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domingo, 11 de abril de 2021

PAÍS SE ESPATIFA E BOLSONARO APATIFA A PRESIDÊNCIA

 Bozo xinga Doria de "vagabundo" e "patife", recebendo,
como troco, a recomendação de tomar vácina antirrábica

 
É
como se os 212 milhões de brasileiros estivessem num avião em queda livre, prestes a se espatifar no chão. Levando-se em consideração o esforço que o piloto da aeronave realiza para apatifar a cabine de comando, espatifar é o termo apropriado. 

Para mais de 350 mil mortos por covid o avião já se espatifou. A tragédia alcançará milhares de outras almas. Simultaneamente, Bolsonaro converte sua inépcia num processo de apatifamento da Presidência. Deu para chamar rival de patife.

Quando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, arrastou o bolsonarismo para dentro de um inquérito sobre notícias falsas, Bolsonaro abespinhou-se: "Acabou, porra!" 

Era engano. Estava apenas começando. Ou, por outra, tratava-se de uma continuidade. Bolsonaro continuava sendo Bolsonaro. 

Quem tem muitos calos não deveria meter-se em apertos. Mas o capitão não sabe desfazer as crises que faz. Tornou-se um estorvo para a aquisição de vacinas, retardando as compras. Há mais braços por imunizar do que doses disponíveis. 

Em consequência, o vírus se desdobra em novas estirpes. E os infectados puxam para o alto a curva dos mortos. 
Tropeçando em cadáveres, governadores e prefeitos arrostam o desgaste de decretar medidas restritivas que estão sempre muitos passos atrás da taxa de contágio. Retardam o
lockdown

Bolsonaro não inventou a crise sanitária. Mas mostrou aos brasileiros que pior do que uma crise, só duas crises. Em vez de administrar a gripezinha que estava no finalzinho, preferiu tratar a segunda onda como conversinha. Deu no que está dando. 

Com a popularidade em queda, o capitão dedica-se em tempo integral a colocar a culpa nos outros. "Dá para admitir no Brasil essa política de lockdwon feche tudo? Toque de recolher?", indagou neste sábado (10). 

Para Bolsonaro, "tudo tem um limite", exceto o cinismo. "Eu e todo o meu governo estamos ao lado do povo. Todos os 23 ministérios estão ao lado do povo. Não abusem da paciência do povo brasileiro." 

Bolsonaro elevou o tom da crítica ao governador de São Paulo. A exemplo do presidente, João Doria politiza a pandemia. 

A diferença é que o governador frequenta a conjuntura como provedor das vacinas do Instituto Butantan. Oito em cada dez brasileiros vacinados receberam doses de CoronaVac —"a vacina chinesa do Doria", que a União não compraria. 

"Parece que esses caras querem —como esse patife de São Paulo quer— quebrar o estado, quebrar o Brasil para depois apontar um responsável. É coisa de patife, que é esse cara que está em São Paulo e que usou o meu nome para se eleger." 

Alguma coisa voltou a subir à cabeça do capitão. Nada que se pareça com sensatez. Na antevéspera, Bolsonaro havia acusado o ministro Luís Roberto Barroso de fazer politicalha ao determinar ao Senado que instale a CPI da Covid. 

Aos poucos, a usina de crises do Planalto vai alcançando a autossuficiência. Bolsonaro fornece matéria-prima para a CPI, ele mesmo desarticula o governismo no Senado, ele mesmo força o Supremo a apressar a conversão da liminar de Barroso em veredicto formal da Corte. 

Apatifar é um verbo pouco usado. Significa tornar-se um patife, virar um canalha, aviltar-se. Somando-se à incúria presidencial o linguajar chulo de Bolsonaro, o resultado é a conversão da Presidência numa patifaria. 

Quem não consegue presidir a própria língua não pode presidir o país. (por Josias de Souza)

quinta-feira, 11 de março de 2021

A SOCIOPATIA A SERVIÇO DO GENOCÍDIO – 4

(continuação
Quando saiu a pesquisa sobre a eficácia de 50% da vacina Coronavac, em 13 de janeiro de 2021, ele não perdeu tempo em desclassificá-la: 
"Essa de 50% é uma boa. O que eu apanhei por conta disso... Agora estão vendo a verdade. Estou há quatro meses apanhando por conta da vacina. Entre eu e a vacina tem a Anvisa. Eu não sou responsável. Não estou a fim de agradar quem quer que seja"
Ora, a vacina imunizava 50,38% completamente, mas tinha eficácia de 78% no combate ao agravamento do danos causados pelas infecções, o que salvaria muitas vidas dos vacinados. Entretanto, travando disputas políticas com mentalidade mais apropriada para grêmios estudantis do 1ºgrau, ele relegou sempre a vacinação a plano secundário. Esta reiterada postura não caracteriza  uma irresponsabilidade imprudente e inconsequente, mas sim uma premeditação criminosa.

