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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

O ESTADÃO QUER QUE A EUROPA COLOQUE COLEIRA NO PESCOÇO DO TRUMP RAIVOSO

"
Pela primeira vez desde a criação da Otan após a 2.ª Guerra, aliados se veem compelidos a discutir dissuasão simbólica contra os próprios Estados Unidos. A confiança – ativo invisível, mas essencial – se deteriora a olhos vistos. E quando a confiança é desintegrada, os custos se multiplicam em cadeia: na coesão política, na previsibilidade estratégica, na credibilidade financeira...

...Ao tratar aliados como obstáculos e regras como inconvenientes, Trump acredita colocar a América em primeiro lugar. Na prática, acelera a transição para um mundo menos previsível e muito mais perigoso. Por esse motivo, a Europa precisa reagir a Trump, estabelecendo um limite para a sua irresponsabilidade..." (trechos do editorial de hoje d'O Estado de S. Paulo, intitulado A Europa precisa enfrentar Trump)
Tradicionalmente conservador, além de baba-ovos do Tio Sam, O Estado de S. Paulo teve, contudo, grandes momentos no século passado, ao reagir corajosamente à ditadura de Getúlio Vargas, quando ficou sob intervenção federal entre 1940 e 1945; e depois à dos generais, ao preencher os espaços vazios das notícias censuradas com versos de Camões. 

Foi igualmente inesquecível a atitude do diretor de redação do Jornal da Tarde (também pertencente ao Grupo Estado), Murilo Felisberto, ao proibir o ingresso dos agentes do DOI-Codi que pretendiam efetuar uma prisão. 

Ele mandou os seguranças da empresa irem à portaria para evitar qualquer tentativa de invasão. 
Sua frase célebre foi "lá fora ele pode ser comunista, mas aqui dentro ele é meu jornalista".

E, após o assassinato do Vladimir Herzog, a empresa passou a enviar um diretor junto com qualquer dos seus profissionais que fosse chamado para depor no DOI-Codi. 

O editorial de hoje não é, portanto, nenhuma surpresa. Mas, ao exigir da Europa que coloque uma coleira no pescoço doTrump raivoso que preside os Estados Unidos, ele certamente frustrou um considerável contingente de anunciantes e leitores.

A reação borocoxô do Lula diante do sequestro de seu aliado surpreendeu por sua pusilanimidade; e a do Estadão por demonstrar mais espírito de luta do que o PT.

Em tempo: sempre considerei os governos de Chávez e Maduro como meras nomenklaturas, mas fiquei envergonhado da atitude vil e servil do governo brasileiro. Portamo-nos como quintal dos EUA. (por Celso Lungaretti)

sábado, 3 de janeiro de 2026

MEU TOTAL REPUDIO À AGRESSÃO DOS EUA CONTRA A VENEZUELA. MAS, DUVIDO QUE NOSSOS PRESIDENTES BANANAS REAJAM

Mesmo sem jamais haver tido simpatia pelo chavismo, considero anacrônica, covarde e inaceitável a agressão estadunidense à Venezuela. Então, como sempre, minha solidariedade vai toda para a parte mais fraca.

Infelizmente, tenho a certeza de que os presidentes bananas sul-americanos (com exceção do canalha Javier Milei, lambe-botas do Trump) farão discursos indignados e, por meio de seus representantes, chororô no muro de lamentações que é a ONU. Contudo, não se unirão para a tomada de uma atitude mais contundente contra o vilão imperialista à moda antiga.

Quanto ao Lula, cuja trajetória acompanho desde as grandes greves do ABC, não me surpreenderei se no futuro viermos a saber que uma reação frouxa no episódio venezuelano tiver sido a contrapartida dele previamente exigida para o esvaziamento da chantagem tarifária contra o Brasil. Se non è vero, è ben trovato...

O sequestro do Maduro, um indiscutível ato de pirataria internacional, só admite uma resposta: ultimato conjunto aos EUA exigindo sua libertação e, se não for atendido, declaração de guerra. 

Mas, os leitores decerto nem sequer cogitam que  tal linha de ação venha a prevalecer. Mais de um século depois, engoliremos abúlicos tal retrocesso à política do grande porrete de Theodore Roosevelt. Acostumamo-nos à indignidade. 

