bruno boghossian
PT APOSENTA QUADROS PARA TENTAR
PROTEGER CAMPANHA DE LULA
| Lula fez questão de ele mesmo afirmar que a Dilma não terá cargo nenhum no seu eventual governo |
Outros petistas seguiram o exemplo: em declarações públicas nos últimos dias, Guido Mantega e José Dirceu descartaram uma volta à Esplanada dos Ministérios em 2023.
O partido se antecipou para deixar no passado figuras que podem se tornar incômodas na campanha. O time de Lula quer descolar a imagem do presidente das memórias da crise econômica evocadas com Dilma e Mantega, além das conexões de Dirceu com escândalos da era petista.
O trio ainda preserva influência em debates internos da sigla. Dilma participou na 2ª feira (31) de um seminário do PT que também contou com a presença de Lula. Mantega foi escalado pelo próprio ex-presidente para assinar um artigo com as ideias da legenda para a economia, e Dirceu tem viajado o país para encontros políticas com aliados.
Os três, porém, passaram à condição de peças fora do jogo por dois motivos. O primeiro é a percepção de que corrupção e erros na economia são os pontos mais vulneráveis do PT. Lula tenta estabelecer um cordão sanitário em torno de nomes que se tornaram símbolos desses problemas e que costumam ser explorados por rivais interessados em ativar o antipetismo na campanha.
| Zé Dirceu (e também Guido Mantega) pelo menos teve o direito de fingir que tal decisão tinha partido dele |
Além de amenizar desgastes, a equipe do ex-presidente também busca fazer uma levíssima sinalização de correção de rumos. Numa sigla com notória ausência de disposição à autocrítica, a ideia é enviar a mensagem de que um governo Lula pode seguir caminhos diferentes.
O próprio ex-presidente tentou reforçar o recado. "Eu pretendo montar um governo com muita gente nova, importante e com muita experiência", disse, ao deixar de lado o nome de Dilma.
Lula não vai afastar antigos escudeiros como Gleisi Hoffmann, Aloizio Mercadante e Franklin Martins, mas deve abrir espaço para os governadores Rui Costa, Flávio Dino e Wellington Dias. (por Bruno Boghossian)
TOQUE DO EDITOR – Depois de mais de cinco anos se negando teimosamente a fazer autocrítica pelos erros crassos que quase destruíram o PT e pavimentaram o terreno para a volta da direita ao poder, Lula mudou de ideia num átimo, quando o Bozo alertou que, vencendo em outubro, ele certamente faria de Dilma, Zé Dirceu e Guido Mantega seus ministros.
Lula correu a fazer a chamada autocrítica na prática, lançando três mortos ao mar em pleno voo do seu avião de campanha: Dilma foi colocada para fora sem paraquedas, com um formidável pé-na-bunda; já Dirceu e Mantega receberam paraquedas e puderam ao menos saltar por si próprios.
| O que o Lula deveria ter feito há uma eternidade, acabou fazendo quando o Bozo tocou no assunto. Lamentável! |
Se Lula fosse de esquerda e não um mero populista de centro-direita que pisaria até no pescoço da mãe para reeleger-se (sua afirmação cafajeste sobre o Brizola encaixa melhor ainda nele próprio!), trataria de defender o trio e dizer que sempre teriam espaço no seu governo, depois de combinar com os três que eles agradeceriam e declinariam a oferta.
Mas, ele só permitiu a Dirceu e Mantega que salvassem mal e porcamente as aparências, além de ter repetido a desfeita que fizera à Dilma ao não convidá-la para o ato de campanha em que selou sua parceria com Geraldo Alckmin.
Conclusão: por mais que o PT evitasse admitir que a principal responsável pelo impeachment da Dilma tinha sido ela mesma e sua política econômica que começou desastradamente retrô e terminou repulsivamente neoliberal, o próprio tratamento dispensado pelo Lula àquela que ele chamava de gerentona escancarou o que lhe passava pela cabeça.
Transparência zero e total descompromisso com as práticas tradicionais da esquerda, como a realização obrigatória de uma autocrítica após as grandes derrotas. (CL)
Assim como a Barca do Sol, o PT lançou seus mortos no mar e
deixou que se queimassem na fogueira da politicagem eleitoreira