Ainda em janeiro, e querendo defender as suas compras mirabolantes de cloroquina, voltou a fazer proselitismo de tal medicamento como tratamento precoce eficaz que a ciência mundial sempre negou ser, com efeitos colaterais nocivos à saúde de quem  foi a ele induzido.  

Em 18 de janeiro de 2021 continuava defendendo o indefensável:
"Não desisto do tratamento precoce; não desisto. A vacina é para quem não pegou ainda. Essa, acima de 50% de eficácia; ou seja, se jogar uma moedinha pra cima, é 50% de eficácia"
Após todas as posturas anticientíficas e impudentes, com a demissão de dois ministros da Saúde que eram médicos e, como tais, se recusaram a obedecer às  suas ordens insanas de leigo metido a besta, eis que nomeou um general obediente, cumpridor de ordens por mais obtusas que fossem, e, com a maior cara-de-pau, passou a afirmar sobre a vacina:
"Está liberada a aplicação no Brasil. É a vacina do Brasil. Não é de nenhum governador, não. É do Brasil!"
Ora, é de se perguntar: qual vacina, cara pálida, se estamos no fim da fila dos países que as tentam desesperadamente adquirir? 

Pior: foi o próprio presidente quem afirmou que, como somos um país populoso, detentor de um grande mercado consumidor, eram os laboratórios que deveriam vir tentar nos vender as suas vacinas? O posto Ipiranga deve ter esquecido de explicar-lhe  a como funciona a lei da oferta e da procura... 

Quanta primariedade diante de uma tragédia sanitária mundial! Quanta prepotência, a desse obtuso pequeno-burguês, serviçal dos grandes burgueses! Quanta insensibilidade com relação à vida humana! Quanta burrice de um neófito e energúmeno que jamais dirigiu sequer uma birosca antes de se meter a administrar o Brasil!  

Para fechar o caixa, e diante da avassaladora tragédia que ora se abate sobre o povo brasileiro, com recordes diários de mortes e infecções, o presidente tripudia sobre o sentimento de perda dos familiares (muitos deles seus eleitores arrependidos) com este desabafo grotesco: 
"Chega de frescura e de mimimi. Vão ficar chorando até quando?"
Diante da ausência de vacinas e da cobrança sobre tal necessidade, irritado e voltando às suas já tradicionais descomposturas próprias à diplomacia de um Ernesto Araújo e de um ex-pretenso-futuro embaixador do Brasil nos EUA, o seu filho zero à esquerda, cravou a mais nova agressão ao povo brasileiro: 
"Um idiota que a gente vê nas redes sociais e na imprensa dizendo: vai comprar vacina. Só se for na casa da sua mãe. Não tem vacina para venda no mundo".
E, contradizendo sua posição anterior (como acontece com tudo que ele fala intempestivamente), eis que agora ele bota a fantasia de cordeiro sobre o seu corpo de lobo e tenta remediar a situação:
"Onde tiver vacina para comprar, nós vamos comprar".
Após analisar o comportamento idiossincrático do Boçalnaro, comecei a admitir que não se tratava apenas de um oportunista primário a debater-se na debacle capitalista (que abala todos os governos empenhados em administrar o Estado que serve de suporte estruturante e indutor do capital e das instituições estatais que mantêm a sociedade anestesiada e impotente ao combate do jugo opressor do qual é vítima), mas também do detentor de uma patologia psíquica. 

