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quinta-feira, 28 de outubro de 2021

NÃO SE DEVE CHAMÁ-LO DE 'GENOCIDA' OU 'FASCISTA'? E DE 'MAIOR EXTERMINADOR DE BRASILEIROS EM TODOS OS TEMPOS', PODE?

vladimir safatle
"GENOCÍDIO NÃO É A PALAVRA CORRETA"
Esta foi, de fato, uma frase ouvida várias vezes nesses últimos dias no calor da aprovação do relatório da CPI sobre as ações do governo na pandemia: "Genocídio’ não é a palavra correta". Houve até mesmo editoriais de grandes jornais que estamparam ser um abuso acusar o governo brasileiro de genocídio. 

Não faltaram explicações aparentemente neutras e técnicas a respeito da inadequação do uso do termo no caso brasileiro, mesmo que tenha sido por genocídio que o sr. Bolsonaro foi denunciado junto ao Tribunal Penal Internacional, pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, em 9 de agosto de 2021. As opiniões contrárias alegaram que não seria o caso de banalizar o termo.

Há de se lembrar que tal estratégia não é nova. Em relação ao mesmo governo, algo semelhante ocorreu quando foi questão de criticar quem usa o termo fascista para a ele se referir. No entanto, quando escreveu sua Declaração à Nação, no dia 9 de setembro, depois das manifestações e falas golpistas no dia da Independência, Bolsonaro não deixou de assinar Deus, pátria, família. 

Diria que a parte mais importante de toda declaração era exatamente essa assinatura. Pois, pela primeira vez na história, alguém ocupando a presidência do Brasil fazia uma declaração à nação assinando-a com o lema da Ação Integralista Nacional. 

Ou seja, tecnicamente o sr. Bolsonaro falou à nação como um integralista, como um fascista. Seria algo equivalente à sra. Merkel assinar sua última declaração à nação como um Deutschland über alles (Alemanha acima de tudo). Não, nem por isso pareceu digno de nota perguntar-se sobre o sentido dessa associação voluntária.

Poderíamos mesmo continuar nosso espanto falando de livros de grande circulação que há até bem pouco tempo enchiam as livrarias de nossos aeroportos como títulos como
Não somos racistas. 

Afinal, mais uma vez, mesmo que as práticas cotidianas e a realidade social teimassem em gritar o contrário, o que acontecia conosco era outra coisa que exigiria uma finesse analítica maior, uma capacidade de individualização de grande monta não acessível aos que fazem associações indevidas e movidas por interesses políticos comezinhos.

Essa singular maneira de não dizer o nome das coisas é um traço constituinte de nossa história e diz muito a respeito de como ela se perpetua. Pode parecer descuido, mas tem método. Ao não nomeá-las, as ações e políticas permanecem, sua lógica interna não é explicitada, tudo acaba por parecer uma mistura de descaso, improvisação, desespero. 

Ou seja, mobiliza-se uma série de anticonceitos que visam a dizer que não há lógica implacável alguma por trás, há apenas agentes procurando desastradamente preservar seus poderes e agir a partir de interesses individuais. Os desastres são resultado da confusão geral.

Mas e se, sim, e se levantássemos a mera hipótese de haver de fato uma lógica genocidária em marcha no interior do Estado brasileiro? Poderíamos fazer esse exercício de pensamento e perguntar sobre o que aconteceria nesse caso. 

Afinal, não seria a primeira vez na história que o Estado brasileiro opera como gestor de genocídio. Dentre outros casos, a maneira com que populações indígenas foram dizimadas é um exemplo perfeito de tais práticas. Ocupação, escravização, destruição social e psíquica, extermínio populacional. 

As estimativas do IBGE afirmam que a população indígena antes de 1500 era em torno de 3 milhões. Há estudos que calculam algo em torno de 5 a 7 milhões. O último censo, de 2010, afirma existirem atualmente 817.923 indígenas. Em 1991, esse número era apenas de 294.131. Números dessa natureza não mentem.

Quando foi cunhado, ao final da 2ª Guerra Mundial, o termo genocídio procurava limitar a soberania dos estados nacionais, lembrando que há práticas de extermínio de populações que não podem ser prerrogativas do exercício do poder de Estado, seja de suas políticas de segurança interna ou de pacificação. 

Na verdade, a invenção pode ter sido ineficaz do ponto jurídico, mas ela foi extremamente eficaz do ponto de vista político. Mesmo que tenha se demonstrado de difícil utilização nos tribunais, ela se tornou uma importante peça política de fortalecimento das dinâmicas de autodefesa contra a violência de Estado. 

A mobilização da acusação de genocídio permite definir uma esfera fora da política, ou seja, situações nas quais o Estado sai de um confronto que pode ser mediado de forma política. Pois suas ações não são mais pensáveis como ações possíveis no interior de um campo de divergências políticas. Um estado que age dessa natureza não pode mais exigir nenhuma forma de obediência e deve ter a população contra ele.

