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quarta-feira, 22 de novembro de 2023

A WEB SE TORNOU UM ESPAÇO CONCEDIDO PELO SISTEMA PARA CRERMOS QUE AINDA INFLUENCIAMOS AS GRANDES DECISÕES/2

O ENTRETENIMENTO ENGOLE A POLÍTICA
Você olha e fica boquiaberto. Mas como pode ser? Você esfrega os olhos, não é possível que esteja vendo o que vê. O modo como as pessoas reagem às notícias desperta no seu espírito uma incredulidade perplexa. Tudo na política – tudo mesmo, sem exceção – virou uma questão de torcida organizada, de arrebatamento de almas (pequenas) e de furor irracional. 

Nos tempos da covid a gente viu de perto: a hidroxicloroquina vai dar certo porque eu tenho fé; a ivermectina vai salvar vidas porque eu acredito; a vacina chinesa carrega um chip oculto que vai rastrear os desejos de consumo da vizinha, eu sei, eu vi um vídeo na internet. Parece loucura. É loucura.

A polarização se faz de ânimos conflagrados, não mais de opiniões divergentes. A metáfora da ágora grega não serve mais para representar o debate público. A imagem da disputa de pontos de vista entre seres racionais perdeu a validade. 

Agora, as multidões se sentem em guerras santas, em cruzadas sanguinárias, se sentem no Coliseu de Roma apontando o polegar para baixo. O script do tempo são os linchamentos virtuais. O fundamentalismo corre solto. Intolerância na veia. 
Nos Estados Unidos, os numerosos radicais do Partido Republicano trabalham com o dogma tácito de que as eleições de 2020 foram roubadas, e ai de quem discordar. Para muita gente, o aquecimento global é um mito fabricado. Eis o colégio eleitoral do nosso tempo.

Como explicar esses efeitos de estrondos e de fúria? 

As hipóteses são múltiplas, não necessariamente excludentes, mas uma delas fala mais alto: o universo da política foi inteiramente tragado pela linguagem do entretenimento – e, no entretenimento, a reafirmação do ego (ou do eu) vale mais do que a verdade dos fatos. Ponto. Parágrafo.

É verdade que, desde que o mundo é imundo, a política traz na sua fórmula ingredientes teatrais, elementos lúdicos e temperos passionais. Sempre foi assim. 

A partir da prevalência das plataformas sociais, contudo, a coisa mudou de patamar. Todas as escolhas que antes se resolviam na esfera da pólis hoje se decidem num imenso reality show interativo, no qual o desejo íntimo sobrepuja com folga (e com gozo) o interesse público. A razão e a objetividade escasseiam, enquanto as emoções eclodem, em apoteoses surdas.

O que vemos diante de nós não combina mais com os conceitos que valiam até algumas décadas atrás. É outra coisa, outro bicho. Já deram a esse ambiente, em que as questões políticas se comportam como atrações circenses, o nome de era da pós-verdade. 

Foi com esta expressão, aliás, que a revista The Economist se referiu à campanha presidencial de Donald Trump, numa reportagem de capa em setembro de 2016. Por certo, podemos nos referir à nova geleia geral como a era da pós-verdade, mas o fenômeno é maior do que imaginávamos em 2016. É mais monstruoso e mais profundo.

Vejamos o que se passa com a comunicação dos partidos, das autoridades estatais, das ONGs ou dos organismos internacionais. Tal comunicação já não interpela a razão, mas a emoção – e faz isso em formatos melodramáticos. 

Ou a mensagem segue o alfabeto visual estabelecido pela indústria do entretenimento, quer dizer, ou a propaganda assimila as narrativas baseadas no modelo bonzinhos-contra-malvados, ou não encontrará eco nas mentes e nos corações.

A que se reduziu o impasse da guerra do Oriente Médio? A uma disputa interminável sobre quem é que merece ser posto no papel de vítima. Os escombros da Faixa de Gaza – escombros urbanos, escombros humanos – são apenas o epicentro cenográfico de uma imensa guerra de imagem para ver quem consegue tomar para si o papel de vítima. 

Quem fizer jus a esse lugar merecerá o amor incondicional da plateia (antes conhecida como opinião pública). Acostume-se. A realidade se comporta como um filme de aventura, com princesinhas desprotegidas, cavalos suados e rapazes incultos, mas valentes.

Assim como o ideólogo do início do século 20 cedeu seu posto ao marqueteiro do início do século 21, o instituto da razão perdeu terreno para as identificações pulsionais, libidinais, fáceis e acachapantes propiciadas pelas técnicas industriais do entretenimento. A política hoje integra o vasto comércio das diversões públicas. 
O cidadão, que era a fonte de todo o poder, acomodou-se na condição de consumidor voraz de sensações estupefacientes. Não é mais como cidadão que ele se mobiliza, mas como torcedor fanático, como religioso fiel ou, ainda, como fã ardoroso. 

Se você ainda tem dúvidas, releia as mensagens que chegam nos grupos de WhatsApp. Lá estão os sintomas: os abaixo-assinados sentimentais, as figurinhas animadas que defendem uma tese em um único segundo, as subcelebridades desocupadas pontificando sobre assuntos complexos como se discorressem sobre o uso da cebola numa receita vegana. Está na cara, não está?