Mesmo sem ser profissional da psicanálise, informei-me sore o significado das patologias mentais congênitas ou adquiridas por formação social humana, chegando à conclusão de que o nosso presidente não passa de um sociopata, ou seja, um indivíduo que:
— age como se nada fosse de sua incumbência, e isto no pior momento possível, quando atravessamos a crise sanitária mais grave desde o pós-guerra; 
— afronta a ciência médica com bravatas descabidas que ele próprio contradiz imediatamente após serem proferidas; 
— muda a toda hora a pretensa linha programática do seu governo, ora desejando uma autogolpe absolutista, ora se metamorfoseando no mais antigo conciliador e negociador de cargos com o que há de mais fisiológico na política brasileira, num comportamento próprio de quem só quer o poder a qualquer custo; 
— nada diz a respeito da afronta aos brasileiros na qual se constituiu, num momento de paralisia e marcha à ré da economia, a compra de uma mansão de R$ 6 milhões por parte de um filho que, antes de 2019, comandava um mísero esquema de rachadinhas (algo como assaltar a caixa de esmolas de uma igreja...):
— quer armar o povo brasileiro para uma guerra civil com a qual sonha acordado, acreditando que seu governo seja péssimo por causa dos contrapesos da democracia e não como consequência de sua incompetência e mediocridade;
— condecora os assassinos das milícias do RJ e esconde assessores envolvidos numa infinidade de mutretas;
— ameaça governadores que, impondo o isolamento social, tentam evitar que continuemos sendo um criadouro de variantes do vírus que vitima o povo brasileiro, estarrecendo o mundo civilizado.

Seria infindável a enumeração dos exemplos de gerenciamento catastrófico da pandemia por parte do Poder Executivo. E, quando me lembro que ainda resta mais de um ano e nove meses para o término do seu mandato, vem-me à mente uma certeza: precisamos destituí-lo o quanto antes do cargo, pelas vias institucionais previstas. 

Motivos existem aos montes. Provas, idem Será que, por falta de vontade política, não reagiremos até estarmos soterrados bem lá no fundo do poço??? 
(por Dalton Rosado) 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

SOB AS ORDENS DO CAPITÃO CLOROQUINA E GENERAL PESADELO, VIVEMOS NUM PAÍS DE SERIAL-KILLERS FARDADOS OU DE JALECO

ricardo kotscho
CHARLATÕES DA CLOROQUINA BOLSONARISTA PROVOCAM DOENÇAS E ATÉ MORTE
Charlatões sempre aparecem em tempos de pandemia para oferecer remédios milagrosos a populações com pavor de pegar a doença, como aconteceu quase um século atrás, em 1918, na chamada gripe espanhola, que não surgiu na Espanha, e matou cerca de 50 milhões de pessoas em todo o mundo. 

Remédios como a Grippina não chegam a ser uma novidade, seguem a lei da oferta e da procura. Mudam apenas os nomes. Sempre haverá charlatões espertos para vender e inocentes para comprar. 

Também naquele início de século 20, já havia campanhas contra a vacinação em massa, que geraram revoltas, mortos e feridos, como no Brasil em 1904, quando o grande sanitarista Oswaldo Cruz foi combatido pelos militares negacionistas da época, que queriam até dar um golpe de estado para derrubar o governo de Rodrigues Alves. Foi a primeira Revolta da Vacina

Mas deve ser a primeira vez na história mundial que a oferta de crendices e a renúncia à ciência partem do próprio governo federal de um país, que distribui nos postos de saúde um kit-covid com cloroquina, ivermectina, azitromicina e outras panaceias, em vez de providenciar vacinas, balões de oxigênio e leitos para as UTIs. 

Só esta semana, ameaçado por processos no STF, o general da Saúde, Eduardo Pazuello, tirou do ar do site do ministério a recomendação para o
tratamento precoce com cloroquina, no mesmo dia em que foram denunciados pelos jornais os perigos causados pelo uso desses remédios fajutos e perigosos. 

Reportagem de Everton Lope e Philippe Watanabe, na Folha de S. Paulo deste domingo, 24,  com o título Médicos relatam efeitos graves da "terapia precoce" para covid-19, mostra que o coquetel explosivo oferecido pelo governo pode não só provocar graves doenças, como até matar. 

Foi o que aconteceu com o policial Edson José da Rocha, de 51 anos, conforme o relato da sua irmã, Ivone Meneguella, médica intensivista de Campinas, SP. 

Segundo a reportagem, a médica notou que "o aparecimento de uma arritmia cardíaca e a piora do quadro clínico ficaram claros após o terceiro comprimido de cloroquina que o irmão tomou". 

Quem vai pagar por esse crime? O médico que receitou o remédio ou o ministro da Saúde, que assinou o protocolo recomendando o uso de cloroquina no
tratamento precoce? Quantos outros morreram pelo mesmo motivo? 

Este foi o primeiro ato de Pazuello ao assumir o ministério da Saúde, como interino, sem saber o que era o SUS, no lugar do médico Nelson Teich, que caiu exatamente por se negar a adotar a cloroquina como queria o presidente Jair Bolsonaro, a exemplo do que já tinha acontecido com o antecessor, o médico Luiz Mandetta. A cloroquina poderosa já tinha derrubado dois ministros médicos. 

