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terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

O JOE BIDEN ESTÁ GAGÁ? ACONTECE. NEM TODO POLÍTICO IDOSO CONSEGUE MANTER-SE EM PERFEITA FORMA COMO O LULA ...

...QUE, AOS 79 ANOS, CONSEGUE TRAVAR ANIMADAS GUERRAS DE BONÉ EM BRASÍLIA!
.
(o Grande Circo Brasil, QUE TINHA um palhaço assassino como atração principal, o substituiu por um ilusionista CUJOS números SÃO TODOS do século passado)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

A ESQUERDA AINDA VAI ARREPENDER-SE POR NÃO TER DEIXADO O SOL BRILHAR

Após tanto tempo como papagaio de
pirata
do Lula, ele agora será um aliado
F
undado em 6 de junho de 2004 por dissidentes petistas inconformados com o autoritarismo vigente no seu partido de origem, o Psol, na prática, abdicou da vida independente e voltou a submeter-se ao PT no último sábado, 17 de dezembro de 2022.

Isto a despeito de, ao longo dos 18 anos e meio transcorridos desde então, o PT ter guinado cada vez mais à direita, a ponto de hoje ser pouco mais do que uma força auxiliar civilizada da burguesia.

Serve de contraponto à força auxiliar selvagem que atende pelo nome de bolsonarismo e acaba de ter seu contrato rescindido, sabe-se lá se temporariamente ou em definitivo.  

A perspectiva de chegar à presidência como passageiro da arca do Lula cegou o grupo psolista liderado por Guilherme Boulos, que, em duas votações no Diretório Nacional, conseguiu fazer aprovar sua proposta de apoio do Psol ao novo governo populista-reformista e participação na base de sustentação do dito cujo no Congresso.

Assim, quando o Executivo tiver outras medidas tão relevantes para propor quanto a criação da Lei Antierrorismo de 2016, vai saber de antemão que terá o apoio da bancada do Psol.

Graças ao empenho do grupo liderado pela deputada federal Sâmia Bomfim, da resolução final constou pelo menos a ressalva de que o Psol não poderá ser contemplado com cargos no Lula 3. 

Contudo, eu não apostaria um centavo sequer no cumprimento desta cláusula. Adiante, certamente os espertos encontrarão um atalho para contorná-la. 

Por último, àqueles que não acreditam nas minhas previsões e chegam até a zombar da pretensa bola de cristal que eu possuiria, quero recordar que, em fevereiro deste ano, eu já não tinha a menor dúvida sobre onde desembocaria o flerte do Boulos com Lula.

Cheguei a perguntar, cá no blog: "Por que o rompimento com o PT e a fundação do Psol, se era para voltarem com o rabo entre as pernas?".

De resto, quando iniciei minha trajetória política, há exatos 54 anos, já o fiz como militante revolucionário, adversário figadal do reformismo e da conciliação de classes. Portanto, como coerente jamais deixei de ser, corri a desfiliar-me desse partido que, como os caranguejos, começava a andar para trás...

Fazia questão de não estar pertencendo às suas fileiras quando o Psol consumasse a rendição aos aperfeiçoadores do capitalismo (que eu quero é ver superado, não atenuado ou recauchutado!).

Sábado passado o sol se apagou. E eu estava exatamente onde planejara: bem longe. (por Celso Lungaretti)
Como não deixaram o sol brilhar, de nada
poderão queixar-se caso volte a escuridão

sábado, 10 de dezembro de 2022

A METAMORFOSE: LULA FOI DORMIR PROGRESSISTA E ACORDOU PAI DOS POBRES

demátrio magnoli
CHEQUE DO PRESIDENTE
Bolsa esmola era assim que, 20 anos atrás, Lula qualificava o programa Bolsa Escola de FHC. 

Depois, no poder, o tal bolsa esmola tornou-se o Bolsa Família, até Bolsonaro transformá-lo no Auxílio Brasil, que agora recupera o rótulo de identificação lulista. Sugiro, no lugar disso, um rebranding definitivo: cheque do presidente

A operação publicitária justifica-se duplamente: no campo do marketing, estabiliza a imagem de marca; no das políticas públicas, garante transparência de objetivos.

O Lula oposicionista de 2002 não criticava os valores do Bolsa Escola mas o conceito de transferência direta de renda, inspirado nas propostas de combate à pobreza do Banco Mundial. 

A conversão ideológica do Lula presidente assinalou, ao lado do abandono das ambições petistas de reforma econômica estrutural, a descoberta de uma mina de ouro eleitoral. De larva a borboleta: assinando o cheque, o líder dos trabalhadores metamorfoseava-se em pai dos pobres.

A pobreza extrema declinou sem parar entre 2003 (12,6%, segundo o Banco Mundial) e 2014 (3,3%). No percurso, o Bolsa Família desempenhou papel significativo, mas não determinante. 

O fenômeno da redução da pobreza verificou-se nos mais diversos países em desenvolvimento, da China à Turquia e do México ao Peru, sem vultosos programas de transferência de renda. O longo ciclo internacional marcado por fluxos abundantes de investimentos e valorização das commodities fazia o serviço.

