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quinta-feira, 24 de outubro de 2024

RELATÓRIO DE UM ALIENÍGENA SOBRE UMA NAVE DE DESESPERADOS

"Os seres humanos inventaram
a bomba atômica, mas nenhum
rato no mundo inventaria uma
ratoeira"(Albert Einstein)

Se um alienígena fosse enviado ao nosso planeta para fazer um relatório sobre como viviam os habitantes, certamente destacaria que, entre os seres vivos, há os que denominam a si próprios de hominídeos, os quais, apesar de se considerarem racionais, agem irracionalmente. 

Muito perigosos, possuíam capacidade criativa intelectual e habilidade manual altamente belicosa e destrutiva do próprio habitat e de todas as espécies de vida, inclusive da própria.   
    
Certamente ressalvaria que, se eles superassem o estágio evolutivo da sua racionalidade, ainda em transição de uma primeira natureza primitiva para uma segunda natureza cognitiva cerebral, não sucumbindo como espécie nem tornando o planeta inabitável, poderiam atingir um grau superior civilizatório.
  
No corpo do relatório talvez comentasse que os animais de vida selvagem geralmente protegiam os demais de sua própria espécie, enquanto os considerados racionais promoviam matanças genocidas de seus iguais, sob o argumento absurdo de que tais ações se justificariam como necessárias para a defesa das suas próprias vidas.

Como prova de tal afirmação, o alienígena escrivão da armada intergaláctica enviaria imagens dos bombardeios:
—russos aos prédios residenciais da Ucrânia;
—israelenses sobre Beirute e sobre a população civil de Gaza; e
—iranianos sobre Tel-Aviv e Jerusalém.

Acrescentaria que o noticiário internacional vez por outra revelava que os litigantes discutiam a possibilidade do uso de armas nucleares, com capacidades destrutivas dez vezes maiores do que a extensão territorial do próprio planeta...          

E que, mesmo ainda relutando em adotarem procedimento tão extremo, não deixavam de ficar ficavam brincando de terror com bombinhas menores (por eles denominadas  mísseis teleguiados por GPS de autopropulsão ou adaptados a drones.
 
E ainda afirmaria que a hipótese de extinção da espécie, numa ação suicida genocida, seria factível, considerando-se que em 1918 e 1945 esses mesmos hominídeos promoveram duas guerras envolvendo todos os países do planeta, numa carnificina que dizimou cerca de 3% de toda a população dessa espécie.
 
Diria que eles adoram a guerra e até formavam segmentos militares adestrados com armas cada vez mais letais para manter o status quo interno e defender o que chamam de pátria, convictos de que para manter a paz é preciso se preparar para a guerra. É mole?   

O comportamento suicida, contudo, não se esgota por aí, afirmava o escriba alienígena. Além das guerras, eles poluem os mananciais de águas potáveis da qual necessitam para viver, bem como os mares, o solo e o ar.  
Mas o principal problema da atualidade é a emissão de volume excessivo de gás carbônico na atmosfera, o que provoca o que eles chamam de 
efeito estufa, aquecendo a temperatura planetária e colocando em risco a própria vida animal e vegetal.  

Já se observam desertificações de vastas áreas, secas prolongadas, enchentes, aumento do nível das águas marinhas e da própria temperatura dessas águas, derretimento de geleiras e outras alterações climáticas. Os cientistas que denunciam tais ocorrências são destratados por uma espécie de hominídeos denominados políticos que negam a cientificidade e os fatos evidentes. 

Os países mais ricos, embora sejam os que mais emitem gás carbônico na atmosfera, cobram dos mais pobres preservação de suas florestas como fator de equilíbrio de tais emissões poluentes; mas, seguindo-se a receita suicida irracional em prática, o aquecimento do planeta provoca grandes incêndios naturais ou criminosos, ateados por quem tem interesses próprios a uma relação social de produção irracional e concentradora de poder nas mãos desses produtores incendiários e poluentes. 

A maior floresta tropical do planeta, denominada Amazônia, tida como pulmão planetário, agora arde em chamas e produz o efeito contrário, tornada a campeã de emissão de gás carbônico, numa comprovação da irracionalidade suicida que venho relatando.   

Recentemente uma epidemia de vírus covid 19 dizimou quase 15 milhões de pessoas e muitos políticos (denominados negacionistas) negaram sua existência e periculosidade  interessados na continuidade da produção de bens de consumo sob tais circunstâncias, visando a obtenção de lucros e arrecadação de impostos. em benefício da uma parcela privilegiada desses hominídeos. 

Até inventaram vacinas que previnem tais doenças, mas houve políticos governantes que sabotaram a sua aplicação, maximizando os óbitos.
  
Eles são seres urbanos na sua maioria, que costumam habitar cidades caóticas porque cindidas em classes sociais com pequenos núcleos de moradores beneficiados e completamente cercados por grandes contingentes de outros menos favorecidos, os quais pertencem ao segmento dos escravizados por uma coisa chamada salário, que é a forma de subtração da riqueza socialmente produzida. 

