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terça-feira, 23 de novembro de 2021

QUANDO UM DITADOR BANANEIRO ESTÁ NA BERLINDA, POR QUE NÃO TE CALAS, LULA?

C
ada vez que o Bozo leva seu circo para fora do Brasil, o prestígio internacional do nosso país despenca mais um pouco. 

São tantas as asneiras que dispara como metralhadora e os vexames por ele protagonizados, que vou abster-me de enfileirar exemplos, até porque não caberiam no espaço deste post. 

Eu precisaria fazer uma série de, digamos, umas cem partes, não hesitando em eclipsar os três volumes do Festival de Besteiras que Assola o País.  Mas, tive pena do saudoso Sérgio Porto (nome real do Stanislaw Ponte Preta)...

Entrevistado pelo jornal El País em Madri, Lula cometeu a mesmíssima lambança tantas vezes repetida pelo palhaço sinistro: trombetear em países civilizados o que só pega bem junto aos seguidores fanatizados daqui. No caso do Lula, defender o indefensável ditador bananeiro da Nicarágua, Daniel Ortega.

Teimoso como uma Lula, o mula (ôps, troquei as bolas...) continua insistindo em não admitir os erros crassos que cometeu ou endossou, tais quais:
— ter voltado as costas aos manifestantes de junho/2013 e do #NãoVaiTerCopa enquanto eram massacrados pelas polícias de alguns governadores e tratados com rigor extremo pelo Judiciário dos mesmos estados, o que facilitou a investida da extrema-direita para, assumindo o controle das ruas, desempenhar papel importante na acumulação de forças visando ao impeachment da Dilma;
Os protestos de 2013 nasceram no campo da esquerda, mas o PT lhes voltou as costas
— a recusa do PT em fazer autocrítica por, no exercício do poder, haver-se igualado aos partidos convencionais, fisiológicos e corruptos, deixando de ser visto como uma alternativa a eles;
— haver, com a catastrófica política econômica do primeiro governo da gerentona trapalhona, conduzido o Brasil a uma recessão que pavimentou o caminho para a retomada direitista;  
— ter entregue a vitória na eleição de 2018 numa bandeja ao Bozo, pois detonou a possibilidade de união das forças de esquerda contra o inimigo comum ao puxar o tapete de Ciro Gomes e jogou tempo precioso no lixo com a ridícula candidatura fantasma do Lula, cuja rejeição pela Justiça Eleitoral eram favas contadas, só servindo para criar confusão e protelação no nosso campo.  

VACILADAS E TIROS NO PÉ – Eis, comentadas por mim, as incontinências verbais nas quais Lula incorreu na entrevista a El País. Elas só serviram para o mundo ficar sabendo que, se o Bozo é um desastre absoluto como presidente, a perspectiva de volta do Lula ao poder leva jeito de tornar-se um desastre relativo:
Candidatura fantasma: tempo precioso jogado no lixo
"Quando eu governei, tentaram me convencer de que fosse a um terceiro mandato, e eu disse não, porque sou favorável ao rodízio de poder. 
Disse em uma entrevista que todo político começa a acreditar que é imprescindível e insubstituível e começa a virar um pequeno ditador" 
[Papo furado: Lula percebeu que o mandato seguinte seria uma roubada, com uma tempestade econômica se formando e os grandes empresários exigindo a imposição das reformas neoliberais. Então preferiu preservar-se, deixando a adoção das medidas impopulares a cargo da sua pupila e esperando voltar na boa em 2018, após a limpeza de área.] 
"Eu era contra a candidatura de Daniel Ortega mais uma vez. A Frente Sandinista tem muita gente para se candidatar. Também fui contra Evo Morales ser candidato ele já havia feito dois mandatos extraordinários. E o mesmo com Chávez.  
Posso ser contra, mas não posso interferir nas decisões de um povo. Por que Angela Merkel pode ficar 16 anos no poder, e Daniel Ortega não? Por que Margaret Thatcher pode ficar 12 anos no poder, e Chávez não? Por que Felipe González pôde ficar 14 anos no poder?"
Descontentamento só se deve à instigação imperialista e à ingratidão dos cubanos? 

[Os devotos da democracia burguesa quebrarão as pernas do Lula apontando, entre outros aspectos, o despropósito de ele comparar primeiros-ministros dos parlamentos europeus com presidentes latino-americanos reeleitos em pleitos de cartas marcadas, com gritantes evidências de abuso do poder. 

Já para mim, o maior problema é tais regimes autoritários não terem absolutamente nada a ver com os ideais marxistas ou anarquistas. 

(Pois estes preveem a diluição do poder entre os trabalhadores, de forma que as decisões sobre seus destinos cada vez mais lhes pertençam, e não sua concentração nas mãos de odiosas nomenklaturas que garantem para si próprias privilégios inacessíveis à maioria da população, eternizando, sob outra forma, a desigualdade e a exploração do homem pelo homem.] 
Soberba do PT é um enorme trunfo para seus inimigos
"Essas coisas não acontecem só em Cuba, mas no mundo inteiro. A polícia bate em muita gente, é violenta"
[De novo a relativização daquilo que o PT antes condenava furiosamente nos governos e partidos adversários! 

