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domingo, 22 de fevereiro de 2026

COMBATE AO NARCOTRÁFICO É O PRETEXTO DOS EUA PARA INTERVENÇÕES NOUTROS PAÍSES. LULA LHES OFERECERÁ AJUDA

Ser bom vassalo é esquecer aquilo que a 
gente quer
 Aquilo pelo que um dia lutamos. Aquilo em nome do
qual companheiros estimados morreram e sofreram.
(Arema Conta Tiradentes)
O Lula acaba de dar detalhes sobre a próxima vassalagem que prestará ao Trump, ainda sem data marcada. 

Ele vai aos EUA para negociações e, no momento em que estadunidenses realizam operações militares na América Latina pretextando o combate ao narcotráfico, Lula dirá que assim seja, meu amo. Se não, vejamos:
Nessa conversa, quero aprofundar o combate ao narcotráfico, ao tráfico de armas, à lavagem de dinheiro. Qualquer coisa que puder colocar os magnatas da corrupção na cadeia, estamos dispostos a trabalhar.
E quanto à pirataria internacional ora praticada pelos Estados Unidos, que tiveram a desfaçatez de vir aprisionar o presidente de um país latino-americano vizinho ao nosso? A isto ele responde só com conversa pra boi dormir: Queremos uma relação respeitosa na América Latina, porque nós definimos que a nossa zona é de paz. 

É simplesmente repulsiva a intenção do Lula de colocar nossa Polícia Federal como prestadora gratuita de serviços para os EUA: 

Se o governo americano estiver disposto a combater o crime organizado, nós estaremos na linha de frente, baliu Lula. 

E dá-lhe mais conversa para boi dormir: Agora os EUA estão ameaçando o Irã. É preciso colocar um paradeiro nisso. O mundo está precisando de paz.

Como nos contos da carochinha, faltou o Lula apontar quem vai colocar o guizo no pescoço do gato. De algo temos certeza: não será o Brasil. (por Celso Lungaretti)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

A ENÉRGICA REAÇÃO DOS PAÍSES EUROPEUS CONTRA TRUMP REFORÇA A IMAGEM DO BRASIL COMO QUINTAL DOS EUA

Alemanha, França, Noruega e Suécia anunciaram que enviarão tropas para defender a Groenlândia da cobiça de Donald Trump, que não esconde sua intenção de anexar a ilha e passar a controlá-la.

Localizada no Ártico, a Groenlândia é um Estado semiautônomo pertencente à Dinamarca, que, apoiada pelos ilhéus e também por nações da Organização do Tratado do Atlântico Norte, resiste aos planos do Trump. 

Neste sentido, foi criada a Operação Artic Endurante (Resistência Ártica) e os quatro países começam a enviar tropas para exercícios militares cujo início está marcado para a semana que vem.

A aliança defende o princípio da defesa coletiva entre seus membros e proíbe ataques entre países aliados.

A determinação dos europeus torna ainda mais vexatória a posição frouxa do Brasil, que fez discursos e mais nada contra Trump, ao invés de liderar a América do Sul na tomada de ações efetivas contra o sequestro de Nicolás Maduro.

Com isto, não só traiu um país aliado como fica exposto a uma eventual tentativa estadunidense de abocanhar pedaços da Amazônia. 

Isto porque quem permanece em cima do muro quando deveria agir corre o risco de que outras nações sigam seu exemplo quando for ele o necessitado de ajuda. 
(por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

NÃO TOLERO LERO-LERO

Li que a Organização dos Estados Americanos convocou uma reunião extraordinária para os representes dos vários países fazerem discursos estridentes mas nada decidirem de concreto contra os EUA em função do sequestro de Maduro.

O blablablá do embaixador Benoni Belli, representante permanente do Brasil junto à organização, teve como principal trecho o seguinte:
“Os bombardeios no território da Venezuela e o sequestro do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e ameaçam a comunidade internacional com um precedente extremamente perigoso”. 
A pior roubada do mundo é ser aliado do Lula
O que o Brasil fará contra tal
precedente extremamente perigoso? Nada. 

Ficará torcendo para a blitzkrieg do Adolf Trump não avançar Amazônia adentro. 

