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sábado, 23 de julho de 2022

DEMÉTRIO MAGNOLI: "O CONGRESSO FOI COMPRADO PELO ORÇAMENTO SECRETO"

demétrio magnoli
A EXPRESSÃO PERDIDA
Insistir no impeachment de Bolsonaro seria o
único caminho decente para a democracia
Atônitos, os embaixadores assistiram a um espetáculo singular. Bolsonaro, chefe de Estado, comportou-se como líder de uma seita extremista denunciando perseguições eleitorais conduzidas contra ele por um Estado maléfico.

Na sequência, o evento foi alvo de diversas notas críticas assinadas pelo presidente do Senado e pelos demais candidatos presidenciais. Nenhuma delas cravou a expressão precisa: crime de responsabilidade. Nossa democracia cambaleia.

Debati, em 2018, com o intelectual petista André Singer. O impeachment de Dilma ocorrera menos de dois anos antes e Lula encontrava-se preso. 

Singer sustentou a ideia de que o lulismo esgotava-se numa crise profunda. Discordei, argumentando que o lulismo seguia como alternativa viável de poder. Depois, concordei com a avaliação dele de que repetidos impeachments enfraquecem a democracia.
 
Acertei ao discordar; errei ao concordar. No fundo, o dilema abstrato não faz sentido.  

Impeachment é uma das últimas linhas de defesa da democracia: a faca grosseira que, cortando o abuso de poder presidencial, preserva o império da lei. 

O Congresso nunca avançou rumo ao necessário impeachment de Bolsonaro porque foi comprado pelo orçamento secreto.

O governo Bolsonaro obteve, por via legal, o que o governo Lula não conseguiu pelas vias ilegais do mensalão e do petrolão

Apavorado pelo espectro do impeachment, o atual presidente renunciou à sua prerrogativa de gerir o orçamento, entregando-o como butim aos parlamentares. 

É uma estratégia coerente, no caso de um presidente engajado exclusivamente no sonho insano de subverter o regime democrático.

Lula jamais faria algo semelhante, pois acalentava, além de um projeto de poder, um programa político e econômico. No caso dele, a aquisição de maioria parlamentar por vias corruptas destinava-se, precisamente, a eliminar os contrapesos parlamentares constitucionais à prerrogativa presidencial de gerir o orçamento público.

Quantos crimes de responsabilidade Bolsonaro já cometeu? O criminoso serial atingiu um ápice no seu comício para os embaixadores. Ali, em evento oficial, diante de representantes de dezenas de nações, o presidente atacou a imagem de uma instituição basilar da democracia brasileira. O nome correto disso é traição à pátria

Mas tudo terminou na célebre pizza e nem mesmo a oposição de esquerda ergueu a voz para clamar pelo impeachment. (por Demétrio Magnoli)

domingo, 30 de janeiro de 2022

MENORES, LOUCOS E BOZOS NÃO RESPONDEM POR SEUS CRIMES NO BRASIL

bruno boghossian
BOLSONARO AMPLIA CICLO DE
CRIMES DE SUA AVENTURA GOLPISTA
A Polícia Federal acrescentou mais um crime à ficha de Jair Bolsonaro. 

A delegada Denisse Ribeiro afirma que o presidente participou, em agosto passado, do vazamento de um inquérito sobre a invasão de sistemas do Tribunal Superior Eleitoral. Além dele, foram enquadrados o deputado Filipe Barros e um ajudante de ordens do Planalto.

O episódio desenhou mais uma peça da máquina de infrações montada pelo presidente e seus aliados. Segundo a polícia, Barros usou o posto de relator da PEC do voto impresso para pedir acesso à papelada sobre o ataque feito ao TSE em 2018. Em seguida, Bolsonaro e o deputado divulgaram numa rádio o conteúdo do inquérito sigiloso.

A violação identificada pela PF foi cometida para municiar outra investida criminosa do presidente. Embora aquela invasão ao sistema do TSE não tenha provocado prejuízos à votação ou à contagem de votos, Bolsonaro distorceu o conteúdo dos documentos para reforçar seu ataque às urnas eletrônicas.

O presidente passou meses espalhando mentiras sobre o sistema de votação no país, com o intuito de fabricar desconfiança sobre as eleições de 2022. O objetivo final era abrir caminho para um terceiro crime: desestabilizar o processo de escolha de um novo governo e arranjar uma maneira de permanecer no poder em caso de derrota nas urnas.

Bolsonaro se especializou em desrespeitar a lei para obter ganhos políticos. A PF e o Supremo até provocaram dores de cabeça nos últimos tempos, mas o presidente apostou na boa vontade da Procuradoria-Geral da República, do comando da Câmara e da estrutura de um governo que opera para acobertá-lo.