Justificar a proibição de manifestações de protesto e a repressão aos que pensam diferente chega a ser até compreensível no caso de um indivíduo formado na ambiência do coronelismo nordestino e repaginado pelo sindicalismo de resultados aprendido em São Paulo, um personagem que jamais conheceu, compreendeu ou optou pela visão revolucionária. 

Mas, tal postura é simplesmente incompatível com o papel de estrela de um partido que pretende representar uma alternativa ao neofascismo. Para Lula, ditadura ruim é só a dos adversários. 

Nem sequer se dá conta de como tal posicionamento conflita com o dos idealistas que querem construir um novo modelo de sociedade, com justiça social e liberdade plena

Nem, tampouco, de quanto ele o aproxima dos  atuais detentores do poder, cuja relutância em recuar de suas asneiras é tamanha que destruíram a si próprios, irremediavelmente, ao travarem uma guerra insana contra a vacinação.] (por Celso Lungaretti)

sábado, 2 de novembro de 2019

O BREXIT VEICULA A UTOPIA REACIONÁRIA DE REBAIXAR OS PADRÕES SOCIAIS E AMBIENTAIS BRITÂNICOS

demétrio magnoli
ESSES LIBERAIS QUE ADORAM O BREXIT
Um Reino Unido atordoado vai às urnas em dezembro. Boris Johnson, o primeiro-ministro conservador, definiu sua campanha como um levante do povo, pelo brexit, contra a elite que impede uma ruptura radical com a União Europeia .

Os liberais britânicos —isto é, a maioria do Partido Conservador e o Partido do Brexit, de Nigel Farage— transformaram-se numa seita anti-Europa. É mais um sintoma da degradação do pensamento liberal.

Os liberais britânicos giraram 180 graus. Entre 1985 e 1994, quando o francês Jacques Delors conduziu as negociações que concluíram a arquitetura do Mercado Único Europeu, eles ocuparam a linha de frente na batalha contra as resistências protecionistas nacionais. Hoje, renegam o que fizeram, entrincheirando-se num nacionalismo de nítida coloração populista.

No Foro da Liberdade, meses atrás, escutei as razões de um fanático do brexit, o economista Andy Duncan. Ele acusava a então primeira-ministra, Theresa May, e o líder opositor Jeremy Corbyn de subserviência à elite europeia. E, desafiando o que sugere o registro histórico, assegurava que Margaret Thatcher teria completado sem demora o serviço do brexit.
"Posso sugerir um paraquedas?" "Grato, mas basta a bandeira"

Tive, então, que recordar à plateia brasileira o primeiro plebiscito sobre o brexit, realizado em 1975, quando a conservadora Thatcher defendeu a adesão à Comunidade Europeia e o trabalhista Corbyn adotou posição contrária.

O economista ultraliberal reproduziu os discursos de campanha de Farage, que classificou como seu herói

Os Estados grandes representariam, invariavelmente, ameaças às liberdades dos cidadãos. A Europa ficaria melhor se fragmentada em microestados como Andorra, Liechtenstein ou Monaco. A UE seria um superestado opressor, uma burocracia globalista determinada a suprimir as liberdades britânicas. 

Duncan situa-se numa franja extrema do espectro partidário, mas seus argumentos esclarecem a gramática política que impulsiona o brexit. A liberdade dos modelares microestados de Duncan é a liberdade de circundar impostos: os três são paraísos fiscais.

O brexit veicula a utopia reacionária de rebaixar os padrões sociais e ambientais britânicos, pela ruptura com as regras comuns europeias. Na sua nova encarnação, os liberais sonham com uma Inglaterra bucaneira: um Chipre com armas nucleares.

Os grandes Estados europeus são diversos e relativamente abertos à imigração. A campanha do brexit concentrou-se na ideia de retomar o controle das fronteiras, abolindo o livre trânsito de cidadãos europeus e erguendo uma muralha frente aos fluxos imigratórios. 
Nigel Farage não deveria ter aberto a boca

A liberdade de Farage e Johnson é a liberdade de definir a nação à base do sangue. O brexit veicula, também, a utopia nativista de um retorno aos tempos dourados de uma Pequena Inglaterra exclusivamente branca e anglicana.

A proteção das liberdades públicas e políticas foi a mola que, lá atrás, quando assentava a poeira da guerra mundial, impulsionou o projeto europeu. Na origem da UE encontram-se os imperativos de evitar o ressurgimento do nacionalismo alemão e de traçar uma fronteira geopolítica diante do bloco soviético.

A Europa fragmentária idealizada pelos maníacos do brexit é o cenário estratégico perfeito para a Rússia, o maior dos Estados europeus. Em 2014, Farage nomeou Vladimir Putin como “o líder mundial que mais admiro”. Há um claro motivo político para o voto pró-europeu de Thatcher em 1975.

O Reino Unido navega rumo às águas turbulentas do brexit, um ato voluntário de autoagressão poucas vezes visto na história das nações. 

