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sábado, 16 de julho de 2022

O BOZO SUPÕE SER DEUS E DIZ QUE SÓ QUEM VOTAR NELE TERÁ VIDA ETERNA

bruno boghossian
BOLSONARO TRANSFORMA VOTO EVANGÉLICO EM
 BATALHA PELA
 ALMA DO ELEITOR
Em pouco mais de 24 horas, Jair Bolsonaro mandou o mesmo recado para duas plateias diferentes da Assembleia de Deus. 

Depois de fazer sua conhecida pregação contra a esquerda, o presidente afirmou a pastores e fiéis no Maranhão e em Minas Gerais que a salvação de seus espíritos depende do comportamento de cada um deles na campanha eleitoral.

"No dia do ponto final, nós temos um currículo para ser apresentado. Esse currículo são nossas ações ao longo de toda a vida, bem como as nossas omissões. Quem se abstém, quem diz 'eu não quero nem esse nem aquele' está errando também", disse Bolsonaro em Vitória do Mearim (MA), na 5ª feira (14). "Esse currículo é o que vai nos dizer se teremos ou não a sonhada vida eterna."

O presidente tenta acrescentar uma nova camada à briga pelo voto evangélico. Bolsonaro costuma fazer ofertas concretas aos fiéis, como ações relacionados à política de drogas ou ao aborto. Agora, ele cobra apoio desse grupo como uma espécie de imperativo espiritual.

A batalha pela alma faz parte de um esforço de Bolsonaro para distrair esse eleitor do mau desempenho de seu governo no plano material. 

"A pandemia passa, como está passando, graças a Deus. Os problemas econômicos, a gente vai resolvendo", afirmou, depois de pedir ajuda aos fiéis para derrotar Lula.

O temor do presidente é que, frustrada com o governo, uma fatia do eleitorado evangélico perca o entusiasmo por sua candidatura e não se engaje numa campanha contra o PT.

Bolsonaro reforçou o roteiro do juízo final na 6ª feira (15). Num encontro de pastores em Juiz de Fora (MG), o presidente criticou a esquerda e, apontando para o alto, destacou que todos serão julgados por ações e omissões durante a vida.

"Muitas vezes você pode fazer alguma coisa e lava as mãos. Está na Bíblia o que aconteceu com Jesus", comparou. 
"
Por vezes, no Brasil, nós passamos por momentos onde as mãos de todos nós decidem o futuro de uma pátria, se vocês querem que esse povo continue livre ou não."
 (por Bruno Boghossian)

Quando ainda buscava uma cura, o Bozo foi consultar o psiquiatra 
Walter Franco. Com uma técnica inovadora, o doutor conseguiu gravar os
 pensamentos desconexos do seu paciente. Eis o que lhe passava pela cabeça

quinta-feira, 12 de maio de 2022

PITI DO BOZO: DISPARADA DA INFLAÇÃO FARÁ REELEIÇÃO E/OU GOLPE FLOPAREM!

 bruno boghossian
JOGADAS DE BOLSONARO SOBRE PREÇOS
TRANSMITEM UM CERTO DESESPERO 
J
air Bolsonaro telegrafou a demissão do ministro de Minas e Energia. 

Na semana passada, o presidente citou nominalmente o almirante Bento Albuquerque e o chefe da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho, e mandou um recado, aos gritos:
"Vocês não podem aumentar o preço do diesel! Eu não estou apelando, eu estou fazendo uma constatação".
Quatro dias depois do ultimato, a estatal anunciou mais uma alta do combustível. Passados mais dois dias, o ministro perdeu o cargo.
O presidente busca uma válvula de escape para os danos políticos provocados pelos aumentos. Na ausência de um plano eficiente para o setor, Bolsonaro já demitiu dois presidentes da Petrobras e, agora, o ministro da área. Nesse ritmo, falta trocar os frentistas dos postos de combustíveis, para ver se os preços caem.

As jogadas de Bolsonaro transmitem um certo desespero. Principal medida do governo para os combustíveis, o corte de impostos federais teve efeito limitado nas bombas. 

O mesmo ocorreu com manobras menos ortodoxas, como a pressão sobre donos de postos e até a ideia de que moradores deveriam alugar caminhões para distribuir botijões de gás em suas comunidades.

Agora, o presidente reforça os ataques à própria Petrobras e simula indignação com os lucros da empresa. 

Entre acusações de estupro e alertas de que a estatal quebraria o país, não se ouviu de Bolsonaro nenhum projeto consistente para uma nova política de preços dos combustíveis.

Em vez de lançar um programa com resultados incertos a cinco meses da eleição, o presidente aposta em investidas cosméticas e retóricas. 

