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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

AUTOCRÍTICA DO PT CONCLUI: A GRANDE CULPADA FOI A DILMA!

bruno boghossian
PT APOSENTA QUADROS PARA TENTAR
PROTEGER CAMPANHA DE LULA
Lula fez questão de ele mesmo afirmar que a
Dilma não terá cargo nenhum no seu eventual governo
 
O
PT anunciou a aposentadoria de alguns de seus quadros. Na semana passada, Lula disse que Dilma Rousseff não deve ocupar nenhum cargo no governo caso ele vença a próxima eleição. 

Outros petistas seguiram o exemplo: em declarações públicas nos últimos dias, Guido Mantega e José Dirceu descartaram uma volta à Esplanada dos Ministérios em 2023.

O partido se antecipou para deixar no passado figuras que podem se tornar incômodas na campanha. O time de Lula quer descolar a imagem do presidente das memórias da crise econômica evocadas com Dilma e Mantega, além das conexões de Dirceu com escândalos da era petista.

O trio ainda preserva influência em debates internos da sigla. Dilma participou na 2ª feira (31) de um seminário do PT que também contou com a presença de Lula. Mantega foi escalado pelo próprio ex-presidente para assinar um artigo com as ideias da legenda para a economia, e Dirceu tem viajado o país para encontros políticas com aliados.

Os três, porém, passaram à condição de peças fora do jogo por dois motivos. O primeiro é a percepção de que corrupção e erros na economia são os pontos mais vulneráveis do PT. Lula tenta estabelecer um cordão sanitário em torno de nomes que se tornaram símbolos desses problemas e que costumam ser explorados por rivais interessados em ativar o antipetismo na campanha.
Zé Dirceu (e também Guido Mantega) pelo menos teve
o direito de fingir que tal decisão tinha partido dele 

Além de amenizar desgastes, a equipe do ex-presidente também busca fazer uma levíssima sinalização de correção de rumos. Numa sigla com notória ausência de disposição à autocrítica, a ideia é enviar a mensagem de que um governo Lula pode seguir caminhos diferentes.

O próprio ex-presidente tentou reforçar o recado. "Eu pretendo montar um governo com muita gente nova, importante e com muita experiência", disse, ao deixar de lado o nome de Dilma. 

Lula não vai afastar antigos escudeiros como Gleisi Hoffmann, Aloizio Mercadante e Franklin Martins, mas deve abrir espaço para os governadores Rui Costa, Flávio Dino e Wellington Dias. (por Bruno Boghossian)
TOQUE DO EDITOR – Depois de mais de cinco anos se negando teimosamente a fazer autocrítica pelos erros crassos que quase destruíram o PT e pavimentaram o terreno para a volta da direita ao poder, Lula mudou de ideia num átimo, quando o Bozo alertou que, vencendo em outubro, ele certamente faria de Dilma, Zé Dirceu e Guido Mantega seus ministros.

Lula correu a fazer a chamada autocrítica na prática, lançando três mortos ao mar em pleno voo do seu avião de campanha: Dilma foi colocada para fora sem paraquedas, com um formidável pé-na-bunda; já Dirceu e Mantega receberam paraquedas e puderam ao menos saltar por si próprios.
O que o Lula deveria ter feito há uma eternidade, acabou
fazendo quando o Bozo tocou no assunto. Lamentável!
Se Lula fosse de esquerda e não um mero populista de centro-direita que pisaria até no pescoço da mãe para reeleger-se (sua afirmação cafajeste sobre o Brizola encaixa melhor ainda nele próprio!), trataria de defender o trio e dizer que sempre teriam espaço no seu governo, depois de combinar com os três que eles agradeceriam e declinariam a oferta.

Mas, ele só permitiu a Dirceu e Mantega que salvassem mal e porcamente as aparências, além de ter repetido a desfeita que fizera à Dilma ao não convidá-la para o ato de campanha em que selou sua parceria com Geraldo Alckmin.

Conclusão: por mais que o PT evitasse admitir que a principal responsável pelo impeachment da Dilma tinha sido ela mesma e sua política econômica que começou desastradamente retrô e terminou repulsivamente neoliberal, o próprio tratamento dispensado pelo Lula àquela que ele chamava de gerentona escancarou o que lhe passava pela cabeça. 