Essa lógica de genocídio não diz respeito à quantidade de pessoas que morrem, mas a forma como morrem, a maneira com que o Estado funciona para setores da população não exatamente como um Estado protetor, mas como um Estado predador. 
O Estado sempre praticará genocídio quando operar ativamente para a criação de condições nas quais as pessoas são deixadas para morrer, nas quais ele mobiliza comportamentos que quebram noções elementares de prudência em relação às duas situações típicas nas quais se espera dele proteção, a saber, em guerras e em pandemias. 

E, sob tal perspectiva, o Estado brasileiro agiu durante a pandemia no interior de uma lógica de genocídio, sem nunca recuar, mesmo depois da consolidação de 600.000 mortos.

Mas, sendo assim, poderíamos nos perguntar: por que tanta resistência em chamar de gato um gato? Seria por amor à enunciação cristalina do direito? Ou seria por medo das consequências? Pois, afinal, ninguém faz um genocídio sozinho. Essa figura paradoxal do Estado que ativamente deixa morrer tem uma razão de existência. Ele serve muito bem ao interesse da elite rentista nacional e seus negócios. Há uma engenharia social por trás. 

Uma sociedade cujo afeto central é a indiferença, uma sociedade que não para sob nenhuma circunstância para fazer o luto de seus mortos é o sonho de todo gestor técnico que agora se indigna porque o governo (por um cálculo eleitoral, mas isso efetivamente pouco importa) resolveu furar o teto de gastos e deslocar R$ 30 bilhões para transferência direta de renda. 

Porque onde reina a indiferença social não há nenhuma obrigação de solidariedade, não há indignação alguma. Sem indignação alguma, o rentismo pode viajar para Miami a fim de ser vacinado enquanto a população morre exatamente por ausência de vacina.

Esses gestores são o verdadeiro fundamento do genocídio. Seu discurso técnico esconde uma escolha política de resultados catastróficos. Na verdade, eles são a versão contemporânea de um comportamento colonial que constituiu essas terras e não mudou em nada, a não ser no corte das camisas. 

Ou seja, a acusação de genocídio não é apenas contra o sr. Bolsonaro, mas contra toda a política que ele representa tão bem, contra todos os interesses que ele defendeu tão bem nesses anos. Essa política econômica, que vários procuram dissociar do governo, se realiza necessariamente no genocídio. (por Vladimir Safatle)

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

TÃO DESASTRADO QUANTO CRIMINOSO, O BOZO LEVANTOU A BOLA PARA CPI DA COVID MARCAR UM ÚLTIMO PONTO DEVASTADOR

eliane cantanhêde
AFIRMAÇÃO  DE BOLSONARO SOBRE 
VACINA E AIDS DEU ÚLTIMO GÁS À CPI
O presidente Jair Bolsonaro deu um presentão para o gran finale da CPI da Covid: a mentira absurda, chocante e irresponsável de que duas doses de vacinas provocam aids na Inglaterra foi a derradeira prova cabal do negacionismo patológico e da ação criminosa do presidente na pandemia.

Bolsonaro deu um tiro no próprio peito e a CPI afirma-se como a mais bem-sucedida da história contemporânea, com um trabalho incansável, um relatório final sólido e já com uma vitória concreta: foi graças a ela que o Brasil se livrou do contrato da Precisa e das negociatas da Davati com o governo.

Se entrou na pandemia com a tese da gripezinha, resfriadozinho, histeria da mídia, Bolsonaro chega ao fim da CPI como quem usou o cargo e os meios públicos para atacar a medicina e a ciência, promover aglomerações, remédios ineficazes para a covid e a tese da imunidade de rebanho que, no caso, significa: Deixa morrer!.

Se fez o que jamais poderia, não fez o que tinha obrigação de fazer: liderar os brasileiros a usarem máscaras e álcool em gel, fazerem isolamento social e se vacinarem. Não. Foi o oposto: Bolsonaro desdenhou da Pfizer e da Janssen, atacou a Coronavac do Butantã e dedicou-se a fake news.

Dizer que vacina causa aids pode ter sido a mais grotesca, mas está longe de ser a única. 
Sua
live foi desmentida pela Inglaterra e por todas as entidades científicas e médicas sérias, além de retirada do Facebook, do Instagram e do YouTube, que bloqueou a conta do presidente do Brasil por sete dias. Outro vexame no mundo.

Mais nada, porém, é inacreditável quando se trata de Jair Bolsonaro, que já retirou máscara de criança em público, promoveu aglomerações golpistas e sem máscara diante do Planalto e até do QG do Exército, atribuiu mentirosamente ao TCU um estudo negando o número de mortos, empurrou generais a se vacinarem escondidos, fingiu que não viu e não sabia da roubalheira na Saúde.