Nessas cidades proliferam gangues do crime organizado que roubam cargas dessas mercadorias; traficam e vendem entorpecentes que escravizam ainda mais os hominídeos que as usam; roubam bancos para obter valor (que chamam de dinheiro) que é o mecanismo de mediação social e poder, e não raro funcionam como milícias formadoras de um estado paralelo ao estado oficial, ambos opressores dos escravizados. 

O aparelho repressor oficial, as polícias, muitas vezes se acumpliciam com os criminosos; e o mais absurdo é que eles, ao invés de se unirem contra tudo isso, procuram se adaptar a esse estado de coisas. Uma babel.    

A esses bens de consumo e serviços, num artificialismo escravista da maioria dos hominídeos, denomina-se mercadoria, mecanismo que é capaz de escravizar os que a produzem com seus esforços em benefício dos que delas se apropriam (nesse universo tudo é dinheiro, representação da abstração denominada valor, uma invenção capciosa de escravização e apropriação indébita da riqueza socialmente produzida), e o mais grave é que os escravizados agradecem aos escravizadores a chance de serem escravizados.  
Os escravizados costumam, inclusive, pedir, juntamente com seus sindicatos (uma espécie de corporação dos escravizados), mais empregos, ou seja, mais oportunidades de escravização, e têm até representantes políticos e partidos que vivem de tal representação, como se fizessem uma advocacia administrativa dos primeiros, sem jamais questionarem a natureza da escravização, numa certificação flagrante de irracionalidade generalizada que graça entre tais hominídeos.

Eles se organizam em nações territorialmente delimitadas, e têm uma estrutura político-administrativa vertical na qual os escravizados elegem periodicamente os gerentes que vão gerir tais organizações em benefício dos escravizadores que exercem o poder econômico (o verdadeiro poder, que manda em todos). 

Também fazem leis elaboradas pelos representantes dos escravizadores, e têm juízes que as aplicam coercitivamente, e por força militar, quando se faz preciso.  
 
Assim, encerro esse relatório concluindo que os mamíferos irracionais, por natural instinto de sobrevivência, são mais preservacionistas e agem mais racionalmente do que os seus parentes racionais, que por estarem num processo de evolução intelectual transitório, ainda primário, dele se aproveitam para subjugar perigosamente a tudo e a todos. 

Acabam de ir  às urnas para legitimar com o voto as suas anuências a esse status quo sem se aperceberem que, assim procedendo. passam certidões de suas inconsciências sociais.  

Quiçá não se autodestruam e possam transitar para um estágio superior no qual os hominídeos sobreviventes dessa nave de desesperados se apiedem dos atuais hominicídios. (por Dalton Rosado)  
"Eis que da idade da pedra surge o amigo,/ chegou sem medo e memória./ 
De lembrança apenas sangue e dor/ e um machado com as inscrições:/
se achará o elo perdido, enfim,/ no homem das novas gerações"

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

EM 1948, EINSTEIN JÁ CONDENAVA O FASCISMO SIONISTA

 

Em 2 de dezembro de 1948, Einstein e um grupo de professores, de origem judaica, enviaram uma carta ao jornal The New York Times - cujo original em inglês pode ser lido aqui em sua versão completa e aqui na versão impressa no jornal à época - se manifestando contra a visita aos EUA de Menachem Begin, então líder do partido israelense Partido da Liberdade, agremiação que décadas depois daria origem ao Likud, hoje comandado por Benjamin Netanyahu.

É expressiva a posição do grupo sobre tal movimento e a denúncia feita pelos autores a respeito das ligações ideológicas entre o tal Partido da Liberdade e o nazifascismo. Importante considerar que nessa época ainda se acreditava na factibilidade da existência de dois estados, algo logo desacreditado pelas ações de limpeza étnica do governo israelense.

Einstein nunca fizera questão de se marcar enquanto judeu e não era apoiador do movimento sionista, tendo, contudo, apoiado o surgimento do Estado de Israel sob o impacto dos crimes perpertrados pelos nazistas, embora logo tenha se distanciado disso. 

Quando se atacarem as comparações entre o que se é feito hoje contra os palestinos e as ações nazistas contra os judeus, lembrem-se que Einstein já tinha feito essa comparação muitas décadas atrás. (por David Coelho)

Entre os fenómenos políticos mais perturbadores dos nossos tempos está o surgimento, no recém-criado Estado de Israel, do "Partido da Liberdade" (Tnuat Haherut), um partido político estreitamente semelhante na sua organização, métodos, filosofia política e apelo social aos nazistas e Partidos fascistas. Foi formada a partir dos membros e seguidores do antigo Irgun Zvai Leumi (IZL), uma organização terrorista, de direita e chauvinista na Palestina.

A atual visita de Menachem Begin, líder deste partido, aos Estados Unidos é obviamente calculada para dar a impressão de apoio americano ao seu partido nas próximas eleições israelitas e para cimentar laços políticos com elementos sionistas conservadores nos Estados Unidos. Vários americanos de renome nacional emprestaram seus nomes para saudar sua visita. É inconcebível que aqueles que se opõem ao fascismo em todo o mundo, se corretamente informados sobre o histórico político e as perspectivas do Sr. Begin, possam acrescentar os seus nomes e apoio ao movimento que ele representa.