Transparência zero e total descompromisso com as práticas tradicionais da esquerda, como a realização obrigatória de uma autocrítica após as grandes derrotas. (CL)  
Assim como a Barca do Sol, o PT lançou seus mortos no mar e
deixou que se queimassem na fogueira da politicagem eleitoreira

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

PT x DILMA: ME ENGANA QUE EU GOSTO

Em sua coluna desta 3ª feira (28), Mônica Bergamo aborda a querela entre Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores. Reproduzo aqui porque se trata de um episódio de ridículo atroz, como os leitores perceberão na minha palavra final, depois de toda essa desconversa de parte a parte:
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"A ausência de Dilma Rousseff no jantar do grupo Prerrogativas que homenageou Lula –e que teve Geraldo Alckmin como convidado especial –segue rendendo polêmica.

Ela afirma que não foi convidada para o evento –e seus interlocutores circularam a versão de que Dilma acredita ter virado um problema político para Lula.

Já o organizador do jantar, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, diz ter certeza absoluta de que seu convite chegou à ex-presidente. Ele afirma que ela era aguardada por todos. 'Temos muito carinho e respeito pela Dilma. Sua presença seria uma alegria para todos nós. Lamento pelo ruído de comunicação', afirma.    

O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo confirma que conversou com Dilma sobre o jantar, 'por telefone'. Mas 'muito superficialmente', segundo escreveu em um grupo de WhatsApp.

Cobrado por Marco Aurélio se ela iria ao evento, Cardozo diz que voltou a procurá-la –mas não conseguiu novo contato. E assumiu a responsabilidade pelo desencontro: 

'Pessoal, tem tido alguma especulação sobre a não ida da Dilma no jantar. Gostaria de esclarecer que, de fato, o Marco me pediu que falasse com ela na época, logo que o jantar foi marcado. Eu por telefone falei com ela na época, mas muito superficialmente, ficando de falar com ela mais tarde. 

Posteriormente, na semana do jantar, o Marco me cobrou se ela iria, eu tentei falar com ela, inclusive porque era aniversário dela, e não consegui falar. Imaginando que alguma outra pessoa tivesse falado com ela eu acabei não fazendo mais nada. Portanto, se houve alguma culpa nesse episódio, ela é desse humilde subscritor que assume a responsabilidade e se penitencia', escreveu o ex-ministro da Justiça no grupo de advogados.
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Vale acrescentar que a Mônica pegou a Dilma na mentira ao ilustrar sua coluna com fotos do convite e da pulseira a ela enviados pelo grupo Prerrogativas para que participasse do jantar no Rubayat. Então, convidada ela foi e deixou de comparecer porque assim decidiu e não por ignorar a realização de tal evento eleitoreiro.

Qual o motivo desta auto-vitimização falaciosa? Voltar a ser notícia, saindo do velado ostracismo a que estava relegada após haver tido grande responsabilidade na volta da direita ao poder e depois de ser humilhada ao nem sequer senadora conseguir eleger-se em 2020. 

Ela tenta readquirir alguma relevância política pegando carona na rejeição à parceria Lula/Alckmin por parte de muitos esquerdistas.  

Da minha parte, só vejo um detalhe discutível em tal aliança: geralmente candidato e vice têm nuances ideológicas diferentes, para atraírem segmentos distintos do eleitorado, mas a parceira abobrinhas com chuchu está mais para cara e coroa da mesma moeda: a da dominação burguesa ligeiramente atenuada pelas migalhas do banquete dos poderosos que são concedidas aos coitadezas.

Quanto aos petistas, até as pedras das ruas sabem que sempre atribuíram as desgraças ocorridas desde 2016:
— à gestão econômica catastrófica de Dilma em seu primeiro mandato;
— à sua falseta ideológica ao nomear em 2015 um neoliberal para, como czar da economia, tentar consertar as lambanças que ela cometera; e
— a ter forçado tanto a barra para manter a sua candidatura à reeleição, quando saltava aos olhos e clamava aos céus que ela não conseguiria segurar a onda quando desabasse sobre nós a recessão que incubara (talvez Lula, com Guido Mantega ou Henrique Meirelles, ao menos evitasse o pior, poupando-nos do pesadelo Bolsonaro).