O governo tenta amortecer o impacto político de uma inflação que galopa na casa dos 12% e segurar os humores de um eleitorado cada vez mais sensível à variação de preços.

Ainda que o plano A de Bolsonaro não seja vencer nas urnas, o presidente ainda precisa manter popularidade e chegar à votação como um candidato competitivo. Ele sabe que uma derrota acachapante eliminaria o apoio a qualquer tipo de ruptura. (por Bruno Boghossian)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

AUTOCRÍTICA DO PT CONCLUI: A GRANDE CULPADA FOI A DILMA!

bruno boghossian
PT APOSENTA QUADROS PARA TENTAR
PROTEGER CAMPANHA DE LULA
Lula fez questão de ele mesmo afirmar que a
Dilma não terá cargo nenhum no seu eventual governo
 
O
PT anunciou a aposentadoria de alguns de seus quadros. Na semana passada, Lula disse que Dilma Rousseff não deve ocupar nenhum cargo no governo caso ele vença a próxima eleição. 

Outros petistas seguiram o exemplo: em declarações públicas nos últimos dias, Guido Mantega e José Dirceu descartaram uma volta à Esplanada dos Ministérios em 2023.

O partido se antecipou para deixar no passado figuras que podem se tornar incômodas na campanha. O time de Lula quer descolar a imagem do presidente das memórias da crise econômica evocadas com Dilma e Mantega, além das conexões de Dirceu com escândalos da era petista.

O trio ainda preserva influência em debates internos da sigla. Dilma participou na 2ª feira (31) de um seminário do PT que também contou com a presença de Lula. Mantega foi escalado pelo próprio ex-presidente para assinar um artigo com as ideias da legenda para a economia, e Dirceu tem viajado o país para encontros políticas com aliados.

Os três, porém, passaram à condição de peças fora do jogo por dois motivos. O primeiro é a percepção de que corrupção e erros na economia são os pontos mais vulneráveis do PT. Lula tenta estabelecer um cordão sanitário em torno de nomes que se tornaram símbolos desses problemas e que costumam ser explorados por rivais interessados em ativar o antipetismo na campanha.
Zé Dirceu (e também Guido Mantega) pelo menos teve
o direito de fingir que tal decisão tinha partido dele 

Além de amenizar desgastes, a equipe do ex-presidente também busca fazer uma levíssima sinalização de correção de rumos. Numa sigla com notória ausência de disposição à autocrítica, a ideia é enviar a mensagem de que um governo Lula pode seguir caminhos diferentes.

O próprio ex-presidente tentou reforçar o recado. "Eu pretendo montar um governo com muita gente nova, importante e com muita experiência", disse, ao deixar de lado o nome de Dilma. 

Lula não vai afastar antigos escudeiros como Gleisi Hoffmann, Aloizio Mercadante e Franklin Martins, mas deve abrir espaço para os governadores Rui Costa, Flávio Dino e Wellington Dias. (por Bruno Boghossian)
TOQUE DO EDITOR – Depois de mais de cinco anos se negando teimosamente a fazer autocrítica pelos erros crassos que quase destruíram o PT e pavimentaram o terreno para a volta da direita ao poder, Lula mudou de ideia num átimo, quando o Bozo alertou que, vencendo em outubro, ele certamente faria de Dilma, Zé Dirceu e Guido Mantega seus ministros.

Lula correu a fazer a chamada autocrítica na prática, lançando três mortos ao mar em pleno voo do seu avião de campanha: Dilma foi colocada para fora sem paraquedas, com um formidável pé-na-bunda; já Dirceu e Mantega receberam paraquedas e puderam ao menos saltar por si próprios.
O que o Lula deveria ter feito há uma eternidade, acabou
fazendo quando o Bozo tocou no assunto. Lamentável!
Se Lula fosse de esquerda e não um mero populista de centro-direita que pisaria até no pescoço da mãe para reeleger-se (sua afirmação cafajeste sobre o Brizola encaixa melhor ainda nele próprio!), trataria de defender o trio e dizer que sempre teriam espaço no seu governo, depois de combinar com os três que eles agradeceriam e declinariam a oferta.

Mas, ele só permitiu a Dirceu e Mantega que salvassem mal e porcamente as aparências, além de ter repetido a desfeita que fizera à Dilma ao não convidá-la para o ato de campanha em que selou sua parceria com Geraldo Alckmin.

Conclusão: por mais que o PT evitasse admitir que a principal responsável pelo impeachment da Dilma tinha sido ela mesma e sua política econômica que começou desastradamente retrô e terminou repulsivamente neoliberal, o próprio tratamento dispensado pelo Lula àquela que ele chamava de gerentona escancarou o que lhe passava pela cabeça. 