Dr. Bolsonaro queria porque queria receitar a cloroquina, até para as avestruzes do Alvorada, ao mesmo tempo em que era contra as vacinas, mesmo contra todas as evidências científicas. Por que será? 

Ainda nesta semana, ao colocar em dúvida mais uma vez a eficácia da vacina Coronavac, por ter sido criada na China e trazida ao Brasil pelo governador João Doria, Bolsonaro voltou a recomendar aos seus devotos no cercadinho do Alvorada o remédio que pode causar cegueira, lesão na retina, perda auditiva, insuficiência cardíaca, arritmias e distúrbios neurológicos. .

"
A covid-19 pode gerar alteração cardíaca, e as pessoas ainda tomam um remédio que, além de não funcionar contra a doença, pode causar arritmia. Se tivermos o uso em larga escala de cloroquina, vamos ver dezenas de pessoas com arritmias graves"
, alertou o cardiologista Bruno Caramelli, em entrevista aos repórteres da Folha de S. Paulo

Neste domingo, o general Pazuello voltou ao local do crime, ao levar vacinas para Manaus, onde na semana passada, em lugar de providenciar as quantidades necessárias de oxigênio para os hospitais, depois de ser informado sobre a gravidade da situação, deu ordens à secretaria municipal de Saúde para adotar o tratamento precoce em seus pacientes. 

Desta vez, não marcou dia para voltar a Brasília, e resolveu ficar no Amazonas até resolver os dramáticos problemas de saúde pública no Estado, onde o número de óbitos explodiu e os hospitais entraram em colapso com um governador bolsonarista. 

"
Em mais de 20 anos de profissão, nunca vi incentivo oficial do governo para consumo de remédios dessa forma. Na história da saúde pública brasileira, sempre houve a preocupação de desestimular a automedicação"
, diz o presidente do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo, Marcos Machado. 
.
É pior ainda: não se trata só de automedicação. O kit-covid foi alegremente receitado por dezenas, talvez centenas de médicos bolsonaristas, que defendem a cloroquina produzida em escala industrial pelo Exército, por ordem de Bolsonaro, com o reforço de milhões de doses descartadas e enviadas para cá pelo amigo Donald Trump. 

Até hoje, o Conselho Federal de Medicina e os conselhos regionais não proibiram esses remédios, que podem até matar, e nenhum médico, ao que eu saiba, foi punido pelo uso do kit-covid 

Vivemos num país de serial-killers fardados ou de jaleco, mas o Supremo Tribunal Federal e a Câmara dos Deputados ainda não encontraram motivos para abrir um processo por crime de responsabilidade contra aqueles que colocam em risco permanente a vida dos brasileiros. 

A gripe espanhola de 1918 foi erradicada com o uso de vacinas, não com a 
Grippina, o remédio preventivo e curativo criado pelo dr. Alberto Seabra. 

Quanto mais o mundo anda para a frente, mais o Brasil fica parado no mesmo lugar, ou voltando para trás, ainda acreditando em fórmulas milagrosas, mitos e salvadores da pátria, apesar dos mais de 215 mil mortos pela pandemia. 

Capitão Cloroquina e general Pesadelo continuam no comando. Até quando? 

Vida que segue. (por Ricardo Kotscho)

sábado, 9 de janeiro de 2021

ALÉM DE COLÉRICO, IGNORANTE E INEPTO, O BOZO É AZARADO: A VACINA DO DORIA FUNCIONA MELHOR QUE A DELE!

hélio schwartsman
CAPRICHOS VACINAIS
N
uma cerimônia mais voltada a produzir fatos políticos do que a divulgar informações científicas, o governo de São Paulo finalmente anunciou que a Coronavac apresentou, no Brasil, uma eficácia de 78% na prevenção de doença sintomática. 

É um bom resultado; um pouco melhor do que o do imunizante da Universidade de Oxford com a AstraZeneca —aposta do governo federal—, cuja eficácia foi estimada em 70%.

Politicamente, o governador de São Paulo, João Doria, se saiu melhor do que Jair Bolsonaro, já que o presidente, que jurara que jamais adquiriria a vacina chinesa do Doria, teve de engolir a pirraça a seco e mandar comprar os imunizantes do rival paulista. 

Sorte de Doria, azar de Bolsonaro, já que, quando firmaram suas parcerias, era impossível saber qual vacina funcionaria melhor.

Numa perspectiva imediatista, o Brasil também teve sorte. Para um país que fez apostas tão limitadas (basicamente duas), ambas terem apresentado resultados bem razoáveis é boa notícia.