Com a impunidade garantida, Bolsonaro deu sequência à série e aproveitou para descumprir uma ordem judicial. Na sexta (28), ele faltou ao depoimento que deveria dar à PF para explicar o vazamento do inquérito sobre o ataque hacker ao TSE. O drible pode configurar crime de responsabilidade, mas o presidente sabe que não será incomodado. (por Bruno Boghossian)

domingo, 9 de janeiro de 2022

SE FOSSE UMA GUERRA CONVENCIONAL AO INVÉS DE SANITÁRIA, QUEIROGA E O BOZO SERIAM FUZILADOS: QUINTA-COLUNAS!

bruno boghossian
GOVERNO AGE PARA VACINAR O MENOR
 NÚMERO POSSÍVEL DE CRIANÇAS
A
contragosto, Marcelo Queiroga anunciou a vacinação de crianças contra a covid. 

O ministro, no entanto, disse que ainda não há previsão de doses para todo o público de 5 a 11 anos de idade. Segundo ele, a compra desses imunizantes vai depender da demanda. "Nós não sabemos ainda qual será a taxa de adesão dos pais a essa vacinação", declarou.

Numa campanha peculiar, o governo Bolsonaro trabalha para achatar esse índice e vacinar o menor número possível de crianças. Depois de propor obstáculos como a exigência de receita médica, o presidente e o ministro da Saúde lançaram uma política oficial de comunicação para desestimular a aplicação de doses.

Na 5
ª feira (6), Bolsonaro dedicou um quarto de sua transmissão ao vivo nas redes sociais para alardear riscos da imunização de crianças. As doses pediátricas da Pfizer já foram consideradas seguras pela área técnica do Ministério da Saúde, mas o presidente fez propaganda contra a vacina que o próprio governo vai oferecer nos postos de saúde.

Não foi só uma
posição de internet, como Eduardo Pazuello descreveu as bravatas negacionistas do chefe. Bolsonaro disse ter determinado a Queiroga a divulgação de alertas sobre a vacinação e os possíveis efeitos adversos dos imunizantes, considerados raríssimos. "Vai ser obrigado a falar para os pais que queiram vacinar seus filhos", afirmou.

O ministro gosta de ostentar sua impressão digital na distribuição de milhões de doses de vacina contra a covid, mas endossa as suspeitas difundidas pelo presidente. Na última semana, Queiroga disse que um dos momentos mais difíceis que enfrentou no cargo foi a morte de uma gestante em função de um efeito adverso de vacinas.

[Não havendo comprovação nenhuma de que isto haja realmente ocorrido e tendo o ministro credibilidade zero, a posição deste blog é de que a afirmação acima deve ser desconsiderada].

Em quase dez meses na função, o doutor testemunhou os piores momentos da pandemia no Brasil. No dia em que ele tomou posse, o país registrou mais de 3 mil mortes. Desde então, outras 320 mil pessoas morreram. Neste mês, Queiroga ultrapassa os 303 dias em que Pazuello ocupou a cadeira de ministro. (por Bruno Boghossian)

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

A DOENÇA CHAMADA BOLSONARO NÃO TEM CURA. TRATA-SE DE AVERSÃO AO TRABALHO, OJERIZA À RAZÃO E DESPREZO PELA VIDA.

CRUZADA INSANA
Depois que a Anvisa aprovou o uso do imunizante em crianças de 5 a 11 anos, providência que chamou de "inacreditável", o mandatário disse que a aplicação das injeções requereria receita médica.

Queiroga determinou que a vacinação será objeto de consulta e audiência públicas até 4 de janeiro, com decisão no dia seguinte. A tentativa de sabotagem é óbvia.

Quanto mais atrasar a campanha, mais estudantes voltarão às escolas sem suas doses de proteção. Bolsonaro assume o risco de disseminar a doença entre cerca de 20,5 milhões de crianças, mais suas famílias e próximos.

Técnicos do comitê de imunização da Saúde, médicos e cientistas apoiaram a decisão da Anvisa. Agências similares nos Estados Unidos e na União Europeia aprovaram a providência em outubro e novembro, respectivamente. Os brasileiros são adeptos da imunização; levaram seus adolescentes em massa aos postos de saúde.

Como se não bastasse, Bolsonaro anunciou que pediu, "extraoficialmente", o nome de quem aprovou a vacina para crianças, "para que todo mundo tome conhecimento [de] quem são essas pessoas e obviamente forme seu juízo". Foi como se convocasse suas milícias para uma campanha de difamação.
Mas houve mais, como era fácil prever uma torrente de ameaças de morte contra servidores. 

A Anvisa pediu à Polícia Federal, ao Gabinete de Segurança Institucional e à Procuradoria-Geral que investiguem esses criminosos.

O Brasil e o mundo correm o risco de uma nova onda de Covid-19, causada pela variante ômicron, de potencial nocivo ainda pouco conhecido. 

Recomenda-se prudência e disciplina para abater a epidemia ou conter seus repiques.

A doença Bolsonaro, entretanto, não tem cura. A propaganda da morte continua, agora sob a pose farisaica de defesa do bem-estar das crianças contra efeitos adversos do imunizante. Pior, o mandatário convoca suas falanges para atacar funcionários de Estado que conseguem ainda realizar suas tarefas de modo racional.

