguirá reverter a situação com novas esmolas, pois, entre os que recebem o Auxílio Brasil, só 20% votariam nele, contra os 59% que preferem o Lula;
—  no segmento dos mais pobres (fundamentais 52% do eleitorado), a vantagem lulista é acachapante, 66% x 25%, sinalizando que o calcanhar de Aquiles do celerado é o péssimo desempenho na economia;
— não votariam de jeito nenhum no pior presidente deste país em todos os tempos 54% dos eleitores, enquanto são 33% os que mantêm o Lula na lista negra;
—  48% dos eleitores consideram o (des)governo do Bozo "ruim ou péssimo" e 27% "regular", enquanto só 25% o aprovam.

O que se depreende deste quadro? 

Que, como produzir um milagre econômico nos quatro meses que faltam até o pleito é impossível e como novos auxílios demagógicos aos pobres não desfarão a impressão causada por um mandato inteiro de penúria, o abominável já não tem como virar o jogo eleitoral.

Ou seja, o calamitoso não só perderá, como a tendência óbvia é de que o impacto desse novo cenário delineado no último DataFolha acelerará o derretimento da sua candidatura, com os ratos abandonando o navio que afunda. Só continuarão ao lado dele os fanáticos ultradireitistas, uma minoria de menos de 20% dos brasileiros.

E como pensar em golpe sem apoio do grande capital e das nações capitalistas dominantes, bem como das Forças Armadas (cujos altos comandantes sabem muito bem que estariam entrando numa roubada), e não tendo nenhuma perspectiva de tirar o Brasil da recessão em que está atolado até o pescoço? Não vai rolar.

Contudo, por mais que os petistas cantem vitória antecipada e atirem salva-vidas para os personagens mais nefandos da política brasileira, prontos para repetir os erros e as amoralidades que conduziram ao mensalão e ao petrolão, talvez tenham errado no timing: se o efeito Janja e o efeito DataFolha redundarem num esvaziamento rápido demais do pária mundial, é possível algum azarão acelerar na reta final e tomar o lugar dele no 2º turno.

Pois o Lula está se beneficiando da ansiedade que os brasileiros, em sua maioria, têm de encerrarem o quanto antes a temporada do circo de horrores. Mas, com o palhaço sinistro encaminhando-se nitidamente para o desemprego, é possível que algum outro candidato caia no agrado popular  e atropele na chegada. 

É difícil, mas não impossível, que uma intervenção do destino estrague o plano infalível dos que estão há anos favorecendo a polarização para dela extraírem benefícios eleitorais, mesmo que sua sabotagem à luta pelo impeachment do Bozo implicasse a morte de centenas de milhares de brasileiros que poderiam ter sobrevivido à pandemia de covid.  

Quem poderia personificar tal surpresa?

Ciro Gomes parece ter perdido sua chance ao encaminhar-se para a direita, tentando armar sua trincheira na exígua faixa de terra existente entre o capitalismo monstruoso e fedorento sob o Bozo e o capitalismo  maquilado e perfumado sob o Lula. 

Se, ao invés disso, houvesse tentado ocupar o espaço à esquerda do Lula, muito mais amplo, talvez tivesse emplacado.

Pelo mesmo motivo, o potencial de crescimento de Simone Tebet não é grande, embora ela possa se beneficiar de sua condição de mulher (um considerável trunfo depois da misoginia repugnante do motoqueiro fantasma) e de ser uma cara diferente numa política em que os já conhecidos quase todos já decepcionaram.

Vera Lúcia, por sua vez, tende a herdar os votos da esquerda consequente, aquela que quer muito mais do que o Lula está disposto a dar: tudo aquilo que o PT prometia ao ser fundado em 1980 e depois esqueceu ou renegou.   

E não está descartada a possibilidade de que, nestes quatro meses que faltam até a ida às urnas eletrônicas, ocorrer uma explosão social como a do Chile em 2019, pois a situação de miserabilidade está cada dia mais dramática. 