Transparência zero e total descompromisso com as práticas tradicionais da esquerda, como a realização obrigatória de uma autocrítica após as grandes derrotas. (CL)  
Assim como a Barca do Sol, o PT lançou seus mortos no mar e
deixou que se queimassem na fogueira da politicagem eleitoreira

domingo, 23 de janeiro de 2022

O BOZO FAZ CAMPANHA CONTRA A VACINA PARA ACOBERTAR SEUS CRIMES

bruno boghossian
QUEIROGA LEVOU METÓDO DO
 GABINETE PARALELO PARA A ESPLANADA
N
o ano passado, a CPI da Covid radiografou a rede de médicos e palpiteiros que aconselhavam Jair Bolsonaro na pandemia. 

Sem cargo oficial, o gabinete paralelo elaborou um programa de propagação do coronavírus, distribuição de medicamentos ineficazes e disseminação de suspeitas falsas sobre vacinas.

Esse método deixou de funcionar de maneira informal e se instalou oficialmente na Esplanada dos Ministérios. 

O médico Marcelo Queiroga passou a exercer com desenvoltura crescente o papel de avalista e executor da disparatada política presidencial para a pandemia.

O ministro da Saúde assumiu um destacado protagonismo nos esforços do governo para desestimular a vacinação contra a Covid. 

Na última semana, Queiroga relatou a ocorrência de 4 mil mortes em que há uma comprovação de relação com os imunizantes. Era mentira: o ministério só reconheceu essa ligação em 13 casos dos mais de 162 milhões de brasileiros vacinados.

O doutor se recusa a informar com clareza à população que os efeitos adversos das vacinas existem, mas são raríssimos. Prefere usar números distorcidos, meias-palavras e um comportamento ambíguo para endossar a plataforma do chefe.

Na 5ª feira (20), Queiroga fez uma excursão ao interior paulista com a ministra Damares Alves. Segundo ela, os dois visitaram a família de uma menina que teve uma parada cardíaca no mesmo dia em que recebeu a vacina contra a Covid. 

Pouco tempo depois, o Ministério da Saúde descartou qualquer conexão entre o caso e o imunizante, mas o estrago estava feito.

Queiroga empresta o jaleco à campanha antivacina porque precisa do cargo para turbinar seu projeto eleitoral. O doutor cumpre duas funções: agita a base ideológica de que o presidente precisa para sobreviver e dá um caráter técnico aos desatinos oficiais.  

Quem ganha mais nessa relação é seu chefe. Para acobertar sua conduta criminosa na pandemia, Bolsonaro precisa repetir até o fim que a vacina não presta. (por Bruno Boghossian)

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

RETICENTE EM PÚBLICO, A POSIÇÃO DE LULA SOBRE OS MILITARES É TIPO 'NEM SIM NEM NÃO, MUITO PELO CONTRÁRIO'...

bruno boghossian
LULA JOGA XADREZ ERRÁTICO AO VENDER
DESPREOCUPAÇÃO COM MILITARES
O
ex-presidente Lula diz que não terá nenhuma "conversa especial com as Forças Armadas" durante a campanha ao Planalto. Em entrevista a uma rádio de Porto Alegre, na semana passada, o petista afirmou que vai tratar os militares com respeito, mas rejeitou um aceno ao grupo.

Ele repetiu a ideia na 2ªfeira (16), durante viagem ao Nordeste:
"Eu não tenho conversa com os militares. Quando eu ganhar, eu vou conversar, porque aí eu vou ser chefe deles e vou dizer o que eu penso e qual é o papel deles".
Nos bastidores, a história é diferente. Lula destacou ex-ministros da Defesa da era petista para conversas com militares, incluindo integrantes do Alto Comando do Exército. O objetivo é traçar um diagnóstico das inclinações políticas nas Forças Armadas, tentar refazer pontes e reduzir a oposição a seu nome no topo das cadeias de comando.

Na cúpula petista, há o entendimento de que o cenário nos quartéis é conturbado: parte dos altos oficiais aderiu ao projeto de Jair Bolsonaro e, portanto, gestos de aproximação seriam bem-vindos. 

O ex-presidente admite isto reservadamente, tanto que já cogitou publicar um artigo para lembrar ações de seu governo na área de defesa (mas desistiu).

Lula joga na direção contrária ao vender, em público, uma despreocupação com a farda. 

A leitura do petista e de seus aliados é que uma conversa com militares soaria como um pedido de permissão para disputar a Presidência –ideia que ele rejeita. 

Além disso, o ex-presidente entende que um contato direto poderia acirrar os ânimos políticos nas Forças.

O xadrez errático alimenta a tentativa bolsonarista de estabelecer um monopólio entre os militares. Depois das entrevistas de Lula, aliados do presidente passaram a explorar uma declaração em que o petista tratou com ironia a passagem de integrantes das Forças pelo Ministério da Saúde. 