Trata-se de aversão ao trabalho, ojeriza à razão e desprezo pela vida. (editorial de 24/12/2021 da Folha de S. Paulo)

quinta-feira, 15 de julho de 2021

AO ADMITIR OFICIALMENTE A INUTILIDADE DO KIT COVID, O GOVERNO GENOCIDA NEM SEQUER PEDE DESCULPAS ÀS VÍTIMAS

josias de souza
FALTOU BUMBO AO RECUO DA SAÚDE  SOBRE USO DA CLOROQUINA NO COMBATE À COVID
Erros podem produzir desastres. A maneira como agimos depois de cometer os erros podem atenuar ou agravar a desgraça. Ainda não inventaram remédio mais eficaz no combate à culpa do que reconhecê-la. 

Finalmente, o Ministério da Saúde produziu uma nota técnica posicionando-se contra o uso de cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina, invermectina e outras poções mágicas em pacientes hospitalizados com Covid. 

O documento foi enviado à CPI da Pandemia. Nele, a pasta da Saúde anota que os remédios incluídos no chamado kit-covid foram testados e não mostraram benefícios clínicos para pacientes infectados pelo coronavírus. 

O governo dá o braço a torcer com um atraso de mais de um ano, três ministros da Saúde e centenas de milhares de mortos por covid. O mundo desembarcou do curandeirismo do tratamento precoce antes da chegada das vacinas. Mas o Brasil, acorrentado às obsessões de Bolsonaro, ainda escolhia uma beirada da Terra plana para saltar. 

Faltou ao recuo do Ministério da Saúde um bumbo que soasse com o mesmo estardalhaço com que Bolsonaro tratou ciência como ficção científica, pois o presidente:
— tornou-se garoto-propaganda das soluções cloroquínicas;
— passou para o brasileiro a falsa impressão de que poderia desafiar o vírus, porque dispunha de tratamento;
— converteu a cloroquina em política de saúde pública; e
— ordenou ao Exército que multiplicasse a produção do remédio em seu laboratório (foram adquiridos insumos com sobrepreço de até 167%, constatou o TCU). 
Para complicar, o governo retardou a compra de vacinas. Deu no que está dando.

Numa pandemia, das várias maneiras para se atingir o desastre, o negacionismo é a mais rápida; a descoordenação, a mais duradoura; e a ideologia, a mais cruel. 

Bolsonaro chegou a fazer piada com o drama alheio: Quem é de direita, toma cloroquina. Quem é de esquerda toma tubaína, disse o presidente numa de suas entrevistas, às gargalhadas. 

Desacompanhada de um pedido de desculpas, a nota técnica do Ministério da Saúde é mais uma evidência de que um dos maiores erros da evolução humana é a desfaçatez não doer. (por Josias de Souza)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

NO DIA MAIS MORTÍFERO DA PANDEMIA ATÉ AGORA, O BOZO PÔS EM DÚVIDA A EFICÁCIA DAS MÁSCARAS E CRITICOU O ISOLAMENTO

leonardo sakamoto
COM 1.582 MORTES POR COVID EM 24 HORAS, BOLSONARO BATE SEU RECORDE E QUER MAIS
O Brasil bateu, nesta 5ª feira  (25), o recorde de mortes registradas num único dia por covid-19: 1.582. 

Isso equivale a quase oito acidentes com aviões da TAM, como aquele de julho de 2007, ou quase seis rompimentos de barragens da Vale, como a de Brumadinho, em janeiro de 2019. O principal responsável por tudo isso, contudo, parece insatisfeito. Pelo jeito, quer mais. 

Prova disso é que, enquanto o país ultrapassava a marca de 250 mil óbitos, na 4ª, Jair Bolsonaro promovia um evento-aglomeração com cerca de 400 pessoas no Palácio do Planalto. Entre elas, dezenas de prefeitos que, se contaminados, voltarão às suas cidades espalhando vírus pelo caminho. 

Já é difícil, depois de um ano de pandemia, garantir que todos nós mantenhamos distância uns dos outros e evitemos festas. Fica uma tarefa ainda mais ingrata com um sabotador da República promovendo aglomerações, como aquelas que ele causou no Carnaval, em praias de Santa Catarina. 

O pior, considerando que o vírus é altamente contagioso e não afeta todos do mesmo jeito, talvez nem sejam os participantes das aglomerações que vão sofrer, mas sim pais, mães, avôs e avós. Ou empregadas domésticas, porteiros, vigias, seguranças, cozinheiras, babás, motoristas. 

Para piorar, o recorde de mortes vem junto com a falta de dinheiro. Com a pandemia na sua pior fase, escassearam oportunidades de serviço. 

Milhões tiveram que ir à luta por falta de opções, lotando ônibus e trens, não pelo desejo suicida de se aglomerarem, mas por necessidade. 
Outros milhões não conseguiram nada e estão passando dificuldade, até porque o governo Bolsonaro não quis renovar o auxílio emergencial no final do ano passado. 