Com isto todos os cálculos iriam para o espaço e teríamos de botar a cabeça para funcionar novamente. (por Celso Lungaretti) 

sábado, 15 de janeiro de 2022

NOVA PESQUISA REVELA QUE, EM VEZ DOS 22 MILHÕES DOS DADOS OFICIAIS, MAIS DE 100 MILHÕES DE BRASILEIROS JÁ TIVERAM COVID

atila iamarino
DATA FOLHA MOSTRA A DIMENSÃO DO ELEFANTE DA COVID NO BRASIL 
Entender a pandemia de Covid-19 no Brasil e o que enfrentaremos com o espalhamento explosivo da variante ômicron é como descrever o lendário elefante que não enxergamos.

Quantos brasileiros tiveram Covid? Quantos ainda não se vacinaram? Quantos pretendem vacinar os filhos? Mesmo essas perguntas diretas têm mais de uma resposta.

Na parábola, um elefante é apalpado por vários cegos que tentam descrever o animal que não conheciam. Quem inspeciona a tromba acha que é uma cobra, quem toca nas pernas acha que ele parece um tronco de árvore, quem toca seu ventre imagina uma parede e assim vai.

Todos oferecem uma perspectiva válida, mas incompleta. Mortes em excesso, números oficiais e relatos descrevem o elefante da pandemia, mas cada um descreve só uma parte.

Agora o Datafolha traz outra parte do paquiderme. Talvez seu rabo, que parece uma corda que começamos a puxar e vemos que tem muito mais preso na outra ponta. Como uma população cansada, que já se expõe bastante e está vulnerável à ômicron.

Segundo o Datafolha, cerca de 42 milhões de brasileiros receberam resultado positivo para a Covid. O painel oficial do Ministério da Saúde, atualizado pela última vez em 9 de dezembro de 2021, reporta quase 20 milhões de casos positivos a menos do que a pesquisa estima já conforme o consórcio de imprensa, foram 22,8 milhões de casos até esta 5ª feira (13).
...mas nunca deve ter existido algum
que mentisse tanto quanto o do Bozo!

Outro número oficial, escrito em fonte mais discreta, descreve os quase 617 mil óbitos e a letalidade de 2,8% do novo coronavírus no Brasil. Uma letalidade três vezes maior do que a estimada para a doença. O que indica que tivemos pelo menos três vezes mais casos do que os oficiais.

Considerando as subnotificações e que muitos óbitos aconteceram quando já tínhamos vacinas sendo aplicadas, o que reduziu muito a letalidade do vírus, devemos ter passado dos 100 milhões de brasileiros com Covid.

A diferença entre os pelo menos 100 milhões e os 42 milhões do Datafolha pode estar na nossa testagem limitada. Além de desperdiçarmos milhões de testes, ainda testamos só os casos mais graves em muitas regiões. Tanto que 70% dos entrevistados declararam não ter sido contaminados pela Covid, um número incompatível com nossa realidade.

Já os 20 milhões de testes positivos que não foram para nosso painel oficial demandam uma revisão importante do sistema de notificação. O atraso descabível dos números oficiais, desatualizados por mais de um mês, é um dos sinais das dificuldades que o sistema que o governo já tentou tirar do ar enfrenta.

Independentemente da descrição mais próxima do elefante real de casos, se não tivéssemos vacinas e se todos os curados estivessem protegidos, ainda poderíamos ter pelo menos meio país vulnerável.

Ou, olhando esse elefante por outro lado, ainda poderíamos ver o dobro de mortes se seguíssemos o sonho de quem promove o contágio como forma de proteção na imunidade de rebanho.

Felizmente, nos vacinamos muito: só 10% dos brasileiros com 16 anos ou mais ainda não tomaram duas doses de vacina. E só 2% não se vacinaram nem pretendem se vacinar.
Este título será dele para sempre: o de
maior exterminador de brasileiros.
 
Um forte sinal de que nosso movimento antivacina conta com muitos não praticantes que falam mal da vacina em público, mas já carimbaram sua carteirinha de vacinação.

A diferença para a estimativa de 100% da população adulta vacinada, registrada em algumas cidades, tem explicações. Os 100% totais são estimados com base no último Censo, de 2010. E muitas cidades ainda têm uma população flutuante de trabalhadores e visitantes que não aparecem nos números oficiais.

Por isso, alguns números oficiais podem passar dos 100% dos adultos vacinados. Os 90% do Datafolha podem indicar um número mais próximo da população vacinada real.

E também podem indicar os buracos de cobertura vacinal, locais como municípios do interior da região Norte nos quais, até onde tivemos números, menos de 40% da população havia sido vacinada.