Não, isso aí não vai dar certo. Quando as decisões que afetam a ordem do comum repelem o entendimento do que seja o bem comum, é porque vai dar ruim. O conceito de República se desfaz na poeira do tempo. (por Eugênio Bucci, professor da ECA-USP e articulista do jornal O Estado de S. Paulo)
clique aqui para acessar o artigo inicial desta duologia,
CASO BATTISTI: EM 2011 A MOEDA CAIU EM PÉ,
MAS HOJE ELA DESLIZARIA PARA O RALO.

domingo, 3 de outubro de 2021

O MATADOURO BRASIL DOBRA A META E SE TORNA A EMPRESA-LÍDER DO GRUPO BOZO

Q
uais os países com pior desempenho na crise sanitária do coronavírus? São, disparados, estes três, segundo dados atualizados neste domingo, 3/10:
— os Estados Unidos, que têm 332,9 milhões de habitantes, 43,6 milhões (13%) dos quais se contaminaram e 701 mil (0,2%) dos quais morreram;
— a Índia, que tem 1,4 bilhão de habitantes, 33,8 milhões (2,4%) dos quais se contaminaram e 449 mil (0,03%) dos quais morreram; e
— o Brasil, que tem 213,9 milhões de habitantes, 21,5 milhões (10%) dos quais se contaminaram e 598 mil (0,27 %) dos quais morreram.

Ou seja, relativamente a sua população, o Brasil foi o segundo com maior número de contaminados e o primeiro em número de óbitos. 

E não devemos esquecer que as comunidades científicas daqui e do exterior são praticamente unânimes na avaliação de que o total de contaminados e mortos no Brasil foi reduzido por subnotificações na fonte e fraudes nas totalizações
Acrescidos os 30% a 40% assim escamoteados, decerto nosso país seria o campeão absoluto de descaso com a vida dos seus cidadãos. 

Mesmo nos baseando em tais dados inconfiáveis, tal desleixo ainda fica evidenciado: a letalidade no Brasil, relativamente ao número de contaminados, é o dobro da indiana e quase 70% superior à dos Estados Unidos, uma vez que 2,7% dos contaminados daqui morreram, contra 1,6% dos contaminados nos EUA e 1,3% dos contaminados na Índia. (por Celso Lungaretti)

domingo, 26 de setembro de 2021

DERROTADO EM TODAS AS BATALHAS, O GENOCIDA LANÇA AS MILÍCIAS DIGITAIS DO ÓDIO CONTRA ALVOS DE MENOR GRANDEZA

eliane cantanhêde
APÓS RECUO NOS ATAQUES AO STF E ÀS ELEIÇÕES, 
BOLSONARO COMBATE PASSAPORTE DA VACINA
Na declaração à Nação, o presidente Jair Bolsonaro recuou dos ataques ao ministro do STF Alexandre de Moraes. 

Em entrevista à Veja, ele recuou também dos xingamentos contra o presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, do discurso golpista e das ameaças às eleições e às urnas eletrônicas. 

A guerra agora é outra: desmoralizar a Coronavac, massificar que as vacinas estão em teste e combater o passaporte da vacinação. 

As pesquisas dispararam a luz amarela no QG, não do Exército, mas do bolsonarismo e a coisa só piorou depois do desastre de cabo a rabo da ida de Bolsonaro e sua comitiva inflada a Nova York. 

Daí manter a linha dos recuos, um a um, mas dobrando a aposta nos erros na pandemia e centrando fogo no passaporte. 

A lista de novas contaminações no ambiente bolsonarista é caprichada, justamente quando o número de imunizados sobe, o de mortes cai e a variante Delta é uma incógnita:
— o deputado Eduardo Bolsonaro;
— um diplomata da viagem a NY; 
— três ministros, Marcelo Queiroga (Saúde), Tereza Cristina (Agricultura) e Bruno Bianco (advogado geral da União). 

Mas, sem ter como manter suas guerras pessoais, sustentar os delírios de golpe e na falta do que apresentar na economia e no social, só restou ao candidato Bolsonaro insistir no seu maior erro: o combate ao combate à pandemia. E ele e sua tropa pegam em armas contra o passaporte, exigido no Brasil e no mundo em eventos e estabelecimentos. Um manda, todos (eles) obedecem. 

Tossindo, Eduardo Bolsonaro disse que a vacina está em teste, o passaporte é um absurdo e comparou a pendenga atual com a das Testemunhas de Jeová, que ganharam na Justiça contra transfusão de sangue. 

Naquele caso, porém, tratava-se de um direito individual: toma transfusão quem quer, quem prefere adoecer e morrer, é problema seu. No da vacina, trata-se de um direito coletivo, todos têm de apresentar o comprovante para proteger os demais de contaminações e mortes. 

Para Mário Frias, secretário da combalida Cultura, a exigência é
abominável, um teatrinho autoritário sanitarista, e ele não vai admitir a exigência de atestado em museus e teatros vinculados a ele, ponto final. 

