Mostrando postagens com marcador variante ômicron. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador variante ômicron. Mostrar todas as postagens

domingo, 16 de janeiro de 2022

A REVELAÇÃO DESTE DOMINGO É QUE JÁ SOMOS O PAÍS COM MAIOR NÚMERO DE CONTAMINAÇÕES E ÓBITOS PELA COVID

A manchete alude apenas aos
que sabem ter contraído covid 
D
á um baita desânimo constatar que um texto tão importante quanto o que o blog Náufrago da Utopia publicou na noite de sábado (15), antecipando o que seria a matéria principal da edição de domingo do maior jornal brasileiro, foi acessado por um contingente apenas mediano de leitores, como se fosse, p. ex., o anúncio de mais um filme do recém-encerrado Festival do Western Italiano. 

Por que tão importante? Porque uma nova pesquisa do Datafolha confirmou que os dados informados à população brasileira pelo que passa por ser governo neste desgraçado país estão imensamente aquém dos reais: 
— os 22 milhões de brasileiros reconhecidos pelas autoridades negacionistas como tendo sido contaminados pela covid são, na verdade, mais de 100 milhões, embora só 42 milhões saibam ter contraído o vírus; e, 
— graças a tamanho empenho governamental para escamotear a verdade mediante a subnotificação na fonte e o falseamento das totalizações (alguém acredita que um ataque hacker supostamente imprevisto foi o  causador de tamanho estrago no sistema principal do Ministério da Saúde, a ponto de até hoje o dito cujo não estar 100% normal?!), tudo indica que, se conhecêssemos os dados reais, estaríamos agora conscientes de que o  Brasil é o país com pior resultado mundial no combate à covid.

Sim, há enorme possibilidade de que já tenhamos ultrapassado os EUA (hoje com 65,5 milhões de contaminações x 850 mil óbitos) e a Índia (37,1 milhões x 486 mil). Trump deve estar orgulhoso: seu discípulo superou o mestre...

E tudo caminha no sentido de a coisa ainda piorar, seguramente quanto às contaminações e talvez (façamos figa para que tal não aconteça!) em número de mortos, pois a ômicron está entrando aqui como faca no queijo e, se em seguida adquirir letalidade comparável à rapidez de sua propagação, conheceremos a tempestade perfeita.

Enquanto isto, continuamos obnubilados por uma eleição que só vai mesmo começar a ser definida no próximo semestre, isto se até lá o Brasil não derreter de vez e se até lá uma explosão social não alterar todo o quadro, inclusive o calendário eleitoral.  

Como desgraça pouca é bobagem, se a eleição fosse hoje, a vitória ficaria entre:
— o representante do capitalismo agonizante que pretende distribuir algumas migalhas para os coitadezas (Lula);
— o representante do capitalismo agonizante que já atingiu o ápice da loucura e extermina os coitadezas como moscas (Bolsonaro); e
— o representante do capitalismo agonizante que ainda não sabe exatamente em qual das direções acima irá, mas tem como principal antecedente a afinidade com o estado policial (Moro).

Ou seja, ao invés de buscarmos verdadeiras soluções (que não sejam mera continuidade do
mais do mesmo em que nos debatemos há décadas, patinando sem sair do lugar) e, de imediato, cerrarmos fileiras para garantir que pelo menos haja um amanhã, estamos mesmerizados pelas elucubrações sobre o que só acontecerá daqui a nove meses, exatamente como convém àqueles que querem piorar o que já é péssimo e àqueles que pretendem apenas mudar uma coisinha ou outra para que tudo continue na mesma.

Sequer nos damos conta de que, pelo andar da carruagem, nada nos garante que tenhamos nove meses pela frente. Podemos não durar nem nove semanas mais... (por Celso Lungaretti) 

sábado, 15 de janeiro de 2022

NOVA PESQUISA REVELA QUE, EM VEZ DOS 22 MILHÕES DOS DADOS OFICIAIS, MAIS DE 100 MILHÕES DE BRASILEIROS JÁ TIVERAM COVID

atila iamarino
DATA FOLHA MOSTRA A DIMENSÃO DO ELEFANTE DA COVID NO BRASIL 
Entender a pandemia de Covid-19 no Brasil e o que enfrentaremos com o espalhamento explosivo da variante ômicron é como descrever o lendário elefante que não enxergamos.