Que falta faz uma esquerda de verdade por aqui! (por Celso Lungaretti)

Lembrança de uma América do Sul que resistia aos déspotas

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

A MÚSICA DO DIA É DEDICADA AO MÉDIUM NICOLÁS MADURO POR NOSSO BOM OUVINTE JOE BIDEN: "CADA MACACO NO SEU GALHO".

P
arece que os trinados do passarinho no qual o espírito do falecido presidente venezuelano Hugo Chávez baixa para conversar com seu sucessor Nicolás Maduro foram mal compreendidos desta vez.

Depois de promover um plebiscito mequetrefe para justificar sua intenção de invadir e usurpar parte do território guianense, Maduro vê a porta ser fechada na sua cara: os EUA acabam de anunciar imediatos exercícios militares na região. Para bom entendedor, meio ultimato basta.

Portanto, não haverá guerra entre essas duas repúblicas das bananas, pois, se tentar, Maduro receberá um sacode pior ainda que o da ditadura argentina em 1982, quando desafiou a Inglaterra pela posse das Malvinas.

Sorte do Lula, que não precisará intervir para comprovar que o Brasil conserva a liderança regional.

Azar do Maduro, que terá de fazer suas macaquices noutro lugar, pois foi ameaçado de levar chumbo se continuar tentando pendurar-se nesse galho alheio. (por Celso Lungaretti)
  

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

NA ARGENTINA, O QUE HÁ DE NOVO? MUITA GALINHA E POUCO OVO.

Mais uma vez um candidato histriônico seduz um eleitorado desesperançado prometendo-lhe disparates – já tentados e já fracassados outras ocasiões e noutros países. A política econômica do Milei será chutar o pau da barraca.

Mas, antes de eleitos, os profissionais da política prometem fazer o sertão virar mar e o mar virar sertão. Só depois de empossados é que ficamos realmente sabendo ao que vêm.

Então, vou me limitar ao fundamental: nenhuma de suas estridentes propostas econômicas vai tirar a Argentina do buraco, muito pelo contrário. A tendência é que os hermanos afundem ainda mais.

O que virá depois que essas pajelanças fracassarem? Recuará para fazer um governo de direita possível  nestes tristes trópicos (uma agonia lenta) ou vai radicalizar (um suicídio retumbante)? Só o tempo dirá. 

Por último, uma hipótese que não pode ser desprezada é a de que o Lula saia no lucro. 

Isto porque, se desagradar aos EUA de Biden a possível afirmação de um novo Chávez cantando de galo no seu quintal, é bem capaz de o Tio Sam  oxigenar um pouco a economia brasileira, repetindo a receita que deu certo em 1968-1973. Ou seja, inchar o Lula para desinflar o Milei.

Tenho certeza de que, caso os EUA se proponham a fabricar um novo milagre brasileiro, o nosso macunaímico presidente agarrará a dádiva com unhas e dentes. (por Celso Lungaretti).

terça-feira, 18 de outubro de 2022

O "SALVE-SE QUEM PUDER" HÁ DE VIRAR "SALVEMO-NOS A NÓS TODOS" – 2

(continuação deste post)
Damares, a que viu Cristo na goiabeira...
O 
fenômeno brasileiro da eleição de personagens caricatos como Damares Alves (Senado) e Eduardo Pazuello (deputado federal mais votado), dentre outros, explicita o caráter perverso de setores elitistas da nossa população, seja porque detêm capital, seja por estarem culturalmente dominados pelo fetichismo da mercadoria .

Cresce mundialmente o equivocado sentimento ultraconservador nazifascista diante do fracasso da social-democracia em querer humanizar o capitalismo. Não se entende que o que está em jogo não é uma questão de forma, mas de conteúdo.

Não há forma política, bem ou mal intencionada, que sobreviva satisfatoriamente à mediação social capitalista, alicerçada e efetivada pelas categorias valor, dinheiro, mercadorias, mercado, trabalho abstrato, Estado, política eleitoral e partidos políticos, etc.

A questão imperiosa neste momento de exaustão de tal modelo é a de conteúdo: impõe-se a adoção de outro modo de produção social, compatível com o atual estágio do saber tecnológico.

Ora, como disse corretamente Marx, é o modo de produção que define o caráter das sociedades.