Os liberais convertidos ao nacionalismo xenófobo pilotam o navio, mas partilham a responsabilidade com os trabalhistas, que se recusaram a tentar mudar o curso. É que Corbyn, o líder esquerdista do partido, votou pelo brexit em 1975 por enxergar o projeto europeu como uma monstruosidade inventada pelos liberais... (por Demétrio Magnoli)
É tão bizarra a fascinação dos britânicos pelo abismo que me lembrei deste 
filme da Hammer britânica, o último da série clássica do Drácula, que
vale sobretudo pela presença dos atores emblemáticos da
franquia, Christopher Lee e  Peter Cushing. 

Mostra o vampirão-mor cansado de sua existência e inconscientemente
desejando a morte, só que, megalomaníaco ao extremo, quer levar 
a humanidade inteira consigo, espalhando um vírus mortal. 

Os malucos do brexit sucumbem ao fascínio da miséria e ainda tentam
arrastar o Reino Unido inteiro junto com eles para a penúria...  

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

OS TEMPOS SÃO OUTROS: A DEMOCRACIA LIBERAL ACABOU!

Por Vladimir Safatle
O ÚNICO SETOR QUE
 REALMENTE FAZ POLÍTICA HOJE
 É A EXTREMA-DIREITA
A democracia liberal como a conhecemos é uma invenção que se consolidou a partir do final da 2ª Guerra Mundial. Ela respondia a um sistema de acordos e equilíbrios entre setores sociais antagônicos. Sua base de sobrevivência foi a capacidade em orientar a política em direção a uma espécie de luta pela conquista do centro.

Assim, p. ex., os partidos de esquerda paulatinamente moderaram seus horizontes de ruptura institucional para acabar por serem gestores da social-democracia e do dito Estado de bem-estar social europeu. Mesmo os partidos comunistas da Europa, fortes até o final dos anos 1970, operaram no interior dessa lógica. Da mesma forma, os partidos de direita foram levados a aceitar a conservação de uma espécie de mínimo social a ser respeitado, mesmo agindo em vistas à liberalização da economia.

O primeiro tremor neste pacto se deu com a leva neoliberal de Thatcher e Reagan. Nos EUA, o pacto criado pelo New Deal de Franklin Roosevelt foi desmontado por meio de uma política de retração do Estado e redução de impostos para os mais ricos. O mesmo foi feito no Reino Unido, sob o fogo de uma luta incessante contra os sindicatos e as categorias profissionais.

No entanto, os anos 1990 pareciam inicialmente implicar certa retração do horizonte neoliberal com a ascensão do que se chamou à época de onda rosa. Mas o novo trabalhismo de Tony Blair, o novo centro de Gerhard Schröder e a volta dos democratas com Bill Clinton demonstraram outra coisa.
Thatcher e Reagan alavancaram neoliberalismo 
Na verdade, tratava-se de um alarme falso. O que se viu foi apenas a consolidação da falência da social-democracia, seu enterro pelos próprios atores que, de certa forma, deveriam representá-la. 

A França de Lionel Jospin, com alguns tons de rosa mais vermelhos, foi apenas um ponto fora da curva, já que foi lá, em 1995, que ocorreu a última grande greve geral de defesa do Estado de bem-estar social.

Essa conversão da esquerda à gestão de um neoliberalismo com o rosto mais humano era irreversível.

Isso ficou evidente com a crise de 2008 e com a ausência de alternativas a um modelo econômico falimentar. Todos os atores políticos mundiais foram forçados a aplicar a mesma política de austeridade, com suas contenções de gastos públicos, seu desmonte de mecanismos de distribuição de renda e elevação dos interesses do sistema financeiro mundial a dogma inquestionável.

Nesse processo, os partidos de esquerda foram simplesmente dizimados, já que perderam de vez sua função de contraponto.

O resultado disso estamos vendo hoje. A ascensão de aberrações como Donald Trump, a protofascista Marine Le Pen, na França (em primeiro lugar nas pesquisas), e o Alternativa para a Alemanha, além da vitória do Brexit, são partes de um mesmo fenômeno. Essas escolhas expressam a ausência de escolha dentro da democracia liberal.

Elas demonstram, na verdade, que a democracia liberal acabou, que seu acordo não existe mais. A crise econômica destruiu a democracia liberal e levou populações a irem em direção ao extremo em vez de aceitarem as normas e a dogmática econômica que vigoravam no centro.
Vitória de Trump deixou Marine Le Pen rindo à toa

Há uma certa ironia macabra nessa situação. Durante anos, a imprensa mundial tentou nos fazer acreditar que EUA e Inglaterra eram dois países que haviam deixado a crise econômica para trás com suas políticas de austeridade. No entanto, não é assim que pensam os próprios cidadãos desses países. 

Na verdade, eles escolheram discursos que insistiam na pauperização, na insegurança econômica, na precarização e no fim da globalização.

Daqui em diante, esta será a dinâmica política. Como não há mais acordo possível de conservação de conquistas sociais elementares, a política irá para os extremos. Só que, neste momento, a esquerda não consegue mais organizar um discurso de alternativa econômica. Em países como França e Alemanha (já que o SDP governa com a CDU há anos), foi ela que levou a cabo os choques de austeridade.