"Eles botaram na cabeça que são superiores, eles botaram na cabeça que são mais honestos, e a CPI está mostrando o que aconteceu", afirmou o ex-presidente. (por Bruno Boghossian)

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

NO CIRCO DO BOZO, O BUFÃO NÃO CAI DE BUNDA NO CHÃO PRA FAZER GRAÇA E SIM PORQUE SUA ATUAÇÃO É UMA DESGRAÇA

bruno boghossian
GOVERNO TENTA VIRAR O JOGO NA CPI ,
MAS VOLTA A EXPOR ROLOS DAS VACINAS
O governo se embrenhou tanto no camelódromo das vacinas intermediadas por personagens suspeitos que não encontra mais o caminho da saída. O último movimento bolsonarista na CPI da Covid mostra que os aliados do presidente não conseguem mais explicar os rolos identificados nas negociações de imunizantes.

A tropa de choque de Jair Bolsonaro tentou virar o jogo na sessão desta 5ª feira (12), mas acabou se complicando. O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, disse que a comissão havia espantado os interessados em vender vacinas. Não há mais laboratórios buscando o Brasil, porque não querem se expor a esse tipo de inquirição, declarou.

O esforço de Barros para defender investigados e transferir a culpa para a comissão atiçou senadores governistas. Flávio Bolsonaro pegou carona no descaramento do líder e lançou a nova linha de defesa do Planalto: declarou que
a única coisa concreta que a CPI conseguiu foi impedir milhões de vacinas nos braços dos brasileiros.

Os aliados de Bolsonaro devem ter esquecido que o próprio Ministério da Saúde cancelou o contrato do imunizante indiano Covaxin, intermediado pela Precisa Medicamentos. A Controladoria-Geral da União, órgão do governo, detectou que dois documentos apresentados pela empresa haviam sido adulterados.

A acusação de Barros também se perde no caso da chinesa Convidecia. O laboratório CanSino desmentiu o líder e afirmou que continua interessado em vender doses para o governo, mas lembrou que interrompeu o processo porque precisou trocar seus representantes no Brasil por motivos de compliance –ou seja, algo cheirava mal no acordo.

A CPI pode ter espantado picaretas que prometiam doses inexistentes, reverendos que simulavam missões humanitárias e empresas em busca de pagamento antecipado, mas quem age para impedir milhões de vacinas nos braços dos brasileiros é o governo, que ignorou dezenas de ofertas da Pfizer e mantém imunizantes parados em galpões. (por Bruno Boghossian)

quinta-feira, 27 de maio de 2021

OS GOVERNANTES DEVEM PAGAR PELAS MORTES QUE PODERIAM TER SIDO EVITADAS

O
primeiro-ministro britânico foi um dos pioneiros do negacionismo na pandemia. 

Boris Johnson defendeu que o coronavírus se espalhasse e contaminasse a população até que a imunidade de rebanho fosse atingida. 

Depois, ele mudou o discurso e implantou medidas para conter a doença, mas vacilou na hora de tomar decisões mais duras.

Num depoimento considerado explosivo, um ex-braço direito de Johnson disse ao Parlamento que dezenas de milhares de pessoas morreram sem necessidade. Dominic Cummings afirmou que, no início da pandemia, o líder britânico pensava que a Covid-19 seria amena como a gripe suína e que não era preciso barrar a entrada do vírus no país.

Johnson aplicou restrições ao funcionamento do comércio e de escolas, mas seu ex-conselheiro conta que ele rejeitou um novo lockdown em setembro. Segundo Cummings, o primeiro-ministro temia o impacto econômico da medida e teria dito que seria melhor ver pilhas de corpos do que adotar outro aperto.
O comportamento do governo custou vidas. O Reino Unido tem 187 mortes por covid-19 a cada 100 mil habitantes. A alta de casos só foi contida com vacinas e medidas restritivas. 

Já o Brasil ultrapassou a marca de 220 mortes por 100 mil habitantes, com uma vacinação lenta, governadores hesitantes e um presidente que joga contra o isolamento.

A pandemia deixou claro que as decisões dos governantes podem fazer estragos gigantescos. A ação deliberada, a omissão por incompetência e a escolha de políticas tresloucadas provocaram dezenas de milhares de óbitos sem necessidade em vários países do mundo. O Brasil começou a fazer esse cálculo sinistro.