Quantos brasileiros tiveram Covid? Quantos ainda não se vacinaram? Quantos pretendem vacinar os filhos? Mesmo essas perguntas diretas têm mais de uma resposta.

Na parábola, um elefante é apalpado por vários cegos que tentam descrever o animal que não conheciam. Quem inspeciona a tromba acha que é uma cobra, quem toca nas pernas acha que ele parece um tronco de árvore, quem toca seu ventre imagina uma parede e assim vai.

Todos oferecem uma perspectiva válida, mas incompleta. Mortes em excesso, números oficiais e relatos descrevem o elefante da pandemia, mas cada um descreve só uma parte.

Agora o Datafolha traz outra parte do paquiderme. Talvez seu rabo, que parece uma corda que começamos a puxar e vemos que tem muito mais preso na outra ponta. Como uma população cansada, que já se expõe bastante e está vulnerável à ômicron.

Segundo o Datafolha, cerca de 42 milhões de brasileiros receberam resultado positivo para a Covid. O painel oficial do Ministério da Saúde, atualizado pela última vez em 9 de dezembro de 2021, reporta quase 20 milhões de casos positivos a menos do que a pesquisa estima –já conforme o consórcio de imprensa, foram 22,8 milhões de casos até esta 5ª feira (13).
...mas nunca deve ter existido algum
que mentisse tanto quanto o do Bozo!

Outro número oficial, escrito em fonte mais discreta, descreve os quase 617 mil óbitos e a letalidade de 2,8% do novo coronavírus no Brasil. Uma letalidade três vezes maior do que a estimada para a doença. O que indica que tivemos pelo menos três vezes mais casos do que os oficiais.

Considerando as subnotificações e que muitos óbitos aconteceram quando já tínhamos vacinas sendo aplicadas, o que reduziu muito a letalidade do vírus, devemos ter passado dos 100 milhões de brasileiros com Covid.

A diferença entre os pelo menos 100 milhões e os 42 milhões do Datafolha pode estar na nossa testagem limitada. Além de desperdiçarmos milhões de testes, ainda testamos só os casos mais graves em muitas regiões. Tanto que 70% dos entrevistados declararam não ter sido contaminados pela Covid, um número incompatível com nossa realidade.

Já os 20 milhões de testes positivos que não foram para nosso painel oficial demandam uma revisão importante do sistema de notificação. O atraso descabível dos números oficiais, desatualizados por mais de um mês, é um dos sinais das dificuldades que o sistema que o governo já tentou tirar do ar enfrenta.

Independentemente da descrição mais próxima do elefante real de casos, se não tivéssemos vacinas e se todos os curados estivessem protegidos, ainda poderíamos ter pelo menos meio país vulnerável.

Ou, olhando esse elefante por outro lado, ainda poderíamos ver o dobro de mortes se seguíssemos o sonho de quem promove o contágio como forma de proteção na imunidade de rebanho.

Felizmente, nos vacinamos muito: só 10% dos brasileiros com 16 anos ou mais ainda não tomaram duas doses de vacina. E só 2% não se vacinaram nem pretendem se vacinar.
Este título será dele para sempre: o de
maior exterminador de brasileiros.
 
Um forte sinal de que nosso movimento antivacina conta com muitos não praticantes que falam mal da vacina em público, mas já carimbaram sua carteirinha de vacinação.

A diferença para a estimativa de 100% da população adulta vacinada, registrada em algumas cidades, tem explicações. Os 100% totais são estimados com base no último Censo, de 2010. E muitas cidades ainda têm uma população flutuante de trabalhadores e visitantes que não aparecem nos números oficiais.

Por isso, alguns números oficiais podem passar dos 100% dos adultos vacinados. Os 90% do Datafolha podem indicar um número mais próximo da população vacinada real.