Uma sociedade cujo modo de produção se assenta num critério subtrativo dessa mesma produção, transformada pelos administradores do capital  na abstração valor sob a forma-mercadoria, em obediência à própria lógica autotélica e ditatorial de crescimento constante do dito cujo até o limite de sua saturação (como agora ocorre), não pode ser outra coisa senão a fantasmagórica, bárbara e cruel realidade do salve-se quem puder ora em curso.
O "uns mandam e outros obedecem" Pazuello

Tais políticos toscos e estapafúrdios, com seus preconceitos retrógrados próprios à superficialidade dos aventureiros de ocasião, tendem a uma volta ao passado mais recente (que era ruim, mas menos catastrófico do que o presente), 

Surfando no medo que a população tem do desconhecido, conseguem convencer expressivos contingentes a aceitarem as suas cantilenas racistas, homofóbicas, odiosas, xenófobas, misóginas, etc. Dão, assim, sobrevida avelharias que deveriam estar definitivamente superados, mas não estão.

Esta é a explicação para a volta ao velho, como se a invenção da roda fosse um desserviço à humanidade.

Não pensem os nossos leitores que estamos todos imunes a tais equívocos. Não foi a Alemanha culta que embarcou na canoa genocida da 1ª e 2ª guerras mundiais, curvando-se às iniciativas dos seus governos (o do imperador Guilherme 2º e o do ditador Adolf Hitler)?

Não foram os alemães que engoliram a pílula da supremacia branca ariana, aceitando insensivelmente a perseguição racista de judeus que, mesmo sendo membros de famílias instaladas havia muito tempo no país, passaram a ser presos, torturados e exterminados? 

[Não esquecendo outras perseguições igualmente odiosas, como as movidas contra homossexuais, ciganos, alguns povos eslavos, partidários da esquerda, sindicalistas, Testemunhas de Jeová, etc.]

A barbárie capitalista está instalada mundialmente e a expressão mais visível de sua presença é a injustificada agressão à Ucrânia por parte do ditador capitalista russo sob o pretexto ridículo de proteger a própria Ucrânia contra o nazismo, com o qual ele se identifica na prática.
Em tempos melhores, a eleição de esquisitices era só
uma galhofa (leia mais sobre o Cacareco
aqui)

É supostamente para proteger ucranianos que Putin os dizima com mísseis lançados de grandes distâncias, atingindo tanto combatentes que defendem o próprio país quanto crianças e civis inocentes! 

É a inversão equivocada de conceitos que faz com que uma Damares da fé mercantilzada, o supremacista bilionário Donald Trump, a fascista assumida Giorgia Meloni e a ultraconservadora francesa Marine Le Pen sejam eleitos (ou quase isto). 

Trata-se de um detestável fenômeno mundial, chocante por tais péssimos cidadãos estarem recebendo votos de pessoas zelosas dos seus comportamentos profissionais e familiares, bem como de religiosos (tanto os recatados quanto os fundamentalistas) que fazem vistas grossas à violência armada ou matam em nome de Jesus Cristo.

Boçalnaro, o ignaro, está mais próximo do seu antigo colega de farda Hugo Chávez do que pensam muitos dos seus incautos eleitores (existem, contudo, os que têm consciência disto, tanto nas casernas belicistas quanto nos ambientes supremacistas e financeiros).

Mas o salve-se quem puder ainda há de se transformar em salvemo-nos a nós todos, coletivamente.

Tudo só depende de nós, pois. como disse John Lennon, "se você quiser, a guerra acaba amanhã". (por Dalton Rosado)

segunda-feira, 4 de julho de 2022

NOSSA TAREFA NÃO FINDA COM A QUEDA DO BOZO: O MAIS DIFÍCIL VIRÁ DEPOIS

É
muito oportuno o artigo de Gerardo Lissardy, publicado nesta 2ª feira (4) pela BBC Brasil, sobre as diferenças entre avanço da esquerda na América Latina e a onda rosa de duas décadas [atrás], cuja íntegra pode ser acessada aqui. Serve como antidoto ao auê deslumbrado de muitos reformistas brasileiros. 

Lissardy constata que, uma vez confirmada a vitória do populista retrô sobre o ultradireitista ensandecido no Brasil, "as sete nações mais populosas da América Latina e suas seis maiores economias [ficarão] nas mãos da esquerda".

Mas isto, avalia ele, não equivaleria a uma repetição da chamada maré rosa de duas décadas atrás. Eis o porquê:
"Num contexto de fúria com os políticos, desigualdade e estagnação econômica, o voto dos latino-americanos nos últimos tempos tem sido pendular: da esquerda para a direita e agora novamente para a esquerda.