Por inspiração dele, bolsonaristas tumultuam voos sem máscara, açoitam e jogam carros contra cruzes pelos mortos e batem no peito para dizer que não tomam vacina e concordam com e daí?, não sou coveiro, vamos parar de mimimi e este não é um país de maricas.
.
I
NTEGRANTES
. A CPI consolidou a imagem do seu presidente, Omar Aziz; jogou luzes sobre a garra do vice, Randolfe Rodrigues; revelou uma bancada feminina indispensável, com Simone Tebet, Eliziane Gama, Soraya Thronicke, Leila do Vôlei e Zenaide Maia, colega médica de Otto Alencar, Humberto Costa e Rogério Carvalho; e lucrou muito com a experiência política do senador Tasso Jereissati e profissional dos delegados Alessandro Vieira e Fabiano Contarato.

Renan Calheiros, o relator, foi a escolha mais surpreendente e continua sendo a mais polêmica, mas sua capacidade política foi decisiva. Soube ouvir, avançar, recuar, buscar o consenso. E, fosse o relator João, Pedro ou Simone, o que realmente interessava era a investigação e o que realmente interessa é o resultado. Ambos impecáveis.

A CPI pede o indiciamento de 78 pessoas, entre filhos do presidente, ministros, ex-ministros, militares, líder do governo na Câmara, funcionários do Ministério da Saúde, reverendo e quadrilhas que vendiam vacinas inexistentes, bem como o governador e o ex-secretário de Saúde do Amazonas, onde pessoas morreram sem oxigênio. Mas o grande réu é o presidente da República.

A bola está com a PGR, para os que têm foro privilegiado, como Bolsonaro, e a Câmara, para os crimes de responsabilidade. Cada um que olhe o relatório final, a Constituição, as leis e as próprias consciências. 
As famílias, amigos e amores dos 606 mil mortos estarão observando e aguardando, junto com toda a Nação brasileira.
(por Eliane Cantanhêde)

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

RIA, PALHAÇO! RIA E MORRA ENGASGADO COM SUAS GARGALHADAS INSENSÍVEIS!

ricardo kotscho
ACUSADO DE CRIME EM SÉRIE CONTRA O PRÓPRIO POVO, A GARGALHADA DE FLÁVIO BOLSONARO
20 de outubro de 2021: um dia de horror e vergonha que não vamos esquecer tão cedo. 

De todas as barbaridades e atrocidades do presidente da República durante a pandemia, denunciadas no relatório final da CPI da Covid, a mais revoltante do dia aconteceu pouco antes de começar a leitura pelo relator Renan Calheiros, quando perguntaram ao senador Flávio Bolsonaro qual seria a reação do pai dele.
"Eu acho que ele recebeu da seguinte forma: você conhece aquela gargalhada dele? Hahahahaha! Que não tem o que fazer de diferente disso".
Essa seria a cena final de um filme sobre os seis meses da CPI que revelou ao Brasil e ao mundo o conjunto da obra sinistra de um governo, que praticou crimes em série contra o seu povo e a humanidade, como está no relatório, com mais de mil páginas de provas testemunhais e documentais: 
— seja, no início, negando a gravidade da pandemia;
— seja, depois, gargalhando ao imitar pessoas que morriam asfixiadas com falta de ar em Manaus, por falta de oxigênio;
— seja, mais tarde, debochando dos maricas que usavam máscaras e mantinham o isolamento social;
— seja espalhando o tempo todo fake news contra as vacinas, com a ajuda dos filhos; e
— ainda,  desfilando em motociatas, palanques, churrascos e jet skis, enquanto o povo morria nos hospitais superlotados, deixando um rastro de mais de 600 mil vítimas pelo caminho. 

Ao mesmo tempo em que era lido o relatório no Senado, como se não tivesse mais o que fazer, Bolsonaro prosseguiu em sua campanha reeleitoral discursando em Russas, no interior do Ceará, onde teve a coragem de dizer o seguinte sobre a CPI: 
"Nada produziram, a não ser o ódio e o rancor entre alguns de nós. Mas sabemos que não temos culpa de absolutamente nada, fizemos a coisa certa desde o primeiro momento". 
Se e quando for levado aos tribunais, para ser julgado pelos nove crimes de que é acusado, dentre os quais infração de medida sanitária preventiva, charlatanismo, incitação ao crime, falsificação de documento particular e emprego irregular de verbas públicas, não sei se Bolsonaro dará a famosa gargalhada, imitada com orgulho pelo filho mais velho. 

Flávio, aliás, também indiciado, junto com os irmãos Carlos e Eduardo, como integrantes do núcleo de comando da produção e disseminação de fake news durante a pandemia. 

Segundo levantamento feito pelo UOL, o presidente poderá pegar até 40 anos de cadeia se for condenado por todos os seus crimes que constam do documento. 
"Madeira de dar em doido/ vai descer até quebrar:/ é a 
volta do cipó de aroeira/ no lombo de quem mandou dar" 
O relatório final não trouxe nenhuma novidade com relação a tudo que já sabemos desde a primeira sessão da CPI, em abril, com transmissão pela TV, mas ouvir durante mais de duas horas o relator encadeando os fatos que levaram a essa grande tragédia humanitária, foi devastador e me deu uma tristeza profunda. 

Como foi possível tudo isso acontecer no nosso país, durante quase 20 meses, sem que as instituições e a sociedade civil fossem capazes de conter a tempo esse morticínio planejado no Palácio do Planalto pelos jagunços da catedral da morte (nas palavras de Renan Calheiros)?! 