E os clubes Naval e Militar, do Rio, entraram com liminar contra a comprovação de vacinas em suas dependências. 

O que essa gente tem contra máscaras, vacinas e atestado de imunização? Para o deputado, o secretário e os militares de pijama, a questão não é de saúde, medicina, ciência, estatística, vida e morte, é ideológica, a favor do mito e porque são coisas de comunista. 

Até os EUA adotam o passaporte, esse que é absurdo, abominável, teatrinho autoritário. Viraram comunistas! 

Obrigado a comer pizza na rua em Nova York, Bolsonaro abriu a Assembleia Geral da ONU como único presidente do G20 não vacinado, condenou o passaporte de vacina, o isolamento social e insistiu no kit Covid. 

“Não entendemos por que muitos países se colocaram contra o tratamento inicial”, disse, referindo-se a EUA, França, Alemanha, Inglaterra, Japão, Chile, Austrália, o mundo civilizado. Como o soldado da piada, ele se sente o único certo marchando com o pé errado. 

E por que Michele Bolsonaro se vacinou em NY, não no SUS e três a quatro meses antes? Bem... Se o general de quatro estrelas Luiz Eduardo Ramos se imunizou
escondido, a mulher do presidente deve haver tido ainda mais motivos para adiar a vacina. 

O relatório final da CPI da Covid começou e termina com o foco no negacionismo macabro do presidente, baseado em fake news e espalhado nas redes pelo Gabinete do Ódio (GDO, nas mensagens entre eles), com financiamento até de empresários que perderam suas mães para a Covid. Inacreditável. 

Quantos milhares poderiam ter sido salvos sem isso? (por Eliane Cantanhêde, n'O Estado de S. Paulo)

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

NO CIRCO DO BOZO, O BUFÃO NÃO CAI DE BUNDA NO CHÃO PRA FAZER GRAÇA E SIM PORQUE SUA ATUAÇÃO É UMA DESGRAÇA

bruno boghossian
GOVERNO TENTA VIRAR O JOGO NA CPI ,
MAS VOLTA A EXPOR ROLOS DAS VACINAS
O governo se embrenhou tanto no camelódromo das vacinas intermediadas por personagens suspeitos que não encontra mais o caminho da saída. O último movimento bolsonarista na CPI da Covid mostra que os aliados do presidente não conseguem mais explicar os rolos identificados nas negociações de imunizantes.

A tropa de choque de Jair Bolsonaro tentou virar o jogo na sessão desta 5ª feira (12), mas acabou se complicando. O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, disse que a comissão havia espantado os interessados em vender vacinas. Não há mais laboratórios buscando o Brasil, porque não querem se expor a esse tipo de inquirição, declarou.

O esforço de Barros para defender investigados e transferir a culpa para a comissão atiçou senadores governistas. Flávio Bolsonaro pegou carona no descaramento do líder e lançou a nova linha de defesa do Planalto: declarou que
a única coisa concreta que a CPI conseguiu foi impedir milhões de vacinas nos braços dos brasileiros.

Os aliados de Bolsonaro devem ter esquecido que o próprio Ministério da Saúde cancelou o contrato do imunizante indiano Covaxin, intermediado pela Precisa Medicamentos. A Controladoria-Geral da União, órgão do governo, detectou que dois documentos apresentados pela empresa haviam sido adulterados.

A acusação de Barros também se perde no caso da chinesa Convidecia. O laboratório CanSino desmentiu o líder e afirmou que continua interessado em vender doses para o governo, mas lembrou que interrompeu o processo porque precisou trocar seus representantes no Brasil por motivos de compliance –ou seja, algo cheirava mal no acordo.

A CPI pode ter espantado picaretas que prometiam doses inexistentes, reverendos que simulavam missões humanitárias e empresas em busca de pagamento antecipado, mas quem age para impedir milhões de vacinas nos braços dos brasileiros é o governo, que ignorou dezenas de ofertas da Pfizer e mantém imunizantes parados em galpões. (por Bruno Boghossian)

sábado, 7 de agosto de 2021

EXTREMA-DIREITA APROVEITA-SE DAS LIBERDADES PARA SABOTAR A VACINAÇÃO CONTRA A COVID MASSIFICANDO FAKE NEWS

demétrio magnoli
POR QUE OBRIGAR O QUE É BOM?
A
s sociedades livres aceitam um nível elevado de insegurança. Os direitos de expressão, manifestação e reunião, o direito de ir e vir, o habeas corpus e o direito à defesa criam brechas para a operação de grupos violentos e organizações terroristas. 

Contudo, em nome de um bem intangível maior, tenta-se punir apenas os abusos extremos dos direitos individuais e das liberdades públicas. Não se deveria catalogar o direito à recusa da vacina entre as liberdades fundamentais?

As sociedades livres já se decidiram, há muito, pela resposta negativa. A imunização infantil é condição para a matrícula escolar no Brasil e em quase todas as democracias. 

Nos EUA, a concessão do green card e a obtenção de cidadania dependem da vacinação contra várias doenças. 