Num plano mais existencial, porém, o Brasil teve o pior azar imaginável. A pandemia chegou quando o país era governado pelo presidente mais despreparado de todos os tempos. 

Se atravessar a crise sanitária já teria sido difícil com um estadista no comando, com Bolsonaro tornou-se um pesadelo. O tratamento que ele deu às vacinas é a maior prova disso. 

Um governante não precisa entender nada de medicina para fazer uma gestão decente na saúde. Basta saber que o grosso dos ganhos em expectativa de vida que a humanidade experimentou nos últimos dois séculos podem ser atribuídos a duas coisas: 
  1. saneamento básico
  2. vacinação em massa 
São as duas vacas sagradas das quais nenhum gestor pode descuidar. O Brasil era muito fraco na primeira e bom na segunda. 

Com Bolsonaro, continuamos ruins na primeira, mas ficamos péssimos na segunda, com o próprio presidente trabalhando para minar a confiança na vacinação. (por Hélio Schwartsman) 

domingo, 27 de dezembro de 2020

LAMBANÇAS DO JOÃO DORIA FAZEM SUA VACINA FICAR PARECENDO ESCÓRIA

vinícius torres freire
NA GUERRA DA VACINA,
 DORIA INJETOU VENENO DE
 DESCRÉDITO NA TESTA 
Ao fim da guerra da vacina, João Doria poderia parecer um líder mais nacional e um contraponto da razão a Jair Bolsonaro. O governador paulista decerto fez o bom serviço de cutucar a inoperância federal. 

Mas, depois dos vexames recentes, Doria pode parecer apenas um destrambelhado provinciano. Pior, lançou desconfiança sobre a própria vacina que comprou, grave em termos sanitários e econômicos.

Por duas vezes, o governo de São Paulo adiou a publicação da eficácia da Coronavac. Na 4ª feira (23), o país foi induzido a esperar boas notícias. Em vez disso, ouviu uma conversa palerma de que os dados precisariam ser antes mastigados pela Sinovac, por uma obrigação contratual, e de que a eficácia da vacina era diferente daquela verificada em outros países, no limite de apenas 50%.

Descobriu-se que Doria estava em Miami, o que pareceu fuga do fiasco. Para piorar, soube-se na sexta (25) que a Turquia não teria obrigação contratual, pois divulgou, de modo mambembe, que a Coronavac seria eficaz em 91,25% dos casos.

O governo Doria suscitou desconfiança sobre os números que virão sobre a vacina, já objeto de propaganda negativa criminosa de Bolsonaro.

Quanto menos confiança, menos gente tende a aderir ao programa de vacinação. Quanto menos vacinados, menor a possibilidade de a vacina evitar mortes, aliviar hospitais e atenuar as restrições obrigatórias ou autoimpostas de contato social, o que tem óbvio impacto econômico também.

Mesmo com uma vacina eficaz em 85% dos casos, a campanha contra a Covid teria de atingir adesão do nível de vacinações contra a gripe (uns 95%) para propiciar um alívio notável apenas a partir lá de maio. A vida, porém, ainda teria restrições sérias, em especial para negócios e empregos que dependem de aglomerações e circulação livre pelas cidades.

Na reunião dos governadores com o capacho do ministério da Saúde, dia 8, Doria já trocara as mãos pelos pés. Em vez de vencedor generoso e agregador, pareceu um mauricinho metido e exibido, como disse a este jornalista um governador ainda simpático ao colega paulista. Depois, houve duas negaças dos resultados da vacina. Doria blefava, com confiança temerária?

No mundo político, ficou a impressão de que Doria não sabia bem o que estava fazendo, o que sublinhou sua imagem de pouco confiável, um tipo obstinado que faz qualquer negócio, de atropelar aliados a apoiar Bolsonaro num dia para sair de fininho pouco depois.

O governo paulista poderia simplesmente apresentar a situação tal como ela é, dando publicidade e explicações racionais para a atos e processos, o que seria um contraponto confiável ao desvario bolsonarista. Tem gente para fazê-lo. Doria nomeia muitos bons quadros para seus governos.

Não se trata de ser transparente. Apenas na fantasia juvenil ou anarquista um governo pode ser um BBB ao vivo. É política, administrativa e tecnicamente inviável. Mas, claro, em qualquer tempo e lugar, gente com poder sonega informação do público, o que é autoritário.