A cúpula da CPI da Covid já está convencida de que o governo poderia ter evitado mortes. Está provado que eles apostaram no tratamento precoce e na imunidade de rebanho. Por isso, não se interessaram em comprar vacina, disse o presidente da comissão, Omar Aziz, ao podcast Café da Manhã, concluindo: Não é incompetência, é proposital. (por Bruno Boghossian)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

NA PRÁTICA, O CARGO DE PRESIDENTE DA REPÚBLICA ESTÁ VAGO. ENTÃO TRATEMOS DE PREENCHÊ-LO, ABREVIANDO NOSSA AGONIA

bruno boghossian
BOLSONARO DESPERDIÇA MAIS UMA SEMANA
DE TRABALHO COM PROPAGANDA PESSOAL
           Sem máscara, inaugurando ponte e contando mentira sobre a pandemia estar no fim. 
J
air Bolsonaro teve uma manhã agitada. Perto das 7h, o presidente embarcou no avião oficial e voou para o Rio Grande do Sul. Inaugurou a obra de uma ponte sobre o rio Guaíba e, depois, a duplicação de um trecho de 27 km da BR-116. Ele acenou para os motoristas por 10 minutos, com transmissão ao vivo na TV controlada pelo governo.

O país aprendeu a não esperar ações concretas de Bolsonaro para contornar a longa crise aberta pela pandemia. Ele mesmo já desistiu de manter as aparências. O presidente preferiu desperdiçar mais uma semana no cargo com propaganda pessoal e medidas para seus apoiadores.

O ciclo começou na 2ª feira (7), quando Bolsonaro reuniu ministros na inauguração de uma vitrine com o terno que vestiu na posse. No discurso, ele soltou elogios para o alfaiate que fez o traje, mas ninguém escondeu que a cerimônia havia sido organizada para exaltar o capitão.

No dia seguinte, enquanto seus auxiliares tentavam explicar por que podem faltar seringas para as vacinas do coronavírus, Bolsonaro tinha outros assuntos na cabeça. 

Num evento do Ministério da Saúde, soltou uma frase inútil sobre a imunização: "Ninguém vem falar comigo sobre vacina sem que antes passe pelo senhor Eduardo Pazuello". E só.

A semana continuou com uma comemoração nas redes pela decisão do governo de zerar a alíquota de importação de revólveres e pistolas, na manhã de quarta. Mais tarde, num encontro com apoiadores no Palácio da Alvorada, ele celebrou a nomeação de um amigo para o Ministério do Turismo.

Antes da sessão de tchauzinho na beira da estrada, na quinta, Bolsonaro ainda encontrou tempo para soltar mais uma mentira. "Ainda estamos vivendo um finalzinho de pandemia", disse o presidente. Nos últimos quatro dias, o Brasil acumulou quase 3 mil mortes por Covid-19.

O presidente já tem compromisso para encerrar a semana de trabalho: nesta sexta: ele voa para Itaguaí (RJ) e participa de uma cerimônia do Dia do Marinheiro.​ (por Bruno Boghossian)
TOQUE DO EDITOR – Quando um presidente da República do Brasil se omite descaradamente das suas obrigações em meio à pior crise sanitária que este país já enfrentou, fica mais do que caracterizada uma situação sui generis: a de vacância de poder, embora Jair Bolsonaro não tenha morrido, renunciado ou sido afastado do cargo.

Ricardo Kotscho colocou o ovo em pé neste post do seu balaio:
"...o ocupante do Palácio do Planalto não se importa em colocar sob risco milhares de vidas que poderiam ser salvas com a vacinação em massa. 
...Se as instituições estivessem funcionando, como dizem, já teria havido uma intervenção neste desgoverno federal. 
O que mais estamos esperando? Basta decretar a vacância do poder".
Lembrem-se: depois de ser o indiscutível responsável por dezenas de milhares de óbitos que poderiam ter sido evitados durante a pandemia, Bolsonaro produzirá estrago talvez ainda maior ao se defrontar com a terrível depressão econômica que está à nossa espera em 2021.

É hora de senadores, deputados federais e ministros do Supremo provarem que não são meras testemunhas inertes de genocídios. Ou o povo acabará chegando à conclusão de que há outros cargos a serem preenchidos na Praça dos Três Poderes. (por Celso Lungaretti) 

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

ATÉ O GENERAL PAZUELLO TENTA AGILIZAR A VACINAÇÃO DOS BRASILEIROS CONTRA A COVID-19, MAS O BUFÃO GENOCIDA IMPEDE

bruno boghossian
MINISTÉRIO DESMONTA PARTE DO CIRCO POLÍTICO DE BOLSONARO CONTRA VACINA
Nem os auxiliares de Jair Bolsonaro conseguem sustentar por muito tempo o circo político armado diariamente pelo chefe. Em menos de 24 horas, o Ministério da Saúde tentou cortar mais um fio da campanha do presidente contra a vacina chinesa para a Covid-19, produzida em São Paulo.