Diversos países exigem o certificado de vacinação da OMS contra doenças como a febre amarela e a rubéola. 

Os liberais com todos os parafusos apertados nunca ergueram um clamor de indignação contra tais exigências. Por que justo agora, no caso da covid?
A alegação ritual dos indignados é que as vacinas anti-covid não possuem autorização definitiva.

Péssimo álibi, pois isso atesta que o sistema funciona. Há autorização porque testes clínicos comprovaram a segurança e a eficácia dos imunizantes. 

É emergencial porque as vacinas continuam a ser avaliadas no quadro da sua aplicação em massa, mas devem ser utilizadas justamente devido à crise sanitária mundial causada pelo coronavírus. Sem a imunização coletiva, as sociedades sofrerão perdas intoleráveis de vidas, de riqueza e de empregos.

Vacinas protegem populações, não indivíduos. Como nenhuma vacina tem eficácia absoluta, os imunizados continuam a correr riscos. Mas a imunidade coletiva circunscreve radicalmente a circulação do vírus, oferecendo elevada proteção a todos. 

A exigência de passes vacinais destina-se a evitar que a resistência à vacinação de uma minoria expressiva impeça a sociedade de atingir o limiar da imunidade coletiva.

Sob a pandemia, segurança coletiva e liberdades individuais não são polos contraditórios. Se, em nome da liberdade de recusar a vacina, aceitarmos desistir da imunidade coletiva, perderemos tanto a segurança quanto as liberdades. 

Já sabemos disto: a extensão da pandemia impele à adoção de restrições sanitárias parciais ou completas (
lockdowns) que anulam os mais elementares direitos individuais e as liberdades públicas e econômicas. O liberal que rejeita o passe vacinal é, de fato, um liberticida.

No rastro dos atentados de 11 de setembro de 2001, os republicanos (liberais, no sentido europeu e brasileiro da palavra) não hesitaram em restringir direitos e liberdades fundamentais para, em nome da segurança, combater a emergência posta pelo terror. 

Por outro lado –surpresa!– a emergência sanitária global não lhes parece justificativa suficiente nem mesmo para que se exija a vacinação geral. Seus pudores libertários de ocasião mal ocultam sua vergonhosa submissão política a lideranças de uma direita primitiva, autoritária e antiliberal.

Por que obrigar o que é bom? Porque correntes da direita populista aproveitam-se das liberdades que detestam para difundir massivamente mentiras sobre as vacinas, convencendo uma numerosa minoria de que o bom faz mal. Os liberais caudatários de extremistas têm culpa nesse cartório. (por Demétrio Magnoli)

segunda-feira, 21 de junho de 2021

QUANDO A COVID ESTIVER CONTROLADA E O BOZO FORA DO PODER, RESTARÁ A DÚVIDA: POR QUE DEMORAMOS TANTO PARA REAGIR?

celso rocha de barros
POR QUE BOLSONARO DEIXOU MORRER 500 MIL?
Como previsto pelos especialistas, chegamos no meio milhão de brasileiros mortos por Covid-19 antes do fim do primeiro semestre. Só agora começamos a calcular quantos, dentre eles, foram mortos diretamente, documentadamente, pelas decisões de Jair Bolsonaro.

As revelações da CPI sobre os contratos de compra de vacinas, quando inseridas em modelos epidemiológicos construídos com o que já sabemos sobre a relação entre vacinação e mortandade, colocava 90 mil mortes nas costas de Bolsonaro com os números até o final de maio. Isso foi antes de sabermos que ele se recusou a comprar 43 milhões de doses do consórcio Covax Facility. Com as novas informações e os mortos de junho, mal dá para ver a marca de cem mil no retrovisor.

Desde fevereiro, quando, segundo estimativas do jornal O Estado de S. Paulo, já teria sido possível vacinar todos os idosos brasileiros se a oferta do Butantan em 2020 tivesse sido aceita por Bolsonaro, o número de brasileiros mortos dobrou.

Por que Bolsonaro fez isso? Hoje em dia parece claro que, além de um crime, foi um erro. Se Bolsonaro perder a eleição de 2022, terá sido pelas centenas de milhares, talvez pelo milhão de mortes que causou entre 2020 e 2021.

Por que, você deve estar pensando, esse idiota não comprou as vacinas? Por que este imbecil não tentou unir o país com um discurso de mobilização nacional contra a pandemia? Se tivesse feito isso, sua reeleição seria certa. Bolsonaro foi um dos poucos líderes mundiais cuja popularidade não subiu no começo da pandemia.

Bolsonaro deixou essa gente toda morrer por três motivos.

O primeiro foi ideologia: uma desconfiança populista dos especialistas, aversão ao globalismo da Organização Mundial de Saúde, ódio visceral dos chineses, a influência ideológica de Donald Trump e da direita radical estadunidense, a dificuldade de encaixar problemas complexos do mundo real na retórica paranoica do bolsonarismo. 

É sempre bom lembrar que a primeira demonstração clara de insatisfação de Bolsonaro contra as medidas de isolamento social foi sua reação aos apelos para que cancelasse a primeira de suas manifestações golpistas de 2020.