A fim de recuperar terreno, Doria terá de abafar seu caráter espetaculoso, parar com segredinhos, com vazamentos de notinhas publicitárias e mostrar que pode ser alternativa de racionalidade mínima à pura monstruosidade bolsonarista. Já tem um passivo grande, até pelo
Bolsodoria de 2018, relembrado nestes dias de vexame.

Terá de contar com sorte também, que a vacina seja eficaz em nível relevante, uns 75% ao menos, e fazer a mais bem-sucedida campanha de vacinação da história.​ (por Vinicius Torres Freire) 
TOQUE DO EDITOR – A imagem do meio se refere ao Movimento Cansei, articulado pelo João Doria em 2007, na vã esperança de que reeditasse a Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade de 1964, deslanchando a acumulação de forças para a derrubada do então presidente Lula. Apesar da propaganda maciça, foi um fracasso total, conforme se pode constatar no balanço que publiquei então. (por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

QUEM SE VACINAR VAI CONTRIBUIR PARA ATINGIRMOS A IMUNIZAÇÃO DE REBANHO, MAS AINDA PODERÁ CONTRAIR A COVID.

N
este Natal, fiquei perto da TV e longe do computador, pois estava  passando o dia com a minha filha mais velha. 

E assim assisti à explicação sobre o que significava a perspectiva de que a vacina chinesa Coronavac não vá atingir um percentual de eficácia na casa de 90%, mas poderá ser utilizada desde que ultrapassasse o patamar de 50%.

Segundo o epidemiologista Paulo Lotufo, professor da Faculdade de Medicina da USP, uma vacina com eficácia de 90% permitiria que a imunidade de rebanho fosse atingida vacinando-se uns 70% da população brasileira.

Mas, a Coronavac ficou abaixo disso. Quão abaixo? O secretário da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, não sabe! "Ela foi eficaz, está acima de 50%, mas não sabemos se 60%, 70%, 80%. Essa informação está sigilosa e guardada a sete chaves" (em obediência a cláusula contratual do acordo com os chineses).

Como os testes não deram o resultado (ótimo) esperado, Gorinchteyn teve de entrar em detalhes para tentar desfazer a impressão de fiasco. E não se saiu exatamente bem, pois, pressionado, revelou o que preferiria ter omitido.
Trocando em miúdos, o objetivo principal da vacinação não é garantir a incolumidade do vacinado, mas sim propiciar a imunização de rebanho (quando o contágio do coronavírus vai se reduzindo até tornar-se residual).

Então, se a vacina tiver eficácia de 51%, p. ex., será necessário vacinar 90% dos brasileiros para obter-se a imunidade de rebanho. 

A minha preocupação, contudo, é que o povo só irá (e vale ressalvar: talvez) em tal proporção aos postos de vacinação se acreditar que as duas doses da vacina o colocarão 100% a salvo da covid.

O que acontecerá se ele tomar conhecimento de que, mesmo vacinando-se, ainda terá 49%, ou 40%, ou 30% ou 20% de chances de contrair a doença? Vai vacinar-se na proporção necessária?

Ou seja, o  amplo conhecimento da verdade vai dificultar ainda mais a luta contra a pandemia. É, contudo, simplesmente inimaginável conduzirmos o povo como boiada para os postos de vacinação, iludido por uma enganosa narrativa conveniente.

Quando superar o desgosto por suas férias em Miami terem sido abreviadas pelo chamado do dever, o governador João Doria se verá, ainda, com este abacaxi para descascar. 

Bem feito, por ter adiado o endurecimento das restrições sanitárias para depois das eleições municipais, colocando a politicalha sórdida à frente da vida ou morte dos governados!

E, tão obcecado pela eleição de 2022 quanto o genocida do Planalto, Doria continua fazendo questão cerrada de iniciar a vacinação paulista no dia 25 de janeiro... para, obviamente, coincidir com o aniversário da cidade de São Paulo. 

Há quem diga que o Doria não passa de um Bolsonaro que usa os talheres, ao invés de enfiar os dedos no prato para pegar a comida. Concordo. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

O QUE É O PRESIDENTE DE UM PAÍS DE MARICAS, SE NÃO O ESCOLHIDO PELOS MARICAS COMO SEU REPRESENTANTE?

BOLSONARO, A DERROTA
Falas infames minam credibilidade da Anvisa
e semeiam desconfiança na vacinação
Quase ao mesmo tempo em que a multinacional Pfizer anunciava a eficácia de mais de 90% de seu imunizante, o presidente Jair Bolsonaro e seus apaniguados exibiam ao mundo mais uma lição de irresponsabilidade vacinal, ao politizar uma questão que deveria ser exclusivamente técnica.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária mandou interromper o ensaio clínico de fase 3 da Coronavac, a vacina de origem chinesa em teste no país que, se aprovada, será produzida em São Paulo pelo Instituto Butantan, como parte de um acordo costurado pelo governador João Doria. A medida atende a um protocolo.