A pasta anunciou nesta 3ª feira (20) que pagaria R$ 2,6 bilhões para incluir 46 milhões de doses da Coronavac em seu Programa Nacional de Imunizações. Bolsonaro precisou explicar por que gastaria uma fortuna com um produto que, na véspera, ele mesmo tentou desmoralizar.

Na 2ª feira (19), o presidente abriu um evento disposto a atacar a vacina chinesa para acertar o governador João Doria. Em poucos minutos, ele criticou o preço do imunizante, insinuou que sua eficácia não está comprovada e citou um levantamento que indica que 46% dos brasileiros recusam sua aplicação.

Alguém poderia imaginar que o presidente se converteu às escrituras científicas, que passou a acreditar nas pesquisas de opinião ou que finalmente decidiu dar bola para a saúde. 

Mas as autoridades do próprio governo trataram de desmascarar o que já estava evidente.

A negociação com os paulistas para a distribuição da Coronavac mostra a dimensão do absurdo fabricado por Bolsonaro. 

Ao mirar Doria, o presidente disse que o tucano produz terror ao anunciar que o imunizante deve ser compulsório no estado. O ministro da Saúde descartou a obrigação, mas também não ouviu a bobagem do chefe sobre a vacina.

A exploração do caso ficou ainda mais clara na manhã de hoje (21), quando Bolsonaro foi às redes sociais para desautorizar o próprio Ministério. Embora Eduardo Pazuello tenha dito que aquela seria a vacina do Brasil, o presidente afirmou a um seguidor que a Coronavac não será comprada.

Bolsonaro não ficou satisfeito em atrapalhar os esforços para frear a contaminação pelo coronavírus e em desdenhar de seus mortos. Ele ainda procura novas oportunidades para extrair benefícios políticos de cada etapa da pandemia.

O presidente só conseguiu atenção agora porque, do lado oposto, a busca pelos holofotes empurrou Doria nessa direção. Ao antecipar o debate sobre a obrigatoriedade da vacina, de maneira superficial, o governador caiu na armadilha do rival.​ (por Bruno Boghossian)

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

LULA CONCENTRA FOGO EM MORO PORQUE LHE IMPORTA MAIS TER OS SEUS PROCESSOS ANULADOS DO QUE VER O BOZO IMPICHADO

bruno boghossian
DE OLHO EM MORO
E NA ECONOMIA,
 LULA FAZ OPOSIÇÃO
A BOLSONARO
 PELA METADE
No dia 21 de maio, a presidente do PT assinou um pedido de impeachment de Jair Bolsonaro, formulado por advogados e organizações de esquerda. A peça citava a postura antidemocrática do presidente, a conduta desastrosa do governo na pandemia e as tentativas de interferência na Polícia Federal.

Para embasar a acusação, o último tópico listava declarações do ex-ministro Sergio Moro no dia de sua demissão. O partido acreditava que o comportamento de Bolsonaro naquele episódio era grave o suficiente para tirá-lo do poder. Faltou combinar com o restante da sigla.

Concentrado no embate com o ex-juiz, Lula disse na 3ª feira (15) que o caso era “uma pirotecnia” de Moro. “O presidente da República tem o direito de indicar o diretor da Polícia Federal, sim. Eu indiquei duas vezes e nunca pedi, nunca orientei, porque eles têm autonomia”, afirmou ao Diário do Centro do Mundo.
O petista pode ter falado uma obviedade, mas quis contar só metade da história. Bolsonaro tem mesmo o poder de escolher o comando da PF. Moro, aliás, acobertou boa parte das investidas do chefe nesse sentido. 

Mas o Supremo também viu movimentos nítidos do presidente para aparelhar a cúpula do órgão e proteger seus aliados de investigações.

Lula preferiu esquecer essa parte. Nada sugere que o petista tenha interesse em poupar Bolsonaro, mas suas declarações refletem um oportunismo político exagerado.

Embora trate Bolsonaro como adversário, Moro é o inimigo que Lula tenta desqualificar em primeiro lugar. Esse seria o caminho para reforçar as acusações de suspeição contra o ex-juiz, anular suas condenações e voltar à cena eleitoral.

Além disso, Lula dá mais um sinal de que não pretende encarar Bolsonaro no campo do autoritarismo, da corrupção e do comportamento antidemocrático. O petista já mostrou que prefere disputar na arena econômica, principalmente no momento em que o governo avança sobre territórios da sigla. 