Mas um cheque é um cheque. Lula nunca incrustou o programa de transferência de renda no rochedo da Constituição, evitando conferir-lhe o estatuto de política de Estado. O cheque do presidente deveria ser uma benesse de governo. 

"Meu adversário, que odeia os pobres, terminará o Bolsa Família" –a ameaça assombrou as disputas eleitorais de 2006, 2010 e 2014. No ano mais difícil, quando Dilma Rousseff disputava a reeleição, o valor real do cheque atingiu o ápice: R$ 245,10. Sob o lulismo, o Bolsa Família tornou-se sinônimo de política social.

Bolsonaro aprendeu a executar a mágica, mas de modo desajeitado. Na pandemia, criou o auxílio emergencial; no ano eleitoral, o Auxílio Brasil de R$ 600. A ação tardia, interrompida em 2021, obteve efeitos eleitorais limitados. 

Serviu, porém, para expor as entranhas perversas do mecanismo fabricado pelo lulismo: cada novo governo precisa elevar o valor do cheque que chega a mais de 21 milhões de famílias.  

Lula escolheu R$ 600 para empatar com Bolsonaro –e o suplemento de R$ 150 por filho pequeno para derrotá-lo.

O número escrito no cheque deriva de imperativos de concorrência política, não de um cálculo de eficiência na alocação de recursos públicos.

Programas de transferência de renda aliviam temporariamente a pobreza –mas ocultam suas raízes profundas. 

A depressão econômica gerada pela folia dilmista levou a pobreza extrema a 5,3% em 2018, mas o auxílio emergencial a comprimiu à menor taxa histórica, em 2020, no auge da pandemia (1,9%). 

Em 2021, sem o auxílio, a taxa saltou a 8,4% –e certamente experimentará forte redução em 2022, assegurada pelos R$ 600. O cheque faz milagres efêmeros.

As raízes da miséria só podem ser erradicadas por políticas econômicas responsáveis e políticas sociais universalistas. As primeiras dinamizam o mercado de trabalho, elevando os salários. As segundas ampliam a oferta de bens públicos de qualidade (educação, saúde, saneamento, transportes) e impulsionam a reforma urbana (moradia em áreas centrais). 

Nada disso, contudo, tem o poder sedutor de um cheque assinado pelo presidente –ainda mais quando ele contém a senha do cofre do crédito consignado.

A PEC da Transição é o passaporte para Lula alcançar e ultrapassar Bolsonaro. Seu custo é o congelamento da pobreza estrutural, sempre disfarçada pelo cheque do presidente. Uma mão lava a outra. (por Demétrio Magnoli)

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

A DESBOZIFICAÇÃO ESTÁ GARANTIDA, MAS O RESTO VAI DEPENDER DE NÓS

N
a atual sociedade do espetáculo, é enorme o contingente de cidadãos que, mesmo sendo sofisticados, acostumaram-se a acreditar nas supostas tempestades de som e fúria da política. 

Não se dão conta de que,  como Shakespeare alertou mais de quatro séculos atrás em Macbeth, elas ora estão significando nada.

E a história não é mais contada por um tolo, e sim pelos que lucram mantendo viva a ilusão de que os desenlaces dos grandes acontecimentos estão em acirrada disputa, embora  salte aos olhos que, pelo contrário, eles já foram determinados pela correlação de forças econômica, tornando-se extremamente previsíveis. 

O que seria da nossa grande imprensa caso tivesse se generalizado a  minha conclusão de que, após não ter dado seu autogolpe quando as circunstâncias lhe eram propícias no seu primeiro ano de governo, Bolsonaro dificilmente lograria adiante seu objetivo? Quantos bilhões de  dólares a indústria cultural teria deixado de faturar em cima da paúra dos eternos torcedores? 

Pior ainda seria se os cidadãos manipulados de forma científica pela lavagem cerebral de nossos tempos percebessem a obviedade de que, desde janeiro de 2020, quando Donald Trump foi expelido da presidência dos EUA, o improvável se tornou impossível.

Por quê? Porque os acontecimentos políticos importantes do Brasil são decididos fora do Brasil desde 1500.  
Porque Portugal era um tigre de papel, mas o gigante deitado eternamente em berço esplêndido desperdiçou a chance de adiantar o calendário da História em mais de três décadas com os inconfidentes mineiros, só consumando a independência sob a proteção da pérfida Albion e pelas mãos do príncipe estrangeiro.

Porque o Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravatura, apenas o fazendo quando ela já se tornara contraproducente em termos econômicos.

Porque a ditadura de Getúlio Vargas apenas teve fim quando os estadunidenses, após lutarem contra a Alemanha e a Itália campos de batalha da Europa,  decidiram que não queriam miniaturas de Hitler e Mussolini empoderadas no seu quintal.

Porque o golpe de 1964 já vinha sendo tramado e até tentado pelos mesmíssimos conspiradores desde a década anterior, mas só virou realidade quando os EUA lhes deram sinal verde e se comprometeram a intervir militarmente em favor deles caso necessário.