E também podem indicar os buracos de cobertura vacinal, locais como municípios do interior da região Norte nos quais, até onde tivemos números, menos de 40% da população havia sido vacinada.

Outro aspecto desse elefante indica que estamos entrando em outro período perigoso. Segundo a pesquisa, cerca de 4 milhões de brasileiros acreditam que tiveram Covid nos últimos 30 dias.

Mas outra resposta é ainda mais intrigante e indica que esse número deve ser muito maior –e que, novamente, estamos no escuro.

Mais de um quarto dos entrevistados, o equivalente a 50 milhões de brasileiros, afirmam ter tido gripe nos últimos 30 dias. E mais da metade conhece um amigo ou parente que ficou gripado.

Temos uma epidemia de gripe, sem dúvidas. Mas a variante ômicron é o vírus com o espalhamento mais rápido que a humanidade já viu. Ela é pelo menos três vezes mais transmissível do que a gripe. Onde a gripe pode ser transmitida, a ômicron certamente também pode.
Nas guerras convencionais, os quinta-colunas eram
fuzilados. Por que não numa guerra sanitária?!

Os sintomas mais comuns da ômicron em vacinados são bem parecidos com os da gripe, como nariz escorrendo, congestão nasal e garganta raspando. Provavelmente, muitos estão com Covid e confundem com a gripe, graças à proteção que as vacinas trouxeram.

Tanto que vivemos uma situação paradoxal. Desde o começo da pandemia, segundo o Datafolha, nunca os brasileiros saíram tanto e tão sem máscaras. Mais de 70% dos entrevistados já estão vivendo a vida normalmente (12%) ou tomando cuidado, mas saindo para trabalhar ou fazer outras atividades (60%).

Ao mesmo tempo, 45% dos entrevistados acham que a pandemia está fora de controle, uma proporção que se via desde o primeiro semestre de 2021. Ou seja, as pessoas sabem que o vírus está circulando, mas se sentem protegidas e seguras mesmo assim.

Tanto que muitos, quase 40%, se aglomeraram no réveillon com mais de seis pessoas. Uma circulação que ainda vai cobrar um preço caro em internações.

Não estamos tranquilos. Apesar da proteção que vacinados ainda têm mesmo contra hospitalização pela ômicron, se ainda tivermos 10% dos adultos sem vacina, podemos esperar um grande estrago.

Muitas crianças ainda não estão vacinadas e esse foi um grupo especialmente atingido onde a ômicron já se espalhou.

No Reino Unido, mais de 60% dos leitos de UTI são ocupados pelos menos de 10% da população que não se vacinou. É uma parcela pequena que não se protegeu e que está sofrendo mais e ocupando mais o sistema de saúde.

Onde os nossos adultos não vacinados estiverem, seja esparsos pelo país seja concentrados em regiões atrasadas na vacinação, darão trabalho para o SUS. Esse elefante pode ser muito maior do que nossos sentidos nos informam. 
(por Atila Iamarino, que tem doutorado
em ciências pela USP e fez pesquisa na Universidade de Yale)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

NOS EUA COMO CÁ, OS ULTRADIREITISTAS QUEREM QUE AS PESSOAS MORRAM PARA SUAS CHANCES ELEITORAIS SOBREVIVEREM

paul krugman
AS MENTIRAS VIRAIS QUE SEGUEM MATANDO
U
m ano atrás, parecia razoável esperar que, já no início de 2022, estaríamos falando na covid usando o pretérito, ao menos enquanto grande problema de saúde e qualidade de vida. 

Vacinas eficazes foram desenvolvidas com velocidade milagrosa; certamente, um país sofisticado como os Estados Unidos encontraria uma maneira de distribuir essas vacinas amplamente e  rapidamente.

Então, por que não superamos a pandemia? Parte do problema tem sido a criatividade da evolução do vírus. A variante Delta nos chocou com sua letalidade; agora, a Ômicron nos choca com sua facilidade de transmissão. 

Ainda assim, poderíamos e deveríamos ter nos saído melhor. E a principal razão de não termos conseguido isso foi o poder das mentiras de motivação política.