Outro aspecto desse elefante indica que estamos entrando em outro período perigoso. Segundo a pesquisa, cerca de 4 milhões de brasileiros acreditam que tiveram Covid nos últimos 30 dias.

Mas outra resposta é ainda mais intrigante e indica que esse número deve ser muito maior e que, novamente, estamos no escuro.

Mais de um quarto dos entrevistados, o equivalente a 50 milhões de brasileiros, afirmam ter tido gripe nos últimos 30 dias. E mais da metade conhece um amigo ou parente que ficou gripado.

Temos uma epidemia de gripe, sem dúvidas. Mas a variante ômicron é o vírus com o espalhamento mais rápido que a humanidade já viu. Ela é pelo menos três vezes mais transmissível do que a gripe. Onde a gripe pode ser transmitida, a ômicron certamente também pode.
Nas guerras convencionais, os quinta-colunas eram
fuzilados. Por que não numa guerra sanitária?!

Os sintomas mais comuns da ômicron em vacinados são bem parecidos com os da gripe, como nariz escorrendo, congestão nasal e garganta raspando. Provavelmente, muitos estão com Covid e confundem com a gripe, graças à proteção que as vacinas trouxeram.

Tanto que vivemos uma situação paradoxal. Desde o começo da pandemia, segundo o Datafolha, nunca os brasileiros saíram tanto e tão sem máscaras. Mais de 70% dos entrevistados já estão vivendo a vida normalmente (12%) ou tomando cuidado, mas saindo para trabalhar ou fazer outras atividades (60%).

Ao mesmo tempo, 45% dos entrevistados acham que a pandemia está fora de controle, uma proporção que se via desde o primeiro semestre de 2021. Ou seja, as pessoas sabem que o vírus está circulando, mas se sentem protegidas e seguras mesmo assim.

Tanto que muitos, quase 40%, se aglomeraram no réveillon com mais de seis pessoas. Uma circulação que ainda vai cobrar um preço caro em internações.

Não estamos tranquilos. Apesar da proteção que vacinados ainda têm mesmo contra hospitalização pela ômicron, se ainda tivermos 10% dos adultos sem vacina, podemos esperar um grande estrago.

Muitas crianças ainda não estão vacinadas e esse foi um grupo especialmente atingido onde a ômicron já se espalhou.

No Reino Unido, mais de 60% dos leitos de UTI são ocupados pelos menos de 10% da população que não se vacinou. É uma parcela pequena que não se protegeu e que está sofrendo mais e ocupando mais o sistema de saúde.

Onde os nossos adultos não vacinados estiverem, seja esparsos pelo país seja concentrados em regiões atrasadas na vacinação, darão trabalho para o SUS. Esse elefante pode ser muito maior do que nossos sentidos nos informam. 
(por Atila Iamarino, que tem doutorado
em ciências pela USP e fez pesquisa na Universidade de Yale)

sábado, 18 de setembro de 2021

O APÓSTOLO BARROSO ADEQUOU JOÃO 8:32 ÀS LIÇÕES DO NOVO MESSIAS: "CONHECEREIS A MENTIRA, E A MENTIRA VOS APRISIONARÁ"

josias de souza
AMOR DE BOLSONARO PELA MENTIRA
É PLENAMENTE CORRESPONDIDO
Eleito pelo poder econômico, que inundou a web com
fake news, o mandato do Bozo é, em si, uma mentira...  
 
A
semana começou com uma declaração de amor de Bolsonaro às fake news: "Faz parte da nossa vida". O presidente tratou o flagelo com carinho inaudito: "Quem nunca contou uma mentirinha pra namorada?". 

A semana chega ao fim com a revelação do DataFolha de que o amor do capitão pela mentira nunca foi tão correspondido.

A grossa maioria do eleitorado (85%) ouve Bolsonaro com a pulga atrás da orelha  57% nunca confiam naquilo que o presidente da República declara, 28% confiam só de vez em quando. Apenas uma minoria (15%) confia 100% no que escorre dos lábios do suposto chefe da nação. 

O nível de desconfiança em relação às falas do capitão nunca foi tão alto. 