Desses, muitos foram dormir com fome ontem, porque o ministro da Economia Paulo Guedes quis enfiar uma minirreforma econômica como condicionante para aprovar a extensão do auxílio. Tentou aproveitar a corda no pescoço dos paupérrimos para tirar recursos da educação e da saúde, que beneficiam veja só, pobres e paupérrimos. 

À medida que a pandemia avançou, líderes que desprezavam a doença mudaram de estratégia, ao perceberem que o negacionismo de longo prazo poderia levar a um prejuízo, não apenas político pelo grande número de mortos, mas também pelo impacto negativo de uma economia deprimida. 

Como sua natureza beligerante e egoísta o torna incapaz de articular com adversários eleitorais em prol de um objetivo comum, Bolsonaro não preparou o país para a mais importante guerra de sua história. Abraçou o vírus, defendendo que a melhor forma de acabar com a pandemia é deixando que ela vença e infecte rapidamente o povo para criar imunidade. 

Acha que a população vai esquecer os 250 mil quando ele começar a pagar parcelas de R$ 250.

Bolsonaro vem apostando na estratégia da seleção natural, com os mais fortes sobrevivendo – o que, de certa forma, é coerente com quem ele sempre foi. 

Sobre os mortos? Eis o que ele vem dizendo desde o início da pandemia:
— "Alguns vão morrer? Vão, ué, lamento. Essa é a vida" (27 de março); 
— "Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre" (28 de abril);
— "Eu lamento todos os mortos, mas é o destino de todo mundo" (2 de junho); 
— "Não adianta fugir disso, fugir da realidade. Tem que deixar de ser um país de maricas" (10 de novembro.
 
Nesta 5ª, como era de esperar-se, celebrou o recorde de mortes com mais frases. Questionou a eficácia das máscaras, falando de supostos efeitos colaterais das ditas cujas, e criticou o isolamento, dizendo que a população quer voltar a trabalhar, mas governadores e prefeitos não deixam.

Bolsonaro é o arquiteto dessa tragédia, contudo não a construiu sozinho. Há uma parcela da população que, ao final de tudo isso, não poderá dizer que estava apenas seguindo o exemplo do presidente. 
Esse naco tem consciência plena de seu comportamento irresponsável, mas simplesmente deu de ombros por ser mais jovem (e não fazer parte do grupo de risco) ou rico (e ter acesso aos melhores tratamentos). 

A História nos ensina muitas coisas. Uma delas é que ninguém comete um crime contra a humanidade sem apoiadores. 

O bolsonarismo, vale lembrar, vai continuar por aqui muito tempo depois que Bolsonaro se for. (por Leonardo Sakamoto)

sábado, 13 de fevereiro de 2021

NO LUGAR DE IMUNIZAR, FAZEMOS AQUILO QUE REALMENTE QUEREMOS: LINCHAR PESSOAS MALVADAS (imperdível!!!)

demétrio magnoli
A VACINAÇÃO COMO ESPETÁCULO
No Brasil, em média, vacinamos menos de 300 mil por dia. Sem escassez de imunizantes, seríamos capazes de vacinar perto de 2 milhões. Mas, mesmo agora, poderíamos vacinar facilmente 600 mil. A lentidão, que amplifica as mortes, não escandaliza quase ninguém. 

A indignação concentra-se na já lendária figura do fura-fila. É que, de fato, mais que vacinar, queremos colocar todo mundo no seu lugar numa hierarquia de prioridades. Na sociedade do espetáculo, passar julgamento moral vale mais que salvar vidas.

A cidade do Rio reservou um dia inteiro para cada grupo etário de um ano, dos 99 aos 80. Vacinas e enfermeiros despendem horas ociosas, diariamente, à espera do idoso certo. Legal, isso: garante que o idoso de 89 anos não passe na frente do camarada mais velho, de 93, participante de um grupo de maior risco.

São Paulo foi na mesma linha, economizando só um pouco do ridículo: reservou uma semana completa para a faixa dos 90 anos ou mais. Nas unidades de saúde, manhãs inteiras passaram na janela sem a presença de um único vacinável. Bem planejado: assim, evitamos aglomerações.

A fila perfeita é, claro, imperfeita. Profissionais de saúde, nossos heróis, vêm primeiro. Daí que imunizamos psicoterapeutas de 60 anos que trabalham on line antes de gente comum com mais de 80 anos. 

A parcimônia cumpre função não divulgada: vacinando bem devagar, escapamos do vexame de interromper a campanha por esgotamento das doses —e, portanto, o governo federal oculta seu atraso na aquisição de imunizantes. Por essa via, na sociedade do espetáculo, o negacionismo de direita estabelece uma aliança tácita com o humanismo de esquerda.

"Somos um país só!", gritou o Ministério da Saúde na deflagração da campanha da vacina, dizendo nas óbvias entrelinhas que o comando pertence ao governo federal (Bolsonaro), não ao governo paulista (Doria). 

Mas, em um país só, a estratégia de imunização em cenário de escassez priorizaria as regiões mais afetadas, que são também os berços de cepas mutantes do vírus. 