Fez-me lembrar que fazia um tempão que eu não disponibilizava aqui a ótima canção Lero-Lero, composta pelo Edu Lobo e Cacaso. 

É um bom momento para eu preencher essa lacuna. (por Celso Lungaretti) 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

CLÁSSICO DO CINEMA ANTI-IMPERIALISTA, 'GRINGO' É A ATRAÇÃO DA 'FILMES PARA VER NO BLOG' DE HOJE. TEM TUDO A VER!

Gian-Maria Volonté e Lou Castel: amizade inesperada. 
Q
uando acompanhamos indignados a nova agressão do Trump ao continente americano, talvez nos sirva de um pequeno consolo assistir a este excelente faroeste anti-imperialista do cinema italiano.  

O que gostaríamos de ver é uma união de países contra a pirataria internacional e a entrega de um ultimato ao sequestrador fanfarrão, mas não podemos esperar algo assim dos presidentes bananas de nuestra América, começando pelo Lula.

Isto porque ele se mostra mais apreensivo com as sequelas eleitorais do episódio do que com o risco que a própria Amazônia passou a correr de ser ocupada e saqueada. Então, fiquemos com a arte, pois a vida anda uma desilusão só...  
Klaus Kinski: messiânico e carismático.
Gringo é o filme de 1967 que apontou um novo rumo para a carreira do diretor e roteirista Damiano Damiani (1922-2013), cujas incursões pelos épicos, dramas e comédias haviam tido resultados inexpressivos.

Ao contar uma história com fundo político e todos os ingredientes do cinema de ação procurados pelos fãs dos westerns, conseguiu agradar não só à clientela habitual dos bangue-bangues (desacostumada a a roteiros com essa qualidade superior e a tal excelência de interpretações, trilha sonora e direção), como também atrair um público mais politizado.

Gringo (também conhecido como Uma bala para o general) mostra  o mercenário estadunidense El Niño (Lou Castel) tentando chegar ao acampamento de um dos líderes da Revolução Mexicana, dom Elias (Jaime Fernández) para o assassinar a soldo do reacionário governo asteca. 

Consegue infiltrar-se num grupo guerrilheiro que ataca trens e guarnições militares para obter armas destinadas a Elias, mas sua tarefa se complica quando nasce uma inesperada amizade entre ele e o comandante da tropa, El Chuncho (Gian-Maria Volonté).

Num filme superlativo, com vários momentos inesquecíveis, destaque também para a primeira  interpretação impactante do Klaus Kinski, como El Santo. (por Celso Lungaretti)

domingo, 4 de janeiro de 2026

BARBA NEGRA NÃO É MAIS O MAIOR PIRATA DE TODOS OS TEMPOS. TRUMP, O CORSÁRIO DO PETRÓLEO, TOMOU SEU LUGAR

"Eu sou o pirata da perna de pau,
do olho de vidro, da cara de mau

...Minha galera
Só tem garotas na guarnição,
Por isso se outro pirata
Tenta a abordagem, eu pego o facão
E grito do alto da popa:
Opa! Homem não"

(marcha composta pelo Braguinha que 
fez muito sucesso no carnaval de 1946) 

sábado, 3 de janeiro de 2026

MEU TOTAL REPUDIO À AGRESSÃO DOS EUA CONTRA A VENEZUELA. MAS, DUVIDO QUE NOSSOS PRESIDENTES BANANAS REAJAM

Mesmo sem jamais haver tido simpatia pelo chavismo, considero anacrônica, covarde e inaceitável a agressão estadunidense à Venezuela. Então, como sempre, minha solidariedade vai toda para a parte mais fraca.

Infelizmente, tenho a certeza de que os presidentes bananas sul-americanos (com exceção do canalha Javier Milei, lambe-botas do Trump) farão discursos indignados e, por meio de seus representantes, chororô no muro de lamentações que é a ONU. Contudo, não se unirão para a tomada de uma atitude mais contundente contra o vilão imperialista à moda antiga.

Quanto ao Lula, cuja trajetória acompanho desde as grandes greves do ABC, não me surpreenderei se no futuro viermos a saber que uma reação frouxa no episódio venezuelano tiver sido a contrapartida dele previamente exigida para o esvaziamento da chantagem tarifária contra o Brasil. Se non è vero, è ben trovato...