Antes que danos irreparáveis sejam causados por meio de contribuições financeiras, manifestações públicas em nome de Begin e a criação na Palestina da impressão de que um grande segmento da América apoia elementos fascistas em Israel, o público americano deve ser informado sobre o histórico e os objetivos de Sr. Begin e seu movimento.

Menachem Begin, que futuramente
ganharia o Nobel da Paz, o mesmo 
 ganho por Obama e Kissinger...

As confissões públicas do partido de Begin não servem de guia para o seu verdadeiro caráter. Hoje falam de liberdade, democracia e anti-imperialismo, enquanto até recentemente pregavam abertamente a doutrina do Estado Fascista. É nas suas ações que o partido terrorista trai o seu verdadeiro caráter: a partir de suas ações passadas, podemos julgar o que se espera que faça no futuro.

Ataque à Aldeia Árabe

Um exemplo chocante foi o seu comportamento na aldeia árabe de Deir Yassin. Esta aldeia, fora das estradas principais e rodeada por terras judaicas, não participou na guerra e até lutou contra bandos árabes que queriam usar a aldeia como base. Em 9 de abril ( de acordo com o THE NEW YORK TIMES), bandos terroristas atacaram esta pacífica aldeia, que não era um objetivo militar nos combates, mataram a maioria dos seus habitantes (240 homens, mulheres e crianças) e mantiveram alguns deles vivos para desfilarem como prisioneiros através das ruas de Jerusalém. A maior parte da comunidade judaica ficou horrorizada com o feito, e a Agência Judaica enviou um telegrama de desculpas ao rei Abdullah da Transjordânia. Mas os terroristas, longe de se envergonharem do seu ato, orgulharam-se deste massacre, divulgaram-no amplamente e convidaram todos os correspondentes estrangeiros presentes no país a verem os cadáveres amontoados e a destruição geral em Deir Yassin.

O incidente de Deir Yassin exemplifica o caráter e as ações do Partido da Liberdade.

Dentro da comunidade judaica, pregaram uma mistura de ultranacionalismo, misticismo religioso e superioridade racial. Tal como outros partidos fascistas, eles têm sido usados para quebrar greves e têm eles próprios pressionado para a destruição de sindicatos livres. Em seu lugar, propuseram sindicatos corporativos segundo o modelo fascista italiano.

Palestinos são expulsos de suas casas para
criar o Estado de Israel, em 1947.
Durante os últimos anos de violência anti-britânica esporádica, os grupos IZL e Stern inauguraram um reinado de terror na comunidade judaica palestina. Professores foram espancados por falarem contra eles, adultos foram baleados por não deixarem seus filhos se juntarem a eles. Através de métodos de gangster, espancamentos, quebra de janelas e roubos generalizados, os terroristas intimidaram a população e cobraram pesados tributos.

O povo do Partido da Liberdade não participou nas conquistas construtivas na Palestina. Eles não recuperaram terras, não construíram assentamentos e apenas prejudicaram a atividade de defesa judaica. Os seus tão divulgados esforços de imigração foram minuciosos e dedicados principalmente a trazer compatriotas fascistas.

Discrepâncias vistas

As discrepâncias entre as ousadas afirmações agora feitas por Begin e o seu partido e o seu registo de desempenho passado na Palestina não trazem a marca de um partido político comum. Esta é a marca inconfundível de um partido fascista para quem o terrorismo (contra judeus, árabes e britânicos) e a deturpação são meios, e um "Estado Supremo" é o objetivo.

À luz das considerações anteriores, é imperativo que a verdade sobre o Sr. Begin e o seu movimento seja divulgada neste país. É ainda mais trágico que a liderança superior do sionismo americano se tenha recusado a fazer campanha contra os esforços de Begin, ou mesmo a expor aos seus próprios eleitores os perigos para Israel decorrentes do apoio a Begin.

Os abaixo-assinados, portanto, utilizam este meio para apresentar publicamente alguns fatos importantes relativos a Begin e ao seu partido; e de exortar todos os envolvidos a não apoiarem esta última manifestação do fascismo. (Einstein e outros em carta ao jornal The New York Times)

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

ENTRE O CALCULISMO DESUMANO DO HAMAS E A LOUCURA SINISTRA DE ISRAEL NÃO EXISTE ESCOLHA POSSÍVEL: SÃO AMBOS EXECRÁVEIS!

O Hamas parece ter percebido que. praticamente imbatível no plano militar, Israel é facilmente levado a vulnerabilizar-se, expondo seu absoluto desprezo por todos que não façam parte do que os judeus acreditam ser: o povo escolhido pelo único Deus.

Onde foram buscar tamanha sandice? Em Deuteronômio 7:7-9:
"...o Senhor amou vocês por causa do juramento que fez aos seus antepassados. 
Por isso ele os tirou com mão poderosa e os redimiu da terra da escravidão, do poder do faraó, rei do Egito. 
Saibam, portanto, que o Senhor, o seu Deus, é Deus; ele é o Deus fiel, que mantém a aliança e a bondade por mil gerações daqueles que o amam e obedecem aos seus mandamentos"
Foi, certamente, a chamada ilusão compensatória: eram fracos, sacos de pancada dos poderosos, por eles dominados  e amiúde escravizados, mas desprezavam seus opressores e não buscavam alianças com outros fracos. A lorota religiosa era seu ópio, que lhes dava força para seguirem adiante.