Nessa lógica, o único setor que realmente faz política hoje é a extrema-direita com sua mistura de discursos de proteção social e proteção paranoica contra tudo o que é tachado como corpo estranho no interior de um delírio identitário de vida social. Por isso, ela cresce vertiginosamente.

Qualquer um que tentar, mais uma vez, a lógica fracassada de conquista do centro tem seu lugar garantido no balcão de devoluções dos equívocos históricos.

Os tempos são outros.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

O QUE É A TAL 'ONDA CONSERVADORA QUE VARRE O MUNDO'?

"Vivemos em plena cultura de aparências. O contrato 
de casamento importa mais que o amor; o funeral, 
mais que o morto; a roupa, mais que o corpo; e
a missa, mais que Deus." (Eduardo Galeano)
Um provérbio popular diz que as aparências enganam. Ainda que, muitas vezes, a aparência condiga com o conteúdo, devemos ter cuidado com aquilo que aparenta ser o que não é. Neste sentido, o que significa mesmo a tal onda conservadora que varre o mundo

As crises de viabilidades sociais havidas nos últimos cinco séculos sempre apontaram para rupturas com o modelo exaurido, ainda que isto não representasse emancipações humanas no sentido de práticas sociais horizontalizadas e equânimes do ponto de vista da produção e distribuição de bens e serviços indispensáveis à vida social. Mas, representaram mudanças profundas com marchas e contramarchas (vide décadas iniciais da Revolução Francesa). 

É que, a cada alteração substancial do modo de produção dos bens e serviços produzidos socialmente, modificam-se as estruturas jurídicas e sociais de poder. 

A onda conservadora que hoje grassa mundialmente não significa exatamente aquilo que aparenta. Como num tsunami, em que a praia fica primeiramente deserta de água em razão do recuo do mar, tal momento apenas representa a inundação iminente e violenta. 

Faço tal comparação para dizer que a onda conservadora pode preceder a uma exigência de transformação social impelida pela própria realidade, pela necessidade, o que necessariamente não significa que teremos avanços sociais. Estes só virão a partir de uma práxis orientada por uma teoria que saiba para onde irmos. 

Vivemos sob um modo de mediação social baseado na produção de mercadorias e de valor através do trabalho abstrato (questão de forma) que não se adequa ao conteúdo dessa mesma produção, hoje fundada na alta tecnologia e cujos níveis de produtividade se tornaram incompatíveis com a exigência de produção de valor (questão de conteúdo). No organismo social mercantil falta sangue,– ou seja, dinheiro válido, advindo da produção. 

A História nos ensina que, ao alterar-se um modo de produção, muda também a forma de sociabilidade. Esta incompatibilidade exige uma que a forma se modifique para adequar-se aao conteúdo da produção. Este é o xis da questão. 

Evidentemente, as escolas, as academias, os teóricos dos partidos políticos (são poucos os que ainda os possuem!) e a grande mídia deixam de explicar isto para o grande público, que assim não tem como sabê-lo. Trata-se de uma negação proposital de acesso à informação, para que os donos do poder continuem controlando as suas precárias rédeas, prestes a se romperem. 

A onda conservadora, antes de confirmá-los no poder permanentemente, apenas lhes dá um alerta: Consertem tudo isso aí, sob pena de não conseguirem conter a avalanche de insatisfação que sobrevirá!. Como tal conserto é impossível dentro da lógica de reprodução do capital sob a qual governam e se beneficiam, as turbulências são inevitáveis.

Há indícios claros do tsunami:
– a rejeição aos candidatos a prefeito por parte de expressiva parcela do eleitorado das cidades mais politizadas do País (abstendo-se, anulando o voto ou votando em branco) é um exemplo da incredulidade de todos com relação aos políticos e suas instituições (digo suas porque elas não representam o interesse do povo); e 
– a tentativa de venderem o ajuste fiscal como única opção para salvar-se o Estado da falência (mediante a imposição de impostos escorchantes a uma população exaurida, visando satisfazer os credores da dívida pública), sob a alegação de que medidas draconianas são indispensáveis para a retomada do crescimento econômico, não passa de um canto de sereia, um mero engodo oficial. 
Logo os eternos logrados e lesados se decepcionarão com os conservadores assumidos e migrarão para os conservadores disfarçados seguindo o pêndulo da ineficácia. Vale perguntar: até quando assistiremos à alternância de governantes que representam apenas um eterno retorno ao ponto de partida? 

Cabe a nós, revolucionários, desmascararmos as mudanças superficiais que existem para que realmente nada mude, propondo, em seu lugar, transformações transcendentais.   

O Presidente Temerário, discursando na abertura de um encontro de países de língua portuguesa em Brasília, resgatou a triste memória da primeira ministra inglesa Margaret Thatcher, a ultra-neoliberal conservadora falecida há três anos, elogiando a defesa que ela fazia do ajuste fiscal –o qual, na verdade, não passa de uma tentativa de solucionar por via administrativa problemas cuja gênese se situa fora da administração pública, pois advêm do esgotamento de um modo de produção tornado anacrônico. Trata-se do discurso de volta a um passado que já deveria estar sepultado.  