Antes de entrar nos detalhes dessas mentiras e do estrago provocado por elas, quero deixar algo bem claro: sim, esta é uma questão política.

Sei que não sou o único comentarista a enfrentar reações negativas por enfatizar a natureza partidária da resistência às vacinas. 

Somos constantemente lembrados que muitos estadunidenses não vacinados não são fanáticos do Partido Republicano, que há diferentes motivos pelos quais as pessoas recusam as vacinas ou ainda não as procuraram. Tudo isso é verdadeiro, mas a política desempenhou um papel crucial e crescente.
Observemos, p. ex., um levantamento da KFF realizado em outubro, revelando que 60% das pessoas não vacinadas se declaravam republicanas, em comparação a apenas 17% que se identificavam como democratas. 

Ou a valiosa análise de Charles Gaba dos dados no nível dos condados, mostrando que em média cada ponto porcentual extra de apoio a Trump nas eleições de 2020 corresponde a uma redução de aproximadamente meio ponto na taxa de vacinação de um condado.

Mas como a política conseguiu enfraquecer tanto aquilo que deveria ter sido um milagre da medicina? Identifico três importantes mentiras que continuam sendo repetidas pelos políticos republicanos e pela mídia de direita.

Primeiro, temos a alegação segundo a qual o coronavírus não seria nada de mais. Seria de se esperar que tal alegação já tivesse sido esquecida, levando em consideração que mais de 800 mil estadunidenses morreram de covid desde o dia em que Rush Limbaugh comparou este vírus a uma gripe comum.

Mas tal ideia continua circulando. Figuras políticas como Marco Rubio fazem pouco da resposta à variante Ômicron, descrevendo-a como histeria irracional, porque a nova cepa parece provocar um número relativamente baixo de hospitalizações entre a população totalmente vacinada. 
Em 1876 (febre amarela no carnaval) era assim.
O Bozo e seus cúmplices querem ver a reprise.

Ele logo deixa de lado esta qualificação, algo que o levantamento da KFF indica ter iludido milhões de republicanos não vacinados, que se dizem pouco preocupados com uma doença que deveria preocupá-los, e muito.

E os comentaristas conservadores explodiram de raiva quando o presidente Biden destacou, com razão, que o coronavírus ainda é extremamente perigoso para quem não tomou a vacina; Tucker Carlson acusou Biden de tratar os não vacinados como sub-humanos.

Em seguida: a alegação segundo a qual as vacinas são ineficazes. Se a dose de reforço funciona, por que ela não funciona? – publicaram no twitter os republicanos da comissão judiciária da Câmara.

O que eles querem apontar, supostamente, é o fato de a variante Ômicron produzir um imenso número de novas infecções, ao mesmo tempo ignorando cuidadosamente as evidências maciças de que mesmo quando os estadunidenses vacinados são infectados, sua probabilidade de hospitalização (ou morte) é muito inferior à dos não vacinados.

Finalmente, temos a alegação segundo a qual tudo não passa de uma questão de liberdade, e a decisão de tomar a vacina ou não deveria ser tratada como qualquer escolha individual. P. ex., o governo de Greg Abbott, no Texas, usou este argumento como base de um processo que busca impedir o governo federal de obrigar o uso de máscaras entre a população. 

O governo Abbott também pediu por mais ajuda federal para o Texas, onde a taxa de vacinação é muito baixa em parte porque Abbott impediu o setor privado de exigir comprovantes de vacinação para enfrentar uma alta nos casos de covid e decorrentes hospitalizações. Falta dizer alguma coisa?
Leitores atentos terão notado que, além de falsas, essas alegações republicanas se contradizem de muitas maneiras. Podemos ignorar a covid graças às vacinas, que, aliás,
não funcionam. 

Vacinar-se é uma decisão individual, mas sonegar às pessoas as informações necessárias para que tomem tal decisão com sabedoria é um vil ataque à sua dignidade. 

É tudo uma questão de liberdade e livre mercado, mas essa liberdade não incluiria o direito das empresas privadas de protegerem seus próprios funcionários e clientes.