Como é que temos ainda 2 em cada 10 brasileiros apoiando este governo demente e desumano, e indo às ruas para defendê-lo? 

Bolsonaro conseguiu, ao mesmo tempo, multiplicar as mortes na pandemia, ao combater as medidas de isolamento social, as vacinas e o uso de máscaras, e arrebentar a economia, com a ajuda do aloprado Posto Ipiranga, que está mais preocupado com o mercado e as off shores do que com a fome que grassa no país. 

Nunca tinha visto em minha já longeva vida pessoas correndo atrás dos caminhões de lixo para pegar restos de comida e fazer filas nos açougues em busca de ossos de boi e carcaças de frango.
"A risada dos presentes, pelo amor de Deus,/ traz o sono a minha
gente, pelo Zebedeu/ e eu encerro a cantoria, pelo amor de
Deus,/ mandando vocês à merda, pelo Zebedeu!"
Só se via isso em países que estão em guerra, como aconteceu com minha mãe, nos anos 30 e 40 do século passado, quando ela recolhia cascas de batata e outras iguarias nos lixões para fazer sopa nos bunkers da Alemanha nazista, em luta contra o resto do mundo. 

Aqui, vivemos uma insólita guerra de um desgoverno contra o seu próprio país, como a CPI mostrou, com abundância de provas e fatos reais jogados na nossa cara. A gargalhada de Flávio Bolsonaro, imitando o pai, foi um tapa na minha cara e, imagino, de todos nós. Não vai dar para esquecer. 

Com a palavra, a Justiça! 

Vida que segue. (por Ricardo Kotscho)

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

HITLER TEM COPYRIGHT?

E
m sua edição de nº 2700 (15/10/2021), a IstoÉ ousou publicar uma capa com o presidente Bolsonaro roubando o look de Hitler: o inconfundível bigodinho, os cabelos na testa e o olhar de fazer medo. 

Tal capa foi programada para coincidir com as conclusões da CPI da Covid, que considerou Bolsonaro culpado por uma série de graves ou gravíssimos crimes.

Não é a primeira vez que se faz referência a Adolf Hitler,no caso de crimes coletivos ou crime hediondo. 

Em junho do ano passado, os jornais franceses e belgas reproduziram uma proposta de edição de capa para a revista Time, na qual, nos poucos traços em preto do artista belga Luc Descheemaeker sobre um fundo branco, aparecia uma franja de cabelo e, imitando o bigode, havia uma pequena caricatura do então presidente Donald Trump. 

Apesar desses traços sumários, não havia nenhuma dúvida – era Adolf Hitler. Uma legenda dizia: Racismo é o maior dos vírus. Esse desenho viralizou nas redes sociais à época porque queria dizer que o nazista Trump matou o negro George Floyd.

Na própria Alemanha, a revista Stern, em agosto de 2017, publicou uma capa violenta contra Trump, na qual ele se cobria com a bandeira estadunidense e fazia o gesto de saudação nazista Heil, Hitler!.

A chamada era a expressão Sua Luta, alusão ao título da autobiografia de Hitler, Mein Kampf. Logo abaixo, na forma de subtítulo, a explicação: Neonazistas, Ku-Klux-Klan, racismo: como Donald Trump excita o ódio nos Estados Unidos.

A capa tinha ligação com os acontecimentos de Charlottesville, EUA, onde supremacistas brancos, neonazistas e membros do KKK quebraram o pau com manifestantes antirracistas. 

Uma variante brasileira da
IstoÉ poderia ser (talvez a iconografia da revista já tenha proposto) um Bolsonaro envolto na bandeira brasileira fazendo a saudação nazista.

Não consegui saber como foram as reações dos estadunidenses a tal identificação de Trump, republicano de extrema-direita, com o líder nazista e genocida alemão. Embora tenha procurado, não vi críticas por mau gosto na criação da capa da Stern e nem no desenho do artista belga, ambos comparando o ex-presidente ao criminoso nazista. 

É bom lembrar ser proibida, na Alemanha, a reprodução de tudo quanto se refira ao período hitlerista. Só há exceções no combate ao nazismo, nas artes, nas ciências e no ensino nas escolas. A capa da Stern foi uma dessas exceções.

Teria a IstoÉ exagerado? Ora, a campanha eleitoral e mesmo o slogan do governo Bolsonaro são de clara inspiração nazista. O Brasil acima de tudo nada mais é do que uma tradução/adaptação literal de Deutschland uber alles. 

As declarações de cunho nazista do clã Bolsonaro estão em toda a imprensa. A política contrária às vacinas e a promoção de remédios ineficazes que não previnem  nem curam logo fizeram surgir na imprensa (e mesmo nos cartazes anti-Bolsonaro) a qualificação de genocida, às vezes acompanhada da expressão governo nazifascista.