O segundo motivo foi cálculo eleitoral. Bolsonaro temia que as medidas de contenção da pandemia derrubassem a economia e ameaçassem sua reeleição em 2022. 
Com sua aposta na promoção da
imunidade de rebanho, documentada em estudo dos pesquisadores Deisy Ventura, Fernando Aith e Rossana Reis, Bolsonaro esperava que os curados ficassem imunes, a economia continuasse rodando e os mortos não votassem em 2022. Se os brasileiros se mostrassem um rebanho recalcitrante, Bolsonaro lhes ofereceria a falsa esperança de cura pela cloroquina.

Quase deu certo. A popularidade de Bolsonaro sobreviveu bem à primeira onda da pandemia, e só voltou a cair porque o auxílio emergencial foi cancelado, com requintes de crueldade, na hora em que a segunda onda se formava. Mesmo assim, se a alta das commodities ajudar a economia, Bolsonaro pode testar de novo ano que vem a hipótese de que genocídio não custa voto.

Mas o terceiro motivo pelo qual Bolsonaro mandou tantos brasileiros para a morte por asfixia é o que realmente deve nos preocupar como país.

Foi porque nós deixamos. (por Celso Rocha de Barros)

domingo, 20 de junho de 2021

O GOVERNO NEGACIONISTA E GENOCIDA COMEÇOU A CHEGAR AO FIM NESTE SÁBADO

ricardo kotscho
BRASIL VAI ÀS RUAS PARA GRITAR "FORA BOLSONARO!" NO DIA DAS 500 MIL MORTES
De norte a sul, em grandes e pequenas cidades, milhares de brasileiros saíram às ruas nos mais de 400 atos de manifestações do Fora Bolsonaro! neste sábado de outono cinzento e frio, quando o Brasil chegou à marca das 500 mil vidas perdidas para a pandemia, uma trágica coincidência. 

Foi a segunda grande manifestação popular contra Bolsonaro em menos de um mês, um grito de libertação e esperança do povo brasileiro depois de passar quase um ano e meio sofrendo em silêncio as consequências dos desmandos e das omissões de um governo negacionista, que boicotou as vacinas enquanto pôde e preferiu oferecer toneladas de cloroquina, além de continuar até hoje contra o uso de máscaras e o distanciamento social, na contramão das autoridades sanitárias de todo o mundo. 
Ainda esta semana, em sua live semanal, o presidente teve a coragem de colocar em dúvida a eficácia das vacinas e defender a imunidade de rebanho como a melhor forma de combater a pandemia. Ou seja, você precisa pegar o vírus para se salvar da doença. 

O tal gabinete paralelo montado no Palácio do Planalto, sob o comando do presidente, continua mandando no Ministério da Saúde, mesmo depois de ser desmascarado pela CPI da Covid, que está mostrando ao Brasil e ao mundo que aqui houve uma matança programada. 

Quantos destes 500 mil brasileiros não precisariam ter morrido? Quantos mais ainda vão morrer? 

Se, desde o início da pandemia, o governo federal não tivesse menosprezado a gravidade da doença e assumido a coordenação nacional do combate à pandemia, convocando médicos e cientistas em lugar de palpiteiros interessados como os doutores de Bolsonaro, certamente hoje muitas famílias não precisariam ir aos cemitérios para velar os seus mortos. 

Ainda que tomando todos os cuidados, milhares de brasileiros perderam o medo e se uniram nas ruas para dar um basta a tantas barbaridades – e esse é o fato político mais importante desde o início da pandemia.  

Por mais que queira negar a dimensão desses protestos e fazer comparações infantis com as motociatas do capitão, daqui para a frente o governo saberá que o país ainda tem um povo com vergonha na cara e coragem para mudar o seu destino, que não é gado para ser tangido sem tugir ao matadouro.

Não haverá propaganda oficial nem dinheiro público correndo a rodo nos palácios e gabinetes capaz de mudar a história de horror que vivemos nestes tempos sombrios, em que a ignorância venceu a ciência e as mentiras superaram os fatos. 

Quem foi às ruas é gente de todas as gerações, etnias, gêneros, partidos e classes sociais, das capitais e das cidades do interior (e até do exterior!), que não perderam a esperança de acabar com esse pesadelo e resgatar nosso orgulho de ter nascido aqui. 

Em São Paulo, com suas bandeiras de todas as cores, máscaras e faixas pedindo impeachment, bicicletas em lugar de motos, muitos jovens e até crianças com suas famílias, a grande manifestação se espalhou por toda a avenida Paulista. 

Só não chamou a atenção da Globo News, que preferiu ouvir seus comentaristas no estúdio em lugar de repórteres nas ruas e demorou para entrar ao vivo. A CNN, que transmitiu por horas ao vivo a motociata bolsonarista da semana passada, também limitou-se a dar flashes. A TV Globo continuava passando o Caldeirão do Huck.  
Como na campanha das Diretas Já, no século passado, o povo saiu na frente e a televisão brasileira vem a reboque, quando já não dá mais para esconder o que acontece. 