Então, vemos que nada disso faz sentido, a não ser se percebermos que a obstrução dos republicanos à vacina não é fruto de uma ideologia coerente e sim da busca pelo poder. Uma campanha de vacinação bem-sucedida seria uma vitória para o governo Biden, e por isso teve de ser enfraquecida com o uso de qualquer retórica disponível.

É claro que a estratégia antivacinação funcionou politicamente. A persistência da covid ajudou a manter o clima sombrio nos EUA, o que sem dúvida prejudica o partido que está na Casa Branca. Daí os republicanos que fizeram tudo ao seu alcance para impedir uma resposta eficaz à covid não terem hesitado nem por um segundo em responsabilizar Biden pelo fracasso em acabar com a pandemia.

E o sucesso da destrutiva politização da vacina é, em si, profundamente horripilante. Parece que o cinismo completo compensa, mesmo se promovido ao custo das vidas de seus apoiadores. 
(por Paul Krugman, economista estadunidense agraciado em 2008 com o Prêmio Nobel de Economia, escritor e colunista do New York Times)

sábado, 27 de novembro de 2021

O CÉU É O LIMITE: BOLSONARO AINDA NÃO ESTÁ SATISFEITO, ELE QUER MAIS MORTES!

U
ma pessoa no planeta Terra certamente deve ter celebrado a descoberta da nova variante do coronavírus: Jair Bolsonaro, que assim terá mais uma chance de ampliar a mortandade dos brasileiros. 

Após ter atuado para a contaminação massiva do povo brasileiro, levando à morte de 600 mil em dados oficiais e mais de 1 milhão em estimativas confiáveis de universidades e centros científicos do exterior, o ainda presidente continua irredutível em sua mentalidade genocida. 

A apoiadores ele disse nesta sexta-feira, 26/11, que seria loucura fechar aeroportos, que o Brasil não aguenta outro lockdown e que o caminho único é aprender a conviver com o vírus. Sem tirar nem por, é o mesmo discurso defendido por ele durante os quase dois anos de crise sanitária. 

Nem mesmo a CPI da Pandemia, as pressões populares e o efeito positivo da vacinação não conseguiram demove-lo de sua ideia fixa da imunidade de rebanho.

Trata-se de uma teoria genocida que propõe esperar-se até que a contaminação massiva da população imunize naturalmente a coletividade. Este até poderia vir a ser o resultado final, mas ao custo de milhões e milhões de mortes pelo caminho. 

Prova maior de sua intransigência insana é negativa em impor restrições à entrada de não-vacinados no Brasil.

Enquanto as contaminações crescem nos EUA e na Europa graças ao discurso antivacina, a criação de barreiras sanitárias por aqui seria melhor forma de evitar a chegada de novas variantes, além de ser um estímulo indireto à vacinação nos países do exterior. 

Repete-se assim a mesma opção equivocada do começo de 2020, quando Bolsonaro não autorizou o fechamento das fronteiras nacionais, permitindo a entrada livre do vírus e sua circulação em território nacional.

No momento, o debate fica em torno de se o carnaval deve ou não ser festejado. Debate estéril quando o maior aliado do vírus permanece na presidência e ainda (por incrível que pareça!) recebe medalha do Congresso Nacional. 

Hitler, em seu delírio derrotista, puniu os alemães com os piores horrores, não aceitando render-se no começo da invasão aliada ao país. Estará Bolsonaro fazendo algo semelhante com os brasileiros, quando ele se vê face a face com seu futuro defenestramento? (por David Emanuel Coelho)

COMO EVITAR QUE A VARIANTE ÔMICRON CAUSE DESGRAÇA NO BRASIL

No Brasil e no mundo quase inteiro, a epidemia começou com a chegada de um punhado de viajantes infectados.

Com exceção de casos raros imunológicos, a população era indefesa contra o coronavírus. Não havia barreiras além de máscaras e restrições de movimento ou aglomerações.

Quando a variante ômicron chegar, vai encontrar uma paisagem biológica muito diferente. Mais de 62% da população brasileira está completamente vacinada. Cerca de 75% tomaram a dose 1, e parte dessas pessoas pode ter completado sua imunização por ter sido também infectada.