De resto, uma ditadura ultradireitista como a sonhada pelos irmãos Bolsonaro, com a complacência do pai coruja, afeta negativamente os negócios, então se tornou no presente século uma opção indesejável para o grande capital (não confundir com os vira-latas do capitalismo, como os predadores ambientais).

Com o fracasso de Trump, seu boquirroto apoiador bananeiro passou a ser discretamente torpedeado por aquele gigante de quem em muito dependia economicamente e cujos militares desde os tempos da Força Expedicionária Brasileira exercem influência poderosa sobre os oficiais superiores do nosso Exército. 

Apesar de contemporizarem com Bolsonaro, tais comandantes, se tivessem de decidir se ficariam a favor ou contra um autogolpe no nascedouro, se inclinariam inevitavelmente para a segunda opção.

Ademais, Bolsonaro jamais teve coragem pessoal, nem miolos, nem liderança, nem raciocínio estratégico para encabeçar qualquer virada de mesa institucional. Toda a sua trajetória –de mediocridade e pequenas trapaças, fanfarronices estridentes, blefes cínicos e humilhantes negaceios quando chegava a
hora H– o evidenciava. 

Então, apenas bisou o Hitler que conseguiu tomar a Áustria e a Tchecoslováquia apenas blefando, mas não conseguiu fazer o mesmo com a Polônia, pois ingleses e franceses haviam aprendido a lição com os recuos anteriores e lhe declararam guerra em setembro de 1939.

Com sua crassa ignorância histórica, Bolsonaro não percebeu que nem seus blefes. nem o apoio do centrão comprado a peso de cargos e verbas, lhe proporcionariam o poder absoluto. 

E não foi o Supremo Tribunal Federal quem realmente inviabilizou sua escalada destrambelhada, mas sim os verdadeiramente poderosos (os donos do PIB e os altos escalões militares), ao garantirem aos nada heroicos ministros do STF que poderiam honrar suas togas sem risco da chegada de um soldado e um cabo para fechar a corte.  

Já impotente para levar a cabo suas ameaças fantasiosas, Bolsonaro quis dar demonstração de força no 7 de setembro de 2021 e escancarou, isto sim, sua fraqueza, tendo de ir sentar-se no colo do tio Temer e implorar-lhe que consertasse sua lambança.

Excluída a hipótese do autogolpe, depositou sua última esperança de reeleição na capitalização do bicentenário da independência, cometendo em vão um rosário de crimes eleitorais, pois seu destino já estava selado e a sólida rejeição por ele acumulada pesou mais do que tais pirotecnias na enésima hora. 

O novo ano começará com um novo presidente despachando no Palácio do Planalto. A mudança vai ser para melhor, pois  pior seria impossível. 

Mas, não se iludam: devolvida a racionalidade ao governo e sanadas as aberrações mais óbvias, a pátria desalmada continuará não sendo mãe gentil para a maioria dos filhos deste solo

Isto não está nos planos de quem já assumirá comprometido com a perpetuação de um sistema que coloca a obtenção do lucro acima da satisfação das necessidades humanas, nem sairá das urnas eletrônicas, nem vai cair do céu .

Só ocorrerá se e quando a gente brasileira se tornar realmente brava e tomar em mãos o próprio destino. (por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

BYE, BYE, BOZO...

A
pós se tornar o recordista absoluto da República do Brasil em crimes eleitorais impunes ao dar esmolas eleitoreiras  no finalzinho da campanha presidencial e ao avacalhar a comemoração do bicentenário da independência transformando-a num comício tosco e ignaro, o palhaço sinistro ainda perde do Lula por 45% a 34%, segundo o DataFolha.

Então, a corrida já acabou. Depois de o bufão haver queimado seus últimos cartuchos sem conseguir alterar o rumo da batalha, seus apoios (comprados com dinheiro público e com a famigerada caneta Bic) vão bandear para o lado vencedor e o Lula herdará votos suficientes para eleger-se no 1º turno.  

A dominação burguesa prosseguirá, a escandalosa desigualdade econômica  vai permanecer intocada, a economia do País não sairá do buraco, mas a retirada do bode da sala vai dar aos brasileiros algum alívio momentâneo: sem insanidade mental, golpismo e necropolítica, tudo parecerá melhor por uns tempos.

Continuaremos patinando sem sair do lugar, suportando o pesadelo da polarização imbecil que faz do vizinho o lobo do vizinho e a mesmice da alternância entre o ruim (governos populistas reformistas)  e o péssimo (governos populistas ultradireitistas), as duas faces da moeda capitalista na atualidade.

Torcendo para ainda estarmos vivos quando, ao invés de dar cara ou coroa, a moeda cair em pé. E, claro, empenhando-nos ao máximo para que tal aconteça. (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

POR SER DESPOLITIZANTE E REACIONÁRIA, A ESTRATÉGIA DO LULA FAVORECE O BOZO

david emanuel coelho
POR QUE NÃO VOTAREI NO LULA
EM NENHUM DOS DOIS TURNOS?
"
Se o Lula for um candidato de esquerda, a gente desconhece o que seja a esquerda no Brasil e no
mundo"(Vera Lúcia, presidenciável do PSTU)
O melhor caminho para combater um chantagista é não se dobrar às suas chantagens. 