Suspensões de ensaios ocorrem com alguma frequência e visam assegurar a qualidade do produto final e a ética no processo de testagem. A interrupção pode se justificar, entre outros motivos, por eventos adversos graves inesperados —como foi o caso aqui, com a morte de um voluntário.

Se claramente não estiver relacionado à vacina, um evento do tipo não precisa levar à suspensão dos testes —e, como se noticiou depois, considera-se que houve provavelmente suicídio ou overdose.

A Anvisa alega que recebeu informações incompletas do Butantan e que não tinha outra alternativa além de suspender a testagem; já o instituto diz que seguiu os protocolos. Em qualquer hipótese, urge que se retome o trabalho assim que a questão seja esclarecida.
Poderíamos estar diante de um mal-entendido ou um debate sobre procedimentos, não fosse a desfaçatez de Bolsonaro. O presidente foi às redes sociais celebrar o evento —originado por uma tragédia pessoal— e proclamar que vencera
mais uma. Em seu placar mental alucinado, teria imposto um revés à vacina chinesa do Doria.

Trata-se de mais que parvoíce e insensibilidade. O ato do chefe de Estado é de extrema gravidade por comprometer a credibilidade de uma agência reguladora, à qual cabe tomar decisões vitais com independência em relação ao governo de turno, e por semear a desconfiança na imunização.

Neste último aspecto, pesquisas realizadas pelo Datafolha em São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Recife já detectaram sinais preocupantes de que diminuiu a disposição da população a vacinar-se, além de ressalvas, sem nenhuma base científica, à vacina chinesa.

Ainda nesta 3ª feira (10), Bolsonaro encontrou tempo para fazer bravatas a respeito do enfrentamento da Covid-19 e pregar que o Brasil
tem que deixar de ser um país de maricas

São todas suas, entretanto, a covardia, a omissão e a mesquinharia que sabotaram os esforços do país durante a maior crise sanitária global em um século. (editorial da Folha de S. Paulo de 11/11/2020)

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

A VIDA OU MORTE DOS BRASILEIROS É DECIDIDA POR CHILIQUES DE VALENTÃO PROVINCIANO OU SÍNDICO MANÍACO

vinícius torres freire
NÃO SE ESQUEÇA DE TOMAR SEU ANTIBIÓTICO DA CHINA
D
a longa lista de produtos que importa da China, plataforma de petróleo é aquele em que o Brasil gasta mais. 

Depois, vêm telefones celulares. E em 2019 gastamos também US$ 70 milhões em edredons, almofadas, pufes e travesseiros chineses.

Qual o maior fornecedor estrangeiro de antibióticos para o Brasil? A China, que aliás aparece em terceiro lugar nas vendas de produtos de beleza, por exemplo.

Não dá problema, por ora, já que basicamente quase ninguém sabe alguma coisa de comércio internacional, porque um governador desafeto de Jair Bolsonaro não disse que vai importar antibióticos ou pufes e porque a milícia digital bolsonarista não se ocupou do assunto.

Até o ano passado, o Brasil comprava pouca vacina e produtos imunológicos prontos da China. As importações maiores tradicionalmente vinham de Alemanha, Suíça, Estados Unidos e Bélgica, com Irlanda, Itália, Reino Unido e França logo atrás. Neste ano, a China começou a aparecer entre os quatro maiores.

Mas nada disso importa no nosso ambiente de selvageria lunática. Além do mais, o Brasil fabrica o grosso de suas vacinas, por vezes com matérias primas importadas de vários países, como, aliás, é o caso de tantas outras mercadorias. Até de um simples lápis de grafite.

Bolsonaro sabia o que Eduardo Pazuello andava fazendo com a
vacina chinesa. Mas a reação dos milicianos digitais, os discursos vitoriosos de João Doria e a baixa vaidade presidencial, de valentão provinciano ou síndico maníaco, provocaram o chilique (eu é que mando!). 

O general-chefe do almoxarifado da Saúde é menos que um ajudante de ordens do capitão, é um ordenança.

Já vimos esse show ruim antes, essa stand up tragedy. Os problemas maiores e também já muito sabidos são outros: um desastre diplomático, perigoso para a segurança e economia nacionais, e alguma demagogia destrutiva em geral, como uma decisão econômica tresloucada.