Para governantes de países que podem financiar a dívida pública com juros baixos e a longo prazo, fica fácil dar conselhos de austeridade fiscal a países como o Brasil, que, embora tenha uma dívida pública relativa (em relação ao PIB) e absoluta (números concretos) ainda menor do que a deles, paga juros altos e de curto prazo como forma de sobrevivência. 

Mas, a falência de todos se aproxima cada vez mais. Será quando a onda conservadora vai transformar-se em tsunami.
. 
Por Dalton Rosado

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

LULA SAIU DO ARMÁRIO: "EU SOU UM LIBERAL". NÃO DAVA PRA PERCEBER?

Estamos conversados: Adam Smith é o guru do Lula...
Antigamente o Lula se esquivava de revelar seu posicionamento ideológico, saindo pela tangente quando lhe perguntavam se era de esquerda ou direita: "Sou torneiro-mecânico", ele respondia. Sob aplausos entusiásticos da claque, como se enrolação fosse algo meritório e elogiável. 

Agora, tanta certeza tem de que a esquerda chapa-branca em circunstância nenhuma o recriminará, que se deu ao luxo de abrir o jogo, ao participar de um encontro com blogueiros afins na semana passada:
"A Dilma é muito mais à esquerda que eu. Ela tem uma formação ideológica mais consolidada. Eu sou um liberal… Veja, eu, na verdade, eu sou um cidadão muito pragmático e muito realista entre aquilo que eu sonho e aquilo que é a política real".
...e Milton Friedman o da Dilma.
O que os perspicazes já estávamos carecas de saber foi por ele expresso de forma tão cristalina que até os eternos auto-iludidos não têm mais desculpas para tergiversarem.

Trocando em miúdos, Lula acredita que a riqueza da nação deva continuar sendo gerada nos moldes atuais, mantendo-se a dominação burguesa, pois esta é a política real, enquanto o socialismo e a anarquia não passariam de sonhos.

Só me causou estranheza sua afirmação de que a Dilma está à esquerda dele, Lula.

Taí algo difícil de engolirmos. Será possível que ela ainda esteja à esquerda de alguém, se há um ano se tornou cristã nova do neoliberalismo, adepta da mesma política econômica adotada por Reagan, Thatcher e Pinochet?

Lula em pleno exercício da "política real"
Se, em vários episódios, ficou cabalmente demonstrado que o mais influente dos seus conselheiros atuais é Luís Carlos Trabuco, o presidente do Bradesco?

Se tornou-se amiga desde criancinha e só por problemas de segurança desistiu de ser madrinha de casamento da ruralista Kátia Abreu, figurinha carimbada do agronegócio?

Enfim, como desconheço e não me interesso pelas divisões no seio do liberalismo, deixo esta discussão para os liberais.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

VISÕES DA CRISE: ESTAMOS EM CONTAGEM REGRESSIVA PARA O CAOS.

Se você chegou até aqui, provavelmente foi por buscar alternativa à mesmice da maioria dos espaços virtuais da esquerda.

Como está sintetizado na declaração de princípios, a razão de ser deste blogue é contribuir para que o Brasil trilhe o caminho da revolução, única resposta consistente à desumanidade que está no cerne do sistema capitalista. Nunca haverá distribuição equânime dos frutos do trabalho nem realização plena do ser humano enquanto perdurar a exploração do homem pelo homem.

As propostas originais tanto do marxismo quanto do anarquismo coincidiam no fundamental: as forças produtivas já estão suficientemente desenvolvidas para que cada habitante deste planeta conte com o necessário para uma existência digna. A desigualdade econômica deixou de ser uma decorrência da escassez, passou a ser uma obsolescência que a classe dominante tenta eternizar mediante a subjugação da sociedade.

Por motivos históricos que não cabe aprofundar aqui, mas que os interessados poderão conhecer neste artigo, houve um desvirtuamento da revolução soviética de 1917 que acabou por contaminar quase todo o movimento comunista com os vírus do autoritarismo e do monolitismo.

As sequelas do stalinismo perduram até hoje, e contra elas este blogue se bate. 

Por exemplo, hoje a maioria da esquerda mantém a contraditória e até esdrúxula postura de tentar salvar o governo de Dilma Rousseff ao mesmo tempo que faz críticas candentes à política econômica adotada pelo dito cujo.

Ora, para Marx a política econômica era exatamente o que definia o caráter de um governo; ele encarava a economia como a infra-estrutura, o que realmente determina os rumos de uma sociedade, enquanto o restante seria apenas superestrutura, o edifício ideológico erigido sobre (e que serve para justificar) as condições materiais da existência.

Então, sendo o governo da Dilma neoliberal como o foram os de Reagan, Thatcher e Pinochet, o que temos, afinal, a ver com ele? Uma esquerdista aplicando o programa econômico da direita só serve para confundir o povo arrochado e nos desacreditar. Defendê-la apesar disto, quando marcha irreversivelmente para o fim, equivale a associarmo-nos ao seu desprestígio, tornando-nos parceiros de uma acachapante derrota... em troca de nada!