A regra nas eleições democráticas na região é a vitória da oposição.

'O importante é mudar de lado para ver se as coisas melhoram, porque o grau de descontentamento na América Latina nunca foi maior do que agora', diz Marta Lagos, diretora da pesquisa de opinião regional Latinobarômetro..."

Segundo Lissardy, talvez a maior diferença entre a onda esquerdista do passado e a onda atual na América Latina seja o cenário em que elas surgem:

"Entre 2000 e 2014, o boom internacional das commodities deu aos presidentes da região um cheque gordo para investir em programas sociais e projetos estatais de todos os tipos. 

Agora, com uma guerra na Europa, inflação crescendo e alta dos preços, tanto para crédito quanto para insumos, as economias da região estão encontrando mais dificuldades para tirar vantagem do aumento dos preços das commodities. 

E os governos podem gastar muito menos do que seus cidadãos desejam, em tempos de pandemia de covid-19 e instabilidade social.

Isso contrasta com a agenda dos antigos líderes da maré rosa, de Chávez a Lula, que priorizavam a exploração de petróleo.

De fato, as diferenças persistem: Lula disse recentemente que a ideia de Petro, da Colômbia, criar um bloco anti-petróleo com líderes regionais progressistas 'não é real' neste mundo.

Outros presidentes de esquerda, como o mexicano Andrés Manuel López Obrador e o boliviano Luis Arce, também apostam nas indústrias extrativas.

No entanto, talvez nisso a nova política que Boric e Petro estão propondo hoje esteja em melhor sintonia com a sociedade do que a antiga política, como assinala Lagos".

Ou seja (e este é o motivo de eu ter aqui reproduzido tais trechos do longo artigo da BBC), Lissardy veio ao encontro dos alertas que este blog tem lançado desde há um bom tempo, no sentido de que a conjuntura internacional invalida a mera tentativa de repetição da política econômica adotada por Lula no seu primeiro governo, aquela da qual os brasileiros sentem saudades. 

Por absoluta falta de ideias, ele, depois de bater em bêbado nas urnas, levará uma surra da realidade ao enfrentar o desafio de tirar a economia brasileira do fundo do poço sem ir à raiz do problema: é o próprio capitalismo que agoniza e precisa ser superado.   

Para piorar as coisas, Lula, fracassando, criará condições para uma volta da extrema-direita ao poder, seja pela via golpista, seja nas eleições de 2026. 

O movimento pendular entre esquerda e direita persistirá enquanto a alternância for entre a esquerda domesticada que não ousa confrontar a dominação burguesa e as duas faces da moeda capitalista (a que se impõe pela força bruta e a que se impõe pela supremacia econômica e pela lavagem cerebral levada a cabo pela indústria cultural). 

Expelido o Bozo (e inevitavelmente o será, pois nem vai conseguir reverter sua estratosférica rejeição com esmolas na enésima hora, nem tem a menor chance de encabeçar um golpe bem sucedido, já que lhe faltam as condições objetivas para tanto, além de, no plano pessoal, um mínimo de coragem) não deve ser encarado como o fim da nossa missão.

Mas, antes, como o início da parte mais difícil: forjar uma nova esquerda, que ofereça um rumo à sociedade depois do fracasso anunciado do terceiro governo do Lula. 

Uma nova esquerda que esteja sintonizada com o tempo em que vivemos e consciente da necessidade de assegurarmos um futuro para os que virão depois de nós, ao invés de, p. ex., exibir uma ignorância estarrecedora sobre o imperativo de mudarmos a matriz energética, o que já deveríamos ter feito lá no século passado. (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 24 de maio de 2022

ALÍVIO NA ECONOMIA DARIA FÔLEGO AO BOZO EM SUA AGONIA? ESTÁ DESCARTADO!

Nem reeleição, nem golpe. O que os meses restantes de 2022 reservam para o genocida é uma derrota eleitoral acachapante, com grande chance de não chegar sequer ao 2º turno; e um fracasso retumbante se tentar reproduzir a invasão do Capitólio, pois flopará como a micareta golpista do último 7 de setembro.

A quartelada de 1964 vingou porque os EUA, sob a presidência do caipirão Lyndon Johnson,  a respaldaram; porque os poderosos que davam as cartas na economia brasileira a incentivaram; e porque  a alta oficialidade das Forças Armadas se apavorou com a contestação que sofria dos subalternos. O apoio de uma classe média altamente manipulável pela Igreja e pela mídia foi só a cereja do bolo.