O país se deu conta de que Bolsonaro opera num mundo com duas verdades: a dele e a verdadeira. O primeiro Bolsonaro personifica a nova política, abomina a corrupção, afugenta o comunismo e cultua um versículo do Evangelho de João: "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará". O outro Bolsonaro, retratado pelo DataFolha, é parecido com o primeiro, só que mente um pouco. 

Tanto desapreço pelos fatos acabou convertendo Bolsonaro numa espécie de fake presidente. Justiça se lhe faça: ninguém chega a tal posição por acaso.   
...engolida por desinformados e/ou pusilânimes até 
que a pandemia e a penúria abriram seus olhos...
 

Não é que o personagem flerta esporadicamente com a inverdade. Não, não, absolutamente. É preciso reconhecer que o progresso de Bolsonaro está alicerçado na mentira. O Brasil só piora. Mas as finanças do clã presidencial não param de melhorar.

A família Bolsonaro prosperou na vida pelo trabalho duro – trabalho do contribuinte. A dinastia desfruta de todos os confortos que o suor do brasileiro é capaz de pagar.

O patriarca é um grande defensor do patriotismo e da instituição familiar. Educou os filhos para amar a bandeira verde e amarela. Os rapazes não hesitaram em seguir os passos do pai. Casaram-se com a pátria. E foram morar no déficit público. 

Bolsonaro refugiou-se num contracheque do Estado pela primeira vez aos 18 anos, quando entrou para o Exército. Hoje, à frente do governo civil mais militar da história, o capitão se jacta da origem castrense, embora tenha sido expurgado do quartel pela porta dos fundo apenas 15 anos depois de sentar praça. 

Político há 32 anos, Bolsonaro já acumula mais tempo de rachadinha do que de farda. 

Presidente há quase três anos, Bolsonaro faz aos brasileiros o favor de se sacrificar pelo bem da coletividade. Queixou-se em 21 de julho: "Costumo dizer aos meus amigos: não queiram essa cadeira, que isso aqui tem kriptonita, brocha o Super-homem, que dirá eu!" 
...e eles se deram conta de que estavam sendo feitos de
otários por um paspalhão que nem mentir direito sabe...

Há uma semana, reclamou: "A vida de presidente não é fácil. Se alguém quiser trocar comigo, troco agora." 

Para Bolsonaro, a Presidência é uma missão de Deus. Sem receio de que a CPI da Covid o convoque para uma acareação com o Todo-Poderoso, o capitão se oferece para resolver até os problemas que o brasileiro não sabia que tinha. Por exemplo: o comunismo. 

Nesta sexta-feira, de passagem por Minas Gerais, Bolsonaro tranquilizou o país: "Uma das coisas que mais me confortam é saber que naquela minha cadeira lá em Brasília não está sentado um comunista".

Confirmou que estará em Nova York na próxima terça-feira. Discursará na abertura da Assembleia Geral da ONU. Anunciou que dirá algumas verdades sobre o Brasil. Tremei, mundo! 

Antes mesmo de ouvir as verdades que Bolsonaro despejará sobre a tribuna da ONU, o brasileiro, já vacinado contra as mentiras do orador, percebe que a vida de presidente é muito fácil, difícil é ser presidido diariamente por Bolsonaro. Se a passagem do capitão pelo Planalto serve para alguma coisa é para provar que governar o Brasil não é tão difícil.  
...e agora só falta um pequeno detalhe.

O horário é bom, o dinheiro é razoável, viaja-se de graça para Nova York, passeia-se de moto nos finais de semana, e há sempre a possibilidade de demitir o ministro Marcelo Queiroga, que deve proporcionar uma sensação muito boa. 

Por uma trapaça da sorte, Bolsonaro acredita que a falta do voto impresso desvirtuará as urnas eletrônicas que já lhe concederam tantos mandatos eletivos.

Dias atrás, em resposta às mentiras sobre urnas eletrônicas que Bolsonaro repetiu nos palanques de 7 de setembro, o presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, chamou-o de farsante

Ecoando a maioria que se expressou por meio do DataFolha, Barroso disse que o lema de Bolsonaro é diferente daquele que está anotado em João 8:32. "Conhecereis a mentira, e a mentira vos aprisionará", contrapôs o magistrado. 