Deveríamos é estar pensando em como reerguer  a esquerda e restaurar sua credibilidade depois do tsunami atual. No agudo processo de autocrítica que teremos de fazer, para nunca mais cometermos erros tão gritantes quanto os dos últimos anos. E em como nos reciclarmos para combater sem tréguas o Estado Oligárquico de Direita em gestação, conforme Vladimir Safatle brilhantemente flagrou.

Por que a queda de Dilma é inevitável? Porque está levando a economia brasileira ao colapso, como se lê no artigo da Raquel Landim. E porque não nos oferece nenhuma saída, não apresenta proposta alguma para evitar que sobrevenha uma depressão econômica devastadora em 2016, impondo rigores terríveis (principalmente) aos trabalhadores, excluídos e indefesos. Inacreditavelmente, continua relutando até agora em remover o estranho no ninho do Ministério, o fracassado Joaquim Levy.

Então, mesmo que o governo sobreviva ao pedido de impeachment e ao processo na Justiça Eleitoral, não terá como suportar as turbulências que advirão quando o povo não suportar mais o desemprego, a inflação e a miséria. Estamos em contagem regressiva para o caos, arriscados até a sucumbirmos a uma nova ditadura sanguinária se não detivermos essa marcha da insensatez.

Fico pasmo ante a indiferença de esquerdistas ao sofrimento daqueles que existimos para representar, defender e tentar emancipar.

Não sei como alguém pode dizer-se revolucionário sem demonstrar a mínima compaixão pelos destituídos. Antes, era por aí que todos começávamos nossa jornada, incapazes de permanecer indiferentes à dor e ao espezinhamento de nossos irmãos.

Então, quando a alternativa for entre salvar um governo ambíguo ou tirar milhões de coitadezas de uma situação dantesca, repetirei sempre a opção que fiz aos 17 anos, de dedicar a minha vida ao resgate do povo sofrido.

OBSERVAÇÃO: ARTIGO CENSURADO PELO FACEBOOK, 
VIOLANDO A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA, QUE 
ASSEGURA A LIBERDADE DE OPINIÃO 
E PROÍBE CENSURA PRÉVIA.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

PT CONTRA PT. COMO PODERIA DAR CERTO?

Thomas Traumann, que já foi ministro da Comunicação Social do governo Dilma, veio ao encontro do que venho escrevendo há meses:
"São conhecidos os males que alimentam a ameaça de impeachment: articulação política inábil, comunicação desastrosa, paralisia administrativa e a sinalização mercurial dos rumos do governo. Porém, mais que o avanço das investigações da Operação Lava Jato, dos julgamentos do Tribunal de Contas da União e do Tribunal Superior Eleitoral e das idas e vindas do PMDB, o ritmo do processo do impeachment será dado pelo bolso do cidadão. 
São os índices de desemprego, inflação e queda no consumo que podem derrubar o governo, que podem levar milhões às ruas, gerar pânico no mercado financeiro e esfarinhar de vez a base governista".
Daí a minha certeza de que Dilma tem os dias contados, pois não conseguirá viabilizar o arrocho fiscal tendo contra si grande parte do eleitorado e da base de sustentação política de... Dilma! 

Foi o paradoxo que também derrubou João Goulart: por mais que quisesse ajustar a economia com receituário de direita, o seu genro Leonel Brizola impedia e implodia tudo.

O Guilherme Boulos, com toda razão, leva o MTST a invadir o Ministério da Fazenda para protestar contra Joaquim Levy.

João Pedro Stedile, os movimentos sociais, os petistas que não viraram neoliberais, até o recém-constituído Conselho Consultivo do PT, todos fazem tudo para deter Levy. 

E boa parte do empresariado também, pois a exumação da recessiva CPMF só convém aos bancos e desagrada em cheio à indústria e ao comércio. 

Se for rejeitada pelos parlamentares, outras agências de risco colocarão o Brasil no vermelho, o dólar subirá ainda mais, a crise econômica realimentará a política, etc. 

Tenho suficiente familiaridade com o xadrez para perceber que a partida já está mais do que decidida. Se fosse um pouquinho melhor, diria quantos lances faltam para o xeque-mate...

Será por não conseguir tirar o Brasil da recessão --mais provável é tornar-se depressão-- que Dilma vai cair.

E cairá, acima de tudo, porque tentou o impossível: depois de eleger-se com retórica de esquerda, quis socar-nos goela adentro as mais antipopulares medidas de austeridade.

Isto quem fazia direitinho eram Thatcher, Reagan, Pinochet e que tais. A Dilma deveria ter deixado o serviço sujo para a direita, pois a desumanidade é requisito prévio para a função. Ao assumir o mico em nome do PT, ela mergulhou o Brasil numa crise gravíssima e destruiu o partido.

Um elefante em loja de cristais não faria pior. E a sua passagem pelo poder terá sido como uma praga de gafanhotos, pois vai deixar atrás de si uma terra arrasada.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

DIZE-ME COM QUEM ANDAS...

Mais simbólico, impossível! No mesmo dia em que a esquerda protestará em várias cidades contra a direitização do Governo Dilma, cada vez mais longe do socialismo e mais perto do neoliberalismo, a presidenta estará recepcionando em Brasília a chanceler linha dura da Alemanha, Angela Merkel.

