"Pela primeira vez desde a criação da Otan após a 2.ª Guerra, aliados se veem compelidos a discutir dissuasão simbólica contra os próprios Estados Unidos. A confiança – ativo invisível, mas essencial – se deteriora a olhos vistos. E quando a confiança é desintegrada, os custos se multiplicam em cadeia: na coesão política, na previsibilidade estratégica, na credibilidade financeira...
...Ao tratar aliados como obstáculos e regras como inconvenientes, Trump acredita colocar a América em primeiro lugar. Na prática, acelera a transição para um mundo menos previsível e muito mais perigoso. Por esse motivo, a Europa precisa reagir a Trump, estabelecendo um limite para a sua irresponsabilidade..." (trechos do editorial de hoje d'O Estado de S. Paulo, intitulado A Europa precisa enfrentar Trump)
Tradicionalmente conservador, além de baba-ovos do Tio Sam, O Estado de S. Paulo teve, contudo, grandes momentos no século passado, ao reagir corajosamente à ditadura de Getúlio Vargas, quando ficou sob intervenção federal entre 1940 e 1945; e depois à dos generais, ao preencher os espaços vazios das notícias censuradas com versos de Camões.
Foi igualmente inesquecível a atitude do diretor de redação do Jornal da Tarde (também pertencente ao Grupo Estado), Murilo Felisberto, ao proibir o ingresso dos agentes do DOI-Codi que pretendiam efetuar uma prisão.
E, após o assassinato do Vladimir Herzog, a empresa passou a enviar um diretor junto com qualquer dos seus profissionais que fosse chamado para depor no DOI-Codi.
O editorial de hoje não é, portanto, nenhuma surpresa. Mas, ao exigir da Europa que coloque uma coleira no pescoço doTrump raivoso que preside os Estados Unidos, ele certamente frustrou um considerável contingente de anunciantes e leitores.
A reação borocoxô do Lula diante do sequestro de seu aliado surpreendeu por sua pusilanimidade; e a do Estadão por demonstrar mais espírito de luta do que o PT.
Em tempo: sempre considerei os governos de Chávez e Maduro como meras nomenklaturas, mas fiquei envergonhado da atitude vil e servil do governo brasileiro. Portamo-nos como quintal dos EUA. (por Celso Lungaretti)
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