Assim, tenham ou não convidado protocolarmente a Dilma, os petistas torciam para que ela não desse as caras, pois querem mais é que os eleitores esqueçam ter sido Lula quem fincou tal poste na presidência da República. (por Celso Lungaretti) 

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

ACLAMADO POR DILMISTAS QUANDO TENTAVA DERRUBAR TEMER, JANOT FAZ AGORA PESADAS ACUSAÇÕES A DILMA.

Janot e aquela que ele acusaria de "criminosa desde 2003"
Um fenômeno chocante de nosso tempo é  a presença largamente majoritária, entre os internautas que se definem como de esquerda, de cidadãos sem a mínima familiaridade com os valores, as tradições e o pensamento revolucionários. 

Tais internautas enxergam a política como um Fla-Flu, torcendo acriticamente por um time e satanizando acriticamente o outro time.

Então, quando um procurador-geral da República que jamais teve a mínima afinidade com a causa dos explorados se uniu à rede de TV mais perniciosa para o povo brasileiro desde os tempos sinistros da ditadura militar, os maniqueístas virtuais ditos de esquerda vibraram, pois o complô visava à derrubada do principal beneficiado com a derrubada de Dilma Rousseff.

Cansei de alertar que, ao invés da sede de vingança, o que deveria decidir nossa postura era se o sucesso dos golpistas nos seria de alguma utilidade tática (pois estratégica, claro, jamais haveria nenhuma!) ou, pelo contrário, não passava de um salto no escuro com grande chance de nos conduzir a um cenário pior ainda. Desde quando apoiamos golpes de direita, ainda que dados contra um presidente de direita?

Bem, os fervorosos dilmistas, que queriam porque queriam ver Temer pagar pelo que fez à sua amada heroína, podem agora saber exatamente a quem aplaudiam.
Esta flechada na Dilma não foi o Janot quem deu

Basta lerem esta singela notícia do blogue do Fausto Macedo n'O Estado de S. Paulo, cujos trechos principais reproduzo:

"A ex-presidente Dilma Rousseff foi 'amplamente' beneficiada com recursos de propina inseridos em planilhas que somam R$ 170,4 milhões, acusou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao apresentar a denúncia contra Dilma, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras seis pessoas por organização criminosa.

De acordo Janot, esses valores também serviram para os interesses do grupo político beneficiado com a permanência da petista no poder... 

...Ao analisar a planilha Italiano, referente a recursos de uma conta corrente mantida pela Odebrecht, Janot diz ser 'possível afirmar que Dilma recebeu no mínimo uma parte ou a totalidade das vantagens ilícitas de R$ 26 milhões pagas pela Odebrecht a João Santana (marqueteiro responsável pelas duas campanhas presidenciais da petista) em 2011, referentes a dívidas por serviços de marketing prestados à sua campanha de 2010 à Presidência da República, e de R$ 30 milhões repassadas a Palocci (ex-ministro da Casa Civil da petista), coordenador da referida campanha, em julho, agosto e setembro de 2010, meses coincidentes com o período eleitoral daquele ano'.

No que diz respeito à planilha Pós-Itália, o procurador-geral da República infere terem sido transferidos em benefício de Dilma parte ou a totalidade 'das vantagens ilícitas de R$ 21 milhões repassadas pela Odebrecht em 2014 a João Santana, de R$ 69,4 milhões repassadas pela Odebrecht entre setembro e outubro de 2014' mediante autorização do então ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Janot também citou o suposto pagamento de R$ 24 milhões para a compra de apoio de partidos políticos à candidatura de Dilma à Presidência da República em 2014, visando à ampliação do tempo no horário político gratuito.

'Somados os referidos valores, verifica-se que Dilma foi favorecida, em 2010, com a quantia de R$ 56 milhões, com débitos da planilha Italiano, e, em 2014, de R$ 114,4 milhões, com descontos da planilha Pós-Itália, concluiu Janot.

Segundo Janot, Dilma integrou a organização criminosa em questão desde 2003, quando assumiu o Ministério de Minas e Energia a convite de Lula.