Não por acaso, se destacariam numa das mais ignóbeis formas de assegurar a sobrevivência material: a usura. Sem remorsos, porque não viam as vítimas de sua atividade predatória e desumana como iguais, mas sim como seres inferiores, já que não desfrutavam das graças do verdadeiro Deus.

Este é o principal motivo de suas desgraças através dos tempos. Sua soberba, sua insistência em jamais se misturarem à população dos países que os acolhiam, fazendo questão de deles se diferenciarem nos costumes e mesmo no  visual, conduzia inevitavelmente à sua estigmatização. 
E, por conta dessa existência conflituosa, foram capazes de produzir grandes pensadores, artistas e cientistas, pois as contradições impeliam à busca do conhecimento e à lapidação dos talentos.

Quando se tornaram o povo escolhido  (não por Deus, mas sim pelas sete irmãs do petróleo!) para servirem como cães de guarda dos interesses capitalistas no Oriente Médio, seu lado pior foi aflorando cada vez mais: pela primeira vez sentiram-se suficientemente poderosos para imporem aos povos desprezados por Deus o mais impiedoso olho por olho, dente por dente. 

E quantas bestialidades vêm cometendo desde 1948, incapazes de refrearem seus delírios de onipotência! Tornaram-se simplesmente os campeões absolutos de transgressões aos direitos humanos e aos direitos dos povos, piratas da modernidade, vivendo de acordo com os próprios desígnios e desmoralizando completamente a ONU e os próprios fundamentos da vida civilizada.

O Hamas conseguiu identificar o calcanhar de Aquiles de Israel: fazer questão de sempre responder às agressões que sofre com uma contundência extremamente maior. Então, desencadeou uma ofensiva de ações abomináveis, apostando em que Israel a elas reagiria com monstruosidades como o cerco da Faixa de Gaza e a expulsão de mais de 1 milhão de palestinos da terra que habitam. 
Não há a mais remota dúvida sobre quem seja o vilão maior nesta questão: é e sempre será o Estado terrorista, que pratica os piores crimes contra a humanidade todas as vezes em que sente-se desafiado.

Israel, paradoxalmente, faz lembrar os nazistas, que, quando um dos seus era atacado nas nações por eles ocupadas, se vingava executando uma ou mais dezenas de civis escolhidos a esmo.

Assim como a Faixa de Gaza mais parece uma aberrante repetição do Gueto de Varsóvia: as devastadoras represálias israelenses  entregam o quanto Israel absorveu de seus inimigos de outrora!  

E o Hamas? Poderá até atingir seu objetivo, mas o fará chafurdando na mais repugnante crueldade fundamentalista. Nada, absolutamente nada, justifica o massacre indiscriminado de civis, incluindo crianças, idosos e todo tipo de indefesos!

E não é só a Israel que atinge com sua armadilha hedionda: também a esquerda se vê obrigada à difícil escolha entre o calculismo desumano dos fundamentalistas de Alá e a loucura sinistra dos carniceiros de Jeová.

Embora a grande imprensa brasileira seja tendenciosa ao extremo neste conflito, nós, da esquerda revolucionária, não podemos ceder à tentação de endossar a barbárie do Hamas, caso contrário perderemos o direito de nos apresentarmos como defensores da civilização, da igualdade entre todos os seres humanos e da liberdade plena. 

Isto tudo, aliás, eu já escrevia num artigo de 2009, A tragédia do Oriente Médio. Releiam e perceberão que cai como uma luva para o episódio atual.  

Se há alguém nesse imbróglio com quem podemos nos identificar, são apenas os civis de ambos os lados que estão sendo covardemente feitos de alvos da insanidade de combatentes indignos. Eles sofrem desmesuradamente em função de fantasmas do passado e da idiotia religiosa que continuam determinando as decisões dos dirigentes fundamentalistas e sionistas. 

Já os litigantes só merecem nossa mais profunda repulsa.  (por Celso Lungaretti) 
Filmaço de 1977 do Richard Attenborouhgh, o diretor de Gandhi.
É uma superprodução com elenco estelar, sobre os planos infalíveis
dos senhores da guerra e os morticínios inúteis que deles decorrem.  

terça-feira, 1 de agosto de 2023

AMBÍGUO E OPORTUNISTA, OPPENHEIMER ESCANCAROU AS PORTAS DO INFERNO E DEPOIS AS QUIS FECHAR COM SUPER BOND

T
endo este blog publicado uma excelente crítica do filme Oppenheimer (clique aqui para acessá-la), vou acrescentar uns poucos aspectos históricos que considero importantes e o chinfrim diretor Christopher Nolan omitiu ou diluiu na mixórdia de informações atiradas na tela sem uma correta hierarquização por ordem de importância. 

Como se ainda estivesse lidando com personagens de HQ como o Batman, Nolan produziu muito estardalhaço e pirotecnia para, no final, deixar o espectador leigo no assunto com a impressão de que Oppenheimer tenha sido herói e vítima, enquanto os falcões que o perseguiram durante o macartismo seriam os únicos vilãos. Ou seja, quem não sabia nada agora sabe quase nada...