Exceto pelas investigações contra jornalistas e cartunistas, realizadas a mando do ex-ministro da Justiça e pastor evangélico André Mendonça e que não tiveram consequências jurídicas, nada houve da parte do governo Bolsonaro contra a assimilação do seu governo, pela imprensa, da imagem, da representação e do governo hitlerista. Mas, é difícil negar que existam pontos de convergência (inclusive no culto às armas) do bolsonarismo com o hitlerismo.

Por isso, imagino a coerente decisão do diretor-editorial Carlos José Marques e seus editores de ver na figura do Bolsonaro traços e comportamentos do líder nazista alemão, colocando como bigodinho a palavra
genocida, referentes aos mais de 600 mil mortos (na verdade seriam muito mais) e como título As práticas abomináveis do mercador da morte.

Só não entendo a reação de alguns colegas jornalistas, mesmo um tanto ofensiva, pela publicação da montagem Bolso-Hitler na capa da revista. 

Se mesmo na Alemanha, a Stern compara Trump com Hitler, se os jornais belgas e franceses publicaram a figura gráfica de um Trump nazista, a imprensa do Brasil, onde existe uma matéria-prima mais comprometida com genocídio que nos EUA de Trump, não se pode publicar? É mau gosto?

A avaliação de tão violenta reação se complica quando seus autores se declaram judeus e se referem a uma espécie de vulgarização do Holocausto. Ou as 600 mil mortes ocorridas no Brasil, que muitos acham ser um milhão, não podem ser comparadas com o genocídio praticado por Hitler? Ou, será, e parece ser isto, por esse tipo de comparação prejudicar a imagem do Bolsonaro?

Neste caso, talvez valha uma referência também aos crimes ocorridos na época de Hitler. Comentando as atrocidades cometidas, a filósofa, politóloga e escritora judia Hannah Arendt aprofundou o tema da banalidade do mal, impressionada pela reação de Adolf Eichmann à exposição dos seus crimes no processo contra ele aberto em Jerusalém. 

Talvez num processo de Bolsonaro surja igualmente esse aspecto surpreendente do mal. Em todo caso, é sabido que Bolsonaro evitou o debate nas eleições, para não mostrar às claras seu pensamento. Porém, os que convivem ou o têm apoiado durante esses quase três anos, sabem muito bem quais são suas ideias e porque tantos o qualificam de nazifascista. 
Dezenas de cartunistas produziram charges semelhantes à do seu colega Aroeira, tendo tal  avacalhação ajudado a detonar o balão de ensaio visando ao restabelecimento da censura  
É o caso dos líderes evangélicos, mas igualmente de outros líderes que apoiam Bolsonaro e se inflamam contra os jornalistas não participantes das redes sociais financiadas em parte pelo governo, num plano de controle da informação, que a mesma
IstoÉ denunciou sobre o Goebbels do Planalto (Fábio Wajngarten).

Vivemos um momento histórico decisivo, no qual o Senado tem a coragem de enfrentar o próprio presidente com a inculpação por crime contra a humanidade. Histórico, mas perigoso, no qual não se pode ignorar o imperativo de defendermos a liberdade de informação, como já foi tema deste outro artigo meu. 
por Rui Martins

Não é necessário dar os nomes dos ofendidos com a capa, mas é importante citar esta frase englobando tudo, do jornalista e comentarista Ricardo Kertzman, da
IstoÉ:
"O (des)governo Bolsonaro não é nazista e o mito não é Hitler. Contudo, ambos adotam práticas e posturas semelhantes ao nazismo, sim, senhor! 
Eu mesmo já escrevi a respeito, e nenhum judeu, à época, me encheu o saco". 

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

"CRIMINOSO CONTRA A HUMANIDADE" NÃO É "HOMICIDA"? MESMO TENDO BOLSONARO EXTERMINADO 120 MIL BRASILEIROS?

elio gaspari
A CLOROQUINA QUE AMEAÇA A CPI
O
s senadores da CPI trabalharam direito. Mostraram as conexões do charlatanismo com a picaretagem e a má administração da saúde numa pandemia que já matou mais de 600 mil pessoas. Num país onde o presidente da República falou na gripezinha e reclamou dos maricas que se protegiam contra o vírus, isso é muita coisa.

Na reta final, como se tivesse tomado cloroquina, a CPI foi vitimada pelos efeitos colaterais provocados pelo teatro que lhe deu fama.

Uma coisa foram as investigações, em cuja retaguarda trabalhou uma infantaria competente. Outra foi o espetáculo que mostrava ao vivo e a cores charlatães, picaretas e profissionais de saúde honestos. 

Ele produziu também momentos de policialismo e teatro. Mesmo assim encurralou a retórica do negacionismo do governo, do ministro-general Pazuello e de seu sucessor, o coronel Queiroga, da cepa dos senhores de engenho. 

Quando Queiroga mostrou o dedo, não foi apenas mal educado. Acima de tudo informou que ao presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia não restava outra forma de expressão.

Um relatório com mais de mil páginas resultará em manchetes. Depois cairá na vida real do Judiciário. Denunciar Bolsonaro como genocida poderá ser um grito de revolta. Passarão os meses e, com toda probabilidade, nenhum tribunal aceitará essa tipificação. 