O lulopetismo tornou-se chantagista desde o mensalão, quando ficou claro que não havia mais qualquer programa capaz de distingui-lo dos demais partidos da ordem burguesa brasileira. 

O escândalo de 2005 não foi apenas um ato de falta de ética, mas também expressou a completa rendição do PT ao fisiologismo do Congresso Nacional: quem havia sido eleito com a promessa de mudar as práticas políticas, abertamente se adequava a elas.

E nem sequer por bons motivos era, pois a rendição ocorreu para aprovar medidas neoliberais que custaram direitos trabalhistas e reforçaram o poder dos oligopólios burgueses. 

Tornando-se mais do mesmo, o lulopetismo ficou sem condições de se viabilizar junto às massas trabalhadoras. Começou aí sua derrocada junto aos trabalhadores organizados e consequente deslocamento de sua base para as massas pauperizadas. 

O assistencialismo substituiu a política operária enquanto a própria indústria decaía nas metrópoles e o papel das commodities crescia exponencialmente. 
"O lulopetismo joga no mesmo campo do bolsonarismo"

Sem ter programa, ao PT restou a política da chantagem: cada eleição passou a ser uma disputa para evitar a ascensão ou retorno do atraso. 

O PSDB foi empurrado para a direita, com seus candidatos sucessivamente vilanizados, pouco importando que no fim os dois partidos fizessem a mesma coisa quando no poder. 

Enquanto persistia o ciclo de crescimento da economia mundial, com dólares inundando o país, era possível camuflar a precariedade na qual o lulopetismo estava assentado. A onda de consumo e a relativa melhora da renda favoreceram Lula em seu segundo mandato, criando a aura que o acompanha até hoje. 

No entanto, a crise capitalista de 2008 foi-se fazendo sentir no país até que, na década passada, nova mudança qualitativa se tornou obrigatória. As contradições acumuladas irromperam e o vazio programático do lulopetismo ficou manifesto. 

Após o mensalão, as manifestações de 2013 foram seu segundo grande encontro com a verdade. Se em 2005 ficara configurada a adesão do PT ao fisiologismo, a partir de 2011 foi se evidenciando cada vez mais seu posicionamento reacionário, de inteira submissão ao capital. 

Junho de 2013 significou para o PT o batismo de fogo de um partido clara e abertamente contra-revolucionário, compromissado até a medula com a ordem capitalista nos moldes subalternos e coloniais ainda presentes no Brasil. 

Tendo ajudado a sufocar a rebelião daquele ano, o petismo compromissou-se ainda mais com as forças do atraso, as mesmas que depois iriam derruba-lo do poder em 2016.
Qual o lado escolhido pelo PT em 2013? Adivinhem...

Sua postura diante daquela explosão social serviu também para alavancar a atuação da extrema-direita, que se tornou soberana nas ruas e usurpadora da insatisfação popular. O bolsonarismo nasceu aí, não sendo exagero afirmar que o lulopetismo teve papel predominante em sua gênese. 

Bolsonaro surfou no inconformismo das massas, na derrocada do sistema político falido. Enquanto o lulopetismo havia se amalgamado com o atraso, o atual presidente passou a atacar o stablishment mediante o chavão genérico – mas nem por isso menos efetivo  de que era preciso acabar com tudo isso que tá aí

Ao se vender como um (falso) outsider, Bolsonaro colocava-se como o grande vingador, o homem que combateria incansavelmente as forças dominantes, agora também identificadas com o petismo e a esquerda em geral graças exatamente às metafomorfoses operadas pelo PT em 2005 e 2013.

Com isto, inverteu-se a lógica. A extrema-direita virou rebelde, revolucionária; e a esquerda se tornou conservadora, amiga da ordem. A ascensão do bolsonarismo em 2018 é uma exata expressão disto; e a estratégia cretina e absolutamente criminosa do Lula e da cúpula do partido em fingir uma candidatura-fantasma, torpedeando Ciro Gomes, só fez agravar o quadro. 

Bolsonaro jamais abandonou o personagem. Continuou posando de rebelde e de adversário do status quo, mas remodulando o discurso após ter ficado claro sua igual sujeição ao fisiologismo e aos capitalistas. 
"Era preciso criar nova história de confrontos"

Era preciso criar uma nova história de confrontos, daí seus alvos terem passado a ser o STF, o TSE, a medicina, a ciência. No lugar das forças do atraso, antes hipocritamente denunciadas, agora a culpa pelas agruras do povo estaria na obrigatoriedade do uso de máscaras, na imposição de vacinas, na restrição ao movimento nas cidades, na suposta conspiração para roubar o seu voto, etc. 