Primeiramente, não fica claro que uma verdadeira histeria obnubilou o raciocínio dos principais físicos da época face à possibilidade de Adolf Hitler contar com uma bomba atômica para seus desígnios hediondos. Tiveram um pesadelo à noite e, ao acordarem pela manhã, estavam convertidos em alarmistas atônitos.

Então, sem hesitarem um segundo, correram a pedir socorro para o Tio Sam, como se dotarem os EUA de um poder apocalíptico garantisse que o mundo ficaria mais seguro. 

O resultado dessa obtusidade dos scholars para enxergarem o que está fora do seu nicho específico foi o verdadeiro milagre de até agora a espécie humana não haver sido destruída por uma guerra atômica. 

As peças do dominó, vale lembrar, estiveram muito próximas de caírem uma a uma na crise dos mísseis cubanos, em 1962.  Fomos buscar na bacia das almas uma sobrevida que já dura sete décadas, mas se sustenta até hoje sobre um equilíbrio precário. Amanhã poderá ser nenhum dia, ou então o day after... 

Como bem ressaltou o David Emanuel Coelho, esses cientistas, com o húngaro Leo Szilard à frente, tinham em comum o propósito de salvarem os judeus e/ou os esquerdistas do nazi-nazismo.

E convenceram Albert Einstein a endossar suas preocupações numa carta escrita por Szilard e assinada também pelo pai da teoria da relatividade, que era respeitadíssimo pelo presidente estadunidense Franklin Delano Roosevelt. 

A partir daí vieram a decisão política e os recursos financeiros para u projeto atômico dos EUA.

Físico da segunda prateleira, que nem antes nem depois ganhou o Prêmio Nobel, Oppenheimer percebeu o mesmo que os colegas mais ilustres: passara a existir uma possibilidade teórica de se fabricar uma bomba atômica. 

E foi escolhido pelo chefe militar do Projeto Manhattan, o general Leslie Groves, para comandar a parte científica do empreendimento. Por quê? Por ter mais jogo de cintura, saber lidar pragmaticamente com diversos aspectos do empreendimento, enquanto os dotados de melhores cérebros sabiam muito de sua especialidade e quase nada de todo o resto. 

Talvez Groves também haja percebido que aquele jogador da série B obcecado por ascender à série A se prestaria aos papéis mais repulsivos para preservar seu posto, como delatar um companheiro suspeito de traição e até tornar-se um destruidor de mundos (conforme a frase de efeito que depois andou pretensiosamente citando, sem perceber que ela mais o incriminava do que o favorecia).

E, quando o perigo nazista, que não era tão sólido quanto os ingênuos cientistas  supunham (os aliados, ao ocuparem a Alemanha, encontraram o projeto atômico nazista ainda longe da conclusão) se desmanchou no ar, foi forte a rejeição entre os medalhões do projeto à ideia de usar-se a bomba contra o Japão. Não era para isto que eles tinham trabalhado com tanto afinco.
Casal Rosenberg: a corda arrebenta
sempre do lado mais fraco.

Oppenheimer, contudo, afiançou-lhes que os líderes políticos e militares sabiam o que estavam fazendo. 

Ou seja, mentiu descaradamente, pois participara de suficientes reuniões com essa gente podre para depreender que ela era capaz de mandar pelos ares uma cidade nipônica apenas para justificar, diante dos eleitores, os US$ 2 bilhões até então despendidos na empreitada. 

Consta também que, quando do teste definitivo da bomba em Los Alamos, Oppenheimer estava mais ansioso do que marido na maternidade à espera do parto da esposa. Os técnicos tiveram de pedir-lhe que se retirasse do recinto, pois deixava todo mundo nervoso. Preocupações humanitárias? Conta outra.

Bombas fabricadas e explodidas, algo entre 150 mil e 250 mil seres humanos exterminados nos primeiros tempos (afora os que morreriam ao longo dos anos seguintes), não escapou a Oppenheimer que aquele horror todo o faria ser visto doravante como um dr. Frankenstein da vida real, pois a etapa seguinte seria a de os muitos culpados eximirem-se da responsabilidade moral pelo monstro, deixando-as nas costas de vocês sabem quem.

Foi quando ele trocou sua fantasia de salvador das vidas dos soldados que morreriam se os EUA fossem obrigados a invadirem o Japão pela de opositor da bomba de hidrogênio e propositor de medidas irrealistas  para evitarem-se novos novas bestialidades como as de Hiroshima e Nagasaki. O melhor momento do filme é quando o presidente Truman se indigna com as lágrimas de crocodilo de Oppenheimer e grita-lhe que a responsabilidade pelo uso da bomba cabia ao stablishment político e militar, não aos cientistas que a criaram.  Uma lição de realpolitik.

Mas Nolan preferiu passar pano na imagem do cientista louco, contrapondo-lhe os mais loucos ainda falcões do Pentágono e caçadores de bruxas do macartismo. Para o público que engole as lorotas de Hollywood, acaba ficando a impressão de que Oppenheimer não foi tão ruim, afinal. Minha opinião é exatamente a oposta. 