'Desde ali contribuiu decisivamente para que os interesses privados negociados em troca de propina pudessem ser atendidos, especialmente no âmbito da Petrobrás, da qual foi presidente do Conselho de Administração entre 2003 e 2010', disse Janot.

'Durante sua gestão junto à Presidência da República deu seguimento a todas as tratativas ilícitas iniciadas no governo Lula, com destaque para a atuação direta que teve nas negociações junto ao grupo Odebrecht', acusou o procurador-geral da República".

P.S.: seja por ter tomado gosto pela coisa, seja por estar querendo agora agradar à parcela majoritária dos donos do PIB, depois de ter metido os pés pelas mãos ao participar do complô urdido por uma facção minoritária, Janot disparou outra denúncia contra Dilma e Lula no espaço de 24 horas: acusou-os de tentarem obstruir a Justiça naquele episódio em que Dilma quis tornar Lula ministro para assegurar-lhe fôro privilegiado.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

O IMPEACHMENT BATE À PORTA. A LUTA DE CLASSES TAMBÉM!

Onze entre dez analistas econômicos da grande imprensa preveem: a queda de Joaquim Levy, que substituiu Guido Mantega no Ministério da Fazenda, abrirá caminho para a volta da política econômica que fracassou rotundamente na gestão de Mantega. Ou seja, o governo continuaria patinando sem sair do lugar.

É o que Lula quer e a Dilma, a esta altura do campeonato, parece não ter força política para querer mais nada, salvo escapar do impeachment, sua última e obsessiva meta.

Raquel Landim constata o óbvio:
"Com a decisão da Fitch de retirar o selo de bom pagador (...) o Brasil fica sem o aval de duas agências de risco -a S&P já havia cortado a nota do país- e volta a ser oficialmente um investimento especulativo. Isso significa dólar mais caro, menor poder de compra da população, mais inflação e menos investimento.  
Depois de prometer uma reviravolta de 180 graus na sua política econômica, comprometendo-se com um ajuste fiscal, a presidente não aguentou a pressão. A queda de quase 4% do PIB e a ameaça de impeachment a fizeram desistir no meio do caminho. 
Ela volta a seguir a mesma cartilha de aumentar os gastos do Estado, com mais investimento público e benesses sociais, para barrar a recessão. Só que, ao contrário do primeiro mandato, o Tesouro está depauperado..."
Resumo da opereta: dias piores virão.

Infelizmente, Dilma e Lula parecem atacados pela mesma modalidade de vesgueira: não conseguem olhar para a esquerda. A visão de ambos alcança, no máximo, o reformismo e o populismo.

Tanto eles quanto, previsivelmente, os tais analistas, não levam em conta a única possibilidade viável, não-revolucionária (1), de saída pela esquerda da crise econômica atual: reequilibrar as contas públicas, mas não pelo lado dos tosquiados e desfavorecidos de sempre, mas sim fazendo os exploradores darem uma grande quota de sacrifícios, já que sempre foram poupados. 

Lembrem-se:
  • o Brasil é o décimo país do mundo em número de milionários, superando nações como a Espanha e a Suíça;
  • é o segundo país do mundo quando se considera o crescimento na taxa de ricos entre 2013 e 2014, quando só ficou atrás da China;
  • o número de milionários brasileiros cresceu, no período, algo em torno de 350% (contra cerca de 20% nos EUA).
E, como notou Guilherme Boulos, do MTST:
"...os trabalhadores com renda mensal até dois salários mínimos deixam 54% dos seus gastos em impostos. Já aqueles com renda superior a trinta salários mínimos deixam para a Receita 29% dos seus gastos, quase a metade dos mais pobres. 
Esta distorção ocorre porque a maior parte da carga tributária brasileira (51,3%) incide sobre o consumo de bens e serviços. Neste quesito, os diferentes são tratadas convenientemente como iguais. Outros 25% da carga são sobre os salários. Apenas 18% sobre a renda e –pasmem– menos de 4% sobre a propriedade".
Também se deveriam apurar denúncias consistentes como a da auditora aposentada da Receita Federal Maria Lucia Fattorelli, segundo quem a dívida pública brasileira "é um mega esquema de corrupção institucionalizado". Ela afirma e comprova que "mais de 90% da divida é de juros sobre juros", o que nossa Constituição proíbe. 