O sequestro do Maduro, um indiscutível ato de pirataria internacional, só admite uma resposta: ultimato conjunto aos EUA exigindo sua libertação e, se não for atendido, declaração de guerra. 

Mas, os leitores decerto nem sequer cogitam que  tal linha de ação venha a prevalecer. Mais de um século depois, engoliremos abúlicos tal retrocesso à política do grande porrete de Theodore Roosevelt. Acostumamo-nos à indignidade. 

Que falta faz uma esquerda de verdade por aqui! (por Celso Lungaretti)

Lembrança de uma América do Sul que resistia aos déspotas

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

ASSASSINATO EXTRAJUDICIAL DE SOLEIMANI ACENTUA A INFLUÊNCIA CATASTRÓFICA DE TRUMP NA GOVERNANÇA GLOBAL

mathias alencastro
SOLEIMANI COMETEU CRIMES, MAS SUA
 POPULARIDADE NO IRÃ ERA INQUESTIONÁVEL
Mundialmente famoso desde a semana passada, Qasem Soleimani encarnava a figura literária do agente persa, negociador irascível, criativo e realista. 

Ele é apontado como o principal responsável pela expansão da esfera de influência de Teerã. Sob o seu comando, a Força Quds passou a operar na interface entre o aparato militar formal e informal, organizando uma rede de atores não estatais do Mediterrâneo à Caxemira.

Tal como as outras partes envolvidas no interminável conflito do Oriente Médio, Soleimani cometeu inúmeros crimes de guerra. Mas sua popularidade no Irã era inquestionável. Até os dissidentes do regime condenaram o seu assassinato. 

O funeral deste domingo (5) reuniu uma quantidade impensável de populares, só comparável à do funeral do líder supremo Khomeini. Ao que tudo indica, o governo de Hassan Rowhani, confrontado a poderosas revoltas sociais, saiu reforçado pelo ataque dos EUA.

Outros motivos tornam a morte de Soleimani ainda mais excepcional. Ele não era um terrorista que vivia escondido na mais absoluta ilegalidade, mas uma autoridade de um Estado soberano. 

Uma das convenções mais elementares das relações internacionais estabelece que devem ser evitados ataques sumários a diplomatas, ministros e militares de alta patente. 

Esse acordo tácito torna possível o diálogo entre os piores inimigos. É, p. ex., amplamente conhecido que as forças ocidentais contaram com o apoio dos militares iranianos para derrotar os talibãs afegãos e, mais tarde, o Estado Islâmico.

O general Soleimani pilotava uma guerra por procuração no Iraque, mas o Irã não estava em guerra declarada com os Estados Unidos. Ele não era o almirante Yamamoto, o arquiteto do ataque de Pearl Harbor liquidado em 1943 a pedido de Franklin Roosevelt, nem o líder Muammar Gaddafi, financiador de um ataque terrorista contra civis americanos e alvo de um ataque aéreo aprovado, mas nunca oficialmente reconhecido, por Ronald Reagan em 1986.

Até para os padrões dos juristas de Washington, que esticaram ao máximo o direito de conduzir assassinatos extrajudiciais na era Barack Obama, Soleimani era dificilmente um alvo legítimo. 

A justificativa avançada, de que o iraniano preparava um ataque iminente, parece tão frágil quanto as armas de destruição em massa iraquianas. A relatora da ONU sobre assassinatos extrajudiciais, Agnes Callamard, já indicou que Donald Trump pode ter agido ilegalmente.

A involução das relações entre os Estados Unidos e o Irã é a melhor ilustração do impacto catastrófico de Donald Trump na governança global. Formalizado em 2015, o acordo nuclear, uma peça exímia de diplomacia e ciência de ponta, criava condições para a reinserção internacional do Irã. 

Motivado pela ânsia infantil de obliterar o legado de Barack Obama, Trump rasgou o compromisso e regressou ao regime medieval de sanções, na origem de uma crise humanitária tão inútil como brutal. 