Como todos sabem, trata-se de uma megera pior ainda do que Margaret Thatcher na defesa intransigente da ortodoxia capitalista.

O Joaquim Levy tem orgasmos múltiplos só de vê-la na TV. Precisa tomar cuidado para que a emoção de respirar o mesmo ar que sua musa não lhe cause um piripaque...

Quanto à nossa Dilma, tão desnorteada ultimamente, faz-me lembrar aquela frase célebre de Porfírio Diaz: "Pobre México! Tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos".

domingo, 26 de julho de 2015

SE PLANTAR MAIS DO MESMO, DILMA COLHERÁ MAIS DO MESMO.

Continuam viajando na maionese Dilma Rousseff e a ala chapa-branca do PT (aquela que não dá a mínima para as bandeiras históricas do partido e adere até ao neoliberalismo quando isto lhe convém).

A presidenta vinha evitando aparições na TV com dia e hora marcados, para que os adversários não convocassem humilhantes panelaços. Mudou de idéia e dará a luz de sua (des)graça no próximo programa do PT, que vai ao ar no dia 6, em rede nacional. Alguém dúvida de que os opositores articularão, nas redes sociais, o panelaço mais barulhento de quantos houve até agora?

Ela decidiu também que procurará cativar os governadores e líderes da oposição, no sentido de que abracem a causa da governabilidade e orientem suas bancadas a não abrirem mais rombos na canoa furada do ajuste do Levy. 

Haverá muita discurseira engana-trouxas e, noves fora, os parlamentares vão continuar defendendo apenas seus interesses, não os do povo ou do País. Dilma dá a impressão de que ainda crê em Papai Noel e coelhinho da Páscoa...

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um dos alvos da ofensiva dilmista e lulista, já disse que "o momento não é para a busca de aproximações com o governo, mas sim com o povo". Raposa velha não atira boias para inimigo que está afundando.

Enfim, o PT continua acreditando que atingiu seu pior momento em 35 anos de existência por causa da superexposição dos escândalos de corrupção na grande mídia (adversa como sempre!), de erros na forma de comunicar-se e de não haver sido suficientemente persuasivo na cooptação dos rivais. 

Enquanto insistir na auto-ilusão, seguirá em direção ao abismo. A direita golpista, começando pelo Reinaldo Azevedo, exultou com a notícia de que a Dilma sairá da sua reclusão para receber mais tortas na cara. Com sua teimosia em considerar correto e imutável tudo que fez até agora, ela não para de levantar bolas para o time adversário marcar pontos.

Vou repetir mais uma vez, talvez alguém a bordo do Titanic finalmente me escute: o iceberg que afundará o governo atende pelo nome de recessão. E recessão é o pseudônimo do Joaquim Levy. Enquanto o cidadão comum sentir-se empobrecendo dia a dia, rejeitará Dilma e o PT na mesmíssima proporção. 

Então, não adianta querer sair do buraco com mais do mesmo, pois o resultado será... mais da mesma rejeição estratosférica atual. 

Para salvar-se, Dilma terá de devolver o Levy à sua insignificância, anunciar uma guinada de 180º na política econômica e tentar reconquistar o apoio popular. 

Se depender dos banqueiros, dos ruralistas, dos grandes capitalistas em geral, das parlamentares, etc., ela não iniciará 2016 no Palácio do Planalto. Se cair nos braços do povo (como o Lula já recomendou), talvez escape da degola.

Ou, pelo menos, terá um epitáfio digno, de quem tombou defendendo os explorados, não um do tipo "aqui jaz uma presidenta que seguiu as pegadas de Margaret Thatcher e Angela Merkel, mas não possuía a competência de ambas".

sexta-feira, 24 de julho de 2015

EDITORAL DA "FOLHA" EXPRESSA A FÚRIA DOS PODEROSOS FACE AO FRACASSO DO ARROCHO FISCAL

Os editoriais da Folha de S. Paulo não cheiram nenhum perfume que agrade ao olfato dos melhores seres humanos; nem, na maioria das vezes, fedem. Ficam mais nas obviedades e platitudes, no nem sim, nem não, muito pelo contrário...

São raros os contundentes como o provável campeão de rejeição em todos os tempos --aquele  que, baixando o cassete em Hugo Chávez, en passant minimizou o terrorismo de estado imposto ao Brasil pelos golpistas de 1964, qualificando-o de ditabranda.