Hoje, Joe Biden  e os principais governantes europeus querem mais é entenderem-se com o sucessor do celerado, que é ruim para os negócios do capitalismo globalizado e, pessoalmente, exala um mau hálito insuportável para eles, ao apoiar  invasões disparatadas, criticar-lhes as esposas  e alinhar-se com seus adversários nas eleições.

Os empresários a bordo do trem fantasma do palhaço sinistro, por sua vez, são os vira-latas do capitalismo, que querem liberdade de ação para destruir a Amazônia, as reservas indígenas e tudo que lhes proporcionar lucros estratosféricos e imediatos, deixando depois uma terra arrasada atrás de si. Os que têm visão de médio e longo prazos já estão trocando figurinhas com o Lula na surdina.

Se há algo que as Forças Armadas aprenderam com a agonia lenta do regime militar na década de 1980 é que não lhes convém governar o Brasil quando a economia está estagnada. Trata-se exatamente do cenário que ora se vislumbra. 

Se não acreditam em mim, ouçam o que o presidente do Bradesco,  Octavio de Lazari Jr., disse nesta 2ª feira (23) a jornalistas que cobriam o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, segundo noticiou Luciana Coelho na Folha de S. Paulo:
 
"Acredito que a inflação vá continuar persistente neste ano todo, e a expectativa é que ela comece a ficar mais controlada a partir do ano que vem. Isso globalmente, e no Brasil em especial.

O mundo todo está preocupado com o que está acontecendo com o fornecimento das cadeias globais de suprimentos, então isso enseja uma preocupação ou uma expectativa de continuidade da inflação por mais tempo. 

E isto de fato deve acontecer, até que você restabeleça todas as cadeias de suprimentos globais, que é o que precisa ocorrer efetivamente para que você tenha o melhor controle da inflação, que hoje é de oferta, não de demanda. 
Você ainda tem o problema da pandemia, que tem uma influência relevante, e o problema da guerra [na Ucrânia], que também tem influência importante porque tanto a Ucrânia quanto a Rússia são produtores importantes de matéria-prima e de produtos exportáveis
"
.

Trocando em miúdos: as eleições de outubro transcorrerão com nossa economia no fundo do poço e, ao tentar travar canhestramente aumentos como o dos preços de combustíveis, o pária, além de não reconquistar a classe média, vai aumentar o receio que os poderosos da economia têm da gestação de um novo Chávez. 

No seu desespero de véspera de derrota, o pior presidente brasileiro de todos os tempos só consegue acelerar a própria desconstrução. Sem o apoio dos que o empurraram para cima com disparos ilegais de fake news e facadas cenográficas, ele se tornará, a partir da posse do Lula, exatamente o que era antes de fabricarem-no como presidente.  

Antes que volte a ser nada, deveria é estar negociando alguma saída honrosa, que lhe garantisse ao menos a impunidade para si e seus rebentos. Mas, falta-lhe discernimento até para isto. (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 23 de novembro de 2021

QUANDO UM DITADOR BANANEIRO ESTÁ NA BERLINDA, POR QUE NÃO TE CALAS, LULA?

C
ada vez que o Bozo leva seu circo para fora do Brasil, o prestígio internacional do nosso país despenca mais um pouco. 

São tantas as asneiras que dispara como metralhadora e os vexames por ele protagonizados, que vou abster-me de enfileirar exemplos, até porque não caberiam no espaço deste post. 

Eu precisaria fazer uma série de, digamos, umas cem partes, não hesitando em eclipsar os três volumes do Festival de Besteiras que Assola o País.  Mas, tive pena do saudoso Sérgio Porto (nome real do Stanislaw Ponte Preta)...

Entrevistado pelo jornal El País em Madri, Lula cometeu a mesmíssima lambança tantas vezes repetida pelo palhaço sinistro: trombetear em países civilizados o que só pega bem junto aos seguidores fanatizados daqui. No caso do Lula, defender o indefensável ditador bananeiro da Nicarágua, Daniel Ortega.