Bolsonaro tem mostrado bom instinto de autopreservação. Tem conseguido jogar para sua plateia desvairada e, pelo menos, não tem tomado decisões que afastem de modo terminal os donos do dinheiro grosso ou a média do eleitorado, até agora. Na prática, a destruição das instituições é homeopática, por enquanto, para o que a maioria não dá a mínima. 

Quanto tentou um veneno em dose cavalar, com os comícios golpistas, foi travado pelo risco de que sua capivara tivesse consequências imediatas. A ficha corrida de parentes e amigos por enquanto contém o projeto de golpe.

Mas não temos como saber se assim será e se, depois de um envenenamento contínuo, o país, sua democracia e as instituições chegarão a uma desgraça irreversível.

Não sabemos até onde pode ir o conflito com a China, por enquanto mais voçoroca de redes insociáveis e propaganda do que embate concreto. 

Não sabemos o que Bolsonaro pode aprontar com os vizinhos. Que tal um tiroteio na fronteira, perto de uma eleição?

A China é paciente e pragmática. Quatro ou oito anos de um governo adversário de país fornecedor de matérias primas podem ser suportáveis. 

Por ora, de resto, Brasil e China dependem um do outro, embora um dia os chineses possam dar um basta e começar a, sei lá, a financiar plantações de soja em alguma savana da África.

O alerta, que já deveria estar ligado faz muito tempo, desde 2018, é que Bolsonaro não tem limite algum. Os bobalhões que louvaram sua adesão às reformas mal começaram a prestar atenção. Daqui a pouco, o capitão pode dar um tiro no teto de gastos que abriga essa gente mercadista. (por Vinicius Torres Freire)

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

ATÉ O GENERAL PAZUELLO TENTA AGILIZAR A VACINAÇÃO DOS BRASILEIROS CONTRA A COVID-19, MAS O BUFÃO GENOCIDA IMPEDE

bruno boghossian
MINISTÉRIO DESMONTA PARTE DO CIRCO POLÍTICO DE BOLSONARO CONTRA VACINA
Nem os auxiliares de Jair Bolsonaro conseguem sustentar por muito tempo o circo político armado diariamente pelo chefe. Em menos de 24 horas, o Ministério da Saúde tentou cortar mais um fio da campanha do presidente contra a vacina chinesa para a Covid-19, produzida em São Paulo.

A pasta anunciou nesta 3ª feira (20) que pagaria R$ 2,6 bilhões para incluir 46 milhões de doses da Coronavac em seu Programa Nacional de Imunizações. Bolsonaro precisou explicar por que gastaria uma fortuna com um produto que, na véspera, ele mesmo tentou desmoralizar.

Na 2ª feira (19), o presidente abriu um evento disposto a atacar a vacina chinesa para acertar o governador João Doria. Em poucos minutos, ele criticou o preço do imunizante, insinuou que sua eficácia não está comprovada e citou um levantamento que indica que 46% dos brasileiros recusam sua aplicação.

Alguém poderia imaginar que o presidente se converteu às escrituras científicas, que passou a acreditar nas pesquisas de opinião ou que finalmente decidiu dar bola para a saúde. 

Mas as autoridades do próprio governo trataram de desmascarar o que já estava evidente.

A negociação com os paulistas para a distribuição da Coronavac mostra a dimensão do absurdo fabricado por Bolsonaro. 

Ao mirar Doria, o presidente disse que o tucano produz terror ao anunciar que o imunizante deve ser compulsório no estado. O ministro da Saúde descartou a obrigação, mas também não ouviu a bobagem do chefe sobre a vacina.

A exploração do caso ficou ainda mais clara na manhã de hoje (21), quando Bolsonaro foi às redes sociais para desautorizar o próprio Ministério. Embora Eduardo Pazuello tenha dito que aquela seria a vacina do Brasil, o presidente afirmou a um seguidor que a Coronavac não será comprada.

Bolsonaro não ficou satisfeito em atrapalhar os esforços para frear a contaminação pelo coronavírus e em desdenhar de seus mortos. Ele ainda procura novas oportunidades para extrair benefícios políticos de cada etapa da pandemia.

O presidente só conseguiu atenção agora porque, do lado oposto, a busca pelos holofotes empurrou Doria nessa direção. Ao antecipar o debate sobre a obrigatoriedade da vacina, de maneira superficial, o governador caiu na armadilha do rival.​ (por Bruno Boghossian)
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