Leonel Brizola cansou de pedir uma auditoria da dívida pública, em vão. Era de esperar-se que os governos do PT --principalmente o da sua discípula Dilma Rousseff-- ousassem tirar o gênio da garrafa. Amarelaram, tanto quanto no tocante ao imposto sobre grandes fortunas, cuja criação foi aprovada pelos constituintes de 1988, mas carece de regulamentação até hoje (!!!).

Só não consigo entender o motivo de o PT, mesmo no atual fim de feira, continuar pisando em ovos por receio de pisar nos calos dos ricaços. Sua postura tíbia e complacente tem sido respondida com uma aguda retração nos investimentos, aproximando-nos cada vez mais de uma depressão econômica. O que os grãos petistas ainda têm a perder?!

Também me surpreende que eles prefiram cortar gastos sociais do que fechar a torneira do desvio de recursos públicos para os fisiológicos da base aliada, bem como a farta distribuição de ministérios e altos cargos para os mais sórdidos parasitas de nossa política (os quais, em contrapartida, não lhes têm assegurado governabilidade nenhuma, muito pelo contrário...).

Enfim, a conciliação de classes da década passada só foi possível porque a conjuntura econômica era altamente favorável às commodities brasileiras, permitindo que Lula abarrotasse os bolsos dos grandes capitalistas e ainda sobrasse alguma graninha para repartir entre os pobres. 

Ahora, no más! O cobertor está curto e, se quiser evitar que os coitadezas marchem para a penúria, o desespero e a revolta, o PT terá de descobrir os pés dos ricos.

A luta de classes voltou com tudo. E a devolução do Joaquim Levy ao Bradesco oferece a Dilma uma ótima chance --provavelmente a última-- de passar a por ela nortear-se, guinando verdadeiramente à esquerda, ao invés de insistir nos erros de sua primeira gestão, que incubaram a crise atual. 

O impeachment bate á porta. É agora ou nunca!
  1. se nem nos seus melhores dias o PT ousou organizar as massas para o confronto com o capitalismo, não será agora que o fará!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

PASSAREI A DEFENDER A PERMANÊNCIA DE DILMA ROUSSEFF NO CARGO...

...se for removido o motivo primordial para um homem de esquerda aceitar ou ficar indiferente ao seu afastamento: o estelionato eleitoral

Quem foi formado na tradição marxista e não virou suco com o passar dos anos, jamais engoliu a decisão de Dilma Rousseff, de administrar a economia segundo o ideário da direita, corporificado num arrocho fiscal de características escrachadamente neoliberais. Pois Marx cansou de repetir que é a orientação econômica que define a identidade ideológica de um governo. 

Alguns, por mero oportunismo e apego ao poder, defendem hoje as medidas de austeridade que tanto execraram no passado; outros, os idealistas sinceros, as engolem por considerar a continuidade de Dilma um mal menor. 

Eu não consigo: pior do que tudo, para mim, será o povo ficar acreditando que aquilo que foi feito nestes 11 meses equivalha às posições da esquerda; pois crer numa aberração dessas o levará a considerar todas as forças do espectro político como farinhas do mesmo saco

Então, é preferível perdermos um governo no presente do que perdermos a chance de construir um futuro expurgado da exploração do homem pelo homem, missão que jamais conseguiremos levar a cabo se dilapidarmos tão exacerbadamente nossa credibilidade.

Nesta 4ª feira (16), contudo, o Valor Econômico garante que já foi acertada a saída de Joaquim Levy do ministério.

Caso isto realmente venha a ocorrer, e significar uma guinada de 180º na política econômica do governo, aí, sim, valerá a pena defendermos o mandato de Dilma.

Mas, tendo clareza quanto ao seguinte: supondo-se que o governo continue relutando em optar por soluções revolucionárias, errará terrivelmente se apenas ensaiar uma volta ao passado, conforme propõem as viúvas do Mantega. A mera retomada do nacional-desenvolvimentismo do primeiro governo de Dilma levaria o Brasil ao colapso econômico e a uma depressão sem precedentes, impondo rigores terríveis a nosso povo sofrido.