Teimoso como uma Lula, o mula (ôps, troquei as bolas...) continua insistindo em não admitir os erros crassos que cometeu ou endossou, tais quais:
— ter voltado as costas aos manifestantes de junho/2013 e do #NãoVaiTerCopa enquanto eram massacrados pelas polícias de alguns governadores e tratados com rigor extremo pelo Judiciário dos mesmos estados, o que facilitou a investida da extrema-direita para, assumindo o controle das ruas, desempenhar papel importante na acumulação de forças visando ao impeachment da Dilma;
Os protestos de 2013 nasceram no campo da esquerda, mas o PT lhes voltou as costas
— a recusa do PT em fazer autocrítica por, no exercício do poder, haver-se igualado aos partidos convencionais, fisiológicos e corruptos, deixando de ser visto como uma alternativa a eles;
— haver, com a catastrófica política econômica do primeiro governo da gerentona trapalhona, conduzido o Brasil a uma recessão que pavimentou o caminho para a retomada direitista;  
— ter entregue a vitória na eleição de 2018 numa bandeja ao Bozo, pois detonou a possibilidade de união das forças de esquerda contra o inimigo comum ao puxar o tapete de Ciro Gomes e jogou tempo precioso no lixo com a ridícula candidatura fantasma do Lula, cuja rejeição pela Justiça Eleitoral eram favas contadas, só servindo para criar confusão e protelação no nosso campo.  

VACILADAS E TIROS NO PÉ – Eis, comentadas por mim, as incontinências verbais nas quais Lula incorreu na entrevista a El País. Elas só serviram para o mundo ficar sabendo que, se o Bozo é um desastre absoluto como presidente, a perspectiva de volta do Lula ao poder leva jeito de tornar-se um desastre relativo:
Candidatura fantasma: tempo precioso jogado no lixo
"Quando eu governei, tentaram me convencer de que fosse a um terceiro mandato, e eu disse não, porque sou favorável ao rodízio de poder. 
Disse em uma entrevista que todo político começa a acreditar que é imprescindível e insubstituível e começa a virar um pequeno ditador".  
[Papo furado: Lula percebeu que o mandato seguinte seria uma roubada, com uma tempestade econômica se formando e os grandes empresários exigindo a imposição das reformas neoliberais. Então preferiu preservar-se, deixando a adoção das medidas impopulares a cargo da sua pupila e esperando voltar na boa em 2018, após a limpeza de área.] 
"Eu era contra a candidatura de Daniel Ortega mais uma vez. A Frente Sandinista tem muita gente para se candidatar. Também fui contra Evo Morales ser candidato –ele já havia feito dois mandatos extraordinários. E o mesmo com Chávez.  
Posso ser contra, mas não posso interferir nas decisões de um povo. Por que Angela Merkel pode ficar 16 anos no poder, e Daniel Ortega não? Por que Margaret Thatcher pode ficar 12 anos no poder, e Chávez não? Por que Felipe González pôde ficar 14 anos no poder?"
Descontentamento só se deve à instigação imperialista e à ingratidão dos cubanos? 

[Os devotos da democracia burguesa quebrarão as pernas do Lula apontando, entre outros aspectos, o despropósito de ele comparar primeiros-ministros dos parlamentos europeus com presidentes latino-americanos reeleitos em pleitos de cartas marcadas, com gritantes evidências de abuso do poder. 

Já para mim, o maior problema é tais regimes autoritários não terem absolutamente nada a ver com os ideais marxistas ou anarquistas. 

(Pois estes preveem a diluição do poder entre os trabalhadores, de forma que as decisões sobre seus destinos cada vez mais lhes pertençam, e não sua concentração nas mãos de odiosas nomenklaturas que garantem para si próprias privilégios inacessíveis à maioria da população, eternizando, sob outra forma, a desigualdade e a exploração do homem pelo homem.] 
Soberba do PT é um enorme trunfo para seus inimigos
"Essas coisas não acontecem só em Cuba, mas no mundo inteiro. A polícia bate em muita gente, é violenta". 
[De novo a relativização daquilo que o PT antes condenava furiosamente nos governos e partidos adversários! 

Justificar a proibição de manifestações de protesto e a repressão aos que pensam diferente chega a ser até compreensível no caso de um indivíduo formado na ambiência do coronelismo nordestino e repaginado pelo sindicalismo de resultados aprendido em São Paulo, um personagem que jamais conheceu, compreendeu ou optou pela visão revolucionária. 

Mas, tal postura é simplesmente incompatível com o papel de estrela de um partido que pretende representar uma alternativa ao neofascismo. Para Lula, ditadura ruim é só a dos adversários. 