Fica-se então numa situação em que ele parecerá ter sido exonerado, quando o próprio trabalho da CPI terá mostrado que foi incompetente, mistificador e negacionista. O polivalente general Luiz Eduardo Ramos chegou a pedir à imprensa que não mostrasse tantos sepultamentos. Basta.

Noves fora as picaretagens em torno das vacinas, da cloroquina da Prevent e da Hapvida, Bolsonaro foi acometido pela síndrome que contaminou o bunker de Hitler entre abril e maio de 1945. 

Com os russos nos subúrbios da cidade, os maganos do Reich brigavam entre si e cultivavam fórmulas milagrosas para sair da encrenca em que haviam se metido. 

Só não admitiam a rendição incondicional exigida pelos aliados. No palácio do capitão acreditou-se em poções mágicas e em imunidade de rebanho. Só não se acreditou na letalidade do vírus.

A busca dos estrondos poderá envenenar as conclusões da CPI. Mais valerá uma denúncia baseada em fatos apurados do que uma acusação que se desmanchará no ar. 

Os senadores tiveram nas mãos o óbvio ululante que, por ululante, pode parecer pouco. Todo mundo tem direito a 15 minutos de fama. A CPI deu aos seus integrantes 15 semanas e todo mundo ganhou com isso. Não há motivo para exagerar.
Nos últimos 120 anos o Brasil, além da pandemia da
gripe espanhola, penou duas grandes epidemias, a da febre amarela em 1903 e a da meningite em 1974. Em ambas apareceram charlatães da marquetagem, mas em nenhuma das duas a Presidência foi contaminada pelo negacionismo.

Rodrigues Alves, o presidente à época da revolta da vacina, mandou atirar contra a tropa rebelada que marchava em direção ao palácio e acabou com a crise. 

Andou-se para trás. Talvez para o tempo do Império, quando o poderoso Bernardo Pereira de Vasconcelos foi para a tribuna do Senado para reclamar que se exageravam os efeitos da epidemia de febre amarela. Seis dias depois, morreu, de febre amarela. (por Elio Gaspari)
TOQUE DO EDITOR — Embora no final da noite desta 3ª feira (19) o relator Renan Calheiros tenha cedido às pressões daqueles membros da CPI da Covid que queriam ver registrados os assassinatos em massa resultantes da atuação do Bozo, mas não ousavam qualificá-lo de homicida ou genocida, mas apenas de criminoso contra a humanidade, o que soa mais ameno para o povão, decidi publicar o artigo do Gaspari, anterior a tal capitulação pra lá de vergonhosa, porque ele é esclarecedor.

Vá lá que não se imputasse ao carrasco dos brasileiros o cometimento de um genocídio, que a Lei 2.889, de outubro de 1956, tipifica como ato "com a intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso". 

Se constasse da dita lei
grupo etário, aí o enquadramento decerto caberia, pois Bolsonaro cansou de demonstrar total desprezo pela vida dos idosos e de agir em consonância com seu preconceito.

Mas o simples fato de a Comissão constatar que a atuação governamental causou a morte de 120 mil brasileiros (o número real foi bem maior!), num governo em que um boçal tresloucado manda e as vaquinhas de presépio obedecem, não deixa dúvidas nenhuma quanto à identidade do responsável por tal matança em larguíssima escala.

É por estas e outras pusilanimidades que o nosso povo está submetido, há 33 meses, ao tacão de um indivíduo:
— que não seria sequer aceito como candidato a presidente num país realmente civilizado;
— que cometeu na campanha eleitoral crimes suficientes para não ser empossado; e
— que, em poucos meses de mandato já tinha acumulado outros tantos crimes (de gravidade bem maior do que as pedaladas fiscais da Dilma), mais do que suficientes para a abertura do processo de impeachment.

Afora as gritantes evidências de que um simples laudo médico idôneo já o afastaria do cargo.
 
(por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

APRESENTAÇÃO DO RELATÓRIO FINAL DA CPI: POR QUE PAROU? PAROU POR QUÊ?

amanda pupo
CPI ADIA LEITURA DE RELATÓRIO APÓS DIVERGÊNCIA
EM INDICIAR BOLSONARO POR HOMICÍDIO QUALIFICADO
Após o Estadão revelar a íntegra do relatório final da CPI da Covid (vide aqui), o presidente da comissão, senador Omar Aziz, decidiu adiar a leitura do parecer. 

Inicialmente, a reunião estava marcada para esta 3ª-feira, 19, com votação no dia seguinte. Agora, a nova data será na quarta-feira, 20, e a votação, na próxima terça-feira, 26.

Um dos pontos que levaram ao adiamento, de acordo com fontes ouvidas pela reportagem, é a decisão do relator, senador Renan Calheiros, de indiciar Bolsonaro por homicídio qualificado, revelada pela reportagem do Estadão. 