Tais encenações mistificadoras são essenciais para Bolsonaro fazer sentido no seu papel de vingador, de outsider, mesmo não o sendo. 

O resultado no entanto não poderia ser pior, pois graças à estratégia política do presidente, mais de 1 milhão de brasileiros morreram, num ato gritantemente genocida, à medida que envolveu método para aumentar a contaminação por uma doença que ele sabia ser mortífera. 

E o PT nisto? O partido não poderia estar mais feliz, pois passou a ter o melhor dos espantalhos. Se antes precisava vilanizar os tucanos, agora o discurso era ocioso, pois estavam diante de um vilão autêntico, um alucinado insensível à dor alheia e absolutamente despreparado. Por isso, fez de tudo para empurrar Bolsonaro até as eleições deste ano, a fim de bater em cachorro morto. 

Na realidade, o confronto com Bolsonaro serve ao petismo para camuflar sua falta de programa, seu caráter reacionário e corrupto. Diante do atual presidente, nenhum tema relevante será aprofundado e o debate vai permanecer proscrito em nome do retorno à civilidade. 

Dito de outro modo, o lulopetismo consegue um cheque em branco graças ao seu principal concorrente ser um sujeito absurdamente desqualificado e assim Lula pode ir à TV mentir e vender apenas a si mesmo. Não há debate, há apenas mesmerização do santo salvador. 
Sem papas na língua, Ciro Gomes bate forte na guinada
conservadora do Lula: "Ele se lambuzou no poder".

Ciro Gomes foi o único entre os concorrentes minimamente viáveis que tentou sair deste buraco trazendo um debate racional e programático, sendo, por isso mesmo, torpedeado pelo lulopetismo e amiúde ridicularizado pela militância do PT. 

A rigor, o lulopetismo joga no mesmo campo do bolsonarismo, o da irracionalidade, da substituição do debate pelo apelo emocional e o do ocultamento dos programas. 

Digo os programas de fato, e não as ficções escritas para os ingleses do TSE verem, pois o programa petista é neoliberal e segue a mesma lógica do bolsonarismo – apenas com alguns desvios para mais ou para menos aqui e ali , mas isto é escamoteado do povo pela exploração maciva da imagem redentora do milagreiro de Guaranhuns. 

Pior para nós, pior para o Brasil, pois num contexto de crise acelerada do capitalismo, de divisões crescentes no mundo inteiro, com o fenomeno da desglobalização avançando, e mesmo com o risco de uma nova guerra mundial, não debater os programas, não ter clareza sobre o que será feito, é o caminho mais propício para o desastre. 

A despolitização que tem sido a marca do lulopetismo enquanto estratégia para ocultar sua falta de programa, sua natureza reacionária e antipopular já nos legou o bolsonarismo e pode nos legar algo ainda pior no futuro. 

Por isso, não pretendo dar meu voto a Lula nem sequer num eventual 2º turno. Posso ser acusado de estar favorecendo Bolsonaro, mas tal acusação só faz sentido quando consideramos a política como algo existente apenas a cada quatro anos, na hora do voto, e não enquanto um processo histórico. 

Quando encaramos a política em sua processualidade, é possível constatar que quem realmente favorece Bolsonaro é o lulopetismo com sua estratégia despolitizante e reacionária. Não votar em Lula é dar um grito de sanidade e lucidez contra o rebaixamento político em curso no país.
(por David Emanuel Coelho) 

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

A POLARIZAÇÃO É ENTRE DOIS MÍSEROS CANDIDATOS POPULISTAS. POR QUE?

william waack
OS INFLUENCERS LULA E BOLSONARO
Para Waack, "Lula e Bolsonaro...
H
enry Kissinger acabou de completar 99 anos e de publicar mais um livro: Leadership (Liderança). É quase um testamento de quem pessoalmente viu de tudo: de Hitler a Merkel, de Mao a Xi Jinping, de Kruchev a Putin, de Eisenhower a Biden. 

Goste-se ou não de Kissinger, esse hiper-realista tem algo a dizer sobre qualidades de líderes políticos.

No livro ele nem cita o Brasil, mas que lugar ocupariam Bolsonaro e Lula, os dois líderes brasileiros do momento, na grande separação universal que Kissinger faz entre estadistas e profetas? Nem um, nem outro. 

O estadista, diz o autor, teme a personalização da política, pois sabe como são frágeis as estruturas que dependem sobretudo do indivíduo. Lula e Bolsonaro são populistas por definição.

Na visão de Kissinger os dois brasileiros liderando a política teriam algo de profetas. Mas apenas num aspecto muito restrito: acham que, simplesmente por terem uma visão, isso lhes confere razão. 

Estão a galáxias de distância daqueles que superaram as circunstâncias que herdaram e conduziram suas sociedades para as fronteiras do possível (profetas na História, para Kissinger, foram Robespierre, Lenin, Joana D’Arc e Gandhi).

A capacidade de atuação do líder político, afirma o autor, depende de entender o passado e projetar o futuro. Nesse sentido, Bolsonaro e Lula são vítimas de dois fenômenos modernos que Kissinger considera extraordinariamente prejudiciais à formação de líderes de grande alcance.
...são populistas por definição".