Barroso pode ter soado premonitório. (por Josias De Souza)

domingo, 28 de junho de 2020

A CRIATURA AGONIZA, MAS A LUTA CONTRA QUEM CRIOU O MONSTRO VAI PROSSEGUIR

A notícia do momento é a pesquisa do Datafolha na qual 75% dos 2.016 entrevistados na terça (23) e quarta-feira (24)  passadas apontam a democracia como o regime mais adequado e apenas 10% consideram uma ditadura aceitável em algumas situações. O placar anterior, em dezembro último, tinha sido de 62% contra 12%.

Desde 1989, quando o instituto começou a pesquisar tal questão, é o maior índice de aprovação obtido pela democracia.

Para evidenciar ainda mais o fracasso das pregações totalitárias de Jair Bolsonaro, 78% veem o regime militar por ele idolatrado e relativizado como a ditadura que realmente foi e só 13% discordam.

Ou seja, um ano e meio de mandato foram suficientes para Bolsonaro desacreditar de forma acachapante os valores ultradireitistas que ele professa, daí sua vexatória situação atual, de depender basicamente do velho e execrado fisiologismo para tentar (inutilmente) salvar seu mandato. 

Mas,  como ele saberia se não tivesse passado três décadas de parasitismo legislativo ocupando-se de miudezas, o centrão nunca salva quem está despencando: vende caro seu apoio durante a fase agônica e o retira quando o desfecho é iminente, para compor-se com os vencedores.

Este blog vinha cantando a bola de há muito e reiterou seus prognósticos na última 5ª feira (25): O Trump e o Bozo deverão comemorar o réveilloon como ex-presidentes, para alívio e regozijo da humanidade. Os acontecimentos continuam se encaminhando exatamente em tal direção: 
— o palhaço estadunidense vê a Covid-19 voltar a crescer exatamente nos estados que lhe seriam eleitoralmente mais favoráveis, enquanto Joe Biden coloca 10 pontos de vantagem sobre ele nas pesquisas mais recentes;
— o palhaço brasileiro se mostra cada vez mais errático, caindo em profunda prostração com as más notícias, exagerando a importância das que lhe parecem boas (a decisão estapafúrdia que livrou Flávio Bolsonaro de um juiz de verdade tem fôlego curto e será derrubada adiante) e tentando agora projetar uma imagem de paz e amor que só serve para mostrar quão cínico ele pode ser e quão desesperada é sua situação.

Enfim, enquanto a Folha de S. Paulo faz uma edição dominical com a flagrante intenção de surfar na onda da derrocada do bolsonarismo, esforçando-se para aparentar estar reeditando seu papel nas diretas-já e, assim, poder colher o máximo de louros quando o Bozo for removido do poder, este blog vai noutra direção: passará a discutir o que virá depois e qual deve ser a nossa postura diante do novo quadro que já se esboça.

Não nos interessa colher louros de vitórias parciais, mesmo quando tão necessárias quanto a que se avizinha (Bolsonaro se mostrou de tal forma pernicioso e destrutivo que seu afastamento se tornou a prioridade máxima e mais urgente da esquerda, à medida que cada dia de permanência no poder agrava a tragédia humanitária da Covid-19, maximizando as mortes evitáveis). 

Mas, a retirada do bode da sala é só um passo do caminho que precisamos percorrer para resgatarmos o Brasil da desigualdade social e do autoritarismo político que nele sempre prevaleceram, ora escancarados, ora camuflados como o vêm sendo neste século pelo consumismo e pelas ilusões democrático-burguesas. 
Bolsonaro logo será uma (deprimente) página virada da História, mas a luta contra o verdadeiro inimigo vai continuar. Seu nome é capitalismo. 
(por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 8 de abril de 2016

O QUE PODEMOS DEPREENDER DA PESQUISA DATAFOLHA SOBRE O IMPEACHMENT?

Segundo o DataFolha, 60% dos deputados estariam decididos a votar pelo impeachment de Dilma Rousseff, 21% a votarem contra e existiriam 19% de indecisos.

Ou seja, o impeachment teria hoje 308 votos, contra o impeachment estariam 108 deputados e os indecisos totalizariam 97.

Para que o impeachment seja aprovado na Câmara e enviado ao Senado (etapa seguinte), precisa obter 342 votos.