Então, chama a atenção o tom exacerbado, cuspindo fogo, que a Folha adotou nesta 6ª feira (24) para deplorar o malogro do arrocho fiscal do Joaquim Levy:
"O Brasil está à deriva num mar tempestuoso. O lamentável desfecho do debate acerca das contas públicas acentuou a sensação de que ninguém controla o leme desse gigantesco transatlântico.
Acho que entendi errado aquelas teses do Friedman
Reduzir a meta de economia de gastos em 2015 foi o menor dos males, pois já estava clara a impossibilidade de o setor público destinar R$ 66,3 bilhões para abater a dívida ao final deste ano de aguda recessão. A magnitude da revisão e sobretudo o modo como se desenrolou é que recendem a capitulação.
O novo objetivo [saldo positivo de R$ 8,7 bilhões] já surge com uma cláusula que perdoa seu descumprimento e admite deficit de até R$ 17,7 bilhões.
Premia-se a irresponsabilidade do Congresso...
 ...à exceção do Ministério da Fazenda, os atores institucionais relevantes para a condução da política econômica se sentem livres para boicotar o ajuste.
...Perfilam-se entre os sabotadores os líderes do Congresso e do Judiciário, o ministro da Casa Civil, o titular do Planejamento e a própria presidente da República, cuja inépcia se ressalta a cada decisão importante que tem a tomar...
...Se quiser recuperar a confiança maculada, Dilma Rousseff precisa decidir-se sobre o rumo a seguir e agir resolutamente. Chega de sustentar uma equipe desarmônica de ministros. Aos sabotadores a mensagem deve ser clara: ou submetem-se ou deixam o governo".
Ou seja, a Folha apresenta o ministro da Fazenda como uma Chapeuzinho Vermelho cercada de lobos por todos os lados. Nem uma palavra a respeito de sua falta de estatura para o cargo: Levy não passa de um economista menor, sem brilho acadêmico, que atuou quase sempre em governos e, como mero coadjuvante, em instituições como o FMI e o Banco Central Europeu, nelas aprendendo a priorizar invariavelmente os interesses do capital financeiro, em detrimento da felicidade e até da sobrevivência dos seres humanos. 

Mesmo no Bradesco (cujo diretor-presidente, Luiz Carlos Trabuco, indicou-o para Dilma após recusar a proposta de ele próprio assumir a Pasta) só servia para cuidar da gestão de ativos de terceiros, um tentáculo menor do polvo.

Tem as simpatias da direita em geral por ser um neoliberal de corpo e alma, mas inspira desconfiança no chamado mercado por ter um currículo meia-boca. Se era para impor aqui uma política de austeridade igualzinha àquela que tem desgraçado nações como a Grécia, por que a Dilma não chamou logo o Delfim Netto? Seus valores ideológicos são tão execráveis quanto os do Levy, mas possui a expertise que falta ao patético e (agora) fracassado Chicago (office) boy...

Querer ficar bem com a direita...
O fiasco era a chamada caçapa cantada, não só pela resistência dos que se beneficiam do loteamento do Estado e mamam nas suas tetas, mas também por um motivo que aponto desde a campanha eleitoral: a política econômica que os poderosos exigiam (essa que está aí) JAMAIS poderia ser implantada pelo PT, que a combatia implicitamente desde seus longínquos primórdios na segunda metade da década de 1970, quando Lula liderava as grandes greves do ABC paulista, passando a fazê-lo explicitamente a partir da onda neoliberal. Não se pode pisar num passado destes, destruindo a própria identidade do petismo.

O PT poderia, simplesmente, haver disputado a eleição de forma leal, sem desconstruir Marina Silva com uma satanização de fazer inveja a Joseph Goebbels. Provavelmente perderia, deixando para sua filha pródiga a espinhosa tarefa de mergulhar o País numa recessão para fazer a vontade dos grandes capitalistas.

Ou ter, uma vez reeleita Dilma, feito exatamente o que prometera: não se vergar aos bancos e ao patronato em geral. Os austericídios já consumados são provas eloquentes de que o emagrecimento forçado proposto por Friedman e imposto por Thatcher, Reagan, Pinochet, Merkel, etc., NÃO FUNCIONA!!! Leva as nações à anorexia, mandando-as para a UTI. 

...e com a esquerda não funciona mais, portanto...
Já passou da hora de os países imolados no altar do capital começarem a unir-se para reagirem, e o Brasil poderia desempenhar um papel de destaque num processo desses. Isto, sim, seria coerente com o que o partido proclamou no seu manifesto de fundação: 
"O PT nasce da decisão dos explorados de lutar contra um sistema econômico e político que não pode resolver os seus problemas, pois só existe para beneficiar uma minoria de privilegiados".
O que o PT jamais poderia é ter adotado uma retórica de esquerda para salvar (na bacia das almas) uma eleição praticamente perdida e depois aplicar a política econômica da direita mais impiedosa. É POR ISTO QUE NÃO CONSEGUE CONTROLAR O LEME DO TAL TRANSATLÂNTICO E A REJEIÇÃO A DILMA HOJE ALCANÇA NÍVEIS ESTRATOSFÉRICOS!

A melhor saída para o buraco em que se meteu será voltar a ser fiel aos seus ideais:
  • exonerando Levy e outros estranhos no ninho como Kátia Abreu e George Hilton;
  • dando uma guinada de 180º na política econômica; e 
...chegou a hora de escolher um lado.
  • retirando a coordenação política das mãos fisiológicas de Michel Temer (Lula é o ÚNICO quadro de que o PT dispõe para exercer tal papel num momento crítico como o atual). 
Desta forma, ou viraria o jogo ou, pelo menos, perderia por razões defensáveis e posicionado do lado certo, o dos explorados. 

Já ser escorraçado pelo próprio povão, que a recessão do Levy está levando ao desespero, seria humilhante demais, além de tornar a reconstrução da esquerda, depois do vendaval, uma missão quase impossível.
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