O cálculo faz sentido, mas não era preciso fingir cegueira.​ (por Bruno Boghossian)

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

PT COLOCA MAIS UM PREGO NO SEU CAIXÃO

bruno boghossian
COM ADESÕES A BOULOS, PT PODE SOFRER
 NOVA ONDA DE DESGASTES NAS ELEIÇÕES
Tatto nem parece oposicionista...
O PT preferiu fazer pouco caso diante da adesão de eleitores identificados com o partido à candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) em São Paulo. Afinal, o ex-ministro Celso Amorim não vota no município, e Chico Buarque nem é filiado à legenda, argumentaram dirigentes.

Os petistas fingiram não ver o problema. O partido comandou a prefeitura por 12 anos em três décadas, mas penou para definir um nome na disputa deste ano. A vaga ficou com Jilmar Tatto, ex-deputado, ex-secretário e integrante de um clã que domina redutos políticos da zona sul.

De saída, a escolha não empolgou. Petistas notórios declararam apoio a Boulos, como o cientista político André Singer, o ex-presidente do PT Tarso Genro e a ex-deputada Bete Mendes, fundadora da legenda.

A sigla pode enfrentar uma nova onda de desgastes nas eleições municipais. Há quatro anos, a legenda perdeu 60% de suas prefeituras na esteira do impeachment e da Lava Jato. Agora, parece jogar para cumprir tabela em cidades importantes.

...já Boulos tem a cara do PT guerreiro
A escolha de Tatto representa uma opção pela política local, mas muitos petistas se incomodam com o fato de que o partido abriu mão de usar a campanha como palanque para um embate com Jair Bolsonaro. Alguns, como Tarso Genro, acreditam que o PT deveria se aliar a Boulos.

Ex-ministro de Lula e Dilma, Celso Amorim afirma que seu apoio ao candidato do PSOL não representa uma crítica ao PT. Ele argumenta que a eleição terá grande repercussão nacional e “precisa de candidatos que tenham essa dimensão”.

“O edifício está desabando. Não adianta só pregar um andaime novo”, diz. “O cansaço com a política tradicional requer um nome que venha com propostas novas, ideias novas.”

A presidente do PT disse que os filiados que apoiarem outras siglas podem sofrer sanções. “A filiação petista carrega consigo algumas responsabilidades, entre elas a de lealdade ao candidato do partido”, disse Gleisi Hoffmann ao repórter Fábio Zanini. 

A legenda ainda pode perder tempo numa caça a suas próprias bruxas. (por Bruno Boghossian)

sexta-feira, 3 de julho de 2020

CIENTE DA LETALIDADE DO CORONAVÍRUS, BOLSONARO OPTOU PELO DESDÉM. PODE SER CONSIDERADO APTO PARA O CARGO?

bruno boghossian
BOLSONARO SABOTOU COMBATE AO CORONAVÍRUS
AO SABER DA PROJEÇÃO
 DE 100 MIL MORTES
Na última 6ª feira de março, Jair Bolsonaro apareceu na TV e disse o que pensava sobre o aumento de casos de coronavírus no país: 
"Alguns vão morrer? Vão, ué. Lamento. Essa é a vida, é a realidade".
O presidente adotou a negligência como política oficial durante a pandemia. O desdém se tornou a principal marca do desempenho ruinoso do Brasil, que agora ganha contornos ainda mais perturbadores.

Ex-secretário do Ministério da Saúde, o epidemiologista Wanderson Oliveira contou à repórter Natália Cancian que o Palácio do Planalto foi avisado de uma projeção que estimava em 100 mil o número de mortes por coronavírus em seis meses. 

Segundo ele, os dados chegaram à cúpula do governo já em março.

Desde o início, a equipe de Bolsonaro tinha elementos sobre a gravidade da doença. Naquele mês, o presidente dizia que a Covid-19 faria menos de 800 vítimas (todos os grifos em vermelho são do editor). A previsão fraudulenta desabou em três semanas.

Bolsonaro sonegou informações e implantou uma sabotagem contínua às ações de combate à pandemia. Demitiu um ministro e forçou a saída de outro. Quando o país bateu 30 mil mortes, não deu bola: 
"A gente lamenta todos os mortos, mas é o destino de todo mundo".
O governo também sabia que a cloroquina era um método duvidoso de tratamento, mas estimulou o uso do remédio.

O Exército estocou mais de 1 milhão de comprimidos. Procuradores querem saber por que os insumos para o medicamento custaram mais do que o normal.

Os conflitos fabricados por Bolsonaro em torno das medidas de distanciamento, defendidas pelos técnicos da área, ajudaram a empurrar o país para o buraco, segundo Oliveira.
"Perdemos um tempo precioso com um debate improdutivo que acabou resultando numa confusão para a população muito grande".
O presidente liderou o país com a mesma habilidade do prefeito de Itabuna, na Bahia. Nos últimos dias, o alcaide disse que abriria o comércio mesmo que os casos na cidade disparassem, "morra quem morrer". (por Bruno Boghossian)
.
TOQUE DO EDITOR — Durante a ditadura militar, além dos quatro processos a que respondi por minha militância na VPR e VAR-Palmares, houve mais tarde um quinto, de caráter censório à minha atuação jornalística.