Por último, aponto os grandes ausentes do melodrama político de Nolan: Julius e Ethel Rosenberg, o casal de comunistas de passeata que serviram de estafetas para o repasse à espionagem soviética de informações sobre o Projeto Manhattan. 

Foi outra opção de realpolitik: as altas autoridades estadunidenses consideraram preferível isentar os figurões da física que subsidiaram a URSS para que se estabelecesse um equilíbrio do terror (ou seja, visando evitar que o monopólio da destruição do mundo permanecesse nas mãos dos Estados Unidos). Como alternativa, o país que prega justiça para todos proveu catarse para a opinião pública eletrocutando quem estava mais à mão. 

Afinal, alguém precisava pagar pela epidemia de diarreia que se espalhou pelo país inteiro quando se ficou sabendo que os soviéticos também possuíam sua bomba. Azar desses dois pobres coitados que não entendiam bulhufas dos dados técnicos que estavam passando adiante! (por Celso Lungaretti)
É por lembrar das crianças de Hiroshima que nunca perdoarei
quem de alguma forma concorreu para seu extermínio 

quinta-feira, 21 de abril de 2022

ELE QUERIA FECHAR O CONGRESSO. SERÁ FECHADO NA CELA.

josias de souza
SUPREMO USA SILVEIRA PARA INFORMAR QUE
 BOLSONARISMO PETULANTE
 DÁ CADEIA
Ao condenar Daniel Silveira, o Supremo Tribunal Federal fez um risco no chão. Demarcou a fronteira que separa a liberdade de expressão do crime. 

"Está claro que o deputado não é um bom exemplo", disse à coluna um dos ministros da Corte. "Mas ele acabou servindo como um ótimo aviso." 

Silveira foi usado pelo Supremo para informar aos seus semelhantes, inclusive ao presidente da República, que o bolsonarismo petulante, quando descamba para o ódio e passa a ameaçar a democracia, dá cadeia. O deputado recebeu quatro pauladas:
1. cana de oito anos e nove meses, em regime inicialmente fechado; 
2. perda do mandato; 
3. inelegibilidade, com o consequente sacrifício de sua candidatura ao Senado; e
4. multa estimada em cerca de R$ 192 mil.

Além de insultos e xingamentos, ardiam no caldeirão em que se formaram as culpas de Daniel Silveira:
1. ameaças de agressão física a ministros do Supremo; 
2. incitação à invasão e ao fechamento do Congresso e da Suprema Corte; e
3. fabricação de animosidade entre as Forças Armadas e as instituições civis. 

O aviso do Supremo foi extensivo ao Legislativo. O Conselho de Ética da Câmara já havia aprovado uma punição para Daniel Silveira: suspensão do mandato por seis meses. O castigo mixuruca depende do aval do plenário da Casa. 

Cabe ao presidente da Câmara, o réu Arthur Lira, incluir a encrenca na pauta de votação. Mas Lira, movido à base de orçamento secreto e rendido às conveniências de Bolsonaro, mantém a parecer do Conselho de Ética na gaveta há nove meses. 

Com sua decisão, os ministros do Supremo informaram a Lira e seus cúmplices que aqueles que dizem que alguma coisa não pode ser feita são geralmente surpreendidos por alguém fazendo a coisa. A cassação do mandato transformou em piada a ideia de premiar Silveira com uma folga hipertrofiada de seis meses. 

Bolsonaro e seus devotos apostavam que o ministro André Mendonça pediria vista do processo, engavetando-o por tempo suficiente para que o réu chegasse até as urnas de outubro. Deu errado. 

Além de não travar o julgamento, o terrivelmente evangélico Mendonça compôs a maioria de 10 votos favoráveis à condenação de Silveira. Ficou isolado na dosimetria da pena. Atribuiu culpa a Silveira apenas na imputação de estimular a violência ou grave ameaça contra autoridades para favorecimento próprio. Fixou a pena em 2 anos e 4 meses, em regime aberto.

Apenas o ministro Nunes Marques, descrito por Bolsonaro como 10% de mim dentro do Supremo, votou pela absolvição de Silveira. Considerou o comportamento e as declarações do deputado inaceitáveis. Mas sustentou que tudo não passou de  ilações e conjecturas inverossímeis. 
Nessa versão, Silveira teria pronunciado
bravatas sem credibilidade. Coisas incapazes de intimidar quem quer que seja. 

Carmen Lúcia ironizou o voto do colega. Disse que, se o Supremo aguardasse pela concretização das ameaças, o julgamento de Silveira não ocorreria, pois o deputado arguiu a suspeição de nove dos 11 ministros da Corte. 

Para a defesa de Silveira, apenas André Mendonça e Nunes Marques teriam isenção para julgar o deputado. Se prevalecesse o entendimento de Nunes Marques, Silveira seria apenas um inofensivo neurótico que constrói castelos no ar. Ou um psicótico, que mora nos castelos de vento. 

Para azar do bolsonarismo, a maioria do Supremo optou por se comportar como o psiquiatra, que cobra o aluguel do maluco. 

A certa altura, o relator Alexandre de Moraes evocou um raciocínio de Albert Einstein:
"Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao universo, ainda não tenho certeza absoluta". 
Por vias oblíquas, Moraes como que convidou o eleitor do Rio de Janeiro a refletir sobre as razões que levaram um pedação da sociedade fluminense a escolher a estupidez como sua representante na Câmara federal. 