Não queremos mais ser um país pária, que banaliza as mortes e nos faz passar vergonha nos fóruns internacionais, com um presidente que chegou a fazer propaganda da cloroquina dos seus amigos em reunião do G 20.

Bolsonaro e seus generais um dia vão pagar por seus atos, mas ninguém trará de volta as vidas perdidas e os sonhos desfeitos. 

No final da tarde, a manifestação já ocupava toda a avenida Paulista e muita gente continuava chegando, apesar da ameaça de chuva, seguindo rumo ao centro da cidade. 

Sábado, o governo negacionista e genocida começou a chegar ao fim. A civilização vencerá a barbárie e a vacina vencerá a cloroquina. Vai ser uma festa. 

Vida que segue, para quem sobreviveu, agora com mais esperança de que todo o mal um dia acaba. (por Ricardo Kotscho) 

quarta-feira, 16 de junho de 2021

APÓS 36 ANOS, O TRIBUNAL QUE JULGOU O MORTICÍNIO DE MILHÕES DE NORDESTINOS AVALIARÁ OUTRO GENOCÍDIO DANTESCO – 2

(continuação deste post)
A pandemia da covid-19 se diferencia de outras tragédias brasileiras por ter sido administrada da forma mais caótica e delirante, com a maximização de óbitos que poderiam ter sido evitados  
O
Tribunal do Genocídio e Ecocídio está sendo estruturado por via de comunicação eletrônica, as lives, e, como o próprio nome está a sugerir, tem uma abrangência maior do que a simples verificação de como se fez o gerenciamento governamental na maior tragédia sanitária do pós-guerra.

Trata-se de uma análise instrutória de períodos da nossa história de longo, médio, e curto prazos, atuais, abrangendo aspectos antropológicos do trágico e, ao mesmo tempo, heroico itinerário da humanidade nas suas formações sociais como forma de se dar respostas aos impasses contemporâneos, desde a sociabilidade humana até a agressão à nossa nave planetária (e também à atmosfera), tornando-a inabitável.

Daí deverá resultar uma ampla análise com documentários gravados em vídeos, depoimentos de pessoas, narração de fatos empíricos, publicações impressas, estatísticas, teorias e conceitos num ambiente cientificamente coadunado com a análise do empirismo de uma realidade trágica na qual estamos inseridos e da qual somos partes, queiramos ou não, de modo consciente ou inconsciente, contributivo ativamente ou passivamente, e da qual todos sofremos as consequências, ainda que de modos diferenciados, dependendo da realidade de cada um. 
Não basta identificarmos o maior culpado. Há 
de apurarmos como o deixaram ir tão longe
 
 

Os debates e as suas convergências e divergências que devem surgir deste processo de libelo instrutivo acusatório e autocrítico, isento de preconceitos, plural, suprapartidário, sem discriminações e, portanto, sem verdades absolutas, deverão servir como norte referencial de proposições e consolidações de conceitos que poderão nos orientar na solução de nossos problemas que a cada dia se agravam.

Neste sentido são objetivos específicos:
1. levantar os crimes cometidos contra a humanidade e o planeta, a partir dos seus fundamentos, desdobramentos e possibilidades de superações, bem como apuração da pessoalidade de seus cometimentos;
2. fazer análise criteriosa do tratamentos dado pelos ditos civilizados aos índios, negros, ciganos; dos holocaustos étnicos, como o massacre indiscriminado de judeus durante a diáspora desta etnia e no curso da 2ª Guerra Mundial; das consequências do patriarcalismo, traduzidas nos feminicídios, narcisismos, racismos, segregações sociais; das agressões de supremacistas étnicos aos que consideram como raças inferiores, etc. São comportamentos inerentes à relação dos seres humanos contaminados pelos resquícios negativos das suas primeira e segunda naturezas em evolução, e que terminam com ganhos obtidos a duras penas sendo amiúde anulados por retrocessos civilizatórios como os que ora ocorrem; e
3. condenar culpados individuais e conceitos históricos equivocados, suas teses e comportamentos sociais, de forma a se formularem decisões consistentes, que sirvam de referências históricas para a caminhada da humanidade neste 3º milênio que se iniciou de forma bárbara, negando a perspectiva que se esperaria de um novo alvorecer da humanidade.  
.
São objetivos gerais:
1. repensar o iluminismo e as revoluções industriais com suas consequências sociais (economia, direito, ordem social, escravismo indireto, papel das instituições do Estado, processo eletivo, partidos, forças militares, etc.);
2. analisar as relações entre ciência econômica e o papel do Estado, do mercado, dos meios de comunicação, bem como as consequências da sôfrega e criminosa permanência e busca de difícil adaptação dos dias atuais às combalidas e ineficazes categorias capitalistas, sem a menor intenção de superá-las, mesmo diante da tragédia humanitária por elas provocadas;
Assembleia Geral da ONU proclamando a Declaração Universal dos Direitos Humanos, 
em 1948. Estaremos agora necessitando de algo analiticamente superior e mais eficaz?
3
. analisar o papel do sujeito automático da forma-valor, que eclipsa a soberania do pensar, submetendo-a a uma camisa de força negadora da capacidade humana de se livrar de formas sociais segregacionistas criadas pelo mesmo ser humano que a elas se submete voluntariamente como servo de uma forma social fetichista irracional; e
4. propiciar o aprofundamento de outros temas que venham a surgir das contribuições de textos e do debate, que sejam capazes de oportunizar luzes verdadeiramente emancipacionistas.