O Amazonas tem cerca de 510 mil habitantes com mais de 50 anos. Já poderíamos ter injetado a primeira dose em todos eles, sem deixar de vacinar os agentes de saúde da linha de frente e parcela dos idosos do país inteiro, se o slogan de Pazuello fosse mais que uma peça de propaganda política.

O governador de Nova York, Andrew Cuomo, não desconhece o efeito narcótico da fotografia da fila perfeita. Lá no começo, determinou a imunização exclusiva dos profissionais de saúde —e decretou multa de US$ 1 milhão para quem vacinasse algum fura-fila. Resultado: uma campanha em ritmo de tartaruga manca, em cenário de abundância de doses.

Cuomo só mudou de ideia quando emergiram imagens de ampolas descartadas por vencimento de prazo, saltando do zero ao infinito para autorizar a vacinação de todos os idosos com mais de 65 anos. Na sociedade do espetáculo, é a foto errada, não a razão, que provoca correções de rumo.

Quantos artigos destinados a envergonhar fura-filas já foram publicados na imprensa? Compare o espaço preenchido por eles com aquele destinado a questionar a eficácia prática de nossos critérios de vacinação. O cotejo oferece uma janela para a paisagem banhada de sol da hipocrisia nacional.

O julgamento moral, fundamento da cultura do cancelamento, está na moda. Apontar o dedo acusador para o fura-fila legal (a psicoterapeuta on line) ou ilegal (o estudante de medicina que nunca entrou num hospital) confere prestígio social, uma almejada recompensa psicológica.

A eficácia da vacinação depende de sua abrangência demográfica, pois todos estaremos imunes se a ampla maioria for imunizada. Mas preferimos esquecer isso para tratar a vacinação como questão individual. 

Por meio desse truque, no lugar de vacinar, fazemos o que realmente queremos: linchar pessoas malvadas. (por Demétrio Magnoli)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

FOLHA DE S. PAULO ACUSA BOLSONARO DE "DETURPAR DE MODO DELIBERADO O ENFRENTAMENTO DA PANDEMIA"

PRIORIDADE PERVERSA
Avolumam-se as evidências de que o governo Jair Bolsonaro deturpou de modo deliberado o enfrentamento da pandemia. Não bastassem seguidas as manifestações minimizando riscos da infecção e a sabotagem da vacinação, o presidente deixou várias digitais na promoção de uma terapia inexistente contra o ataque viral.

Bolsonaro seguiu perversamente Donald Trump ao adotar como prioridade a cloroquina do famigerado tratamento precoce

O republicano abandonou a panaceia antes de seu fiasco eleitoral, mas o imitador sul-americano a manteve, impávido, mesmo com estudo após estudo a negar-lhe eficácia.

Acossados por investigações e questionamentos da Procuradoria-Geral da República e do Tribunal de Contas da União, o presidente e um tragicômico ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, agora se apressam a recontar a história: o governo só teria respeitado a autonomia de médicos.

Não há carência de imagens do mandatário e do general posando com caixinhas do remédio, porém. Tampouco faltam registros oficiais da mobilização de ministérios, Forças Armadas e outros órgãos da máquina federal na prática de charlatanismo, como mostrou reportagem publicada pela Folha.

Cinco pastas se viram convocadas para a operação diversionista: Saúde, Defesa, Economia, Relações Exteriores e Ciência e Tecnologia.
Os jornalões são unânimes no repúdio ao genocídio
Quase 6 milhões de comprimidos da droga inócua foram enviados ao Nordeste e ao Norte, seguidos de admoestações a autoridades amazonenses por não os usarem no trágico surto em Manaus, onde o que faltava era oxigênio.

O Exército se pôs a fabricar 3,2 milhões de drágeas, e a Aeronáutica, a transportá-las, a pedido da Defesa; isenções de impostos foram baixadas pela Economia; a Saúde lançou guias e aplicativos prescrevendo a cloroquina; o Itamaraty obteve 2 milhões de doses dos EUA; o Ministério da Ciência e Tecnologia patrocinou estudos.

Todo esse empenho governamental para viabilizar a ficção ignorante de Bolsonaro contrasta com o desvio da obrigação de financiar, propagar e coordenar prioridades efetivas como distanciamento social, testagem em massa, rastreamento de contaminados, aquisição de vacinas e vigilância genômica (com sequenciamento dos vírus em circulação).

Em vez disso temos vacinação atrasada, aglomerações em alta, milhões de testes a perder a validade, rastreamento pífio e falta de insumos para geneticistas monitorarem as variedades do vírus.

É desastre que não se explica somente por incompetência, mesmo uma de dimensões incomuns. (editorial desta 3ª feira, 9, da Folha de S. Paulo)
.
TOQUE DO EDITOR – Os crimes de responsabilidade brotam como cogumelos, mas nossas medíocres e pusilânimes autoridades continuam se omitindo do dever de impicharem, afastarem e prenderem o genocida.  

Trata-se de um serial killer que rivaliza com Adolf Hitler, Josef Stalin, Átila, Gengis Khan e outros que tais.