Nem sequer se dá conta de como tal posicionamento conflita com o dos idealistas que querem construir um novo modelo de sociedade, com justiça social e liberdade plena

Nem, tampouco, de quanto ele o aproxima dos  atuais detentores do poder, cuja relutância em recuar de suas asneiras é tamanha que destruíram a si próprios, irremediavelmente, ao travarem uma guerra insana contra a vacinação.] (por Celso Lungaretti)

domingo, 2 de agosto de 2020

O LOBO BOZO SE TRAVESTE DE CORDEIRO

Há um traço comum entre o populismo de esquerda e o populismo de direita: a distribuição de migalhas aos pobres como forma de manutenção do poder político que serve ao capitalismo!

Pois não é que o capitão Boçalnaro, o ignaro virou o paladino da sensibilidade com o sofrido povo dos grotões pobres do nordeste, com chapéu de couro e tudo???

A brusca reviravolta equivale a uma admissão do fracasso de suas posturas anteriores:
— a sua cantilena contra o Supremo Tribunal Federal (aquele mesmo que poderia ser fechado com um cabo e um soldado, segundo um dos seus filhos zero à esquerda) não intimidou o Poder Judiciário, que tem consciência de que sua função de proteger os cânones do republicanismo burguês lhe garante o apoio da elite político-empresarial brasileira; 
— a sua agressão verbal às casas legislativas federais a que pertenceu por longos 28 anos, integradas por deputados e senadores eleitos em sua grande maioria com o apoio econômico-político conservador, não iria funcionar; e
— o pretendido apoio ao seu projeto absolutista primário por parte das Forças Armadas (ainda ressabiadas com a experiência fracassada de poder de 1964 a 1985), no sentido de que avalizassem o seu discurso golpista, não viria. 

Então, rapidamente ele fez um giro de 180°, tornando-se o Boçalnaro paz e amor!!! 
"um passo atrás para dar dois adiante"

Em substituição ao projeto liberal heterodoxo que não vingaria num mundo que antes mesmo da pandemia já prenunciava uma recessão global e que foi gravemente atingida pela paralisia provocada pelo alastramento das gripezinhas, o governo passou a assenta-se em novas premissas:
— aceno aos deputados do Centrão com distribuição de cargos importantes do Poder Executivo, em troca de apoio político governamental que evitasse o seu impeachment;
— aumento de impostos (que afirmou em campanha ser impossível de acontecer no seu futuro governo) via uma sub-reptícia reforma tributária que inclui, rebatizada, a impopularíssima CPMF;
— distribuição de dinheiro sem valor para os brasileiros que estão na rua da amargura (seja pelo desemprego estrutural capitalista que já era acentuado antes da pandemia, seja pelo agravamento dessa crise estrutural em razão da paralisia provocada crise sanitária), medida emergencial de fôlego curto e que adiante causará graves consequências às nossas já combalidas finanças privadas e públicas;
— abandono do projeto liberal e adoção do keynesianismo estatal intervencionista na economia tão caro à esquerda no poder político burguês, combinado com a suspensão temporária do discurso de venda das estatais (Petrobrás, Banco do Brasil, etc.).

Se por acaso Fernando Haddad houvesse sido eleito, as circunstâncias da conjuntura econômica capitalista lhe imporiam medidas similares, com diferenciações cosméticas. 

É que não existe soberania de vontade política no capitalismo, de vez que é o poder econômico o verdadeiro condottiere das ações político-governamentais mais importantes e da catástrofe social dele decorrente.

Nada mais liberal do que um governo keynesiano em tempos de ascensão capitalista; nada mais keynesiano do que um governo liberal em tempos de crise aguda do capitalismo.
Até onde irá sua nova imagem paz e amor?

Os governos não governam, mas são governados, tal qual um surfista que se equilibra na onda sem nela interferir. Este é o ponto fundamental de unidade entre projetos políticos diferentes no discurso, mas que se assemelham na forma e conteúdo.  

Ainda que se possa admitir maior sensibilidade social a um ou ao outro, o populismo eleitoral é o que pontua em ambos os projetos, apesar das diferenças cosméticas entre eles. 

A história, que pode ser contributiva educadora do presente, está a nos ensinar que as ditaduras usam e abusam de seu discurso de defesa dos trabalhadores e do trabalho, sem que ditos trabalhadores desconfiem dos seus propósitos tenebrosos mais recônditos.