Daniel Silveira é um ex-PM. Passou seis anos na corporação. Nesse período, puxou 26 dias de xadrez. Colecionou 14 repreensões e duas advertências.

Antes de entrar para a polícia, trabalhou como cobrador de ônibus. Valia-se de atestados médicos falsos para faltar ao serviço. 

Um personagem assim podia ser enviado para muitos lugares, exceto para o Congresso. (por Josias de Souza)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

PRECISAMOS NOS LEVANTAR EM DEFESA DO POVO UCRANIANO — 1

dalton rosado
A TENSÃO DA GUERRA
A
s mesmas questões que causaram dois conflitos mundiais no século 20 estão presentes na tensão de guerra dos últimos dias, envolvendo um novo bloco de países: a Rússia e a China de um lado; e o ocidente do outro.

É a velha e abominável luta pela hegemonia econômica de uns sobre outros. 

Trata-se da melhor tradução do que seja o regime da exploração do homem pelo homem: capitalismo é isto! 

Reproduz-se no campo internacional  o que se observa no microcosmo de qualquer cidade capitalista, na qual os pequenos comerciantes lutam entre si para que sobrevivam uns e morram os outros, terminando todos, contudo, por sucumbir diante de algum capitalista maior e mais poderoso. 

A 1ª Guerra Mundial foi consequência do interesse insano da Alemanha de dominar a Europa, por se considerar tecnologicamente superior no contexto da revolução industrial em curso na Europa. 

A 
2ª Guerra Mundial decorreu da primeira e dos mesmos interesses, com um adicional racista acentuado. 

A Alemanha se recuperava dos danos advindos da derrota na 1ª Guerra, que submeteu o povo germânico à penúria enquanto o país amargava ter sido obrigado a retirar-se de áreas sob sua influência, por exigência dos vitoriosos. 

Tais frustrações alimentaram um forte desejo de vingança, capitalizado pelo nazismo belicoso, xenófobo e racista, com sua exigência de espaço vital e sua exaltação de uma suposta superioridade ariana. 

O vírus desta insanidade desumana que se instala entre os humanos tal qual uma peste sanitária altamente letal e que tomou forma desde a primeira revolução industrial, chama-se capitalismo. 

Agora a geopolítica capitalista toma novos contornos, com o agravante de que uma guerra convencional, de ocupação militar terrestre, com apoio marítimo e aéreo, poderá ser o estopim de uma guerra nuclear devastadora, capaz de colocar a espécie humana a um passo da extinção..

O calcanhar de Aquiles do capitalismo one world em estado agônico é sua impossibilidade de expansão, pois esta se tornou socialmente destrutiva, ecologicamente suicida e estruturalmente autodestrutiva de sua própria forma e fundamentos enquanto modo de relação social. 

Os Estados Unidos e o ocidente europeu, que nos últimos cem anos usufruíram os benefícios de suas hegemonias política e econômica, veem o feitiço se virar contra o feiticeiro. E é no mercado, o 
altar do sacrifício humano, que a autofagia capitalista se consuma.

O capitalismo, repito, é uma forma de relação social fratricida.  Sofre do que chamo de síndrome do tucunaré (peixe predador que, nos açudes, engole todos os outros até exterminá-los e então, por não ter mais alimentos, destrói a si mesmo).  

Ao introduzir a tecnologia de ponta na produção de mercadorias, o capitalismo decretou, em maior parte, o desuso do trabalho abstrato (trabalho vivo, capital variável, Marx), substituído pelo trabalho das máquinas (trabalho morto, capital fixo, Marx) e, assim, reduziu substancialmente a massa de valor global produzida, tornando inviável a mediação social sob sua lógica. 

Vence, agora, quem aplica tecnologia e trabalho escravo (ainda mais explorador do que o anterior) na produção de mercadorias. Esta é a receita da China capitalista para sentir-se autorizada a propor uma nova hegemonia política e econômica para o mundo, tendo a Rússia como seu satélite. (por Dalton Rosado – continua neste post) 
Dalton expressa em música quanto cansaço lhe causa ter de
suportar a insensatez e desumanidade do capitalismo agônico

terça-feira, 23 de novembro de 2021

QUANDO UM DITADOR BANANEIRO ESTÁ NA BERLINDA, POR QUE NÃO TE CALAS, LULA?

C
ada vez que o Bozo leva seu circo para fora do Brasil, o prestígio internacional do nosso país despenca mais um pouco. 

São tantas as asneiras que dispara como metralhadora e os vexames por ele protagonizados, que vou abster-me de enfileirar exemplos, até porque não caberiam no espaço deste post. 

Eu precisaria fazer uma série de, digamos, umas cem partes, não hesitando em eclipsar os três volumes do Festival de Besteiras que Assola o País.  Mas, tive pena do saudoso Sérgio Porto (nome real do Stanislaw Ponte Preta)...

Entrevistado pelo jornal El País em Madri, Lula cometeu a mesmíssima lambança tantas vezes repetida pelo palhaço sinistro: trombetear em países civilizados o que só pega bem junto aos seguidores fanatizados daqui. No caso do Lula, defender o indefensável ditador bananeiro da Nicarágua, Daniel Ortega.