Em termos brasileiros, o palhaço assassino é o melhor argumento possível e imaginável para os que defendem a introdução da pena de morte (a qual, claro, só se aplicaria aos Bolsonaros futuros, pois não se pode implantá-la com efeito retroativo).

Até quando os cadáveres continuarão se empilhando por causa da acefalia presidencial e da tibieza do Legislativo e do Judiciário?! (por Celso Lungaretti)

domingo, 31 de janeiro de 2021

DRAUZIO VARELLA ACUSA: "BOLSONARO É O GRANDE RESPONSÁVEL PELA DISSEMINAÇÃO DA EPIDEMIA NO BRASIL"

O médico...
A explicação é que não há como explicar.

A formação em ciência exige humildade para analisar opiniões e ideias opostas às nossas, o contraditório é parte intrínseca do pensamento científico. Não fosse assim, até hoje acharíamos que a Terra é plana e que o Sol foi criado para girar em torno dela.

Em janeiro do ano passado, quando o novo coronavírus atormentava apenas os chineses, tive a impressão de que os casos de maior gravidade ficariam restritos aos mais velhos. Para boa parte dos especialistas a doença teria mortalidade semelhante à das gripes.

Hoje, eu me penitencio por ter feito essa avaliação apressada. Lembrar que ela foi influenciada por uma palestra do doutor Anthony Fauci, uma das maiores autoridades em moléstias infecciosas dos Estados Unidos, não me consola.

Foi em fevereiro, quando a doença semeou o terror nas UTIs da Itália, que o mundo entendeu a gravidade da ameaça. Imediatamente, os países adotaram medidas rígidas para reduzir a movimentação nas cidades e insistiram na necessidade do uso de máscaras protetoras.

No Brasil, o presidente da República contraindicou com veemência essas recomendações. O argumento foi o de que elas destruiriam a economia e matariam de fome um número maior de brasileiros, do que a doença seria capaz de fazê-lo.
...e o monstro.

Achei que ele estava errado. Primeiro, porque não havia dados para estimar o impacto de uma improvável epidemia de fome na mortalidade da população; depois, porque a história das epidemias nos mostra serem elas as responsáveis pelas repercussões negativas na economia, não o isolamento social. 

Enquanto circula um agente infeccioso potencialmente letal, é impossível convencer as pessoas a gastar dinheiro para estimular o crescimento econômico.

Considerei, no entanto, a possibilidade de que o empenho presidencial na defesa de estratégias para manter os empregos pudesse ter alguma lógica, hipótese abandonada quando o vi pela primeira vez sem máscara promovendo aglomerações, para delírio de apoiadores fanáticos. 

Se estivesse interessado em proteger a economia, de fato, qual o sentido de incentivar a adoção de comportamentos que disseminam o vírus? Por que razão não diria aos brasileiros: saiam de casa para trabalhar, mas usem máscara e evitem aglomerações?

Para enfrentar o medo de contrair o vírus repetiu à exaustão que não deveríamos acreditar nas
conversinhas dos jornalistas, que a doença só matava os bundões, que deixássemos de ser maricas e que contávamos com a cloroquina, remédio milagroso quando administrado nas fases iniciais da doença. 

Não faltaram médicos que não têm o hábito de estudar ou formação científica suficiente para avaliar a qualidade dos trabalhos publicados, para lhe dar razão e preconizar a distribuição do inacreditável kit Covid.

A queda de dois ministros da Saúde que se negaram a adotar a cloroquina como política de combate à epidemia não bastou para evitar que a farmácia do Exército fosse obrigada a investir recursos preciosos na importação da droga, a preços inflacionados. 

A cegueira foi de tal ordem que deixamos o ex-presidente dos Estados Unidos desovar aqui os milhões de comprimidos encalhados que os médicos estadunidenses se recusaram a prescrever, para não correr o risco de processos por más práticas.

Quando o mundo entendeu que estávamos próximos da obtenção das primeiras vacinas e os países iniciaram a corrida para comprá-las, o Brasil não estava entre eles.

Pelo contrário, o presidente se empenhou em afirmar que não seria vacinado, que ninguém era obrigado a fazê-lo contra a vontade e que os efeitos colaterais poderiam ser
terríveis

Contra a visão dos economistas —inclusive a de seu ministro— de que a vacinação é a única forma de reativar a economia, insistiu em boicotar a imunização em massa com argumentos de fazer inveja aos grupos antivacina mais ignorantes.

Esse boicote sistemático justifica mais de 220 mil óbitos? Ele é o único culpado? É claro que não, a culpa é de muitos, especialmente dos egoístas estúpidos que se aglomeram sem máscara nos bares e nas festas. 