O primeiro é a perda generalizada do que se chama
alfabetização profunda, isto é, a capacidade de aprimorar o senso analítico sobretudo pela leitura profunda. É famosa a aversão de Bolsonaro e Lula por textos longos. 

Esse fenômeno está associado a outro, considerado ainda mais prejudicial à formação de líderes: as tecnologias digitais. Trata-se da passagem da cultura da palavra impressa para a cultura da imagem, e sua preponderância nas redes sociais. 

Para a formação de líderes a era digital traz quatro tipos de vieses prejudiciais: o imediatismo, a intensidade, a polarização e a conformidade

É o resultado de uma atmosfera na qual lideranças são suplantadas por uma combinação de emoções pessoais e de massas inflamadas por imagens.

O Brasil é parte relevante do fenômeno, incentivado pelas redes sociais, da divisão da sociedade em tribos – do qual Bolsonaro e Lula são expressão fidedigna, embora venham de outros tempos. 

A polarização e o conformismo dependem um do outro e se reforçam: as pessoas passam a pertencer a uma tribo que, por sua vez, policia o que as pessoas pensam.

Está passando para a política, conclui o velho cínico Kissinger, aquilo que as plataformas digitais já estabeleceram. Usuários são divididos entre influencers e seguidores. Não há mais líderes. (por William Waack, n'O Estado de S. Paulo)

domingo, 14 de agosto de 2022

NO JARGÃO GROSSEIRO DO BOZO, ELE PEIDA NA FAROFA AO FUGIR DOS DEBATES

josias de souza
BOLSONARO E LULA SE IGUALAM
AO TOMAR A MESMA FUGA DO
DEBATE EM POOL
Convidado a participar de uma dezena de debates, Lula exigiu que as empresas de comunicação se reunissem para realizar eventos conjuntos. 

Bolsonaro declarou que iria aos debates se o seu principal antagonista também fosse. Era lorota. 

O consórcio de veículos de imprensa formado por Folha, UOL, g1, Estadão, Globo e Valor realizaria neste domingo (14) o primeiro debate presidencial de 2022 no formato de pool. Lula e Bolsonaro bateram em retirada, forçando o cancelamento do evento. 

Em eleições passadas, os debates eram necessários. Em 2022, tornaram-se imprescindíveis, pois o país vive a sua mais importante e conturbada eleição presidencial desde a redemocratização.

E os dois principais contendores 
um ex-presidente que reivindica o terceiro mandato e um presidente que pleiteia a reeleição sonegam aos eleitorado a exposição de duas horas de questionamentos sobre suas lacunas e contradições.

Nos palanques e nas redes sociais, Lua chama Bolsonaro de
golpista e genocida. É chamado pelo rival de bêbado e ladrão. Podendo desfrutar do privilégio de um confronto direto, os dois se igualam ao tomar a rota de fuga. 

Lula teve o pedido de formação de pools atendido. Deve explicações. Bolsonaro disse em sua live da noite de 5ª feira (11) que prefere participar de programas na internet. Citou a pseudo-entrevista de cinco horas que concedeu ao podcast Flow

Nessa conversa, Bolsonaro disse a certa altura que não está interessado na aprovação de uma PEC da Anistia, para evitar a prisão em caso de derrota. Explicou sua posição assim:
"Vão falar que estou pedindo arrego, peidou na farofa. Não quero essa imunidade"
Para usar a mesma linguagem vadia, o valentão do Planalto peida na farofa ao fugir dos debates. (por Josias de Souza)

terça-feira, 9 de agosto de 2022

LULA ATINGE A META QUE PERSEGUE HÁ 4 DÉCADAS: DILUIR O VERMELHO DO PT!

Vai ser esta a nova bandeira do PT? 
josias de souza
LULA DESBOTA BANDEIRA DO PT PARA ESVAZIAR BRUXARIAS ELEITORAIS DE BOLSONARO
No material da campanha de Lula, a cor característica do PT se diluirá em meio às tonalidades da bandeira brasileira. 

O vermelho será misturado nos adesivos e panfletos a tons de azul, amarelo e verde. Por trás da providência singela esconde-se a essência da estratégia eleitoral de Lula no embate que trava com Bolsonaro. 

No gogó, parte do petismo ainda sonha com vitória no primeiro turno. Na prática, a campanha de Lula já se equipa para a batalha da segunda rodada. 

Bolsonaro sacode desde logo o lençol do fantasma do comunismo. Os governos petistas notabilizaram-se pelo dinheirismo, não pelo comunismo. Mas na campanha do capitão, como nas guerras, a primeira vítima é a verdade. 

Antevendo as bruxarias que estão por vir, os estrategistas do PT tentam retirar do baralho a carta do radicalismo.

Em privado, Lula diz que, quanto mais irascível soar Bolsonaro, mais sereno será a sua retórica. O compromisso não orna com o estilo palanqueiro do personagem. 