Parece um motivo para ficarmos menos intranquilos. Só parece.

Suponha-se que o bicho novo drible a vacina. Quantos visitantes infectados podem nos trazer esse coronavírus supermutante? Poucos. Mas meia dúzia deles pode trazer a desgraça.

Não temos controle de fronteiras, e o Brasil pode ser um paraíso tropical de férias para malucos antivacinas, pois aqui é Bolsonaro, zorra!. 

Mais importante e antes de mais nada, é preciso pensar nas primas mais velhas da variante ômicron, que outra vez espalham dor e morte pelo mundo rico:
— na Alemanha (68% de vacinação completa), o número de mortes por milhão de habitante é ora de 2,7;
— no Brasil, é de 1 por milhão;
— na Bélgica, 75% de vacinação, de 3,2 mortes por milhão;
— na Áustria, 65% de vacinados, 5,3 por milhão;
— no Reino Unido, 68% de vacinados, 2 por milhão;
— nos EUA, são 3,4 mortes por milhão.

O último e um país sentado em vacinas e com taxa de imunização completa de apenas 58%, vexame ainda maior quando se pensa que não há doses para aquelas pessoas que mal têm uma cuia de comida rala, alguém que lhes faça ataduras ou um abrigo decente contra as durezas do tempo.

A situação epidemiológica do Brasil não é a desse mundo rico, até porque houve uma devastação de infecções por aqui e tomamos vacinas mais tarde – o efeito delas ainda é forte e estamos tomando reforço.

Mas, com ou sem ômicron, temos de correr com a vacinação, buscar os sem-injeção nas suas casas ou nas escolas e evitar aglomerações com bafejos nas fuças sem máscara, como ocorre nos campos de futebol. Da alfa ao ômega, qualquer variante ainda é ameaça.

É possível barrar a ômicron nas fronteiras? Tanto quanto as velhas variantes: pouco. 

Mas conviria exigir passaporte de vacinação de viajantes, o que contraria a militância ignorante de Jair Bolsonaro.

O número de desembarques internacionais nos aeroportos do Brasil caiu. Em outubro de 2019, foram uns 939 mil. Em outubro deste 2021, uns 263 mil. 

Cerca de 35% desses viajantes são não residentes (segundo dados de 2018 e 2019, os mais recentes). É muito menos viajante. A probabilidade de que estejam infectados é bem pequena. 

Seria ainda menor se estivessem vacinados (a vacina diminui de modo relevante a probabilidade de transmissão). Temos de jogar na retranca firme.

Como não se exige o passaporte, há também seleção adversa (atração de malucos, idiotas e perversos). Onde se pode tomar sol, sem vacina, gastar pouco (o real não vale nada) e, por ora, em um lugar com menos mortes de Covid do que em muito país rico? No Brasil.

Os cientistas ainda não têm como saber o tamanho do estrago que a ômicron pode causar. Faltam dados epidemiológicos (quantos contaminados, em quanto tempo, com qual gravidade etc.). 

Ainda a examinam para tentar estimar, por ora no laboratório, se o vírus dribla a vacina. Alguns pesquisadores especulam que não. Na dúvida, é melhor prevenir o que não tem remédio.

Como? Fazendo o óbvio tratado com descaso: vacina, muito teste, máscara e passaportes. 

A humanidade média se interessa por fofoca e de novidade. Fatos causam tédio ou revolta. (por Vinícius Torres Freire)

NOVA VARIANTE PODERÁ FAZER O BRASIL PAGAR MUITO CARO POR CONTINUAR ATÉ AGORA SEM UM PRESIDENTE DE VERDADE

NÃO É HORA PARA BRINCADEIRA
"desprovido de quaisquer atributos técnicos
e morais para estar no cargo que ocupa"
À
vista de todos que se dispõem a enxergá-los, os fatos acabam com as ilusões de quem acredita que a pandemia de covid-19 é uma tragédia superada. [Todos os grifos em azul são meus. CL]

O mundo está diante da ameaça de uma nova onda de infecções pelo coronavírus e é extremamente importante que cada indivíduo mantenha o máximo de cuidado a fim de evitar o pior. A esta altura, todos sabem o que deve ser feito.