Os trabalhadores e o trabalho abstrato, que se constituem como artífices da própria opressão da qual são vítimas, nem desconfiam que, ao produzirem valor e se deixarem explorar pela extração de mais-valia, estão a reforçar o discurso populista dos pais dos pobres. 

Não é por menos que:
— o partido nazista se auto-intitulava nacional-socialista dos trabalhadores; 
— Mussolini promulgou a Carta del Lavoro  italiana, que criou a legislação trabalhistas  daquele país e na qual estavam inclusas bandeiras socialistas que encobriam  sua verdadeira face fascista (que levou a Itália ao desastre genocida da 2ª Guerra Mundial); 
— Stalin, assassino de verdadeiros revolucionários, trazia na bandeira a foice e o martelo, símbolos do trabalho e dos trabalhadores, processando e matando seus opositores em nome da defesa do pretenso Estado proletário (acabou, contundo, por criar as bases do leviatã capitalista atual, sob o comando de um ditador não menos populista, Vladimir Putin);  
"a guinada de 180º está deixando atônitos os seguidores"
— Getúlio Vargas, conhecido admirador de Mussolini, abrasileirou a legislação trabalhista do fascismo italiano, o que lhe permitiu posar de pai dos pobres;
— Mao Tse Tung criou as bases que conduziriam a China ao capitalismo de Deng Xiao Ping, mais predador do que qualquer outro e sob um regime politicamente fechado;
— Hugo Chávez conduziu a Venezuela à bancarrota de Nicolás Maduro, sob o argumento populista de defesa contra o imperialismo estadunidense e congêneres, sem levar em conta que lá também se praticava e continua praticando o capitalismo com o uso de todas as suas categorias econômicas (valor, trabalho abstrato extrator de mais-valia, mercado, mercadoria, Estado, política, etc.);
— Fidel Castro deixou intacta as categorias capitalistas mediadoras das relações sociais cubanas, agora até com liberação para desenvolvimento capitalista privado em algumas áreas, tudo em nome da libertação proletária;
— Ronald Reagan e Margaret Thatcher conduziram com mãos-de-ferro as políticas dos Estados Unidos e Reino Unido, sendo responsáveis por guerras e exploração das nações mundo afora;
— o ditador generalissimo Francisco Franco tanto matou e torturou os espanhóis revolucionários que foi passou à história como um genocida repudiado pela maioria do povo espanhol;
— o ditador Antonio Salazar infernizou a vida dos portugueses por décadas, até que a revolução dos cravos destituísse o regime ditatorial populista apodrecido.   
"a brusca reviravolta equivale a uma admissão do fracasso de suas posturas anteriores"
Todos estes ditadores atuaram sob bases capitalistas, com diferenciações na condução política de assunção ao poder e sua governança, mas que se confundem nos pressupostos de modo de produção capitalista, que é o que define o caráter essencial da sociedade (Marx).

Não, Boçalnaro, você não nos engana. 

O seu histórico de vida pessoal de militar conspiratório e de político sem proposição e com discurso homofóbico, racista, ditatorial, belicoso e primário, depõe contra a sua atual tentativa oportunista e populista.

Aliás, sua nova postura deve estar deixando atônitos os seus bovinizados seguidores, que já não sabem como se posicionar diante dessa guinada retórica de 180º, como forma de sua sobrevivência no poder político que você mesmo (por mero primarismo e obtusidade) acreditava ser maior do que aquele com o qual se deparou ao assumir a Presidência da República. 
"não, Boçalnaro, você não nos engana"

A atual fase de lobo travestido de cordeiro do Boçalnaro apenas demonstra a fragilidade de princípios e o caráter falacioso do discurso contra a velha política, a corrupção, e outros temas.

Tudo se resume ao velho passo atrás para (se reeleito) dar dois passos à frente, reassumindo a sua verdadeira face ditatorial.

Sua esperança é a de que, após a presente tormenta, sobrevenha a (impossível) tranquilidade político-econômica que lhe permitiria implementar aquilo que traz no seu íntimo: o desejo de governar sem os pesos e contrapesos políticos da democracia burguesa. 

Pois, apesar das lições que está recebendo da história, ele ainda não compreendeu, em toda a sua extensão, que sob o capitalismo quem manda é o capital. (por Dalton Rosado)
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