Mal comparando, ocorre em 2022 algo semelhante ao que sucedeu há quase quatro décadas, quando Tancredo Neves pediu que fossem evitadas as bandeiras vermelhas nos seus comícios. Agonizante, a ditadura militar havia apertado o botão de dane-se

Surgiram em Brasília cartazes em que Tancredo era retratado contra um pano de fundo vermelho, ornamentado com a foice e o martelo. Agora, além de desbotar a bandeira do PT, Lula surfa a onda de manifestos pró-democracia. 

Tenta recriar contra o governo civil mais militar da história a atmosfera que vigorava no alvorecer da fase de redemocratização. (por Josias de Souza)
TOQUE DO EDITOR – O Josias acertou no atacado, mas há duas pequenas observações a fazer no varejo:
1. Descaracterizar o PT como partido de esquerda não é um artifício tático dos estrategistas de campanha, mas sim a confirmação simbólica de que Lula atingiu plenamente seu objetivo de desideologizar o partido, buscado obsessivamente desde a década de 1980.
Foi quando ele orquestrou a expulsão de forças e militantes revolucionários, ao mesmo tempo que escancarava as portas do PT para o ingresso indiscriminado de carreiristas e oportunistas, que evidentemente favoreciam a priorização total da conquista de governos, verbas e boquinhas.
2. Nada garante que Lula não vencerá no primeiro turno, pois a campanha gratuita nem começou e muita água ainda vai passar sob a ponte.

Possibilidades em aberto são o rápido esvaziamento do Bozo, que tanto pode levar a uma decisão já no 2 de outubro, como ensejar a emergência de outra candidatura para disputar com Lula o segundo turno. Afora a chance sempre presente de uma explosão social como as que aconteceram em vários países no ano de 2019. 

A única certeza, no momento, é que não haverá golpe de Estado nenhum, pois não passa de blefe de um Bozo em flagrante processo de esvaziamento. (por Celso Lungaretti)   

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

JOGO DOS 7 ERROS: ACHE DIFERENÇAS ENTRE FALAS DE LULA E DO BEATO SEBASTIÃO

"Eu não quero governar, eu quero cuidar do povo brasileiro. Quero cuidar de cada mulher, de cada homem, de cada mulher, como eu cuido da minha esposa, como eu cuido dos meus filhos, dos meus netos, porque esse país está precisando de cuidado e respeito.

Quero trabalhar em 4 anos por 40. Esperem para ver o que nós vamos fazer neste país para retomar o crescimento, gerar indústria nova, gerar emprego, aumento de salário, melhorar a Educação e a Saúde.

Quando vocês viajarem vão poder mostrar o passaporte de vocês com muito orgulho e ouvir bem-vindos brasileiros." (discurso do beato Sebastião, ersatz de um místico real do século 19, Antônio Conselheiro, no filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, que Glauber Rocha realizou há exatos 60 anos, mas continua retratando fielmente os ranços salvacionistas, paternalistas e messiânicos do populismo brasileiro)


"
Andei por mais de cem lugar dizendo que o mundo ia acabar nesta seca, com fogo saindo das pedra. Os prefeito, as autoridade e os fazendeiro disseram que eu estava mentindo e que o sol era culpado da desgraça.

Mas, o ano passado eu disse que ia secar cem dia e ficou cem dia sem chuvê. Agora eu digo, no outro lado de lá deste Monte Santo existe uma terra onde tudo é verde, os cavalo comendo as flor, e os menino bebendo leite nas água do rio.

Os home come o pão feito de pedra e poeira da terra vira farinha, tem água e comida, tem a fartura do céu e todo o dia, quando o sol nasce, aparece Jesus Cristo e Virgem Maria, São jorge e meu santo Sebastião todo incravado de flecha no peito." (Lula mirando-se no governo JK, de seis décadas atrás, ao apresentar suas propostas de campanha em 2022, o que não é de estranhar-se, pois, afinal, suas referências são todas do passado...)


Troquei as bolas? Não faz mal. Dá tudo no mesmo.
.
Então, se você não encontrou diferença  nenhuma, 
sem problema: é porque realmente elas inexistem...(CL)

domingo, 22 de maio de 2022

ARTIGO PARA LER E REFLETIR (O BRASIL AGONIZA NO BECO SEM SAÍDA DA POLARIZAÇÃO)

luiz felipe pondé
BOLSONARISTAS SÃO BATEDORES DE
 CARTEIRA E O PT É GANGUE SOFISTICADA
B
olsonaristas são uma quadrilha de batedores de carteira, milicianos e praticantes de rachadinha

O PT é outro nível. Com o DNA do sindicalismo bandido com metafísica social, o PT é uma gangue sofisticada.

Rouba com garfo e faca e com discursos intelectuais quando Haddad passa, ciclistas revolucionários e estudantes de humanas soltam suspiros profundos. 

Conta com a bênção de muitos membros da elite, retomará o poder e vai remontar suas redes de corrupção. Artistas ficarão emocionados e jornalistas conterão o gozo no canto dos lábios.