Ora, uma análise exclusivamente matemática destes números indica que a probabilidade maior é de que o impeachment passe, pois lhe faltariam 34 votos e os indecisos somam 97. Mantida a tendência prevalecente, 60% dos indecisos optarão pelo impeachment, perfazendo mais 58 votos, suficientes para a aprovação da proposta.

Numa análise política, a hipótese mais plausível é a de uma avalanche de votos, pois nossos bravos parlamentares, firmes como geleia, no frigir dos ovos deverão alinhar-se com o governo que vem, mandando às urtigas o governo que vai –foi assim no impeachment do Collor.

No entanto, a rede chapa branca deu o seguinte enfoque à notícia que lhe é flagrantemente desfavorável: DataFolha: Câmara não tem votos para o impeachment

É um título capcioso, que induz a uma conclusão errônea e, na verdade, não quer dizer absolutamente nada, pois os que tentam impedir o impeachment também carecem dos votos necessários para tanto. A abordagem honesta seria nesta linha: a descida do muro dos indecisos decidirá a parada.

Enfim, os que buscam uma interpretação conscienciosa das notícias, a encontram aqui. 

E terão minha gratidão se indicarem este blogue a outros internautas conscientes do quanto se tenta manipulá-los e cansados de serem tratados como crianças.

domingo, 12 de abril de 2015

A BASTILHA NÃO CAIRÁ NA AVENIDA PAULISTA

A imagem é impressionante...
O DataFolha inquiriu 2.834 brasileiros sobre um eventual impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Não considero que, como andei lendo em espaços petistas, fosse vedado ao jornal fazê-lo por inexistirem neste momento razões jurídicas para o impedimento presidencial.

Isto não retira de qualquer cidadão ou entidade o direito de dar entrada num pedido de impeachment, desperdiçando o seu tempo, pois o processo não será aberto. Igualmente, nada existe de ilegal na realização e divulgação de pesquisas a respeito de como o homem comum encara tal questão, desde que os resultados não sejam fraudulentos.

Foi melancólico constatarmos, mais uma vez, o sentimento de impotência do nosso povo diante do sistema, que continuam encarado como algo inacessível, inatingível e impermeável à pressão popular: 83% acreditam que Dilma estava ciente da roubalheira na Petrobrás (57% a veem como conivente e 26% como impotente diante da corrupção) e 63% responderam sim à indagação sobre se o Congresso deveria abrir um processo de impeachment para afastá-la da Presidência. No entanto, 64% duvidam de que ela venha a ser efetivamente afastada. A gente somos inútil...

A opinião é coerente com a atitude: de uma população que já ultrapassa a casa de 200 milhões, só cerca de 1,5% (uns 3 milhões) estão saindo às ruas para defender o que 63% consideram justificável. 

Novidade? Não. A mesma desproporção vem se evidenciando ao longo de toda nossa História, desde o trágico abandono a que foram relegados os inconfidentes, passando pelos acordos de elites que culminaram na independência, na abolição da escravidão, na proclamação da República e no fim das ditaduras getulista e dos generais. 
...mas ainda estamos muito longe disto.

Nosso hino deveria mencionar de um povo abúlico, o resmungo resignado, não de um povo heroico, o brado retumbante...

A triste verdade é que o homem comum brasileiro, quanto muito, secundou tais processos, mas não foi sujeito de nenhum deles. Produzimos, sim, nossos aspirantes a Simon Bolivar e Giuseppe Garibaldi, mas eles morreram no patíbulo (Tiradentes), sob o fogo cruzado de tocaieiros (Marighella) ou executado depois de rendido (Lamarca), sem multidões ao seu lado, pois foram bem poucos os que se dispuseram a correr os mesmos riscos.

Então, Dilma pode dormir tranquila quanto a este aspecto: não serão os manifestantes da avenida Paulista que a vão derrubar, muito menos por causa do petrolão

Só mesmo o agravamento da recessão (que, seguindo à risca a ortodoxia neoliberal, Joaquim Levy nos está enfiando goela adentro) poderá fazer os carneiros rugirem. E isto é coisa que, se vier a suceder, só ocorrerá do segundo semestre em diante, quando a penúria atingir o auge.

Curtam sem restrições a nova atração dominical, mas também sem ilusões: por enquanto, ninguém está tomando nenhuma Bastilha.
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