Arriscando-me a um sexto, já que se tenta criminalizar a comparação do bolsonarismo com o nazismo, avalio que o comportamento mais parecido com o que o epidemiologista Wanderson Oliveira atribui a Bolsonaro é o de Hitler em 1945: furibundo por perceber que sua queda estava cada dia mais próxima, ele ordenou a destruição da infraestrutura da Alemanha, para legar aos aliados uma terra arrasada!

Foi o chamado Decreto Nero, abortado pelo ministro Albert Speer, que prometeu implementá-lo e fez exatamente o contrário.
por Celso Lungaretti

A conclusão que se impõe, a partir do relato do epidemiologista, é a de que, furibundo com as consequências que o morticínio do vírus inevitavelmente traria para sua obsessão de ser reeleito em 2022, Bolsonaro resolveu dobrar a meta: "Se é para morrerem 100 mil, então que morram logo 200 mil!".

As perguntas que não querem calar são:
— Hitler estava louco em 1945 e deveria ter sido afastado do poder?
— Bolsonaro está louco em 2020 e deve ser afastado do poder? 

quarta-feira, 3 de junho de 2020

SABOTANDO O COMBATE CIENTÍFICO À COVID-19, BOLSONARO MAXIMIZA MORTES EVITÁVEIS. MAS ISTO NÃO INCOMODA O LULA

bruno boghossian
LULA ALIMENTA UMA DIVISÃO QUE PODE
 FACILITAR A VIDA DE BOLSONARO
A quatro dias do 2º turno de 2018, Lula cobrou a união de "todos e todas que defendem a democracia".

Numa carta escrita da prisão, o ex-presidente anotou que o país caminhava em direção a uma "aventura fascista" e afirmou: "É o momento de unir o povo, os democratas, todos e todas em torno da candidatura de Fernando Haddad".

O petista agora indica que aquela era uma peça de marketing de baixa qualidade. 

Nos últimos dias, ele criticou esforços pela criação de uma frente contra tendências autoritárias de Jair Bolsonaro. Classificou manifestos em defesa da democracia como projetos da elite e desestimulou o PT a aderir aos movimentos. "Sinceramente, não tenho mais idade para ser maria vai com as outras", afirmou o ex-presidente num evento do partido, na 2ª feira (1º).

A rejeição ao governo se alargou, mas Lula só parece preocupado em preservar hegemonia em seu próprio campo político. O ex-presidente se recusa a compartilhar a liderança de um pacto de oposição e resiste a abrir mão de itens de sua agenda em nome de princípios mais abrangentes.

Para o petista, os movimentos pela democracia são parte de um plano da elite para "voltar a governar o país sem o PT", ignorando a agenda de redistribuição de renda que se tornou marca da sigla. 

Sem perceber que o eixo de contestação a Bolsonaro se desloca rapidamente para o centro e para a direita, no entanto, ele corre o risco de ser atropelado também dentro da esquerda.

Alguns aliados de Lula dizem que o ex-presidente se comporta de maneira pretensiosa e autocentrada. 
Eles entendem que é preciso unir forças políticas com programas distintos e admitem que a esquerda pode não ser capaz de disputar o comando dessa frente neste momento.

Lula rejeita essa aliança por acreditar que o PT pode se contrapor sozinho a uma possível recessão econômica sob o atual governo. 

Em nome desse projeto, ele se mostra disposto a alimentar uma divisão que pode facilitar o caminho para as investidas autoritárias de Bolsonaro. (por Bruno Boghossian)
Toque  do editor  — Lula desta vez chegou ao fundo do poço, pois não é só para deter o projeto golpista e totalitário do Bolsonaro que se faz necessária sua remoção da presidência da República com a máxima urgência. 

Nossa prioridade maior continua sendo e sempre será a salvação de vidas: a administração caótica da crise sanitária levará a contagem de cadáveres aos píncaros da Lua, neste nosso sofrido país que, devido à extrema desigualdade econômica e ao abandono dos vulneráveis e dos explorados à própria sorte, é hoje o maior candidato a encabeçar o ranking de óbitos em escala mundial.

Obcecado com o reerguimento do PT e com a reconquista da presidência da República em 2022 (dois objetivos que, nos seus cálculos insensíveis, se confundem), ele corre o risco de tornar-se cúmplice do Bolsonaro na maior tragédia humanitária da História do Brasil. 

E aí não ganhará mais eleição nem para síndico do seu condomínio... (por Celso Lungaretti)
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