O Estadão apurou que o presidente teria reclamado com Aziz dessa intenção de Renan. Interlocutores de Bolsonaro afirmaram que homicídio é algo que todas as pessoas entendem o que é e, se isso for adiante, Bolsonaro ficará marcado como assassino, o que seria muito difícil de ser revertido na opinião pública. 

O senador Aziz, no entanto, negou enfaticamente ao Estadão a existência de qualquer conversa com Bolsonaro sobre o relatório. Aziz disse que essa informação "vem de uma fonte mentirosa" e reforçou que ele não conversa com o governo sobre assuntos de interesse do Planalto. 

O senador também esclareceu que a decisão pelo adiamento foi tomada em conjunto entre ele e o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues. Os dois avaliaram que o prazo para a votação do relatório, marcada inicialmente para apenas um dia após a leitura, poderia gerar questionamentos por parte de senadores e prejudicar o resultado final da comissão.

Conforme o Estadão publicou com exclusividade neste domingo, o relatório final da CPI conclui que o governo de Jair Bolsonaro agiu de forma dolosa, ou seja, intencional, na condução da pandemia e, por isso, é responsável pela morte de milhares de pessoas. 

“O governo federal criou uma situação de risco não permitido, reprovável por qualquer cálculo de custo-benefício, expôs vidas a perigo concreto e não tomou medidas eficazes para minimizar o resultado, podendo fazê-lo. Aos olhos do Direito, legitima-se a imputação do dolo”, diz trecho da peça, que tem 1.052 páginas e ainda pode ser alterada até a sua apresentação formal na CPI.

Numa mudança de entendimento, o texto passou a imputar a Bolsonaro e ao ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello o crime de homicídio qualificado. Até então, o relatório atribuía aos dois o crime de homicídio comissivo – praticado por omissão. O argumento da CPI é de que Bolsonaro sabia dos riscos que oferecia à população e os assumiu. 

O Estadão apurou, contudo, que Renan pretende manter essa definição, a não ser que isto prejudique a aprovação de seu relatório. O senador disse que jornal que da sua parte “está tudo definido” no texto e que agora é avaliar o que seus companheiros pensam a respeito. 

Outro ponto de impasse no colegiado é o indiciamento do ministro da Defesa, Walter Braga Netto. Nesse caso, é o próprio relator que resiste à essa conclusão, por considerar que na CPI não houve apoio nem mesmo para ele prestar depoimento, quanto mais para o indiciamento. 

Braga Netto, então chefe da Casa Civil no início da pandemia, era o coordenador do grupo interministerial criado pelo Palácio do Planalto para cuidar da gestão da pandemia. 

O presidente da CPI afirmou ao Estadão/Broadcast que o adiamento não está relacionado a eventuais discordâncias sobre pontos do relatório. “Não é discordância. É porque o que vazaram, vazaram pontualmente, e só as tipificações, a gente não tem o embasamento”, disse ele, que afirma não haver tido acesso ao relatório até o momento. “Nenhum senador viu o documento ainda”, afirmou...  (por Amanda Pupo, repórter d'O Estado de S. Paulo em Brasília) 
TOQUE DO EDITOR – Depois de manchetear em sua edição dominical a conclusão do relator da CPI da Covid, Renan Calheiros de que o principal responsável pela morte evitável de pelo menos 120 mil brasileiros (tudo indica que o número real seja algo entre o dobro e o quádruplo disto) cometeu homicídio qualificado, pois tinha mesmo a intenção de matar, o jornalão serviu-se de sua página digital para, às 15h51 do próprio domingo, informar,  que:
— o desgoverno federal passara imediatamente a pressionar a CPI, para que não o homicida não fosse apresentado como tal, embora Deus e o mundo saibam que ele o é mesmo, seguramente o pior em todos os tempos no Brasil; e
— a apresentação do relatório foi adiada para os membros da comissão decidirem que tipo de concessão vão fazer, aliás desnecessariamente, pois o poder de pressão dos que pressionam blefando (ou blefam pressionando) derreteu definitivamente no último Dia da Pátria, quando o até então presidente trocou a faixa presidencial pela coroa de rainha da Inglaterra, enquanto, em cerimônia reservada, a corja empoderada bradava: O rei Bozo está morto, longa vida ao Rei Centrão!.

Fica assim comprovado que a reportagem estava correta e que o jornalão tivera mesmo acesso ao relatório tal como ele se apresentava na véspera. Sabe-se lá como ficará depois da sessão de maquilagem a que será submetido.
"Na praça não cabe disputa/ Se toca quem sabe tocar"
E, como a notícia vespertina foi publicada com a assinatura de uma simples repórter, evidencia-se o constrangimento do Estadão, pois pode ter alertado o inimigo nº 1 de todos os brasileiros civilizados de que Renan ousara mesmo dar nome aos bois.

Esperei até hoje, pois se tratava, evidentemente, de um tema obrigatório para o editorial da edição seguinte... e nada! Como o ditador Figueiredo, o vetusto jornalão parece querer que esqueçamos o que ele mancheteou.