Bolsonaristas veem a si mesmos como machos alfa a andar de motocicleta por aí. 

Se você é simpatizante do Lula, você vê a si mesmo como um ser evoluído, com altíssima consciência cósmica e amor à humanidade.

Se você não abraça nenhum dos polos da corrupção acima descritos, terá zero opção nas eleições para presidente neste ano. 

Ou vota nulo e resguarda sua consciência, o que de nada adianta quanto à miséria política do país mas, dirão os mais céticos, "um voto não faz nenhuma diferença mesmo". 

Ou tapa o nariz e vota no que você considera menos fedido. O odor de ovo podre exala das duas opções. A miséria política brasileira tocou o fundo do poço.

Estamos no mato sem cachorro. Para apoiar Bolsonaro, você tem que ser uma espécie de estúpido raivoso e cego. Para apoiar Lula, você tem que ser um obcecado ideológico ou um mentiroso contumaz.

A 3ª via descortinou essa mesma miséria. Um desfile de vaidades indiferentes ao destino do país. Afoitos em adiantar alguma vantagem para suas carreiras e seus partidos enfim, sua sobrevivência, mesmo na inviabilidade da vitória, os candidatos da 3ª via nunca quiseram ser uma opção viável, mas apenas aparecer para projetos futuros.

Não têm nenhuma cerimônia em entregar o país a um dos dois lixos que concorrem à presidência. A sensação que se tem ao olhar para os ex-candidatos da 3ª via é a de assistir a um desfile de Napoleões loucos numa ópera bufa.

A elite econômica nunca se preocupou com o país. Somos uma vaca leiteira para aumentar suas riquezas. Farão, como sempre fizeram, acordos com os canalhas da vez. 

O cidadão brasileiro continuará vivendo entre assaltos, craqueiros, inflação, fome, picaretas progressistas e reacionários que babam na gravata.

Os militares, infelizmente, demonstraram avidez pelo poder e pequenez histórica. Antes do governo Bolsonaro, haviam amealhado uma boa posição na opinião pública. Depois do governo Bolsonaro, ficaram com cara de homem inseguro em busca de provas públicas de sua condição de macho.

Com Bolsonaro, gozam muitos evangélicos, milicianos e ladrões de galinha, destruidores da Amazônia, dos índios, num arco de liberalismo estúpido que destrói um patrimônio essencial a serviço da gang do garimpo.
Com o PT, todos os inteligentinhos gozarão ao voltar finalmente ao poder e poderão roubar o Estado com discurso progressista.
A classe teatral poderá fazer o L com os dedinhos como se estivessem resistindo a ditaduras de alto risco em seus palquinhos. Se bolsonaristas cospem quando falam, simpatizantes do Lula choram, emocionados, com a própria sensibilidade fake.

Há que se reconhecer que, com o Lula, a imagem internacional do Brasil deverá melhorar um pouco. A política é um circo, seja em que nível for, do município à ONU.

Bolsonaro é um palhaço pró-ditadura, Lula, um político datado que traz no seu portfólio lutas contra a ditadura. Um saldo pobre para um país cansado no mato sem cachorro.

Dirão que não há saída fora da política –e não há mesmo, por isso estamos sem saída. Não há alternativas que não passem, de alguma forma, pelo fim da picada. O Brasil parece um paciente terminal, com uma classe política que nos asfixia.

O PT, que dominou o cenário político partidário pós-ditadura, é uma gangue. Deverá voltar ao poder nas eleições deste ano –salvo algum acidente de percurso– e voltará a roubar, ainda que com algum verniz. 

E voltará a perseguir todo mundo que não rezar no seu altar, como fez em governos anteriores, apesar de posar de democrático. (por Luiz Felipe Pondé)
TOQUE DO EDITOR – Quanto à crítica ao que está aí, tem tudo a ver. 

Mas, se o capitalismo se aproxima a passos largos do fim da linha e a democracia burguesa cada vez mais se evidencia como um tapume colorido atrás do qual se escondem os cordéis da ditadura do poder econômico, é certo que estamos entrando num período totalmente imprevisível da história da humanidade, que tanto abrirá janelas revolucionárias como poderá consumar o fim da nossa espécie.

O quadro é mesmo o que Pondé exibiu. No entanto, depende de nós aproveitarmos tais janelas revolucionárias para garantir que continuará existindo um planeta para nossos filhos, netos e bisnetos viverem. E não será com amargor e ceticismo que salvaremos algo do incêndio.

O Pondé tem, contudo, o mérito de afastar as ilusões simplórias, que não nos servem de nada. Graças a elas, nos encaminhamos  para trocar o retrocesso à Idade Média pelo retrocesso ao pré-1968, numa grotesca alternância entre governos bonzinhos (mas coniventes com a dominação burguesa) e governos malvadões (que a impõem a ferro e fogo).
Ou voltamos a andar para a frente ou acabaremos enterrados nesse pântano em que nos debatemos desde 1985, abraçados aos cadáveres putrefatos do reformismo e do populismo.
 
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(por Celso Lungaretti)
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