No entanto, pela natureza do cargo que ocupa, os absurdos que fala e a indignidade dos exemplos que dá, o presidente da República tem sido o grande responsável pela disseminação da epidemia. Não é por acaso que somos o segundo país com o maior número de mortes. (por Drauzio Varella)

sábado, 30 de janeiro de 2021

IMPEACHMENT SE APROXIMA, DIZ MAGNOLI: "O BRASIL NÃO MERECE ESSE GOVERNO DA ULTRADIREITA BOQUIRROTA E DELIRANTE"

demétrio magnoli
MANAUS É A PROVA: JÁ NÃO TEMOS UM GOVERNO FUNCIONAL!
Jair Bolsonaro comete crimes de responsabilidade diversos desde que subiu a rampa do Planalto. Dezenas de pedidos de impeachment protocolados na Câmara ainda aguardam encaminhamento, pois Rodrigo Maia sabe que o destino do presidente não será decidido no tabuleiro das leis, mas no da política. 

A tragédia de Manaus marca uma reviravolta no cenário: depois das mortes por asfixia, o impeachment transitou do éter dos sonhos para a esfera das possibilidades.

A histeria do impeachment é, hoje, a maior ameaça ao impeachment. O Congresso não impedirá o presidente pelo chiclete ou pelo leite condensado. Os escândalos culinários provavelmente indicam um rastro de esquemas corruptos ligados a superfaturamentos, fornecedores fantasmas e lavagem de dinheiro. Contudo, a investigação do labirinto demandaria meses, obscurecendo o crime maior que tem o potencial de abreviar o pesadelo nacional.
Manaus é a prova de que já não dispomos de um governo funcional. Nos países modernos, retirantes não perecem de inanição na beira da estradas, não porque a miséria foi extirpada mas porque o Estado é capaz de mobilizar meios emergenciais para evitar o desenlace fatal. 

As mortes por falta da cilindros de oxigênio nos remetem a um passado mais ou menos distante, quando famélicos desabavam, exaustos e desamparados, fugindo das secas nordestinas. Na época, faltavam-nos aviões, helicópteros, estradas, caminhões e recursos financeiros. Hoje, tudo isso existe: o que falta é governo.

Os doentes do Amazonas não morreram do coronavírus, mas do vírus do desleixo, da incúria, da inépcia, do desinteresse criminoso. As sondagens de opinião evidenciam que o povo entendeu a cadeia de comando: Pazuello, general de ópera bufa, não passa de um estafeta do autêntico culpado. 

Não é casual que, dias atrás, um tanto apavorado, sob zurros de uma chusma de lambe-botas, o ocupante do cargo presidencial tenha batido seus próprios recordes na olimpíada da malcriação.

Impeachment é, essencialmente, uma decisão política. Só se impedem presidentes cujas taxas de aprovação caíram às profundezas abissais. Bolsonaro continua longe dessa zona escura e fria, mas submerge em velocidade acelerada. 

Os sinais de alarme, que começaram a soar no Planalto na hora do nocaute imposto por Doria na batalha da vacina, dispararam quando emergiram as aterradoras cenas manauaras.

De lá para cá, o governo entrou no modo pânico. O presidente rastejou aos pés dos chineses para implorar por suprimentos vacinais e, nos círculos internos do poder, cogita-se oferecer em sacrifício público os corpos lacerados do trapalhão da Saúde e do místico ocultista do Itamaraty. No atual estágio da crise, Bolsonaro já não pode salvar-se a si mesmo: para voltar à tona, depende da incompetência de seus adversários.

Impeachment é a soma de um crime de responsabilidade com uma narrativa política persuasiva. Dilma caiu pois contou-se uma história (verdadeira, aliás) sobre estelionato eleitoral, caos econômico e corrupção política. 

No caso de Bolsonaro, a sanitização do Planalto exige a releitura da história da pandemia sob a lente de aumento da agonia dos hospitais de Manaus. O oxigênio —ou melhor, a falta letal dele— confere sentido ao negacionismo perene, à sabotagem do distanciamento social, ao curandeirismo do tratamento precoce e ao atraso da imunização.

Há cinco anos, petistas inconformados asseveravam que o uso do instrumento constitucional do impeachment debilita as democracias. A verdade é bem mais complexa. 

Sucessivos impedimentos de chefes de Estado certamente iluminam instabilidades dos sistemas democráticos. 
Mas a remoção de presidentes catastróficos é a derradeira ferramenta de defesa da democracia. 

O Brasil, apesar de tudo, não merece esse governo da ultradireita boquirrota e delirante. Uma praga por vez é suficiente. (por Demétrio Magnoli)

sábado, 23 de janeiro de 2021

CONFIRMADO O GENOCÍDIO: O GOVERNO DO BOZO PÔS EM EXECUÇÃO UMA ESTRATÉGIA INSTITUCIONAL DE PROPAGAÇÃO DO VÍRUS!

"Não é possível mensurar quantas das mais de 212 mil mortes de brasileiros poderiam ter sido evitadas se, sob a liderança de Bolsonaro, o governo não tivesse executado um projeto de propagação do vírus. 

Mas é razoável afirmar que muitas pessoas teriam hoje suas mães, pais, irmãos e filhos vivos caso não houvesse um projeto institucional do Governo brasileiro para a disseminação da covid-19."
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A contundente afirmação é da jornalista, escritora e documentarista Eliane Brum, na edição brasileira do jornal global El Pais. E se baseia num estudo conjunto da Faculdade de Saúde Pública da USP com a Conectas Direitos Humanos, que coletaram e esmiuçaram as normas federais e estaduais relativas ao novo coronavírus produzidas desde março de 2020.