O Tribunal do Genocídio e Ecocídio, com base nos fundamentos de uma nova história a ser construída, pretende conclamar a humanidade para a realização do sonho emancipatório de uma sociedade humanamente diversa e desfetichizada, socialmente igual, instigante, imaginativa e criativa, prazerosa no ócio produtivo, ecologicamente exuberante, bela e completamente livre.
.
Algo analiticamente superior e mais eficaz do que a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, resposta à barbárie da 2ª Guerra Mundial. 

Aguardem mais informações a respeito. (por Dalton Rosado)  

UMA COADJUVANTE DO GENOCÍDIO ORA EM CURSO MERECE PROTEÇÃO DAS FEMINISTAS?

A dra. Nise servia para dar uma ilusória credibilidade ao curandeirismo do gabinete paralelo...
rui martins
A CPI E UMA FALSA IDEIA DE FEMINISMO
A discussão central na CPI é quem são os culpados pela perda de controle do coronavírus no Brasil. 

A cada dia se torna mais evidente a responsabilidade principal do presidente Bolsonaro; de seus conselheiros diretos, no chamado gabinete paralelo, comandado, ao que tudo indica, pelo deputado Osmar Terra; e do ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello.

Entre os participantes do gabinete paralelo estava a médica Nise Yamaguchi que, especialista em imunologia e oncologia, era uma das principais defensoras do uso da hidroxicloroquina na prevenção e tratamento das infecções por coronavírus. 

Sua participação no gabinete teria sido por iniciativa própria, ainda no começo do ano passado, para convencer Bolsonaro a manter no Ministério a indicação da hidroxicloroquina.
...daí o papel central que ocupava nas hostes genocidas.

Na saída do ministro Luiz Henrique Mandetta, chegou a ser cotada para assumir o ministério. Com a demissão de Nelson Teich, novamente surgiu seu nome para substituí-lo, tendo havido mesmo um encontro de Yamaguchi com Bolsonaro, divulgado pela imprensa.

Pelas entrevistas da época, logo se podia fazer um perfil da médica como adepta das teorias de complô e conspirações ligadas ao surgimento do vírus, na linha dos negacionistas que apoiavam Donald Trump nos EUA, e mantendo ligações com o médico francês Didier Raoult, tido como um charlatão pela imprensa francesa por insistir em preconizar o uso dos componentes do kit covid, que por tanto tempo Bolsonaro defendeu como tratamento precoce. 

Seu ardor na defesa da cloroquina teria valido mesmo uma suspensão de Yamaguchi no hospital Albert Einstein, contrário ao uso desse medicamento no combate à covid-19.

Em síntese, a interrogação da médica na CPI foi das mais proveitosas por ter revelado fatos até ali ignorados. Porém, isso não desagradou só ao governo Bolsonaro, assustado pela facilidade com que Renan e Aziz conseguiam tirar de Yamaguchi declarações comprometedoras sobre o funcionamento do gabinete paralelo da presidência, ao qual Pazuello se submetia.

Como o relator insistia nas perguntas para obter respostas claras, houve a surpresa de a senadora Leila Barros intervir em favor da mulher Nise Yamaguchi. Jogadora de vôlei, Leila fez um passe contra, entregando simbolicamente a bola para a deputada Carla Zambelli, a ardorosa defensora da política sanitária de Bolsonaro. 
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Foi um gesto feminista, mas no caso não era a mulher a interrogada, mas a cientista, médica e doutora defensora de produtos não adequados para a prevenção e cura do coronavírus. Feminismo de orelhada pode levar a desvios como esse.

Com sua insistência em promover e defender o uso da hidroxicloroquina, não se pode esquecer e se deve mesmo acentuar que a doutora Yamaguchi, formada em boas universidades e falando quatro idiomas (portanto, não uma simples mulher explorada no trabalho ou como dona-de-casa), era uma pessoa apta e capacitada para responder às perguntas da CPI. Mesmo porque –e isto não se pode ignorar– está entre os responsáveis pelo genocídio que continua ocorrendo no Brasil.

Mas isso não foi tudo. Comovida pela cena da cientista negacionista submetida à insistência das perguntas de Renan e Aziz, uma atriz estrela da televisão se revoltou e, em nome da defesa das mulheres, decidiu lançar um tuíte, mesmo porque é feminista reconhecida pela ONU.

Uma catástrofe:
"Show de horror e boçalidades na CPI da Covid. Certa ou errada… Não importa! Intimidação, coação… Fala interrompida… Mulher merece respeito em qualquer ambiente..."
Seu erro custou vidas demais para dela nos apiedarmos 
É o feminismo versão verde-amarela! Coitada da doutora Yamaguchi, ela só queria fazer bem, ainda que seu remédio não curasse e pudesse matar! 