Depois de reacender o conflito, ele autoriza o assassinato ilegal de uma figura-chave e ameaça cometer crimes contra a humanidade no Twitter. E ainda há quem se sinta mais seguro vivendo nesse mundo sem leis nem reis. (por Mathias Alencastro) 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

COM BRAVATA DESVAIRADA EM BAGDÁ, TRUMP TENTA MANTER-SE NO PODER

Donald Trump tem enorme chance de perder o poder em 2020:
— seja pela via do impeachment, mais do que justificado no caso de um presidente dos EUA que chantageou um governo estrangeiro para forçá-lo a participar de um conluio contra um político estadunidense; 
— seja por derrota eleitoral, único resultado plausível após tantas trapalhadas que cometeu.

Ciente de que caminha na corda bamba, deu uma cartada definitiva ao atacar o Irã da forma mais traiçoeira e covarde, sem declaração de guerra, jogando no lixo todas as convenções internacionais.

Resta sabermos quanto tal ato de pirataria custará ao mundo. Resta torcermos para que não seja o estopim de algo muito maior, como o assassinato do arquiduque Francisco Fernando, num atentado de nacionalistas sérvios contra o herdeiro do império austro-húngaro, acabou provocando a 1ª Guerra Mundial.

Torçamos também para que tal bravata desvairada sepulte definitivamente a presidência caricata de lá que inspirou a presidência caricata de cá. 

Por Celso Lungaretti
Os desejos de ano novo dos cidadãos civilizados dos EUA e do Brasil coincidem: o de em 2021 não terem mais de suportar dois Napoleões de hospício empoderados, que fazem dos seus delírios políticas de Estado.

Sobre as consequências do atentado de Sarajevo (ôps, quer dizer, de Bagdá) para o Brasil, reproduzo um bom artigo do Jamil Chade, mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Genebra.

jamil chade
TENSÃO ENTRE EUA E IRÃ COLOCA
 ITAMARATY EM ENCRUZILHADA
A tensão entre EUA e o Irã coloca a diplomacia brasileira de Ernesto Araújo numa situação delicada. 
Se tradicionalmente o Itamaraty adotou uma postura de construir pontes e evitar entrar em conflitos na região, a nova aliança entre Jair Bolsonaro e Donald Trump modificou a equação. 

O assassinato de Qasem Soleimani pelos EUA tem sido condenado pela China, pela Rússia e mesmo pelos democratas americanos. 

Na Europa, governos imediatamente lançaram apelos para que uma guerra seja evitada, mesmo que reconheçam o papel perigoso que Soleimani teve ao longo de anos na desestabilização da região e mortes. 

Na avaliação de especialistas, um conflito que já vinha sendo travado nas sombras agora ganha a luz do dia. E com consequências que podem sair do controle. 

Uma das marcas do primeiro ano do governo brasileiro foi seu alinhamento automático com Washington. Mas, desta vez, o que muitos na ONU querem saber é como o discurso de submissão de Brasília vai ser traduzido diante da ameaça de um conflito maior. 

O mercado iraniano tem sido um importante destino das exportações brasileiras. Mas a situação testa agora até que ponto Bolsonaro e Araujo poderão resistir aos americanos e adotar uma postura independente. 
Um episódio menor voltará a ter consequências terríveis?

Nos últimos meses, o governo brasileiro tem sido pressionado por Trump a incrementar a pressão sobre o Irã, inclusive se distanciando de contratos comerciais e até mesmo o abastecimento de navios de Teerã. 

Em alguns aspectos, o Brasil já cedeu. P. ex., o Itamaraty vai sediar, a pedido dos EUA, uma conferência internacional em fevereiro sobre a situação no Oriente Médio e Irã. 

O evento, porém, é visto como um instrumento do governo Trump de estabelecer um plano para a região que permita frear a influência iraniana e apoiar governos aliados, como Israel. 

Nos corredores da ONU, porém, um experiente diplomata lembra: jamais se mede uma aliança com base em declarações em tempos de paz. A questão, para o Brasil, é saber se irá condenar a ação de seu maior aliado ou chancelar um assassinato de estado que ameaça abrir um conflito de perigosas proporções. (por Jamil Chade)
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