Teimoso como uma Lula, o mula (ôps, troquei as bolas...) continua insistindo em não admitir os erros crassos que cometeu ou endossou, tais quais:
— ter voltado as costas aos manifestantes de junho/2013 e do #NãoVaiTerCopa enquanto eram massacrados pelas polícias de alguns governadores e tratados com rigor extremo pelo Judiciário dos mesmos estados, o que facilitou a investida da extrema-direita para, assumindo o controle das ruas, desempenhar papel importante na acumulação de forças visando ao impeachment da Dilma;
Os protestos de 2013 nasceram no campo da esquerda, mas o PT lhes voltou as costas
— a recusa do PT em fazer autocrítica por, no exercício do poder, haver-se igualado aos partidos convencionais, fisiológicos e corruptos, deixando de ser visto como uma alternativa a eles;
— haver, com a catastrófica política econômica do primeiro governo da gerentona trapalhona, conduzido o Brasil a uma recessão que pavimentou o caminho para a retomada direitista;  
— ter entregue a vitória na eleição de 2018 numa bandeja ao Bozo, pois detonou a possibilidade de união das forças de esquerda contra o inimigo comum ao puxar o tapete de Ciro Gomes e jogou tempo precioso no lixo com a ridícula candidatura fantasma do Lula, cuja rejeição pela Justiça Eleitoral eram favas contadas, só servindo para criar confusão e protelação no nosso campo.  

VACILADAS E TIROS NO PÉ – Eis, comentadas por mim, as incontinências verbais nas quais Lula incorreu na entrevista a El País. Elas só serviram para o mundo ficar sabendo que, se o Bozo é um desastre absoluto como presidente, a perspectiva de volta do Lula ao poder leva jeito de tornar-se um desastre relativo:
Candidatura fantasma: tempo precioso jogado no lixo
"Quando eu governei, tentaram me convencer de que fosse a um terceiro mandato, e eu disse não, porque sou favorável ao rodízio de poder. 
Disse em uma entrevista que todo político começa a acreditar que é imprescindível e insubstituível e começa a virar um pequeno ditador".  
[Papo furado: Lula percebeu que o mandato seguinte seria uma roubada, com uma tempestade econômica se formando e os grandes empresários exigindo a imposição das reformas neoliberais. Então preferiu preservar-se, deixando a adoção das medidas impopulares a cargo da sua pupila e esperando voltar na boa em 2018, após a limpeza de área.] 
"Eu era contra a candidatura de Daniel Ortega mais uma vez. A Frente Sandinista tem muita gente para se candidatar. Também fui contra Evo Morales ser candidato –ele já havia feito dois mandatos extraordinários. E o mesmo com Chávez.  
Posso ser contra, mas não posso interferir nas decisões de um povo. Por que Angela Merkel pode ficar 16 anos no poder, e Daniel Ortega não? Por que Margaret Thatcher pode ficar 12 anos no poder, e Chávez não? Por que Felipe González pôde ficar 14 anos no poder?"
Descontentamento só se deve à instigação imperialista e à ingratidão dos cubanos? 

[Os devotos da democracia burguesa quebrarão as pernas do Lula apontando, entre outros aspectos, o despropósito de ele comparar primeiros-ministros dos parlamentos europeus com presidentes latino-americanos reeleitos em pleitos de cartas marcadas, com gritantes evidências de abuso do poder. 

Já para mim, o maior problema é tais regimes autoritários não terem absolutamente nada a ver com os ideais marxistas ou anarquistas. 

(Pois estes preveem a diluição do poder entre os trabalhadores, de forma que as decisões sobre seus destinos cada vez mais lhes pertençam, e não sua concentração nas mãos de odiosas nomenklaturas que garantem para si próprias privilégios inacessíveis à maioria da população, eternizando, sob outra forma, a desigualdade e a exploração do homem pelo homem.] 
Soberba do PT é um enorme trunfo para seus inimigos
"Essas coisas não acontecem só em Cuba, mas no mundo inteiro. A polícia bate em muita gente, é violenta". 
[De novo a relativização daquilo que o PT antes condenava furiosamente nos governos e partidos adversários! 

Justificar a proibição de manifestações de protesto e a repressão aos que pensam diferente chega a ser até compreensível no caso de um indivíduo formado na ambiência do coronelismo nordestino e repaginado pelo sindicalismo de resultados aprendido em São Paulo, um personagem que jamais conheceu, compreendeu ou optou pela visão revolucionária. 

Mas, tal postura é simplesmente incompatível com o papel de estrela de um partido que pretende representar uma alternativa ao neofascismo. Para Lula, ditadura ruim é só a dos adversários. 

Nem sequer se dá conta de como tal posicionamento conflita com o dos idealistas que querem construir um novo modelo de sociedade, com justiça social e liberdade plena

Nem, tampouco, de quanto ele o aproxima dos  atuais detentores do poder, cuja relutância em recuar de suas asneiras é tamanha que destruíram a si próprios, irremediavelmente, ao travarem uma guerra insana contra a vacinação.] (por Celso Lungaretti)
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