Fora do capitalismo se abre um leque de possibilidades. Dentro do capitalismo, a alternativa à recessão continua sendo o reequilíbrio das contas públicas.

O que a esquerda jamais poderá admitir ou consentir é que o custo do ajuste seja atirado quase inteiramente nas costas dos trabalhadores, dos excluídos e dos indefesos. 

Pelo contrário, o Brasil tem sido de uma magnanimidade extrema com o grande capital (principalmente os parasitas do mercado financeiro) e com os rentistas. É a hora de darmos um fim a este tratamento, privilegiado a tal ponto que não encontra similares nem mesmo nas grandes nações capitalistas. 

É por aí que as dificuldades atuais têm de ser superadas, não com aumentos explícitos ou implícitos da taxação dos explorados, pois deste lado o elástico está tão esticado que logo acabará arrebentando.

E, claro, já passou da hora de a esquerda correr o risco de denunciar e confrontar o fisiologismo dos políticos profissionais, expondo-os à execração pública ao invés de comprar seu apoio com cargos e recursos públicos (com a agravante de, conforme se constata atualmente, não ter garantia nenhuma de que os compromissos por eles assumidos serão honrados nos momentos cruciais). 

Torço para que Dilma finalmente passe a mirar-se no exemplo da Wanda. E estou disposto a apoiá-la, se perceber nela a determinação de voltar a ser quem eu conheci em 1969, mas não vejo há muito, muito tempo...
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Recado do povo brasileiro ao Joaquim Levy

domingo, 18 de outubro de 2015

LEVY FINALMENTE VAI PARA O BRADESCO QUE O PARIU. ISTO BASTA?

Nos últimos dias assistimos à fritura explícita do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, com a frigideira sendo balançada por ninguém menos do que o mais influente dos petistas (Lula) e o presidente do partido (Rui Falcão).

Levy é carta fora do baralho. No que realmente conta, já saíram com ele. Permanecerá no cargo até que decidam quem o substituirá, repetindo a humilhação que impuseram a Guido Mantega.

Falcão até já deixou claro o que se exigirá do novo titular:
"É preciso que se libere crédito para investimento, para consumo. É uma forma de fazer a economia rodar. Da mesma forma, é insustentável manter a atual taxa de juros. Está errada a política de contenção exagerada do crédito. Precisamos devolver esperança à população".
Governo Sarney: nunca mais verás inflação como esta!
Não resisto à tentação de incluir mais um comentário musical, na linha dos que tenho feito ultimamente (vide aqui e aqui):

"E eu pergunto: com que roupa?
Com que roupa que eu vou
pro samba que você me convidou?"

Pois não basta o governo abrir os cofres públicos para aliviar o sufoco da população, precisa também decidir como repor o que for subtraído, caso contrário fará disparar a inflação, como no tempo do campeoníssimo José Sarney (em março de 1990, fim do seu mandato presidencial, a dita cuja atingiu o incrível patamar de 85% num único mês!).

Nós, da esquerda, esperamos que a conta desta vez seja paga pelos herdeiros de grandes fortunas, pelos piores parasitas do capitalismo atual (os bancos), pelos sanguessugas que ganham fortunas com os títulos do governo... enfim, pelos que sempre foram privilegiados e poupados. Está na hora de devolverem um pouco de tudo que sempre receberam a mais, enquanto os coitadezas ficavam na pior.

Pois, conforme destacou o comentarista internacional Clóvis Rossi, a partir de números alinhavados pelo site Conta Abertas:
"...apenas neste ano, R$ 277,3 bilhões estão autorizados no Orçamento para 'juros e encargos da dívida'. 
Já o montante destinado ao Bolsa Família nos últimos 15 anos foi inferior a esse gasto com juros (somou R$ 221,7 bilhões). 
Quer dizer o seguinte: os portadores de títulos do governo, uns poucos milhões, recebem EM UM ANO mais do que ganham EM 15 ANOS 42 milhões de pessoas, a clientela do Bolsa Família, os pobres entre os pobres..
Preciso desenhar que está havendo transferência de renda dos pobres para os ricos?"
Então, se o PT quiser realmente desatar os nós do Brasil, à primeira medida acertada (mandar o Levy para o Bradesco que o pariu!) tem de seguir-se outra: começar a nunca dantes ousada transferência de renda dos ricos para os pobres. Pois, como já foi exaustivamente provado pelos economistas isentos, mesmo no governo do Lula a desigualdade só fez aumentar.