Fica a pergunta: quem, afinal, vazou o relatório? A primeira impressão é de que o autor da proeza foi alguém a quem interessava que a reação bolsonarista se iniciasse no próprio domingo, e não dias depois.

E, neste caso, o Estadão terá sido usado pelo vazador, agarrando o furo com tamanha ansiedade que esqueceu de indagar: a quem beneficia?

Erro que, como humilde repórter, jamais cometi quando lá trabalhava, por considerar uma humilhação suprema ser feito de correia de transmissão pelos personagens sórdidos que tentavam plantar notícias, verdadeiras ou falsas, por meu intermédio. (por Celso Lungaretti)
"Não guardo mágoa/ Não blasfemo, não pondero/
Não tolero lero-lero/ Devo nada pra ninguém"

domingo, 17 de outubro de 2021

VAZADO PELO ESTADÃO, O RELATÓRIO FINAL DA CPI DA COVID PROPÕE O INDICIAMENTO DO BOZO POR HOMICÍDIO QUALIFICADO

C
om 1.052 páginas, o relatório final da CPI da Covid, vazado na edição dominical de O Estado de S. Paulo e passível de alterações até a próxima terça-feira, 19 (quando será apresentado aos senadores da Comissão), conclui que Jair Bolsonaro e seus cúmplices agiram intencionalmente para maximizar a contaminação de brasileiros com o coronavírus, na esperança de que se produzisse a suposta imunidade de rebanho:
"O governo federal criou uma situação de risco não permitido, reprovável por qualquer cálculo de custo-benefício, expôs vidas a perigo concreto e não tomou medidas eficazes para minimizar o resultado, podendo fazê-lo. Aos olhos do Direito, legitima-se a imputação do dolo (intenção de causar dano, por ação ou omissão)".
Coerentemente, é imputado ao Bozo (a quem são feitas nada menos do que 409 menções ao longo do texto) e a seu comparsa Eduardo Pazuello, ex-ministro pau-mandado da Saúde, o crime de homicídio qualificado. 

Ao principal responsável pela terrível tragédia sanitária, acrescenta o relatório, também pode atribuir-se o crime de atrocidade.

E foi quantificado o número de vidas que poderiam ter sido salvas se o combate ao coronavírus fosse travado com rigor científico, ao invés de curandeirismo, charlatanismo e maracutaias: 120 mil. 

O blog mantém, contudo, sua posição de que, por força da subnotificação na fonte e das manipulações na totalização, o total dos óbitos esteja ao redor de 1 milhão e o das vítimas causadas pela insanidade presidencial, entre 300 mil e 400 mil. 

É a estimativa de instituições científicas do exterior, possuidoras da credibilidade que falta a tudo que esteja sob a influência do presidente mais mentiroso e crapuloso da história brasileira.

Se houvesse um ranking dos piores genocidas da História, que posição o palhaço sinistro ocuparia, comparativamente a congêneres como Mao, Gengis Khan, Stalin, Hitler, Tamerlão, Leopoldo II, Pol Pot, Vlad Dracul, etc.? Como já foi desmascarado e reduzido à impotência, certamente não tem mais chance de alcançar tal pelotão de elite. Mas, indiscutivelmente, ele é o maior matador de brasileiros de todos os tempos.

Finalmente, são minuciosamente dissecados no relatório os crimes e negociatas referentes a:
— 
gabinete paralelo;
— imunidade de rebanho;
— tratamento precoce;
— oposição a medidas farmacológicas;
— atraso na compra de vacinas;
— morticínio e caos no Amazonas;
— vacina Covaxin;
— hospitais federais do RJ;
— caso VTCLog;
— desvio para outras finalidades de verbas destinadas à pandemia;
— genocídio de indígenas e quilombolas;
— disseminação de fake news em larguíssima escala;
— Prevent Senior e planos de saúde.

Quanto ao último item, o dos conluiados com o Governo Bolsonaro para repetir no Brasil as experiências utilizando cobaias humanas que tiveram lugar em Auschwitz e outros campos de concentração e/ou extermínio hitleristas, é sugerido o indiciamento de uma médica por homicídio, de dois sócios da empresa por vários crimes, inclusive contra a humanidade, e de mais 8 pessoas.

Por incitação ao crime e por levarem a população a adotar comportamentos inadequados, a CPI recomenda o indiciamento por dos seguintes réprobos de humanidade:
— 
Jair Bolsonaro;
— Eduardo Bolsonaro;
— Carlos Bolsonaro;
— Flávio Bolsonaro;
— deputada Bia Kicis;
— deputada Carla Zambelli;
— deputado Carlos Jordy;
— blogueiro Allan dos Santos;
— empresário Luciano Hang;
— empresário Otávio Fakhoury;
— pastor Silas Malafaia;
— assessor Felipe Martins;
— assessor Tércio Arnaud.

Diferentemente, o crime imputado ao deputado Ricardo Barros é o de formação de quadrilha; e ao presidente do Conselho Federal de Medicina, Mauro Luiz de Biroto Ribeiro, o de epidemia culposa com resultado morte. (por Celso Lungaretti)
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