Naquele dia, ultrapassávamos 450 mil mortos. E vamos chegar a 700 mil e talvez mesmo ultrapassar.

Os bolsonaristas, que detestam feministas, adoraram! Assustada com a má repercussão entre seus fãs, até ali existentes entre direita e esquerda, Juliana Paes reincide, mas com classe, beleza, boa imagem, embora a falta de sincronização entre imagem e som, favoreça a hipótese de uma montagem posterior do vídeo.

Juliana Paes se enganou duas vezes – na primeira, quis defender a coitadinha da Nise Yamaguchi, membro do gabinete secreto e paralelo de Bolsonaro, composto só de charlatães, que nos levaram à tragédia da cloroquina. Por quê? Porque a coitadinha é mulher! 

Seria também feminista a senadora de esquerda Leila Barros, que, numa jogada de vôlei, passou a bola para a direita, ao defender também a desafortunada doutora Yamaguchi por ela ser mulher?

Deveríamos igualmente tomar as dores do Pazuello porque o coitado está velho, meio gagá e ficará traumatizado com tantas críticas?

E a Juliana Paes perdeu a grande chance de ficar calada, pois sua retórica bem filmada torna-se ridícula ao incluir uma alusão aos delírios comunistas de extrema-esquerda. 

Onde? Alguém viu? Ah, Juliana, você anda lendo
fake news em demasia! Mas, pelo jeito, não viu o meio-milhão de mortos!
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(por Rui Martins)

domingo, 30 de maio de 2021

PROTESTO PACÍFICO EM PERNAMBUCO É BARBARIZADO PELA TROPA DE CHOQUE DE UMA PM FORA DE QUALQUER CONTROLE

ricardo kotscho
AFINAL, QUEM MANDA NAS POLÍCIAS MILITARES?
A
manifestação do Fora, Bolsonaro! no Recife já estava chegando ao final do trajeto de forma pacífica, quando foi atacada pela tropa de choque da Polícia Militar com bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de borracha. 

Uma das vítimas da truculência policial foi a vereadora Liana Cirne Lins (PT), que se postou na frente de um carro da polícia para protestar contra a violência, e foi alvejada com o gás de pimenta no rosto, caindo ao chão. 

Outro manifestante levou um tiro de bala de borracha junto ao olho e vários foram feridos no tumulto que se formou. 

A vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos (PCdoB) protestou em vídeo:"Isso não foi autorizado pelo governo do Estado. Condenamos esse tipo de atitude".
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Se não foi o governo do Estado, ao qual eles são subordinados, quem deu a ordem para o ataque contra os manifestantes, pergunta-se:
"Quem comanda a Polícia Militar de Pernambuco?".
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Para se encontrar a resposta, cabe fazer outra indagação: "Por que não há registro de violência das Polícias Militares nos atos quase semanais a favor do governo Bolsonaro?" 
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Escreveu a vice-governadora no Instagram: "Os atos de violência, que repudiamos desde já, estão sendo apurados e terão consequências".  
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Esperemos, pois, o resultado das investigações, que não costumam dar em nada e geralmente culpam as vítimas por desacato à autoridade.

"NÃO É ASSIM QUE SE TRATA UMA PESSOA"
Foi o que aconteceu com um jovem negro, o youtuber Filipe Ferreira, que fazia manobras de bicicleta num parque da Cidade Ocidental, em Goiás, quando dois PMs desceram da viatura e um deles, de revólver em punho, deu a ordem: "Deixe a bike aí. Estou mandando!". 
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O youtuber respondeu: "Mandando? Não é assim, não, eu sou trabalhador". 
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.Apontando a arma para a cabeça do jovem, o policial subiu o tom: "Coloca a mão na cabeça!".
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Filipe se recusou a cumprir a ordem: "Não é assim que se trata uma pessoa". 
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O policial deu mais dois passos e o ameaçou: "Resiste aí para ver o que vai acontecer contigo!". 
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O jovem negro ainda tentou argumentar: "Eu tenho um canal no Youtube, não sou bandido".
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Mas não teve jeito, veio o outro policial e o algemou com as mãos para trás.

O vídeo é revoltante. Se fosse um jovem branco andando de bicicleta num parque, os policiais agiriam do mesmo jeito? 

Quem pode responder é o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Certamente, ele também mandará fazer uma rigorosa investigação para apurar o caso, que causou grande revolta nas redes sociais.
Cenas assim são cada vez mais comuns pelo Brasil afora, nem sempre filmados, desde que o presidente Bolsonaro começou a defender o excludente de ilicitude, que dá autonomia aos policiais para agirem livremente contra quem eles consideram bandidos, sem o risco de sofrer punições. 

Estes dois episódios são exemplos de Polícias Militares fora de qualquer controle, cada vez mais violentas, ameaçando cidadãos desarmados. 

Quem manda, afinal, nesses policiais militares? Às ordens de quem eles obedecem, se não são mais os governadores dos estados? Por que eles são tão seletivos nas suas ações e abordagens? 

Vida que segue. (por Ricardo Kotscho)
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