P.S. -- Por incrível que pareça, Dilma ainda reluta em curvar-se à evidência dos 
fatos mandou de Estocolmo o recado de que continuará prestigiando o já
definitivamente fracassado Levy: "O presidente do PT pode ter a 
opinião que quiser, mas não é a opinião do governo. A gente 
respeita a opinião do presidente do PT, mas isso 
não significa que seja a opinião do governo". 

Traduzindo: "Vou continuar fingindo que mando mais do que o Lula e o Rui Falcão, mesmo que essa pirraça pueril me faça morrer abraçada com o Levy".

domingo, 16 de novembro de 2014

JUÍZO FINAL: O QUE VEM DEPOIS?

Dois dos expoentes mais conhecidos da nova direita se indignaram com a participação de pregadores de um golpe militar nos protestos deste sábado, 15: Reinaldo Azevedo garantiu que, na capital paulista, a grande maioria dos participantes estava lá só para pedir o impeachment de Dilma, e não uma reditadurização do País; e Lobão foi embora quando notou a existência de faixas das vivandeiras de quartéis.

Sinceridade ou conveniência tática? Sei lá. Não serei eu a apresentar como verdades absolutas as minhas conjeturas -ainda mais quando estas se referem a personagens com os quais antipatizo. Vejo o ad hominem e as campanhas de satanização como duas das maiores pragas da internet, então tento ser justo com todos, até mesmo com os Azevedos e Lobões.

O certo é que o ingrediente verde-oliva só entra nas receitas golpistas no momento de levar a porcaria ao forno. Trata-se do toque final do chef. Então, quem fala nisso precocemente está sendo tão desastrado quanto quem vandaliza portas de editoras.

É gratificante perceber que as quarteladas se tornaram tão impopulares no Brasil que a própria direita tenta delas se dissociar.

Mesmo assim, não devemos baixar de todo a guarda. Salta aos olhos que a cartada do impeachment será tentada e tem chance de resultar. As hipóteses, então, serão três:
  • o governo conseguir evitar que o impedimento seja votado pelo Congresso, o que manteria  intacto o potencial nocivo desta bandeira e, pior ainda, levaria água para o moinho dos que defendem uma solução inconstitucional;
  • o impeachment tramitar, ser votado e rejeitado, o que provavelmente desarmaria a bomba-relógio, garantindo a incolumidade do Governo Dilma;
  • o impeachment ser aprovado, o que levaria ao poder Michel Temer, o qual dificilmente terá deixado sua digital impressa numa ilegalidade que justificasse também sua impugnação (é matreiro demais para isto e não responde pelos pecados alheios, como a presidenta). 
Numa análise fria, as perspectivas são estas.

E eu insisto que a pior possibilidade possível é a do golpe de estado. No século passado, nossa primeira ditadura durou 15 anos e a segunda, 21. Depois de instaladas, é muito difícil as removermos. E o preço que por elas pagamos, do ponto de vista da civilização, é altíssimo. Equivale a retrocedermos um milênio, voltando ao absolutismo medieval.

Acredito que, como consequência da Operação Lava-Jato da Polícia Federal e de seu novo desdobramento (Juízo Final), bem como do que ainda está por vir, o Governo Dilma terá pouquíssima credibilidade se simplesmente driblar o desafio. Vai se tornar um morto-vivo, a exemplo de Guido Mantega, que está ministro da Fazenda mas há bom tempo deixou de ser visto, acatado e respeitado como tal.

Para o Brasil, o melhor será se a rejeição do impeachment colocar uma pedra em cima do assunto da conivência ou não de Dilma com a corrupção na Petrobrás; ou se a aprovação do impeachment desobstruir os trilhos para sairmos do limbo atual. 
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