Há poucos dias, cientistas identificaram na África do Sul uma variante do Sars-Cov-2, chamada B.1.1.529, que pode ser mais transmissível do que as cepas já identificadas e até mesmo resistente às vacinas disponíveis no momento. A Pfizer já iniciou testes de eficácia de seu imunizante contra a nova variante. Outros laboratórios devem seguir o mesmo caminho. A Organização Mundial da Saúde estima que levará semanas até que os riscos da B.1.1.529 sejam plenamente conhecidos.

Em primeiro lugar, o surgimento de uma nova e ameaçadora variante do coronavírus não deve surpreender ninguém. Mutações virais são dados da natureza. O que impressiona, portanto, não é a biologia, mas a incompreensão humana e a reiterada negligência, a despeito de todo o conhecimento já produzido sobre o vírus e, principalmente, de toda a dor que o patógeno já causou.

Por definição, uma pandemia desconhece fronteiras geográficas. Seu fim depende fundamentalmente da soma de esforços entre países. A brutal desigualdade na distribuição de vacinas abriu flancos para que o coronavírus seguisse circulando livremente entre populações de países mais pobres, menos imunizadas. 

A isso se soma o individualismo de muitos cidadãos que têm fácil acesso às vacinas em países ricos ou de renda média, mas que simplesmente se recusam a recebê-las por uma série de razões, quase todas egoístas. Combinados, esses dois fatores facilitam muito o ciclo natural do coronavírus.

Mas a realidade se impõe. Fruto da iniquidade na distribuição de vacinas ou da irresponsabilidade dos que podem, mas não querem recebê-las, o mundo agora tem de lidar com a nova ameaça. 

Mercados globais entraram no modo pânico diante da incerteza do que vem pela frente. Novos fechamentos serão determinados por governos mundo afora? Haverá mais pressão sobre os sistemas de saúde, mal saídos do maior teste de estresse da história recente? Ninguém sabe.

Esse quadro de incerteza global provocado pela nova variante do coronavírus deveria levar o governo federal a adotar medidas de precaução para proteger a saúde e a vida dos brasileiros. 

Para isso, no entanto, o presidente Jair Bolsonaro precisaria ser outra pessoa, alguém mais cioso de suas responsabilidades como chefe de Estado e de governo, e não este homem desprovido de quaisquer atributos técnicos e morais para estar no cargo que ocupa. A apoiadores na entrada do Palácio da Alvorada, Bolsonaro se limitou a dizer que os brasileiros "têm de aprender a conviver com o vírus".
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária cumpriu o seu papel e recomendou o fechamento imediato das fronteiras brasileiras para viajantes não vacinados e para qualquer pessoa que chegue da África do Sul e mais cinco países do continente africano. O governo federal é contra a medida, sabe-se lá por que razões. Científicas não são.

Contrário à exigência de certificado de vacinação para estrangeiros que vêm ao Brasil, na trilha do negacionismo de seu chefe, o ministro da Justiça, Anderson Torres, chegou a afirmar que "vacinas não impedem a transmissão da doença". Do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, não se ouviu nem um pio. É esse o grau de pusilanimidade e subserviência de dois dos mais importantes ministros de um governo que fez do descaso uma política pública.

A diretora-geral assistente da OMS, Mariângela Simão, afirmou que "o mundo vive o começo de uma quarta onda de covid-19". O País foi citado no alerta. 
"São preocupantes as discussões sobre a abertura do carnaval no Brasil, condição extremamente propícia para o aumento da transmissão comunitária do vírus".
Do governo Bolsonaro não se espera nada. Só a responsabilidade dos cidadãos e dos governos subnacionais pode evitar que o Brasil experimente os horrores de um recrudescimento da pandemia. (editorial d'O Estado de S. Paulo deste sábado, 27/11)
Related Posts with Thumbnails