Lançado nesta semana, o estudo conclui que as acusações de genocídio contra Jair Bolsonaro não são infundadas; pelo contrário, chegam a ser tímidas, diante da enormidade dos fatos e medidas em questão.

"Nossa pesquisa revelou a existência de uma estratégia institucional de propagação do vírus, promovida pelo Governo brasileiro sob a liderança da Presidência da República", constataram as respeitadas entidades.
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"
Como podem as autoridades brasileiras ter consentido até agora com que tantos cidadãos indefesos fossem friamente assassinados por um monstro que causaria repulsa até entre os condenados no julgamento de Nuremberg?", pergunto eu.

O editorial dos autores do estudo é incisivo:
"Os resultados afastam a persistente interpretação de que haveria incompetência e negligência de parte do governo federal na gestão da pandemia. 

Bem ao contrário, a sistematização de dados, ainda que incompletos em razão da falta de espaço na publicação para tantos eventos, revela o empenho e a eficiência da atuação da União em prol da ampla disseminação do vírus no território nacional, declaradamente com o objetivo de retomar a atividade econômica o mais rápido possível e a qualquer custo".

A notícia do El Pais pode ser acessada aqui e o estudo completo está aqui.

E o Rodrigo Maia sai da presidência da Câmara deixando 57 pedidos de abertura do processo de impeachment do genocida na gaveta! Isto o faz, na minha avaliação, cúmplice de genocídio. 

Todos os que tinham obrigação de agir contra tal estratégia de extermínio e não o fizeram, carregarão para sempre o estigma de se haverem omitido no momento mais crucial da História brasileira. 

Que, ao menos, o opróbrio a que os relegam os brasileiros civilizados os acompanhe pelo resto dos seus dias, já que, como o nosso não é um país sério, dificilmente receberão punição legal à altura dos horrores para os quais contribuíram.

Mas, se nem sequer o genocida for adiante alcançado pela Justiça, é melhor devolvermos logo  esta joça para os portugueses... (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

QUANDO O GUINNESS AFINAL ANUNCIARÁ QUE O BOZO É RECORDISTA MUNDIAL DE CRIMES DE RESPONSABILIDADE IMPUNES?

O
Reinaldo Azevedo, que gosta de fazer tal contabilidade, atribuiu ao Bozo o cometimento do 17º crime de responsabilidade suficiente para justificar o seu impeachment em novembro último, como se pode ler aqui.

O Celso Rocha de Barros atualizou a relação, detectando uma tentativa de chantagear e/ou intimidar o Ministério Público no minuto 34 da última live presidencial de 2020. O trecho é o seguinte: 
"Agora, o MP do Rio, presta bem atenção aqui: imagine se um dos filhos de autoridade do MP do Rio fosse acusado de tráfico internacional de drogas. O que aconteceria, MP do Rio de Janeiro? Vocês aprofundariam a investigação ou mandariam o filho dessa autoridade pra fora do Brasil e procuraria (sic) uma maneira de arquivar esse inquérito? 

Um caso hipotético, falando de um caso hipotético (...). Caso um filho de uma autoridade do Ministério Público do Rio de Janeiro entrasse no inquérito da Polícia Civil do Rio e ali um delator tivesse falado que ele participava de tráfico internacional de drogas. Fica (sic) com a palavra as autoridades do Ministério Público do Rio de Janeiro".
Tanto a ele quanto a mim parece claríssimo que o Bozo, graças a seu serviço de espionagem paralelo e ilegal, ficou sabendo de algo que desconhecemos a respeito do filho de alguém importante no Ministério Público do Rio e ameaça trombeteá-lo se o MP não mudar sua postura nas investigações da
rachadinha do Flávio Bolsonaro, passando a tapar o sol com a peneira.

Assino embaixo da conclusão do meu xará colunista:
"Quanto à acusação feita pelo presidente, de duas, uma. Se ela for verdadeira, Bolsonaro vazou dados sigilosos de uma investigação da Polícia Civil que obteve ilegalmente. Se ela for falsa, Bolsonaro caluniou tanto o Ministério Público quanto a Polícia Civil.

A propósito, se Bolsonaro tiver aparelhado a polícia a ponto de vazar a acusação, pode perfeitamente tê-la aparelhado a ponto de forjá-la".
Por último, recomendo ao Rodrigo Maia, que de tanto sentar em cima dos pedidos de abertura de processo de impeachment contra o Bozo acabará batendo com a cabeça no teto, o velho sucesso de Osvaldo Farrés, Quizás, quizás, quizás, no qual há uma estrofe que parece ter sido composta especialmente para ele: 
"Estás perdiendo el tiempo/ Pensando, pensando/ Por lo que más tú quieras/ ¿Hasta cuándo? ¿Hasta cuándo?" (por Celso Lungaretti)
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